
Foto: Carol Patrocinio
E vocês viram o Antonio Carlos Miguel comentando o Tim Festival no blog dele? Ele listou os sete erros do festival esse ano:
“1) Kanye West: alguns músicos brasileiros teriam sido contratados para encenar a pseudo banda que, dizem, tocou atrás do cenário, onde, pelo menos na produção carioca, instrumentos foram montados. Mas a verdade é: a banda dele não veio. Ou seja, músicos, técnicos, roadies e equipamento real - somem seus cachês, diárias, passagens, hotel…
PS: em agosto, tanto em Chicago, quanto em Nova York, Kanye West se apresentou com a banda completa, sendo que no Madison Square Garden (NY), com o mesmo cenário que veio ao Rio, os músicos ficavam numa espécie de fosso de orquestra, com elevadores que subiam nos momentos de solos, como na música em que a vocalista solava, etc… Como a imprensa paulistana levantou a suspeita do uso de playback, a produção do evento teria armado essa encenação para a noite carioca.
estou pouco me lixando se é playback ou ao vivo, não muda a minha opinião sobre a chatice que é “Glow in the dark”. O que me irrita é ver que estávamos sendo enganados (nós = imprensa, público, leitor etc…).
2) Paul Weller: Monique Gardenberg, após minha reportagem publicada dia 23 de outubro, estréia da edição carioca, enviou-me e-mail dizendo que se era para publicar a declaração de um “produtor fantasma e covarde” (que disse ter sido um acordo bom para o inglês e para os produtores brasileiros, abalados pela disparada do dólar, e péssimo para o público) eu não deveria ter alugado o tempo dela, que eu estava duvidando de suas palavras. Na minha réplica, disse que o produtor fantasma sintetizara a opinião de cerca de seis, sete (e depois, muito mais) profissionais de produção cultural, showbiz, com larga experiência em festivais, atrações internacionais, que eu ouvira. Entre outras coisas, diziam estranhar Weller não pagar uma grande indenização, já que problema com músico de apoio (sidemen) é previsto em contrato - e, por mais kafkiano ou…o termo que tenho é… escroto que tenha sido o veto do consulado brasileiro em Londres, o tal Andrew John Gonçalves tinha dupla cidadania e pelas leis brasileiras estava em situação irregular.
3) público: na quinta, a Noite de Gala, tentaram triplicar, quadriplicar os conVIPdados. Mesmo com esse esforço de última hora, a tenda de Sonny Rollins ficou perto de dois terços, se muito, de sua lotação. Amigos que tinham comprado os bilhetes de R$ 120 puderam ficar mais perto do saxofonista, já que sobravam cadeiras a absurdos 240 reais.
E esses são só os três primeiros. Ele continua…

Foto: Matt McNulty
1) Projeto do Senado proíbe meia-entrada nos finais de semana e feriados
2) TiVo e Netflix fecham acordo nos EUA
3) As desculpas do Gossip por não ter tocado no Tim Festival (tsss…)
4) Relíquias do punk vão a leilão (quem diria…)
5) YouTube tem mais audiência que rivais juntos
6) Madonna foi se esconder com o novo caso na casa do Seinfeld (?!?!?)
7) O novo filme do Homem-Aranha terá roteiro de um ganhador do Pulitzer
8) AOL acusa Gmail de ser cópia de seu webmail
9) Fundador do KaZaA alia-se a anti-pirata da RIAA para limpar redes P2P
10) Vanguart assina contrato com Universal
Pra quem não acompanhou durante o fim de semana, aí vai a cobertura dOEsquema para o Tim Festival deste ano. Nosso primeiro trabalho em conjunto, sem ter nenhuma reunião de pauta ou definição de funções. Por isso, ficou assim:
- Falei da possível importância do show do Kanye West no Brasil horas antes de assistir a uma fuleiragem sub-escola de samba que se passava por “grande espetáculo da Terra” (que ainda contou com um estranhamento entre os Racionais e D2, no público). The Great Hip Hop Swindle, isso sim. No segundo dia teve o show dos Klaxons, no terceiro Gogol Bordello e DJ Yoda salvaram a pátria enquanto o último dia foi bem equilibrado com um showzaço do National e um show mediano do MGMT. Fiz um monte de vídeos do festival.
- No Rio, o Bruno falou que o Camelo funciona melhor em show do que em disco, curtiu o Gogol Bordello, achou o Klaxons mais ou menos, linkou uma mixtape nova do Sany Pitbull (que só tocou no Rio), entrevistou o MGMT e comentou, ao assistir ao show de Sonny Rollins, sobre a carência de eventos como o festival da Tim podem fazer com uma cidade com o Rio. Ele também fez uns videozinhos;
- Também no Rio, o Mini assistiu ao Yoda, Gogol Bordello, Klaxons e Neon Neon e fez algumas considerações sobre sua ida ao evento;
- Arnaldo não foi a show nenhum e também não perdeu grande coisa, mas faz uma pergunta pertinente: você compraria um cinzeiro do Capitão Presença?
Eu compraria.
Quantos bons shows precisa ter um festival?
MGMT - “Time to Pretend”
Culpe o fechamento lá no jornal na sexta-feira ou o fato da terceira noite do Tim Festival deste ano ter começado cedo demais. Eu não culpo nada, perdi o Dan Deacon e o Junior Boys, mas paciência. Do primeiro eu ouvi relatos como “festa junina” ou “aula de ioga” e vendo os vídeos no YouTube deu pra sacar que o produtor induziu o público a um transe taichichuan lúdico - e quem participou mais ativamente da performance foram os velhos freqüentadores das quartas e quintas no Milo (deu pra reconhecer vários nos vídeos e fotos que apareceram). Tocando no meio do público, ele incitou os presentes a uma série de joguinhos, que iam do proverbial túnel junino a um concurso de dança. O som me pareceu aquela discotecagem desconexa e zen feita para indies se esticarem enquanto imaginam que sua realidade-túnel seja possível - é quando o RPG (reeducação postural global) e o RPG (role playing game) se encontram. Do Junior Boys, não soube nem se foi bom ou ruim.
