OEsquema

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PS1

Pense na Fundicao Progresso. Agora imagine que antes de ser apenas um descuidado espaco para eventos, ela fosse um museu de arte contemporanea respeitado, onde todos os sabados do verao houvesse uma festa com djs como Mad Professor ou shows de bandas como o Scissor Sisters. Dificil? Pois eh exatamente isso que acontece ha alguns anos no PS1.

Situado no Queens, NY, ao lado de um conjunto de predios que abriga uma das maiores exposicoes de grafite ao ar livre do mundo, o PS1 (www.ps1.org/exhibits/exhibit.php?iExhibitID=7) eh o museu que esta abrigando temporariamente o acervo do MoMA, enquanto dura a reforma da sede da 5a Avenida.

A Warm Up reune musica e arte no patio a ceu aberto do museu. A cada edicao um artista plastico eh convidado a realizar uma instalacao que tambem sirva de cenario para festa. Esse ano o espaco foi desenvolvido pelo nArchitects e eh todo feito de bambu, criando varios espacos dentro da mesma festa. Tem praia artificial, piscinas e ate uma floresta enfumacada. As outras exposicoes — menos o acervo do MoMA — tambem podem ser visitadas.

Com o final do verao norte-americano se aproximando, a festa se prepara para a despedida. No ultimo sabado, Tim “Love” Lee fez um set de breaks impecavel, misturando o estilo com varios outros generos, do house ao reggae. O melhor da Warm Up eh que ela comeca bem cedo, as 16h e vai ate as 21h, deixando bastante tempo para outras programacoes.

O lugar nao podia ser mais familia: sexagenarios se misturavam a jovens e aos muitos casais com bebes no colo. Todos juntos na pista, ouvindo o mesmo som e se divertindo. Como tem que ser.

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A instigação do Mr. Niterói

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Quem já ouviu Gustavo Black Alien conversando sabe que o rapper não sossega nem quando está de papo. Dedicado à sua arte 100% do tempo, ele rima até quando fala sobre seu dia. Com a cabeça trabalhando nesse ritmo, nada mais natural que Black Alien lançasse um álbum solo.

No entanto, apesar de muito aguardado, esse disco demorou quase dez anos pra nascer. Depois de passar pelo Planet Hemp, de diversas participações em trabalhos dos outros (Raimundos, Herbert Vianna, Marcelinho da Lua, Sabotage), da parceria com Speed, do Reggae B, das canjas em shows de sabe-se lá quantos artistas e sempre cercado de gente, Black Alien finalmente aparece sozinho em “Babylon by Gus Vol. 1 – O ano do macaco”.

Para marcar a estréia solo, no disco não há outra voz além da de Gustavo. Isso não o torna de maneira nenhuma monótono. As muitas facetas de Black Alien — MC, raggaman, cantor — são mais do que suficientes pra dar conta do recado.

Convidados, só na parte musical, e ainda assim em poucas faixas. Rhossi (programação), o paralama Bi Ribeiro e Pupilo da Nação Zumbi participam em “América 21″, o trombonista Bidu Cordeiro em “From Hell do Céu” e o guitarrista Rafael Crespo (Planet Hemp) toca em “U-Informe”.

Produzido por Alexandre Basa (Instituto, Mamelo Sound System), “Babylon by Gus…” é um disco à altura das expectativas em torno do seu lançamento. Cada música tem personalidade própria, sem nunca perder o senso de unidade com o resto das faixas. As muitas influências — escancaradas na lista de agradecimentos repleta de nomes como Eek-A-Mouse, Roots Manuva, Sizzla ou Gangstarr — transparecem na produção.

Um nome que não está nessa lista, mas bem poderia estar, é o de DJ Shadow; o timbre oriental de “Mr. Niterói” não deixa mentir. O funk carioca e o dancehall dão as caras na letra cheia de sacanagem e na batida de “Perícia da delícia” e o piano à italiana da faixa-título entrega a paixão de Black Alien pelos filmes “Scarface” e o “Selvagem da motocicleta”. A matadora “Caminhos do destino”, melhor do disco, é tão boa que, dizem, só não foi a primeira música de trabalho porque seria uma escolha óbvia demais.

Não deixe os refrões ganchudos te distraírem, as letras e mensagens contudentes merecem igual atenção. Em “U-Informe”, par-perfeito para “Tribunal de rua” do Rappa, Black Alien descreve uma dura policial tão torta quanto são, lamentavelmente, corriqueiras.

Segundo o calendário chinês, 2004 é o ano do macaco, ano de sorte para os doidões e para as mentes criativas. Se o Vol. 1 do título for mesmo um indicativo de quem vem mais discos pela frente e os próximos mantiverem o nível desse, todo ano vai ser o ano do macaco.

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“Fique tranqüilo, brother”

Terceira terça do Sound System Attack e o Ballroom continua vazio. À exemplo do que aconteceu na noite dedicada ao hip hop, os artistas que tanto gostam de citar o dub como referência e o povo que acha bacana dizer que gosta do gênero não deu as caras. Umas 40 pessoas foram conferir o set do Yellow P, o mesmo dj que na última sexta arrastou 500 pessoas para a festa semanal Dub Fuego (ex-Susi in dub), no Juke Joint, em São Paulo.

Claro que o famoso “horário Ballroom” não ajuda. O Digital Dubs, primeira atração da noite, só entrou quase 1 da manhã. Um evento começar uma hora dessas em plena terça-feira não pode estar mesmo querendo atrair muita gente.

Acompanhado pelos MCs Christopher Lover e Massa Rock, Yellow P chapou o público com pedradas do quilate de “Murderer” (Barrington Levy) ou “King Tubby meet Rockers Uptown” (Augustus Pablo). Lover fazia questão de avisar, “é chique”. E é mesmo. Os três, mais um baixista, um baterista e um percussionista também fazem parte da banda Rockers Control.

Finalizando a noite, John Woo, do Apavoramento, entrou tirando uma certa onda. Abriu com um sample vocal das antigas falando sobre o Rio e, antes de soltar o primeiro break, ainda fez gracinhas com o scratch. Mais pra frente, o DJ Castro assumiu um terceiro toca-discos.

Terça que vem é a última chance de conferir o evento, com Reggae B, Dubom (banda do Marcelinho da Lua) e Grave!. Antes de terminar seu set, Yellow P deixou um recado pra quem perdeu: “Toda vez que a gente vier ao Rio, podem ter 10, 50 ou 300 pessoas, o bicho vai pegar”. Tá avisado.

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hip hop x dub

Encerrando a mini-temporada do Digital Dubs na Matriz, ontem foi a vez do Quinto Andar fazer sua participação. Ao invés da tradicional trupe, o grupo se apresentou em versão reduzida; apenas Shawlin, De Leve, o trompetista Pedro e o DJ Castro.

Antes e depois do show, Nelson Meirelles e MPC mandaram ver num set com músicas como “Happiness”, do Black Uhuru (em versão produzida por Gussie P.), “Baby I love you so”, do Jacob Miller e “Liberation dub”, do Groove Corporation. O DJ Castro também botou som antes de tocar com o Quinto Andar, abrindo o set com a bambástica “Bam bam”, da Sister Nancy.

A exemplo do Echo SS, o destaque do show foi mesmo o instrumental. Até porque na Matriz o som na ajuda e, quem não conhecia as letras de “Largado” ou “Babilônia Teima”, continuou sem conhecer. As bases estão bem chapadas, com graves pesadões escancarado as sutis inclinações jamaicanas do grupo, principalmente em direção ao nu roots e ao dancehall. Em algumas músicas, as bases eram de discos de reggae mesmo, como o riddim “Stalag” (o mesmo de “Bam Bam”).

A pista balançou a noite inteira, o que leva a pergunta: quando teremos uma noite semanal dedicada aos ritmos jamaicanos na cidade!? Tá cheio de dj bacana pra tocar e — a julgar pela quantidade de gente presente nos eventos da maratona regueira dessa semana — tem público também.

O Quinto Andar promete disco para outubro, dizem por aí que sai pela OutraCoisa, do Lobão. Segundo De Leve, no repertório estão incluídos dois funk, dois raggas e até um dub. Deve vir coisa boa.
Posted by bnatal at 04:54 PM | Comments

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A revanche

Depois do set esquisito antes do show do Massive Attack em São Paulo, o DJ Pedrinho Dubstrong teria que se esforçar muito para fazer valer o apelido. Ontem, com o seu Echo Sound System, foi o dia de ir à forra.

Pela primeira vez no Rio, lançando o compacto “Todos um” (ST2 Records), Dubstrong honrou o nome logo no começo da noite. Antes da apresentação do Echo SS, ele fez um bom set de dub dos anos 80 pra não deixar dúvidas quanto suas predileções.

Dubstrong é muito mais um dj de hip hop que gosta (muito) de dub do que o contrário. Isso explica sua preferência por produções de gente como Scientist (ex-”estagiário” do King Tubby) ou Bullwackie, com baterias secas, linhas de baixo repetitivas e os primeiros efeitos eletrônicos. A coleção de clássicos dos anos 70 exibida no seu fotolog, segundo ele, são mais para ouvir em casa ou tocar em festas específicas de reggae.

