Acompanhando a retrospectiva que venho fazendo no Trabalho Sujo, vamos dar nomes aos bois e ouvir o que de melhor rolou no ano que termina. Essa é a parte 1, que vai do número 50 ao 43, tanto na categoria melhores músicas quanto melhores discos. Simbora!
Black Angels - “Never Ever”
Wale - “The Kramer”
Katy Perry - “I Kissed a Girl”
Weezer - “Pork & Beans”
Copacabana Club - “Just Do It”
La Pupuña - “Speak to Me/Breathe”
Lil Mama (feat. Chris Brown & T-Pain) - “Shawty Get Loose (Don Zee Remix)”
Robyn - “Cobrastyle”
David Byrne e Brian Eno - “Strange Overtones”
Santogold - “Creator”
A-Trak - “Say Whoa (Megamix)”
Hercules & Love Affair - “True False, Fake Real”
SNJ - “Se Tu Lutas, Tu Conquistas”
Racionais MCs - “Vida Loka”
Pipodélica - “Hora H”
Mallu Magalhães - “Tchubaruba”
Se Wale usou o Seinfeld como metáfora para fazer uma mixtape sobre o estado atual do hip hop americano (afinal de contas, o seriado de Seinfeld é sobre “nada”), o DJ dos Racionais reuniu duas gerações do hip hop brasileiro para fazer um diagnóstico do gênero por aqui. De um lado, a primeira geração, diretamente influenciada pelos Racionais e pelo gangsta rap (Xis, SNJ, MV Bill, SP Funk, Gog, 509E); do outro, a geração que começou a aparecer neste milênio, que vinha de encontro à cara amarrada do gangsta para colorir o rap nacional com tons mais old-skool (Aori dos Inumanos, Slim Rimografia, Costa a Costa, Kamau, Gaspar do Z’África Brasil, Max B.O., Potencial 3, De Leve); e no meio, novos nomes como a dupla Andrômeda, Maloka S/A, Livia Cruz e Os Camaradas. Juntas, ambas safras cantam a principal preocupação desta época de maturidade - e crise - do rap nacional: como retratar a periferia e a vida difícil sem cair na lamentação ou na apologia ao crime? KL Jay, um dos principais DJs do Brasil, costura essa crise de identidade reunindo músicas novas e clássicos do gênero (a passagem de “Se Tu Lutas Tu Conquistas” do SNJ para “Vida Loka” dos Racionais é cinematográfica e poderia tranqüilamente estar em um filme que se passasse em São Paulo na virada do século). Se 2008 foi ruim para o pop nacional, para o rap foi mais um ano de reflexão. E a fita de KL Jay resume o clima do ano.
44) KL Jay - Fita Mixada em 33 Rotações
Maloka S/A - “Humilde Mas Ligeiro“
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