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Arquivo: napster

Link – 5 de dezembro de 2011

Tablets: é irreversível Nova lei de direitos autorais: retrocessoZuckerberg assume erros, o fim do Napster, Chrome supera IE e WoW no Brasil

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Link – 13 de dezembro de 2010

Software de bolsoSeu telefone pode virar qualquer coisaPersonal Nerd: Aplicativos de celularA construção de um mercado milionárioJogo social para gamerO ano 10 – 2ª parteGoogle Chrome OS, Idec, PSP…Você sabe o que o WikiLeaks tem a ver com o Napster?Vida Digital: Natália Viana, do Wikileaks

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Impressão digital #0030: A Rede Social e o MP3

Na minha coluna no Caderno 2 desta semana, falo novamente sobre o filme do Facebook, não sobre ele propriamente, e sim sobre uma mensagem que está embutida em seus minutos…

O MP3 e ‘A Rede Social’
O dilema digital para as massas

A Rede Social, novo filme de David Fincher (o mesmo diretor de Clube da Luta e Zodíaco), conta a história de como o site Facebook foi criado – e entra em seu terceiro fim de semana de exibição nos EUA correndo o risco de manter-se como líder das bilheterias desde sua estreia. O resultado pode surpreender quem crê que, para ter um bom desempenho comercial na telona, basta adaptar uma história em quadrinhos, enchê-la de efeitos especiais e exibi-la em 3D.

A Rede Social não tem nada disso: dispõe-se a contar como um gênio antissocial inventou uma ferramenta de socialização digital que tornou-se o maior site do mundo. Denso, frio e devagar quase parando, o filme é o oposto do que se espera de um sucesso hollywoodiano, mas o nome dos envolvidos ajuda a entender o porquê do sucesso – além de Fincher, o filme é escrito pelo mesmo Aaron Sorkin da série West Wing e protagonizado pelos novos galãs Jesse Eisenberg e Andrew Garfield (que fará o novo Homem-Aranha), além do cantor pop Justin Timberlake.

E Justin é o assunto da coluna de hoje. Nem preciso entrar nos méritos de sua atuação (que é boa, mesmo que ele venha da música e não do cinema), mas sim no personagem vivido pelo popstar em A Rede Social. Ele faz as vezes de Sean Parker, cofundador do Napster, o software de compartilhamento de arquivos online que virou a indústria musical – e, em seguida, a do entretenimento como um todo – do avesso.

Em certa passagem do filme, que só estreia no Brasil em dezembro, ele conversa com o personagem de Eisenberg (que vive o criador do Facebook, Mark Zuckerberg) sobre o potencial da rede social criada por ele. E, no meio do papo, cita que, embora todos envolvidos no Napster tenham sido processados e que o software tenha causado a fúria da indústria fonográfica, ele sim, mudou a forma como consumimos música. E pergunta, ironicamente, se alguém ainda entra em lojas de discos para comprar CD.

A ironia se desdobra ao lembrarmos que Justin é um dos principais vendedores de disco da mesma indústria que foi estilhaçada pelo MP3, formato de arquivo que o Napster estabeleceu como padrão para a música no início do século 21. Mas não deixa de ser importante que este tema venha a ser uma das principais questões discutidas – entre outras, bem mais severas – em um dos filmes que, certamente, será um dos mais vistos em 2010. E, como o próprio Mark após o papo com Sean, pode fazer o grande público pensar um tanto sobre este assunto.

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MTV, Napster e eu

Me perguntaram e eu respondi.

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Música social

Cada vez mais compartilhada, a música do século 21 mudou nossos hábitos e a internet; mas a lei ainda não acompanhou essas mudanças


Todos de fone de ouvido em festa silenciosa na Virada Cultural de 2008 (foto: Mônica Bento/AE – 26/04/2008)

Nunca se fez tanta música quanto hoje. As possibilidades abertas a quem não tinha recursos ou técnica para fazer música permitiram que gerações inteiras finalmente pudessem produzir sua própria trilha sonora.

