7 de novembro de 2011 às 12h03
A Banda Mais Bonita da Cidade fazendo escola…
Literalmente!
Literalmente!
E falando sobre esse assunto, no mês passado postei uma lista com planos-seqüências clássicos da história do cinema e qual foi a minha surpresa ao perceber que muita gente quis sugerir mais outras cenas do tipo. Pra quem não sabe, plano-seqüência é uma cena filmada sem cortes, sem edição, com a câmera filmando tudo o tempo todo. Compilei as dicas e elas deram origem à nova lista – e aproveito para agradecer a todos que colaboraram.
O Rodrigo lembrou do Time Code, um filme em que quatro planos-seqüência são superpostos, numa mistura de 21 Gramas/Amores Perros com 24 Horas.
Paul Thomas Anderson, que é um diretor que eu acho médio, também é fã do recurso. O Denis lembrou da cena de abertura do Boogie Nights:
Tem também no Magnólia, mas não achei, como também não encontrei os dois filmes do Amos Gitai, um sobre um feriado judeu e outro sobre o 11 de setembro, sugeridos pelo Daniel. O Du listou Desejo e Reparação, olha essa cena espetacular, mas que tem que ser vista no YouTube porque não dá pra embedar.
A Liv me corrigiu com razão (é raro, mas acontece) ao apontar que o filme de luta que eu listei no post anterior não era do Breaking News: Uma Cidade em Alerta, do Johnny To, e sim de O Protetor, de Tom Yung Goong. A cena do Breaking News é um tiroteio fodão:
O Inagaki mencionou a abertura do Soy Cuba, que só dá pra ser vista sem o áudio original, e a cena do funeral, do mesmo filme:
O Caio lembrou da abertura do Olhos de Serpente, do De Palma (que eu só achei no YouTube dublado em espanhol, mas dá pra ter uma idéia):
De Palma também foi lembrado pelo Leo João no Dália Negra, mas eu também não achei a cena online. O Fabio pinçou todo um episódio da série inglesa Psychoville inspirado no Festim Diabólico (as partes restantes estão nestes dois links):
A abertura do Luz Silenciosa, do mexicano Carlos Reygadas, foi lembrado por Padim:
E pra não dizer que não falei de brasileiros, duas boas dicas de filmes que eu não vi: Outubro, do Murilo Hauser, de Curitiba…
…e Ainda Orangotangos, do camarada gaúcho Gustavo Spolidoro (não tem o plano seqûência, só o trailer, abaixo).
E o Rodolfo lembrou da abertura de Durval Discos, que desce a Teodoro enquanto apresenta os créditos:
Tiveram ainda mais filmes que eu não consegui encontrar, como a cena de abertura do Cradle Will Rock, do Tim Robbins (sugerida pelo Elder), os Intocáveis no elevaodr (dica do Lucas) e Irreversível (lembrado pela Lili). Agradeço de novo a todos e se alguém quiser mandar mais coisa, vamos ver se rende uma parte 3.
(Clipe mesmo eu sei que tem um monte…)
Lembra daquela cena do argentino O Segredo dos Seus Olhos em que a câmera filma um estádio de longe para sobrevoá-lo e assumir o ponto de vista da torcida? Olha como ela foi feita:
E por falar em plano-seqüência, separei alguns clássicos pra matar o tempo. Começando pelo principal deles, o ousado início de A Marca da Maldade, de Orson Welles. Se ele inventou o cinema em Cidadão Kane, com esse filme ele inventou o cinema B:
Tem a clássica abertura de O Jogador, de Robert Altman, em que a própria duração da seqüência é citada. Todos os diálogos desse trecho foram improvisados:
Outro clássico, este do Antonioni, em Profissão: Repórter, que rendeu boatos de que o diretor havia construído um hotel só para filmar esta cena.
O engarrafamento de Weekend, um dos meus favoritos do Godard (são pouquíssimos), também é memorável:
E, óbvio, o velotrol do Iluminado, do Kubrick, um apaixonado por planos-seqüência:
Talvez não tão apaixonado quanto Hitchcock que fez um filme inteiro (Festim Diabólico) a partir deste preceito. Chupa, Jack Bauer:
Hitchcock era tão fissurado no tema que já havia exercitado lindamente a técnica em Sob o Signo de Capricórnio:
E não a abandonou, como vemos nesta cena de seu Frenesi:
A paixão de Hitchcock também motivou um de seus principais alunos, o sampleador Brian de Palma, que cansou de usar o recurso. Abaixo, uma cena de Fogueira das Vaidades e outra do Pagamento Final, com Al Pacino:
Também discípulo de Hitchcock, Dario Argento exercitou o formato em A Mãe das Lágrimas:
Outro diretor-cinéfilo que também curte o formato é Scorsese. Abaixo, a cena em que a personagem de Loraine Bracco (saudades da doutora Melfi) é apresentada ao glamour do submundo, em os Bons Companheiros:
Tarantino é outro sampleador que não titubeou em fazer um take longo em uma cena de ação, em Kill Bill:
Partindo pra ação, eis John Woo em seu melhor momento, no hospital de Hard Boiled:
E esta cena de Old Boy? Puro Double Dragon:
(Vale abrir um parêntese para falar da influência dos videogames neste formato. Olha só:
É impossível conceber que Arca Russa e Elephant não foram influenciados por Doom.)
De volta à ação, um clássico do YouTube: a luta épica de Breaking News: Uma Cidade em Alerta, de Johnny To. O Protetor, de
Tom Yung Goong.
E até o Michael Bay foi nessa, em Bad Boys 2.
A ficção científica também rendeu bons takes, como essa cena incrível do Filhos da Esperança, do Cuarón:
Ou esta cena de Strange Days:
Ou a abertura de Contato:
Pra fechar, olha que foda esse curta do diretor bósnio Ahmed Imamovic, chamado 10 Minuta:
Lembra de mais algum?
"Even science fiction is now very far behind what's actually happening." - Marshall McLuhan. Desde 1995
Profissão: autobiógrafo.
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alexandrematias [@] gmail.com


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