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Arquivo: rodrigo amarante

“E eu, ah, eu nunca vou entender…”

As voltas que o mundo dá: Los Hermanos, em 2002, cantando “Last Nite”, dos Strokes, com o Amarante cantando. Pouco mais de cinco anos depois, dois integrantes das duas bandas fundariam o Little Joy


Los Hermanos – “Last Nite” (ao vivo)

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“Play the Part”

O Torturra fez uma longa entrevista com o Amarante pra Trip (e botou fotos em seu Flickr). Nesse trecho ele fala do Los Hermanos:

Pergunto sobre isso porque já fui a shows do Los Hermanos e tinha hora que parecia o Menudo, gente se descabelando, um tipo de fã, ou fama, que vai além da mera exposição. Minha pergunta é: o fato de você ter visto isso acontecer mudou sua visão de como você entende a cabeça das pessoas?
[Pensativo] Eu não sei se mudou a forma como vejo o ser humano. Acho que, mais do que mudar a minha visão das pessoas, mudou a mim profundamente. Por causa da exposição. Você está aqui me entrevistando, e para mim é um exercício de expressão que tem a sua violência. Me obriga a ter clareza, a fazer algum sentido, me obriga a ser aberto, mas não ser bobo. O fato de ser famoso me fez aprender a lidar com isso, a saber no que acredito e no que eu não acredito. Essa é uma reação da interação que tenho com as pes soas, entendeu? Não posso acreditar quando um fã vem e diz que sou um gênio.

Mas isso mexe com o teu ego?
Claro! É isso que estou te dizendo, o campo de ação disso é o ego. Então o crescimento que eu tive é por causa dessa violência com o ego, de ter que me entender através disso, de acreditar ou não no que está sendo dito por mim e sobre mim. Na imprensa ou num adolescente que fala alguma coisa. Então é um filtro ou uma espécie de espelho, totalmente imprevisível e louco. Acho que tive a oportunidade de crescer com isso desde os 21, quando comecei a subir em um palco para pessoas que pagaram um ingresso para me ver tocar.

E os egos dentro da banda não entravam em conflito?
No Los Hermanos, isso foi uma coisa muito importante, a gente sempre teve uma postura entre nós muito franca e de questionamento de toda a estrutura do astro, da celebridade e de tudo isso. Sempre tivemos um pé atrás para observar essas coisas, dividir as nossas observações. Sem dúvida eu não estava sozinho nesse processo todo.

Era uma boa turma?
Era uma ótima turma! E essa postura veio logo por causa de a trajetória do primeiro single, “Anna Julia”, ter sido aquele sucesso todo, a gente teve um choque de exposição muito grande. Então foi bom porque, na primeira tateada, a gente falou: “Opa, peraí, talvez isso aqui seja mentira”. Quando alguém nos dizia: “Ó, se você não for nesse programa de televisão, sua carreira está acabada”. Ou então: “Pro pessoal de determinado canal, sabe como é, não pode dizer não”, esse tipo de coisa. E a gente começou a falar: “Será isso? Vamos ver se é verdade?”. E começou a experimentar, e viu o que era e o que não era real. Aí, da mesma forma, isso se refletiu na relação com as pessoas, com os fãs. Estar no Los Hermanos me deu um pé no chão.

E o que aconteceu com a banda? Foi uma separação tranqüila mesmo?
Foi. Porque, como eu falei, a gente sempre conversou. Quando a gente estava para fazer o quinto disco, não tinha repertório. O Marcelo [Camelo] e eu estávamos sem um grupo de canções que fosse substancial. No caso do Marcelo, eu sempre disse que ele tinha que fazer um disco sozinho, ele sempre teve várias músicas que não cabiam na banda, não combinavam com o formato, mas eram lindas. Só que ele nunca teve tempo, era sempre disco, turnê, disco, turnê, então vimos que era hora de fazer outras coisas.

Para quem estava de fora, foi estranho, pois foi não só repentino mas no meio de uma fase muito boa.
A gente tinha contrato para entregar um disco, uma turnê pra fazer, o lance da máquina. No sentido comercial não fazia sentido. Mas nunca foi por causa disso que a gente fez música. Sem tesão não há solução, já dizia Roberto Freire. Então foi por causa da música… a gente não queria enganar ninguém. Se fosse assim a gente faria mais um disco, ganharia mais uma grana. Pode funcionar para outras bandas, mas para a gente não. Ainda mais com os fãs que a gente tem, que são incríveis, que têm a maior dedicação, o maior carinho. A gente não quis fazer qualquer coisa.

