OEsquema

Arquivo: mallu magalhaes

Hoje só amanhã: a segunda semana de 2009

Tonight: Franz Ferdinand
A casa do Justice
Britney diz: “F.U.C.K. Me”
Supercordas
Cilibrinas do Éden
Beatles no videogame
Maaaallu
Wilco fazendo covers
Guerra nas Estrelas contado por alguém que nunca viu os filmes
Coppola filmando Little Joy?
Pôsteres de filmes honestos
Diplo x MGMT
A volta do Los Hermanos? Só pruns shows (e bem ao lado do Vanguart?)
A foto oficial de Obama
Nova do Calvin Harris
A primeira geração influenciada por Guerra nas Estrelas
Sérgio Cabral Filho paga mico
Radiohead e o Grammy
Olly Moss
Marcelo Camelo fala sobre Mallu Magalhães
Naomi Klein e o boicote a Israel
Leiloando a virgindade
Novo do Frank Jorge
Pavement no Coachella 2009?
Little Joy em Araraquara?
Um conselho de Lily Allen
10 coisas que você precisa saber para entender Battlestar Galactica na reta final
Photoshop na Britney

Comente

Indiegraça

Um blog de MP3 começa a rascunhar um quadro da primeira década do século no pop brasileiro



Existe um pop brasileiro dos anos 00 como houve em décadas anteriores, que pode ser visto como uma geração? Além das viúvas da MPB, das bandas intermináveis dos anos 80, dos jingles da TV vendidos como música e das sobras da axé music, do pagode e da música sertaneja, existe sim uma cena independente sólida, com protagonistas (e até antagonistas), escalões, referências, discos clássicos, shows históricos, momentos de catarse e modelos de negócios e gestão. Por mais que pareça estar às brechas do grande mercado, todo esse cenário se comunica, se freqüenta e se conhece a ponto de não serem mais encarados como movimentos esparsos e isolados. Pra mim é cada vez mais evidente que veremos, nos próximos dez anos, estas mesmas bandas que começaram a dar seus primeiros passos no século 21 fazendo a história da música brasileira e, aí é mais torcida minha, tirar o vínculo de pop com a adolescência que ainda existe no país.

Porque, não sei se você já percebeu, se você faz, ouve ou gosta de música pop depois dos, hmm, chutando…, 28 anos, no Brasil, é automaticamente rotulado de imaturo. Toda rebeldia juvenil e graça descartável que movem o melhor pop desde seu nascimento são usadas como forma de rebaixar o ouvinte como tendo um gosto musical infantil – e que isso pode ser refletido no resto de suas ações. O estereótipo do roqueiro velho sem ter onde cair morto é rogado em discussões de boteco como se fosse praga e inevitavelmente são evocadas a rudeza, a simplicidade, a selvageria e o ruído do gênero como forma de denegri-lo. Seu interlocutor provavelmente se considera um “amante da boa música” e desfila discos de jazz e MPB como se exibisse vinhos, gravatas, charutos – enquanto você sabe muito bem o que ele poderia fazer com esse charuto.

É claro que esse elitismo chinfrim do “bom gosto adulto” existe fora do Brasil, mas aqui ele atende pela singela sigla de MPB. O “gênero”, inventado nos anos 70, é responsável por engessar a expansão de consciência da música brasileira entre o virtuosismo jazzista e o formato voz e violão, tratando a bossa nova como se fosse o segundo sopro de Deus. A partir dali, qualquer manifestação fora deste formato era visto como “primitiva” e “rústica”. Se ainda lembramos que, nos tempos da ditadura, a MPB era a trilha sonora de uma geração que se opunha fortemente à “dominação cultural” dos Estados Unidos, o pop ainda era rotulado de “produto capitalista” e “alienante”. E tome aspas.

Ou seja: ou você faz música pop ou você faz MPB. Ou faz música descartável, desimportante, de fácil aceitação mas de difícil retenção ou deixará seu legado para a história. Papo furado. Quem acompanha a produção musical brasileira sabe que o som que menos tem importância – e que é mais facilmente aceito – hoje em dia é a própria MPB. A onipresença de cantores de barzinho inclusive nas paradas de sucesso (afinal de contas, o que são artistas como Seu Jorge, Ana Carolina ou Jorge Vercilo?) é só a ponta do iceberg deste problema chamado MPB – se formos além, perceberemos que o número de combinações de regravações, parcerias e discos ao vivo é finito e teremos uma geração inteira que cresceu ouvindo mais músicas regravadas do que compostas em sua época.

