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Arnaldo Baptista e os novos Mutantes

Como você avalia o som dos Mutantes hoje?
Eu acho que tá mais… gay (risos gerais). É um papel carbono dos Mutantes de antigamente, sem orquestra e com sintetizador. O Sérgio nunca foi de estudar, sempre foi meio rebelde, mas ultimamente, nos ensaios, ele vinha tentando dar uma de professor. Fica dando ordem, bronca, parece uma escola de música, não mais um conjunto. Eu cansei de convidá-lo pra vir até a minha casa, mas ele nunca foi. A humildade pra ele é muito difícil de entender. Mas isso já passou.

Mateus entrevista o mestre lóki para a capa da +Soma.

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INXSBeck

Ah garouto…

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Vida Fodona #209: Tá de manhã… Tá fazendo frio…

O programa de hoje começa mansinho, devagar, mas aos poucos ele vai anoitecendo…

The Bird and the Bee – “I Can’t Go For That”
Tensnake – “Get it Right”
Daft Punk – “Technologic (GoGoBizkitt Remix!)”
Erlend Oye + Morgan Geist – “Ghost Trains”
Crystal Castles – “Intimate”
Foals – “Black Gold”
Jamie Lidell – “The Ring”
Beck + Liars + St. Vincent + Sergio Dias – “Need You Tonight”
Xx- “Night Time (What Kind of Breeze Do You Blow Extended Edit)”
Vengeance DJs – “Close to Me (Vengeance Mashup)”
Louis La Roche + Ad Apt – “Missing You”
N*E*R*D + Nelly Furtado – “Hot N Fun”
REMIX86 – “Night Like You Better”
Mia – “Born Free”

Bora?

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Os 15 discos que influenciaram os Mutantes



O que Celly Campelo, Les Paul, Stones, Demônios da Garoa, Nat King Cole e Sly & the Family Stone têm em comum? Seus discos foram citados pelo Sérgio Dias numa edição velha da Wax Poetics, pinçada pelo Fred.

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BeckINXS

E a nova incursão de Beck em seu Record Club é para um disco mais do que subestimado da década de 80: Kick é o disco que transformou o INXS em uma das principais bandas pop daquele período, embora muitos sequer lembrem que a banda existiu. Para regravar o disco, Beck chamou os Liars, dois St. Vincent e o Sérgio Dias (é!). A primeira faixa a aparecer foi “Guns in the Sky” – e ficou massa:

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“Não tenho nada com isso”

Uma bula para entender o mito Arnaldo Baptista

Lá fui eu em pleno domingo pós-Tim Festival assistir à última sessão da Mostra de São Paulo dedicada ao incensado Loki, o documentário de Paulo Henrique Fontenelle sobre o mutante Arnaldo Baptista. Sou de uma geração posterior à que consumiu Arnaldo in natura, em tempo real, cronologicamente. O conheci basicamente graças aos heróicos relançamentos que a Baratos Afins fez, ainda em vinil, de toda discografia do grupo, incluindo aí os dois primeiros discos solo de Rita Lee (Build Up, que contava com Mutantes espalhados por todo o disco, e Hoje é o Primeiro Dia do Resto da Sua Vida, o “sexto disco” dos Mutantes, cronologicamente posicionado após o quinto – Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets – mas registrado como solo de Rita) quanto o mítico primeiro disco do cérebro do grupo, o denso e emotivo álbum que batiza o documentário.

(Vale um parêntese curto aqui para falar do paralelo entre o rock independente brasileiro como cena e a carreira do mutante, uma vez que a gravadora Baratos Afins, que era – e ainda é – uma loja de discos na Galeria do Rock de São Paulo, começou a existir graças à decisão, vista por muitos como kamikaze, de Luiz Calanca em lançar um segundo disco de Arnaldo. Perdido e isolado ao final dos anos 70, ele juntou seus cacos criativos – e brilhantes – para lançar outro disco igualmente denso e sentimental [embora menos emotivo] quanto Lóki, Singin’ Alone. Este lançamento também é o primeiro disco independente lançado por uma gravadora independente diretamente influenciada pelo punk inglês. Não foi à toa que o escolhi como o marco zero do rock independente brasileiro, nesta lista que fiz há tempos.)

