OEsquema

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KL Jay, Inumanos e +, 01/03

Circo Voador
22h
01/03 (terça)
R$12, R$10 (com filipeta)

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Peter Kruder, 11/02

A Loud! comemora 6 anos com um final de semana inteiro de festa. A atração principal, Peter Kruder toca na sexta.

PROMOÇÃO:
10 leitores sortudos vão conferir a noitada de graça. Escreva para falaurbe@gmail.com(nos comentários não vale) dizendo qual sua faixa preferida do “K&D Sessions” e o porquê. As 10 melhores respostas levam um convite individual para a festa.

Loud!
Cine Íris
11/02 (sexta)
R$20, R$18 (com filipeta), R$15 (antecipados nas lojas)

Cinema
0h – Gü-mix (db + break beats + house + techno)
2h - Peter Kruder (house + techno)
4h – Breno Ung (house + techno + electro)

Galpão
0h/6h – DJs Edinho & Tito (electro + disco-punk)

Terraço
0h - Calbuque
3h - Marcelinho Da Lua

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Versão B

Nem bem saiu e “Push the button”, novo disco do Chemical Brothers já ganhou uma versão remixada não-oficial. “Flip the switch” é o nome.

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Chora não

Coachella 2005:

Weezer (CARÁI!)
The Chemical Brothers (UHHHHH!!!)
Wilco (maravilha!)
Cafe Tacuba (PUTA QUE LOS PARES, CABRÓN!)
Keane (epa!)
Bloc Party (WOW!)
Tiga (classe)
DJ Marky (Brasil, sil, sil!)
Razorlight (NÓSENHORA…)
Swayzak (issa!)
Nine Inch Nails (ueba!)
New Order (iau!)
Prodigy (que beleza…)
Black Star (AIIGHT!)
The Faint (hey!)
Roots Manuva (DEUSDOCÉU!)
Junkie XL (vixe…)
Sixtoo (respect!)
Matmos (bzzzzzzzz!!!!!)
Beans (yo!)
Kasabian (hype!)
Radio 4 (detonando a festa)

Quer mais? Tem muito mais.

URBe agradece a gentileza se alguém puder doar uma passagem para a Califórnia. É só mandar um e-mail.

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Os senhores de Dogtown

matérias fundamentais para o filme “Dogtown and Z-boys”

A ideía de fazer um filme sobre os Z-Boys de Dogtown, turma responsável pela radicalização do skate, surgiu a partir de uma matéria entitulada “Lords of Dogtown”, publicada na revista Spin.

O plano original não era filmar o premiado documentário “Dogtown and Z-boys”, mas sim uma história de ficção com o mesmo título da matéria. Entretanto, o skatista e diretor Stacy Peralta, ele mesmo um Z-boy, ficou sabendo disso e decidiu contar a própria história de maneira real.

Ao invés de se basear na matéria da Spin, que falava da importância desses skatistas para o atual momento do esporte, Stacy preferiu recorrer aos artigos pioneiros sobre o assunto publicados na revista Skateboarder Magazine, clicados e escritos por Craig Stecyk. O primeiro de todos, “Aspects of the downhill slide”, e Sequential overdrive são alguns. Outros podem ser lidos no Z-Boys.com

O filme ficcional não foi engavetado. Em 2005 sai “Lords of Dogtown”.

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A Ocas tá oca

Ocas (Organização Civil de Ação Social) está passando por sérias dificuldades financeiras e pode fechar.

A organização produz a revista Ocas, que ajuda a população de rua através de sua venda. Sem paternalismo ou doações, é trabalho mesmo.

Os vendedores cadastrados compram a revista (R$0,50), revendem (R$2) e ficam com o lucro. Com isso, essas pessoas têm uma vida digna, trabalhando para manter se sustentar.

Quem puder/quiser, colabore. E ajude a divulgar!
—————–
Organização Civil de Ação Social – OCAS
11.3208-6169 e Rio 21.2589-4989
Banco do Brasil
Ag. 3118-6
C/C 14313-8
CNPJ 04.847.090/0001-01

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Os últimos serão os primeiros

* Confira 15 segundos do show na URBe TV

Depois de anos trabalhando como produtor e arranjador e de integrar as bandas Os Mulheres Negras, Karnak e Fat Marley, finalmente André Abujamra resolveu sair em carreira solo. Tocando guitarra companhado apenas por Du Moreira no baixo e Kuki Stolarski na bateria, Abujamra se multiplica no palco.

Além do ofício musical, Andre é ator e diretor e as diversas facetas do homem multi-tarefas são escancaradas durante a apresentação. O ator (comediante?) domina a platéia, o diretor cuida de cada detalhe do show, como as participações através do telão, em imagens de vídeo sincronizadas com o que está acontecendo no palco. Sem esquecer, claro, do músico.