Seja criando música nova, remixando hits do passado ou regravando velhas canções, pessoas de diferentes faixas etárias se descobriram artistas e puderam finalmente reconhecer-se como músicos, independentemente de profissionais ou amadores. Mais: com a internet, essa produção passou a ser ouvida por gente que não tinha outros canais senão o rádio, o show e a loja de discos para descobrir e curtir música nova.

Ao mesmo tempo, nunca se ouviu tanta música quanto atualmente. A mesma rede que permitiu que músicos finalmente tivessem acesso direto a seu público fez que cada vez mais pessoas ouvissem cada vez mais música.

Hábitos como garimpar raridades, gravar fitas cassetes (ou CD-R) com músicas escolhidas a dedo e até mesmo manter uma coleção de discos foram acelerados pela rede de tal forma que praticamente foram reinventados.

Em vez de prateleiras, falamos em gigabytes; disco raro é aquele que nunca saiu da casa – ou da cabeça – de seu autor.

Assim, aos poucos, um termo técnico que designa a forma de adquirir um arquivo digital da rede tornou-se praticamente sinônimo de música nesta década: o download. Graças à popularização do MP3, iniciada há exatos dez anos, baixar música virou uma atividade rotineira e um hábito típico de nossos tempos.

Mas esse monte de gente produzindo e ouvindo música não está isolada em seus computadores ou em seus fones de ouvido, mesmo porque isso não é novidade – o marco zero deste isolamento musical, a invenção do walkman, completa trinta anos este mês.

E o mesmo ponto de partida para a música digital como a conhecemos hoje – a criação do Napster, o primeiro software de compartilhamento de arquivos sonoros digitais – também deu origem a uma nova forma de se ouvir música.

Se o rádio, a loja de disco e a gravadora aos poucos se tornam obsoletos, a internet oferece opções que vêm sendo abraçadas por milhões de pessoas, que estão descobrindo músicas que nunca ouviram e mostrando-as umas às outras.

O download ilegal ainda é um problema no que tange os direitos autorais e várias iniciativas têm insistido em punir uma prática que já é corriqueira.

Numa época em que ouvir música torna-se uma atividade cada vez mais social, resta achar uma solução que recompense quem produz mas que não puna quem ouve.

***

Há 10 anos, Napster tornava a web social

Shawn Fenning só queria ouvir as músicas que seus amigos guardavam em seus PCs – e também permitir que eles ouvissem as suas. Entediado com a faculdade que fazia, começou a escrever um software que permitisse essa troca de arquivos em janeiro de 1999. Ele tinha acabado de completar 18 anos e, poucos meses depois, no início daquele junho, há dez anos, terminou o programa, que batizou com seu próprio apelido (“Napster” quer dizer algo como “dorminhoco”). Distribuiu para uns amigos e, como quem não quer nada, mudou a história da música – ao mesmo tempo em que resgatou um dos cernes da rede – seu aspecto social.

Voltando mais no tempo, quando o criador da World Wide Web, Tim Berners-Lee, tornou público seu projeto, o fez postando uma mensagem num fórum de notícias, no dia 6 de agosto de 1991. Nela, anunciava que “estamos muito interessados em espalhar a web para outras áreas (…). Colaboradores são bem-vindos!”

Sem querer, Shawn Fenning repercutiu a mensagem do criador da web para o planeta. E se no início dos anos 90 a rede apareceu como uma forma de facilitar a troca de dados e informações, no final da década esta troca seria acelerada graças à popularização do MP3.

Mas trocar músicas era só o começo. Logo o mundo compreendeu que a música poderia funcionar longe do disco, coisa que a indústria fonográfica não quis entender – o que a levou a processar seus próprios clientes e abrir espaço para a Apple, uma empresa sem tradição no mercado de música, tornar-se líder em comercialização de música digital.