Por outro lado, onde ouvir essa tal produção musical pop brasileira que eu digo que é tão madura e sofisticada quanto a MPB? Primeiro: ela não é tão madura e sofisticada quanto a MPB – nem sequer aspira a isso. Essa geração dos anos 00 junta dois aspectos do pop produzido na década anterior – a vontade de experimentar com todo os generos musicais que reuniam em um denominador comum bandas tão diferentes como Chico Science & Nação Zumbi, Raimundos, Skank, Planet Hemp e Graforréia Xilarmônica e a tentativa romântica e heróica de criar um mercado independente na marra que unia selos e bandas com nomes e refrões em inglês. Esse segundo ponto especificamente foi crucial na consolidação de um pop em caráter nacional graças à forma como esta cena abraçou a internet. Se muita gente ainda se empolga ao descobrir o funcionamento de redes sociais como o MySpace, saiba que a raiz disso já acontecia no Brasil há mais de dez anos – incluindo aí até a troca de MP3.

O que nos leva ao assunto que deu origem a todo esse meu blábláblá – o blog Freak To Rock You, que reúne apenas discos do pop dos anos 00 para download gratuito. Com uma longa carta de intenções em forma de um disclaimer, os quatro autores – que também tocam outro blog de discos em MP3, o Glamourous Indie Rock’n'Roll – pintam uma paisagem que claramente valida o que eu disse no primeiro parágrafo, tirando toda interferência do caminho. E assim, resgatam discos que nem sequer existem mais – pois saíram com tiragem pequena, foram lançados de forma caseira ou foi material retirado da internet – e os colocam ao lado de discos que muita gente só ouviu falar de seu lançamento, mas nunca pode ouvi-lo de fato.

Está tudo lá, desde nomes que freqüentam o mainstream (Nação Zumbi, Pitty, Los Hermanos e Cansei de Ser Sexy), a outros que já estão estabelecidos neste mercado independente (como Jumbo Elektro, Mombojó, Cascadura, Superguidis, Móveis Coloniais de Acaju, Vanguart, Gram, Lucy & the Popsonics, Cachorro Grande, Júpiter Maçã e Ludov), diversos coadjuvantes esforçados e até uns EPs, como o King of the Night do Copacabana Club, o Pra Onde Voam Os Ventiladores de Teto no Inverno? do Bidê ou Balde, o Onda Mortal do Cansei (com os mashups tocados ao vivo, hits dance mal-tocados e uma versão inacreditável pra “Humanos” do Tókyo) e um “fan pack” da Mallu Magalhães, com músicas que ela gravou antes de lançar o disco (além de “10 fotos em HD” – uia). Dá até pra tentar adivinhar o gosto de cada um dos quatro a partir de seus posts (me corrijam se eu estiver errado): o Henrique é mais completista indie um tanto conservador, a Hay curte o som quando dá pra dar uma dançadinha, o Lucas é mais pop e curte canções e o мaяv é o gaúcho da história.

Pode até ter alguém que chie para tirar seu disco do blog (eu bem que queria saber quem…), mas é como pedir para sair de uma foto oficial da década, que já está quase chegando à sua pose final. Olha a responsa, hein!

3 Comentários

E falando nela…

…quanto tempo você consegue assistir isso?

Alguém precisa dar um toque na menina, tem limite pra tudo…

24 Comentários

Marcelo Camelo fala sobre Mallu Magalhães

Num extra de DVD desses, bem antes de assumir o relacionamento com a moça. Interessante. Mas a parte dos Racionais eu juro que não entendi.

12 Comentários

Leitura Aleatória 217


Foto: Lila Rache

1) Biografia de Guimarães Rosa é censurada
2) ‘Excesso’ em festa da empresa põe emprego em risco (jura?)
3) Um dia sem Mallu Magalhães?
4) Mais um: B-52′s no Brasil em março!
5) Electroma do Daft Punk vai ser exibido amanhã online, via Pitchfork (filmão, me amarro – mas não espere história…)
6) PJ Harvey vai voltar a gravar com John Parish
7) Demissão pode definir destino da editora Pixel
8) Guerra nas Estrelas nos palcos?!
9) Ryan Adams exige desculpas de jornal
10) Neil Gaiman comenta o caso da justiça e da pornografia com Simpsons

1 Comentário

Vida Fodona #136: Melhores de 2008 (parte 1)

Acompanhando a retrospectiva que venho fazendo no Trabalho Sujo, vamos dar nomes aos bois e ouvir o que de melhor rolou no ano que termina. Essa é a parte 1, que vai do número 50 ao 43, tanto na categoria melhores músicas quanto melhores discos. Simbora!

Black Angels – “Never Ever”
Wale – “The Kramer”
Katy Perry – “I Kissed a Girl”
Weezer – “Pork & Beans”
Copacabana Club – “Just Do It”
La Pupuña – “Speak to Me/Breathe”
Lil Mama (feat. Chris Brown & T-Pain) – “Shawty Get Loose (Don Zee Remix)”
Robyn – “Cobrastyle”
David Byrne e Brian Eno – “Strange Overtones”
Santogold – “Creator”
A-Trak – “Say Whoa (Megamix)”
Hercules & Love Affair – “True False, Fake Real”
SNJ – “Se Tu Lutas, Tu Conquistas”
Racionais MCs – “Vida Loka”
Pipodélica – “Hora H”
Mallu Magalhães – “Tchubaruba”

Simbora!