E foi triste o último show?
Foi ótimo. Teve uma melancoliazinha, né? Uma estranheza de pensar: “Pô, a gente está aqui tocando e não sabe quando vai tocar de novo”. Mas é assim, cara, a vida é isso aí.

Mas tem mais aqui, ó. E aqui tem um videozinho com trechos de um show do Little Joy:

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Mallu <3 Camelo

O affair segue rendendo, mesmo sem o Hermano tocar no assunto (imagine…). Agora já cogitaram outro

Little black is fuck…

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Hermano Caetano

E o blogueiro Caetano Veloso continua acompanhando a nuvem de tags dos assuntos da hora – e recentemente comentou sobre os discos de Amarante e Camelo:

O disco do Camelo é bom à beça: ele toca violão muito bem naquela faixa de letra curta; a decisão de soar relaxado e livre de tiques reconhecíveis pode virar um novo tique se o ouvinte tiver má vontade – mas é assumida com bravura e realizada com decisão; eu gosto; é carioca num grau Marisa Monte; é um luxo que ele seja a estrela solitária do momento em nossa música inventiva.

(…)

Já ouvi muito do de Rodrigo Amarantes com Fabrício dos Strokes (que trouxe a namorada): os ecos de pop rock do início dos anos 60 – com um toque country – soam com frescor inventivo que descarta ironia ou nostalgia; é música imediata; a gente não pensa em tiques nem em toques – apenas entra em contato com as emoções que motivaram as canções, ou melhor, nas emoções que as canções motivam. Mas a ida à Itália me interrompeu a audição, de modo que comentários mais responsáveis ficam para depois.

Surrupiei tudo do Terron, do trecho indicado à ilustração.

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Alegria da manhã

E esse disquinho do Little Joy que tá saindo melhor que a encomenda, hein… Vou te contar… Segura mais essa:


Little Joy – “To Hang a Warhol

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Sete Dias de Trabalho Sujo

- Liniers vem para SP;
- Hermes e Renato: Também Sou Hype;
- Laranja Mecânica de brinquedo;
- Eleições americanas: Tina Fey, uma maverick, general Zod para presidente dos EUA e todo mundo tipo Obama;
- Música: João Brasil remixa Vanguart, novo do Cure e Astral Weeks ao vivo, Mallu na Bravo, R.E.M. em 1983, horários do Planeta Terra 2008, Beatles ilustrados, Ringo não quer dar mais autógrafos, Of Montreal ainda repele indies, uma mixtape pra Dani, olha a cabeleira do Justice, Elliot Smith entrevista Lou Barlow, Radiohead jazz, mais uma do Little Joy, a volta de Jeff Mangum, 500 músicas escolhidas pelo Pitchfork, música brega do Pará é auto-suficiente e Portishead no beatbox;
- Cultura Inútil: o poster do próximo filme do Tarantino, Allan Sieber e o Brasil, não dê arma na mão de bebês, Battlestar Galactica + Simpsons e essa camerita? Disseram que os ETs viriam mas até agora nada, desastres para montar em papel, TED em português, porta-copos para baba-ovos do iPhone, gatos dando descarga, pessoas minúsculas e lugares que cabem na mão, segue a confusão entre J.J. Abrams e William Shatner, como George Lucas e Steven Spielberg estupraram Indiana Jones (e os brindes de sua versão em DVD no exterior), um sanduba de três quilos, capa pra HD externo, filme do Dragon Ball Z e como os Trapalhões previram seu futuro há vinte e cinco anos;
- O Link fala de alta do dólar e eletrônicos, Tokyo Game Show e Ning, além de tocar Panda Riot, Fireman e Little Joy. No Vida Fodona tem Oranger, Paul, Phoenix, De Leve e Kassin;
- Uma sexta-feira, um mashup: Pink Floyd com The Wiz, Cinco Vídeos para o Meio da Semana: MGMT, N*E*R*D + M.I.A., Burro Morto, Franz Ferdinand e Benoit Pioulard, Palavras para o Domingo: Mr. Garrison explica o Darwinismo, Mixtape de sábado: Costa a Costa;
- Leitura Aleatória números 164, 165, 166, 167, 168, 169, 170 e 171.