Cheguei no meio do Gogol Bordello que, já falei, fez um grande show - só não me peçam para gostar. E os ucranianos bêbados pulando feito bandoleiros do deserto ao som de música do leste europeu nem precisaram de muito mais do que só isso para incendiar o público, que delirou. Mas duas dançarinas do Tchan vestidas com uniformes do Santos e a citação de “Morena Tropicana”, do Alceu Valença, foram suficientes para saber que em um ou dois anos esses caras tão de volta no Brasil, por uma, duas, três vezes - até se mudar pra cá de vez. O amálgama de som colide folclores específicos que se mistura com facetas diferentes da música pop com aparato cênico e movimentação de palco é algo que já ouvimos tantas vezes (Karnak, Mano Negra, Móveis Coloniais de Acaju, Brasov, Manu Chao fase Proxima Estación, Cordel do Fogo Encantado, Farofa Carioca, Teatro Mágico) que eu sempre tenho preguiça quando surge um grupo novo desses. Há, claro, um elemento inevitável da consciência de uma globalização paralela, cultural, que abandona fronteiras em favor do ritmo e do hedonismo, mas não é algo que se conecta comigo além da sociologia. Musicalmente falando, sinto-me a poucos passos de distância de uma micareta.
Depois do Gogol veio o set insuportável do Switch, que eu já conhecia de uns remixes e esperava bordoadas boas para balançar o corpo. Em seu lugar veio um bate-estaca sem graça, com acelerações de ritmo que oscilavam entre o house e um princípio de trance. Não conseguia parar de pensar em como um publicitário brasileiro bolaria a trilha sonora para um filme de aventura que se passa no futuro - nem esse som imaginário conseguia ser tão monótono e anônimo quanto a apresentação do sujeito. Não foi à toa que muita gente saiu durante o set dele: estava realmente chato.
Quem foi embora, perdeu o Yoda, DJ/VJ na linha do Mike Relm e Eclectic Method - ou melhor, um meio-termo entre os dois. Enquanto o set de Relm exagerava no nerdismo e o da dupla EM pesava a mão no hip hop, Yoda equilibra-se entre os dois multiversos: o lado nerd chamava Guerra nas Estrelas, Indiana Jones e Super Mario Bros. para a briga enquanto o lado rap vinha de Ol’ Dirty Bastard, Biz Markie, Snoop Doggy Dogg e beats precisos, que iam do beatbox velha guarda ao andamento tranqüilaço do rap mais riponga e os graves pesados do gangsta. No meio, tudo: raggamuffin, Austin Powers, programas de ginástica, Fringe, Tom Jones, a velhinha que ensina o que é mashup, Chemical Brothers, Richard Pryor no Superman III, Ini Kamoze, Simpsons, Rocky Balboa, Yo Gabba Gabba, Vila Sésamo, Run DMC - misturado, scratchado, mashupado, mixado e remisturado. Yoda é uma metralhadora de referências pop, cuspidas com uma velocidade que, ao mesmo tempo, nunca saía do ritmo; é possível assistir às suas interferências de vídeo e cair na dança sem que uma atividade não interferisse na outra. E assim Yoda mexia cabeças e quadris ao mesmo tempo - e gastando, provavelmente, um centésimo do que o Kanye gastou.
Pra mim, foi ele quem salvou a terceira noite do festival. Pena que pouquíssima gente viu.
(Fazer o que, né… Mesmo contra todo o preconceito, o mashup ainda impera.)
Perdi o Cérebro Eletrônico por puro desleixo (preguiça, melhor dizendo, mas não da banda em si). A quarta e última noite do festival pra mim começou com o National, que eu já tinha visto tocar esse ano em Lisboa. Vi os caras num lugar fantástico, chamado Aula Magna, que é onde doutores vão defender suas teses na universidade local. Como não havia comprado ingresso com antecedência, só consegui a entrada mais cara para o show daquela noite, o que me colocou numa poltrona em que cabiam umas três pessoas com folga, de tão confortável. Fiquei a quatro fileiras da banda e assisti à apresentação literalmente de camarote - e ali já dava pra perceber que a banda havia atingido um outro patamar. Se Boxer, seu disco mais recente, consagrava sua saída da adolescência anunciada no disco anterior, Aligattor, o show não poderia acontecer em um lugar mais apropriado - e era possível não apenas embarcar na viagem emocional do vocalista Matt Berninger (que se jogava, andando pelas poltronas do auditório a certa altura) como perceber a coesão e cuidado de um time de músicos que ia da introspecção à muralha de microfonia com uma disciplina rara em show de rock. Na época, filmei “Brainy” e “Secret Meeting”, além de um trecho de “Fake Empire”.