A sonoridade do Echo SS, no entanto, é mais eclética, indo do rocksteady ao hip hop, passando pelo dub e pelo ragga. Além de Pedrinho, a formação original conta ainda com Gustavo Veiga (do grupo Veiga & Salazar), Pyroman (ex-MC do grupo frances Assassin) e Gustavo Sola. Os MCs Jimmy Luv e Funk Buia passeiam pelas bases criadas pelo grupo, misturando trechos de vinis com programações próprias. Apesar da competência dos vocais, o destaque são mesmo os momentos mais chapadões.

Numa semana em que o dub está dominando a cidade (hoje ainda tem Digital Dubs na Matriz e amanhã tem Reggae B no Circo Voador), a volta pra casa não podia ser melhor. As 2h da manhã, na Transamérica (na Transamérica!), tocou uma versão da Kris Kelly para “Uptown top rankin’”, da dupla Althea & Donna, música atualmente estouradaça na Jamaica. Sintomático.
Posted by bnatal at 05:36 PM | Comments (11)

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Colaboração

Nessa sexta-feira estréia Farenheit 9/11, o novo filme de Michael Moore. Enquanto isso, Antonio Engelke manda a letra sobre os métodos de guerrilha do cineasta.

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O suburbano do Kentucky

Os críticos brasileiros torcem o nariz para Michael Moore. Em geral, o resumo dos artigos sobre ele é o seguinte: respeita-se o sucesso de seus filmes, mete-se o pau em seu método. Acusam-no de panfletário, fanfarrão, manipulador e superficial — com alguma razão, aliás. Mas os críticos se esquecem de que o público-alvo de seus documentários não é a elite brasileira ou européia: é o americano médio. E o americano médio não prima pela inteligência.

Michael Moore é panfletário, fanfarrão, manipulador e superficial — e também dono do humor mais corrosivo e certeiro da atualidade — porque sabe que só assim vai conseguir colar sua mensagem na “América”. É só isto que lhe importa. Moore não tem um compromisso com o cinema, ou maiores preocupações artísticas. Ele é um “cineasta de ação”, um idealista megalomaníaco e puro (mas não ingênuo). Acredita realmente que seus filmes possam ter impacto social. Ou pelo menos alguma influência nas intenções de voto do eleitorado norte-americano, o que não é pouca coisa.

E daí que ele é o rei da auto-promoção? Num país que prioriza a imagem em detrimento do conteúdo e onde quem não comanda o show business é engolido por ele, adotar uma postura de popstar não me soa uma questão de escolha, e sim de necessidade profissional. É preciso mais do que um bom roteiro para tirar de casa um sujeito que mora no subúrbio do Kentucky e levá-lo ao cinema para ver um filme que não seja blockbuster. Moore sabe disso. Suas aparições na mídia, e o bafafá que se arma ao entorno delas, cumprem a difícil tarefa de levar este sujeito não apenas ao cinema, mas ao cinema para assistir a um documentário que pretende analisar as patologias sociais e políticas de seu país. Além do mais, é justo que Michael Moore seja notícia. Ele é o homem que ousa morder o cachorro.

Mas, para os entendidos de cinema no Brasil, isso não tem muita importância. O fato de que, sob intensa patrulha ideológica de uma mentalidade provinciana e repressora, um cineasta tenha a coragem de denunciar os efeitos perversos da tirania do sistema financeiro (em “Roger & Me”), de apontar a natureza ao mesmo tempo violenta e amedrontada de sua cultura (em “Tiros em Columbine”) e esmiuçar as relações um tanto suspeitas entre a família do presidente da nação e a de seu principal inimigo (em “Fahrenheit 9/11”), não parece ser, por si só, suficiente. É preciso que se faça tudo isso de maneira artisticamente impecável, intelectualmente refinada e, se possível, com alguma elegância.

Michael Moore está certíssimo em fazer o que faz, do jeito que faz. Seu método se justifica pelo caráter popular de seu discurso, pela coragem de peitar o império de Bush e o establishment americano, pela eficácia em levantar questões e suscitar polêmica — e a polêmica às vezes é o primeiro estágio da conscientização. Na perspectiva do suburbano do Kentucky, ele é “gente como a gente” que, ainda por cima, “fala a nossa língua”. Este é seu maior defeito e trunfo. Abrir mão disso seria suicídio, mas é justamente o que ele teria que fazer para ganhar a admiração dos críticos brasileiros.

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Bordoadas

Na primeira noite da terceira edição do Sound System Attack, o evento mostrou a que veio. O dj paulista Yellow P — sozinho e acompanhando o Mamelo Sound System — deu uma aula de dub, enquanto o Inumanos, em contagem regressiva para o lançamento do seu primeiro disco, sacudiu os poucos presentes.

Vai ver foi a noite fria, mesmo assim é curioso como a suposta “galera do hip hop” da Zona Sul não dá as caras quando o lance é de verdade. Qualquer festa fanfarrona com um dj gringo enganando fica lotada. Agora, pra ver o Inumanos, nem trazendo a Lapa pro Ballroom. Lamentável.

Azar de quem não foi. Depois de fazer um set no esquema, Yellow P comandou o live pa do Mamelo. Apesar dos esforços da dupla de vocalistas, formada pelo ex-vj da mtv Rodrigo “Audiolandro” Brandão e Luana Lurdez, o forte do Mamelo são mesmo as bases. Essas bases, nas mãos de Yellow P, mixando ao vivo, tomam um xarope de dub que não é mole não.

Originalmente, quem pilota o live é o Alexandre Basa, multi-instrumentista com passagem pelo coletivo Instituto. Acontece que o cara tirou umas férias do Mamelo para produzir o aguardado disco solo de Gustavo Black Alien. Assim como Basa, Rafael Ramos, da Deck Disk, estava no Ballroom e liberou uma cópia do disco (que seria masterizado no dia seguinte) para Yellow P dar um gostinho pra galera.

A faixa, chamada “Caminho…”, é uma pancada. A influência de dancehall — assumida por Basa, fã de Sizzla e Sean Paul — nas batidas e nos efeitos é escancarada, principalmente no vocal durante o refrão. Se o resto do disco, programado para sair no dia 11 de setembro, for no mesmo nível, o negócio vai ficar esquisito.

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3 em 1

Botando ordem na casa, resenha conjunta de três eventos que valeram a pena: Los Sebosos Postizos, no Teatro Rival, Mundo Livre S/A, no novo Teatro Odisséia, e a Febre!, na Casa da Matriz.

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“Uma noite do Ben” (01/07/04)

Era esse o nome do show do Los Sebosos Postizos, projeto paralelo de Jorge Du Peixe, Lúcio Maia e Pupilo (Nação Zumbi) e Bactéria (Mundo Livre S/A). Focado no repertório da década de 70 de Jorge Ben, teve muita coisa do disco “Tábua de esmeralda”, além de “Komachi”, “Rosa, mas que nada”, “Domingas”, “Rosa, menina, Rosa” e outras.*

A melhor descrição das versões é também a mais óbvia: Nação Zumbi toca Jorge Ben. A sonoridade final funciona e é exatamente a que se espera dessa fusão — o que não é pouca coisa. É como se todas músicas atravessassem um filtro de dub e do outro lado saíssem desaceleradas, grudentas e ainda mais viajantes. Isso tudo sem perder o groove. A excessão foi “Que pena”, com leitura Jovem Guarda.

O Rival estava lotado, mas ainda assim não estava apertado, garantindo o conforto de quem estava lá dentro. Um cuidado quem nem toda produção go$ta de ter.

Quando a banda voltou para o bis, Jorge Du Peixe pisou o palco falando pra platéia, “acende! acende outro!”. Antes de começar a tocar, o vocalista continuou: “Quem não gosta de reggae, bom sujeito não é. É uma das músicas mais sinceras do planeta”. Na sequência veio “King Tubby meet Rockers Uptown”, do disco homônimo. Precisa dizer mais alguma coisa?

* nomes “adaptados”, a memória falhou.

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Mundo livre (11/07/04)

O Teatro Odisséia, casa de shows bacana, na Lapa, foi bem no mês de inauguração. Estreiou, em festa fechada, com show do Los Hermanos, já teve B Negão e Acabou la Tequila.

O Mundo Livre S/A tinha tudo para engrossar a lista de bons shows da estréia da casa, bastava repetir as ótimas apresentações do Teatro Rival, no lançamento de “O outro mundo de Manoela do Rosário”. Mas não foi isso que aconteceu.

O show teve seus bons momentos, claro, principalmente com músicas do primeiro disco. No entanto, de maneira geral, não foi tão bom quanto os outros. Muito disso porque pareciam estar poupando os momentos acachapantes. O baixo até amassava, mas não com a mesma força dubtrônica de outros shows. E a falta do transe provocado pelas linhs de baixo, tornou a batida da guitarra e do cavaquinho um tanto repetitiva.

Pode estar na hora de lançar outro disco pra dar um novo gás.