E a história que ouvi a partir daqueles discos foi a de que o Brasil tinha um grupo tão disposto a experimentos no estúdio e tão afeito ao pop redondo quanto os Beatles. Batizados por Ronnie Von, como rezava a lenda, o grupo era de onde havia saído a Rita Lee, que surgia no rock brasileiro dos anos 80 do mesmo jeito que Iggy Pop apareceu no meio dos punks. Além dela, dois irmãos formavam o núcleo central de um grupo que ainda tinha em sua formação o mesmo Liminha que transformava bandas de moleques em novos popstars (o “nono Titã”) e o irmão do repórter de Fórmula 1 na Globo, o Reginaldo Leme. Era um grupo cujos personagens ainda habitavam o imaginário daquela década, mesmo que os Dias Baptista não produzissem mais nada que chamasse atenção dos jornais de então.

A lenda que a minha geração ouviu naqueles nove vinis (cinco dos Mutantes, dois de Rita e dois de Arnaldo) era a saga de uma amizade adolescente pirando na própria felicidade (em que a comparação com os Beatles realçava tanto o humor preto no branco de 1964 quanto as roupas coloridas de 1967) que continha a história de um casal que, graças ás drogas, deu ao filme dos Mutantes um desfecho sombrio. Em três discos perfeitos, a banda foi o melhor intérprete e compositor de um gênero fabricado, o tropicalismo, ao mesmo tempo em que assumiam o papel de principal banda de rock da história do Brasil – posto que, ainda nos anos 80, não era almejado por nenhum dos protagonistas daquela década. O contato com as drogas fez o grupo aos poucos se desintegrar em solos intermináveis e seriedade forçada – ainda mais para uma banda que era naturalmente divertida.

No centro da banda, o casamento de Arnaldo e Rita funcionava como principal ponto de equilíbrio artístico e musical da banda, mesmo que ele fosse o mais próximo de um líder que os Mutantes podiam ter – e à medida em que o rock progressivo contaminava a agenda do grupo, Rita aos poucos se via fora da brincadeira original. Partiu a banda e separou-se de Arnaldo – a ordem, na verdade, ninguém sabia dizer -, e isso fez com que os Mutantes deixassem de vez de ser uma banda pop, afundando-se no atoleiro do virtuosismo e composições épicas. E a separação de Rita foi definitiva para dar início à derrocada de Arnaldo, que ainda teve uma sobrevida entre o fim dos Mutantes e o começo dos anos 80, mas foi drasticamente abalada após a queda de quatro andares sofrida na noite do reveillon de 1981 para 1982. Meses em coma, Arnaldo foi salvo por uma fã que tornou-se namorada e parceira. Lucia Barbosa, a Lucinha, o faz mudar-se de São Paulo para um sítio em Juiz de Fora, onde as seqüelas de sua queda passavam a ser tratadas lentamente, usando a pintura como um talento descoberto, para tentar voltar a fazer música pouco a pouco.

Isso era o resumo do que, nos anos 80, sabíamos sobre a banda mais formidável da música pop brasileira, um grupo de músicos, compositores e intérpretes que pouquíssimas vezes encontraram par no século passado. Assim, longe do mainstream que um dia freqüentaram (e freqüentavam, vide Rita e Liminha), a história dos Mutantes e a saga de Arnaldo tornaram-se objeto de culto. E, lentamente, esta história começou a perder seu lado informal e lendário para dar início a um processo finalizado com o recente retorno da banda, fazendo os Mutantes finalmente assumir, com méritos, seu posto de lenda viva da cultura brasileira.

Do final dos anos 80 e durante os anos 90, a partir do relançamento dos discos pela Baratos Afins, vimos uma série de acontecimentos que, pouco a pouco, traziam à tona o mito dos Mutantes: entrevistas feitas por Sonia Maia, o fraco terceiro disco solo de Arnaldo (Disco Voador, raríssimo hoje em dia), uma primeiríssima e heróica tentativa de biografia do grupo feita por Thomas Pappon na Bizz, o disco-tributo Sanguinho Novo (com a nata do rock alternativo da época e que inaugurou a carreira de jornalistas que se tornaram produtores de universos bem diferentes durante os anos 90, Alex Antunes e Carlos Eduardo Miranda), a biografia udigrudi de Marcos Pacheco e a convencional de Carlos Calado, a chegada dos discos ao formato CD (que desenterraram o prog O A e o Z, primeiro disco dos Mutantes sem Rita, que não havia sido relançado nos anos 80), os relançamentos de discos de Arnaldo pela recém-chegada Virgin no Brasil (que republicaria Singin’ Alone e os discos da Patrulha do Espaço, ficando apenas no primeiro álbum), a descoberta de Mutantes por Kurt Cobain, outro disco-tributo (Triângulo Sem Bermudas, com artistas mais conhecidos do público em geral, como Gil, Lulu Santos, Planet Hemp, Pato Fu, Ney Matogrosso e Barão Vermelho), a coletânea lançada pela gravadora de David Byrne (Everything is Possible), uma capa (a primeira na história do grupo!) na penúltima encarnação da revista Bizz, a participação de Arnaldo no show de Sean Lennon no Free Jazz do ano 2000 e no festival Com:Tradição (também de Alex Antunes) em 2003 e, finalmente, a reformulação da banda com Zélia Duncan no lugar de Rita Lee.