Fenning não inventou apenas um software. Com o Napster, ele sublinhou que a rede não é compostas de máquinas que se conectam a grandes servidores – mas também de computadores que podem se conectar entre si sem precisar passar por um computador central. E que esses computadores são pilotados por seres humanos que querem conhecer não só mais músicas, mas outros seres humanos. Não é exagero: ao liberar a possibilidade das pessoas trocarem MP3 entre si, o Napster foi o embrião daquilo a que chamamos de “rede social” – que, na verdade, é uma metáfora para a própria web.

Afinal, a internet é social. E Fenning nos lembrou disso há dez anos, quando resgatou um verbo que estava um tanto em desuso e que tem sido vilanizado pelos motivos errados: compartilhar.

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Link – 15 de junho de 2009

Música socialBrasil pode ter sua própria ‘lei Sarkozy’‘Pirataria’ cresce como causaProvedores de acesso também reagem contra o projeto de leiCada vez mais sozinhos ou mais conectados?Há 30 anos, walkman fazia a música andar‘O universo musical é mais rico hoje que antes da web’Há 10 anos, Napster tornava a web socialThe Sims 3: Eles precisam de você para viver, se relacionar – e até se vestirClássico dos games de boxe volta em versão de tirar o fôlego – mesmo!Twittermania!Vida Digital: Matheus Souza (Apenas o Fim)

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RIP: Remix Manifesto

Na mesma linha do comercial anterior, o documentário RIP: Remix Manifesto celebra a cultura do remix e do mashup, quando o velho é reinventado pela simples apropriação indevida. Entre os entrevistados, temos o Lawrence Lessig, o Cory Doctorow e o Lars Ulrich, histórias sobre Disney e a Vila Sésamo e um remix de “Bittersweet Symphony” (que, por si só, já é um remix) com base de funk carioca. Parece ser foda.

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Morte eletrônica

“Né, Valmir?”

Confesso que eu comecei a ficar preocupado quando vários amigos, em situações e lugares diferentes, vieram me perguntar se eu tinha ouvido o novo do Metallica. À minha negativa, eles sorriam como se soubessem de algo que eu não sabia, pra depois tascar frases equivalentes a “eles voltaram à velha forma” e que Death Magnetic era “muito bom”. Minha nóia era dupla: será que eu ia gostar do disco novo de uma banda que há mais de uma década e meia não fez nada que preste? E será que, ao “voltar à velha forma”, o Metallica conseguiria reconstruir sua reputação?

O Metallica tem sua importância na história da música popular do final do século passado por dois motivos bem diferentes. Primeiro, inventou um gênero agressivo e veloz ao colidir duas escolas que nunca haviam ido muito com a cara da outra, o metal e o hardcore. Assim, os americanos deram uma injeção de ânimo às duas vertentes musicais, mas foi o metal quem mais se aproveitou do nascimento do thrash metal. Não fosse isso, o gênero inventado no final dos anos 60 pelo Led Zeppelin e pelo Black Sabbath estaria fadado a levar a epicidade proposta pelo Iron Maiden às últimas conseqüências. Se não fosse o Metallica, o metal atual seria povoado por aquilo que os adeptos chamam de “metal melódico”, de bandas tediosas como Nightwish e Dream Theater.

Num segundo momento, quase quinze anos depois de ter lançado seu primeiro disco (o irrepreensível Kill’Em All), o Metallica surgiu como um outro tipo de personagem. Afeito às comodidades da indústria do disco, a banda foi o primeiro artista a comprar a briga das gravadoras multinacionais frente ao MP3. Todos lembram do mico que foi o processo movido pela banda contra alguns milhares de fãs que estavam baixando suas músicas sem que tivessem que pagar por elas. O estrago feito à reputação do grupo não foi tão grande quanto o que acometeu às próprias gravadoras, mas a banda deixou de ser vista com o elemento de periculosidade – ainda que, na época, apenas sonora – para latir feito um pitbull treinado por executivos.

