4 de janeiro de 2012 às 1h16
“Pop moderno” e a maldição das sirenes
Faltando dois dias para o final do ano, lá fui eu dividir os toca-discos com o Bori em uma última festa. A missão era arriscada: tocar por duas horas numa boate em Búzios, na boca da Rua das Pedras, em plena férias de verão.
Pode ser difícil agradar um público tão heterogêneo (ou nem tanto, bastava hip hop farofinha, como descobri depois), porém é também uma chance de tocar umas boas músicas pop que o público de muita festa não permite.
Certamente, seria o mais perto que chegaria da atmosfera de Ibiza. Nos parênteses após nossos nomes lia-se “pop moderno”, indicando problemas. O DJ que tocava antes se dividia entre os CD-Js, iPad e controle do Wii. Enquanto nos ajeitávamos para começar, um assistente pedia “vamos lá, DJs, dancem aê”. Complicado. E piora.
Tentando lentamente fazer a transição do poperô para algo mais legal, passei por “Sou Foda” vs. “One More Time”, The xx vs MC Fl (“Basic Amante”) e Lil Jon vs Mr. Catra (“Machuka”). Veio recado pra tocar “mais pop”. Hmmm… Bom, vai ver era algo macio, pra fazer pista, então lá foram Fligh Facilities (“Crave You”), Phonique (“You That I’m With”), Black Joy (“Djomani”), The Rapture (“How Deep Is You Love”)… Nada pegava.
Com pouco mais de meia-hora de set, veio o pedido pra encerrar e deixar o DJ da casa pilotar. Totalmente deslocados, fomos ejetados (Bori nem tocou). A gritaria de felicidade que veio da pista assim que o DJ substituiu músicas marcadas pelo grave pela gritação de sirene e agudos das “músicas de pista” da atualidade só demonstra o quanto o processo de DavidGuettatização da música eletrônica atual está avançado.
Tem volta não, parece. Até o Justice entrou nessa. Tá na hora de uma campanha pelo retorno da chapação.
8 Comentários




Documentarista, jornalista, carioca, boto som mas não sou DJ e provavelmente passo tempo demais online.















4 de janeiro de 2012 às 1h59
Cheiro de fritura no ar
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4 de janeiro de 2012 às 9h27
E que missão arriscada, Bruno. Eu já passei por situações como a sua tocando em festas semelhantes e realmente não é fácil. Pelo menos vc tentou trazer algo que foge da mesmice dos dias de hj.
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4 de janeiro de 2012 às 19h28
bpf tá aí pra isso.
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5 de janeiro de 2012 às 23h18
Buzios nessa época do ano é uma espécie de convençao anual de fãs do David Guetta.
O cache deve ter sido muito bom para voce ter cogitado discotecar por aquelas bandas.
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9 de janeiro de 2012 às 10h22
Missão Impossível essa daí ..
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Pingback por Da David Guetização do mundo | URBe
31 de janeiro de 2012 às 13h03
[...] um capítulo da David Guetização do [...]
1 de fevereiro de 2012 às 11h47
Bruno, quando você diz que até o Justice entrou nessa você se refere ao último álbum dos caras? Fiquei curioso (sem ironias!).
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1 de fevereiro de 2012 às 13h55
Sim, exatamente isso. Tô devendo a resenha desse disco ainda.
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