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Arquivo: eleicoes eua 2008

4:20

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“Há muito tempo atrás, numa galáxia muito, muito distante…”

…hologramas eram usados para fazer pedidos de socorro, não para redes de TV dizerem que podem competir com a cobertura jornalística na internet com frufrus virtuais.

Valeu a intenção, mas ficou tosco.

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“Remember, remember, the 5th of November…”

Planeta Terra, dê boas vindas a seu primeiro presidente.

Quando tudo der errado, McCain, se ainda estiver vivo, vai dizer “eu te disse”.

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Mas, na boa…

Nesse papo de eleições americanas, eu tendo a concordar com o Latuff

Dica do Ulysses.

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Eleição à americana

“That’s entertainment!”

É engraçado ver o que os EUA estão fazendo com a política. Tá certo que a mudança do discurso para a cosmética não é nem um pouco nova – e remonta a um Nixon mal encarado e suando no primeiro debate televisionado da história, em que Kennedy parecia um galã de Hollywood. Mas o que estamos assistindo em 2008 é a transformação definitiva da política, ao menos da campanha, em showbusiness. Perto da eleição McCain x Obama, a imagem de Bush sendo maquiado pouco antes de entrar em cadeia nacional para falar da Guerra do Iraque – que, uma vez vazada, foi usada originalmente por seus adversários para mostrar um suposto desdém para com o que o presidente americano iria dizer -, parece normal, um mínimo de preocupação estética, em 2008.

O show em que se transformou a campanha eleitoral dos EUA teve um capítulo especial no meio do mês passado, quando os dois candidatos baixaram a guarda para participar do jantar oferecido pelo Alfrend E. Smith Memorial, um evento tradicional das eleições americanas em que os protagonistas podem ficar mais à vontade. Eis os discursos dos dois candidatos, com algumas aspas traduzidas do discurso (a transcrição dos dois discursos na íntegra pode ser lida aqui). Primeiro, McCain:

“Essa campanha precisava do toque comum de um trabalhador. Afinal, começou há muito tempo com a celebrada chegada de um homem conhecido por Oprah Winfrey como ‘The One’. Como sou colega e amigo de Barack, posso chamá-lo de ‘That one’. E eles, meus amigos, ele não liga nem um pouco. Na verdade, ele tem até um apelido para mim – George Bush”

“Eu sou o vira-latas nestas últimas semanas. Mas se você souber onde procurar, vai encontrar esperança. Há sinais de esperança nos lugares mais improváveis – até mesmo nesta sala cheia de democratas de Manhattan. Eu não consigo deixar de acreditar que há pessoas que estão torcendo para mim. Que bom te ver aqui hoje à noite, Hillary!”

“Onde está Bill, falando nisso? Ele não consegue descansar uma noite sequer para tornar o homem que venceu sua esposa o próximo presidente? Quando um repórter perguntou a ele se o senador Obama era qualificado para ser presidente, ele respondeu, ‘claro, ele tem mais de 35 anos e é um cidadão americano’”

“Em todo caso, sabemos que o senador Obama está pronto para qualquer contingência – mesmo na possibilidade de uma crise de mercado dramática e repentina. Ouvi dizer que, aos primeiros sinais de recuperação, ele irá suspender sua campanha e voará imediatamente para Washington para cuidar desta crise”

Depois, Obama:

“Estou emocionado por ter sido convidado e me sinto em casa aqui porque sempre disseram que eu caso a política de Alfred E. Smith com as orelhas de Alfred E. Newman”

“É uma honra estar aqui com Al Smith. Eu obviamente não conheci seu tataravô, mas depois de tudo que o senador McCain me contou, sobre o ótimo tempo que eles tiveram juntos antes da Lei Seca… Belas histórias”

“Recentemente, um dos principais conselheiros de John McCain disse ao Daily News que se nós continuássemos falando sobre a economia, McCain iria perder. Então aqui estou para falar sobre a economia”

“Olhando ao redor, toda essa comida fina e champanhe, é claro que nenhum gasto foi contido. É como um encontro de executivos da AIG”

