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Digitalism – Ismail Tüfekçi fala sobre o bolo no Brasil
fotos e vídeos: URBe

Seguindo o processo de construção da estética digital (assunto abordado na resenha do show do Justice), os alemães do Digitalism mostraram no Scala que, no que depender deles, o futuro será barulhento.

Ah, o barulho e seu poder de catarse… As explosões de graves distorcidos sobre batidas sujas, hora enquadradas no bumbo caixa do house, hora no 4×4 do techno — algumas vezes perigando resvalar no téquinôu, felizmente sem chegar a cometer tal desgosto — fritaram a platéia, transformada numa constante roda de pogo.

Para quem ficou chateado com o recente bolo da dupla nas datas brasileiras (por motivo de doença de um dos integrantes), o vídeo acima traz uma boa notícia.

O Scala é uma casa de pequeno/médio porte, com uma boa estrutura, qualidade de som e bem localizada, capaz de abrigar shows de bandas que, se ainda não são grandes, também já não deveriam estar tocando em qualquer muquifo. O tipo de lugar que falta no Rio, desde que, com todos os seus problemas, o extinto Ballroom deixou de desempenhar esse papel.


Midnight Juggernauts

A abertura da noite ficou por conta do Midnight Juggernauts. O show dos promissores australianos foi assistido por cerca de 50 pessoas, todas longe do palco.

O trio de baixo, bateria e teclados/vocal, pecou pela falta de graves, embora continue sendo interessante ver uma música com pegada eletrônica sendo tocada ao vivo. Apesar da ótima “Into the galaxy” e da bem boa “Road to recovery” (ambas do disco “Dystopia”), ainda falta um bocado para banda se destacar na vastidão de sósias no MySpace.

Digitalism

Quando chegou a vez do Digitalism tocar, a situação na platéia estava completamente diferente, com as pessoas se espremendo para ficar mais perto do palco.

Enquanto Jens “Jence” Moelle se ocupa dos sintetizadores e dos vocais, Ismail “Isi” Tüfekçi cuida da bateria eletrônica, tocada ao vivo, e da interação com o público, em alguns momentos beirando a fanfarronice.

O cenário é simples e eficaz. Dois telões retangulares horizontais ficam no fundo do palco e um terceiro fica a frente da dupla, escondendo o emaranhado de fios. Neles, são projetadas ilustrações minimalistas, combinado verde, branco e preto.

Há um que de Chemical Brothers na apresentação da dupla, não apenas pela disposição dos equipamentos no palco e pelos raios lasers. A menção a estética das raves (anos 90 mesmo, não a tal da new rave) e também uma certa tiração de onda, totalmente do bem, fazem o elo entre os dois de maneira mais forte do que com o Daft Punk, com quem são constantemente comparados.

As versões ao vivo não são muito difrentes do que se ouve no disco. O som alto, como num show de rock, não esconde o apelo pop das canções, apesar deles negarem essa inclinação.

Músicas como “Pogo” e “Anything new” (que voltou no bis) não deixam dúvida do potencial radiofônico da dupla, sem que isso desmereça o resultado final. A mistura é muito bem cozida.

O tech-house de “Digitalism in Cairo” (remix de “Fire in Cairo”, do The Cure), a citação a “Blue monday” em “Idealistic”, o electro-rock de “Pogo” e as linhas de baixo melódicas culminam na desorientação (alô Mauval!) de “Jupiter room”, melhor música do disco e um dos ápices da apresentação.

Pode não chegar a ser a “the biggest party ever” (maior festa de todos os tempos) alardeada em “Home zone” e frase repetida por Ismail diversas vezes durante o show. Mas é divertido pra cacete.

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por: Bruno Natal postado em: Uncategorized tags: , , , , ,

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