20 de agosto de 2008 às 17h20
Chegando
Moptop, “Aonde quer chegar?”
O Moptop chega ao temido segundo disco, aquele que pode definir o destino de uma banda, tido por muitos como a obra que confirma todas as especulações, para o bem e para o mal.
O URBe conversou com Gabriel Marques, vocalista e letrista da banda, para saber como a banda está encarando esse momento de transição.
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Do título (“Como se comportar”), ao nome da música que abre o disco (“Aonde quer chegar?”), passando pela letras (“Olho para frente / não sei bem porque / prossigo nesse longo caminhar”, de “Bonanza”), um assunto parece recorrente, quase um recado: a afirmação de se fazer as coisas o jeito de vocês, sem abrir concessões, independente disso possivelmente reverter em menos exposição pela banda. É isso mesmo?
Gabriel Marques – Não sei se é um recado, mas certamente é um desabafo em alguns momentos. A letra de “Aonde quer Chegar?” foi escrita de madrugada mesmo, eu me questionando sobre a nossa situação como banda e os nossos atuais objetivos. Acho que “Desapego” e “Bonanza” também abordam o tema de maneira metafórica. Estamos tentando ser artisticamente relevantes dentro de um mercado atualmente um pouco avesso à ousadias musicais.
Como foi essa rápida transição de banda independente para ter o primeiro disco lançado por uma multi-nacional? Quais eram as expectativas e quais foram os resultados reais?
Gabriel Marques – O balanço é altamente positivo. Gravamos o primeiro (e o segundo) disco com o produtor que queríamos e tivemos um apoio significativo para divulgar o trabalho na imprensa, rádio e TV. Isso tudo, sem qualquer interferência artística da parte da Universal. Obviamente, gostaríamos de ter alcançado uma projeção maior, mas vejo isso mais como um problema de mercado do que uma falta de empenho da gravadora.
Vocês estão no segundo disco, numa gravadora grande. Em outros tempos isso seria sinônimo de fama e fortuna. Já deu pra largar os empregos “formais”? Será que ainda dá pra viver de banda de rock hoje em dia?
Gabriel Marques – Estamos vivendo em função do Moptop há algum tempo. Não estamos ricos, mas estamos pagando as contas. E isso é o que importa (pelo menos no momento). Na nossa cabeça, a experiência de vida que estamos ganhando vale muito mais do que fama e fortuna. De certa maneira, essa desvalorização do artista é positiva. Quem se dedica à musica hoje em dia, faz isso incondicionalmente, por amor à sua arte.
Esse disco soa diferente do anterior, mais calmo e introspectivo, ao mesmo tempo que a sonoridade está mais acessível, com menos referências indies, um rock ‘n’ roll mais cru. Concorda? O que vocês andaram ouvindo na época que estavam compondo o álbum?
Gabriel Marques – Acho que sim, mas confesso que ainda não consegui fazer uma leitura muita definida do álbum. Ainda estou tentando “entender” o que fizemos. Considero o disco mais completo que o anterior, com mais profundidade e uma prazo de validade maior. Quanto mais eu escuto, mais eu gosto. Escutamos muito Ennio Morricone mas tirando ele buscamos solucionar os arranjos internamente como banda mesmo.
Você acha que essa sonoridade pode se refletir em uma maior exposição pra banda?
Gabriel Marques – Não sei. Acho que o disco realmente tem uns quatro, cinco singles muito fortes. E vivemos na era dos singles. Vamos ver o que acontece…
Duas das músicas do novo disco já eram conhecidas de quem acompanha a banda: “Adeus” estava na demo “Moonrock” e “História pra contar”, que antes era inglês e você dizia que não conseguia botar fazer uma letra em português para ela. Como músicas tão antigas acabaram entrando no segundo disco?
Gabriel Marques – “Adeus” não estava nos planos. Em uma das etapas da pré-produção do disco fizemos uma sessão na toca do bandido com o Tomás Magno. Veio dele a sugestão de a incluir no disco. Mudamos o arranjo e a musica ficou bem diferente da demo. Confesso que tinha minhas dúvidas sobre a inclusão da faixa mas a resposta dos fãs (que a adoram) me tranqüilizou. “História pra contar” quase não entra. A letra ficou pronta aos 45 do segundo tempo. No começo achamos estranho mas em alguns ensaios vimos que a musica até cresceu em português.
Por falar em letras, as músicas novas também têm versões em inglês? Ainda faz parte dos planos do Moptop tentar cavar m espaço no exterior?
Gabriel Marques – Algumas sim. De vez em quando falamos sobre isso, mas teríamos que fazer um esforço conjunto para buscar esse espaço lá fora. E agora estamos focados no Brasil. Quem sabe ano que vem…














Documentarista, jornalista, carioca, boto som mas não sou DJ e provavelmente passo tempo demais online.














