E tenho dito.
Beatles - “I Am the Walrus (Take 17/RM4 Acetate)”
Rolling Stones - “Let it Loose”
Big Star - “The Ballad of El Goodo”
Rita Lee - “O Toque”
Stevie Wonder - “Master Blaster”
Roberto Carlos - “Além do Horizonte”
Wilson das Neves - “Venus”
Jorge Ben - “Menina Mulher da Pele Preta”
Chico Buarque - “Bye Bye Brasil”
Funky Four Plus One - “That’s the Joint”
Tom Tom Club - “Genius of Love (12″ Extended Version)”
Clash - “This is Radio Clash”
Gang 90 & Absurdettes - “Românticos a Go-Go”
Twelves - “Night Vision”
Dunproofin - “Can You Feel Magik”
Holy Fuck - “Balloons”
Pink Floyd - “Flaming”
Snoop Doggy - “Riders on the Storm”
Hall & Oates - “Private Eyes”
A
Dance, dance, dance
E7
Gaste um tempo comigo
Não, não tenha juízo
A D F G
Dê-se ao luxo de estar sendo fútil agora
A
Dance, dance, dance
E7
Faça como Isadora
Que ficou na história
A D F E7
Por dançar como bem quisesse
D E7
Um movimento qualquer
D E7
Sobe à cabeça e os pés
D
Sinta o corpo
Você está solto
E pronto pra vir…
A
Dance, dance, dance
E7
Passe as horas comigo
Nesse duplo sentido
A D F G
E no barato de ser um ser vivo, ainda
A
Dance, dance, dance
E7
Num programa de índio
Vai rodar um cachimbo
A D F G
Que é pra paz não dançar na tribo
D E7
Um movimento qualquer
D E7
Sobe à cabeça e os pés
D
Sinta o corpo
Você está solto
E pronto pra vir…
A6 F A F G G# A
Me amar, me amar
Am D7 G7+ E7
Eu conheco essa cara essa fala esse cheiro
Am D7 G4/7 G7
Essa tara de louco esse fogo esse jeito
E7 Am Eb/F
Escandaloso, você é guloso e quer me sequestrar
Am D7
Chega mais, chega mais ! (3x)
Am D7 G7+ E7
Depois me leve pra casa me prenda nos bracos
Am D7 G4/7 G7
Me torture de carinhos, beijinhos, abracos
E7 Am Eb/F
Depois me coce, me adoce até eu confessar
Am D7
Chega mais, chega mais ! (3x)
Am D7
Bm7 C#m7 Bm7 C#m7 Bm7 C#m7 Bm7 C7+
Bm7 B7/4(9) B7(b9)
Eu fico pensando em nós dois
Em G#m7(b5)
Cada um na sua, perdidos na
C#7/#9 F#7
cidade nua
F#7(b13) Bm7
Empapuçados de amor,
B7/4(9)
Numa noite de verão,
B7(b9) Em
Ai!Que coisa boa!
G#m7(b5)
À meia-luz,
C#7(b9) F#7
à sós, à to-a
F#7(b13) B7+ B7/4(9) B7(b9)
Você e eu somos um
Em7 A7
Caso sério
Em7 A7
Ao som de um bolero
Em7 A7
Dose dupla
Em7 A7
Românticos de Cuba Libre
Em7 A7
Misto quente
C#m7(b5) F#7(b13)
Sanduíche de gente
A7M Bm7 E A7M Bm7
Se Deus quiser, um dia eu quero ser índio
E A7M Am7 D7(9) G7M G6 Gm7
Viver pelado, pintado de verde num eterno domingo
C7(9) F7M F6 B7
Ser um bicho preguiça e espantar turista
E E5+ E6 E7
E tomar banho de sol, banho de sol, banho de sol, sol
A7M Bm7 E A7M Bm7
Se Deus quiser um dia acabo voando
E A7M Am7 D7(9) G7M G6 Gm7
Tão banal, assim como um pardal, meio de contrabando
C7(9) F7M F6 B7
Desviar de estilingue, deixar que me xinguem
E E5+ E6 E7
E tomar banho de sol, banho de sol, banho de sol, banho de sol
Bm7 E A7M F#m7 Bm7
Baila comigo,
E A7M F#m7
Como se baila na tribo
Bm7 E A7M F#m7 B7(9)
Baila comigo,
E E5+ E6 E7
Lá no meu esconderijo
A7M Bm7 E A7M Bm7
Se Deus quiser um dia eu viro semente
E A7M Am7 D7(9) G7M G6 Gm7
E quando a chuva molhar o jardim, ah, eu fico contente
C7(9) F7M F6 B7
E na primavera vou brotar na terra
E E5+ E6 E7
E tomar banho de sol, banho de sol, banho de sol, sol
A7M Bm7 E A7M Bm7
Se Deus quiser um dia eu morro bem velha
E A7M Am7 D7(9) G7M G6 Gm7
Na hora “H” quando a bomba estourar quero ver da janela
C7(9) F7M F6 B7
E entrar no pacote de camarote
E E5+ E6 E7
E tomar banho de sol, banho de sol, banho de sol, banho de sol
E5+ - 002110
E6 - 002424
Intr:D7 F D7
G
Como vai você?