Graças a esta série de eventos – e outros que aconteceram no meio do caminho -, as atenções sobre a obra da banda cresceram e atingiram outras gerações, que, graças à sua indefectível qualidade, se deslumbravam com a história do grupo de amigos que, brincando, eletrificou a MPB e ampliou os horizontes da música pop no Brasil como nenhum outro artista depois dele – e também com a trágica história de seu fim, que vê uma banda ceder ao lado mais pomposo do rock ao mesmo tempo em que seu romance central desmorona, dando início à queda de uma das melhores cabeças da música brasileira.

E Fontenelle faz seu Lóki a partir disso. Reconta a história da banda e de Arnaldo a partir do show de volta em Londres, voltando para a infância de Arnaldo, entrevistando amigos pessoais, sua mãe Clarisse, seus colegas de banda (menos Rita, que não toca no assunto Arnaldo praticamente desde sua saída da banda) e outros músicos da época. A história é amparada por entrevistas recentes com o mutante e por imagens de arquivo que, verdade seja dita, são o que fazem o documentário merecer as notas 10 que tem recebido.

É um trunfo monumental. São imagens que valem ouro, ainda mais quando se cresceu à sombra de uma lenda cujo imaginário era estático. Os pouquíssimos registros em vídeo dos Mutantes – ou mesmo de Arnaldo solo, antes da queda – que haviam aparecido até os anos 90 eram vistos com solenidade e espanto. Afinal, a banda, diferentemente de seus colegas de geração, havia desaparecido do inconsciente coletivo nacional e seu registro em vídeo mais memorável era como coadjuvante de Gilberto Gil na apresentação de “Domingo no Parque” no festival da TV Record em 1968. Assim, à medida em que se desenterraram fitas de Super-8 ou velhos programas de TV, a imagem em movimento dos Mutantes era montada como se recuperasse um afresco da Idade Média: era um vídeo de “Fuga nº2″ aqui, uma aparição num filme nacional esquecido, comerciais feitos para a Shell, imagens caseiras sem som. Cada vez que se desenterrava um pequeno filme desses, o retrato dos Mutantes tornava-se menos sombrio e mais parecido com seu próprio som, alegre, ensolarado, jovem, divertido.

O filme de Fontenelle, nesse sentido, é praticamente uma revelação. Só a cena de Arnaldo Baptista tocando uma música de seu primeiro disco solo num piano posto na carroceria de um caminhão em movimento já vale todo o documentário. Mas Lóki vai muito além. Há entrevistas com a banda em seus primeiros dias de Mutantes e Arnaldo vem com uma inocência quase caipira quando fala em fazer rock no Brasil. Há vários trechos de apresentações ao vivo, além de uma série de fotos raras, trazendo imagens ainda mais diferentes da banda no palco (que levava seu nome ao pé da letra, ao apresentar-se cada vez fantasiada de uma forma). E várias entrevistas com Arnaldo depois dos Mutantes, cada vez mais avoado e mais sério, claramente sentindo a dor de carregar uma carreira que não parece fazer tanto sentido.

Da mesma forma, há fotos impressionantes – e a forma como o diretor as apresenta quando fala da relação entre Arnaldo e Rita sublinha um aspecto pouco lembrado quando se fala em Mutantes: como os dois formavam um belo casal.

(Como comentou o Pedro, é incrível que essas imagens existam, pois fomos educados sabendo que parte considerável da memória audiovisual brasileira havia se perdido naqueles famosos e mal contados incêndios em arquivos de canais de TV. Ou seja: tem gente escondendo o ouro aí… Quando é que isso vai vir a público? Será que ninguém se dispõe a lançar isso em DVD?)

Aliado às imagens, vêm os depoimentos. A princípio variados, eles, à medida que o documentário avança, vão sendo resumidos a uns poucos amigos recorrentes, como os mutantes Sérgio Dias, Liminha e Dinho, o artista plástico Antonio Peticov, o amigo de infância Rafael Vilardi e o produtor Roberto Menescal. Outros vêm e vão, sem muito acrescentar – o próprio Gilberto Gil é muito mais eficaz numa entrevista de arquivo (quando conta como conheceu os Mutantes, numa cena em que o cinegrafista está mais interessado em mostrar Caetano Veloso e Nara Leão ao fundo do que acompanhar a entrevista principal). Além destes, o grande depoimento é do maestro Rogério Duprat que, sem pestanejar, tasca que “Arnaldo é a figura mais importante da música brasileira desde que ele mesmo apareceu”.

