Arquivo: sarah palin ’
4 de novembro de 2008 às 16h40
Eleição à americana
“That’s entertainment!”
É engraçado ver o que os EUA estão fazendo com a política. Tá certo que a mudança do discurso para a cosmética não é nem um pouco nova – e remonta a um Nixon mal encarado e suando no primeiro debate televisionado da história, em que Kennedy parecia um galã de Hollywood. Mas o que estamos assistindo em 2008 é a transformação definitiva da política, ao menos da campanha, em showbusiness. Perto da eleição McCain x Obama, a imagem de Bush sendo maquiado pouco antes de entrar em cadeia nacional para falar da Guerra do Iraque – que, uma vez vazada, foi usada originalmente por seus adversários para mostrar um suposto desdém para com o que o presidente americano iria dizer -, parece normal, um mínimo de preocupação estética, em 2008.
O show em que se transformou a campanha eleitoral dos EUA teve um capítulo especial no meio do mês passado, quando os dois candidatos baixaram a guarda para participar do jantar oferecido pelo Alfrend E. Smith Memorial, um evento tradicional das eleições americanas em que os protagonistas podem ficar mais à vontade. Eis os discursos dos dois candidatos, com algumas aspas traduzidas do discurso (a transcrição dos dois discursos na íntegra pode ser lida aqui). Primeiro, McCain:
“Essa campanha precisava do toque comum de um trabalhador. Afinal, começou há muito tempo com a celebrada chegada de um homem conhecido por Oprah Winfrey como ‘The One’. Como sou colega e amigo de Barack, posso chamá-lo de ‘That one’. E eles, meus amigos, ele não liga nem um pouco. Na verdade, ele tem até um apelido para mim – George Bush”
“Eu sou o vira-latas nestas últimas semanas. Mas se você souber onde procurar, vai encontrar esperança. Há sinais de esperança nos lugares mais improváveis – até mesmo nesta sala cheia de democratas de Manhattan. Eu não consigo deixar de acreditar que há pessoas que estão torcendo para mim. Que bom te ver aqui hoje à noite, Hillary!”
“Onde está Bill, falando nisso? Ele não consegue descansar uma noite sequer para tornar o homem que venceu sua esposa o próximo presidente? Quando um repórter perguntou a ele se o senador Obama era qualificado para ser presidente, ele respondeu, ‘claro, ele tem mais de 35 anos e é um cidadão americano’”
“Em todo caso, sabemos que o senador Obama está pronto para qualquer contingência – mesmo na possibilidade de uma crise de mercado dramática e repentina. Ouvi dizer que, aos primeiros sinais de recuperação, ele irá suspender sua campanha e voará imediatamente para Washington para cuidar desta crise”
Depois, Obama:
“Estou emocionado por ter sido convidado e me sinto em casa aqui porque sempre disseram que eu caso a política de Alfred E. Smith com as orelhas de Alfred E. Newman”
“É uma honra estar aqui com Al Smith. Eu obviamente não conheci seu tataravô, mas depois de tudo que o senador McCain me contou, sobre o ótimo tempo que eles tiveram juntos antes da Lei Seca… Belas histórias”
“Recentemente, um dos principais conselheiros de John McCain disse ao Daily News que se nós continuássemos falando sobre a economia, McCain iria perder. Então aqui estou para falar sobre a economia”
“Olhando ao redor, toda essa comida fina e champanhe, é claro que nenhum gasto foi contido. É como um encontro de executivos da AIG”
“Vocês sabem, estivemos debatendo muitas destas questões econômicas durante a campanha, mas ultimamente as coisas se tornaram mais duras. Nas últimas semanas, John continuou sua campanha perguntando ‘Quem é Barack Obama?’. Tenho de admitir que eu fiquei surpreso com essa pergunta, já que a resposta está bem ali na minha página do Facebook”
“‘Quem é Barack Obama?’ Diferente dos rumores que vocês devem ter ouvido, eu não nasci em uma manjedoura. Na verdade, nasci em Krypton e fui mandado para cá pelo meu pai Jor-El para salvar a Terra. Muitos de vocês – muitos sabem que eu herdei o nome Barack do meu pai. O que vocês não sabem é que Barack é o termo swahilli para ‘aquele ali’. E meu nome do meio foi tirado de alguém que obviamente nunca havia pensado que eu poderia concorrer à presidência”
“Se tivesse que dizer qual é a minha maior força, eu diria que é minha humildade. Minha maior fraqueza é que eu sou bom demais”
“Eis outra revelação, John McCain tem um bom ponto. Houve realmente um ponto em minha vida quando eu comecei a circular com uma turma da pesada. Tenho que ser honesto, esses caras eram casos perdidos, baixos, ignóbeis, inúteis. É verdade: eu fui integrante do senado americano. Pensando nisso, John, eu juro que te vi em um de nossos encontros”
“Por falar nisso, tem uma coisa que me deixa curioso: a FoxNews pode ser considerada uma mídia?”
