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Arquivo: musicos x critica

Marcos Mion x Thiago Ney

Até parece um complô dos “artistas” contra a Folha de São Paulo. Depois do Ed Motta tentar desancar o Álvaro, é a vez do Marcos Mion tentar descer o cacete no Thiago Ney:

A única coisa que o critico da Folha de SP, chamado Thiago Ney, disse sobre mim é que junto com a Pitty e alguns roqueiros emos, sou o único que leva o VMB a sério. E levo mesmo! Ele só esqueceu de incluir na lista o seu editor-chefe, que o obrigou a assistir a toda premiação e ainda destinou uma pagina inteira do jornal, aliás a maioria dos jornais separou uma pagina inteira ao evento, ao contrário da grande colocação do jornalista. A real é que se ele pudesse, dentro do seu rotineiro dia-a-dia, por 5 segundos sentir o rush que é subir naquele palco e estar envolvido naquele evento, ou ser eleito a melhor banda em alguma categoria através do voto popular, ele mudaria de opinião. É o tipico cara que, mete o pau, mas se a Mtv chamasse pra estar envolvido, iria correndo. Como dizem – quem sabe, faz, quem não sabe ensina e quem é tão frustrado por nem isto conseguir, vira critico. O incômodo para ele ao ver uns meninos como o NXZero serem ovacionados é tanto que ele tem que tentar estragar do jeito que pode. Como no livro “O Apanhador no Campo de Centeio”, que explica muito sobre frustrações e perturbações juvenis mal resolvidas, o personagem central Holden Caufield, ao ver um cara tocando piano muito bem num bar, pensa – “Nossa! Ele toca tão bem que dá vontade de quebrar todos seus dedos.” Não que eu seja o maior fã do NXZero, mas sou a favor do respeito e, acima de tudo, de um elemento que poderia estar mais presente nas críticas brasileiras, o elogio.

Na boa, se a crítica musical brasileira elogiar AINDA MAIS do que elogia, pode colocar o telefone do assessor de imprensa no pé da matéria. O problema da cultura no Brasil é justamente esse, todo mundo é uma “pessoa humana incrível, extraordinária, uma flor de pessoa” e tome aliança de gente cuja única coisa em comum é não deixar mais gente entrar na roda. E nem tou falando do Mion – acho que ele tá longe de ser o pior da cultura nacional (não que seja grande coisa, mas enfim… Dos males o menor).

Mas ao menos ele não disse que a frase que eu destaquei (talvez uma das afirmações mais idiotas que eu li na vida) era do Zappa…

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Ricardo Alexandre explica para Ed Motta

E o embate entre Álvaro Pereira Júnior e Ed Motta, a versão anos 00 (ou anos 90?) pra eterna briga entre a crítica e o artista, segue rendendo. Ricardo Alexandre se dispôs a analisar minuto a minuto do vídeo do Altas Horas para constar que tá tudo errado:

“Poderia passar meses comentando a empáfia de Ed Motta e o quanto ela é nociva para o ecossistema artístico, mas não sou pai dele, dane-se Ed Motta. Poderia passar outro tempo igual analisando essa frase que ele acha ser do Frank Zappa (imagine o Zappa defendendo que alguém que não sabe fazer pode ensinar outra pessoa a fazer, e que o professor de um artista é inferior a ele – muito bem, Ed!). Mas acho mais importante o ponto prático da discussão: o clichê absurdamente batido de que o jornalista de música, ou o crítico musical, precisa ser alguém com conhecimento técnico de música.

Ed sustenta sua “tese” (dele e de outra tonelada de artistas recalcados) sobre duas mentiras: uma frase de Frank Zappa que ele entendeu errado e o “fato” de que na Europa e Estados Unidos só há críticos de música formados em universidades. Bem, se há uma longa tradição de críticos eruditos escrevendo sobre música clássica, jazz ou mesmo pop-rock, também há uma longa tradição de chutadores na imprensa internacional, gente que escreve mais com o fígado do que com o cérebro, e ninguém nunca supôs uma hierarquia entre eles. É tudo uma questão de tamanho de mercado: entre Caco Barcellos e Paulo Francis, entre Lester Bangs e Grail Marcus, eu fico com todo mundo. Quanto mais diversidade de pontos-de-vista, melhor para o público, esse detalhe irrelevante da engrenagem.

Para escrever sobre música é preciso algo muito diferente do que ter formação musical. É preciso saber escrever. Para falar sobre música no rádio ou na TV é preciso saber falar e se comunicar. É preciso ter base histórica e estética, é preciso ter um corpo de idéias, saber defendê-las e ter caráter. Se fosse diferente, a coluna de vinhos de Ed Motta na “Veja” não seria um horror, e seu programa “Empoeirado” na Eldorado não seria insuportável (note como todas as “cabeças” do programa são idênticas: “vamos ouvir a música tal, do disco tal, da banda tal, lançado pelo selo tal no ano tal; na guitarra, fulano; no baixo, cicrano; na beteria beltrano” – isso é entender de música, e é desentender completamente de rádio e de comunicação).

Por último, há o absurdo supremo, que é a incrível cegueira dos artistas em relação à função da imprensa musical. Ei, cretinos: a imprensa (seja reportagem de campo ou crítica destrutiva) alimenta o sonho, bobões. A jovem guarda só existiu porque o público sonhava que aqueles pés-rapados eram john-paul-george-ringo. E quem alimentou isso foi a imprensa. O RPM só existiu como fenômeno porque a imprensa musical convenceu o país inteiro de que a força jovem dos anos 80 merecia um supergrupo andando entre nós. Tentar inviabilizar a crítica negativa não é só ineficiente, é imbecil: os Engenheiros do Hawaii, vocês se lembram, fortaleciam sua relação com seu público fiel, cada vez que eram estocados nos jornais. O Kiss também.

Matar a crítica como moscas só revela a enorme ignorância de Ed Motta, nada mais do que isso. (Aliás, ontem fui para casa ouvindo seu novo disco, “Chapter 9”. Ouça também – é de graça – e depois escolha entre a existência de Ed Motta e a existência da crítica de música)”

Vale ler na íntegra.

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Álvaro Pereira Jr. e Ed Motta: Encontro de titãs

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