Os depoimentos pouco acrescentam à história que já conhecíamos, funcionando basicamente como fio condutor do filme – à exceção dos momentos mais emotivos, como o mea culpa de Sérgio Dias, a parte em que Dinho fala sobre o fim dos Mutantes e a forma como Rafael se refere ao Arnaldo como um amigo, não como mito.

E é assim que Lóki funciona. O documentário, na verdade, não vai além da história que já conhecíamos nos anos 80, ele apenas põe imagens e vozes numa saga que segue no campo lendário. A certa altura do filme, Sérgio comenta um dos motivos da saída de Rita da banda, galvanizada pela lenda como sua pouca habilidade com instrumentos musicais, se comparada aos outros mutantes – e fala que a única garota do grupo prefere adotar a lenda ao fato, quando o fato em si é sem graça.

O documentário também. Cita por diversas vezes uma série de problemas que a banda teve por causa de Arnaldo, mas não vai além de comentar isso. Seu envolvimento com drogas o tornou uma pessoa difícil de lidar. Mesmo sabendo que Rita Lee não iria participar da produção, não há uma tentativa de ir além sobre o que Arnaldo teria feito de tão ruim para ela, a ponto de ela guardar essa mágoa até hoje. Em certa altura do filme, cita-se o único filho de Arnaldo e como era a relação dele com o garoto em sua infância, mas ele depois simplesmente some.

E nem é preciso ir nos pontos mais polêmicos ou críticos para mostrar os defeitos do documentário. Há uma contextualização histórica é mínima, não sabemos como os Mutantes se conheceram, onde ensaiavam, onde fizeram os primeiros shows, quem eram seus companheiros de geração e o que uns achavam sobre os outros (afinal, do mesmo jeito que trazer a guitarra para a MPB era considerado herético para os tradicionalistas da bossa nova, uma banda de rock tocar música brasileira era igualmente condenável pelos pares roqueiros). Onde gravaram seus discos, que instrumentos tocavam no estúdio, como Duprat trabalhava com a banda ou a própria questão das fantasias no palco. Não se toca no assunto das experimentações sonoras, o irmão Cláudio César Dias Baptista é citado de forma muito superficial e há depoimentos de artistas estrangeiros sobre a importância do grupo no exterior que são pesos pena na constelação mundial, como o filho de John Lennon ou Devendra Banhard. Lobão e John, do Pato Fu, que estiveram ao lado do Mutante em seu disco solo mais recente, Let it Bed, de 2004, também não acrescentam muito, como a entrevista de Zélia Duncan ou toda a parte sobre o show da banda em Londres.

Mas, há de se convir, Fontenelle pode não ter sido crítico, mas fez. Criou uma bula perfeita para entender a história dos Mutantes e a trajetória de Arnaldo, embora pouco tenha acrescentado à lenda que conhecíamos quando os discos do grupo começaram a reaparecer em vinil, nos anos 80. Neste sentido, seu filme é tão importante quanto a volta do grupo sem Rita Lee – é mais uma coroação de uma carreira, um feito construído sobre nostalgia e consagração do que algo que acrescente alguma novidade à história.

Mas talvez o documentário definitivo sobre Arnaldo não possa ser realizado ainda. Do mesmo jeito que Rita não dá entrevistas sobre Arnaldo, Arnaldo não falaria caso tivesse de cutucar feridas mais sérias. Mas, por outro lado, isso não quer dizer que Lóki seja falho ou genial – as emocionantes imagens resgatadas contrastam com detalhes imperdoáveis (como mostrar as edições em CD dos dois primeiros discos solo de Arnaldo em vez de exibir as capas dos vinis – sendo que Calanca, que tem várias cópias dos discos em vinil em sua própria loja, foi entrevistado).

Lóki, do jeito que está, funciona para explicar Arnaldo Baptista de uma forma linear e concisa para pessoas que sequer sabem de sua existência. A ênfase no impacto do grupo no exterior também sublinha um possível desdobramento do documentário: shows solo de Arnaldo Baptista no Brasil e fora dele. Não é nada má a idéia de assistir a discos como Lóki ou Singin’ Alone serem tocados ao vivo e na íntegra, como reza uma das regras de shows na primeira década desse século. Pelo contrário, pode render apresentações históricas.

