OEsquema

Arquivo: rua

Street art não é só grafitti

Do crochê à intervenções em placas, passando por miniaturas e ilusões de óticas – eis algumas imagens selecionadas pelo Street Art Utopia.

No site tem outras tantas, com crédito e link pra cada um dos autores.

5 Comentários

A feira Inception


Eis a feira, olha como ela é torta. A foto também é do meu Flickr velho e eu tinha tirado no meu aniversário do ano passado

Toda quarta tem feira aqui do lado de casa e toda quarta desço pra comer um pastel (tenho a sorte de ter uma filial do pastel da Maria bem no início da feira). E entre devaneios sobre como o ambiente feira funciona como uma droga lisérgica pra mulheres de todas as idades (repare, algumas são objetivas, a maioria caminha como se estivesse chapada ou como se fosse zumbi), do inevitável encontro entre a roda do carrinho e o dedinho do pé na sandália e o leque de aromas aleatórios típicos de qualquer feira, o que mais me aflige nessa perto aqui de casa é seu aspecto Inception. Não que ela pareça um sonho dentro de um sonho (tem horas que sim, mas não é esse caso), mas, como quase tudo que envolve rua e o bairro do Sumaré, onde moro, lembrao aspecto antigravitacional do filme do Nolan.

Explico melhor: nasci em Brasília, terra plana, reta, sem declive, mas quis o destino que eu viesse morar em uma cidade construída sobre morros, dona de ladeiras terríveis, escaladas tristes para quem tem que subi-las a pé. E, mais especificamente, em um dos bairros com mais ladeiras da cidade, o Sumaré. Me dói a alma. Na infância, tais ladeiras seriam sonhos dentro de sonhos – imagino que a rua Paris seja o Six Flags do rolimã -, mas hoje em dia, basta apenas vê-las para me estristecer. E a feira aqui perto de casa fica num cruzamento de duas ladeiras. Nem são tão drásticas – mas o chão é torto o suficiente pra que você perca a noção da gravidade e passe por alguns segundos de labirintite involuntária.

Sempre um bom passeio – e o chão torto ajuda.


A feira hoje

4 Comentários

O fim da comida de rua?


Foto: Parque da Água Branca, do meu largado Flickr

O declínio da civilização ocidental frente ao politicamente correto, capítulo 2914. Helô conta como a prefeitura do Kassab está, aos poucos, acabando com os vendedores de comida de rua, e na marra:

Atenção, muita atenção, caros leitores: um dos principais patrimônios paulistanos está sendo perseguido. Perseguido literalmente. Pela polícia.

Estou falando do milho cozido, da pipoca, do café da manhã de carrinho, com bolo de nada e pingado de garrafa térmica, do vendedor de fatia de abacaxi docinho, do coco caramelizado, do tapioqueiro. Meu Deus, o tapioqueiro…

De uns dias para cá, todo taxista me fala disso. Da Guarda Civil Metropolitana perseguindo os ambulantes de comida. “Eles pegam a comida e colocam tudo num saco e jogam fora”, me disse o Márcio, taxista amigo e grande conhecedor de comida de rua. (É claro que isso vem na esteira de outras reclamações sobre o Kassab. Quanto tempo falta para acabar esse pesadelo mesmo?)

O Aristenes, taxista “mineiro de nome grego, vê-se-pode?”, chorou de verdade, chorou de fungar e diminuir a velocidade para enxugar o rosto, ao contar a história de um casal de aposentados que vendia milho cozido, pamonha e curau no Bom Retiro. A Guarda Civil levou tudo embora, carrinho, milho e curau. E os dois ficaram ali, sem rumo. Segundo o Nenê, apelido do Aristenes, “a polícia depois vende tudo, os carrinhos, e aí depois vão lá e tomam de novo e vendem de novo”.

(…)

Blindada ou sensível, nossa pança não pode ser alijada do carinho que vem do carrinho.

O Rodrigo Oliveira, do Mocotó, disse, em palestra no evento Paladar Cozinha do Brasil (em que ele apresentou um café da manhã sertanejo de fazer núvem-de-lágrimas-sobre-meus-olhos de tanta delícia):

“O Alex Atala fala que a boa cozinha coloca o ingrediente no seu melhor momento. O cara do carrinho de tapioca, que faz tapioca todos os dias há 20 anos, coloca a tapioca em seu melhor momento. Ele deve ter alguma coisa para ensinar pra gente. É esse cara que eu quero ouvir”.