The National - “About Today”
The National - “Fake Empire”
O show em São Paulo repetiu a mesma ótima apresentação de Lisboa, com um pequeno diferencial - em Portugal, todos sabiam de cor as letras das músicas, no Brasil, poucos sequer sabiam os refrões. E foi aqui que a banda mostrou que é boa - afinal, parte do público desconhecia completamente a banda que ia abrir para a dupla psicodélica MGMT e foi tragado pelo rock sério e adulto do National. Desta vez de óculos, Matt igualmente se entregava ao público, conversando com as pessoas, sendo gente boa de uma forma natural, nada populista. Quando cantava, com seu timbre grave e emotivo, era hiptonizado pela música e deixava-se levar, carregando o público para dentro do emaranhado de som cuidadosamente tecido por um grupo formado por dois pares de irmãos, os gêmeos Bryce (guitarra) e Aaron (baixo) Dessner e Scott (guitarrista) e Bryan (baterista) Devendorf, que ainda se revezavam nos teclados (e contavam com a participação de um sexto músico, que ia do piano ao violino). E assim o grupo alinha-se ao outro lado do pós-punk, o inglês, de bandas como Echo & the Bunnymen, Joy Division, Cure e U2. Showzaço, aconteceu num momento crítico para o National que, se fizer o disco certo, passa para o primeiro escalão do rock mundial em breve. Se o mundo fosse justo, eles venderiam mais que o Coldplay e seriam mais respeitados que o Tindersticks.
Para encerrar, a dupla nova-iorquina MGMT se afogou na psicodelia e descambou pro prog. Esse é o drama do gênero. O negócio começa a ficar viajandão demais e aí os caras começam a viajar que são músicos de primeira linha, solo de guitarra vira uma coisa transcendental e trips instrumentais viram apenas bad trip. Também, né, nova-iorquino pagando de californiano é tipo paulista querendo tirar onda de carioca. E o público - o mais cheio dos quatro dias na tenda, além do mais florido - que veio para ouvir os hits (especificamente três, “Kids”, “Time to Pretend” e “Electric Feel”), achando que eles eram uma banda pop com cores tie-dye, desanimou-se em todas as músicas que não eram essas três (e “The Youth”, também bem recebida). “Kids”, que veio no final, lavou a alma de um show curto mas demorado, mas que deixou um gosto de “quero mais”.
MGMT - “4th Dimensional Transition”
MGMT - “Of Moon, Birds and Monsters”
MGMT - “Electric Feel”
MGMT - “The Youth”
No fim, esse Tim Festival, apesar de tudo, teve seus acertos. Mas dava pra reuni-los todos em uma mesma noite com National, Klaxons, MGMT e o Yoda - de preferência num lugar que pudesse terminar mais tarde, sem ter os seguranças empurrando o público pra desarmar o circo. Pagando ingresso, bebida e estacionamento apenas uma vez aposto que o público viria em mais peso, ficaria mais feliz e o festival sairia com o filme menos queimado.
Showzaço do National, show regular do MGMT (cheio dos altos - um deles, “The Youth” aí em cima - e baixos), finalmente público presente e clima de festival. Queria ver se falava dos shows ainda hoje, mas esse solzão aí fora e um cineminha vespertino provavelmente vão desligar minhas atividades online por hoje…

Foto: Ultimate Articulate Lord
1) Público carente transforma festival em marco
2) Klaxons no Uol: “Se alguém quis ficar parado, não conseguiu”
3) Dan Deacon faz público dançar quadrilha
4) Rraurl sobre o Yoda: “Melhor set do ano?”
5) Folha sobre o Camelo: “Interessante”
6) National no Rio: “Obrigado, internet!”
7) MGMT: “Parte do público pareceu decepcionado”
8) Estadão: “Bons shows não salvaram falta de organização em evento no RJ”
9) Har Mar Superstar no show do Neon Neon
10) Nave da egotrip de Kanye West passa por São Paulo
Como previsto, perdi o Dan Deacon, bom show do Gogol Bordello (mas não me peçam pra gostar), um set monótono (beirando o insuportável) do Switch, mas um mestre Jedi veio salvar a noite - o DJ Yoda mashupou em som e vídeo e quebrou tudo, salvando a noite. Como previsto, não consegui acordar pra ver o Sonny Rollins, mas hoje à noite tou lá no National x MGMT. Amanhã eu falo mais dos shows de sexta e, se pans, dos de sábado também.
Perguntei os horários pro Amaury, que agora tá no G1, e ele colou como se já tivesse na área de transferência:
Junior Boys - 19:00 às 20:00
Dan Deacon - 20:00 às 21:00
Gogol Bordello - 21:10 às 22:00
Switch - 22:00 às 23:00
DJ Yoda - 23:00 às 24:00
Tou indo mais pelo Switch e Yoda, não gosto do Gogol Bordello (não gosto do tipo de som, me lembra uma mistura de Karnak com Farofa Carioca, prefiro o Móveis Coloniais de Acaju se for pra ficar nessa praia), mas sei que a banda é boa e é certeza que vão fazer um bom show. Mas, pelos horários, acho que vou perder o Dan Deacon. Paciência.
Os Klaxons são só uma banda de rock
“From Atlantis to Interzone”
O que eu mais gosto nos Klaxons é que eles não se parecem com nada. Apesar da insistência em chamá-los pelo rótulo “new rave” e pelos vários remixes que os colocam na pista de dança, eles são uma banda de rock. Mas ao contrário das milhares de bandas que aparecem hoje em dia, fazem um hit e depois somem, eles não têm um grupo ou um gênero musical de onde tiram suas referências sonoras principais - não lembram os Stones, o Joy Division, o Sonic Youth ou uma banda de britpop, por exemplo. Além de não ficarem presos ao cânone do rock tradicional: o falsete bizarro que conduz parte das músicas tem sua origem no R&B amanteigados dos anos 80 e o uso dos samples - da escolha à forma como eles são encaixados na música - é abertamente cafona (a alternância do sussurro com a sirene em “Atlantis…”, por exemplo, é quase citação de italo house).
