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E esse Zack Snyder não é bobo nem nada: já começou a sair falando por aí que, mesmo que o estúdio esteja no meio de uma grande série com o Batman, ele gostaria de adaptar para o cinema nada menos que O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller. O cara não mira baixo, não… E desde já deixou registrado minha opção para Clint Eastwood viver o papel do velho Batman voltando à ativa - lembrando que, apesar do filme deste ano ter se chamado Batman - The Dark Knight, ele não tem absolutamente nada a ver com The Dark Knight Returns, a série original em que Frank Miller reinventou o Homem-Morcego (tá, tem o papo dos caras imitando o Batman nos primeiros cinco minutos do filme, e só). Tou falando isso porque já ouvi uns carinhas falando que o filme do ano passado era bom, mas não era uma boa adaptação da graphic novel (sorte que não falaram na minha cara, senão eu desmascarava na hora).
Guns’n'Roses, Lost, Astroboy, Paul McCartney, Jornada nas Estrelas, Britney, Tim Burton, 007, Mallu e Camelo, Monty Python, Irmãos Coen, Watchmen, [Rec] ,João Brasil x Cansei de Ser Sexy e SP Noise…
Havia um tempo em que não acontecia nada em meros dez dias. Era suspender as atividades e retorna a elas logo em seguida - e a sensação de que nada havia fugido da rotina era perene. Não é mais o caso - não que eu esteja reclamando (quem sou eu…). Pois veja o que aconteceu nos dez dias em que eu me dei uns bons dias de descanso (entre shows, filmes, vôos, rangos e países):
Pra começar, Chinese Democracy foi oficialmente lançado e o Guns colocou todo o disco para audição no MySpace (o Paul também fez isso, só que num esquema paralelo, com seu disco “eletrônico” do projeto Fireman, que estréia hoje online e é bonzão). E sabe o que é mais estranho? Pra começar, o disco não é propriamente ruim (não o quanto parecia ser) - pelo contrário, parece um disco imaginado, de tão bizarro e improvável. Fora que fez muita gente voltar a ouvir um disco na íntegra, algo que fora da rotina de audição da maioria das pessoas há anos. Prometo que falo mais sobre ele ainda essa semana. E, conforme o prometido, o Dr. Pepper cumpriu seu viral e distribuiu refri de graça nos EUA.
Guns’N'Roses - “Chinese Democracy“
Falando no Sir, Paul também ameaçou lançar a “Carnival of Light”, faixa perdida dos Beatles gravada em 1967, que George Harrison nunca quis lançar por considerar “vanguarda demais”. Será?
Esta, claro, não é a música em si, e sim uma das muitas candidatas a enganar apressadinhos via YouTube. Paul fala mais um pouco sobre a versão de 14 minutos que ele tem da faixa:
“I like it because it’s the Beatles - free!”. Deu pra sacar, né…
Outro disco que apareceu online foi o novo de Britney, Circus, e, olha só, lá vem ela fazendo outro disco bom…
Britney Spears - “Circus“
Tudo bem, é formulaico, mas é pop. As músicas ficam na cabeça depois de ouvidas. Artigo raro neste 2008…
Enquanto isso, alguns boatos indicam que o Coldplay pode acabar ano que vem- e antes que você comemore, imagine o que pode ser a carreira solo de Chris Martin…
E Mallu Magalhães aos poucos explanou seu affair com Marcelo Camelo. Primeiro, colocou um desenho que o hermano fez dos dois em seu MySpace para depois entregar o ouro com a Kátia, declarando-se “loucamente apaixonada” pelo camelão - até deixar-se fotografar com ele, numa noite dessas… E o que não falta é veneno derramado sobre a menina ou sobre o hermano, mas, na boa?, deixa eles… Ou será que ninguém cogitou a possibilidade de isso ser viral pro disco de Mallu que acabou de aparecer nas lojas (brincadeira, hahahah)? Até criaram um Twitter pra menina!
