30 de dezembro de 2011 às 11h29
Como foi a última noite Trabalho Sujo de 2011
Foi mais ou menos assim a festa de sexta passada, quando toquei com o Mutlei, o Rafa e o Danilo. Tem mais fotos lá no Flickr da Helena – e aí embaixo:
Foi mais ou menos assim a festa de sexta passada, quando toquei com o Mutlei, o Rafa e o Danilo. Tem mais fotos lá no Flickr da Helena – e aí embaixo:
E aí, já sabe onde vai terminar seu ano letivo? Sugiro, claro, na última Noite Trabalho Sujo, também conhecida como primeira Noite Trabalho Sujo de verão. A lógica da acabação em virada de temporada fez surgir um encontro de proporções cósmicas, quando reuni os mesmos Rafa e Danilo que me ajudaram a operar aquela máquina do tempo que foi a festa Lebowski (Ostra & Seismic em encarnações passadas) ao arauto do verão, o catarina Fábio Bianchimi, o Mutley, Mumu para todos os íntimos que ele conhece. Para batizar tal agremiação, Rafa voltou a São Gilbert Shelton e eu fiz questão de colocar em caixa alta o THE BAND do título. Juntos, entortaremos pescocinhos e chacoalharemos quadris como se fosse festa de réveillon. Abaixo tem uma pequeno aperitivo do encontro de hoje à noite, que acontece lá no Alberta (as coordenadas estão tanto no site do Alberta quanto na página do evento no Facebook. Tou recebendo nomes pra lista até às 21h no email noitestrabalhosujo@gmail.com. Rola uma pausa na sexta que vem, mas dia 6 tamos de volta…
The Band of Fabulous Furry Freak Brothers – “Sensa” (MP3)
Maroon 5 + Christina Aguillera – “Move Like Jagger”
Vampire Weekend – “The Kids Don’t Stand A Chance (Chromeo Remix)”
N*E*R*D + Nelly Furtado – “Hot-n-Fun”
Soledad Brothers – “Prodigal Stone Blues”
Lulu Santos – “Toda Forma de Amor”
Marina Lima – “Uma Noite e Meia”
Tim Maia – “Brother, Father, Sister And Mother”
Telekinesis – “I Cannot Love You”
Tame Impala – “Half Full Glass Of Wine (Canyons remix)”
Charlatans – “The Only One I Know”
Beatles – “She Loves You”
Myrth – “Gotta Find a Way”
Já é uma tradição: ao começar a primavera, Fabio “Mutley” Bianchini (o Mumu) começa sua expectativa para a chegada da mais bela estação. E este é o segundo ano em que sua espera diária se materializa no Tumblr Contagem Regressiva para o Verão, com links diários para vídeos ensolarados – como os dias que têm feito essa semana, a penúltima da primavera de 2011. Sabendo desse astral, a Dani pediu para ele fazer uma mixtape temática sobre a próxima temporada, e sua resposta foi em kobaïano, sua atual fixação progressivista, idioma que batiza a coleção de hits. A foto que embeleza a mixtape foi tirada pela Malg, em uma passagem pelo mítico Riozinho, uma das melhores praias de Florianópolis, de onde Mumu transmite.
Zeuhl: blum hamtai itah, und^em, zanka, walomend^em, por Fabio Bianchini (MP3)
Undertones – “Here Comes the Summer”
Katrina & the Waves – “Walking on Sunshine”
Amigos Invisibles – “Merengue Killa”
Verano – “Summerlove”
Eddy Grant – “I Don’t Wanna Dance”
Beatles – “Ob-La-Di, Ob-La-Da”
Bodysnatchers – “Let’s Do Rock Steady”
Erasmo Carlos – “Maria Joana”
Plastilina Mosh – “Pervert Pop Song”
Weezer – “Island in the Sun”
General Johnson + Joey Ramone – “Rockaway Beach”
Divine Comedy – “Pop Singer’s Fear of the Pollen Count”
Panda Bear – “Surfer’s Hymn”
Elf Power – “Stranger in the Window”
Jorge Ben – “Que Maravilha”
Teenage Fanclub – “Aint That Enough”
Lulu Santos – “Como uma Onda”
Fun Lovin’ Criminals + Ian McCulloch – “Summer Wind”
E por falar em Belém do Pará, o calor começa a despontar no horizonte do fim do ano. E como já é tradicional, Fabio “Mumu” Bianchini começou sua contagem regressiva para a chegada do verão deste ano em um tumblr diário:
E achei mágicow o fato do Mumu ter postado o carimbó do Pinduca bem às vésperas de minha ida pro norte:
Ainda mais que terça que vem eu tou chegando em Floripa – pra falar e pra fazer dançar.
Depois do risoto, o cachecol.
Qual será o próximo desafio do arauto do verão? Capuccinos? Luvas? Tricô? Fondue?
O porta-estandarte do verão se rende ao friozinho, ao edredon, aos filmes com Meg Ryan, aquele frappuccino e um risotinho, quem diria, de inverno. Só vendo pra crer:
Impagável. A receita, pra quem quiser, tá aqui.
Quem quiser descrever os anos 90 vai ser obrigado a mencionar a ironia. Não aquela ironia fina e inteligente que apreciamos, mas a nefasta, de liquidação, acessível a qualquer pobre de espírito armado de sorriso desdenhoso e má fé. Dizer uma coisa dizendo que quer dizer outra e falar sem qualquer compromisso com o que se disse. Aí falar em sentimentos passou a ser brega, defender convicções políticas passou a ser panfletário e retrógrado, acreditar em amizade passou a ser babaca, pedir decência passou a ser patrulha e respeitar o próximo passou a ser coisa de otário. “Romântico”, vejam só, passou a ser pejorativo.
