OEsquema

Arquivo: quem morreu

Norman Whitfield (1940-2008)

Então, sabe essas músicas?


The Temptations – “Ain’t Too Proud to Beg”


The Temptations – “Beauty’s Only Skin Deep”


The Temptations – “(I Know) I’m Losing You”


Marvin Gaye – “I Heard It Through The Grapevine”


The Temptations – “You’re My Everything”


The Temptations – “I Wish it Would Rain”


The Temptations – “I Could Never Love Another”


Gladys Knight & The Pips – “The End Of Our Road”


The Temptations – “Cloud Nine”


The Temptations – “Runaway Child, Running Wild”


Marvin Gaye – “Too Busy Thinking About My Baby”


The Temptations – “I Can’t Get Next to You”


The Temptations – “Don’t Let The Joneses Get You Down”


The Temptations – “Psychedelic Shack”


The Jacksons – “Hum Along and Dance”


The Temptations – “Ball of Confusion (That’s What the World Is Today)”


The Temptations – “Just My Imagination (Running Away with Me)”


The Temptations – “Papa Was a Rollin’ Stone”


Rose Royce – “Car Wash”

Todas foram compostas pelo mesmo sujeito, Norman Whitfield, o Lennon da Motown, que morreu hoje. Ouça todas em homenagem ao mestre.

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Rick Wright (1943-2008)

Caralho, foi-se o sonho de ver o Floyd ao vivo :~(

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David Foster Wallace (1962-2008)

O cara se matou no fim de semana. Nunca o li, embora seu Infinite Jest me foi recomendado um punhado de vezes. Quando da passagem, o Michel linkou dois contos do Breve Entrevistas com Homens Hediondos, um texto sobre o Federer publicado no New York Times e outro sobre David Lynch e os bastidores do Lost Highway. É triste mas não deixa de ser feliz ao mesmo tempo o fato de sua morte ampliar o alcance de sua obra.

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DJ Primo (1980-2008)

As informações não são muito precisas, mas parece que o Primo morreu de ontem pra hoje, vítima de pneumonia. Se alguém souber de mais informações, avisaê. Tomara que isso seja só um mal entendido e o cara esteja bem, mas se até na comunidade do Orkut do cara já tão dando os pêsames, significa que a informação já ganhou o mundo

É, o Primo morreu mesmo. Que merda.

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Leitura Aleatória 129


Foto: fipi

1) Mesmo em alta, balada paulistana se renova
2) Governo dos EUA assume controle de gigantes do setor hipotecário
3) Heart quer que McCain pare de usar “Barracuda” como música-tema
4) Perderneiras overseas: Lassier Martins no Boing Boing
5) Os 100 discos mais gays de todos os tempos segundo a Out (Sgt. Pepper’s é o centésimo :P)
6) Ator que faz o Peter Petrelli quer ser o próximo Robin (que auto-estima baixa…)
7) Bill Melendez (1919-2008)
8) 30 Rock + Gossip Girl?
9) David Letterman vai se aposentar antes de 2010
10) A volta dos Caça-Fantasmas (com gente do Office no roteiro)

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Waldick Soriano (1933-2008)

Mais um cearense baiano ilustre que se vai.

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Jerry Wexler (1917-2008)

Parceiro do Ahmet Ethegun, o jornalista cunhou o termo “rhythm’n'blues”, fundou a Atlantic e trabalhou com Dusty Springfield, Led Zeppelin, Bob Dylan, Aretha Franklin, Wilson Pickett, George Michael, Dr. John, Dire Straits, e Ray Charles. Uma onda que poucos podem tirar…


Ledão


Aretha


Pickett


Dusty


Dylan

Não é fraco… E morreu do coração e pediu pra escreverem em sua lápide: “More bass“.

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Dorival Caymmi (1914-2008)

E por falar em baiano, morreu mais um dos Original Tropicalistas… :-/

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Rodrigo Lucianetti (1974-2008)

Em tempos de mudanças profundas, quando parece que todos tentam esquecer suas referências passadas e buscam encontrar algo novo para se agarrarem, nada mais apropriado do que decretar a morte de um dos maiores símbolos de nosso agonizante século, o rock. Porém, quem conhece bem este velho Peter Pan, sabe que é sempre nos momentos de dúvidas quanto ao seu futuro que ele mais se renova.

Parecia ser só mais uma notícia trágica de fim de semana, com um motorista bêbado atropelando dois triatletas que estavam treinando para o Iron Man em Floripa. Mas eis que:

O triatleta Rodrigo Lucianetti, 34 anos, morreu no local. Seu companheiro, Marcelo Occhialini Godoy, 37 anos, foi levado para um hospital de Florianópolis com lesões graves.

Mutli forwardeou a notícia, negritando o nome do Rodrigo, mas ainda incrédulo. Quem a recebeu, sentiu a mesma coisa: “Não é possível”.

Era. :(

Rodrigo Lucianetti foi um dos vários amigos que fiz online, um cara sempre tranqüilo e gente boníssima, desses amigos que você fica feliz por participar do círculo social dele – ainda que apenas via internet. Mas, além disso, Lucianetti foi, sem exagero, um jovem mestre.