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Temperatura alta (15/07/04)

Pela segunda vez a Febre, principal festa de db do Rio, começou com um set de dub. A idéia é boa e tá com cara de que vai pegar.

O som se encaixa no espírito da festa — além de fazer parte da linha evolutiva do db, tanto Calbuque quanto Da Lua são fãs do gênero — e, a julgar pela quantidade de gente dançando, esse pode vir a se tornar um diferencial e tanto.

Logo depois, foi a vez do Marcelinho da Lua fazer um set avassalador de jungle. Mostrando toda sua competência, e sem sair do clima que estava rolando, Da Lua começou com o reggae “Fade away” (Junior Byles) emendando num remix da mesma música. A mixagem — em cima da melodia e não da batida, ou seja, na guitarra e não na bateria — foi cirúrgica. Dali pra frente, não dá pra escapar do clichê: foi quebradeira geral.

Fazia tempo que Febre não andava tão legal. Boa notícia.

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Voando

Sim, o boato era verdade. Manu Chao participou mesmo do show do Reggae B ontem, no Circo Voador. Tá certo que uma aparição do Clandestino em terras cariocas não é exatamente uma novidade — o cara, dizem, tem até casa em Santa Teresa. Ainda assim, a presença do carismático Manu fez a diferença.

Se a simples reabertura do Circo Voador já é um acontecimento importante para cena do Rio, melhor ainda é constatar que ele voltou com uma estrutura de palco superior a de muitos de seus pares na cidade. A qualidade dos equipamentos de som e luz estão boas, assim como o isolamento acústico, motivo de muitas brigas tempos atrás. Detalhes óbvios, básicos até, mas que quase nunca são observados pelas casas de shows.

De negativo, além de uma bilheteria um tanto tumultuada, apenas a parte ao ar livre. O excesso de obras deu um ar de praça de alimentação de shopping, asséptico demais. A iluminação fria e exagerada do bar também não ajuda, mas pior são os canhões de luz que quase cegam os desavisados que passeiam entre as palmeiras cravadas no concreto.

A noite começou com um set do MPC, do Digital Dubs, seguido por B Negão e os Seletores de Frequência, fazendo uma de suas piores apresentações. Menos suingadas do que de costume, as guitarras estavam altas demais em relação aos outros instrumentos. E o tempo curto fez algumas boas músicas ficarem de fora, atravancando a fluidez do show.

Honrando a tradição do Circo, grande inspirador do “horário Ballroom”, o Reggae B só entrou em cena às 2 da manhã. Na lateral do palco, Yuka, D2, Digão, Don Negrone e Manu Chao se espremiam para assistir o “Paralamas sem Herbert” mandar seu recado. Além dos metais e do tecladista João Fera, Barone tava na bateria .

Talvez devido a passagem de som, esse foi sem dúvidas o show mais agudo e pop do Reggae B. Muito disso, parece, se deve a saída de Gustavo Black Alien da banda. Tem um papo de que Don Negrone vai assumir os vocais, mas apesar do MC ser dos melhores, a onda dele é hip hop. Fã de dub e ragga, Black Alien é mais versátil e se encaixava perfeitamente na sonoridade da banda. Uma pena.

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Sua ausência abriu espaço para várias canjas. Lá pelas tantas, a letra pediu um “legalize it” e D2 não aguentou; resolveu participar cantando “Queimando tudo”, do Planet Hemp. Digão, do Raimundos, também tocou guitarra num ska a 100 por hora. O grande “convidado”, no entanto foi mesmo Bidu. O trombonista da banda, soltinho, soltinho, pegou o microfone algumas vezes, dando um banho em todos os outros vocalistas.

Manu Chao encerrou a festa tocando repertório próprio numa participação pra lá de especial. Ele começou com “Welcome to Tijuana”, emendou em “Clandestino”, “Mr. Bobby”, “War” (Bob Marley), espinafrou Bush e terminou pra cima, pedindo “sube, sube!”, enquanto a galera pogava. Amarradão, Manu ria sem parar e, se deixassem, atenderia os pedidos de “mais uma, mais uma” vindos do platéia e do palco sabe-se lá até que horas.

Manu Chao está no Rio, o Circo está armado e o público gostou. Agora, só falta uma coisa. Produtores, acordem.

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O homem e a máquina

A apresentação de ontem do brasiliense Marcelo de Jesus, o Nego Moçambique, no Fosfobox, foi mais uma prova do estrago que uma sacola lotada de samples e bases pré-programadas pode causar.

Não se tratava de um DJ set, tampouco de um live pa ultra elaborado com uma banda de apoio. O esquema é reduzido. Ele se apresenta acompanhado “apenas” de um MPC — a tal sacola lotada – e de uma mesinha para controlar os efeitos. Ah, tem também a presença de palco, um elemento à parte.

O som é uma mistura de black music, muitos pancadões, pitadas de break e um esbarrão no house, ainda assim resultando em algo bem brasileiro, veja só. O fato é que ninguém fica imune a essa saraivada de grooves. Vendo a reação da galera, dando gritos e dançando muito, Nego não resistiu e mandou no microfone: “”Vocês gostam de um Miami bass, né? Ê, cidade boa…”. O sample da música seguinte, repetidos várias vezes, respondeu por todos; “maneiro”.

Durante o set, Nego Moçambique não pára. Faz passos de dança, levanta os braços e faz a pista chacoalhar junto com ele. Pra completar, ainda faz os vocais, com sua voz mascarada por um vocoder. A melhor palavra pra descrevê-lo é carisma, aquele troço que não se explica nem se aprende, ou a pessoa tem ou não tem. E Nego Moçambique, definitivamente, tem.

Esse carisma deve ter sido um dos responsáveis pela reunião de boa parte da cena eletrônica carioca para assistir a apresentação. DJs, produtores, músicos, jornalistas, tava todo mundo lá para conferir o set, superior ao bom disco lançado pela Segundo Mundo.

Inaugurado no final de abril, o Fosfobox não nega o nome. Pilotado por Cabbet Araújo, o tamanho reduzido acaba servindo como diferencial, dando as noitadas um certo ar de exclusividade. O lugar, undergrounde de verdade, lembra bastante o clima dos longíquos bons tempos da Bunker.

Do jeito que foi ontem, dá pra imaginar a repercussão que as apresentações no Favela Chic (Paris) e principalmente no festival espanhol Sónar (onde também toca o DJ Marlboro) devem ter. Vai faltar cintura pra gringalhada se balançar.

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Festeeenha!

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cliques: Joca Vidal + Felipe Continentino

Como se não bastasse ser uma quarta — o dia mais falido da noite carioca — tinha jogo do Brasil. E logo contra a Argentina. Pra completar, choveu. Nem mesmo essa combinação de fatores destruidora foi capaz de anular o poder de atração do line up assassino da festa de lançamento do URBe. Aproximadamente 400 pessoas foram ao 00 conferir o evento. Histórico. Um pouco depois do final do jogo, a fila na porta assustava, era gente que não acabava mais.

Os horários determinados na filipeta foram cumpridos com apenas meia hora de atraso. A festa começou as 22h30 com uma aula de 80′s reggae do Calbuque, fazendo quem tava lá esquecer da pelada contra os hermanitos. O cara sacou uma coleção de versions de músicas da Tracy Chapman (“Fast car”), Marvin Gaye (“Sexual healing”), George Michael (“Never gonna dance again”), Alphaville (“Forever young”) e até Michael Jackson (“Billie Jean”), além de uns raggas cheios de balanço.

Quase meia noite, quando a casa começou a encher pra valer, o mestre Calbuque passou as carrapetas para Chicodub, fazendo sua estréia, um tanto atrapalhada, na discotecagem.

O telão feito pelo VJ Mateus Araújo, recheado de samples de filmes jamaicanos e outras referências, se encaixou perfeitamente nos sets. Quando Berna Ceppas & Kassin iniciaram o aguardado live pa de Gameboy, foi a vez das imagens 8 bits (só clássicos do Atari) e mensagens contra a guerra dominarem o cenário.

Enquanto a dupla tocava, as pessoas se amontoavam ao redor, tentando entender como aquelas duas maquininhas cuspiam tantos pancadões. A apresentação começou mais experimental e seguiu num crescente, até desembocar em duas bases bem dançantes, preparando o terreno para o que vinha na sequência.

John Woo desceu a mão, estabelecendo um Apavoramento geral e irrestrito. A pista teve que se entortar bastante para acompanhar a quebradeira e os grooves elásticos do samurai da pick ups. Inna kung fu style. Em seguida foi a vez do robótico Spark domar os presentes com um set pra lá de classudo.

Dizem por aí que, lá pelas 4h, o padrinho do saite invadiu a cabine e botou um som para os que ainda resisitiam bravamente.

A julgar pela quantidade de mails perguntando “quando é a próxima?”, pode-se dizer que a festiva realmente foi bem bacana. Muitos papos, vários amigos, coleguinhas, colaboradores e ainda conheci três dos meus quatro leitores.

Preciso arranjar um motivo pra fazer outra dessa.

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Ufa!

