Já falei da seqüência psicodélica de sonho em Um Corpo Que Cai, mas o que dizer deste encontro entre Hitchcock e Salvador Dali em Quando Fala o Coração (Spellbound)? Incrível.
E se Lost fosse um seriado dos anos 60?
Deus é pai!
A MTV faz bem em apostar no Supercordas. A banda psicodélica carioca é uma dessas pequenas jóias escondidas do pop brasileiro desta primeira década do século, que merece ser cultivada com esse cuidado, deixando rolar. Quem avisou das vinhetas (10 ao todo) foi o Vítor, que também as dirigiu.
Life Is Flashing (Before Your Eyes), de Vince Collins (1984). Vi lá no site do Weird Tapes.
É simples!
Dica do Leandro.
Flavio Basso aos poucos sai da gaiola. Depois de um disco catártico de exposição mínima (Bitter, composto e gravado com a parceira Bibmo) e um álbum lançado três anos depois de ter sido gravado (Uma Tarde na Fruteira), ele chegou a flertar com a MTV, mas logo vai deixando sua recente trip retrô em segundo plano, abraçando de novo a contemporaneidade pop. O primeiro fruto dessa nova fase é a canção “Modern Kid”, que mexe nos gens britpop de Júpiter e faz baixar um Jarvis Cocker mod no gaúcho, que agora conta com os teclados do Astronauta Pingüim, o baixo de Thunderbird e guitarra de Dustan Gallás. O Thunder o entrevistou em seu programa na rádio online do Centro Cultural São Paulo, quando ele deu uma geral em sua carreira e falou um pouco sobre a nova fase. Bem bom.
O Silvano linkou o trabalho de conclusão de curso do estudante de arte Max Heath fez sobre um dos principais álbuns dos anos 90, o clássico In the Aeroplane Over the Sea. O texto, gigantesco, chama-se Transience and Transcendence In the Aeroplane over the Sea e eu recomendo muito. Na paralela, a Slate também veio ao tema perguntando-se se Jeff Mangum não seria o equivalente indie do J.D. Salinger.
E, ali, no meio de Um Corpo que Cai, um mestre deixa-se alucinar pelo sonho:
1967 ainda estava bem longe (o filme é de 1958), mas o dia da bicicleta aconteceu dia 19 de abril de 1943 e o Portas da Percepção é de 1954. Fora Freud. Kibei do Rafa.
Quis tentar escrever alguma coisa para acompanhar o papo do Tatá, do Ronaldo e do Hélio com o Júpiter, mas fiquei que nem os três - só vendo o bicho ser gênio, coisa que ele faz com a maior naturalidade do mundo. Não é pra qualquer um…
Dono de um dos melhores discos nacionais de 2006 (só ficou atrás do Kassin, na minha votação), os Supercordas adiaram seu terceiro disco para 2009, mas não passaram por 2008 sem antes deixá-lo com um doce na boca. “Mágica” afasta o mofo celebrado em Seres Verdes ao Redor em uma canção tanto ensolarada quanto mística, usando guitarras e efeitos sonoros para levar o ouvinte a uma utopia primaveril, de psicodelia brasileira setentista, que mescla, sem preconceito, o Clube da Esquina com os Secos & Molhados, os Mutantes menos engraçadinhos com o Raul Seixas mais sério, reverberando melodia, acordes e solos que poderiam ter saído do Magical Mystery Tour, do Pet Sounds, do Odissey & Oracle ou de qualquer banda da Elephant Six. E o que dizer de uma letra que enfileira o rio São Francisco, a Califórnia, o Peloponeso, igarapés espaciais, cápsulas de sonho, formigas e dragões para culminar em “toda a mágica deriva dos elefantes” e desembocar em uma coda que poderia ser tanto da fase de transição do Pink Floyd quanto do final dos Beatles. Nota 10.
Supercordas - “Mágica“
Desta vez, segue um trecho quadrinizado que deveria entrar no filme, mas talvez não tenha entrado pela questão dos direitos autorais. Esse blog aqui mostra as imagens e dá mais detalhes.
Quando os Beatles relançaram a versão pós-Anthology para a trilha sonora de Yellow Submarine, pensaram em uma série de itens de merchandising, incluindo os já clássicos brinquedos lançados pela McFarlaine Toys, e a Apple encomendou à editora Dark Horse, que por sua vez pediu ao ilustrador Bill Morrison, para que criasse uma versão em quadrinhos para o filme. Bill era - e ainda é - o coodenador editoral da Bongo Comics, o que, em outras palavras, é o mesmo que dizer que é ele quem transforma os Simpsons em quadrinhos (Matt Groenning é seu sócio) e, mais importante, beatlemaníaco. Recebeu o convite para fazer a revista, pensou mais em como teria uma chance de participar da história dos Beatles nem que fosse como uma nota de rodapé do que nas possibilidades do projeto dar certo. Assim, começou a desenhar as páginas da edição especial, até que soube pela Dark Horse que a idéia havia sido abortada. Dez anos depois, ele surge com seus originais da época, em homenagem a uma obra que não pode existir. Pena, olha o naipe:
E aos poucos o documentário do Cristiano sobre o mítico Paebirú vai tomando forma…
Neste link, vemos a banda liderada por Wayne Coyne, que, mais uma vez, falando sobre a essência do rock’n'roll e tocar no Barrados no Baile enquanto grava um comercial de oito segundos para um canal de TV americano empunhando uma guitarra montada com o controle do Guitar Hero.
