Já falei da seqüência psicodélica de sonho em Um Corpo Que Cai, mas o que dizer deste encontro entre Hitchcock e Salvador Dali em Quando Fala o Coração (Spellbound)? Incrível.
E por falar em plano-seqüência, separei alguns clássicos pra matar o tempo. Começando pelo principal deles, o ousado início de A Marca da Maldade, de Orson Welles. Se ele inventou o cinema em Cidadão Kane, com esse filme ele inventou o cinema B:
Tem a clássica abertura de O Jogador, de Robert Altman, em que a própria duração da seqüência é citada. Todos os diálogos desse trecho foram improvisados:
Outro clássico, este do Antonioni, em Profissão: Repórter, que rendeu boatos de que o diretor havia construído um hotel só para filmar esta cena.
O engarrafamento de Weekend, um dos meus favoritos do Godard (são pouquíssimos), também é memorável:
E, óbvio, o velotrol do Iluminado, do Kubrick, um apaixonado por planos-seqüência:
Talvez não tão apaixonado quanto Hitchcock que fez um filme inteiro (Festim Diabólico) a partir deste preceito. Chupa, Jack Bauer:
Hitchcock era tão fissurado no tema que já havia exercitado lindamente a técnica em Sob o Signo de Capricórnio:
E não a abandonou, como vemos nesta cena de seu Frenesi:
A paixão de Hitchcock também motivou um de seus principais alunos, o sampleador Brian de Palma, que cansou de usar o recurso. Abaixo, uma cena de Fogueira das Vaidades e outra do Pagamento Final, com Al Pacino:
Também discípulo de Hitchcock, Dario Argento exercitou o formato em A Mãe das Lágrimas:
Outro diretor-cinéfilo que também curte o formato é Scorsese. Abaixo, a cena em que a personagem de Loraine Bracco (saudades da doutora Melfi) é apresentada ao glamour do submundo, em os Bons Companheiros:
Tarantino é outro sampleador que não titubeou em fazer um take longo em uma cena de ação, em Kill Bill:
Partindo pra ação, eis John Woo em seu melhor momento, no hospital de Hard Boiled:
E esta cena de Old Boy? Puro Double Dragon:
(Vale abrir um parêntese para falar da influência dos videogames neste formato. Olha só:
É impossível conceber que Arca Russa e Elephant não foram influenciados por Doom.)
De volta à ação, um clássico do YouTube: a luta épica de Breaking News: Uma Cidade em Alerta, de Johnny To.
E até o Michael Bay foi nessa, em Bad Boys 2.
A ficção científica também rendeu bons takes, como essa cena incrível do Filhos da Esperança, do Cuarón:
Ou esta cena de Strange Days:
Ou a abertura de Contato:
Pra fechar, olha que foda esse curta do diretor bósnio Ahmed Imamovic, chamado 10 Minuta:
Lembra de mais algum?
E, ali, no meio de Um Corpo que Cai, um mestre deixa-se alucinar pelo sonho:
1967 ainda estava bem longe (o filme é de 1958), mas o dia da bicicleta aconteceu dia 19 de abril de 1943 e o Portas da Percepção é de 1954. Fora Freud. Kibei do Rafa.
Se você não sabe quem é Saul Bass, olha o que você está perdendo…
Ocean’s 11 (1960)
Anatomia de um Crime (1959)
O Homem com o Braço de Ouro (1955)
Spartacus (1960)
Bunny Lake is Missing (1965)
Deu a Louca no Mundo (1963)
Tudo que Você Queria Saber Sobre Sexo Mas Tinha Medo de Perguntar (1972)
E, claro, sua obra-prima.
Um Corpo que Cai (1958)
Ser um gênio é relativamente fácil. Ser um gênio com estilo é que são elas.
Uops. Daqui.

Foto: Klips
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