24 de dezembro de 2008 às 14h42
Foda-se, é natal: “Winter Wonderland” com Sonny Rollins
Eu adoro essa música, em qualquer versão (e aqui tem mais jazz de natal).
Eu adoro essa música, em qualquer versão (e aqui tem mais jazz de natal).

Foto: Carol Patrocinio
E vocês viram o Antonio Carlos Miguel comentando o Tim Festival no blog dele? Ele listou os sete erros do festival esse ano:
“1) Kanye West: alguns músicos brasileiros teriam sido contratados para encenar a pseudo banda que, dizem, tocou atrás do cenário, onde, pelo menos na produção carioca, instrumentos foram montados. Mas a verdade é: a banda dele não veio. Ou seja, músicos, técnicos, roadies e equipamento real – somem seus cachês, diárias, passagens, hotel…
PS: em agosto, tanto em Chicago, quanto em Nova York, Kanye West se apresentou com a banda completa, sendo que no Madison Square Garden (NY), com o mesmo cenário que veio ao Rio, os músicos ficavam numa espécie de fosso de orquestra, com elevadores que subiam nos momentos de solos, como na música em que a vocalista solava, etc… Como a imprensa paulistana levantou a suspeita do uso de playback, a produção do evento teria armado essa encenação para a noite carioca.
estou pouco me lixando se é playback ou ao vivo, não muda a minha opinião sobre a chatice que é “Glow in the dark”. O que me irrita é ver que estávamos sendo enganados (nós = imprensa, público, leitor etc…).
2) Paul Weller: Monique Gardenberg, após minha reportagem publicada dia 23 de outubro, estréia da edição carioca, enviou-me e-mail dizendo que se era para publicar a declaração de um “produtor fantasma e covarde” (que disse ter sido um acordo bom para o inglês e para os produtores brasileiros, abalados pela disparada do dólar, e péssimo para o público) eu não deveria ter alugado o tempo dela, que eu estava duvidando de suas palavras. Na minha réplica, disse que o produtor fantasma sintetizara a opinião de cerca de seis, sete (e depois, muito mais) profissionais de produção cultural, showbiz, com larga experiência em festivais, atrações internacionais, que eu ouvira. Entre outras coisas, diziam estranhar Weller não pagar uma grande indenização, já que problema com músico de apoio (sidemen) é previsto em contrato – e, por mais kafkiano ou…o termo que tenho é… escroto que tenha sido o veto do consulado brasileiro em Londres, o tal Andrew John Gonçalves tinha dupla cidadania e pelas leis brasileiras estava em situação irregular.
3) público: na quinta, a Noite de Gala, tentaram triplicar, quadriplicar os conVIPdados. Mesmo com esse esforço de última hora, a tenda de Sonny Rollins ficou perto de dois terços, se muito, de sua lotação. Amigos que tinham comprado os bilhetes de R$ 120 puderam ficar mais perto do saxofonista, já que sobravam cadeiras a absurdos 240 reais.
E esses são só os três primeiros. Ele continua…
Pra quem não acompanhou durante o fim de semana, aí vai a cobertura dOEsquema para o Tim Festival deste ano. Nosso primeiro trabalho em conjunto, sem ter nenhuma reunião de pauta ou definição de funções. Por isso, ficou assim:
- Falei da possível importância do show do Kanye West no Brasil horas antes de assistir a uma fuleiragem sub-escola de samba que se passava por “grande espetáculo da Terra” (que ainda contou com um estranhamento entre os Racionais e D2, no público). The Great Hip Hop Swindle, isso sim. No segundo dia teve o show dos Klaxons, no terceiro Gogol Bordello e DJ Yoda salvaram a pátria enquanto o último dia foi bem equilibrado com um showzaço do National e um show mediano do MGMT. Fiz um monte de vídeos do festival.
- No Rio, o Bruno falou que o Camelo funciona melhor em show do que em disco, curtiu o Gogol Bordello, achou o Klaxons mais ou menos, linkou uma mixtape nova do Sany Pitbull (que só tocou no Rio), entrevistou o MGMT e comentou, ao assistir ao show de Sonny Rollins, sobre a carência de eventos como o festival da Tim podem fazer com uma cidade com o Rio. Ele também fez uns videozinhos;
- Também no Rio, o Mini assistiu ao Yoda, Gogol Bordello, Klaxons e Neon Neon e fez algumas considerações sobre sua ida ao evento;
- Arnaldo não foi a show nenhum e também não perdeu grande coisa, mas faz uma pergunta pertinente: você compraria um cinzeiro do Capitão Presença?
Eu compraria.
É o embate dos festivais, versão 2008. Se no ano passado o Timfa teve uma edição morna (suas principais atrações tinham mais de uma década de existência) e uma edição caótica em São Paulo, o novato Terra ousou no formato, preço e escalação, embora tenha errado no nome para fechar a noite. Agora que as edições deste ano estão aos poucos chegando aos finalmentes, dá pra botar frente a frente as principais atrações anunciadas pro Tim e as especulações mais ou menos confirmadas pro Terra.
Vamo lá?
Jesus & Mary Chain x Paul Weller