Primeiro veio o falatório, sempre elogioso. Saiu o disco e o todo o burburinho pareceu verdade. Ainda assim, o fato da bolacha ter demorado dois anos pra ficar pronta fez pensar se não sera uma banda de estúdio. Junte a isso uma matéria na MTV com um trecho duvidoso do show no Abril Pro Rock e o hype crescente em torno dos sete rapazes (Marcelo Camelo, BNegão, Gabriel Muzak e Nelson Motta estavam lá pra conferir) e dá pra entender a importância da apresentação de ontem no Ballroom. A noite era decisiva pra mostrar qual nome faz jus a banda: o original, Mombojó, ou o apelido maldoso, Mombojovens.

As dúvidas começaram a desaparecer logo na primeira música. Eles entraram rasgando com “Deixe-se Acreditar”, melhor faixa do disco (sabe-se lá porque não foi a escolhida pro clipe). O coro do público, berrando o refrão (esse é o reino da alegriaaaa!), deixou claro: o Mombojó – pela primeira vez no Rio – estava em casa.

As músicas da banda são marcadas por quebras de andamento e nuances que poderiam facilmente se perder ao vivo. No entanto, o som bem passado, coisa rara no Ballroom, garantiu a riqueza de detalhes e as incursões psicodélicas características da sonoridade do grupo. Qualquer semelhança entre as “sirenes” disparadas pelo teclado e o secos e zumbidos nos ouvidos aditivados com loló deve ser mera coincidência.

Interessante ver como caras tão novos (não custa lembrar, o mais velho tem 21) têm tantas referências bacanas e são seguros no palco. Os moleques são umas figuras. Samuel se contorcia junto com suas linhas de baixo e o vocalista Felipe S mostrou boa presença. Se o nome do disco de estréia, “Nadadenovo”, inicialmente sugere a falta de novidade, o que se viu ontem foi exatamente o contrário. Não teve nada do que já foi feito, nada repetido, nada de novo.

Difícil destacar alguma coisa na apresentação impecável. A versão de “Faaca”, ainda melhor do que no disco, foi matadora, assim como “Cabidela”, que ganhou uma introdução mais longa, com um solo ressaltando a melódica. As músicas de levada Jovem Guarda também caíram bem e as quatro ou cinco músicas que não fazem parte do disco, uma delas inédita, mantiveram o nível.

A interação com a platéia foi tímida, típica do começo de um relacionamento. Felipe agradeceu a recepção e aproveitou pra avisar que as músicas do “Nadadenovo” continuam disponíveis online, gratuitamente. Mesmo assim, pediram para o público  comprar o disco encartado na revista OutraCoisa, justificando: “a gente pede dinheiro pra vocês pra não ter que pedir pra gravadora”. Perto do final, dando a impressão de que estavam mesmo alheios a tudo que se passava na platéia e concentrados apenas em tocar, o vocalista quis saber: “e aí, foi bom?”. Nem precisava perguntar.

O bis – de verdade, repetindo “Deixe-se Acreditar”, em vez de salvar uma do repertório pra tocar depois – teve a participação do “padrinho” China, o que não foi exatamente uma surpresa ou algo inusitado. O ex-Sheik Tosado, do qual o Mombojó era fã, é parceiro em cinco músicas. Só faltou mesmo o violonista Marcelo Campello. Ele sofreu um acidente de carro recentemente e não pode acompanhar o grupo na turnê pelo sul e sudeste.

A banda confirmou ao vivo o que ainda permanecia uma dúvida. Um alívio. O show de ontem deve repercutir, de maneira que não será surpresa se, na próxima vez que aportarem por aqui, tocarem num lugar maior.

O recado foi dado em alto e, principalmente, bom som: sem essa de Mombojovens, eles são o Mombojó.

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Redondamente enganados

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Se esse ano o sucesso do Skol Beats dependesse do nível da organização, com certeza teria sido um fracasso. Além de faltar água (problema recorrente em todas as edições do evento) e cerveja, o público ainda teve que enfrentar filas de até 2 horas pra entrar por conta da revista rigorosa da polícia, que não impediu ninguém de entrar com o produto que fosse.

Apesar da campanha “som redondo”, um abaixo assinado online que pedia melhor qualidade e mais potência, o som era baixo em todas as tendas e no palco, estando talvez um pouco melhor na Movement. Pra completar, mantiveram a tendência de a cada ano aumentar a quantidade de ingressos vendidos, elevando para 50 mil (dados da assessoria de imprensa) o número de pessoas no sambódromo. Não coube. Era difícil encontrar espaço para dançar nas tendas e quase impossível assistir os djs um pouco mais de perto.

Lembre-se, tudo isso podia ter sido seu por apenas R$55. Existem duas soluções para o ano que vem: ou o festival volta para o Autódromo — de onde, aliás, nunca deveria ter saído — ou diminuem o número de entradas. Se os produtores da festa estão pensando que o nome está consolidado e que isso basta, é bom pensar de novo. Do jeito que está não pode ficar.

Só a música salva

Felizmente, as grandes atrações do festival não são as cervejas quentes, as garrafas d’água ou as yabadabadu girls circulando pelo sambódromo na tentativa de justificar o tema proposto esse ano (Flinstones? Sinceramente, não pesquei). O que faz o Skol Beats imperdível, ano após ano, ainda é a música.

Mesmo nesse aspecto, o evento começou morno, é verdade. Logo na entrada, uma surpresa desagradável: o dj Sasha cancelou sua apresentação alegando “motivos pessoais”. Isso matou a programação de muita gente, já que ele iria tocar durante três horas. O jeito foi arranjar um tapa buraco e continuar dançando.

O hypado Beni Benassi bem que tentou mostrar que seu som é mais do que a chicletuda “Satisfaction”. Não é. O dj mandou versões de “The way she moves” (Neptunes) e “Satisfaction” (a do Rolling Stones), mas seu set foi baseado mesmo no seu único hit, num remix extendido que parecia não acabar mais.

Ainda pior do que se podia imaginar, o show do Fisherspooner não passou de um telão interessante e dançarinas toscas no palco, emoldurados por uma chuva de papel picado. Tiveram algumas músicas muito parecidas com “Emerge”, o sucesso do grupo, cada uma com um elemento da original, mas nenhuma tão boa quanto. O vocalista, que afirmou “ter muitos fãs por aqui”, deve ter se surpreendido quando, no meio de “Emerge”, teve que parar pra dizer “vocês vão ter que fazer muito mais se que quiserem ouvir essa música”.

Até que enfim

Depois dessas chatices, o Skol Beats finalmente começou. E parece que até os organizadores sabiam disso. Antes do Basement Jaxx entrar no palco, houve uma queima de fogos, parecendo anunciar “agora é pra valer”. A dupla inglesa, formada por Felix Burton e Simon Ratcliffe, se apresentou com uma banda completinha, no que talvez tenha sido o melhor live pa de todas as edições do evento, pelo menos no mesmo nível do Groove Armada em 2002.

A apresentação começou com um sambinha eletrônico “pra gringo ver” e uma mulata sambando sozinha no palco. Cheio de referências orientais — na sonoridade e no telão, mostrando dançarinas indianas — o house rock ou rock house do Jaxx, na falta de uma definição melhor, sacudiu todo mundo. Destaque para “Where’s you head at”, “Kish Kash”, “Red Alert” e “Good Luck”. Até a péssima “Romeo” funcionou no show.

Mais para o final, rolou um remix de “Seven Nation Army” (White Stripes) com um sample de “Get ya dub on” (Switch) ordenando: “Get your club on!”. Matador. Simplesmente não deu pra sair antes do final e por isso o Roni Size ficou para uma outra vez.

Como o Sasha deu o bolo, o negócio foi conferir o Derrick Carter, nome fundamental da house music. Seu set regular só foi atrapalhado pela quantidade de gente que invadiu a tenda para fugir da chuva, o que junto com o som baixo, acabou cortando o clima. O VJ Spetto, que arrebentou no telão da Movement ano passado, não deixou a bola cair. Entre um bombardeio de imagens e outro, lá estavam frases como “os politicos são nossos piores inimigos” e “sexo e canja de galinha podiam ter nos poupado de tanta destruição…”. A melhor delas era essa aqui: “Políticos não sabem o que fazem”, seguida por “Nem você”. Na lata, sem dó.

A confusão era tanta que pouca gente ficou sabendo que o Basement Jaxx estava fazendo um dj set para substituir o Sasha. Por causa disso e da dificuldade de ir de uma tenda para outra — ainda mais chovendo — não deu tempo de conferir. Uma pena.

Restava o Scratch Perverts. E eles não decepcionaram. O set começou quente, lotado de colagens. Teve de tudo: “Intergalatic” (Beastie Boys), “Hey ya” (Outkast) e “Firestarter” (Prodigy). De longe, o trio debruçado sobre as pick ups parecia um grupo de cientistas malucos dissecando um corpo numa mesa de operação. Como o hip hop não estava agradando tanto, eles tomaram outro rumo e desceram a porrada com muito db e jungle.

