Arquivo: miranda july ’
16 de dezembro de 2008 às 10h28
Reconectando-se
Mini voltou hoje das férias e eu esqueci de postar o Autopista de ontem – na base do ctrl+c ctrl+v de tudo. O pequeno buda do grunge gaúcho aproveitou seu descanso para criar seu próprio Autoesquema e chamou uns bambas para ajudá-lo na inglória tarefa de dar vida diária a um espaço virtual. Além da minha “ilustre” presença postada também aí em cima, o Conector contou com as seguintes participações, nestes dias de retiro do Mini:
- O Carlucci aprumou o foco para a África e perguntou se Obama muda alguma coisa;
- Dani Martins linkou dois stand-ups;
- O Ronaldo falou sobre Miranda July, Arte e relações digitais;
- O Arnaldo assinou uma Autopista;
- O Dable escreveu sobre desenhar;
- O Bruno falou do Magic Magic e linka o mashup de Kyuss com Kylie;
- E o Will veio com papo de internet e TV.
Boas férias, hein Mini.
29 de maio de 2008 às 2h43
E por falar na Miranda July… *
* (afinal, ela é a diretora do clipe das Sleater-Kinney aí embaixo)
Cês viram esse curta dela?
Aliás, você conhece a Miranda July, né? Rolou um mini-auê ao redor dela quando o filme dela – Eu, Você e Todos Nós – apareceu em 2005.
Parece um filminho frágil, mas é bom paca. Vale ir atrás. Mas antes que você pergunte, qual é o próximo filme dela, um detalhe: ela não é só cineasta. O trabalho dela envolve um monte de mídia diferente. Mas, ao contrário do picaretismo básico das artes plásticas, há um sentido bem específico e uma beleza, uma perfeição, tão precisa quanto fugaz, que ela fica sempre esperta pra tentar flagrar.
E também escreve livros (um deles até saiu no Brasil). O Mini também já falou um monte sobre ela. Agora, clipe, além desse do Sleater-Kinney, ela só fez um outro pro Blonde Redhead, no ano passado.
Enfim, uma mulher foda.
27 de março de 2008 às 2h53
Gentenormalismo
Essa eu peguei com o Melvin. O primeiro clipe do disco que Cuomo lançou ano passado (Alone: The Home Recordings of Rivers Cuomo, seu próprio Basement Tapes, que ainda conta com uma versão-rascunho para “Buddy Holly”) tem clima de Arquivo Confidencial (é, aquele), em que o vocalista do Weezer conta a história de sua relação com o futebol (não o americano, mas o de gente normal). O clipe conta como ele não conheceu o próprio pai e como o amor do pai pelo esporte o fez cultivar apreço semelhante, em busca de confortar a ausência paterna. Mas um problema em uma das pernas (os fãs do Weezer conhecem essa história) fez com que ele não pudesse jogar no time da escola, tendo que se contentar em acompanhar como torcedor e fazer uma banda de rock.
Depois que o Weezer virou sucesso, ele curou o problema da perna com uma cirurgia que o tirou de circulação por um tempo. Quando teve alta, começou a cogitar a possibilidade de voltar a jogar bola e o clipe conta como dois jogadores da seleção americana o convidaram para participar de um jogo de caridade. O clipe é esteticamente preciso – entre o documental emotivo e câmeras caseiras nostálgicas e familares. Ainda tem o cuidado de encaixar o verso “let it go” com a hora em que sai um gol.
Mas espanta essa capacidade que Rivers Cuomo tem de capitalizar a própria biografia ao mesmo tempo em que passa por pessoa comum. Vocês que conhecem sua banda anterior, têm idéia do que ele pode fazer para conseguir o sucesso. Por isso largou a cabeleira e a pose de bad boy para assumir o ar de bom moço e maneirismos de gente normal. Mas continua sendo pose, inclusive isso de chamar o público para compor a próxima música de sua banda como puxar alguém da platéia para tocar violão em um hit da banda, como fez em sua memorável apresentação no Brasil.
Isso não quer dizer que ele tenha inventado a cirurgia na perna, a faculdade (que o tirou de circulação por outro bom tempo), o fato de ter se apaixonado por uma lésbica, o celibato voluntário (embora isso eu acho que é puro marketing, não é possível) e essa história do futebol. É bem provável que isso tudo seja verdade (menos o celibato, não é possível) e que ele apenas tenha usado o fato de ser um rockstar para viver essas experiências de um jeito diferente. Em público.
Esse culto ao normalismo tende a ficar cada vez mais explícito. Quanto mais gente se tatua e pinta o cabelo de azul, se filia a cultos estranhos e gasta seu dinheiro com passatempos sem sentido, a tendência é que o papo da família nuclear, do emprego de 9 às 6 e a casa com jogo de sofá não se torne uma minoria – e sim seja cada vez mais celebrada. Como Spielberg, cujos pais eram boêmios e isso fez com que dedicasse toda sua filmografia em busca de uma infância normal. Não está o longe o futuro em que Spielberg e o Weezer (e talvez a Miranda July, Little Miss Sunshine e os Simpsons) estejam na mesma linha evolutiva que inclua Norman Rockwell, A Feiticeira e A Família Trapo. São os mods do futuro – com roupas da C&A.





Profissão: autobiógrafo.


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