“Golden Skans”
Mas isso é a crosta na superfície, é a cobertura do bolo. É só ouvir. Por baixo de samples, gritos e falsetes há o zumbido que sai da guitarra, um baixo duro e marcado, teclados caricatos e uma bateria que galopa. Ora, ora, é o bom e velho pós-punk - só que o Klaxons em vez de o revisitá-lo pela via britânica do Wire, Gang of Four, U2, Joy Division ou Public Image (como seus companheiros de geração), vai pela trilha dos Estados Unidos da esquisitice do Pere Ubu, Talking Heads e Devo. E nesta esquisitice também incluem a lenta confirmação que aconteceu durante os anos 80, de que música eletrônica podia ser tão pop quanto o rock, numa linha do tempo que começa entre o Duran Duran e o Human League passa pelo New Order e Pet Shop Boys e deságua no segundo verão do amor, com o nascimento das raves. Eis a fórmula do Klaxons enquanto banda: new wave americana e eletrônico não-gótico. Só isso já contaria muitos pontos a favor dos caras.
“As Above So Below”
Mas eles soam como o Devo, o Pere Ubu, o New Order ou o Duran Duran? Não. Esse parentesco é mais estético do que sonoro, embora os elementos que unam essas diferentes bandas ainda estejam lá - baixo em primeiro plano, ritmo quadrado, vocais que não cantam, guitarra que faz mais barulho do que música. Acrescente aí duas décadas de experiências musicais que estas bandas não puderam antecipar e o Klaxons é facilmente entendido como herdeiro deste art rock do começo dos anos 80.
“Gravity’s Rainbow”
A discrepância maior é justamente no conteúdo. Enquanto essa safra de bandas cantava sobre o tédio do cotidiano, os Klaxons são épicos numa escala pouco vista em música pop. Enquanto o máximo de grandiosidade associada às letras de música sejam adaptações de clássicos da literatura por bandas de metal ou de passagens históricas por bandas de rock progressivo, os Klaxons miram no misticismo pesado e cantam sobre a terceira via na busca pelo sentido da vida: nem ciência, nem religião, o papo deles é magia pesada, ciências ocultas, misticismo cabeça, mágicka com K. E no meio daqueles sussurros e falsetes, gritos e vocais falados estão letras que falam sobre mudanças de eras arqueológicas, escritos de civilizações perdidas, a tábua de esmeraldas e literatura freak. Os poucos autores que incluem, numa mesma tacada, William Burroughs, Thomas Pynchon e Atlântida estão no campo das letras - seja em livros ou quadrinhos - não em áreas como cinema ou música pop.
“Magick”
Sem medo do ridículo (olha as roupas que eles tavam vestindo!), transformam tudo isso na construção da lenda de si mesmo. A própria banda se define como uma espécie de quatro cavaleiros do apocalipse de seu universo, “mitos de um futruro próximo” e datam para o dia 12 de dezembro de 2012 seu dia D (12.12.12!). Nisso, delimitam sua validade e criam sua própria realidade alternativa para brincar, alinhando-se com outros grandes do mundo pop atual - e geram uma expectativa sobre o que pode acontecer no fatídico dia (duas vezes o 06.06.06!). Um show histórico, o lançamento de seu próprio Sgt. Pepper’s ou uma melancólica nota à imprensa informando o fim da banda - embora os Klaxons digam, rindo, que este vai ser o dia do fim do mundo.
“It’s Not Over Yet”
No circo do rock dos anos 00, os Klaxons se situam em algum lugar entre o experimentalismo punheta do Animal Collective e o foda-se total dos Black Lips, com um pequeno detalhe: boas músicas. Passada a estranheza da primeira audição, é fácil ficar com elas na memória e mesmo seus vocais ridículos passam a fazer sentido. Refrões, riffs, melodias, timbres: com uma formação tradicional de baixo, guitarra, teclado e bateria, eles reinventam mais uma vez a roda e criam uma nova forma de fazer música boa. Todas as músicas que eu coloquei neste post são memoráveis e pertencem a um mesmo disco, seu único até agora, numa média muito acima da atual produção de rock. Dê tempo ao tempo: os Klaxons só estão começando.
Um pouco antes teve o show do Neon Neon, que não me incomodou como acabou rolando com uns amigos, mas também não me acrescentou nada. O Gossip certamente fez uma enorme falta ao dia, mas bem que podiam ter colocado alguma banda (brasileira, que seja) pra tocar no lugar da banda da gorda. E como tem gente melhor que o Neon Neon por aqui. Não precisa nem sair de São Paulo…
Nada como uma banda de rock para tirar a poeira da pasmaceira épica do dia anterior. Depois eu falo mais.
Mas aê, não tinha nem duas mil pessoas. Acho que o Tim Festival desse ano faz parte da programação da nova Bienal, que é sobre o vazio - fora os cambistas praticamente dando os ingressos. E aqui tem mais vídeos.
Minha aposta para hoje - e para todo o Tim Festival - é o Klaxons. Apesar de muita gente associar os caras à pista de dança, eles são uma banda de rock. Por baixo dos vocais metidos a esquisito há um certo indie rock, ao mesmo tempo torto e atravessado, que, por mais esquisito que possa parecer, faz sentido. Esqueça a música pra dançar, ouça-os como uma banda de rock - e capaz de você ter a melhor surpresa de todo o Tim Festival. É onde estão minhas fichas. Veremos.