Lá pelas 4 da manhã ainda deu pra escutar um pouco do X Press 2, mas o frio já estava espantando. Segundo relatos, o Darren Emerson arrebentou. Ano que vem tenho que lembrar de levar um casaco.

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No auge, uma chapada

17/07/02
Canecão, Rio de Janeiro

Dizer que uma banda está no auge é sempre uma afirmação complicada. Primeiro, porque não dá para dizer que uma banda está em seu ponto mais alto se ela ainda não acabou. Depois, porque nenhuma banda gosta de ouvir que está no auge. Para um artista, admitir que está no auge é aceitar que daquele ponto em diante a carreira vai descer ladeira abaixo.

Mas nem sempre é assim. E com certeza não parece que será assim com o Los Hermanos. Algumas bandas estendem seu auge com muita competência. Ultimamente a tendência é enxergar o auge como um pico, um cume a ser atingido rapidamente. O artista tem que atingir este ápice e dar vez ao próximo super-mega-sucesso-do-verão, numa espécie de pique-pega. Poucas bandas pensam em construir uma carreira. Poucos artistas enxergam o auge como uma chapada, longa e contínua, e não um pico a ser conquistado.

O Los Hermanos pensa assim. Não é à toa que bancou um disco autoral, o excelente “Bloco do eu sozinho”, quando a gravadora queria algo mais comercial. E eles estavam certos, o show do Canecão foi a prova disso. O mais impressionante não era o fato do show estar lotado, e sim como todas as músicas – todas mesmo – eram cantadas do começo ao fim por uma platéia alucinada, pulando sem parar. O baterista Barba definiu bem o clima do show quando disse que parecia que estavam “tocando um hit atrás do outro!”. Tem sido raro escutar Los Hermanos no rádio ultimamente, portanto, eles não têm tantos hits assim. Mas só por isso mesmo não têm os tais hits, porque para quem escuta o disco a sensação é de escutar um hit atrás do outro. Vendo aquela multidão gritando as letras dos discos junto com a banda fica a pergunta: o que é comercial então?

O Los Hermanos está no auge. Quanto tempo isso vai durar ninguém sabe, mas é no palco que a banda deixa isso claro. Lá eles transparecem o bom momento que estão passando. A impressão que dá é de que naquela hora, em que estão juntos tocando, as músicas atingem seu significado completo. É muito legal ver os integrantes conversando e rindo durante as partes instrumentais, curtindo mesmo estar ali. Alternando músicas próprias com versões de Adriana Calcanhoto, Arnaldo Antunes e Belchior. Melhor ainda é, quando o show acaba e os integrantes abandonam seus instrumentos um a um, ver todos eles abraçados, dançando e esperando os outros acabarem de tocar.

São poucas as bandas que tem potencial de ficar para história, de se tornar atemporal e continuar sendo ouvida anos depois. Sabe quando você está escutando um Jorge Ben de 74 e teu pai te pergunta “de onde você conhece isso?”, ou conta que foi no show desse disco? Pois é, dá para imaginar, daqui uns vinte e poucos anos, quem estava no Canecão contando sobre o antológico show quando escutar o som do “Bloco do eu sozinho” saindo do quarto do filho.

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A volta, sem tv

30/07/02
Ballroom, Rio de Janeiro

O Paralamas do Sucesso está de volta. Há um ano e meio a cena parecia impossível. Depois do grave acidente de ultraleve em fevereiro de 2001, Herbert Vianna beirou a morte. Conseguiu sobreviver, porém as seqüelas foram sérias e ninguém podia afirmar se algum dia ele voltaria a ativa. Tudo indicava o fim de uma das mais expressivas bandas do rock nacional.

Isso até 5 de agosto de 2002, quando o improvável enfim aconteceu. A volta da banda, ao contrário do que pode parecer agora, não foi em nenhuma dessas apresentações ensaiadas “a volta dos Paralamas” que tem pipocado em vários canais de TV ultimamente. Foi num esquema bem informal, meio por acaso mesmo. A essa altura já foram tantos os especiais e participações do trio em shows de outros artistas que praticamente qualquer um pode falar que presenciou a volta do Paralamas. Tá bom, vá lá, esses shows também fazem parte do período de retorno da banda, vão dizer alguns. Acontece que a volta pra valer, a primeirona, foi presenciada por poucos. E pode ter certeza, nenhuma equipe de televisão estava lá. Exatamente por não existir esse registro profissional da apresentação, motivo pelo qual quase ninguém viu imagens desse show, daqui há alguns anos essa confusão só tende a piorar. Então, é bom esclarecer.

A verdade é que não foi novidade a banda tocar junta naquela noite. Esse retorno não foi um passe de mágica, como foi noticiado. Depois do acidente, com a progressiva recuperação de Herbert, o Paralamas gravou inclusive um disco novo, “Longo caminho”. Isso significa que eles vêm se encontrando e tocando juntos há um tempo. A volta aos palcos, meio sem querer e divulgada como milagrosa pela mídia em geral, foi na verdade o destaque de um processo longo e gradual. A primeira aparição pública da banda.

Ao contrário de outras bandas que ficam sem vocalista – pelos mais diversos motivos – a preocupação de João Barone e Bi Ribeiro nunca foi a continuação do Paralamas ou do seu ganha-pão, e sim a recuperação do parceiro e amigo. No período pós-acidente, ambos dedicaram-se aos seus projetos paralelos. Barone já tinha o The Silvas, banda de surf music em que toca com o produtor musical e guitarrista, Liminha, e com Nenê, ex-Incríveis, e o baixista Bi Ribeiro fundou, há um ano, o Reggae B. A superbanda, que conta ainda com Gustavo Black Alien, ex-Planet Hemp, o tecladista João Fera, o vocalista Valnei, do Negril, entre outros músicos, toca só clássicos do reggae e do dub, como Linton Kwesi Johnson e Black Uhuru. Essa foi a maneira, quase terapêutica, encontrada para suportar a ausência do amigo na fase de recuperação.

A primeira vez que Herbert pôde ser visto tocando após o acidente foi numa gravação caseira, feita quando ainda estava internado no Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília. Ele tocou “Óculos” para seus companheiros de ala. Depois disso, em junho desse ano, fez uma participação no show do argentino Fito Paez no Canecão. Juntos tocaram “Trac trac”. Herbert já tinha participado numa apresentação do Reggae B – junto com Lulu Santos, mas em Barone – semanas antes do reencontro do trio. Ou seja, juntar-se novamente aos companheiros de banda era apenas questão de tempo. Não custa lembrar que o mesmo Paralamas sempre usou o artifício de shows-surpresa e pseudônimos para testar, ao vivo, material de um disco novo.

A oportunidade do Paralamas se apresentar na sua formação original surgiu por acaso, justamente em uma outra apresentação do Reggae B. A banda de Bi fazia uma temporada de um mês no Ballroom, pequena casa de shows em Botafogo, no Rio. O público desses shows era composto, principalmente, por amigos dos integrantes da banda, além de, claro, alguns fãs de reggae. Nada muito grande, um clima bem pessoal. Herbert foi à apresentação em que a banda comemorava um ano. A noite era de festa, e poucos imaginavam o fato histórico que estava por vir. Herbert assistiu ao show sentado em sua cadeira de rodas, conversando com amigos como o ex-Legião Urbana Dado Villa-Lobos. Além deles, como não podia deixar de ser, João Barone também compareceu.

Quando as pessoas perceberam que os três Paralamas estavam presentes, imediatamente começou um burburinho sobre a possibilidade daquilo se transformar no retorno da banda. O clima do show era bom, principalmente durante a participação inspirada de Nando Reis, cantando o hino “Punk reggae party”, de Bob Marley. Tudo fluía tão bem que João Barone resolveu dar uma canja. Desse momento em diante o tal burburinho virou expectativa. A expectativa se transformou em realidade quando Herbert foi anunciado. Ele entrou no palco de cadeira de rodas e começou logo atacando com “A novidade”. A platéia a essa altura urrava, subia nas mesas e cadeiras, pulava e cantava num delírio coletivo. Sonorizando a histeria, frases como “eu não acredito que eu estou aqui!”, “eles voltaram!”, e outros bordões emocionados, ecoavam de toda parte. Tinham pessoas que ficavam apenas se olhando, congelados. Nando Reis, que já tinha saído do palco, atravessou a multidão feito uma bala para ver de perto. Durante a apresentação, o ex-titã gritava: “Graças a Deus! Graças a Deus!”. No palco, os músicos foram abandonando os instrumentos um a um, até restar apenas o trio tocando. George Israel, do Kid Abelha, trocou seu saxofone por uma câmera de vídeo e registrou tudo. José Fortes, empresário da banda, chorava, acompanhado por boa parte do público.

O show durou aproximadamente 25 minutos. Eles tocaram ainda “All I wanna do” e “Cherry oh baby”, dos ingleses do UB40, voltaram ao repertório próprio tocando pela primeira vez em público a nova “Calibre” e encerraram com “Meu erro”. Foram tantos hits que parecia que estavam querendo matar as saudades da reação do público. Depois disso o Reggae B tratou de finalizar com classe a noite antológica. Era realidade, os Paralamas do Sucesso estavam de volta. Aliás, estão. E quem estava lá, como eu, pôde comprovar que não mudou muita coisa. O rock agradece.