Dm C#7+
Assim como eu
C7+
Uma pessoa comum
Cm F
Um filho de Deus
Bm
Nessa canoa furada
E
Remando contra a maré
Am Cm
Não acredito em nada não
C Em Am G
Até duvido da fé
C Cm Bm E
Não quero luxo nem lixo
Am D7 G
Meu sonho é ser imortal, meu amor
Gm C7 F Bb7+
Não quero luxo nem lixo
Gm D# Am D7
Quero saúde pra gozar no final
Intro: D4/A D/A D4/A
D4/A D/A D4/A
D4/A D/A D4/A D/A
D D# E
A D
Não sei se eu estou pirando
A D D# E
ou se as coisas estão melhorando
A D
Não sei seu eu vou ter algum dinheiro
A E
ou se eu só vou cantar no chuveiro
D A
Estou no colo da Mãe Natureza
D A
Ela toma conta da minha cabeça
D A G# G F#
É que eu sei que não adianta mesmo a gente chorar
B E
A Mamãe não dá sobremesa
A D
Mas eu não sei se eu estou pirando
A D D# E
ou se as coisas estão melhorando
A D
Não sei se eu vou ter algum dinheiro
A E
ou se eu só vou cantar no chuveiro
D A
Estou no colo da Mãe Natureza
D A
Ela toma conta da minha cabeça
D A G# G F#
É que eu sei que não adianta mesmo a gente chorar
B E
A Mamãe não dá sobremesa
A
Mamãe oh mamãe natureza
C
Tchuru ru ru tchu ru ru uá á á á
A
Mamãe oh mamãe natureza
C
Tchuru ru ru tchu ru ru uá á á á
A
Mamãe oh mamãe natureza
C G C G A D D# E
Tchuru ru ru tchu ru ru uá á á áaaaaaa………
A D
Mas eu não sei se eu estou pirando
A D D# E
ou se as coisas estão melhorando
A D
Não sei seu eu vou ter algum dinheiro
A E
ou se eu só vou cantar no chuveiro
D A
Estou no colo da Mãe Natureza
D A
Ela toma conta da minha cabeça
D A G# G F#
É que eu sei que não adianta mesmo a gente chorar
B E
A Mamãe não dá sobremesa
A
Mamãe oh mamãe natureza
C
Tchuru ru ru tchu ru ru uá á á á
A
Mamãe oh mamãe natureza
C
Tchuru ru ru tchu ru ru uá á á á
A
Mamãe oh mamãe natureza
C G C G A
Tchuru ru ru tchu ru ru uá á á áaaaaaa………
A
Mamãe oh mamãe natureza
Tchuru ru ru tchu ru ru
A
Mamãe oh mamãe natureza
Tchuru ru ru tchu ru ru
C A E A
A Kátia foi atrás de uma história que todo mundo sabe de ouvir falar: a paixão de Arnaldo Baptista por motocicletas e sua histórica viagem de moto do Brasil aos Estados Unidos em pleno auge da carreira dos Mutantes. Ela juntou Arnaldo com seus velhos companheiros de viagem para um papo nostálgico e ao mesmo tempo revelador sobre qualidades desconhecidas do Lóki-mor (pelo menos do grande público). Na foto que ilustra esse post, Rita Lee cronometra o então marido no autódromo de Interlagos.
De novo falando entre as músicas, num VF fora do comum - mas igualmente bom.