Monotonia à enésima potência
Já postei aqui que o Bono e o Edge estão fazendo um musical na Broadway sobre o Homem-Aranha que vai custar 40 milhões de dólares. É sério, vou repetir: musical na Broadway, Homem-Aranha da Marvel, Bono e Edge do U2. Óbvio que dá pra duvidar da qualidade artística de uma empreitada dessas, mas, por outro lado, é uma fonte inegável de renda - junte estes três elementos e, por mais insossa e sem graça que a mistura se torne, ainda haverá incautos e curiosos pra pegar filas pra assistir a uma joça dessas. Por anos, até.
O show de Kanye West, que abriu a parte pop do Tim Festival deste ano, conseguia ser uma mistura mais esdrúxula do que a descrita acima. Numa vergonhosa tentativa de criar um grande fio condutor de ficção científica para quase duas horas de show, um dos principais popstars de 2008 criou uma ópera rap arrastada e megalomaníaca, executada de forma chinfrim e com tantas camadas de vernizes de breguice que era quase impossível distinguir o artista por baixo de tudo.
Quando se fala em topo do pop, ainda mais quando o assunto é apresentação ao vivo, o jogo de cena vai para muito além do que foi visto na quarta passada. E nem precisa sair do Brasil. É lembrar da cobra cuspindo fogo no show dos Stones, no palco do Macca girando em “Fool on the Hill”, Madonna descendo dependurada num globo de discotaca, o arco dourado do U2 ou o N Sync voando no palco do Rock in Rio. Há tempos a música pop nos oferece a possibilidade de freqüentar o parque temático de si mesma e não importa se é a volta dos Pixies, Brian Wilson tocando Pet Sounds, a versão robô do Kraftwerk ou Roger Waters cantando o Dark Side of the Moon, a previsibilidade tornou-se uma das principais moedas da música pop do século 21 e shows seguem à risca a lógica pré-riscada no disco.
Kanye West passeia neste território mas… e essa tal Glow in the Dark, sua turnê-espetáculo? É só isso? Um dinossauro surgindo no meio do gelo seco? Crateras cobertas com carpete? Um telão falante? Peraê, peraê, tem algo de errado nessa história…
Por mais estranho que possa parecer, há uma corrente histórica de cultura popular que traça os paralelos entre a música negra e a ficção científica. É uma linha de pensamento que diz que os negros que foram capturados na África para trabalhar à força no novo continente foram submetidos a dois estereótipos típicos da ficção científica: a abdução extraterrestre (afinal, vem uma nova cultura e te seqüestra de seu habitat natural) e a consciência robô (em que empregadores não cogitam a possibilidade de você ser algo a mais do que uma simples máquina de trabalhar). Esta corrente, chamada afrofuturismo, encontra eco em diferentes manifestações da música pop do final do século passado, seja no jazz fora de órbita de Sun Ra, na conexão com a nave-mãe do P-Funk de George Clinton, o Planet Rock de Afrika Bambaataa, o techno de Detroit ou as teorias em movimento de DJ Spooky ou do Deltron 3030.
Kanye pega toda essa tradição e transforma numa comida de avião. Tudo é mastigado ao máximo, de sua presença no palco - sozinho (diziam que a banda estava atrás do palco, mas ninguém sabe, ninguém viu) - aos clichês tanto de ficção científica quanto de megalomania popstar. E assistimos a uma jornada em que Kanye, “a maior estrela do universo”, precisa voltar para Terra. Sozinho - tanto no palco quanto na história - conversa com uma nave personificada num olho eletrônico centrado num telão, que fica em frente a uma tela ainda maior, no fundo, em que durante praticamente todo o show, vemos o espaço sideral.
E o show não acaba. Se a produção ao menos fosse digna do tipo de história que o rapper se propõe, até dava-se um desconto. Mas até o Eddie no terceiro ou quarto show do Iron Maiden parece mais crível do que a tal superprodução do show de Kanye. Canhestro, o espetáculo não sai do casulo e suas referências oitentistas sem querer resvalam em outro lado - ver Kanye sozinho, no canto do palco enquanto o telão exibe um por do sol daqueles power point que a sua tia te manda por email, ouvindo “Don’t Stop Believing”, do Journey (a única referência explícita à bandidagem de todo o show, já que a música toca em uma cena-chave do seriado Os Sopranos), pouco antes de cantar Stronger convence tanto quanto assistir a um clipe de banda brasileira no Fantástico nos anos 80. A previsibilidade só era superada pela monotonia. “Cromaqui” e “playback” eram palavras que inventavam a atmosfera do palco.
Mesmo em seus parcos hits (um do Daft Punk, outro de Ray Charles, um terceiro de Curtis Mayfield), o rapper megalomaníaco insistia na soberba e segurava os hits por dez longos minutos, transformando cada passagem em uma cena de seu musical particular. Que era algo tão consistente quanto uma mistura de Eu Sou a Lenda com Wall-E. E não faltaram adjetivos para descrever a breguice: a Ligelena sintetizou o show como se o Tracy Jordan, personagem do 30 Rock, fizesse um espetáculo no Holiday on Ice; não foi só o Terron que achou que estava assistindo a uma gravação do Xou da Xuxa e o Marquinhos tinha certeza que era uma ópera-rap sobre O Pequeno Príncipe.
Ao final do show, o sujeito ainda emendou uma ladainha interminável sobre como ele era um cara legal e como foi difícil trazer “esse espetáculo” para o Brasil, que os produtores não tinham a grana que ele havia pedido mas que depois arrumaram, e como ele era legal e uma pessoa boa e linda e maravilhosa. Nem o ego do Bono é tão grande: nessa hora, o vocalista do U2 começa a falar em direitos humanos, em paz entre os povos e outros lennonismos. Mas Kanye, não, precisava falar dele. Por um instante, pensei que fosse aparecer um divã com rodinhas, onde, deitado, o MC, falaria de seus problemas - mas não rolou.