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A revanche

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foto: Joca Vidal

O inglês Norman Cook, o Fatboy Slim, chegou no Rio mordido. É que na última vez que tocou na cidade, no Free Jazz 2001, o dj fez um set pesadão que não agradou ninguém. Nem a ele mesmo. Na coletiva de imprensa, Fatboy contou que naquela noite “levou uma surra” do dj que tocou mais cedo, o mesmo Jon Carter que entrou antes dele ontem, na Praia do Flamengo.

Foi o dia de ir a forra. O primeiro evento do Nokia Trends (em setembro eles trazem para São Paulo o mega festival multimídia espanhol, Sónar) começou às 16h30 com o db dos djs Patife e Marky. John Carter entou na sequência e fez um set tão bom quanto o de 2001. Destaque para “Lithium”, do Nirvana, em versão um pouco diferente da que o 2ManyDJs tascou no TIM Fest, ano passado.

Às 19h, cerca de 160 mil pessoas se espremiam para assistir o Fatboy Slim. Ele abriu com uma versão de “Garota de Ipanema” e em seguida botou a tal música que fez para o Rio. Recheada de samples de músicas sobre a cidade, como “Rio”, do Duran Duran, o vocal repetia “Rio de Janeiro, Rio de Janeiro” insistentemente antes de explodir num break matador. Presentão.

Carismático, o dj se comunicava com a platéia escrevendo mensagens nas capas dos discos que apareciam no telão, como no DVD “Big Beach Boutique II”. Foi dessa forma que ele informou que nunca vai tocar “Rio” em outro lugar, mandou um alô para a turma que assistia a tudo de barcos ancorados na praia e disse que queria fazer amor com a platéia depois do show. Até um Elvis, fase Las Vegas, entrou no palco para dançar.

O set de duas horas, bem pop, foi eclético. Teve desde uma versão de “Groove is in the heart” (Dee Lite), citação a “Menino do Rio” (Caetano) e “Born Slippy” (Underworld), a várias ameaças de tocar músicas mais conhecidas, como “Seven Nation Army” (White Stripes) ou “The test” (Chemical Brothers). O dj deu show, esgarçou o mixer.

Dá para dividir o set em três “categorias”: os sambinhas eletrônicos (meio mais ou menos, felizmente foram poucos); os 4×4 quadradões, com batidas em linha reta; e, finalmente, a melhor parte, os breaks grooveados, alegres e sacolejantes. Nessa linha, além da música em homenagem ao Rio, Fatboy tocou seu remix para “Quem cagüetou?”, música do Tejo (Instituto), com vocais do Black Alien e Speed, que fez parte da trilha sonora do filme “O invasor”.

“Quem cagüetou?”, um Miami bass / ragga / funk, está estourada na Europa desde o ano passado, quando serviu de trilha para um comercial da Nissan. A música chamou mais atenção do que propaganda, acabou sendo lançada como single e ganhou remixes de grandes nomes da música eletrônica.

O break beat parece ser a bola da vez. A música eletrônica passa por uma crise criativa (conversei sobre isso com o próprio Fatboy, em entrevista que sai na Revista da MTV de abril) e atualmente a mistura de gêneros aparece como solução. O break beat é um estilo perfeito para esse tipo de cruzamento. Isso acontecendo, aqui no Brasil a aposta mais sensata é o Apavoramento Sound System (parece que algúem já fez a aposta). Quem viu o show deles no TIM Fest sabe bem disso.

O momento funk se estendeu com a versão de “Whoomp! There it is”, a famosa “Uh, tererê”. É impressionante como o ritmo contagia, principalmente aqui no Rio. O público, que já estava dançando bastante, pulou ainda mais ao ouvir o pancadão. Fatboy mostrou que dessa vez pesquisou bastante o que tocar e acertou em cheio.

Na área de imprensa, colada nas caixas, o som estava bom. Mas houve bastante reclamação quanto ao volume, muito baixo segundo quem estava na praia, afastado do palco. Ao invés das laterais, a área vip ocupava o espaço em frente ao palco, criando um faixa que separava os djs da platéia. Nesse ponto as opiniões do público se dividiram. Para uns a festa foi bancada pela Nokia e eles têm o direito de chamar quem quiser, para outros a multidão presente deveria ter a chance de ficar mais perto, afinal a cidade era o cenário da festa.

A noite terminou cedo, às 21h, com uma queima de fogos para emoldurar a lua cheia e um papo de “ano que vem tem mais”. Tomara.

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“Dez anos, não é brincadeira não”

Depois de quase três anos afastados dos palcos, o Planet Hemp encerrou em grande estilo a décima edição do Humaitá pra Peixe com um show de mais de 1h30, no maior clima de ensaio entre amigos. Antes deles, tocaram ainda China, Jimi James e Bangalafumenga.

Repetindo a excelente apresentação do Sergio Porto — na verdade um pouco mais curta — China segurou a onda no palco do Canecão. Para ele, o primeiro show foi melhor, “senti a galera mais perto, mais interessada”, disse. Besteira. Apesar de boa parte do público estar lá mesmo para ver o Planet, quem chegou cedo estava a fim de assistir e curtiu bastante

O pernambucano se confirmou como a grande revelação do HPP esse ano. Seu som climático, equilibrando bem peso e melodia, está alguns passos a frente do que está sendo feito por aí e só encontra paralelo nos parceiros do Mombojó. Não é coincidência, China assina cinco músicas do disco de estréia dos “Mombojovens”, como a banda foi apelidada em Recife, todos fãs do Sheik Tosado. Dois deles, o baixista Pirulito e o tecladista Chiquinho, tocaram no primeiro show do China no festival.

Abre parênteses

(A molecada do Mombojó — o mais velho tem 21 — mal deu as caras e já chama a atenção. Foram matéria na Folha, saem na próxima Trip e devem ser a próxima aposta da OutraCoisa, a revista do Lobão, que lançou o disco solo do BNegão. Além disso, Mombojó e China tem uma terceira banda juntos, a Del Rey, só de covers do Roberto Carlos. Em março deve ter tudo isso aqui no Rio.)

Fecha parênteses

Tarde pra caramba, mais de 1h da manhã, o Planet Hemp finalmente pisou no palco. Ao gosto do freguês, abriram pedindo pro público levantar os isqueiros e cantar “Bonde dos maconheiros”, emendando direto em “Quem tem seda”. Daí em diante foram só clássicos: “Legalize já”, “Stab”, “Ex-quadrilha da fumaça”, “Mantenha o respeito”, “Queimando tudo”, “Zerovinteum” e “A culpa é de quem”, anunciada por B Negão como “Fu Manchu style”. Até a polêmica (e qual dessas não é?) “Não compre, plante”, depois de nove anos fora do repertório da banda, apareceu. Foi tanto tempo sem tocar essa música que os MCs precisaram de uma cola.

Comemorando uma década de banda, Marcelo D2 estava feliz com a reunião do grupo. Ele não parava de elogiar os companheiros, dedicou praticamente todas as músicas do show aos “velhos tempos” e não cansou de repetir que “dez anos não é brincadeira”. Aproveitou e agradeceu o “padrinho” Bruno Levinson pela batalha à frente do festival, de onde o Planet saiu para conquistar o Brasil.

O hardcore, muito presente nos primeiros discos da banda, também teve vez em “Raprocknrollpsicodeliahardcoreragga” e outras. Nessa hora deu pra notar que os dez anos de estrada cobram pedágio; faltou fôlego tanto para Marcelo D2 quanto para B Negão. Eles até brincaram com a situação, rindo sem graça, principalmente depois que D2 esqueceu a letra de “Bala perdida”.

Em homeangem a Chico Science, eles tocaram “Samba Makossa”, do disco “Da lama ao caos” e regravada pelo Planet no primeiro trabalho lançado pela Nação Zumbi após a morte do seu líder. D2 chamou o China, que assistia tudo da lateral do palco, para participar.

Antes de “Dig dig dig”, no final do show, que acabou com uma jam porrada, D2 resolveu falar. Aparentemente fazendo alusão aos seus contantes problemas com a justiça, disse que estava “em guerra, porque quando o lado de lá começa a latir você tem que morder”. Quando um fã pediu para ele tocar uma música da carreira solo, Marcelo respondeu: “Não vim aqui pra falar de rap nem de samba, eu vim aqui pra falar de maconha”. Mal terminou de falar a frase, se deu conta da bobagem e continuou, “Ih, não podia falar isso! Retiro o que eu disse. Será que isso ajuda no tribunal?”.

Vai saber, tomara que sim. O lugar do Planet é subvertendo a ordem em cima do palco, não atrás das grades.

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TIM Fest – último dia

Apesar da chuva, o terceiro dia rolou redondo.

De maneira geral, o TIM Fest superou as últimas edições do Free Jazz. O line up estava excelente. Tão bom que não teve jeito de ver tudo, sempre se perdia alguma coisa.

Até quarta tem algumas surpresas aqui no URBe, aguardem. A semana vai ser cheia de prêmios especiais.

