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Mini Band e o futuro do rock’n'roll

Se liga nessa Mini-Band que eu vi no Sicko

Eles têm entre 8 e 10 anos…

É bem óbvio imaginar que, em uns cinco ou seis anos, isso vai deixar de ser raro, uma exceção. Cada vez mais crianças começarão a tocar rock bem mais cedo, eis a bomba-relógio que o lado comercial do rock’n'roll (assumido como atitude a partir dos anos 80) não contava. Ou seja, se antes dos dez anos você já tocava covers de Muse e do Metallica, que tipo de música você estará fazendo aos dezesseis? Quais valores serão contestados?

O futuro é tão brilhante que eu preciso de óculos escuros.

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On the run 84: Donde Estás Lo Set?


Ju, Bia e eu

E por falar em festa boa, quando fui discotecar em Floripa, conheci a Bia e a Ju, que tocam o Donde Estás Corazon, blog de moda, música e tendências que vez por outra anima as pistas. Logo que elas assumiram a pista, vieram dizer que eu havia esgotado o set delas porque tinha tocado um monte que elas tocariam – como percebi logo que elas assumiram os CDJs (começando a tocar um mone de músicas que eu também toco). Curti tanto o set delas que pedi pra elas fazerem um pra cá – e elas nunca haviam feito! Por isso a estréia delas no MP3 quase não tem música mixada uma na outra, de tão nervosas que elas ficaram (que onda…). E como fui eu que pilhou a existência desse set, nada mais justo que eu o batizasse com um trocadilho com o nome do blog delas. Sente só:

Donde Estás Corazón – Donde Estás Lo Set? (MP3)

Oh My! – “Run this Town”
Cee Lo – “Fuck You”
Julian Casablancas – “11th Dimension”
Miami Horror – “I Look to You”
Cansei de Ser Sexy – “Move”
Depeche Mode – “Just Can’t Get Enough”
Junior Senior – “Move Your Feet”
Muse – “Supermassive Black Hole”
Fall Out Boy + John Mayer – “Beat It”
Mika – “Love Today”
Michael Sembello – “Maniac”
Two Door Cinema Club – “What You Know”
Mando Diao – “Dance With Somebody”
Martin Solveig + Dragonette – “Hello”
Janelle Monae – “Cold War”
Justice – “D.A.N.C.E”
Florence and The Machine – “Dog Days are Over”
Edward Sharpe & The Magnetic Zeros – “Home”

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Vida Fodona #193: O primeiro dos anos 10

Pilhas recarregadas? Vamo começar tudo de novo?

JJ – “Ecstasy”
Little Boots – “Stuck on Repeat”
Zémaria – “Hit do Porto”
Passion Pit – “The Reeling (Calvin Harris Remix)”
Grizzly Bear – “Knife (Girl Talk Remix)”
Miike Snow – “Animal”
Mayer Hawthorne – “Maybe So, Maybe No”
La Roux – “Fascination”
Julian Casablancas – “11th Dimension”
Juan McLean – “A New Bot”
Tegan & Sara – “Alligator”
Muse – “Knights of Cydonia (The Integrals Remix)”
Portishead – “Chase the Tear”
Duck Sauce – “ANYway”
Tarântula – “Saiba Ser Feliz”

Então bora.

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As 300 melhores músicas dos anos 00: 211) Muse – “Supermassive Black Hole”

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Vida Fodona #171: Picaretagem alto astral

Vai na fé que até texto eu escrevi em homenagem ao tema, hahahaha.

Videogame Orchestra – “Thriller”
Queen – “The Real Life (Deebs Remix)”
Peter Bjorn & John – “It Don’t Move Me (The Knocks Remix)”
Virgins – “Rich Girls (The Twelves Remix)”
Girls Aloud – “Call the Shots”
A.Skillz & Kraft Kutz – “Happiness”
Slaughterhouse – “The One”
Thee Oh Sees – “Tidal Wave”
Chromeo – “I Can’t Tell You Why”
Zee Avi – “Bitter Heart”
Céu – “Grains de Beaute”
Generationals – “When They Fight, They Fight”
Passion Pit – “Little Secrets”
N.A.S.A. feat. Lykke Li, Kanye West e Santogold – “Gifted (The Aston Shuffle Remix)”
Kid Sister – “Right Hand Hi”
Bee Gees – “Stayin’ Alive (Teddybears Remix)”
Paradiso Girls feat. Lil Jon & Eve – “Patron Tequila (This Is Remix)”
Martin Solveig (feat. Dragonette) – “Boys & Girls (Radio Edit)”
Linus Loves – “Prom Night (Don Diablo Remix)”
Make the Girl Dance – “Baby Baby (Radio Edit)”
Simian Mobile Disco (feat. Jamie Lidell) – “Off the Map”
Muse – “Supermassive Rainbow (Emre Remix)”
Wale feat. Lady Gaga – “Chillin (The Knocks Remix)”

O caminho é por aqui.

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Rock de casal, Muse em São Paulo

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Foto: E.M.V.Jr.