Terra 1 x 0 Tim
Animal Collective x Gogol Bordello

Terra 1 x 1 Tim
Bloc Party x Gossip

Terra 1 x 2 Tim
Kaiser Chiefs x The National

Terra 1 x 3 Tim
Foals x Klaxons

Terra 2 x 4 Tim
Descartando, claro, todo o palco de jazz do Timfa, que não tem nada a ver com o corte do Terra. Mesmo assim, o Timfa ainda aumenta sua vantagem ao não encontrar nenhum rival pop à altura de Kanye West, além dos queridinhos da crítica Neon Neon (o projeto eletrônico do carinha do Super Furry Animals) e o Dan Deacon. Mas lembre-se que o Terra não oficializou seu elenco, por isso seus astros são fruto de especulação e algum nome pode aparecer – ou desaparecer – do elenco quando o anúncio vier de verdade (as vendas, ao que parece, começam amanhã). E ao mesmo tempo não custa lembrar que ano passado o Terra também teve uma tenda de música eletrônica – até então, sem nomes sequer especulados.
Por outro lado, o embate entre estrutura de festival favorece o Terra – ainda mais depois do mico da edição paulista do Tim Festival do ano passado (no Rio, tudo nos conformes). O único ponto negativo que consigo lembrar desta parte no Terra do ano passado foi a distância do lugar dos shows, mas até aí, isso é o de menos. O Timfa vai ter que rebolar pra fazer uma edição decente esse ano. Isso sem mencionar os preços e traduzir isso em relação custo/benefício…
Mas se for pra ser apenas passional, não tinha nem ter que começado essa conversa: a vinda do Jesus & Mary Chain é um trunfo histórico do Terra, que o Timfa sequer conseguiu arranhar. Nada no Tim Festival desse ano é propriamente imperdível (vá lá, tem o Sonny Rollins), enquanto a oportunidade de ver uma das bandas que configurou o rock atual só poderia ser ofuscada por um monstro sagrado do rock clássico (Neil Young, Van Morrison, Leonard Cohen) ou um de seus compadres de geração (Cure, R.E.M., Sonic Youth, a volta dos Smiths).
Quem sabe, 2009.
Falando nisso, semana que vem começa o semestre dos festivais, com o Eletronika em Belo Horizonte, com Hurtmold (e, DIZEM, Marcelo Camelo), Twelves, Fernanda Takai e a menina do Pizzicato Five, Macaco Bong, Instituto fase Racional, Pex BaA, Takara, Vanguart, Curumin, Guizado, Monno e Mallu, entre outros, em Belo Horizonte. Depois tem o Melvins, Plasticines e Hives no tal do Orloff 5 e, mais tarde, tem o Skol Beats (que inspira a grande pergunta: o que fazer entre o Justice e o Digitalism?). Depois tem a Invasão Sueca com Shout Out Louds e Peter Bjorn & John (os ingressos pro show de São Paulo já estão à venda, viu), ao mesmo tempo em que rola o Coquetel Molotov em Recife. Junta isso com um Timfa já com Sonny Rollins, Klaxons, Kanye West, o National e o MGMT, entre outros, um Planeta Terra que além de Bloc Party, Kaiser Chiefs, Jesus & Mary Chain, Animal Collective, Spoon, Foals ainda periga ter uns nomes que o Lucio andou cantando alto (Sonic Youth tocando Daydream Nation? Breeders? Kylie?) e possíveis shows do R.E.M., do Mudhoney e do Nine Inch Nails na paralela. Fora um Goiânia Noise que vai ter Black Lips, Vaselines, Black Mountain e Circle Jerks.
Nada mal, hein?
"Even science fiction is now very far behind what's actually happening." - Marshall McLuhan. Desde 1995
Profissão: autobiógrafo.
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alexandrematias [@] gmail.com


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