General Eletriks - “Take Back the Internet”
Florence and the Machine - “Kiss with a Fist”
Friendly Fires - “In the Hospital”
Phoenix - “Like a Sunset”
Phantom Band - “The Howling”
Silver Jews - “Night Society”
El Mató a Un Policía Motorizado - “Corre, Corre, Corre”
Gal Costa - “Tuareg”
Pink Floyd - “Let There Be More Light”
Love - “Orange Skies”
Legião Urbana - “Teorema”
João Penca e Seus Miquinhos Amestrados - “Lágrimas de Crocodilo”
Stevie Wonder - “All Day Sucker”
Kinks - “Gotta Get The First Plane Home”
Mundo Livre S/A - “A Expressão Exata”
Quinto Andar - “Vai Venu”
Javiera Mena - “Al Seguinte Nível”
Rita Lee - “De Pés no Chão”
Elliott Smith - “Ballad of a Thin Man”
• Tonight: Franz Ferdinand •
• A casa do Justice •
• Britney diz: “F.U.C.K. Me” •
• Supercordas •
• Cilibrinas do Éden •
• Beatles no videogame •
• Maaaallu •
• Wilco fazendo covers •
• Guerra nas Estrelas contado por alguém que nunca viu os filmes •
• Coppola filmando Little Joy? •
• Pôsteres de filmes honestos •
• Diplo x MGMT •
• A volta do Los Hermanos? Só pruns shows (e bem ao lado do Vanguart?) •
• A foto oficial de Obama •
• Nova do Calvin Harris •
• A primeira geração influenciada por Guerra nas Estrelas •
• Sérgio Cabral Filho paga mico •
• Radiohead e o Grammy •
• Olly Moss •
• Marcelo Camelo fala sobre Mallu Magalhães •
• Naomi Klein e o boicote a Israel •
• Leiloando a virgindade •
• Novo do Frank Jorge •
• Pavement no Coachella 2009? •
• Little Joy em Araraquara? •
• Um conselho de Lily Allen •
• 10 coisas que você precisa saber para entender Battlestar Galactica na reta final •
• Photoshop na Britney •

Levante-se daí!
Rita Lee & Tutti Frutti - “O Toque”
Vampire Weekend - “Cape Cod Kwassa Kwassa (Radioclit Mix)”
Presets - “My People”
Metronomy - “On Dancefloors”
MGMT - “Time to Pretend (Diplo Mix)”
Department of Eagles - “Classical Records”
Of Montreal - “An Eluardian Stance”
3 na Massa e Nina Becker - “O Objeto”
Rafael Castro - “Me Chama pra Dançar”
Kosmos - “Vegetable Man”
Pavement - “We Are Underused”
Blur - “End of the Century”
Supercordas - “Fotossíntese”
Late of the Pier - “Random Firl”
Franz Ferdinand - “Lucid Dreams”
Eis ela aqui de novo, ao lado da mesma Lúcia do Cilibrinas, mandando uma versão em inglês para “Mamãe Natureza” em um especial que a cantora fez para a Globo no início dos anos 80.
Falando em Rita Lee anos 70, muita gente já ouviu falar mas pouca gente ouviu o disco do primeiro projeto solo de Rita logo que saiu dos Mutantes. Enquanto os meninos brincavam de rock progressivo nos idos de 72, Rita, entediada, procurava o que fazer - e a idéia original de seu projeto paralelo era uma banda formada apenas por mulheres. Sem conseguir concretizar a idéia, ela juntou-se com a amiga Lúcia Turnbull e juntas formaram a dupla Cilibrinas do Éden, cuja estréia foi agendada para o dia da inauguração do palácio de convenções do Anhembi e o show foi um desastre, graças ao fato do público ser basicamente dos Mutantes (que tocavam rock pesado, longe do som light da dupla) e porque Lúcia, ao ver a multidão, travou de medo no palco.
Mesmo com o fiasco do show de estréia, a dupla gravou um disco que, depois de pronto, foi engavetado. O disco não é um primor como tudo que vinha com o selo de qualidade Mutantes da época e parece mais uma brincadeira de meninas com rock’n'roll do que propriamente um disco de verdade. O grande momento é, de longe, “Mamãe Natureza”, que Rita regravaria discos mais tarde, com o Tutti Frutti - banda que, aliás, é quem toca com as Cilibrinas em seu único álbum. Entre o glam rock, experimentalismo de araque (dá-lhe theremin!), musicalidade beatle e simpatia juvenil, Cilibrinas do Éden é um disco simpático e divertido, como deve ser um projeto paralelo. A lenda diz que o disco foi suspenso pelo próprio André Midani - o que levou Rita a juntar-se com outro recém-desafeto do produtor sírio-francês, Tim Maia, e destruir o escritório do executivo da gravadora. Mas boa parte do repertório do disco foi aproveitado por Rita em outras situações: “Nessa Altura dos Acontecimentos” apareceu em uma coletânea no início dos anos 80, “Bad Trip” virou “Shangri-lá” anos depois, “Mamãe Natureza” foi a única música aproveitada no disco seguinte de Rita, Atrás do Porto tem uma Cidade, “Gente Fina é Outra Coisa” virou “Locomotivas”.