“Vocês sabem, estivemos debatendo muitas destas questões econômicas durante a campanha, mas ultimamente as coisas se tornaram mais duras. Nas últimas semanas, John continuou sua campanha perguntando ‘Quem é Barack Obama?’. Tenho de admitir que eu fiquei surpreso com essa pergunta, já que a resposta está bem ali na minha página do Facebook”

“‘Quem é Barack Obama?’ Diferente dos rumores que vocês devem ter ouvido, eu não nasci em uma manjedoura. Na verdade, nasci em Krypton e fui mandado para cá pelo meu pai Jor-El para salvar a Terra. Muitos de vocês – muitos sabem que eu herdei o nome Barack do meu pai. O que vocês não sabem é que Barack é o termo swahilli para ‘aquele ali’. E meu nome do meio foi tirado de alguém que obviamente nunca havia pensado que eu poderia concorrer à presidência”

“Se tivesse que dizer qual é a minha maior força, eu diria que é minha humildade. Minha maior fraqueza é que eu sou bom demais”

“Eis outra revelação, John McCain tem um bom ponto. Houve realmente um ponto em minha vida quando eu comecei a circular com uma turma da pesada. Tenho que ser honesto, esses caras eram casos perdidos, baixos, ignóbeis, inúteis. É verdade: eu fui integrante do senado americano. Pensando nisso, John, eu juro que te vi em um de nossos encontros”

“Por falar nisso, tem uma coisa que me deixa curioso: a FoxNews pode ser considerada uma mídia?”

Isso é entretenimento. É um dos grandes legados da cultura americana para o resto do planeta – frases de efeito, tiradas rápidas, piadas que exigem uma certa descontextualização momentânea para fazer sentido, ironia fingindo não ser ironia, diálogos ágeis e um sorriso no rosto. Não interessa qual é a mensagem, é esse espírito que une o Pernalonga, Marlon Brando, Eazy E, Elvis Presley, Michael Moore, John Kennedy, Tony Soprano, Martha Stewart, John Wayne, Martin Luther King, os Beastie Boys, Jerry Seinfeld, Eddie Murphy, Charlton Heston, Homer Simpson ou Marilyn Monroe. É dos motivos de gostarmos tanto da cultura deles.

Mas nestas eleições, mais do que nas passadas, o entretenimento e a política caminharam tão próximos que, em alguns momentos (como os vídeos acima), pareciam ser um só. É a tal da política pop, em que plano de governo, argumentos racionais e aliados políticos ficam em segundo plano se comparados ao carisma televisivo.

E mesmo se ascensão de Obama parecia inevitável, graças a este elemento televisivo (ou à ausência dele) que sua vitória começou a ser dada como certa. O ponto principal: a nomeação da vice de John McCain, Sarah Palin, e sua subseqüente demolição feita por Tina Fey que, devido à sua semelhança com a candidata, voltou ao Saturday Night Live várias vezes para viver o papel de Palin.

Políticos e humoristas sempre andaram de mãos dadas (mesmo a contragosto), mas faltava à Sarah Palin as qualidades que tornaram a cultura americana tão central em nossa era. Sem um pingo de desenvoltura, carisma próximo de zero e um estreito conhecimento sobre cultura geral, ela tornou-se um alvo perfeito. E se os republicanos achavam que colocar uma mulher como vice ia contar pontos a favor de McCain, o desempenho de Palin foi crucial para enterrar as esperanças finais de McCain.

(Isso não quer dizer que ele não possa ganhar. Lembre-se que a eleição do ano 2000 foi fraudada com os republicanos FORA da Casa Branca. Não duvide que agora que eles têm a máquina na mão, não vão tentar algo. Fora essas urnas de tupperware… E neste link há outros motivos que mostram como McCain pode ganhar, mesmo com a Obamania)

Mas há quem queira dizer que a culpa pelo tombo chamado Sarah Palin é de Tina Fey, o que é uma bobagem. Nem o Alec Baldwin acha isso, embora tenha participado topar do quadro que o Saturday Night Live fez com a candidata a vice para tentar acalmar ânimos rednecks:

O problema não é a falta de preparo para a política – mas a falta de preparo para o showbusiness. Sarah Palin não pertence a este universo, apenas ao da política no Alaska, que ainda sobrevive longe dos holofotes e dos olhares do mundo. Por isso, falta-lhe estofo para concorrer uma eleição que, na verdade, é um espetáculo. Veja o que diz um bom exemplar deste universo sobre a possibilidade de Palin estar pronta para este novo ambiente:

É isso aí, nem Schwarzenegger acha que ela está pronta – o que não quer dizer que ela não possa, um dia, ser presidenta dos EUA. Ela acaba de entrar num jogo de tubarões – e sua carreira política pode passar por uma plástica moral e, em quatro anos, poderemos ver Sarah Palin esperta e ágil em suas respostas, pronta para o público.

McCain e Obama já estão. Num país em que é possível ter aulas de oratória e discurso ainda no primeiro grau e que todos os estudantes são incentivados a, quem sabe um dia, concorrer à presidência dos EUA (afinal, eles são a “terra das oportunidades”), a política sempre esteve incutida no dia-a-dia de cada cidadão americano, mesmo que ele não perceba.

O que mudou dos tempos de George Washington para cá e que não basta o político ser sério, íntegro, dedicado e pronto para debater qualquer assunto. Ele deve ter boa aparência, fotografar bem, falar sem gaguejar, ser simpático, agradável, divertido, cool.

Fora toda a mudança que a internet está trazendo para o sistema político como um todo (demos uma bela geral na capa do Link desta semana, as matérias podem ser lidas aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), estamos vendo o entretenimento entrar de vez na política. McCain e Obama é quase um confronto entre Bob Hope e Chris Rock – duas faces do American way of entertaining.

Mas, no fundo, é a velha política americana em ação, apenas assumindo que os tempos mudaram e que é preciso ganhar um eleitorado que é cada vez mais global. Mas não se engane, a mudança é estética. Na prática, eles ainda se vêem desta forma:

Afinal, como diz a Natalie Portman e a Rashida Jones (aquela primeira namorada do Jim no The Office), “no dia 4 de novembro, faremos a decisão mais importante da nossa geração”. E a escolha delas é uma só:

Bem-vindos à política do século 21.

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É amanhã!

O mundo inteiro na ponta dos cascos:

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E por falar na Palin…

Já viram os vídeos dela no concurso Miss Alaska, em 84?

Aqui, ela mostra seus talentos:

Aqui, ela desfila com traje de noite:

E nesse link dá pra ver o vídeo dela no concurso de maiô. Mas já mando um spoiler: bunda quadrada.

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Link – 3 a 9 de novembro de 2008

Windows 7Governo global?Eleições nos EUA: a primeira da era digitalMergulhando no YouTubeVida Digital: Felipe MassaFuturecom 2008

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2008, ano FAIL

E por falar em Kanye West e os recentes FAIL de Marta Suplicy, Fernando Gabeira e Felipe Massa, não vou estranhar nada se na eleição de amanhã rolar o FAIL do ano.

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Link Eldorado – 2 de novembro de 2008

E o programa de hoje fala sobre a disputa eleitoral nos EUA e como ela já mudou as relações entre política e a realidade eletrônica, de como tirar melhor proveito das ferramentas do YouTube, do novo Windows, da Futurecom 2008, além de um papo com Felipe Massa. No som, ouvimos Rolling Stones, Arnaldo Baptista, MGMT, Adriana Calcanhoto tocando Madonna e muito mais. O Link Eldorado vai ao ar todo domingo, na rádio Eldorado e São Paulo, às 21h.

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Leitura Aleatória 186


Foto: adgray2k

1) Como o Google está mudando nossas vidas
2) O fim das Garotas que Dizem Ni
3) Casal confessa ter vendido vídeo de Amy Winehouse usando drogas
4) Sony e Paramount cogitam financiar adaptação de Tintin em 3D
5) Provável vitória de Obama dispara venda de armas nos EUA
6) Casamento de Madonna e Guy Ritchie tinha contrato que proibia ele gritar com ela e o lembrava ter que manter relações sexuais – com ela, claro (também, com a Madonna, hoje em dia, só com contrato mesmo…)
7) Fox cancela o seriado O Rei do Pedaço
8) Ladrões furtam laptops e roupas de Kylie Minogue na Colômbia
9) Criacionistas declaram guerra ao cérebro
10) Matemático decifra acorde misterioso dos Beatles

