Acompanhando a retrospectiva que venho fazendo no Trabalho Sujo, vamos dar nomes aos bois e ouvir o que de melhor rolou no ano que termina. Essa é a parte 1, que vai do número 50 ao 43, tanto na categoria melhores músicas quanto melhores discos. Simbora!
Black Angels - “Never Ever”
Wale - “The Kramer”
Katy Perry - “I Kissed a Girl”
Weezer - “Pork & Beans”
Copacabana Club - “Just Do It”
La Pupuña - “Speak to Me/Breathe”
Lil Mama (feat. Chris Brown & T-Pain) - “Shawty Get Loose (Don Zee Remix)”
Robyn - “Cobrastyle”
David Byrne e Brian Eno - “Strange Overtones”
Santogold - “Creator”
A-Trak - “Say Whoa (Megamix)”
Hercules & Love Affair - “True False, Fake Real”
SNJ - “Se Tu Lutas, Tu Conquistas”
Racionais MCs - “Vida Loka”
Pipodélica - “Hora H”
Mallu Magalhães - “Tchubaruba”
A aproximação entre o hip hop americano e a música eletrônica inglesa tá longe de ser nova - a segunda praticamente nasceu a partir da injeção de auto-estima promovida pela geração de ouro do primeiro, no final dos anos 80. Se é tão antiga, por que ainda não ebuliu? Afinal, ambos gêneros musicais se sustentam na tradição secular da música negra e no white trash ao mesmo tempo que aspiram, sem pudor, ao sucesso comercial. Concebidos no final dos anos 70, hip hop e música eletrônica são, na verdade, parte de um mesmo grande gênero composto por subgêneros que queriam continuar a festa independente da indústria ter decretado o fim da disco music - e sua diferenciação pode ser resumida pelo simples fato do MC ser o protagonista do gênero americano e o DJ ser o personagem principal da versão inglesa da história. E neste começo de século as duas metades vêm atravessando períodos distintos, mas parecidos - ambas vivem fases de amplo sucesso comercial, mas não firmam-se com tanta ênfase no imaginário coletivo. Mas basta aproximá-los para ver as faíscas surgirem, como é o caso desse remix de uma música de Lil Mama, uma MC nova-iorquina que ganhou fama ao rimar em remixes de músicas pop de Avril Lavigne, Mary J. Blidge, Sean Kingston e Rihanna, conduzido pelo londrino Don-Zee, um produtor de 2-step conhecido apenas por uma recente recriação de um hit de Justin Timberlake. Ele isola os vocais do original e mexe cirurgicamente em sua apresentação (valorizando os “dat-dat-dat” à Michael Jackson clássico que Chris Brown comete no refrão) ao mesmo tempo em que encorpa a base, deixando-a mais solta e escorregadia, sintética e eletrônica, realçando ainda mais o jogo de cintura da música. Dois artistas que estão entre o terceiro e quarto escalão do pop atual, mas que, juntos, tornam-se explosivos.
48) Lil Mama - “Shawty Get Loose (feat. Chris Brown & T-Pain) (Don-Zee Remix)“
Ciara - “Go Girl (feat. T-Pain)”
Fleet Foxes - “He Doesn’t Know Why”
The Big Pink - “Too Young to Love”
Feist - “Honey Honey”
Beyonce - “Single Ladies”
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