Entre a invenção do thrash e o processo contra os usuários do Napster, a banda amoleceu. Demais. Mesmo que tenham fãs do material que produziram durante os últimos 15 anos, o Metallica sequer chegou aos pés de seus próprios discos iniciais. Os quatro primeiros discos da banda falam por si: Kill’Em All, Ride the Lighting, Master of Puppets e …And Justice for All são obras-primas do rock pesado, discos que alternam zunidos e grunhidos com pique e pesar – solos rápidos de guitarra que funcionam como intervalos entre riffs épicos tocados à velocidade da luz. Mas quando entrou nos anos 90, a banda quis sair do gueto do metal e tornar-se pop.

Aí veio o Álbum Preto. Maior sucesso da história da banda, ele também foi o responsável por diluir toda a tensão e nervosismo dos primeiros discos em canções palatáveis e fáceis de assobiar. Compare “Enter the Sandman” (hit de rádio!) com qualquer música dos discos anteriores e você ouvirá apenas uma banda de hard rock. Isso sem contar “The Unforgiven”, a baladinha em que, segundo um compadre meu, conta com o momento exato em que o Metallica desandou (naquele “né, Valmir?” farofão que segue a letra “never see…”). A partir daí, a banda continuou tentando atingir mais gente, deixando seu som cada vez mais caído. Mas o principal erro do disco preto foi ensinar, de forma didática, que o método de composição do Metallica era só uma fórmula, que poderia ser copiada – como foi – por qualquer bandinha de hard rock fuleiro.

De lá pra cá, eles fizeram nada para mudar esta situação – pelo contrário, insistem no erro como se achassem bonito. O Bruno esteve no show de lançamento do novo disco em Londres, quando, antes, de começar a apresentação, James Hetfield soltou suas farpas, de novo, contra o próprio público:

“Tenho algo para falar… Guardem a merda das câmeras, guardem os telefones. Vamos aproveitar o metal, ok? Vocês podem ligar para mamãe mais tarde. Colocar um vídeo de merda de algum momento do Metallica no YouTube não vai te deixar famoso. Aproveitem esse momento, certo?”

Mas mesmo com essa postura agressiva antipirataria (antifãs, melhor dizendo), o grupo conseguiu chamar atenção para o novo disco que, fui ouvir, e… que disco chato. Insuportável. Lembra o Metallica das antigas? Sim. Mas em termos de sonoridade, não nas canções. O que ouve-se em Death Magnetic é algo como se uma banda mega popular (um Pearl Jam ou um U2) resolvesse fazer um disco-tributo ao thrash metal. Não é que o Metallica tenha voltado à boa forma – eles (ou melhor, o produtor Rick Rubin) estão se auto-sampleando para lembrar dos bons tempos. Mas a estrutura das músicas, os riffs, as letras (constrangedoras, quase sempre), enfim… a banda, soa tão visceral quanto um prato de mingau.

Dá pra entender até os fãs gostarem. Afinal, depois de tanto disco ruim (as elegias ao ridículo St. Anger, de 2003, me lembram os fãs de David Bowie dizendo que Black Ties White Noise era a “volta do camaleão à velha forma”), ouvir um disco que pelo menos soa parecido com o tipo de música que eles esperavam deve ser recompensador. Mas, peraê, tamos falando de gente com mais de trinta anos. Se até o Slayer pendurou as chuteiras ao ver pais de família batendo a cabeça no meio do seu público, fico pensando quanto tempo vai levar pra cair a mesma ficha pro Metallica.

A letra de “Unforgiven III” (como se “Unforgiven II” já não fosse infame o suficiente) tem um trecho que traduz perfeitamente o estado atual do Metallica. “Como posso estar perdido se nem sei para onde vou?”. Boa pergunta. Mas só o fato do Lars Ulrich sonhar em ABRIR UM SHOW DO U2 (sério!), mostra que essa banda que se chama Metallica lembra as bandas do rock brasileiro dos anos 80, que se esqueceram de acabar e continuam vagando por aí, feito zumbis…

Queria saber o que o Lars de 87 acharia de abrir um show da turnê do Joshua Tree…

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