Em vez disso, rolou “Love Lockdown”, uma música que me dá vergonha toda vez que eu escuto. E não é só ela. Todas as músicas do disco novo de Kanye West vão atrás de um vintage oitentista que faz tempo que não é mais vanguarda - seja nos timbres do Justice, na cafonice da Ladyhawke, no technopop do Cut Copy ou nos hits farofa do Chromeo. A diferença das músicas do disco novo de Kanye e das desses outros artistas, é simples: todos eles sabem a importância de um refrão, Kanye ignora a existência disso.
Indiesmo. Hitmaker do bom sabe o poder de um bom refrão e nenhuma música de Kanye West tem um refrão memorável. Todas se ancoram em hits do passado para embalar um rap genérico e umas quatro ou cinco palavras de ordem superposta sobre a base sampleada. Essa é a fórmula de Kanye. No disco, engana bonito. Ao vivo, dá sono.
Mas engraçado foi ver como o show dividiu opiniões - e quem gostou demais do show quase sempre tem um interesse maior no hip hop. Foi como se o Radiohead viesse fazer um show e o show não fosse grande coisa, mas como é o Radiohead, ninguém pode falar mal. Ouvi neguinho falando em “show do ano” e “inesquecível”. Tenho pena de quem vive assim…
E já já falo do que achei do show do Kanye ontem. Por enquanto, sente o nível:
Tem mais videozinhos que eu fiz aqui, ó.
Kanye West brilha no escuro - ou seria o contrário?
Antes de comprar os ingressos para o Tim Festival, já vinha matutando árdua escolha que teria pela frente (daquelas de cinco segundos de reflexão antes de apertar a senha do cartão): com os preços fora da realidade do festival e a minha recusa em apelar para a carteira de estudante “amiga” que, dizem produtores de show em geral, ajuda a salgar os preços dos ingressos, tinha de optar entre dois shows: Kanye West ou Sonny Rollins. Sei que a maioria dos meus leitores e amigos sequer pestanejaria ante o assunto e marcaria o “x” na opção do velho jazzista, mas eu curto música pop. Eu gosto do aspecto grandioso e adolescente, plástico e descartável que transforma anônimos em deuses - e como o máximo de espetáculo desse naipe que temos em nosso país é alguma visita dos RBD e High School Musical ou alguma propaganda com Ivete Sangalo que consegue ganhar palco (nem vem com madonnismos - Madonna é só uma máquina de fazer dinheiro que vive do passado, um parque temático sobre si mesmo, como os Stones ou o U2). Fiz minha escolha pouco antes de saber que ela já tinha sido feita: os ingressos para Sonny Rollins haviam se esgotado e só me restava o Kanye West.
Ou “Cã-nhê”, que é a forma afrescalhada que ele diz que seu nome é pronunciado, é um dos sujeitos mais descolados do resto de jet set que sobrou à indústria fonográfica. Com seu glamour corroído pela crise de administração que culminou com a vilanização da internet, restou à velha indústria do disco buscar conexões em outras paragens para conseguir manter seu estilo de vida - daí recentes associações com empresas de natureza tão diferentes quanto a indústria de telefones celulares e de computadores, o mundo dos esportes ou o universo da moda. Uma seara aberta no hip hop depois que Puff Daddy assumiu o gênero após as mortes de Tupac e Biggie. Se antes o barato do rap ao tirar onda com grifes era mostrar que, mesmo com a origem pobre, era possível subir na vida, quando o gangsta rap morreu de vez, liberou geral (a Renata conta um pouco da decadência do gênero em um especial que ela fez pro Rraurl aqui).
De 1996 em diante, desfilar com ternos Armani não era mais o topo da pirâmide do hip hop e sim conviver com Giorgio Armani e chamá-lo pelo primeiro nome. Logo, essa bolha de status inflou e transformou não só o rap em um gigante milionário (e musicalmente vazio) como funcionou como tábua de salvação pra indústria do disco que, com o golpe dado com a chegada do Napster, aprendeu na pele que sua máquina de fazer sucesso que transformou várias gravadoras em quatro multinacionais só funcionava a curto prazo. Quando o MP3 popularizou-se, a indústria viu-se refém do modelo de negócios que havia inventado, de criar artistas que desapareciam com a mesma velocidade que surgiam, e, literalmente, quebrou.
Daí recorrer para outras esferas do entretenimento, como televisão, cinema, game, moda, design, e, só há pouco tempo, internet. Pode reparar: quase todas as tentativas da antiga indústria do disco de emplacar novos (ou velhos, tanto faz) artistas neste século vinham atreladas a acessórios que não necessariamente eram musicais. E assim músicos, compositores e intérpretes tornaram-se celebridades - e tanto fazia de onde eles vinham, se fazem rap, música eletrônica, rock e dance music, se apareceram numa garagem, num site ou num reality show: o importante é que eles vendem trilhas sonoras, celulares, perfumes, roupas finas, carros, comida congelada, tele-sena e papa-tudo.
