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Arquivo: renata simoes

Vintedoze: A mudança é a regra

Alexandre Matias, Ronaldo Evangelista, Renata Simões, a discussões online, Esta Vida Puta e All Watched Over by Machines of Loving Grace.


Alexandre Matias & Ronaldo Evangelista (feat. Renata Simões) – “Vintedoze #03” (MP3)

E aqui vai a lista de referências: • Exposicao Miles DavisSherlock do Robert Downey Jr.TintimLuiza Está no CanadáPinterestClarisse LispectorDicas da VovóScarlett JohannsonDouglas CouplandGmail antibêbadosCentury of the SelfSteven JohnsonAll Watched Over by Machines of Loving GraceA Flecha de Deus, Chinua AchebeTintim nu no CongoA Visit from the Goon SquadLa Cumbuca (o outro site do Túlio) • Fita BrutaR.G. • “O pai da cracolândia” • Esta Puta VidaO que é o quê

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Dicas da vovó

Eis os conselhos que iremos dar para os nossos netos (não exatamente esses, mas vocês entenderam).

Via Feel Desain, dica da Renata.

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Cabeça de rádio

Uma dica pra quem ainda ouve rádio: neste domingo participo do Radioteca, programa que a Renata Simões toca na Oi FM. Ela me chamou pra escolher umas músicas e bater um papo sobre, er, eu mesmo. Como domino ambos assuntos e adoro a Renata, não pude declinar o convite. Então se você estiver de bobeira (ou com saudades) na tarde de amanhã, sintoniza na Oi que eu apareço pelas 15h.

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Leitura Aleatória 234

Foto: Telescópio Hubble

1) Feliz natal, Vlad (como ser um artista plástico de sucesso)
2) Feliz natal, Liv (exposição de Rafael Silveira)
3) Feliz natal, Mateus e Ronny (pixação virando grafitti em Lisboa)
4) Feliz natal, Ricardo (perfil de Caco Barcellos)
5) Feliz natal, Ramiro (mixtape de volta ao mundo)
6) Feliz natal, Dago (o fim do Pitchfork?)
7) Feliz natal, Renata (sobre ser um hispter)
8) Feliz natal, Dafne e Tacioli (os melhores discos, DVDs e livros de 2008)
9) Feliz natal, Kátia (a escada do Joca Reiners Terron)
10) Feliz natal, Thais e Isa (feliz natal)

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O estado do pop em 2008

Kanye West brilha no escuro – ou seria o contrário?

Antes de comprar os ingressos para o Tim Festival, já vinha matutando árdua escolha que teria pela frente (daquelas de cinco segundos de reflexão antes de apertar a senha do cartão): com os preços fora da realidade do festival e a minha recusa em apelar para a carteira de estudante “amiga” que, dizem produtores de show em geral, ajuda a salgar os preços dos ingressos, tinha de optar entre dois shows: Kanye West ou Sonny Rollins. Sei que a maioria dos meus leitores e amigos sequer pestanejaria ante o assunto e marcaria o “x” na opção do velho jazzista, mas eu curto música pop. Eu gosto do aspecto grandioso e adolescente, plástico e descartável que transforma anônimos em deuses – e como o máximo de espetáculo desse naipe que temos em nosso país é alguma visita dos RBD e High School Musical ou alguma propaganda com Ivete Sangalo que consegue ganhar palco (nem vem com madonnismos – Madonna é só uma máquina de fazer dinheiro que vive do passado, um parque temático sobre si mesmo, como os Stones ou o U2). Fiz minha escolha pouco antes de saber que ela já tinha sido feita: os ingressos para Sonny Rollins haviam se esgotado e só me restava o Kanye West.

Ou “Cã-nhê”, que é a forma afrescalhada que ele diz que seu nome é pronunciado, é um dos sujeitos mais descolados do resto de jet set que sobrou à indústria fonográfica. Com seu glamour corroído pela crise de administração que culminou com a vilanização da internet, restou à velha indústria do disco buscar conexões em outras paragens para conseguir manter seu estilo de vida – daí recentes associações com empresas de natureza tão diferentes quanto a indústria de telefones celulares e de computadores, o mundo dos esportes ou o universo da moda. Uma seara aberta no hip hop depois que Puff Daddy assumiu o gênero após as mortes de Tupac e Biggie. Se antes o barato do rap ao tirar onda com grifes era mostrar que, mesmo com a origem pobre, era possível subir na vida, quando o gangsta rap morreu de vez, liberou geral (a Renata conta um pouco da decadência do gênero em um especial que ela fez pro Rraurl aqui).