Essa faixa, inclusive, tem uma história engraçada com a censura da época. Sua letra (”Não vá se misturar/ Com esses meninos cabeludos que só pensam em tocar/ E você escuta o papai dizendo/ Que gente fina é outra coisa… Hoje mesmo te vi/ pensei que fosse seu pai/ Não, não, não, mas que decepção/ Eu fiquei triste de ver/ A sua vida começando pelo lado errado”) foi interpretada da segunte forma pelo censor José do Carmo Andrade num documento de 30 de agosto de 1973: “Na letra em exame, uma jovem insurge-se contra o pátrio-poder, ao tentar persuadir um amigo a desacreditar de seu pai para juntar-se a um grupo juvenil de comportamento duvidoso. A mensagem é negativa e induz aos maus costumes”.
Mas não ter sido lançado oficialmente fez com que o disco ganhasse aspectos de culto e ares mitológicos, que não fazem jus à qualidade nada épica do disco - que foi relançado ano passado na Europa em vinil e em CD, graças à iniciativa de um grupo de brasileiros morando no exterior. O mesmo grupo também montou um MySpace para o disco, que ainda conta com informações sobre a banda Persona, o grupo de Lee Marcucci e Luís Carlini que depois se tornaria o Tutti-Frutti. O versão européia do disco das Cilibrinas ainda conta com duas faixas extra: uma demo para “Hoje é o Primeiro Dia do Resto de sua Vida”, do último disco que Rita gravaria com os Mutantes, e “Mande um Abraço para Velha”, da fase final do grupo, que só saiu em compacto.
Cilibrinas do Éden - “Gente Fina é Outra Coisa“
Rita Lee anos 70 é muito foda…
Abri a janela
Um som diferente entrou
Meus olhos mudaram, eu sei
Ou foi o sol que mudou, babe
O som das nuvens
A conversa do vento
A voz dos astros
A história do tempo
O som das estrelas
A música do luar
Contando em segredo, eu sei
Contando todo o meu medo, babe,
O som das flores
O murmúrio do céu
Me deram um toque
Quem tem ouvidos que ouça
Você é uma criança do universo
E tem tanto o direito de estar aqui
Quanto as árvores e as estrelas
Mesmo que isto não esteja claro para você
Não há dúvidas
Que o universo segue o rumo
Que todos nós escolhemos
Rita Lee & Tutti Frutti - “O Toque“
Britney Spears - “If U Seek Amy”
Rita Lee & Os Mutantes - “Amor Branco & Preto”
Marcelo D2 - “Vem Comigo Que Eu Te Levo Pro Céu”
Mallu Magalhães - “O Preço da Flor”
Little Joy - “Unattainable”
Johnny Pate - “Brother on the Run”
Belle & Sebastian - “Like Dylan in the Movies”
She & Him - “Why Do You Let Me Stay Here?”
Fleet Foxes - “Quiet Houses”
Black Keys - “Strange Times”
A-Trak - “Say Whoa”
Hot Chip - “Touch too Much (Fake Blood Remix)”
Franz Ferdinand - “The Fallen (Justice Remix)”
DJ Earworm - “Funky Goes to Hollywood”
R.E.M. - “Near Wild Heaven”
Lykke Li - “Dance, Dance, Dance”
Black Lips - “I Saw a Ghost (Lean)”
Vaselines - “The Day I Was a Horse”
Ladyhawke - “Dusk Till Dawn”
Guns N’Roses - “Chinese Democracy”
Em clima de marcha lenta:
Rita Lee - “Mania de Você”
Supergrass - “Alright”
Blitz - “Weekend”
Smashing Pumpkins - “Disarm”
Lulu Santos - “Um Certo Alguém”
Aproveitando o lançamento do documentário sobre o Arnaldo Baptista, fiz um VF Soundsytem dedicado a um dos meus artistas brasileiros favoritos. Arnaldo é mais do que um mito para mim, é um referencial pop tão importante quanto Syd Barrett ou Jimi Hendrix - isso em termos pessoais, claro. E o programa é só uma desculpa pra enfileirar provas do talento do cara, seja ao lado dos Mutantes ou sozinho. Não liga pros primeiros segundos em silêncio - esqueci de cortar fora do arquivo.
Arnaldo Baptista - “Não Estou Nem Aí”
Mutantes - “Ave Lúcifer”
Arnaldo Baptista - “Ciborg”
Mutantes - “Trem Fantasma”
Arnaldo Baptista - “Será Que Eu Vou Virar Bolor?”
