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Google mostra seu rival contra o Windows
Sistema operacional Chrome acirra disputa da empresa com a Microsoft
A notícia veio na última quarta-feira como uma bomba. “Google lança seu sistema operacional”, aclamavam, em uníssono, blogs, sites e publicações impressas dedicadas à tecnologia - além de pegar qualquer um que se interesse pela cultura digital de surpresa. Menos de um ano depois de ter entrado no mercado dos navegadores com seu próprio browser, o Google Chrome, o gigante da internet amplia o mesmo Chrome para além da simples navegação - e o transformou em um sistema operacional, como o Windows da Microsoft, o Linux da comunidade do software livre ou Mac OS da Apple.
Mas depois das manchetes vinham as letras miúdas. A princípio, o sistema operacional do Google é destinado apenas para netbooks, os pequenos computadores que, ainda menores que os laptops, surgiram à medida que uma série de softwares foram criados para serem executados via internet.
A tal “nuvem de dados” da internet sem fio que permite o novo nomadismo digital tornou-se possante o suficiente para que o mercado destes pequenos computadores crescesse muito. Mas é um mercado minúsculo se comparado aos de celulares e computadores de mesa.
Ou seja: todo alarde sobre o lançamento do Chrome OS deve ser interpretado com certa cautela. Não, ainda não é o rival do Windows, justamente por funcionar em apenas um tipo de aparelho - e justo um dos menos populares. Além disso, temos o fato de que o próprio Google já tem outro sistema operacional para aparelhos portáteis, o Android, feito para celulares e smartphones. Contudo, a empresa diz que Chrome OS e Android são duas plataformas diferentes, mesmo que pareçam fazer a mesma coisa.
No entanto, todas as manchetes e profecias sobre o embate entre o Google e a Microsoft não dizem respeito apenas ao novo sistema operacional.
Desconte toda a megalomania tradicionalmente associada ao Google - tire os números gigantescos em relação às buscas, o altíssimo valor pago no YouTube, a reinvenção da geolocalização com serviços como Google Earth, Google Street View e Google Maps e o fato de, com os links patrocinados, o site ser uma das principais agências de publicidade do mundo.
Tirando isso, o que temos? Uma empresa que começou como um mecanismo de busca mas que, aos poucos, foi lançando serviços que seus concorrentes - Microsoft e Yahoo - já dispunham. Lançou seu próprio webmail, serviços para celular, programas de escritório (online, que não precisam ser instalados no computador ou vendidos em caixas de CD) e obrigou a própria Microsoft a reinventar sua busca - a empresa abandonou o LiveSearch e apresentou o Bing há dois meses.
Por isso, a apresentação do Google Chrome OS deve ser recebida com atenção - e não apenas com estupefação. Lembre-se que a Microsoft trabalha com o Windows há mais de duas décadas, mais ou menos o mesmo tempo que a comunidade de software livre tenta emplacar uma alternativa ao Windows. Ou seja: o novo sistema operacional não destronará - sequer ameaçará - o da Microsoft da noite para o dia.
Eis um detalhe que pode ser percebido por quem já usa o navegador Chrome. Ao abrir funções internas, como “histórico” ou downloads, o programa mostra um novo protocolo de navegação - em vez de http:// ele exibe chrome://. A princípio, parece apenas um detalhe.
No final dos anos 90, o colunista de tecnologia da rede americana PBS Robert X. Cringley cogitou a possibilidade de a Microsoft abandonar a conexão TCP/IP. A empresa ainda era o maior gigante do mercado digital e a instabilidade da internet - um tema sazonal, sempre alguém aparece para dizer que a internet não vai aguentar o volume de dados, repare - na época era atribuída à fragilidade da porta de conexão habitual, o TCP/IP (o mesmo que usamos até hoje - ou seja, mais uma profecia apocalíptica digital que não se cumpriu).
A partir deste cenário, Cringley cogitou a possibilidade de a Microsoft abandonar esta forma de conexão - aberta e universal - para criar seu próprio formato, o TCP/MS. Sim, MS de Microsoft. Assim, a empresa criaria uma internet particular, fechada e totalmente sob seu controle. Cringley, na verdade, era um pseudônimo usado pelo jornalista Mark Stephens, que usava sua coluna, I, Cringley, como uma forma de ironizar o mercado digital. Ao cogitar o TCP/MS, ele estava apenas provocando - não a Microsoft, mas o entusiasmo em abraçar novos formatos e tecnologias sem pensar nos desdobramentos.