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Leitura Aleatória 174


Foto: ^__^’

1) Cantora Ivete Sangalo sofre aborto
2) Avião ‘quase se chocou com Ovni’ em 91 na Inglaterra
3) Lucasfilm atualiza marca Maniac Mansion
4) Guy Ritchie acusa Madonna de espioná-lo
5) Filme inédito do Arctic Monkeys ganha sessões no Brasil
6) Racionais vão fazer propaganda pra Nike (quem diria, hein…)
7) Americanos vão às urnas para decidir sobre maconha e prenhez das porcas
8) Javiera Mena, revelação da nova música chilena
9) Executivo-chefe do Google apóia Obama nas eleições dos EUA
10) Para editores, e-books devem superar livros até 2018

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Leitura Aleatória 173


Foto: tonyj19

1) Mais cenas inéditas de Watchmen são vistas!
2) Filho de Lucas Mendes estréia na direção com retrato da geração web
3) Sony faz recall do LittleBigPlanet pra não ofender muçulmanos
4) Mesmo antes de lançar o disco novo, Kanye West já disse que em 2009 tem outro
5) Lula acredita em conclusão da Rodada Doha após eleições norte-americanas
6) Long Blondes se separam
7) As 10 cinebiografias mais cheias de erros
8) 10 ícones americanos que não são americanos
9) Três em cada quatro crianças que usam a internet já disseram ter visto conteúdo que não consideravam apropriado para elas
10) R.E.M. vai lançar edição de luxo do Murmur

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Sete Dias de Trabalho Sujo

- Liniers vem para SP;
- Hermes e Renato: Também Sou Hype;
- Laranja Mecânica de brinquedo;
- Eleições americanas: Tina Fey, uma maverick, general Zod para presidente dos EUA e todo mundo tipo Obama;
- Música: João Brasil remixa Vanguart, novo do Cure e Astral Weeks ao vivo, Mallu na Bravo, R.E.M. em 1983, horários do Planeta Terra 2008, Beatles ilustrados, Ringo não quer dar mais autógrafos, Of Montreal ainda repele indies, uma mixtape pra Dani, olha a cabeleira do Justice, Elliot Smith entrevista Lou Barlow, Radiohead jazz, mais uma do Little Joy, a volta de Jeff Mangum, 500 músicas escolhidas pelo Pitchfork, música brega do Pará é auto-suficiente e Portishead no beatbox;
- Cultura Inútil: o poster do próximo filme do Tarantino, Allan Sieber e o Brasil, não dê arma na mão de bebês, Battlestar Galactica + Simpsons e essa camerita? Disseram que os ETs viriam mas até agora nada, desastres para montar em papel, TED em português, porta-copos para baba-ovos do iPhone, gatos dando descarga, pessoas minúsculas e lugares que cabem na mão, segue a confusão entre J.J. Abrams e William Shatner, como George Lucas e Steven Spielberg estupraram Indiana Jones (e os brindes de sua versão em DVD no exterior), um sanduba de três quilos, capa pra HD externo, filme do Dragon Ball Z e como os Trapalhões previram seu futuro há vinte e cinco anos;
- O Link fala de alta do dólar e eletrônicos, Tokyo Game Show e Ning, além de tocar Panda Riot, Fireman e Little Joy. No Vida Fodona tem Oranger, Paul, Phoenix, De Leve e Kassin;
- Uma sexta-feira, um mashup: Pink Floyd com The Wiz, Cinco Vídeos para o Meio da Semana: MGMT, N*E*R*D + M.I.A., Burro Morto, Franz Ferdinand e Benoit Pioulard, Palavras para o Domingo: Mr. Garrison explica o Darwinismo, Mixtape de sábado: Costa a Costa;
- Leitura Aleatória números 164, 165, 166, 167, 168, 169, 170 e 171.

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E ainda nas eleições americanas…

Tina Fey segue debulhando o resto de moral que Sarah Palin possa ter…

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