O Monty Python deixou os atravessadores de lado e estreou seu próprio canal no YouTube:
Outro que tem um canal lá é o Bob Dylan. Eu nem sabia, Fred que disse.
E apareceu mais um trailer do Watchmen:
Massa. Aparentemente, o final alternativo bolado para o cinema parece não corromper as cenas originais que Zack Snyder está adaptando. E a cada novidade do filme, Watchmen parece pronto para fazer com o formato filme de super-herói o que a graphic novel original fez com os quadrinhos - transformando-os em um gênero sério. Muitos advogam que isso ocorreu com o quase bilionário Batman deste ano, que, por mais sério que pareça, ainda chafurda na caricatura quando o Batman fala com aquela voz de monstro.
Outro trailer que pintou foi o primeiro do novo Jornada nas Estrelas, do J.J. Abrams:
Pelo ritmo, o cara basicamente transformou o Jornada nas Estrelas num Guerra nas Estrelas, invertendo dois pólos de clássicos da ficção científica. A Wired também gostou.
Falando no JJ, ainda apareceram mais dicas do que pode acontecer na quinta temporada de Lost no clipe novo do Fray (já falei várias vezes - se Lost tem um grande defeito, este é sua breguice).
Além de cenas que entregam todo o final da quarta temporada (já tou desconsiderando o spoilerismo, hein - se você ainda não viu tudo, não merece mais ser preservado do que todos já sabem) e de imagens que já havíamos visto (como o Hurley armado), o clipe ainda traz cenas que mexem com pontos cruciais da série para os fãs - como os sobreviventes da ilha fugindo de algo, Sawyer dando a entender que ficou com Juliet e o logotipo das linhas aéreas Ajira surgindo feito mensagem subliminar lá pelos 3/4 de duração do vídeo.
Enquanto isso, Heroes vai lentamente indo pro saco. E qual foi a reação do criador Tim Kring sobre mexer no próprio seriado? Ele falou que o formato atual de uma audiência que assiste episódios online é mais difícil para quem faz série (será que é por que aumenta o público?), além de sair xingando os próprios fãs do seriado.
E falando em spoilers, vocês viram esses dois contando o final de cem filmes em cinco minutos, né?
Outro trailer que parece legal é o do Astroboy. Mas por que vestiram o menino?
Ainda sobre animação, outro trailer novo é o de Coraline, baseado no quadrinho de Neil Gaiman.
Pelo que deu pra sacar, a história perdeu um tanto do lirismo e doçura do original, muito pela influência do diretor Henry Sellick, o mesmo de O Estranho Mundo de Jack, que está comemorando quinze anos de aniversário esse ano e eu só vi a versão em 3D na semana passada. Um clássico moderno, sem dúvida.
E por falar em revival do final dos anos 80, outro trailer que apareceu foi o de The Wrestler, o novo do Aronofsky, que recauchuta a carreira de Mickey Rourke. Parece bom, mesmo com elogios da crítica cinematográfica.
Falei no Burton e esqueci de comentar, vocês viram a primeira foto de Johnny Depp como o Chapeleiro Louco do novo Alice?
E por falar nos filmes que eu vi nessas minhas férias, o novo 007 é até OK, mas parece um “Bourne na América Latina”, como alguém já disse (embora o Craig ainda esteja longe de parecer o personagem original - mas a Bond girl, a Olga Kurylenko, é gata, dizaê):
O Rock’n'Rolla do Guy Ritchie é melhor que a encomenda (e é o primeiro de uma trilogia - rá!) e o Toby Kebell (que faz o empresário do Joy Division no Control) mata a pau. O espanhol [REC] é cinema montanha-russa, um pequeno Cloverfield ambiente num prédio (tente não ler nada sobre o filme ou seu remake antes de assisti-lo e o faça no cinema, um filme desses em casa é vacilo). Olha as reações do público, pra ter uma idéia do tipo de filme.