Kanye West talvez seja quem melhor personifica esse novo status quo. Na cabeça deste reformulado hip hop, a malandragem não é mais simplesmente sair da vida dura e ganhar uma grana pagando de playboy. O golpe agora pressupõe ser playboy e acontece em escala planetária, numa pernada que derruba a tchurma do design, o novo eletrônico francês, o mondo fashion, animação em computação gráfica e, olha só, até mesmo gente de música. Indo além, seus principais hits são um espelho disso: “Gold Digger” é “I Got a Woman” de Ray Charles através da cinebiografia com Jamie Foxx (que participa da música e do clipe) e “Stronger” é o Daft Punk relido (de forma trivial). Mais um motivo para apontar Kanye como posterboy do pop 2008 - sua onipresença seja equivalente à assombrosa ausência de hits. Suas músicas fazem sucesso nos EUA, mas não são hits globais do escalão de “Everyone Nose” e “Umbrella” (do N*E*R*D e da Rihanna, artistas que, por acaso, fizeram parte da abertura de sua antiga turnê, Glow in the Dark, que se despede com os shows na América Latina). Mas West é maior que os dois pelo simples motivo de que ele não é um artista só de música.
OK, mas isso é bom ou ruim? Pro showbusiness, é ótimo. Assim, gastam-se adjetivos e efeitos especiais, gastos são justificados, capas de revista ganham o tom épico do tempo em que as gravadoras ainda mandavam no mundo da música, o glamour, o jet set, a hi-life - tudo aquilo que emperrou a criatividade da música pop a partir dos anos 80 ganha uma sobrevida que pode garantir a aposentadoria do executivo que até outro dia processava moleques baixando MP3. Pra música vista longe do bizness, também pode ser. Afinal, ao criar uma bolha de realismo fantástico ao redor de artistas como Kanye West, os titãs do mercado musical podem estar, sem querer, promovendo um Baile da Ilha Fiscal (ou da Enron ou AIG, pra ficarmos em termos mais atuais). Sem perceber que o fim está próximo, torram dinheiro como se não houvesse amanhã. Só que dessa vez, talvez não tenha.
E pelas prévias do disco novo do sujeito, que deve tocar algumas pérolas no show de hoje em São Paulo, o fim de Kanye também talvez esteja. Porque nunca ouvi tanta música ruim saindo de um disco tão esperado (nem o novo do Oasis é tão vergonhoso). Por enquanto, vamos lá ver se o sujeito brilha no escuro mesmo - ou se é o lado negro da força que brilha de dentro dele…
E, trocando Paul Weller por Roberta Sá e Arnaldo Antunes, o antigo palco Bossa Mod do Tim Festival torna-se uma espécie de noite de gala no Sesc Pompéia - que, de gala, só tem o preço.
Dando idéia pro Tim Festival se refazer do fiasco da não-vinda do Paul Weller:
1) Os próximos shows na agenda deles acontecem na América do Sul, dias 29 e 31 de outubro
2) Acabaram de realizar um show secreto do MySpace na Califórnia, parceiro que a Tim podia chamar pra viabilizar a vinda da banda
3) Velharia por velharia, boto mais fé num show do Spiritualized do que do Paul Weller
Desta vez, Paul Weller não vem mais. Detalhe: o problema não é com o Weller e sim com um integrante da banda (insubstituível, pelo jeito), que é brasileiro (?) e não conseguiu visto para entrar no Brasil (?!??!). Que historinha mal contada hein (mais tosca que o “conflito de agendas” do Gossip). Põe o Paul Weller pra tocar tudo sozinho ou com uma banda mais básica (ele era do Jam, lembram?), certeza que os fãs não vão ligar. Ou aproveitem que eu citei o Spiritualized e negociem a vinda deles, já que eles tão vindo pra América do Sul. Mas tou achando que vão é cancelar o show, viu… Depois da piada de não colocar banda pra substituir o Gossip (e dessa do Paul Weller), o Timfa caminha pra sua edição mais chocha de todos os tempos (e olha que haja concorrência…). Sem contar que você fala com as pessoas no Rio de Janeiro e eles sequer sabem que vai acontecer um festival semana que vem na cidade (convenhamos, o elenco da edição deste ano é muito mais paulistano do que carioca…) e ouvi dizer que nenhuma noite tá vendendo… É, pelo jeito o Timfa vai tomar uma naba bonita do Terra.
Pegou mal essa história de “conflito de agendas” que fez o Gossip cancelar sua vinda ao Timfa deste ano - bem na hora que o dólar disparou? Que estranho… Pior é anunciar que não vão colocar nenhuma banda para substituir - e como se o Neon Neon pudesse agradar o mesmo público da banda da gordola. Tomara que nenhum outro “conflito de agenda” afete o Terra ou os show do R.E.M….

Foto: FirefoxLucifer
1) Quem foi Robert Johnson?
2) Doze motivos para legalizar as drogas
3) Show do Arctic Monkeys será exibido em cinema do Rio
4) Blogueiro da Trip comeu a empregada à força e ainda acha bonito vir a público se desculpar (trocentos anos depois e com um caô mimimista de que tem “ódio do Brasil”. VSF)
5) 10 plantações decoradas
6) Que tal pegar 150 meninas numa mesma noite? É mentira ou auto-afirmação?
7) Um software que “embeleza” fotos de gente
8) Gossip não vem mais para o Timfa
9) Paulo Coelho não gostou do bolo que o Ministro da Cultura lhe deu (ow, coitado…)
10) Bono e The Edge vão transformar o Homem-Aranha num musical. Custo? US$ 40 milhões (crise financeira? Como assim?)
“Li a palavra “blogosfera” justamente em Portugal (aqui também se usa), quando visitei um blog muito legal de um português que alguém me indicou em Lisboa. Mas não sou muito de ler blogs (leio pouco mais do que e-mails na internet)”
O blog do Caetano tem sido uma de suas melhores experiências dele desde… hmm… Hmmmm… Deixa eu refazer a frase: faz muito tempo que Caetano não faz nada realmente tão legal quanto esse blog. Talvez é a melhor fase dele desde as brigas com o Paulo Francis, no começo dos anos 80.
