A comoção causada pela vinda do Jonathan Richman ao Brasil entre blogues que leio com frequência me fez correr atrás do trabalho do líder do Modern Lovers. A belezura “23 Great Recordings”faz bem o trabalho de apresentação.
Pra simplificar, reproduzo o resumo que o Lúcio fez da carreira do Jonathan:
“O primeiro e único disco do Modern Lovers, de Richman, tem algumas das músicas mais incríveis que eu ouvi na vida. A banda era uma versão underground do Velvet Underground no rock lo-fi americano do final dos 60, começo dos 70, o chamado proto punk. Genialidades à parte, sempre fui mais Richman que Lou Reed. Mas isso é coisa pessoal. Quando os Modern Lovers acabaram, um foi pro Talking Heads, outro para o grupo The Cars, outro parou com a música, outro era Jonathan Richman, fundador, cantor, guitarrista.
“Jonathan Richman, para ficar em seu ato mais, digamos, famoso, compôs parte da trilha sonora e inclusive é visto atuando no espertíssimo filme “Quem Quer Ficar com Mary” (Cameron Diaz, Matt Dillon e Ben Stiller, dos irmãos Farrelly, 1998). Ele era o “narrador” do filme e ficava aparecendo de canto, com seu violão, em várias cenas, tipo atrás de um carro, tocando em cima de árvore.
“Tirando esse momento isolado Hollywood-mainstream, Jonathan Richman sempre viveu no andar de baixo da música trivial. Mas colecionou fãs declarados tipo Lou Reed, Brian Eno, Joey Ramone, David Bowie, Elvis Costello, o Clash e os Sex Pistols todos.”
Os shows do Jonathan Richman no Brasil acontecem em abril, no Circo Voador (Rio) e no Studio SP (São Paulo). Quem estiver na área não deve perder.
Desde que Kurt Cobain surgiu num VMA da MTV com uma camiseta estampada com a capa de um dos seus discos, o nome de Daniel Johnston e sua história tornaram-se mundialmente conhecidos, mesmo que reduzido a um artista-com-distúrbio-mental-compõe-lindas-canções.
Apesar de chamativa, a definição preguiçosa nunca foi motivo suficiente para se aprofundar no som. A qualidade das gravações, a maior parte caseiras, também não eram exatamente um grande atrativo.
Todas essas resistências se dissolveram após finalmente assistir “The Devil and Daniel Johnston”.
Ao apresentar de maneira cuidadosa detalhes da trajetória tortuosa e sombria do compositor, o documentário de Jeff Feuerzeig revela outra dimensão das letras e músicas de Johnston, mostrando como sua genialidade tumultuou vidas por onde passou.
O filme faz ótimo uso do material de arquivo gerado pelo próprio Johnston, principalmente fitas cassete com gravações de seus pensamentos as broncas da mãe e imagens em super-8, com curtas e registros documentais do seu dia-a-dia.
Há diversas imagens de cobertura filmadas para ilustrar histórias contadas no filme. A citação a “2001″ na sequência do parque de diversões sobre a barraquinha de comida que ele trabalhava, que Johnston comparava a uma nave espacial, é especialmente boa.
Em menos de duas horas, as gravações mal acabadas e as letras piradas e doídas sobre desencontros, busca da felicidade e aceitação passam a fazer sentido.
Abaixo, o clipe de “I Had Lost My Mind”, retirado do filme:
Buscando alguma coisa além de “Horchata” do “Contra”, segundo disco do Vampire Weekend que sai em 2010, encontrei essa versão que eles fizeram para “Everywhere”, do Fleetwood Mac.
Ao que parece, devo ser o único cidadão que não havia escutado “Balança Mas Não Pára”, que serviu até de trilha pro Van Damme dançar funk.
Ainda não descobri o ano de lançamento, talvez estivesse morando fora quando estourou. Só isso explicaria mesmo, porque sendo antiga, isso deve ter tomado conta de algum verão. Deve ter sido difícil passar batido.
Procurando pela rede encontra-se dois títulos: “Balança Mas Não Pára” e “Balança MAIS Não Pára”. Torço para o segundo, esse pedido desesperado, ser o correto.
Pelo que o Sany Pitbull contou, o MC Buiu, autor da faixa, morreu num acidente no começo do ano. Uma pena.