Mas isso é outro papo, vamos aos shows.

quer dançar, quer dançar

O DJ Marlboro entrou as 5h30 da manhã e tocou para uma pista absolutamente lotada. O telão produzido pela Apavoramento ficou bem legal e deu o clima (valeu Guiga!!!), nem parecia ter sido feito as pressas.

Pelo que consta, o baile rolou até as 9h (não fiquei até o final), só com os clássicos. É o que o Marlboro mesmo diz, todo mundo é um funkeiro enrustido.

seguindo os ensinamentos

Peaches fez tudo que dela se esperava: strip, guitarreira e muita putaria. A platéia demonstrou estar por dentro dos “teaches of peaches” e embarcou com tudo na parada. Duas meninas subiram no palco para dançar e ganharam beijos de língua como prêmio.

Simpática, tentou se comunicar com o público em português (“eu sou a pêssego” e “tentei lamber o seu suvaco”) e ainda convidou o Bonde Faz Gostoso para dançar com ela no palco.

ninjas

Vi pouco e escutei muito. O Coldcut, donos do selo Ninja Tunes, agradou bastante. Destaque para a brincadeira de Bush e Blair trocando juras de amor no telão. É aquele mesmo vídeo que rolou na rede há um tempo.

apavorou

Sou suspeito pra falar porque trabalho com a galera, mas o set áudio visual da Apavoramento foi uma das melhores coisas do festival. A platéia ficou hipnotizada pelos break voadores lançados por John Woo, Nepal e Fiskal.

No telão, muita subversão. Uma das melhores coisas rolou logo na abertura, quando apareceu escrito “Desliguem seus celulares”. Esse ano ainda vai ter repeteco dessa apresentação, fiquem ligados.

power trio arretado

Como disse Berna Ceppas, “Dengue, Pupilo e Lúcio Maia são o melhor power trio do Brasil”. Concordo. Muito por causa deles a Nação Zumbi é hoje a melhor banda brasileira.

Eles tocaram durante o momento mais crítico da tempestade que caia lá fora. Era tanta água que chovia até no palco. Pensa que eles ligaram? Que nada. Lúcio Maia parecia possuído e entregou uma performance de guitar hero.

Como sempre, o público veio abaixo em “Meu maracatu pesa uma tonelada” e “Da lama ao caos”.

macumbada

Os paulistas do Sinhô Preto Velho vieram quentes. A mistura de atabaques de terreiro e hip hop funciona bem. A banda abusa de linhas sinuosas de baixo e o vocalista tem muita presença de palco. Boa surpresa.

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TIM Fest – vamo que vamo

Último dia do festival. Por enquanto só o Sinhô Preto Velho se apresentou. O MAM ainda está vazio, o público tem deixado para chegar mais tarde, perdendo assim boas atrações. Hoje é o dia da Apavoramento.

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TIM Fest – a cobertura continua

O festival continua a toda. As principais atrações do festival se apresentaram ontem. Foi mais ou menos assim.

porradaria

Erol Alkan não tocou a mistua de rock e eletrônica que todos esperavam. Desceu a lenha de uma maneira que nem deu para escutar o set inteiro.

morde assopra

Admito que, depois de tantos shows, meus parâmetros ficaram bem altos, mesmo assim, não gostei do Gotan Project. A banda parecia perdida, não sabia se ia para o lado mais jazzy da coisa, ou se amassava a galera com as bases de house. Eles tocaram duas inéditas. Se o próximo disco for todo na mesma linha dessas músicas novas, vai ser meio fraco.

guitarreira

Não tem nem muito o que falar do White Stripes. A sonzeira que sai do palco parece incompatível com a simplicidade da banda. Uma guitarra, uma bateria, luzes brancas e acabou. Rock and roll. Teve “Fell in love with a girl”, versão calminha, além, claro, das esperadas “Hardest button to button e “Seven Nation Army”. Arrasador.

a “surpresa”

Todo mundo esperava alguma coisa do Rapture, mas acho que ninguém esperava tanto. A banda fez um show perfeito e o público recebeu muito bem todas as músicas, cantando boa parte delas. Como não poderia deixar de ser, o Rapture fechou a apresentação com “House of Jealous Lovers”. Até agora, top 3 do festival, fácil.

super peludos

Enquanto o Super Furry Animals tocava, o telão exibia os clipes das músicas. A melhor do dia foi “Juxtapose to you”, no maior clima Stevie Wonder.

o oposto dos stripes

O Whirlwind Heat, banda produzida por Jack White, abriu o dia com uma apresentação bem legal. O trio de vocal, baixo e guitarra, mais algum sons de um moog, mostrou que uma guitarra não é necessariamente indispensável numa banda de rock. O vocalista, figuraça, ganhou a platéia com seus pulos e convulsões no palco.

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O mundo tá caindo

Começou um temporal absurdo no Rio de Janeiro. As tendas continuam vazias e, com essa chuva, vai ficar difícil para o público vir até o local do evento.

Até agora caíram dois raios perto do MAM, o suficiente para interromper a apresentação de JT Meirelles e seu Copa Trio. Na terceira música do saxofonista, no palco Club, um dos raios causou uma interferência ensurdecedora, Nirvana perdia.

Vamos ver como é que vai ser agora.

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TIM Fest – a cobertura

A partir de agora começa a cobertura oficial do TIM Fest do URBe.

Ontem aconteceu muita coisa, mas como estou dirigindo o making of do evento não deu para parar e escrever. Então aí vai um resumo do primeiro dia. Logo mais começa tudo de novo.

A programação de ontem sozinha era suficiente para segurar um festival inteiro. Destaques:

Melhor da vida?

O set do 2 Many DJs foi, sem brincadeira, talvez um dos melhores que eu ouvi na vida. E olha que como começou tarde, as 4h, eu só ouvi metade. A dupla mistura duas ou mais músicas conhecidas, normalmente um rock e uma base eltrônica, criando uma terceira.

Em uma hora, os reis do bootleg mandaram: a versão do Prodigy para “Chase de Devil” (Max Romeo); “Emerge”, do Fisherspooner; uma versão de “Hey boy, hey girl”, do Chemical Brothers, que subtituia a frase superstar djs por 2 many djs!; “Don’t stop till you get enough”, do Michael Jackson e “House of Jealous Lovers”, do Rapture.

A melhor parte foi uma sequência FODA de remixes de “Lithium” (Nirvana), “Girls and Boys” (Blur) e, aquecendo os motores para o show de hoje, “The hardest button to button”, do White Stripes!

Só em disco

É impossível escutar o Los Hermanos ao vivo, só em disco mesmo. No show de ontem só dava pra ouvir os fãs cantando, melhor, berrando as letras de todas as músicas. Parece que isso virou rotina nas apresentações da banda.

Não tem muito o que falar. Tem duas resenhas de shows deles nos arquivos do URBe, não vou me repetir. Falo o seguinte, todo show dos Hermanos é imperdível, apenas isso.

Big band mesmo

A McCoy Tyner Big Band, uma das atrações de jazz mais esperadas do festival, correspondeu as expectativas. O público do TIM Club foi ao delírio com os solos e arranjos de metal. Fodaralhaço.

Soturno é pouco

A apresentação de Beth Gibbons deu ao enorme TIM Stage um clima intimista. As músicas, que no disco já são bastante pesadas, com melodias arrastadas, funcionam muito bem ao vivo e o público gostou.

Os fãs do Portishead – a maior parte de quem foi assisti-la – saíram sem ouvir nenhuma música da banda. E não fez a menor falta. A sonzeira que saia do palco era mais do que suficiente. Teve até um solo de melódica e Beth Gibbons tocando teclados, de costas para o público.

O destaque ficou para “Funny time of year”, música de mais de 7 minutos, cheia de climas, aplaudida de pé pela platéia.

Parece que o URBe conseguiu até uns brindes para sortear entre os leitores e uma ótima história de bastidor. Depois.

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Curitiba Pop Festival

Queria ter ido, mas não fui. Pra compensar, reproduzo aqui o relato do blog de Rodrigo Lariú.

Top + 5

1- Breeders: começar o show com Amps, tocar “Gigantic”, ser simpática o tempo todo, voltar pro bis e tocar duas músicas do Fear e ainda tocar “Cannonball” sem medo, é para cravar como um dos shows da década!
2- Rubin Steiner: tudo bem, tava frio pra cacete e dançando esquentava um pouco, mas depois da primeira mexida, o esqueleto seguia sozinho.
3- E.S.S. : banda local, sem baterista, dizem, influenciada por Primal Scream mas é bem mais que isso.
4- Ópera de Arame: fora o frio que congelava os ossos, um lugar lindo.
5- X-Picanha do Waldo: quem já foi a Curitiba sabe; picanha fatiada, com queijo e molho a campanha na baguete.