Levando a brincadeira/provocação de Cringley para o Chrome, pergunto: e se o Google resolver criar serviços e aplicativos que, mesmo funcionando bem no protocolo http:// (para o Internet Explorer e para o Firefox), funcionem ainda melhor no Chrome? Ao usar qualquer serviço do Google, ele já consegue identificar o navegador que está sendo utilizado e recomendar, discretamente, o uso de seu browser, anunciando que seu funcionamento é ainda melhor no Chrome. Para quem já usa outros navegadores, a mudança não é drástica, pois os serviços foram pensados inicialmente para funcionar bem em todos os browsers.
Lembre-se que o Google anunciou um novo serviço, o Wave, este ano, que pretende misturar programas de escritório, mensagens instantâneas e e-mail numa mesma plataforma. E se o Google Wave só funcionar plenamente no novo Chrome, quem perde? Nós, por não usarmos o novo serviço, ou o Google, por restringir o acesso ao Wave para quem não navega usando o Chrome?
As armas de cada um
GOOGLE
BUSCA / Google - É hegemônica desde 2000, quando implementou seu modelo de negócios a partir de links patrocinados relacionados à busca. Neste ano, passou o Yahoo, seu principal concorrente na época
ESCRITÓRIO / Google Docs - Os softwares são todos online, não é preciso baixar nem salvar arquivos no computador. Apesar de prático, não chegou à massa de usuários da internet acostumada ao “.doc”
E-MAIL / Gmail - É de longe o melhor serviço do mercado, com conversas agrupadas numa só linha e vários recursos adicionais, disponíveis no Gmail Labs. Tem o maior espaço e a melhor integração com widgets
CELULAR / Android - O sistema do Google é aberto e fruto da colaboração de dezenas de empresas da Open Handset Alliance. Muito boa usabilidade e integração com serviços de internet. Chega ao Brasil no fim do ano
MICROSOFT
BUSCA / Bing - O serviço lançado recentemente substituiu o ruim Live Search e vem ganhando usuários pela Europa e Estados Unidos. É realmente bom para organizar informações. Mas ainda está longe do Google
ESCRITÓRIO / Office - O pacote da Microsoft domina o mercado empresarial e doméstico desde a década de 90 e habituou todo mundo com a interface do Word e a terminação “.doc”. Isso não parece próximo de terminar
E-MAIL / Hotmail - Passou por atualizações de recentes de lay-out e integração com a rede social Live. Mas perdeu há anos a liderança para o Gmail, tanto em número de usuários como em inovação e usabilidade
CELULAR / Windows Mobile - Já na versão 6.0, o sistema operacional da Microsoft é o que faz a melhor integração e sincronização com o Windows - e o Windows está em quase todos os computadores.
Saiba mais sobre o Chrome OS:
Chrome, a nuvem, o nomadismo e o futuro sem volta
Chrome OS só vai decolar se usar a estratégia do Windows
Chrome OS e Android? O Google matou a convergência?
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Foto: Ixio™
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Se você também ficou incomodado com a ineficácia dos anúncios da Microsoft com o Seinfeld, veja este anúncio:
Faz parte da mesma campanha (mais detalhes sobre ela nesta matéria do New York Times), que, segundo o Gizmodo, ainda não descartou o Seinfeld da história. Pode ser que agora as coisas comecem a fazer sentido.
Olha, se o cancelamento da campanha publicitária da Microsoft com Jerry Seinfeld não for parte de um plano mirabolante para reinventar o conceito de campanha publicitária (pensa bem, o conceito de marketing viral já é uma espécie de reality show), os dois anúncios concorrem seriamente ao título de piores comerciais da história da televisão, fora a moral de pé fria que a empresa de Bill Gates vai ganhar no mercado.
Hmmm… A campanha é sobre “gente comum”. Mas tem que ampliar ainda mais esse espectro pra sair do nonsense trivial e virar algo mais convincente.
Seinfeld, que vai ser (junto com Michel Gondry), protagonista de uma tentativa de coolinização do Windows, já foi homenageado pela empresa que provavelmente deve ser seu próximo alvo, a de Steve Jobs (a lembrança foi do Merigo). O Mini também falou sobre este assunto num ótimo post em seu Conector.
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