Isso é entretenimento. É um dos grandes legados da cultura americana para o resto do planeta – frases de efeito, tiradas rápidas, piadas que exigem uma certa descontextualização momentânea para fazer sentido, ironia fingindo não ser ironia, diálogos ágeis e um sorriso no rosto. Não interessa qual é a mensagem, é esse espírito que une o Pernalonga, Marlon Brando, Eazy E, Elvis Presley, Michael Moore, John Kennedy, Tony Soprano, Martha Stewart, John Wayne, Martin Luther King, os Beastie Boys, Jerry Seinfeld, Eddie Murphy, Charlton Heston, Homer Simpson ou Marilyn Monroe. É dos motivos de gostarmos tanto da cultura deles.
Mas nestas eleições, mais do que nas passadas, o entretenimento e a política caminharam tão próximos que, em alguns momentos (como os vídeos acima), pareciam ser um só. É a tal da política pop, em que plano de governo, argumentos racionais e aliados políticos ficam em segundo plano se comparados ao carisma televisivo.
E mesmo se ascensão de Obama parecia inevitável, graças a este elemento televisivo (ou à ausência dele) que sua vitória começou a ser dada como certa. O ponto principal: a nomeação da vice de John McCain, Sarah Palin, e sua subseqüente demolição feita por Tina Fey que, devido à sua semelhança com a candidata, voltou ao Saturday Night Live várias vezes para viver o papel de Palin.
Políticos e humoristas sempre andaram de mãos dadas (mesmo a contragosto), mas faltava à Sarah Palin as qualidades que tornaram a cultura americana tão central em nossa era. Sem um pingo de desenvoltura, carisma próximo de zero e um estreito conhecimento sobre cultura geral, ela tornou-se um alvo perfeito. E se os republicanos achavam que colocar uma mulher como vice ia contar pontos a favor de McCain, o desempenho de Palin foi crucial para enterrar as esperanças finais de McCain.
(Isso não quer dizer que ele não possa ganhar. Lembre-se que a eleição do ano 2000 foi fraudada com os republicanos FORA da Casa Branca. Não duvide que agora que eles têm a máquina na mão, não vão tentar algo. Fora essas urnas de tupperware… E neste link há outros motivos que mostram como McCain pode ganhar, mesmo com a Obamania)
Mas há quem queira dizer que a culpa pelo tombo chamado Sarah Palin é de Tina Fey, o que é uma bobagem. Nem o Alec Baldwin acha isso, embora tenha participado topar do quadro que o Saturday Night Live fez com a candidata a vice para tentar acalmar ânimos rednecks:
O problema não é a falta de preparo para a política – mas a falta de preparo para o showbusiness. Sarah Palin não pertence a este universo, apenas ao da política no Alaska, que ainda sobrevive longe dos holofotes e dos olhares do mundo. Por isso, falta-lhe estofo para concorrer uma eleição que, na verdade, é um espetáculo. Veja o que diz um bom exemplar deste universo sobre a possibilidade de Palin estar pronta para este novo ambiente:
É isso aí, nem Schwarzenegger acha que ela está pronta – o que não quer dizer que ela não possa, um dia, ser presidenta dos EUA. Ela acaba de entrar num jogo de tubarões – e sua carreira política pode passar por uma plástica moral e, em quatro anos, poderemos ver Sarah Palin esperta e ágil em suas respostas, pronta para o público.
McCain e Obama já estão. Num país em que é possível ter aulas de oratória e discurso ainda no primeiro grau e que todos os estudantes são incentivados a, quem sabe um dia, concorrer à presidência dos EUA (afinal, eles são a “terra das oportunidades”), a política sempre esteve incutida no dia-a-dia de cada cidadão americano, mesmo que ele não perceba.
O que mudou dos tempos de George Washington para cá e que não basta o político ser sério, íntegro, dedicado e pronto para debater qualquer assunto. Ele deve ter boa aparência, fotografar bem, falar sem gaguejar, ser simpático, agradável, divertido, cool.
Fora toda a mudança que a internet está trazendo para o sistema político como um todo (demos uma bela geral na capa do Link desta semana, as matérias podem ser lidas aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), estamos vendo o entretenimento entrar de vez na política. McCain e Obama é quase um confronto entre Bob Hope e Chris Rock – duas faces do American way of entertaining.