Mutantes - “Virginia”
Mutantes - “Desculpe, Babe”
Arnaldo Baptista - “Desculpe”
Arnaldo Baptista - “Te Amo Podes Crer”
Arnaldo Baptista - “Coming Through the Waves of Science”
Arnaldo Baptista - “Bomba H Sobre São Paulo”
Arnaldo Baptista - “Vou Me Afundar na Lingerie”
Mutantes - “Beijo Exagerado”
Mutantes - “Saravah”
Mutantes - “Uma Pessoa Só”
Arnaldo Baptista - “Uma Pessoa Só”
Rita Lee - “Superfície do Planeta”
Arnaldo Baptista - “Cê Tá Pensando que Eu Sou Lóki?”
Arnaldo Baptista - “Hoje de Manhã Eu Acordei”
Arnaldo Baptista - “Sitting on the Road Side”
Arnaldo Baptista - “É Fácil”
Mutantes - “Dom Quixote”
Mutantes - “Dia 36″
Vamos para longe… Vamos pra onde eu vou…
Uma bula para entender o mito Arnaldo Baptista
Lá fui eu em pleno domingo pós-Tim Festival assistir à última sessão da Mostra de São Paulo dedicada ao incensado Loki, o documentário de Paulo Henrique Fontenelle sobre o mutante Arnaldo Baptista. Sou de uma geração posterior à que consumiu Arnaldo in natura, em tempo real, cronologicamente. O conheci basicamente graças aos heróicos relançamentos que a Baratos Afins fez, ainda em vinil, de toda discografia do grupo, incluindo aí os dois primeiros discos solo de Rita Lee (Build Up, que contava com Mutantes espalhados por todo o disco, e Hoje é o Primeiro Dia do Resto da Sua Vida, o “sexto disco” dos Mutantes, cronologicamente posicionado após o quinto - Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets - mas registrado como solo de Rita) quanto o mítico primeiro disco do cérebro do grupo, o denso e emotivo álbum que batiza o documentário.
(Vale um parêntese curto aqui para falar do paralelo entre o rock independente brasileiro como cena e a carreira do mutante, uma vez que a gravadora Baratos Afins, que era - e ainda é - uma loja de discos na Galeria do Rock de São Paulo, começou a existir graças à decisão, vista por muitos como kamikaze, de Luiz Calanca em lançar um segundo disco de Arnaldo. Perdido e isolado ao final dos anos 70, ele juntou seus cacos criativos - e brilhantes - para lançar outro disco igualmente denso e sentimental [embora menos emotivo] quanto Lóki, Singin’ Alone. Este lançamento também é o primeiro disco independente lançado por uma gravadora independente diretamente influenciada pelo punk inglês. Não foi à toa que o escolhi como o marco zero do rock independente brasileiro, nesta lista que fiz há tempos.)
E a história que ouvi a partir daqueles discos foi a de que o Brasil tinha um grupo tão disposto a experimentos no estúdio e tão afeito ao pop redondo quanto os Beatles. Batizados por Ronnie Von, como rezava a lenda, o grupo era de onde havia saído a Rita Lee, que surgia no rock brasileiro dos anos 80 do mesmo jeito que Iggy Pop apareceu no meio dos punks. Além dela, dois irmãos formavam o núcleo central de um grupo que ainda tinha em sua formação o mesmo Liminha que transformava bandas de moleques em novos popstars (o “nono Titã”) e o irmão do repórter de Fórmula 1 na Globo, o Reginaldo Leme. Era um grupo cujos personagens ainda habitavam o imaginário daquela década, mesmo que os Dias Baptista não produzissem mais nada que chamasse atenção dos jornais de então.
A lenda que a minha geração ouviu naqueles nove vinis (cinco dos Mutantes, dois de Rita e dois de Arnaldo) era a saga de uma amizade adolescente pirando na própria felicidade (em que a comparação com os Beatles realçava tanto o humor preto no branco de 1964 quanto as roupas coloridas de 1967) que continha a história de um casal que, graças ás drogas, deu ao filme dos Mutantes um desfecho sombrio. Em três discos perfeitos, a banda foi o melhor intérprete e compositor de um gênero fabricado, o tropicalismo, ao mesmo tempo em que assumiam o papel de principal banda de rock da história do Brasil - posto que, ainda nos anos 80, não era almejado por nenhum dos protagonistas daquela década. O contato com as drogas fez o grupo aos poucos se desintegrar em solos intermináveis e seriedade forçada - ainda mais para uma banda que era naturalmente divertida.