Como eu, muita gente boa conheceu o sujeito quando, em plena revolução do MP3, ele descolou um espacinho no servidor da empresa em que trabalhava para subir discos. Mas não eram simples lançamentos ou clássicos do rock. Rodrigo ampliou para a internet uma prática que já conduzia no mundo offline: apresentar música nova pros camaradas. Havia começado alguns anos antes, fazendo fitinhas e enviando-as para os amigos – seja nas lendárias tape chains de listas de discussão, seja apenas para presentear um camarada.

Mas seu talento ganhou escala nacional a partir do endereço www.esss.com.br/~rodrigo/. Ali, ele mostrava suas obsessões atuais, fosse hip hop alternativo, nova psicodelia ou IDM. Repassava discografias inteiras de artistas semidesconhecidos, discos tributos que alguém tinha ouvido falar que existia ou artistas brasileiros cujos discos não existiam nem em CD. Lembro direitinho que, após eu ter escrito um artigo sobre a história do krautrock (outro dia republico aqui), dias depois ele linkava no site todos os discos de cada uma das bandas que eu havia comentado.

(O Gonzo descolou outros links onde dá pra sacar a versatilidade do sujeito: esse, esse, esse e esse.)

À medida em que disponibilizar discos na internet tornou-se comum e várias das obras que Rodrigo havia linkado deixaram de ser impossíveis de encontrar online, era corriqueiro comentar com alguém que, na virada do século, “havia um site de Floripa em que um carinha que subia discos incríveis, raros e desconhecidos”. Ele deixou de ser apenas um referencial entre os amigos para se tornar um nome comum entre pessoas que só haviam recebido o link de alguém. Grande parte dessas pessoas sequer sabia seu nome – e ele não queria reconhecimento maior do que teve. Como bem lembrou o Mutli em seu réquiem para o amigo: “Lucianetti não tinha banda, não era de ir muito em shows, não discotecava, não tinha programa de rádio, mas ajudou muita gente a conhecer muita coisa boa”.

Além do fino bom gosto (apesar de tachar o Animal Collective como “o Velvet Underground dos anos 00″ – como o próprio Mutli brincou à época em que ele disse isso, era bom saber que ele também era humano), Rodrigo também escrevia que era uma beleza. O texto que abre esse post foi tirado da resenha que ele escreveu sobre o In the Aeroplane Over the Sea para o 1999, site que eu tocava com o Abonico no ano de mesmo nome.

Por isso, fica aqui minha homenagem ao jovem mestre.

Say a word for jimmy brown
He aint got nothing at all
Not a shirt right of his back
He aint got nothing at all
And say a word for ginger brown
Walks with his head down to the ground
Took the shoes right of his feet
To poor boy right out in the street

And this is what he said
Oh sweet nuthin
She aint got nothing at all
Oh sweet nutin
She aint got nothing at all

Say a word for polly may
She cant tell the night from the day
They threw her out in the street
But just like a cat she landed on her feet
And say a word for joanna love
She aint got nothing at all
cos everyday she falls in love
And everynight she falls when she does

She said
Oh sweet nuthin
You know she aint got nothing at all
Oh sweet nutin
She aint got nothing at all

Oh let me hear you!

Say a word for jimmy brown
He aint got nothing at all
Not a shirt right of his back
He aint got nothing at all
And say a word for ginger brown
Walks with his head down to the ground
Took the shoes right of his feet
To poor boy right out in the street

And this is what he said
Oh sweet nuthin
She aint got nothing at all
Oh sweet nutin
She aint got nothing at all
She aint got nothing at all
Oh sweet nutin

She aint got nothing at all
She aint got nothing at all
She aint got nothing at all

Update: A Flávia, o Dago e o Custódio também homenagearam a partida do Lucianetti. O Custódio não escreveu simplesmente um réquiem, mas resgatou uma ótima entrevista com ele, de onde eu tirei essa passagem, que resume muito o que ele – e muita gente que eu conheço – e sua relação com a música.

“Sempre há uma trilha sonora em praticamente tudo o que faço, seja no trabalho, no carro, em casa ou em qualquer outro lugar. Nas minhas lembranças, um fato importante é quase sempre seguido de uma música tema. Essa minha obsessão por música fez com que eu não me contentasse em apenas ouvir o que pintasse na minha frente, mas também a correr atrás de informação. Ler sobre música logo se tornou minha segunda obsessão e a partir daí a coleção de discos foi crescendo. Hoje com a Internet é muito fácil. Você lê sobre uma banda e em questão de minutos ta ouvindo algo e tirando suas conclusões. A história da música, principalmente da música pop, sempre me fascinou. O problema é que eu lia muito, mas era uma dificuldade pra conseguir ouvir os discos, que além de tudo, é um volume muito grande. Até eu conhecer o Audiogalaxy eu ia comprando tudo, depois virou uma festa e eu vi a “misteriosa” história da música se descortinando na minha frente. Era assim: All Music + Trouser Press na cabeça e agora é só kraut, depois no-wave, rap, uma banda puxava outra e assim por diante. Já perdi a conta de quantos CDs com MP3 eu tenho. Mas qual a graça de curtir isso sozinho? Todo colecionador quer dividir, trocar impressões. Daí veio a idéia do site”

E já iniciei uma campanha para revitalizar o site original, com tudo que ele compilou. Afinal, se ele influenciou mais de uma geração com sua generosidade, não custa repetir o gesto, criando um merecido memorial.

Vai fazer falta, compadre. E valeu por tudo.

PS – A imagem que ilustra esse post é a capa do Peng!, clássico do Stereolab, que Rodrigo usava como seu avatar no Last.fm

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