Pois é, a Guarda Civil Metropolitana nem ouve, já vem tirando a tapioca do tapioqueiro e, de lambuja, tirando de nós o direito ao lanche rueiro.

Claro que a prefeitura tem de cuidar para que regras sejam cumpridas, para que seja limpo, para que não contamine. Mas eliminar a comida de rua não pode ser a solução. Quer dizer, poder pode, mas é a solução mais burra.

E se você acha que isso não tem nada a ver com você, então não venha dizer que o cachorro-quente de Nova York é incrível. Não poste no Instagram sua foto comendo salsicha incrível nas ruas de Berlim. Nem me venha falar que o crepe da esquina da rue tal com a rue tal em Paris é incrível.

Porque, sim, eles são de fato incríveis. O cachorro-quente é patrimônio de NY. O crepe é a cara de Paris. E a salsicha alemã é a alma berlinense. Assim como o chincharrón e o taco mexicano, o choripán argentino, as sardinhas portuguesas e quantos tantos outros exemplos maravilhosos (me ajudem a lembrar, deu branco).

Esse papo todo me deu vontade de comer um pastel. Já volto.

13 Comentários

O urso emo

Só uma coisa…

1 Comentário

Moradora de rua, não!

Espere até um minuto e meio do vídeo acima.

2 Comentários

Que música você está ouvindo?

7 Comentários

Se deixar, vão tocar

Uma intervenção pública assinada por Narcélio Grud.

Comente

Ruy Castro e o grafitti


Foto: Artofthestate

E essa que o Ruy Castro mandou na semana passada?

“Arte” compulsória

RIO DE JANEIRO – Um museu de Los Angeles inaugurou a maior exposição até hoje de “arte nas ruas”, vulgo grafite. É uma retrospectiva cobrindo a história da coisa, dos anos 60 até hoje. Sou a favor dessa exposição: lugar de grafite é mesmo no museu. Ou nas galerias de arte, nas paredes internas da casa do “artista” ou dos críticos, ou em qualquer lugar. Menos nas ruas.

Não gosto de ser obrigado a consumir “arte” quando não estou a fim. Se abre uma fabulosa exposição de Miró ou Hopper no Rio ou em São Paulo, posso escolher o dia em que irei visitá-la. Ou em que não irei. Enfim, se há um Miró ou um Hopper na cidade, posso exercer meu direito de vê-lo ou não. Mas, se preciso passar todo dia por uma série de muros emporcalhados com grafite, não me dão esse direito. Tenho de vê-los, queira ou não.

Às vezes, leio que a polícia prendeu grafiteiros atuando em algum muro, viaduto ou fachada de prédio abandonado. Eles se ofendem, alegam que estão dando “um presente à cidade” e logo são soltos. A própria imprensa dá a notícia sob a rubrica “Arte incompreendida”. Mas há cidadãos conservadores, que dispensam tais presentes e preferem que a prefeitura se encarregue de limpar os quarteirões depauperados -que, quanto mais grafitados, mais hostis.

Uma das “instalações” na retrospectiva de Los Angeles mostra um beco escuro e grafitado, com lixo espalhado pelo chão. Deve ser fascinante num museu. Mas, na vida real, a cena indica um território fora do controle do poder público, impróprio para habitação e sujeito a marginais. Não por acaso, os grupos de grafiteiros se definem como gangues -quadrilhas.

Nos EUA, com ou sem exposição, grafite é vandalismo e dá cadeia. No Brasil, já que a tolerância é maior, por que as prefeituras não liberam seus galpões ociosos para que os grafiteiros os rabisquem à vontade -pelo lado de dentro?

Tudo bem que o cara tem um texto ótimo (escreva por 40 anos seguidos e tente não ter) e é um senhor biógrafo, mas perdeu uma ótima oportunidade de ficar quieto.

42 Comentários

Esperaê!

Comente

A mesma simples pergunta

…só que feita pra pessoas que moram em Nova York. Dica do Alexandre, no post original.

2 Comentários

Carregado

Do Picture is Unrelated.

1 Comentário

Uma pergunta simples

1 Comentário

Onde você estava na hora do Brasil x Holanda?

Um maluco da Xlab estava filmando, de moto, São Paulo às moscas durante o último jogo da seleção na Copa de 2010, para um curta chamado 190 Milhões Sem Ação.

3 Comentários

Bom dia…

…e até segunda.

Comente

“And Rocky collapsed in the corneeeeeeeeeeeeeeeeeeer….”

Que esquina! Vi no Fuck Yeah Beatles.

Comente
Página 1 de 212