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Cinema no shopping


foto: Alexandre Ermel/divulgação

Com o preço do ingresso do jeito que está (principalmente pra quem não tem carteirinha falsificada), fica cada vez mais raro uma ida ao cinema. Por isso, perambulando pela lojinha antes da sessão começar, lamentei em voz alta que não queria ter gasto tanto dinheiro para ver “Se Beber, Não Case”.

Nada contra esse tipo de filme, gosto de vários deles — tanto é que estava disposto a assistir mais esse. Só que não se pode dizer que vá ganhar muito na tela grande. Dá pra ver em DVD tranquilamente.

Ao perceber minha frustração, o vendedor sugeriu assistir “À Deriva”, também em cartaz. Felizmente foi possível trocar os ingressos. E valeu muito a pena.

Com uma fotografia linda, o filme do Heitor Dhalia sucede na complicada missão de contar uma história delicada, porém cuja trama pode ser resumida num parágrafo.

A dificuldade é dribalada com ótimas atuações, incluindo da estreiante Laura Neiva, descoberta via Orkut, no papel de uma menina observando o casamento dos pais ruir enquanto enfrenta as angústias da adolescência.

A sala estava lotada, servindo de amostra para o encontro de um filme sem grande apelo comercial com o público do shopping, fundamental para o sucesso nas bilheterias. Se essa fatia do mercado não abraçar o filme, pode esquecer

A certa altura [o que vem a seguir não revela nenhum detalhe crucial], o pai a filha e algumas amigas da história estão passeando de lancha quando o motor quebra e eles ficam à espera de socorro. A cena toda dura, talvez, dois minutos.

Uma senhora comenta, em voz alta: “ah, por isso que o filme se chama à deriva”.

4 Comentários
por: Bruno Natal postado em: Urbanidades tags: , ,

4 Comentários

Comentário por rafael salim
24 de agosto de 2009 às 15h28

as-senhoras-que-comentam são o que mais valem a pena nessas seções. o filme é bacana mesmo, mas tenho minhas ressalvas.

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Comentário por Felipe
25 de agosto de 2009 às 18h04

Bela observação da senhora. Estou esperando o filme chegar as telonas do interior mineiro.

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Comentário por Arnaldo
25 de agosto de 2009 às 19h17

A velha tem razão: a metáfora é pobre, não é?

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Comentário por lettuce
26 de agosto de 2009 às 20h10

é terrível ir ao cinema em shopping. e eu não consigo ficar calada, faço BARRACO.
ir ao teatro domingo tb é barra. a van das velhinhas vai como? lotada! e todas se cutucam, comentando: “ele ainda gosta dela” e coisas do gênero. NÃO AGUENTO.

gostei bem do filme, fotografia deslumbrante mesmo, mas não curti tanto a atriz principal, dá pra ver a falta de naturalidade na primeira fala logo. legal acharem a menina no orkut, mas tante gente bor por aí estudando teatro e NADA.

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