Mesmo já tendo tido uma passagem vencedora pelas Batalhas de MC aqui no Rio, o rapper Emicida (ou E.M.I.C.I.D.A. - Enquanto Minha Imaginação Compuser Insanidades Domino a Arte) tinha passado batido pelo URBe.
Com seu nome circulando ainda mais após ser indicado ao VMB 2009 na categoria de Rap, a mixtape “Pra Quem Já Mordeu Um Cachorro Por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe”, com capa feita a mão e vendida a R$2 nos shows, tornou-se facilmente encontrável online.
Bases e rimas no talo, Emicida está fazendo algo bem complicado: transformando gírias paulistas que são motivo de zoação em outros Estados (zoação é paulistês?) em algo legal (como utilizar o “memo” no lugar de “mesmo”, adeus aos plurais, etc), distanciando-as do imaginário “maloqueiro” e facilitando a assimilação do sotaque.
Outro detalhe que parece óbvio, porém não tão óbvio ao ponto de ter se tornado regra obrigatória no hip hop nacional, é a boa dicção, tornando as letras comprensíveis de primeira. A quantidade de rapper com boa letra que fica pelo caminho por não saber se fazer entender é grande.
Os Racionais passaram longe de fazer essa ponte. O Kamau tinha potencial para isso mas não é tão pop quanto o Emicida,o Sabotage morreu antes da hora. O elemento pop é sempre um facilitador, vide dois dos maiores sucessos comerciais do hip hop nacional, Marcelo D2 e Gabriel O Pensador, terem também um sotaque carioca pesado.
Isso aqui não é mais um capítulo da eternamente boba disputa Rio x SP. Não canso de repetir que acho isso ridículo, embora seja dolorido ver minha própria cidade perder importância e os shows rarearem.
O fato é que São Paulo vem dominando o país há mais de uma década, não apenas economicamente como manda a tradição, mas também culturalmente, uma vez que uma coisa anda atrelada a outra.
O Emicida aprendeu a lição com seus antecessores e vai construindo uma alternativa interessante.
Dirigido por Roman Coppola em 2002, o clipe de “Funky Squaredance”, do Phoenix, realiza algo que todo diretor sempre diz que vai fazer e acaba nunca fazendo: um clipe (ou um filme) que em vez de ter sua idéia executada, limita-se a explicar o que seria essa idéia.
A brincadeira de 9 minutos de duração foi adicionada ao acervo do MoMA, em Nova York.
O fato de uma das metades Postal Service carregar a credencial de produtor do Death Cab for Cutie certamente não ajudou a aumentar a minha curiosidade em ouvir a banda, que conhecia só de nome. Depois de ouvir a boa programação de “The District Sleeps Alone Tonight” até fiquei curioso.
A única que conhecia era “Such Great Heights”, que até passa, mas não é exatamente boa. Dicas? Por enquanto achei alguns remixes e um mashup:
The Flaming Lips - “Do You Realize” (Postal Service Remix)
Kid Cudi vs The Postal Service - “Man On the Moon”
Feist - “Mushaboom” (Postal Service Mix)
Antes do barulho causado por “The Reminder” e músicas como “My moon my man” e “1234″, Feist fez um disco calmo, misturando indie, chanson, bossa nova, chamado “Let It Die”. Metade do disco são parcerias com Gonzales, a outra metade são versões de outros autores.
Algumas das músicas foram originalmente gravadas em 2001, para um EP, ganhando novas versões em 2004 (após sua passagem pelo Broken Social Scene), quando finalmente foram lançadas no disco que marcou o nome de Feist na cena, merecidamente.
Cinco anos depois, tá aqui. Antes tarde do que nunca.
“Nightvision”, Daft Punk, em trecho da animação ““Interstella 5555″
Faz um tempo que estava querendo começar essa sessão, só pra falar de coisas que foram lançadas recentemente ou há bastante tempo mas que não ouvi imediatamente. Um freio nessa corrida novidadeira, onde muita coisa legal acaba pasasando batida e fica pra trás.
Pra começar, “Nightvision: (The Twelves cover), versão disco que o The Twelves fez para a música do disco “Discovery”, do Daft Punk.
A faixa original é bem climática, quase sem batidas, apenas uma pulsação. O teclado implora pra ser sampleado e o The Twelves acertou em cheio na releitura.
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