OEsquema

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Fausto Wolff partiu!


Foto: Cristina Carriconde

Aos poucos saem os obituários que importam. Arnaldo, aqui dOEsquema, puxa a conversa:

Minha história favorita do Fausto Wolff era a o do marinheiro sueco que ele derrubou em um demorado duelo de birita, para depois virar para a platéia: “agora vamos beber socialmente”.

…e continua aqui.

Depois o Bruno fez um longo obituário sobre a carreira do cara pro Literal que ainda linkou pra essa entrevista, que, além de várias outras, conta com esta pérola:

Quais são os intelectuais? Eu não vejo intelectuais. Eu vejo um bando de acadêmicos idiotas dizendo besteiras uns por outros e aparecerem na televisão dizendo coisas que o povo não entende.

Poizé…

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Esquematizado

As mulheres dos seus amigos te odeiam (risos)…
FW:
Claro, todas. Eu obrigo os putos a serem eles mesmos.

FW: A elite vai ter que se regenerar.
Mas isso não é possível.
FW:
É possível. Com carrasco é possível.

FW: Se liberar as drogas, acaba a violência.
Mas vão aumentar os assaltos a banco.
FW:
Assalto a banco eu também gosto.

O Ziraldo já fez aquela campanha “Droga é uma merda”… não é hipocrisia?
FW:
Não, acho que esse puto nunca cheirou maconha.

FW: Basicamente eu saí da Globo quando eles contrataram o Chacrinha.
Ele era um filho da puta?
FW:
Não, era só um idiota

FW: A única coisa que está acontecendo no jornalismo brasileiro de absolutamente excepcional é me deixarem escrever

Arnaldo, que teve o prazer de entrevistar o Fausto Wolff numa entrevista fodaça, passou a tarde cuspindo trechos da dita cuja em seu Twitter (tou esperando pra ver o texto de réquiem que ele vai escrever), enquanto o Bruno deu uma geral na forma que a imprensa escrita está tratando o disco novo do Camelo e o Mini revela mais uma faixa do próximo disco dos Walverdes (agora um quarteto?), “Minimalismo”:

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Fausto Wolff (1940-2008)

Bebamos a um mestre. O primeiro brinde vai com o réquiem oficial:

…o segundo com um alternativo:

E o terceiro com ele mesmo relatando seu próprio derrame, via Arnaldo:

Outro dia quase bati as botas. Fechado o expediente, fiquei bebendo uísque enquanto olhava o mar. À medida que bebia, mais o mar se agitava, me agitando também. Tive uma idéia genial e voltei ao computador, mas – vejam só – não conseguia escrever as frases direito. Era sempre aprotaledo pelas pavrolas. Retornei à janela, fiquei vendo o mar e tendo idéias geniais. Bebi mais algumas doses de uísque e, quando minha mulher voltou do trabalho (é, meus filhos, alguém tem de prover), contei-lhe o que ocorrera. Ela: ”Você teve um princípio de enfarte ou um princípio de isquemia”, e, sob meus discretos protestos, arrastou-me ao hospital.

Colocaram-me num leito ao lado de muitos outros, separados por um lençol. Braços furados por mil agulhas, fui vítima de um clister e do resultado do clister, tudo isso em meio a dezenas de pessoas que fingiam ignorar minha indiscreta performance. Lá pelas nove da manhã fugi do hospital e fui caminhando por Ipanema. Acabei num boteco em frente ao estúdio do Millôr, na Gomes Carneiro. Tomei um conhaque, comi um sanduíche de pernil e fumei um cigarro. Bateu-me a vontade de escrever um poeminha. Pedi lápis e caneta, mas as mãos não obedeciam ao cérebro.

Só depois de desenhar mentalmente a letra é que conseguia reproduzi-la no papel e ainda assim muito mal. Desisti do poema e fui pedir a opinião do Millôr, que há 50 anos é uma espécie de irmão mais velho. Aconselhou-me a voltar ao hospital, o que fiz de táxi desta vez. As enfermeiras me receberam de braços abertos e nem me torturaram. Tivera mesmo uma isquemia. Três dias depois, feitos todos os exames, me mandaram embora e proibiram-me de fazer as três coisas de que mais gosto: ver Mannhattan Connection, discutir com adolescentes e ler originais não solicitados.

Caíram nessa? Não acredito. É isso mesmo que vocês pensaram. Estou proibido de fumar, beber e procriar, pois, no meio de uma dessas atividades, o sangue pode derrapar na veia e sair da pista da minha vida, que pode não ser grande coisa mas é minha. Por isso nunca mais fumei, bebi e procriei ao mesmo tempo. Tudo tem seu tempo certo.

Mestre!

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