No centro da banda, o casamento de Arnaldo e Rita funcionava como principal ponto de equilíbrio artístico e musical da banda, mesmo que ele fosse o mais próximo de um líder que os Mutantes podiam ter - e à medida em que o rock progressivo contaminava a agenda do grupo, Rita aos poucos se via fora da brincadeira original. Partiu a banda e separou-se de Arnaldo - a ordem, na verdade, ninguém sabia dizer -, e isso fez com que os Mutantes deixassem de vez de ser uma banda pop, afundando-se no atoleiro do virtuosismo e composições épicas. E a separação de Rita foi definitiva para dar início à derrocada de Arnaldo, que ainda teve uma sobrevida entre o fim dos Mutantes e o começo dos anos 80, mas foi drasticamente abalada após a queda de quatro andares sofrida na noite do reveillon de 1981 para 1982. Meses em coma, Arnaldo foi salvo por uma fã que tornou-se namorada e parceira. Lucia Barbosa, a Lucinha, o faz mudar-se de São Paulo para um sítio em Juiz de Fora, onde as seqüelas de sua queda passavam a ser tratadas lentamente, usando a pintura como um talento descoberto, para tentar voltar a fazer música pouco a pouco.
Isso era o resumo do que, nos anos 80, sabíamos sobre a banda mais formidável da música pop brasileira, um grupo de músicos, compositores e intérpretes que pouquíssimas vezes encontraram par no século passado. Assim, longe do mainstream que um dia freqüentaram (e freqüentavam, vide Rita e Liminha), a história dos Mutantes e a saga de Arnaldo tornaram-se objeto de culto. E, lentamente, esta história começou a perder seu lado informal e lendário para dar início a um processo finalizado com o recente retorno da banda, fazendo os Mutantes finalmente assumir, com méritos, seu posto de lenda viva da cultura brasileira.
Do final dos anos 80 e durante os anos 90, a partir do relançamento dos discos pela Baratos Afins, vimos uma série de acontecimentos que, pouco a pouco, traziam à tona o mito dos Mutantes: entrevistas feitas por Sonia Maia, o fraco terceiro disco solo de Arnaldo (Disco Voador, raríssimo hoje em dia), uma primeiríssima e heróica tentativa de biografia do grupo feita por Thomas Pappon na Bizz, o disco-tributo Sanguinho Novo (com a nata do rock alternativo da época e que inaugurou a carreira de jornalistas que se tornaram produtores de universos bem diferentes durante os anos 90, Alex Antunes e Carlos Eduardo Miranda), a biografia udigrudi de Marcos Pacheco e a convencional de Carlos Calado, a chegada dos discos ao formato CD (que desenterraram o prog O A e o Z, primeiro disco dos Mutantes sem Rita, que não havia sido relançado nos anos 80), os relançamentos de discos de Arnaldo pela recém-chegada Virgin no Brasil (que republicaria Singin’ Alone e os discos da Patrulha do Espaço, ficando apenas no primeiro álbum), a descoberta de Mutantes por Kurt Cobain, outro disco-tributo (Triângulo Sem Bermudas, com artistas mais conhecidos do público em geral, como Gil, Lulu Santos, Planet Hemp, Pato Fu, Ney Matogrosso e Barão Vermelho), a coletânea lançada pela gravadora de David Byrne (Everything is Possible), uma capa (a primeira na história do grupo!) na penúltima encarnação da revista Bizz, a participação de Arnaldo no show de Sean Lennon no Free Jazz do ano 2000 e no festival Com:Tradição (também de Alex Antunes) em 2003 e, finalmente, a reformulação da banda com Zélia Duncan no lugar de Rita Lee.
Graças a esta série de eventos - e outros que aconteceram no meio do caminho -, as atenções sobre a obra da banda cresceram e atingiram outras gerações, que, graças à sua indefectível qualidade, se deslumbravam com a história do grupo de amigos que, brincando, eletrificou a MPB e ampliou os horizontes da música pop no Brasil como nenhum outro artista depois dele - e também com a trágica história de seu fim, que vê uma banda ceder ao lado mais pomposo do rock ao mesmo tempo em que seu romance central desmorona, dando início à queda de uma das melhores cabeças da música brasileira.
E Fontenelle faz seu Lóki a partir disso. Reconta a história da banda e de Arnaldo a partir do show de volta em Londres, voltando para a infância de Arnaldo, entrevistando amigos pessoais, sua mãe Clarisse, seus colegas de banda (menos Rita, que não toca no assunto Arnaldo praticamente desde sua saída da banda) e outros músicos da época. A história é amparada por entrevistas recentes com o mutante e por imagens de arquivo que, verdade seja dita, são o que fazem o documentário merecer as notas 10 que tem recebido.