Nunca gostei do Muse, sempre achei dessas bandas grandes que só servem para virar adubo do rock do futuro, dinossauros dóceis e herbívoros que só se destacam na paisagem pelo tamanho, prontinhos para serem triturados pelas camadas da informação da história para, quem sabe, virar combustível para alguma banda cujos integrantes ainda são crianças enquanto você lê esse texto. Depois que o Radiohead inaugurou a segunda fase do britpop com OK Computer – quando ele deixa de ser indiekid e almeja a arena –, apareceram várias bandas que são o equivalente daquele moleque que estudou piano e quer se enturmar com a galera do fundão mostrando que toca teclado. Coldplay, Travis, Keane e outras bandas meia-bomba são o equivalente inglês do Jota Quest – aquelas bandas que, na superfície podem até aparentar certo viço de rock – mas que no âmago funcionam na mesma freqüência de grupos como Roupa Nova, Pato Fu depois do Gol de Quem?, Supertramp ou Whitesnake: rock de rádio, baladas para casais. Tão eficaz quanto esquecível, tão inofensivo quanto aguado.

E por que me faço de exceção? E o que a minha gata não me pede sorrindo que eu não faço chorando? Lá vou eu confirmando a regra e seguindo, na inércia, a vontade que ela tem de ver a banda ao vivo, mesmo que não seja propriamente fã dos caras. E ao chegar no antigo Tom Brasil bastava passar o olho para ver vários casais na pista – em presença bem mais massiva do que qualquer outro tipo de show. Deflagrada a suspeita: o público do Muse são casais, ninguém foi a show pra verse descolava uma paquera ou voltava acompanhado depois de chegar só. Isso já diz muito sobre o show que ocorreria a seguir.

E assistimos a um desfile de fórmulas do heavy metal enfileiradas sem ordem definida: ora entram umas bregueiras dignas do pior período látex dos anos 80, mais à frente temos riffs que evocam o Metallica no álbum preto em diante, climões Led Zeppelin são seguidos de solos com harmônicos que poderiam estar tanto em faixas do Dream Theater como do Van Halen, em algumas músicas eu tinha certeza que estava ouvindo um cover do Iron Maiden clássico. Teve até solo de batera. Tudo normal – se fosse um show de metal.

Mas não é. Toda massa instrumental metaleira é diluída em vocais fofinhos, letras de auto-ajuda que terminam em vogais que permitem o vocal tornar-se um canto choroso, teclados de baladas setentistas, falsetes vergonhosos ou refrões farofas de fazer inveja ao Brendan Flowers. A praia do Muse, aliás, é mais ou menos essa do Killers no segundo disco – a diferença básica está na origem das duas bandas. Por isso sai a paisagem de velho oeste evocada por Sam’s Town e entram referências de música eletrônica, pós-britpop e metal correto. O Muse parece uma banda que cresceu na esperança de se tornar um U2 do metal (medo mortal), ficou perdida quando Blur e Oasis reduziram a pompa do rock do Reino Unido mas soltou rojões quanto surgiu o terceiro disco do Radiohead.

O público delira. Bate cabeça. Grita, canta junto – os refrões, os solos, os riffs. Faz o lml do metal com a mão quando acha conveniente. Soa metal, parece metal, mas não é metal – é como se reduzissem todo um gênero a uma atração de parque temático. Seguro e limpo, o Muse soa metal mas está longe das tripas, demônios, violência, sangue, deuses nórdicos ou elementos mitológicos ou militares que transformaram o heavy metal em um dos gêneros mais peculiares e específicos da história do rock. É como assistir ao remake de Evil Dead feito pela Dreamworks – e o filme de Sam Reimi virar algo tão superproduzido e anódino quanto A Mansão Mal-Assombrada (aquele, com o Eddie Murphy).

O show é eficaz, mas a banda é uma bosta. Dois momentos se destacaram da mesmice: quando entraram em sua única música realmente boa (o mashup de Marilyn Manson com Prince conhecido como “Supermassive Blackhole”, que contou com cylons dançando no telão) e no cover de “Feeling Good”, balada imortalizada por Nina Simone (e o telão mostrava cenas de abelhas polenizando flores, que meigoiaba). Depois que a banda se recolheu antes do bis, foi minha vez de fazer um pedido – desta vez, pra ir embora (e ela nem pestanejou em confirmar, também achou o show chato). À medida em que passávamos por outros casais, eles nos olhavam com caras que misturavam “já vai?” com “mas o show não acabou!”. Comprovando a minha teoria de que o Muse é uma banda de rock com um corte para casal – de um lado, guitarradas e clichês das principais fases do metal, do outro baladas sem graça e repletas de clichês populistas. Unindo ambas pontas, há um power trio preciso e eficiente, que segura-se para não descambar no virtuosismo barato (embora este marque presença em quase todas as músicas) – e com um repertório que cheira a rock genérico. É uma banda de rock, por mais pop que sejam. Mas ser rock e só não é mais o suficiente.

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Mini faz uma pergunta importante sobre o tal Cuil.

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Arnaldo teve que assistir ao show do Muse sóbrio.

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E Bruno detecta quais nomes tão começando a ser hypados no verão londrino.

Tá chegando a hora, hein.

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