De 1996 em diante, desfilar com ternos Armani não era mais o topo da pirâmide do hip hop e sim conviver com Giorgio Armani e chamá-lo pelo primeiro nome. Logo, essa bolha de status inflou e transformou não só o rap em um gigante milionário (e musicalmente vazio) como funcionou como tábua de salvação pra indústria do disco que, com o golpe dado com a chegada do Napster, aprendeu na pele que sua máquina de fazer sucesso que transformou várias gravadoras em quatro multinacionais só funcionava a curto prazo. Quando o MP3 popularizou-se, a indústria viu-se refém do modelo de negócios que havia inventado, de criar artistas que desapareciam com a mesma velocidade que surgiam, e, literalmente, quebrou.

Daí recorrer para outras esferas do entretenimento, como televisão, cinema, game, moda, design, e, só há pouco tempo, internet. Pode reparar: quase todas as tentativas da antiga indústria do disco de emplacar novos (ou velhos, tanto faz) artistas neste século vinham atreladas a acessórios que não necessariamente eram musicais. E assim músicos, compositores e intérpretes tornaram-se celebridades – e tanto fazia de onde eles vinham, se fazem rap, música eletrônica, rock e dance music, se apareceram numa garagem, num site ou num reality show: o importante é que eles vendem trilhas sonoras, celulares, perfumes, roupas finas, carros, comida congelada, tele-sena e papa-tudo.

Kanye West talvez seja quem melhor personifica esse novo status quo. Na cabeça deste reformulado hip hop, a malandragem não é mais simplesmente sair da vida dura e ganhar uma grana pagando de playboy. O golpe agora pressupõe ser playboy e acontece em escala planetária, numa pernada que derruba a tchurma do design, o novo eletrônico francês, o mondo fashion, animação em computação gráfica e, olha só, até mesmo gente de música. Indo além, seus principais hits são um espelho disso: “Gold Digger” é “I Got a Woman” de Ray Charles através da cinebiografia com Jamie Foxx (que participa da música e do clipe) e “Stronger” é o Daft Punk relido (de forma trivial). Mais um motivo para apontar Kanye como posterboy do pop 2008 – sua onipresença seja equivalente à assombrosa ausência de hits. Suas músicas fazem sucesso nos EUA, mas não são hits globais do escalão de “Everyone Nose” e “Umbrella” (do N*E*R*D e da Rihanna, artistas que, por acaso, fizeram parte da abertura de sua antiga turnê, Glow in the Dark, que se despede com os shows na América Latina). Mas West é maior que os dois pelo simples motivo de que ele não é um artista só de música.

OK, mas isso é bom ou ruim? Pro showbusiness, é ótimo. Assim, gastam-se adjetivos e efeitos especiais, gastos são justificados, capas de revista ganham o tom épico do tempo em que as gravadoras ainda mandavam no mundo da música, o glamour, o jet set, a hi-life – tudo aquilo que emperrou a criatividade da música pop a partir dos anos 80 ganha uma sobrevida que pode garantir a aposentadoria do executivo que até outro dia processava moleques baixando MP3. Pra música vista longe do bizness, também pode ser. Afinal, ao criar uma bolha de realismo fantástico ao redor de artistas como Kanye West, os titãs do mercado musical podem estar, sem querer, promovendo um Baile da Ilha Fiscal (ou da Enron ou AIG, pra ficarmos em termos mais atuais). Sem perceber que o fim está próximo, torram dinheiro como se não houvesse amanhã. Só que dessa vez, talvez não tenha.

E pelas prévias do disco novo do sujeito, que deve tocar algumas pérolas no show de hoje em São Paulo, o fim de Kanye também talvez esteja. Porque nunca ouvi tanta música ruim saindo de um disco tão esperado (nem o novo do Oasis é tão vergonhoso). Por enquanto, vamos lá ver se o sujeito brilha no escuro mesmo – ou se é o lado negro da força que brilha de dentro dele…

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