É um trunfo monumental. São imagens que valem ouro, ainda mais quando se cresceu à sombra de uma lenda cujo imaginário era estático. Os pouquíssimos registros em vídeo dos Mutantes - ou mesmo de Arnaldo solo, antes da queda - que haviam aparecido até os anos 90 eram vistos com solenidade e espanto. Afinal, a banda, diferentemente de seus colegas de geração, havia desaparecido do inconsciente coletivo nacional e seu registro em vídeo mais memorável era como coadjuvante de Gilberto Gil na apresentação de “Domingo no Parque” no festival da TV Record em 1968. Assim, à medida em que se desenterraram fitas de Super-8 ou velhos programas de TV, a imagem em movimento dos Mutantes era montada como se recuperasse um afresco da Idade Média: era um vídeo de “Fuga nº2″ aqui, uma aparição num filme nacional esquecido, comerciais feitos para a Shell, imagens caseiras sem som. Cada vez que se desenterrava um pequeno filme desses, o retrato dos Mutantes tornava-se menos sombrio e mais parecido com seu próprio som, alegre, ensolarado, jovem, divertido.
O filme de Fontenelle, nesse sentido, é praticamente uma revelação. Só a cena de Arnaldo Baptista tocando uma música de seu primeiro disco solo num piano posto na carroceria de um caminhão em movimento já vale todo o documentário. Mas Lóki vai muito além. Há entrevistas com a banda em seus primeiros dias de Mutantes e Arnaldo vem com uma inocência quase caipira quando fala em fazer rock no Brasil. Há vários trechos de apresentações ao vivo, além de uma série de fotos raras, trazendo imagens ainda mais diferentes da banda no palco (que levava seu nome ao pé da letra, ao apresentar-se cada vez fantasiada de uma forma). E várias entrevistas com Arnaldo depois dos Mutantes, cada vez mais avoado e mais sério, claramente sentindo a dor de carregar uma carreira que não parece fazer tanto sentido.
Da mesma forma, há fotos impressionantes - e a forma como o diretor as apresenta quando fala da relação entre Arnaldo e Rita sublinha um aspecto pouco lembrado quando se fala em Mutantes: como os dois formavam um belo casal.
(Como comentou o Pedro, é incrível que essas imagens existam, pois fomos educados sabendo que parte considerável da memória audiovisual brasileira havia se perdido naqueles famosos e mal contados incêndios em arquivos de canais de TV. Ou seja: tem gente escondendo o ouro aí… Quando é que isso vai vir a público? Será que ninguém se dispõe a lançar isso em DVD?)
Aliado às imagens, vêm os depoimentos. A princípio variados, eles, à medida que o documentário avança, vão sendo resumidos a uns poucos amigos recorrentes, como os mutantes Sérgio Dias, Liminha e Dinho, o artista plástico Antonio Peticov, o amigo de infância Rafael Vilardi e o produtor Roberto Menescal. Outros vêm e vão, sem muito acrescentar - o próprio Gilberto Gil é muito mais eficaz numa entrevista de arquivo (quando conta como conheceu os Mutantes, numa cena em que o cinegrafista está mais interessado em mostrar Caetano Veloso e Nara Leão ao fundo do que acompanhar a entrevista principal). Além destes, o grande depoimento é do maestro Rogério Duprat que, sem pestanejar, tasca que “Arnaldo é a figura mais importante da música brasileira desde que ele mesmo apareceu”.
Os depoimentos pouco acrescentam à história que já conhecíamos, funcionando basicamente como fio condutor do filme - à exceção dos momentos mais emotivos, como o mea culpa de Sérgio Dias, a parte em que Dinho fala sobre o fim dos Mutantes e a forma como Rafael se refere ao Arnaldo como um amigo, não como mito.
E é assim que Lóki funciona. O documentário, na verdade, não vai além da história que já conhecíamos nos anos 80, ele apenas põe imagens e vozes numa saga que segue no campo lendário. A certa altura do filme, Sérgio comenta um dos motivos da saída de Rita da banda, galvanizada pela lenda como sua pouca habilidade com instrumentos musicais, se comparada aos outros mutantes - e fala que a única garota do grupo prefere adotar a lenda ao fato, quando o fato em si é sem graça.
O documentário também. Cita por diversas vezes uma série de problemas que a banda teve por causa de Arnaldo, mas não vai além de comentar isso. Seu envolvimento com drogas o tornou uma pessoa difícil de lidar. Mesmo sabendo que Rita Lee não iria participar da produção, não há uma tentativa de ir além sobre o que Arnaldo teria feito de tão ruim para ela, a ponto de ela guardar essa mágoa até hoje. Em certa altura do filme, cita-se o único filho de Arnaldo e como era a relação dele com o garoto em sua infância, mas ele depois simplesmente some.