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Little Joy à brasileira

Às vésperas do lançamento do disco do Little Joy, Rodrigo Amarante e Fabrizio Moretti invadiram, esta semana, o programa Ronca Ronca, do grande Maurício Valadares (dá pra ouvir o programa aqui). De lambuja, mais uma música da banda, desta vez com Strokes tatutado no DNA da canção. E por falar na banda original de Fabrizio, eles entram no estúdio em fevereiro – e talvez produzidos por Rick Rubin.


Little Joy – “Keep Me in My Mind

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Alegriinha ao vivo

O Pidzim linkou dois vídeos da nova banda de Amarante, Little Joy, em sua primeira apresentação ao vivo no Casbah, em San Diego, nos EUA (quem deu a dica foi o Ronaldo). Além de “No One’s Better Sake”, ainda tem duas novas, que não estão no MySpace da banda, uma chama-se “Keep in My Mind” e é mais rock (e mais Los Hermanos) e a outra, sem título, é meio triste-alegrinha, mais new wave que as outras. Curti, de novo.

E essa semana vamos falar mais um pouco dos trabalhos de Amarante e Camelo depois dos Hermanos.

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Sete Dias de Trabalho Sujo

Semana movimentada, hein. Vamos ver se eu consigo criar mais uma seção:

- Software livre, 25 anos;
- A banda californiana de Rodrigo Amarante;
- Adaptação de Wanted de Mark Millar é fodaça, mas ele quer fazer mesmo é o filme do Super-Homem (que quase foi pra mão do J.J. Abrams);
- Link Eldorado – 14 de setembro de 2008 e Link Estadão – 15 a 21 de setembro de 2008;
- Vida Fodona #125;
- Pato Donald nazista e Disney falando de menstruação;
- Posteres poloneses inacreditáveis;
- E a banda nova do Junior Sandy&Junior se chama Nove Mil Anjos;
- Morning Becomes Eclectic com MGMT, que, dizem, irá colaborar com os Chemical Brothers (que lançaram vídeo com o Google Earth);
- Filme novo do Michael Moore;
- Eleição no Brasil parece piada;
- Cancelamento do comercial do Seinfeld com a Microsoft era boato, mas a empresa lançou outra campanha, “Eu Sou um PC”;
- Mais publicidade: Dita Von Teese vende sutiã, Cat Power vende carro e James Bond faz com que Jack White venda Coca-Cola Zero;
- Death Magnetic, o disco novo do Metallica, é uma bosta;
- Offspring e Breeders confirmados no Planeta Terra;
- Mallu Magalhães entrevista-se a si mesma;
- Megan Fox;
- Quem morreu: Norman Whitfield, Rick Wright e David Foster Wallace;

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Rodrigo Amarante: Brand New Start

Enquanto Marcelo Camelo lança seu disco em partes (cadê as faixas que não estão pra download gratuito?), Rodrigo Amarante vai aos poucos comendo pelas beiradas. Ele disponibilizou hoje as três primeiras músicas da banda que montou ao lado do baterista dos Strokes, a Little Joy, em seu MySpace. E, ao contrário das primeiras faixas solo de seu compadre de banda, as faixas têm estampado “Rodrigo Amarante” por inteiro, a começar pelo inconfundível vocal (mesmo em inglês), passando pelos arranjos entre a psicodelia beatles e o indie rock dos anos 90 e um indefectível tom pop e ensolarado (à exceção de “With Strangers”, melancólica mas ainda típica canção de Rodrigo). As três faixas ainda contam com um sabor de rock exótico oitentista, com aqueles mesmos timbres de teclados vintage com andamento suingado e timbre de guitarra africana – e alguma latinidad – que fizeram a moral do Vampire Weekend. E são boas. Bem boas.

O disco aparece nas lojas via Rough Trade em novembro, quando a banda cai na estrada ao lado da nova banda do Devendra Banhart, a Megapuss. E o Lívio adiantou que eles irão regravar “Evaporar“, uma das primeiras faixas solo de Amarante, que a gravou ao lado do mítico guitarrista tropicalista Lanny Gordin, em seu disco Duos, do ano passado. E aos poucos Amarante vai traçando sua carreira mais próximo do rock que o consagrou e longe – bem longe – da MPB que impregnava o quarto disco do Los Hermanos e o fez empacar na indiferença enfadonha. E, da mesma forma, cada vez vai ficando mais claro quem puxava a banda para que lado.

Quem diria, hein, Amarante… Muito bem, muito bem…


Little Joy – “No One’s Better Sake” (MP3)


Little Joy – “Brand New Start” (MP3)

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