É um filmaço pra assistir rindo o tempo todo, enquanto se toma uns sustos bem dos previsíveis - foda-se, cinema, pra mim, é diversão e ponto. Outro que também mata a pau nesse sentido é o novo dos Coen, Queime Depois de Ler (quando é que estréia mesmo no Brasil?), que tem uma grande atuação do Brad Pitt, um cara que só atua bem quando faz papel de mongol.
Teve ainda a versão paulistana do Goiânia Noise Festival, o SP Noise - só consegui ir no segundo dia, quando tiveram shows do Helmet (que só valeu por “Unsung”, Vaselines - que foi massa - e Black Lips - roque!).
Vaselines - “Sex Sux (Amen)”
Helmet - “Unsung”
Black Lips - “Hippie Hippie Hoorah”
No mesmo dia inda teve Duran Duran na Via Funchal - eu até queria ter ido (dá uma sacada nos setlist dos caras e perceba: só HIT). Mas fora isso, o Banco do Brasil comprou a Nossa Caixa e virou o segundo maior banco do país, Michael Jackson virou muçulmano, o parlamento da Rússia aprova ampliação do mandato presidencial para 6 anos, Globo adapta Dom Casmurro, o Vaticano perdoa os Beatles, o casamento de Amy Winehouse chega ao fim, o Pedro Cardoso perdeu a noção e o inferno congela. Tudo rumo a um bom 2012, como previsto.
Fora a volta da lambada, via João Brasil. Foi a vez do mito entortar “Left Behind” a pedido do próprio Adriano, que, sem pestanejar, tascou um “BEST REMIX EVER” em cima do resultado:
E eu curti esse formato de post, creio que vou adotar: em vez de escrever posts rápidos sobre assuntos diferentes, vou juntar vários destes comentários num mesmo texto, às vezes acrescentando informações no decorrer do dia.
Agora voltamos à nossa programação normal.
PS - Cariocas: Gente Bonita no Cine Claro, sábado que vem. Bora lá, hein!
Vi no Hector que o Kevin Smith blogou no MySpace dele sobre ter assistido ao aguardado filme (vou usar até a tradução do popscenester):
Eu vi “Watchmen.” É impressionante pra caralho. O Acordo de Confidencialidade que assinei me impede de falar muito, mas posso soltar o seguinte com completo entusiasmo orgásmico: Snyder e Cia. conseguiram. Lembra da sensação de assistir a “Sin City” na tela grande e ter a cabeça explodida pelo fato de a adaptação ser tão fiel ao material original, tanto em termos de conteúdo como visual? Multiplica por três, e você vai chegar perto do que é assistir a “Watchmen”. Até o Alan Moore pode ser surpreendido por como ficou próximo do álbum. Março ainda está longe demais.
Tá certo que o Kevin Smith é o fanboy encarnado - e não duvide se ele for fãzoca inclusive do Snyder… Mas, como ele disse, março ainda está longe…
Fã é foda
Acredite: o problema são sempre os fãs. Agora eles fizeram uma petição online para exigir que Watchmen tenha três horas de duração, com toda aquela ladainha sobre como o quadrinho é complexo e como doze edições de uma minissérie cheia de camadas e histórias paralelas, etc. Neguinho esquece como isso tem se tornado regra no cinemão americano desde Pulp Fiction. Mas a pergunta procede: vale transformar um filme de super-herói em um quebra-cabeças psicológico? “O Cidadão Kane dos quadrinhos” não é exatamente isso por funcionar no quadrinho?
Sou do tempo em que a adaptação de Watchmen para os cinema era objeto de pura especulação e rumores exagerados. Passando por diretores como Terry Gilliam e Paul Greengrass, a história de Alan Moore e Dave Gibbons ganhava boatos de roteiros infilmáveis, versões com até seis horas de duração e edições com mais de um “volume”, no cinema. Mas ao ser domada por Zack Snyder, fã da série - e não um paraquedista de Hollywood -, o Watchmen no cinema tornou-se um filme palpável e plausível, desde a divulgação de seus primeiros cenários, suas roupas de super-herói e a recriação fidedigna de diversas cenas do quadrinho no primeiro trailer.