E nem é preciso ir nos pontos mais polêmicos ou críticos para mostrar os defeitos do documentário. Há uma contextualização histórica é mínima, não sabemos como os Mutantes se conheceram, onde ensaiavam, onde fizeram os primeiros shows, quem eram seus companheiros de geração e o que uns achavam sobre os outros (afinal, do mesmo jeito que trazer a guitarra para a MPB era considerado herético para os tradicionalistas da bossa nova, uma banda de rock tocar música brasileira era igualmente condenável pelos pares roqueiros). Onde gravaram seus discos, que instrumentos tocavam no estúdio, como Duprat trabalhava com a banda ou a própria questão das fantasias no palco. Não se toca no assunto das experimentações sonoras, o irmão Cláudio César Dias Baptista é citado de forma muito superficial e há depoimentos de artistas estrangeiros sobre a importância do grupo no exterior que são pesos pena na constelação mundial, como o filho de John Lennon ou Devendra Banhard. Lobão e John, do Pato Fu, que estiveram ao lado do Mutante em seu disco solo mais recente, Let it Bed, de 2004, também não acrescentam muito, como a entrevista de Zélia Duncan ou toda a parte sobre o show da banda em Londres.
Mas, há de se convir, Fontenelle pode não ter sido crítico, mas fez. Criou uma bula perfeita para entender a história dos Mutantes e a trajetória de Arnaldo, embora pouco tenha acrescentado à lenda que conhecíamos quando os discos do grupo começaram a reaparecer em vinil, nos anos 80. Neste sentido, seu filme é tão importante quanto a volta do grupo sem Rita Lee - é mais uma coroação de uma carreira, um feito construído sobre nostalgia e consagração do que algo que acrescente alguma novidade à história.
Mas talvez o documentário definitivo sobre Arnaldo não possa ser realizado ainda. Do mesmo jeito que Rita não dá entrevistas sobre Arnaldo, Arnaldo não falaria caso tivesse de cutucar feridas mais sérias. Mas, por outro lado, isso não quer dizer que Lóki seja falho ou genial - as emocionantes imagens resgatadas contrastam com detalhes imperdoáveis (como mostrar as edições em CD dos dois primeiros discos solo de Arnaldo em vez de exibir as capas dos vinis - sendo que Calanca, que tem várias cópias dos discos em vinil em sua própria loja, foi entrevistado).
Lóki, do jeito que está, funciona para explicar Arnaldo Baptista de uma forma linear e concisa para pessoas que sequer sabem de sua existência. A ênfase no impacto do grupo no exterior também sublinha um possível desdobramento do documentário: shows solo de Arnaldo Baptista no Brasil e fora dele. Não é nada má a idéia de assistir a discos como Lóki ou Singin’ Alone serem tocados ao vivo e na íntegra, como reza uma das regras de shows na primeira década desse século. Pelo contrário, pode render apresentações históricas.
Se servir só para isso, Lóki, o documentário, já tem uma razão para existir. E mesmo com todos seus defeitos, consegue, nem que por alguns minutos, tirar o manto de mito das costas do mutante para mostrá-lo como pessoa. O último depoimento de Rafael Vilardi é, neste sentido, o ponto central do documentário. Todos nós amamos Arnaldo - acredito que até mesmo Rita Lee.
Pra quem não conseguiu assistir, amanhã o documentário será reexibido na repescagem da Mostra. Vale ver, porque, até agora, não há previsão para que o filme volte tão cedo para as telas de cinema.
A edição mais recente da Rolling Stone brasileira traz uma votação para saber quem são as pessoas mais importantes da história da nossa música. Não valia banda nem dupla, a eleição era focada em indivíduos e quem ganhou foi Tom Jobim. Eles pediram aos votantes que enviassem uma lista de 25 nomes mais importantes, sendo que os cinco primeiros deveriam estar na ordem. Ampliei o desafio e botei os 25 nomes mais importantes da música brasileira para mim em ordem, do começo ao fim. Segue a lista:
1. João Gilberto
2. Noel Rosa
3. Jorge Ben
4. Elis Regina
5. Jacob do Bandolim
6. Chico Buarque
7. Gilberto Gil
8. Pixinguinha
9. Caetano Veloso
10. Luiz Gonzaga
11. Jackson do Pandeiro
12. Cartola
13. Ary Barroso
14. Dorival Caymmi
15. Tom Jobim
16. Braguinha
17. Roberto Carlos
18. Paulinho da Viola
19. Renato Russo
20. Tim Maia
21. Lulu Santos
22. Rita Lee
23. Tom Zé
24. Chico Science
25. Raul Seixas
E aí, discorda, concorda… qualé?
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