Se servir só para isso, Lóki, o documentário, já tem uma razão para existir. E mesmo com todos seus defeitos, consegue, nem que por alguns minutos, tirar o manto de mito das costas do mutante para mostrá-lo como pessoa. O último depoimento de Rafael Vilardi é, neste sentido, o ponto central do documentário. Todos nós amamos Arnaldo – acredito que até mesmo Rita Lee.

Pra quem não conseguiu assistir, amanhã o documentário será reexibido na repescagem da Mostra. Vale ver, porque, até agora, não há previsão para que o filme volte tão cedo para as telas de cinema.

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Antes “Antes” que “Depois”

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Com uma pequena ajuda dos amigos (Hector e Frá, Luciano e Mariana), cheguei na tal música impossível de baixar, a nova dos Mutantes. Que tosqueira. Em poucas palavras: é o Sérgio Dias tentando compor como o Arnaldo Baptista. E quem conhece o trabalho de Sérgio solo ou dele comandando os Mutantes após a saída do irmão sabe o nível da tragédia. A música é uma tentativa de psicodelia a partir de andamentos de acordes e arranjos de instrumentos específicos e temas. Temo crer que se a dupla Michael Sullivan e Paulo Massadas resolvessem emular os Mutantes não sairia algo tão tosco, com trechos de puro constrangimento alheio como “você é os mutantes depois”, “o bruxo do luxo chorou” e “eles disseram que eu me perdi/ na balada do louco na noite” – fora o coda com “burnin’ it” que clona (ao menos tenta) descaradamente o encerramento das faixas psicodélicas dos Beatles. Tudo é vergonhoso.

(E antes que alguém venha dizer que “no chão vê folhas secas de jornal” ou “não há mais dia 36, tudo começa outra vez” também são letras bestas, eu peço para ouvir as músicas – a interpretação é a chave da história. Sérgio Dias canta com empolgação de jingle da Unesco.)

Tudo bem, o cara quer dizer que “é os Mutantes”. Ele tava lá, ele era um deles mesmo. Quer ganhar dinheiro com isso, ótimo. Justo. Muitos não puderam assistir ao grupo na época, muitos sequer eram nascidos e se deliciaram com a oportunidade de ver clássicos ao vivo (eu mesmo, o show no aniversário de São Paulo no ano passado foi antológico), mas é só nostalgia, parque temático sobre um passado distante. É o que une os novos Mutantes ao Roger Waters tocando Dark Side of the Moon, ao Pixies tocando toda discografia melhor que qualquer banda cover de Pixies, os Sex Pistols gordaços tocando juntos de novo (“a maior picaretagem do rock’n'roll – indeed”), o Ian Atsbury encarnando o Val Kilmer com dois ex-Doors ou o Brian Wilson regravando Smile.

Mas os Beatles pegaram um recado da secretária eletrônica do John Lennon para fazer sua “música nova” enquanto David Gilmour chamou a mulher para dar uma mão nas letras do Pink Floyd pós-Waters. Já Sérgio Dias juntou sua galera e gravou uma tentativa de tributo ao próprio grupo e à nova geração de fãs. A intenção é boa, mas você conhece o ditado. E a música é só isso: intenção (gringo compra, mas gringo compra qualquer merda, né?). Aperte o “play” por sua conta e risco.

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SamPa Beats

O Jeroen Revalk, do programa de rádio belga Cucamonga, esteve no Brasil no começo de 2006, para fazer entrevistas sobre a atual cena de São Paulo. O resultado é a série SamPa Beats, e tem dois trechos diferentes (dá pra ler e ouvir) de uma entrevista que ele fez comigo no hall do 7 Colinas (meu lar em Recife), quando eu tava no Porto Musical. Além deste seu correspondente, há entrevistas com o Maurício Takara, Tom Zé, Cunha Jr., Sérgio Dias, Hermano Vianna, Maurício Bussab, Arnaldo Antunes, Cadão Volpato, Apollo 9, Rica Amabis (do Instituto), Zeca Baleiro, Bid, Guilherme Barrella (da Peligro), Rodrigo Brandão, Stela Campos, Otto, Alexandre Youssef, João Marcello Bôscoli, Loop B, Suba, Gilberto Gil, Rodrigo do Pex Baa, Claudio Silberberg (da ST2), Rob Mazurek, Caetano Veloso, Jorge Ben, Jair Oliveira, Benjamin Taubkin, João Parahyba, entre outros… Bom trabalho, Jeroen.

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