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Arquivo: tutti frutti

Vida Fodona #210: Tudo quanto é lado

Beastie Boys – “Pow”
Dave Brubeck Quartet – “Take Five”
Medeski Martin & Wood – “We’re All Connected”
João Gilberto – “É Luxo Só”
Juan Garcia Esquivel – “Bikina”
LCD Soundsystem – “Never As Tired As When I’m Waking Up”
Outkast – “Behold a Lady”
Scissor Sisters – “Invisible Light”
Happy Mondays – “Dennis and Lois”
Rolling Stones – “Memphis, Tennessee”
Apples in Stereo – “Hey Elevator”
Rita Lee & Tutti Frutti – “Cartão Postal”
Olivia Tremor Control – “No Growing (Exegesis)”
Beach Boys – “Let’s Go Away for a While”
Kassin + 2 – “Futurismo”
Mussum – “Chiclete de Hortelã”
Paul McCartney – “Momma Miss America”
Neutral Milk Hotel – “In the Aeroplane Over the Sea”
Sebadoh – “Two Years, Two Days”

Lean on me.

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Vida Fodona #139: Podemos falar em melhores discos de 2009 com alguma propriedade

Levante-se daí!

Rita Lee & Tutti Frutti – “O Toque”
Vampire Weekend – “Cape Cod Kwassa Kwassa (Radioclit Mix)”
Presets – “My People”
Metronomy – “On Dancefloors”
MGMT – “Time to Pretend (Diplo Mix)”
Department of Eagles – “Classical Records”
Of Montreal – “An Eluardian Stance”
3 na Massa e Nina Becker – “O Objeto”
Rafael Castro – “Me Chama pra Dançar”
Kosmos – “Vegetable Man”
Pavement – “We Are Underused”
Blur – “End of the Century”
Supercordas – “Fotossíntese”
Late of the Pier – “Random Firl”
Franz Ferdinand – “Lucid Dreams”

Vamo!

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Cilibrinas do Éden

Falando em Rita Lee anos 70, muita gente já ouviu falar mas pouca gente ouviu o disco do primeiro projeto solo de Rita logo que saiu dos Mutantes. Enquanto os meninos brincavam de rock progressivo nos idos de 72, Rita, entediada, procurava o que fazer – e a idéia original de seu projeto paralelo era uma banda formada apenas por mulheres. Sem conseguir concretizar a idéia, ela juntou-se com a amiga Lúcia Turnbull e juntas formaram a dupla Cilibrinas do Éden, cuja estréia foi agendada para o dia da inauguração do palácio de convenções do Anhembi e o show foi um desastre, graças ao fato do público ser basicamente dos Mutantes (que tocavam rock pesado, longe do som light da dupla) e porque Lúcia, ao ver a multidão, travou de medo no palco.

Mesmo com o fiasco do show de estréia, a dupla gravou um disco que, depois de pronto, foi engavetado. O disco não é um primor como tudo que vinha com o selo de qualidade Mutantes da época e parece mais uma brincadeira de meninas com rock’n'roll do que propriamente um disco de verdade. O grande momento é, de longe, “Mamãe Natureza”, que Rita regravaria discos mais tarde, com o Tutti Frutti – banda que, aliás, é quem toca com as Cilibrinas em seu único álbum. Entre o glam rock, experimentalismo de araque (dá-lhe theremin!), musicalidade beatle e simpatia juvenil, Cilibrinas do Éden é um disco simpático e divertido, como deve ser um projeto paralelo. A lenda diz que o disco foi suspenso pelo próprio André Midani – o que levou Rita a juntar-se com outro recém-desafeto do produtor sírio-francês, Tim Maia, e destruir o escritório do executivo da gravadora. Mas boa parte do repertório do disco foi aproveitado por Rita em outras situações: “Nessa Altura dos Acontecimentos” apareceu em uma coletânea no início dos anos 80, “Bad Trip” virou “Shangri-lá” anos depois, “Mamãe Natureza” foi a única música aproveitada no disco seguinte de Rita, Atrás do Porto tem uma Cidade, “Gente Fina é Outra Coisa” virou “Locomotivas”.

Essa faixa, inclusive, tem uma história engraçada com a censura da época. Sua letra (“Não vá se misturar/ Com esses meninos cabeludos que só pensam em tocar/ E você escuta o papai dizendo/ Que gente fina é outra coisa… Hoje mesmo te vi/ pensei que fosse seu pai/ Não, não, não, mas que decepção/ Eu fiquei triste de ver/ A sua vida começando pelo lado errado”) foi interpretada da segunte forma pelo censor José do Carmo Andrade num documento de 30 de agosto de 1973: “Na letra em exame, uma jovem insurge-se contra o pátrio-poder, ao tentar persuadir um amigo a desacreditar de seu pai para juntar-se a um grupo juvenil de comportamento duvidoso. A mensagem é negativa e induz aos maus costumes”.

Mas não ter sido lançado oficialmente fez com que o disco ganhasse aspectos de culto e ares mitológicos, que não fazem jus à qualidade nada épica do disco – que foi relançado ano passado na Europa em vinil e em CD, graças à iniciativa de um grupo de brasileiros morando no exterior. O mesmo grupo também montou um MySpace para o disco, que ainda conta com informações sobre a banda Persona, o grupo de Lee Marcucci e Luís Carlini que depois se tornaria o Tutti-Frutti. O versão européia do disco das Cilibrinas ainda conta com duas faixas extra: uma demo para “Hoje é o Primeiro Dia do Resto de sua Vida”, do último disco que Rita gravaria com os Mutantes, e “Mande um Abraço para Velha”, da fase final do grupo, que só saiu em compacto.


Cilibrinas do Éden – “Gente Fina é Outra Coisa

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Palavras para o domingo XXIX: “O Toque”

Rita Lee anos 70 é muito foda…

Abri a janela
Um som diferente entrou
Meus olhos mudaram, eu sei
Ou foi o sol que mudou, babe

O som das nuvens
A conversa do vento
A voz dos astros
A história do tempo

O som das estrelas
A música do luar
Contando em segredo, eu sei
Contando todo o meu medo, babe,

O som das flores
O murmúrio do céu
Me deram um toque
Quem tem ouvidos que ouça

Você é uma criança do universo
E tem tanto o direito de estar aqui
Quanto as árvores e as estrelas
Mesmo que isto não esteja claro para você
Não há dúvidas
Que o universo segue o rumo
Que todos nós escolhemos


Rita Lee & Tutti Frutti – “O Toque

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