Assim Mumu começava o texto sobre os primeiros shows de sua banda contemporânea favorita, o Teenage Fanclub, que assistiu, há dez anos, em Londres. O texto saiu em uma das últimas encarnações da Bizz (na fase editada pelo Tomate) e ele aproveitou a década de distância dos shows originais para ressuscitá-lo. Emboa hora, ainda mais que estão cogitando a vinda dos TFC mais uma vez ao Brasil. Dedos cruzados!
Ótimo saldo da passagem por Floripa, sempre um prazer, resumida na coleção de fotos que as meninas do Donde Estás Corazón?, donas da festa, reuniram no (ótimo) blog, e na reportagem que a Rosielle, da revista Naipe, fez do papo da tarde de sábado. Um trecho:
Às 18h30, o bate-papo sobre os novos caminhos da música digital parecia show de stand up comedy. Sabe-se lá como, os convidados Alexandre Matias, Emerson Gasperin, Fábio Bianchini e Marcos Espíndola conseguiram misturar no mesmo debate temas como profissionalização musical, indústria da música, redes sociais, discos de ouro, funcionalismo público, movimento pós-punk, teoria da cauda longa e Dinho Ouro Preto. Esse último, concluiu-se, adotara o estilo grunge quando o grunge sequer existia e, portanto, merece passar a ser chamado “Dinho, o visionário sem talento”.
Vale ler toda matéria. E valeu Floripa!
Passo o finde em Florianópolis, onde tenho duas atividades agendadas para este sábado. De tarde, participo do Florianópolis Music Trends, falando sobre o ponto de encontro entre as principais tendências de cultura pop e digital atual (indo do micro ao macro, do global ao local), papo que é seguido de um debate com os chapas Fabio Bianchini, Marcos Espíndola e Emerson Gasperin (tudo em casa…). De noite, discoteco no Jivago onde já me apresentei com a Gente Bonita – mas o vôo dessa vez é solo, quando toco na festa Convida, ao lado de uma trupe de bambas locais. O domingo tá livre, mas pelo que diz a previsão do tempo, não tenho dúvida: praia. Depois eu conto como foi…
Mumu lembra que hoje faz uma década que Neil Young deu o único ar de sua graça elétrica em solo brasileiro, num texto altamente pessoal:
Lembro de chegar na Cidade do Rock quando tocavam os Engenheiros. Pensei: “quero ver o Neil Young da grade, vou já pra briga”. Felizmente a Liana tava comigo e disse “nah, vamos depois, vai ser tranquilo”. Quase sempre ela tá certa, então concordei. Ela tava certa. Era o menor público de todo o festival, umas 150 mil pessoas no total. Tocou o Dave Matthews e, quando terminou a Sheryl Crow, era hora da aproximação. A Liana quase sempre tá certa, mas eu não podia esperar que fosse tanto. À medida que todo mundo ia embora depois da Sheryl, comecei a ficar puto e gritar “porra, vocês estão malucos, é o Neil Young que vai tocar agora”.
E ele ainda teve a manha de ressuscitar um texto que o Tomate já havia reativado em 2008, além de achar a resenha para o show que eu mandei no dia seguinte ao show (cá o republico em um minuto), pois meus últimos dias como editor do Caderno C do Correio Popular de Campinas foram dedicados a uma semana dedicadas ao terceiro Rock in Rio, há dez anos. Depois disso, tirei férias e comecei a trabalhar em São Paulo. Nunca nem tinha parado para relacionar uma coisa com a outra, mas…
Aquele Rock in Rio foi loucaço (esse próximo não me convence, mas estou ficando velho), mas os minutos na frente do Crazy Horse se alongam até hoje perenes, sóbrios, sem idade. Ecoa até hoje na cabeça, entre os fisgões que os anzóis de seus solos de guitarra engancham na memória sonora, o mantra do velho Young sobre a vida (“It’s all one song!”) que me persegue diariamente como uma versão sangüínea da noção de Robert Anton Wilson de que não somos substantivos e sim verbos – e nos flexionamos com o tempo. O transe a que Young submeteu seu público fez levitar. Não é à toa que carrego o ingresso desse show (um cartão magnético de cor marrom anos-70) em meu patuá.

E aí vasculho meus arquivos e descubro que a capa da edição reunia os dois últimos dias do festival, o dia do péssimo show do Red Hot (cujo maior destaque, se não me engano, foi o Deftones, pra você ter uma idéia) e o penúltimo, quando Sheryl Crow abriu pro Neil Young. Enquanto a página dois foi inteira dedicada ao mestre (sob o título que eu mesmo dei, quando enviei o texto do Rio – “O tempo não existe”), a capa sugere outra onda, com o título que brinca com o jingle do festival e parece me apontar um rumo: “A vida começa agora”. Como se os anos em Campinas tivessem sido os de ensaio.
Mas acho que é inevitável voltar ao passado e revê-lo como rascunho, não?
Isso me lembra que estou há quase dez anos em São Paulo. Caceta.
Depois de meses contando os dias pro verão chegar, Mutlei e sua gangue o recepcionam nesta sexta-feira. Ele até xavecou pra rolar discotecagem GB, mas o trabalho falou mais alto e tive que pular. Mas uma Gente Bonita em Floripa janeiro 2011 não ia ser nada mal, já tou agitando com o Tomate…
Mumu contou que o Ulisses abriu um set dele em Floripa com essa pérola aí de cima – embore ele nem tivesse a listado em seu set. Sinistro.
E a capa do Top 75 da semana é do Mumu, que diz-se “inspirado no episódio da Turma do Didi” deste domingo. Vai entender.
"Even science fiction is now very far behind what's actually happening." - Marshall McLuhan. Desde 1995
Profissão: autobiógrafo.
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alexandrematias [@] gmail.com


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