Mas, no fundo, é a velha política americana em ação, apenas assumindo que os tempos mudaram e que é preciso ganhar um eleitorado que é cada vez mais global. Mas não se engane, a mudança é estética. Na prática, eles ainda se vêem desta forma:
Afinal, como diz a Natalie Portman e a Rashida Jones (aquela primeira namorada do Jim no The Office), “no dia 4 de novembro, faremos a decisão mais importante da nossa geração”. E a escolha delas é uma só:
Bem-vindos à política do século 21.
3 de novembro de 2008 às 15h14
E por falar na Palin…
Já viram os vídeos dela no concurso Miss Alaska, em 84?
Aqui, ela mostra seus talentos:
Aqui, ela desfila com traje de noite:
E nesse link dá pra ver o vídeo dela no concurso de maiô. Mas já mando um spoiler: bunda quadrada.
3 de novembro de 2008 às 14h07
“Ô, dona Sarah, dá uma olhadinha ali na câmera escondida…”
E por falar em fail, vocês viram o trote que uns comediantes canadenses passaram na Sarah Palin, fazendo-se passar pelo Sarkozy?
19 de outubro de 2008 às 22h58
Sete Dias de Trabalho Sujo
- Liniers vem para SP;
- Hermes e Renato: Também Sou Hype;
- Laranja Mecânica de brinquedo;
- Eleições americanas: Tina Fey, uma maverick, general Zod para presidente dos EUA e todo mundo tipo Obama;
- Música: João Brasil remixa Vanguart, novo do Cure e Astral Weeks ao vivo, Mallu na Bravo, R.E.M. em 1983, horários do Planeta Terra 2008, Beatles ilustrados, Ringo não quer dar mais autógrafos, Of Montreal ainda repele indies, uma mixtape pra Dani, olha a cabeleira do Justice, Elliot Smith entrevista Lou Barlow, Radiohead jazz, mais uma do Little Joy, a volta de Jeff Mangum, 500 músicas escolhidas pelo Pitchfork, música brega do Pará é auto-suficiente e Portishead no beatbox;
- Cultura Inútil: o poster do próximo filme do Tarantino, Allan Sieber e o Brasil, não dê arma na mão de bebês, Battlestar Galactica + Simpsons e essa camerita? Disseram que os ETs viriam mas até agora nada, desastres para montar em papel, TED em português, porta-copos para baba-ovos do iPhone, gatos dando descarga, pessoas minúsculas e lugares que cabem na mão, segue a confusão entre J.J. Abrams e William Shatner, como George Lucas e Steven Spielberg estupraram Indiana Jones (e os brindes de sua versão em DVD no exterior), um sanduba de três quilos, capa pra HD externo, filme do Dragon Ball Z e como os Trapalhões previram seu futuro há vinte e cinco anos;
- O Link fala de alta do dólar e eletrônicos, Tokyo Game Show e Ning, além de tocar Panda Riot, Fireman e Little Joy. No Vida Fodona tem Oranger, Paul, Phoenix, De Leve e Kassin;
- Uma sexta-feira, um mashup: Pink Floyd com The Wiz, Cinco Vídeos para o Meio da Semana: MGMT, N*E*R*D + M.I.A., Burro Morto, Franz Ferdinand e Benoit Pioulard, Palavras para o Domingo: Mr. Garrison explica o Darwinismo, Mixtape de sábado: Costa a Costa;
- Leitura Aleatória números 164, 165, 166, 167, 168, 169, 170 e 171.
17 de outubro de 2008 às 19h47
Leitura Aleatória 171

Foto: Robin Rapa
1) Battlestar Galactica volta em… janeiro! (FODA!)
2) Levi Stubbs, do Four Tops (1936-2008)
3) A culpa é de Tina Fey?