E já já o Timfa tá aí: quero ver ele comentando o festival (quem já ouviu sabe que ele faz as melhores resenhas sobre os shows).
Ninguém tá dando muita bola pro show do National que vai rolar no Timfa. Eu os vi em Lisboa (além do vídeo de “Fake Empire” aí em cima, que só tem um trecho, ainda filmei eles tocando “Brainy” e “Secret Meeting”) e atesto: indie épico da melhor qualidade, deixando no chinelo tentativas palhas como Travis, Keane e Muse - e colocando-se lado a lado com grandes nomes dos anos 80, como U2, Legião Urbana e Echo & the Bunnymen. A banda, que conta com duas duplas de gêmeos na formação, funciona com uma precisão de máquina, enquanto o vocalista Matt Berninger se joga em todas as músicas. Vai ser massa - quem quiser antecipar, é só baixar os MP3s de um show deles de agosto aqui.
É o embate dos festivais, versão 2008. Se no ano passado o Timfa teve uma edição morna (suas principais atrações tinham mais de uma década de existência) e uma edição caótica em São Paulo, o novato Terra ousou no formato, preço e escalação, embora tenha errado no nome para fechar a noite. Agora que as edições deste ano estão aos poucos chegando aos finalmentes, dá pra botar frente a frente as principais atrações anunciadas pro Tim e as especulações mais ou menos confirmadas pro Terra.
Vamo lá?
Jesus & Mary Chain x Paul Weller

Terra 1 x 0 Tim
Animal Collective x Gogol Bordello

Terra 1 x 1 Tim
Bloc Party x Gossip

Terra 1 x 2 Tim
Kaiser Chiefs x The National

Terra 1 x 3 Tim
Foals x Klaxons

Terra 2 x 4 Tim
Descartando, claro, todo o palco de jazz do Timfa, que não tem nada a ver com o corte do Terra. Mesmo assim, o Timfa ainda aumenta sua vantagem ao não encontrar nenhum rival pop à altura de Kanye West, além dos queridinhos da crítica Neon Neon (o projeto eletrônico do carinha do Super Furry Animals) e o Dan Deacon. Mas lembre-se que o Terra não oficializou seu elenco, por isso seus astros são fruto de especulação e algum nome pode aparecer - ou desaparecer - do elenco quando o anúncio vier de verdade (as vendas, ao que parece, começam amanhã). E ao mesmo tempo não custa lembrar que ano passado o Terra também teve uma tenda de música eletrônica - até então, sem nomes sequer especulados.
Por outro lado, o embate entre estrutura de festival favorece o Terra - ainda mais depois do mico da edição paulista do Tim Festival do ano passado (no Rio, tudo nos conformes). O único ponto negativo que consigo lembrar desta parte no Terra do ano passado foi a distância do lugar dos shows, mas até aí, isso é o de menos. O Timfa vai ter que rebolar pra fazer uma edição decente esse ano. Isso sem mencionar os preços e traduzir isso em relação custo/benefício…
Mas se for pra ser apenas passional, não tinha nem ter que começado essa conversa: a vinda do Jesus & Mary Chain é um trunfo histórico do Terra, que o Timfa sequer conseguiu arranhar. Nada no Tim Festival desse ano é propriamente imperdível (vá lá, tem o Sonny Rollins), enquanto a oportunidade de ver uma das bandas que configurou o rock atual só poderia ser ofuscada por um monstro sagrado do rock clássico (Neil Young, Van Morrison, Leonard Cohen) ou um de seus compadres de geração (Cure, R.E.M., Sonic Youth, a volta dos Smiths).
Quem sabe, 2009.
Falando nisso, semana que vem começa o semestre dos festivais, com o Eletronika em Belo Horizonte, com Hurtmold (e, DIZEM, Marcelo Camelo), Twelves, Fernanda Takai e a menina do Pizzicato Five, Macaco Bong, Instituto fase Racional, Pex BaA, Takara, Vanguart, Curumin, Guizado, Monno e Mallu, entre outros, em Belo Horizonte. Depois tem o Melvins, Plasticines e Hives no tal do Orloff 5 e, mais tarde, tem o Skol Beats (que inspira a grande pergunta: o que fazer entre o Justice e o Digitalism?). Depois tem a Invasão Sueca com Shout Out Louds e Peter Bjorn & John (os ingressos pro show de São Paulo já estão à venda, viu), ao mesmo tempo em que rola o Coquetel Molotov em Recife. Junta isso com um Timfa já com Sonny Rollins, Klaxons, Kanye West, o National e o MGMT, entre outros, um Planeta Terra que além de Bloc Party, Kaiser Chiefs, Jesus & Mary Chain, Animal Collective, Spoon, Foals ainda periga ter uns nomes que o Lucio andou cantando alto (Sonic Youth tocando Daydream Nation? Breeders? Kylie?) e possíveis shows do R.E.M., do Mudhoney e do Nine Inch Nails na paralela. Fora um Goiânia Noise que vai ter Black Lips, Vaselines, Black Mountain e Circle Jerks.
Nada mal, hein?
E mudando um pouco pro lado, e esse MGMT, hein? Ninguém tá dando nada, mas eu acho que pode ser um bom show, no Timfa…
A Fernanda, no Banana Mecânica, pinçou as datas do MySpace do trio da Flórida. Dia 24 de outubro em SP e no dia seguinte no Rio - mais uma bola dentro pro Timfa. Massa, hein.
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