Top – 5

1- Cachorro Grande: da onde tiraram que esta é a melhor banda do momento… As músicas são um sub-Kinks / Who, os músicos têm 1/10 do talento de suas matrizes.
2- Primal: bacana dar espaço pro metal mas não tinha uma banda melhor?
3- Stands dos selos independentes: tudo bem que é do feitio deles ser escondido, mas no 3º andar tava exagerado.
4- Ópera de Arame: não podia ser mais perto do centro; não podia ter mais transporte pra lá?
5- James: o mais indie dos bares de Curitiba continua um aperto e os locais continuam fazendo cara-feia para os forasteiros.

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O festival que desce reto

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O mais difícil num festival do tamanho do Skol Beats – que nesta edição reuniu mais de 60 djs, divididos em quatro tendas (Movement, Gatecrasher, Bugged Out e The End) e um palco ao ar livre (outdoor stage) – é decidir o que assistir. Na sua quarta edição o festival já é tido como um dos mais importantes do mundo, reunindo os nomes mais expressivos da música eletrônica mundial. Por isso, mesmo com 17 horas de duração, é impossível ver tudo. Principalmente porque os horários das principais atrações ficam embolados, no que pode se chamar de horário de pico, das 21h30 às 3h30. O bololô dos horários complicou, mas não chegou a ser um defeito do festival. Pelo contrário, é sinal de que a escalação estava caprichada. Mesmo com tanta gente bacana tocando, dá para destacar pelo menos cinco. Em ordem decrescente: LTJ Bukem, Stereo MC’s, Mark Farina, Junkie XL e Makoto.

Maratona

O set de Mark Farina era um dos mais aguardados e começou, estranhamente, bem cedo, às 18h. Mesmo assim a tenda estava cheia. Aliás, Farina, que é dj de house, tocou na The End, normalmente dedicada ao techno. Esse tipo de mistura também aconteceu em outras tendas, mostrando que está cada vez está mais difícil enquadrar os djs em apenas uma categoria. Seguindo o roteiro, a atração seguinte era o japonês Makoto. Protegido de LTJ Bukem, Makoto seguiu a linha de seu mestre e tocou muita coisa da série “Progressions Sessions” e “Logical Progressions”. Apesar do set muito bom, não deu para ver até o final. A apresentação do Junkie XL começava meia hora depois, às 21h30, no outdoor stage. Os dois lugares eram muito longe um do outro e isso fazia com que se perdessem várias apresentações. Além de dar um sentido literal à palavra maratona.

Outdoor stage

O holandês Junkie XL ficou conhecido mundialmente após fazer o remix de “A little less conversation”, de Elvis Presley. Mas engana-se quem pensa que ele começou outro dia ou que se resume a essa música. Seu set agitou a platéia, que pulava tanto quanto o dj no palco. O outdoor stage é sem dúvidas o lugar mais interessante do festival. Ali, até os mais ferozes críticos da música eletrônica tem que dar o braço à torcer. Neste espaço quase todos os artistas (não foi o caso do Junkie XL) se apresentam com banda e instrumentos, tocando ao vivo. Se já é difícil ver alguns dos djs mais importantes da cena mundial juntos no Brasil, assistir a apresentação de música eletrônica ao vivo é mais raro ainda. Nesse ponto tem que se concordar com os críticos; a vibração de uma apresentação ao vivo é muito maior. Quando Junkie XL acabou de tocar, às 22h30, ainda dava tempo de pegar um pouco do Layo & Bushwacka, do outro lado do sambódromo, na The End. Na seqüência vinham os ingleses do Stereo MC’s, novamente no outdoor stage, às 23h30.

Os ingleses do Stereo MC’s entraram no palco e já atacaram com os hits do começo dos anos 90, “Connected” e “Step it up”. O show foi agitado, como o vocalista do grupo, saltando sem parar. Eles tocaram também coisas mais novas, tão legais quanto as antigas, mas ainda desconhecidas do público, o que deixou o show meio morno. O Stereo MC’s surpreendeu, principalmente para quem estava lá fazendo hora para assistir o LTJ Bukem.

550m x 6

A grande crítica à organização foi a mudança do local do evento (passou do autódromo de Interlagos para o Sambódromo, no complexo do Anhembi). Apesar de ter sido a única perda em relação aos anos anteriores, foi uma perda muito grande. A diferença entre os dois lugares é tão gigantesca quanto a distância entre os locais reservados as tendas e o outdoor stage. Exatos 550 metros separavam a as tendas do palco, cada área em uma extremidade da passarela.

Imagine que alguém tenha assistido pelo menos três atrações no palco em horários diferentes. Tendo que cruzar a avenida de ponta a ponta para ir e voltar para alguma tenda, ao final da festa essa pessoa andou quase 3,5 quilômetros! É chão à beça. Pra piorar, para ir de uma área para outra as pessoas eram obrigadas a atravessar verdadeiros shopping centers (com praças de alimentação, lojas, etc.), espremidos entre as arquibancadas do sambódromo. Em Interlagos as distâncias também eram grandes, só que eram percorridas pelo gramado e não numa espécie de curral, existia alguma liberdade para escolher o caminho.

O cara

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1h30 LTJ Bukem (foto) entrou em cena. Um dos principais produtores do drum ‘n’ bass e responsável por uma linha muito particular dentro desse estilo – mais viajante e com bpm mais lento – o inglês tocou para uma tenda semivazia. Melhor ainda, menos tumulto. O grande nome da noite na Movement, dedicada ao gênero, era o brasileiro Marky, que tocaria na seqüência. Era ele que todo mundo queria ver, tocando forte e cheio de firulas. Por isso o set de LTJ, calmo e relaxado, não animou muito essa turma. E essa é a única razão da tenda ter ficado vazia. Ponto.

O set, acompanhado do MC Conrad, foi irretocável. Os dois estavam no contra-luz e tudo que se via era a silhueta deles no palco. O verdadeiro DJ Shadow. Na tenda só ficaram os fãs do som do cara, talvez a maior atração desse festival. Tava cheio de gente sentada, mas não porque estava chato ou em protesto, com andam dizendo por aí. É que o som de LTJ dá para se ouvir em pé, quicando, ou deitado, viajando. Sem dúvidas foi um dos melhores sets de db que já assisti. Rolam boatos de que o motivo de LTJ não ter tocado nenhuma de suas produções mais conhecidas – só tocou inéditas – deveu-se ao fato de o produtor estar gravando o set para lançar um disco. Teve gente que reclamou, eu achei melhor ainda. Afinal, se quisesse ouvir as músicas dos discos nem precisava sair de casa.

Telão

Quem pensa que em evento de música eletrônica só dá alienado, uma surpresa. Cada uma das tendas tinha um VJ (espécie de dj de imagens) responsável pelo telão. A sensação do festival foi o VJ Spetto, na Movement. Misturando super-heróis (Super-homem, Chapolin e Ultramen), personalidades conhecidas por terem tido sua arte explorada (Bruce Lee, Carmen Miranda), e vilões (Bush, Osama Bin Laden e Darth Vader), entre outras referências, Spetto fez do telão um protesto visual.

As imagens eram acompanhadas de frases tão singelas quanto “Os americanos são assim porque ninguém Osama”. De vez em quando a cara de Bush era intercalada com a de Darth Vader e vinham as frases: “Vou abduzir vocês!” e “Meu nome é Zordak!”. Depois disso os olhos do texano ficavam vermelhos e começavam a atirar raio laser. Então aparecia a frase: “Ei, Bush, vai tomar no cu!”. A julgar pela quantidade de gritos, urros e dedos médios em direção ao telão nesses momentos, o público parecia concordar.

Descanso

O gramado é que fez falta. Nas três primeiras edições do festival era possível descansar sentado na grama, longe de tudo, com poucas pessoas em volta. Esse ano os únicos lugares para sentar eram a pista de cimento em frente as tendas ou próximo as vendinhas. A festa “que desce redondo” acabou descendo reto, avenida abaixo. O evento foi verticalizado.

Outro comentário bastante ouvido era sobre o policiamento, ostensivo demais. Intimidador mesmo. A julgar pela quantidade de policiais militares armados no local, São Paulo deve ter um efetivo bem grande. Ou então estavam todos lá. Era impossível dar dez passos sem cruzar com um grupo da PM. Vai ver era precaução por causa do local. Ao contrário de Interlagos, aonde o sentimento de liberdade era maior, o Anhembi ficou meio apertado para os 45 mil presentes. Daí, devido a pouca distância entre as pessoas, para um pisão no pé virar motivo para um soco na cara é um pulo. Vai saber. A impressão é de que em Interlagos o clima era verdadeiramente de festival, enquanto no sambódromo ficou mais com cara de festa grande com muitas tendas. Agora, dentro das tendas a produção estava tão legal quanto nas outras edições. E dessa vez não faltou água.

Mudam as atrações, muda o lugar e a impressão geral continua a mesma: O Skol Beats é a melhor noite do ano, todo ano.

Só pra registrar: Enquanto esse blog, disposto a fazer uma cobertura séria do evento, não conseguiu uma credencial de imprensa, uma rede de tv, conhecida por suas baixarias, exibia uma matéria sobre o festival. Naquelas barras que ficam aparecendo durante a reportagem lia-se: “Festival de música eletrônica reúne 45 mil pessoas esquisitas”. Que tal?

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