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Síndrome de vira-lata

A histeria midiática e política que viria quando a campanha do Burguer King veiculada na Inglaterra se tornasse conhecida por aqui era prevista.

Comentários insandecidos, repletos de ufanismo barato, também. Era esperado até mesmo que a piada da campanha (sem graça e desrespeitosa, sim) fosse descontextualizada ou má interpretada.

Não é novidade. Foi assim com o episódio dos Simpsons passado no Rio ou com a campanha de moda italiana com PMs.

A peça da lanchonete faz referência ao conhecido (lá e cá) caso do inglês Ronald Biggs, que assaltou um trem pagador e fugiu para o Rio, onde viveu em liberdade. Seu filho inclusive integrou a Turma do Balão Mágico.

Impunidade e corrupção no Brasil são fatos, não é invenção. Preste atenção na notícia que estava na capa, publicada ao lado do incidente do hambúrguer.

Agora, uma canelada dessas não dava para prever. Difícil imaginar algo tão gratuito e oportunista quanto essa peça da Ediouro (alô, alô, W/Brasil!).

Em vez de atacar a lanchonete — o que já seria uma besteira — viraram o canhão contra… Londres! Que vergonha.

Pior mesmo é ver meu nome (creditando a foto da matéria) misturado na peça de publicidade. Não coloquei a foto no URBe como manifesto, muito menos um tão baixo quanto esse, apenas como notícia.

Quanto a generalização do título (“para quem mora no Rio nunca passou pela cabeça comprar uma passagem só de ida para Londres”), respondo: pela minha não apenas já passou a idéia, como inclusive já coloquei em prática e adorei. Repetiria a experiência feliz da vida.

Se como diz o ditado “a verdade dói”, em vez de perder tanto tempo combatendo um anúncio bobo desses, bem que os ultrajados poderiam redirecionar essa energia para fazer daqui um lugar melhor.

17 Comentários
por: Bruno Natal postado em: Urbanidades tags: , , , , , ,

17 Comentários

Comentário por Pedro Fernandes
16 de maio de 2009 às 14h28

Ou, simplesmente, para fazer uma campanha melhor. Rebaixar-se ao nível da primeira ofensa, não superando-a de forma inteligente só pode fazer mal à imagem do produto; que dirá da agência.

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Comentário por Jairo Costa
16 de maio de 2009 às 15h02

Nossa, que absurdo!!

O pior é que se eu falar mal dos publicitários estarei alimentando um debate, um círculo vicioso que desde sempre começou de maneira errada…

Puta merda.

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Comentário por Pacha Urbano
16 de maio de 2009 às 15h05

Rapaz, morri de vergonha quando soube desta notícia. Vergonha não do Rio de Janeiro, mas do alarido feito por conta do cartaz. Isto é uma completa falta de humor e uma falsa moralidade desproporcional, ofender-se com algo assim. Afinal de contas, é uma completa verdade! A pessoa geme onde o calo aperta, e enquanto o carioca (e o brasileiro) não parar de se sentir muito especial por viver no “país tropical abençoado por Deus” e deixar de ignorar a quantidade de tragédias, corrupções, descaso, falta de respeito, humilhações e ant-cidadania que acontecem diariamente aqui na terrinha, vamos continuar com este tipo de comportamento patético de se assustar e ficar aborrecido com estas merdinhas.

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Comentário por Fils
16 de maio de 2009 às 15h42

Ok….eh verdade…o Brasil eh cheio de ladrao, nao deixa de ser verdadeiro….mas cai entre nos…..~cada um no seu quadrado~. Cada um que cuide de seus problemas, foi uma propaganda de mal gosto e eh MUITO NATURAL que fiquemos puto, e toda essa repercussao. Comunicacao mal interpretada pode gerar uma guerra. Se fossemos um pais um pouco mais esquentado, uma loja da Burguer King amanheceria com as vidracas quebradas. O caido nessa historia eh o seu nome circulando para la e para ca….

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Comentário por Bruno Natal
16 de maio de 2009 às 15h47

Gosto dessa história de quadrado não…

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Comentário por Fils
16 de maio de 2009 às 15h56

Voce tem todo o direito de nao gostar (do cada um no seu quadrado)…..mas eh aquela coisa, quem fala o que quer – escutar o que nao quer. Na propaganda tem que se tomar muito cuidado com o que pode ser interpretado. Me parece muito com o caso do cara que escreveu: Welcome to Congo. Fui uma piada….. Na verdade, so quero dizer que acho natural o que chamou de histeria midiatica, e nao vejo, apesar de termos a sindrome do vira-lata, nesse caso. Por outro lado o Brasil que trabalhe para melhorar a imagem e seus problemas e o Burger King que assuma os riscos de fazer trocadilhos perigosos.

