5 de dezembro de 2011 às 14h51
O cinema do século 21, por Kees van Dijkhuizen jr.
O estudante de cinema holandês Kees van Dijkhuizen jr. faz curtas para celebrar a obra dos principais cineastas do século em que vivemos, veja abaixo:
O estudante de cinema holandês Kees van Dijkhuizen jr. faz curtas para celebrar a obra dos principais cineastas do século em que vivemos, veja abaixo:
Minha coluna no Caderno 2 ontem foi sobre o Wikileaks.
O futuro do segredo
Wikileaks e a geração digital
A lista de documentos distribuídos pelo site Wikileaks foi o principal assunto da semana passada, quando uma série de arquivos antes confidenciais causaram uma crise diplomática mundial sem precedentes – transformando seu porta-voz, o jornalista australiano Julian Assange, no nome mais importante do mundo agora.
Mas fora a polêmica instantânea, há implicações nesta história que dizem muito mais respeito a como o mundo funcionará no século que começa. É uma questão que não fala somente a estadistas e governantes, mas também para cada um de nós.
“Imagina se tivesse um Wikileaks revelando DMs, e-mails e SMSs de qualquer pessoa que você escolhesse? Na boa, o mundo acabava em meia hora”, twittou o escritor Antonio Prata, colunista do caderno Metrópole. Não acho que o mundo acabaria (mais provável que ele se tornasse uma mistura de filme de Woody Allen com Ingmar Bergman, numa discussão sobre relacionamentos global interminável), mas, por baixo da brincadeira de Prata, repousa uma mudança que já está acontecendo na cabeça da geração digital.
Lembra quando, nas festas da sua época da escola, alguém trazia uma máquina fotográfica? Quem não queria ser fotografado sumia – e o fotógrafo era acompanhado à distância por quem quisesse ficar longe de seus registros. Que eram mínimos: o melhor filme permitia apenas 36 fotos, que custavam caro para serem reveladas.
A geração eletrônica, no entanto, anda com câmeras nos bolsos. Toda ela – afinal, hoje em dia qualquer celular tira foto. E as fotos são instantâneas – como não é mais preciso revelá-las, basta clicar e subir para a internet de onde quer que você esteja. Fotos são tiradas o tempo todo e parte delas aparece online, nos Orkut e Facebook da vida. O mesmo vale para registros de áudio e vídeo – e assim temos uma geração que passou toda sua vida no holofote, mesmo que particular.
Há quem aposte que o futuro será assim e cada uma de nossas vidas será um reality show pronto para ser assistido por quem se dispuser a nos procurar. Google e Facebook são os primeiros a levantar essa bandeira, com seus respectivos CEOs (Eric Schmidt e Mark Zuckerberg) afirmando categoricamente que a privacidade acabou.
É claro que essa é uma discussão interminável, mas com vidas publicadas em blogs, YouTube e redes sociais numa ponta e o Wikileaks na outra, uma coisa está ficando cada vez mais clara: será muito difícil manter segredos nos anos que vêm por aí. Não que isso seja especificamente ruim…
Narrativa 2.0
Tim Burton brinca com o Twitter
No fim de novembro, o diretor Tim Burton propôs a seus fãs uma experiência conjunta: escrever uma história no Twitter. Criou o site BurtonStory.com, que redireciona todos os tweets marcados com a hashtag #BurtonStory para lá. O tweet de abertura, escrito por Burton, dizia que “Stainboy, usando sua óbvia expertise, foi chamado a investigar a misteriosa gosma brilhante no chão da galeria” – e daí em diante, a história seguiria em modo 2.0. E sempre que uma parte é aprovada pelo autor, ela aparece no site, dando gancho para uma nova leva de sugestões.
E Alice é pior – e melhor – do que eu esperava. Consegue mostrar que Tim Burton, quando quer, não fala nada com nada, passa o filme inteiro delirando na possibilidade vazia de um diretor de arte assumir a direção de um filme. Visualmente Alice é lindaço, delírio psicodélico vitoriano detalhista, quase artesanato digital. Mas cadê a história? Em vez de nos importarmos com os personagens e com o que acontece com eles, tem-se a sensação de estar num parque temático sobre Alice no País das Maravilhas – e na versão Disney, só que humanizada. Se na Fábrica de Chocolates Burton já tinha exagerado no açúcar ao misturar sua história com a do filme, em Alice dá pra sentir a gana do merchandising em cada flor falante, em cada bicho colorido que aparece do nada. Pelo menos a minha queria Mia Wasikowska não compromete, como eu havia lido por aí.
Mas vou falar melhor do filme depois, estou terminando de ler algo que tem a ver com o assunto do filme e achei melhor falar dos dois ao mesmo tempo. Em breve…
A combinação acima apareceu num post do Freaky Show Business, que ainda incluía um Dom Casmurro desses “filmes brasileiro pós-retomada” que só crítico de cinema suporta. Mas pense bem: Narizinho = Alice? Seria Rabicó um coelho branco dos trópicos? E a Cuca? A Rainha de Copas? Se o Chapeleiro Maluco é o Visconde, logicamente o Gato é Emília – e é só enfileirar os personagens de cada lado e deixar a imaginação fazer a correspondência biunívoca. O problema é que se você pára pra pensar, lembra do Lost Girls do Alan Moore (em que ele faz uma relação entre as viagens de Alice, Dorothy e Wendy com a puberdade feminina) e é inevitável achar que o Sítio é uma grande parábola sobre a iniciação sexual de dois irmãos adolescentes…
Mais uma da trilha do novo do Tim Burton. Mas por que essa menina grita tanto, hein?
Já imaginou a triiiiiiiiiiste “A Very Good Advice” do Alice original cantada pelo dono do Cure? Não imagine: ouça. Tá na trilha do Alice do Tim Burton:
Lembra do livro do Tim Burton que eu falei ontem? Tá atrelado a essa exposição dedicada à obra do diretor que estréia no próximo domingo no MoMa, em Nova York.
Apareceu um trailer mais longo pro Alice no País das Maravilhas do Tim Burton e eu sigo com sentimentos dúbios sobre essa adaptação. Burton fez um Planeta dos Macacos medonho de ruim e a primeira metade de sua Fábrica de Chocolates beira o genial, mas logo o filme descamba pro mimimi “meu-pai-me-odeia”/”odeio-meu-pai” que filtra de leve a obra do diretor. Sob o olho de Burton, o livro de Lewis Carroll parece entre o delírio technicolor e o pesadelo surrealista, mas tem algo nesse Chapeleiro Louco do Johnny Depp que me lembra o canastraço Coringa do Jack Nicholson – isso sem contar o fato do personagem virar um dos protagonistas da história, ao lado da ótima Mia Wasikowska. Pra isso virar um Hook do Spielberg…
A Noiva Cadáver, Ed Wood, Edward Mãos de Tesoura, O Estranho Mundo de Jack, Beetlejuice… Tá tudo aí. Inclusive seu apreço por Vincent Price – ele não é apenas o ídolo do protagonista do curta em stop-motion, mas também seu narrador. Aqui tem um bom texto sobre o primeiro filme de Tim Burton.
O USA Today descolou imagens novinhas do Alice de Tim Burton – vale clicar pra vê-las em tamanho aumentado.
Aos poucos começa a tomar forma. As imagens tão com esse brilho estranho porque foram escaneadas de uma revista. Tem mais fotos aqui.
"Even science fiction is now very far behind what's actually happening." - Marshall McLuhan. Desde 1995
Profissão: autobiógrafo.
Leia mais.
alexandrematias [@] gmail.com


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