4) Cinco dicas para melhorar Fringe
5) A história do LSD no Reino Unido
6) Entertainment Weekly dá uma geral no novo Jornada nas Estrelas
7) Ween vai lançar um livro para colorir
8) Of Montreal e MGMT regravam “Smells Like Teen Spirit”
9) Jimmy Wales em São Paulo
10) Eminem está de volta
16 de outubro de 2008 às 15h54
E ainda nas eleições americanas…
15 de outubro de 2008 às 12h15
Leitura Aleatória 167

Foto: Billy V
1) 50 anos de “La Bamba”
2) Calor deve bater recorde do ano nesta quarta em São Paulo
3) Adolescentes australianas pintam o número do celular com protetor solar nas costas enquanto tomam banho de sol
4) Morre o autor da música do Batman
5) Beyoncé fará o último Total Request Live
6) A volta dos Muppets
7) Piratas do Caribe 4 é só boataria, diz roteirista
8) CMJ 2008 define suas apresentações
9) Tina Fey não imitará Sarah Palin caso ela vença
10) Feist pendura as chuteiras
12 de outubro de 2008 às 12h40
Sete dias de Trabalho Sujo
- Lula baixa MP3;
- Mercado financeiro quase derretendo: Malg deschava o economês, marmanjos pedem penico, a Economist não perde a fleuma nem quando afunda; Liniers manda a real e o He Man explica a moral da história;
- Música: Documentários do Justice e sobre o Arnaldo Baptista, a primeira-dama da França grava dueto com o vencedor do Ídolos local (e a música escolhida foi a do Juno), Beyoncé começa mal, Britney tira a roupa, Lúcio mostra a capa da Mallu, Mombojó e China lançam disco ao vivo pra download,
- Eleições: Marta fail, Sarah Palin aparece sem maquiagem na Newsweek e FoxNews chia, o freak show brasileiro (eita!) e o bom saldo do primeiro turno;
- Cultura Inútil: Marcos Mion treta com Thiago Ney (quevida.jpg), como cachorro bebe água, olha o press-kit da edição nova do Megaman, como instalam ar condicionado na Rússia, Caetano blogueiro, Dan Ackroyd e a vodka sobrenatural, o Da Vinci do Traço Mágico, outra sextape na área, Johnny Rotten vende manteiga, TOC Breakfast (com torrada customizada via USB)? Que tal um sucrilhos de eleição americana? Carro do Caça-Fantasmas à venda no eBay, vinho Sopranos, viral de pornô brasileiro, psicodelia matemática, “Take on Me” ao pé da letra, Ghetto Blaster Hall of Fame, Renata Vasconcellos baixa a guarda (que gata), recriando a parada do Curtindo a Vida Adoidado e como não ir com a cara de um programa de culinária que berra “Oswald de Andrade”? O iPhone e a pedra (ao menos não é como o iPhone na Rússia), escritores desenhados e se a Bíblia fosse uma revista;
- O Link fala sobre áudio e toca Wado e R.E.M., rolou Gente Bonita no Inferno (foi bonzaço) e Vida Fodona 128;
- Uma sexta-feira, um mashup: Radiohead com Dave Brubeck, Cinco Vídeos para o Meio da Semana: Common com Pharrell, Friendly Fires, Mombojó, Kanye West e 3 na Massa, Palavras para o Domingo: Arquivo X fala de amor, Mixtape de sábado 130: MMMathias;
- Leitura Aleatória números 156, 157, 158, 159, 160, 161, 162, e 163.
9 de outubro de 2008 às 16h58
Jornalismo-denúncia estética ou política enquanto showbusiness
Não, você não tá entendendo errado: a FoxNews tá discutindo que a Newsweek pegou pesado com a vice do McCain porque colocou, na capa da revista, uma foto dela que não foi retocada.
28 de setembro de 2008 às 0h16
Leitura Aleatória 150

Foto: linc green
1) Ivete Sangalo vai lançar um disco infantil em outubro (desliguem essa mulher!)
2) Lula sanciona mudanças na lei do estágio, entre elas, férias remuneradas de 30 dias
3) Sarah Palin e os kits de estupro
4) Cartões para marcar os estrangeiros na Inglaterra
5) Selos independentes protestam contra exclusão no MySpace Music
6) Polonês vendia manteiga feita com cães roubados
7) Rico Mansur se envolve em confusão em festa do iPhone
8) Sarah Palin: o motivo de McCain sair da campanha
9) Famosos vão a eventos do iPhone em busca de telefone grátis
10) ‘A polícia me parou. E agora? : Cartilha dá dicas sobre abordagem policial
18 de setembro de 2008 às 21h01
Leitura Aleatória 142

Foto: backnext321
1) Lula diz que ‘bancos palpiteiros’ estão quebrando
2) Mick Jagger será assessor da Comissão Européia para o comércio eletrônico
3) Por onde andam… os Paquitos?
4) Evangélicos querem SBT
5) Cientistas espanhóis criam um espelho perfeito
6) No trânsito, torpedo é “mais perigoso do que dirigir bêbado”
7) Hackers invadem e-mail pessoal de candidata a vice dos EUA
8) A Geórgia iniciou o conflito com a Rússia (ou por que é melhor deixar a OTAN como está)
9) Bernie Ecclestone anuncia GP Brasil para as 15h
10) O barato da sálvia


















Profissão: autobiógrafo.


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