Gênio.
Wayne Coyne explica o que virá na edição especial em DVD do novo filme de sua banda, Christmas on Mars.
O DVD sai, lá fora, dia 11 do mês que vem.

Foto: Robin Rapa
1) Battlestar Galactica volta em… janeiro! (FODA!)
2) Levi Stubbs, do Four Tops (1936-2008)
3) A culpa é de Tina Fey?
4) Cinco dicas para melhorar Fringe
5) A história do LSD no Reino Unido
6) Entertainment Weekly dá uma geral no novo Jornada nas Estrelas
7) Ween vai lançar um livro para colorir
8) Of Montreal e MGMT regravam “Smells Like Teen Spirit”
9) Jimmy Wales em São Paulo
10) Eminem está de volta
No último Vida Fodona eu comentei sobre a turnê cheia de surpresas que o coletivo Elephant Six iria começar na semana passada - e a primeira surpresa foi perceber que Jeff Mangum, também conhecido como Mr. Neutral Milk Hotel, continua 100%. Quem levantou a lebre foi o Stereogum, que linkou esses três vídeos (o primeiro é o de “The Arrow Flies Close” do Elf Power - com Jeff se juntando no vocal pela metade -, o segundo é da ótima “The Opera House”, do Olivia Tremor Control, como todo mundo berrando, e o terceiro, também da OTC, é “I Have Been Floated”, Mangum entra quase no finzinho):
- Lula baixa MP3;
- Mercado financeiro quase derretendo: Malg deschava o economês, marmanjos pedem penico, a Economist não perde a fleuma nem quando afunda; Liniers manda a real e o He Man explica a moral da história;
- Música: Documentários do Justice e sobre o Arnaldo Baptista, a primeira-dama da França grava dueto com o vencedor do Ídolos local (e a música escolhida foi a do Juno), Beyoncé começa mal, Britney tira a roupa, Lúcio mostra a capa da Mallu, Mombojó e China lançam disco ao vivo pra download,
- Eleições: Marta fail, Sarah Palin aparece sem maquiagem na Newsweek e FoxNews chia, o freak show brasileiro (eita!) e o bom saldo do primeiro turno;
- Cultura Inútil: Marcos Mion treta com Thiago Ney (quevida.jpg), como cachorro bebe água, olha o press-kit da edição nova do Megaman, como instalam ar condicionado na Rússia, Caetano blogueiro, Dan Ackroyd e a vodka sobrenatural, o Da Vinci do Traço Mágico, outra sextape na área, Johnny Rotten vende manteiga, TOC Breakfast (com torrada customizada via USB)? Que tal um sucrilhos de eleição americana? Carro do Caça-Fantasmas à venda no eBay, vinho Sopranos, viral de pornô brasileiro, psicodelia matemática, “Take on Me” ao pé da letra, Ghetto Blaster Hall of Fame, Renata Vasconcellos baixa a guarda (que gata), recriando a parada do Curtindo a Vida Adoidado e como não ir com a cara de um programa de culinária que berra “Oswald de Andrade”? O iPhone e a pedra (ao menos não é como o iPhone na Rússia), escritores desenhados e se a Bíblia fosse uma revista;
- O Link fala sobre áudio e toca Wado e R.E.M., rolou Gente Bonita no Inferno (foi bonzaço) e Vida Fodona 128;
- Uma sexta-feira, um mashup: Radiohead com Dave Brubeck, Cinco Vídeos para o Meio da Semana: Common com Pharrell, Friendly Fires, Mombojó, Kanye West e 3 na Massa, Palavras para o Domingo: Arquivo X fala de amor, Mixtape de sábado 130: MMMathias;
- Leitura Aleatória números 156, 157, 158, 159, 160, 161, 162, e 163.
E falando em Chemical Brothers, essa semana rolou um boato que a dupla produziria o próximo disco do MGMT, dando origem a especulações sobre o que aconteceria caso duas vertentes tão díspares da psicodelia atual colidissem. Mas, os próprios MGMT avisaram, era só um boato - embora não tenham descartado uma parceria com os irmãos químicos. Aê!
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