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Comentário por Fils
16 de maio de 2009 às 15h57

Voce tem todo o direito de nao gostar (do cada um no seu quadrado)…..mas eh aquela coisa, quem fala o que quer – escutar o que nao quer. Na propaganda tem que se tomar muito cuidado com o que pode ser interpretado. Me parece muito com o caso do cara que escreveu: Welcome to Congo. Foi uma piada tbm….. Na verdade, so quero dizer que acho natural o que chamou de histeria midiatica, e nao vejo, apesar de termos a sindrome do vira-lata, nesse caso. Por outro lado o Brasil que trabalhe para melhorar a imagem e seus problemas e o Burger King que assuma os riscos de fazer trocadilhos perigosos.

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Comentário por Luis Marcelo Mendes
16 de maio de 2009 às 18h26

Curiosamente eu não gostei mesmo foi do pensamento tortuoso do anúncio. É aquela coisa: o cara até que teve uma boa idéia, a rigor, mas deve ter faltado tempo, talento ou ambos para desenvolver.

A idéia de que eu vou oferecer algo tão barato que parece que você está me passando a perna não é ruim. Está no mesmo plano de ligar pro Dominos no domingo a noite quando está começando a cair a tempestade para comer pizza de graça.

Mas o texto final da peça exige uma volta mental pra chegar lá. Uma bobagem local, até porque existem outras ações de comunicação do Burger King que são excelentes como o filme de pessoas em partes remotas do mundo que nunca comeram hamburgeres americanos testanto o sabor do Whooper e do Big Mac para dizer qual eles acham mais gostoso ou ainda o da galinha subserviente – o maior case de viral até hoje.

Do ponto de vista patriótico isso é uma bobagem sem tamanho (imagine se os italianos entrassem em polvorosa cada vez que alguém fizesse uma brincadeira com máfia). Do ponto de vista de comunicação é apenas uma peça ruim. E o que não falta no mundo é propaganda ruim. Veja o caso da Ediouro.

PS: Ediouro amando e respeitando o Rio de Janeiro? WTF???

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Comentário por Bruno Natal
16 de maio de 2009 às 19h05

Boa, Luis!

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Comentário por Sonia
16 de maio de 2009 às 19h26

A informação é sem dúvida interessante. Uma provocação? Sim, mas só. Devemos refletir porque permanece esta e outras representações negativas do país.
Curioso que notícias mais sérias, como os escândalos de mau uso do dinheiro público, não repercutem tanto ou são abafadas.

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Comentário por shpes
16 de maio de 2009 às 19h41

a única coisa que a ediouro conseguiu com o anúncio foi roubar do burger king o prêmio de pior propagada do ano. deprimente.

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Comentário por Christiano
16 de maio de 2009 às 19h58

O oportunismo publicitário inglês (de mal gosto ou não) se pagou por outro da Ediouro, na carona do patético moralismo de folhetim que vigora hoje em dia.

Fica-se a questão: o problema não seriam os publicitários? (desculpa, Bruno, mas não resisti) :-)

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Comentário por Daniel Lopes
17 de maio de 2009 às 16h20

fala bruno, td certo?
queria lembrar uma coisa: qtos filmes hollywoodianos ja fizeram esta mesma associaçao com o Rio? outro dia passou no telecine “Como eliminar seu chefe”, dos primordios dos 80, e essa ideia de fuga pro Rio ja estava la… essa onda de “histeria midiática” é que é nova. Uma tremenda bobagem realmente.
abs

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Comentário por Tranquera
17 de maio de 2009 às 17h19

Que fita, hein…

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Comentário por duda
17 de maio de 2009 às 19h16

trash food, trash propaganda !!!
Ovomaltine ou guaraná ??? :-))))

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Comentário por renato
17 de maio de 2009 às 22h12

quanta besteira !

brasileiro tem mania de não tolerar nenhum tipo de ironia dessas. pelamordedeus, é só uma piada… que vício da mídia em repercutir esse tipo de coisas, que tolice não tolerá-la…

o anúncio da Ediouro é uma mistura de “ufanismo gratuito” e sede publicitária. ambos sentimentos desnessários.

sou publicitário e tenho certeza que quem vê esse tipo de anúncio e tem um mínimo de compreensão e visão de sociedade acha uma reação boba, chinfrim. poderiamos passar sem essa

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