5 Comentários

As 50 melhores músicas de 2008: 43) “Tchubaruba” – Mallu Magalhães

Em se tratando de Mallu Magalhães, eu sou indie: prefiro a demo. Explico. É que não só a versão de “Tchubaruba” como boa parte das faixas que a garota havia gravado antes de lançar seu primeiro disco, receberam uma dose de verniz a mais quando ela foi produzida por Mario Caldato. O vocal de Mallu, antes acanhado e bonitinho, estufava agora o peito para segurar notas por mais tempo no ar em vez de engoli-las timidamente. “Tchubaruba” (você sabe o que é “tchubaruba”? Sexo oral? Maconha? Ficar? Masturbação? As teorias se contradizem) foi o hit singelo e preciso que, além de colocar Mallu no mapa do indie e do pop brasileiro ao mesmo tempo, ainda ajudou a começar 2008 com um ar preguiçoso, se misturando aos instrumentos acústicos e vozes femininas que dominaram o verão passado. Mas compare as duas versões da música e perceba o que a versão final de plástico e auto-afirmação, em contraponto com a espontaneidade e graça primeiro MP3 de Mallu que apareceu no MySpace. Depois das duas versões ainda incluí um “edit” com as duas superpostas (a percussão ficou tosca, parece um cavalo arrastando os cascos – o que, pensando bem, tem a ver com o som) – e veja como a voz da segunda versão parece só um vocal de apoio para a Mallu que canta a melodia principal, na versão da demo.


43) “Tchubaruba (versão MySpace)” – Mallu Magalhães


43) “Tchubaruba (versão álbum)” – Mallu Magalhães


43) “Tchubaruba (as duas, juntinhas)” – Mallu Magalhães

3 Comentários

Os 50 melhores discos de 2008: 48) Mallu Magalhães

Esqueça o fato de ela ter apenas 16 anos, de ter sido uma sensação online, de ter aparecido no Jõ Soares poucas semanas depois de seus primeiros shows, de namorar Marcelo Camelo ou de ter ganhando uma enorme matéria na Bravo ou tocado no festival Planeta Terra em seu primeiro ano de carreira. Se formos analisar Mallu Magalhães, o disco, como o primeiro trabalho de uma cantora com aspirações à folk music, seu álbum de estréia é apenas regular. Há momentos de brilho indiscutível (como “Angelina”, “J1″ ou “Don’t You Look Back”) da mesma forma em que algumas canções parecem forçadamente country rock para substituir os covers de Dylan, Beatles ou Johnny Cash em que ela faz nos shows (como “Town of Rock’n'Roll”, “Her Day Will Come”, “You Know You’ve Got”) e outras sejam apenas encheção de lingüiça (as cinco últimas faixas do disco são naturalmente descartáveis). Mas quando foge do rótulo folk, Mallu mostra que está longe de ser cantora e compositora de um gênero só, muito pelo contrário. Ela está disposta a ampliar os próprios horizontes, seja em direção ao indie rock (“Get to Denmark”), ao pós-tropicalismo (“O Preço da Flor”), à MPB pop (“Vanguart”) e à música pop, embora a versão do hit “Tchubaruba” esteja milhas aquém do frescor inicial da música quando apareceu no MySpace, em janeiro deste ano. Culpe a profissionalização na marra, que fez com que a menina fosse arrancada da cena indie onde cresceria tranqüilamente como um cogumelo simpático. Ao ser jogada à luz do mainstream, Mallu preferiu sorrir com óculos escuros e o melhor de seu disco de estréia não tem nada a ver com folk music ou qualquer gênero musical que ela pareça defender – e sim o fato de ser o casulo de uma artista nada visceral e naturalmente fake e que se fantasia do que ela quiser. E aí sim entra o fato de ela ter nascido nos anos 90. Mallu não é MPB nem rock e sim música pop – é mais Rita Lee do que Janis Joplin ou Elis Regina. Resta saber se ela vai ter espaço para crescer e se não vai cair no mundo Caras do showbusiness brasileiro…

48) Mallu Magalhães

Mallu Magalhães – “Don’t You Look Back

Comente

Leitura Aleatória 210


Foto: Darla Kahnt

1) Woody Allen pode filmar no Rio
2) 60 páginas legais de erro 404
3) A crise chega ao mercado de leilões de arte
4) Long Blondes pode voltar graças à mao biônica
5) Google “retalha” blogs de música independente
6) Google transforma seu site numa rede social
7) Amsterdã endurece regras e vai fechar parte dos prostíbulos e lojas de maconha
8) O último filme do Batman vai ser relançado no cinema, por causa do Oscar
9) South Park na universidade
10) Sobremúsica entrevista Mallu Magalhães

1 Comentário

Parece que é de propósito…

Pô, Mallu, só dá mole, hein… A parte do Hurtmold até dá pra dar uma desconto, mas…

Melhor Filme (que você viu esse ano)
Camelos Também Choram (2003)

Depois não reclama, tu deixa quicando…

Comente
Página 8 de 121...456789101112