Por isso, retomar discussões sobre a natureza não-linear e multifacetada do quadrinho original pode desviar completamente a possibilidade de Watchmen ser um bom filme. Se o novo Batman já causou boa discussão sobre os temas cinema e seriedade (não escrevi sobre Dark Knight, né… Lembrei agora; acho que ainda dá tempo), imagina com quantas pedras virá a crítica séria ao ver que Watchmen se propõe a ser uma obra de arte…
O que nos leva para outra discussão, sobre filmes de super-herói. Estamos assistindo apenas à primeira fase de uma série de filmagens e refilmagens, adaptações e versões para alguns dos principais ícones do século vinte. Não duvide que daqui a uns dez anos - ou menos - outro diretor se dispuser a filmar a história do Batman, do Super-Homem, do Homem-Aranha… E, por que não, refilmar From Hell, Watchmen, V de Vingança…
Mas enquanto isso não chega (e imagina o que pode ser um Watchmen filmado daqui a dez anos - pra começar, em qual plataforma esse filme estrearia? Seria apenas um filme?), tomara que o Watchmen deixe todas suas camadas e densidade paralela para os extras do DVD. Se Snyder se concentrar em filmar a história principal de uma forma convincente e empolgante - a série de assassinatos que, ao mesmo tempo, conta a história do grupo sem nome (Watchmen só batiza a série) de super-heróis que mudam completamente os acontecimentos históricos modernos.
Acho que o fã deveria se contentar em saber se Snyder, como ele prometeu, vai manter o final apoteótico/apocalíptico e se os personagens principais (seis atores) serão fiéis aos quadrinhos. O resto - a história dos Minutemen, o seqüestro dos artistas, o quadrinho dos piratas - pode pesar demais para o espectador de primeira viagem e deixar o filme complicado demais (veja o pobre do Robert Downey Jr., que não entendeu o Batman :P).
Watchmen me parece melhor adaptada se pensada numa escala em médio prazo, a lógica que hoje predomina na TV americana e que, aos poucos, começa a entrar em Hollywood. Cada dois volumes da série podem conter um filme de uma hora e meia e não é difícil pensar seu lançamento como seis filmes lançados no decorrer de um ano - ou uma série especial com um filme de uma hora de duração por semana na televisão. E, aí sim, todas as micro-histórias e pequenos detalhes poderiam ser explorados - não apenas na tela principal, mas também em outras telas.
Uma primeira questão me parece resolvida: há uma trama paralela que é a história do Cargueiro Negro, uma história trágica de piratas em alto mar que é lida por um mero figurante da história, mas cuja história, em quadrinhos, acompanha os desdobramentos da narrativa principal. Num mundo em que super-heróis são reais, quadrinhos sobre eles não fazem tanto sucesso quanto outros gêneros - e Alan Moore cogita quadrinhos de pirata como os principais hits das bancas de jornal. E a história do Cargueiro Negro acompanha a saga de Ozymandias, Comediante, Rorscharch, Dr. Manhattan, Silk Spectre e o Coruja como um contraponto poético proposto por seus atores. Mas uma vez que Watchmen não é mais um quadrinho - e sim um filme -, essa história aconteceria em um gibi? Como vejo, seria uma oportunidade de colocar o leitor como figurante da história, ao “ler” (no caso, assistir) o filme da história paralela ao mesmo tempo em que a história principal se desdobra em série.
Mas ter que inclui-la - e o Cargueiro é apenas uma das histórias paralelas de Watchmen, há várias outras - em um filme que deve ser digerido em uma só sentada é exigir demais do público. Talvez o truque seja esse: fazer com que a audiência se deslumbre com a história central ao mesmo tempo em que se perca nas paralelas, e precise de algumas outras sessões no cinema para digerir tudo melhor. Mas isso é contar com o ovo no rabo da galinha. Watchmen vai fazer sucesso, isso é claro. A questão é se vai atingir além dos fãs ou não. Pregar pro convertido é fácil.
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