A experiência adquirida escrevendo arranjos para teatro e cinema caminha lado a lado com a habilidade de articular recursos tecnológicos, improvisos de jazz e sonoridades étnicas e folclóricas. A banda reduzida dá conta do recado e além — especialmente o baterista — mas mesmo com as bases pré-programadas e as participações virtuais no telão, faz falta outros instrumentos ao vivo, um tecladinho que fosse.

Enfileirando música do seu disco de estréia, “O infinito de pé” (nem tão diferentes assim do Karnak), Abujamra arranjou espaço para participações especias, músicas da antiga banda e para, seguindo a escola de Hermeto Pascoal, brincar de “conga humana” com a platéia. O público adorou e ria sem parar de todas suas intervenções e comentários.

No momento mais desacelerado do show, o Bangalafumenga tocou duas músicas. Depois Paulinho Moska cantou “O mundo” (regravada por ele no disco “Móbile”) e Lenine se juntou ao grupo no encerramento, quando tocaram “Alma não tem cor”. No final, André viu seu pai, Antonio “Havengar” Abujamra na lateral do palco e resolveu tocar mais uma, a excelente “Juvenar”, também do Karnak.

Na última noite, o melhor show do HPP. Tá certo que, mesmo lançando seu primeiro disco solo, Abujamra não é exatamente um estreiante ou uma novidade. Não importa. Divertidíssimo, encerrou muito bem um festival com mais altos e baixos do que o normal.

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“Eu não vou mudar”

* Confira um trecho do show na URBe TV

Primeiro foi Moreno+2, depois Domenico+2. Agora é a vez do Kassin+2. Assim como as duas primeiras variações, o grupo manteve a tradição e mostrou no HPP — em primeira mão — o novo formato, completando o rodízio.

Antes deles, Donatinho, filho de João Donato apresentou seu funk-acid-jazz, com influências de Herbie Hancock à Jamiroquai. Acompanhado por uma boa banda, com destaque pra groovezeira grosseira do baixista André Vasconcelos, o tecladista apresentou músicas próprias e versões, como “Fever”, que já foi regravada por Madonna.

Além dos muitos problemas de equipamento no palco (causados, talvez, pela enorme quantidade de pedais, talk box e instrumentos), depois de um tempo o virtuosismo cansou e a platéia esvaziou. Como diz um amigo meu, show de jazz deveria ter uma regra limitando à apenas uma demonstração de técnica por instrumentista.

O espaço lotou novamente quando o Kassin+2 subiu no palco. Num show concorrido, cheio de nomes conhecidos na platéia (Chrissie Hynde, Los Hermanos, Nelson Motta, Hermano Vianna, etc.) a banda mostrou as músicas que estarão no seu próximo disco, que ainda nem começou a ser gravado.

Na abertura, um tiro certo: “Tranquilo”, música de sua autoria também gravado por Thalma de Freitas. Um pouco nervoso, pela primeira vez na posição de homem de frente, Kassin manteve ao seu lado papéis com as letras das músicas. “Não tenho saco pra decorar”, explicou. Coube ao baterista Domenico o papel de pilar da banda, não deixando desandar nem quando Kassin errou e pediu pra voltar. Domenico seguiu em frente e o conjunto se acertou.

Menos experimental que Domenico+2 e mais pop que o Moreno+2, as composições são calmas, de letras leves, bem diferente do que vê quando Kassin está tocando no Acabou la Tequila. Sua voz é pequena, sim, mas encaixa na proposta. Levadas de guitarrada paraense se misturavam ao cello de Moreno com naturalidade, sem forçar, mostrando que nada ali era gratuito. Boa trilha prum final de tarde, como o estampado no tênis do Kassin.

No repertório, música pra recém-chegada filha, “Quando Nara Ri”, para casais apaixonados e a excelente “Eu não vou mudar”. Da metade pro final, Kassin já estava solto, fazendo brincadeiras, dando gritos de “uhu!” e “Bahia!”, empolgado com o toque nordestino da bateria. Kassin não aguentou e desceu a não nas últimas três músicas, bem mais pesadas, como “Astronauta” e seu vocoder assustador.

Qual será o próximo passo do trio após essa formação é um mistério. Ele tanto pode acabar quanto virar apenas +2, juntando o melhor de cada formação e seguir adiante. Tomara que continuem.

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O perito

Na terceira apresentação, de uma série de quatro dentro da programação do Humaitá pra Peixe, segunda-feira Gustavo Black Alien recebeu Bi Ribeiro no Melt.

Acompanhado pelo DJ Pachu nas bases e cantando músicas do seu disco solo, oextrapunkextrafunk “Babylon by Gus Vol. 1, o ano do macaco”, acompanhado do DJ Pachu, Black Alien mostrou — mais uma vez — porque é o melhor MC do Brasil. Não tem pra ninguém.

Versátil, o rapper vai do agudo ao grave, do canto à fala cavernosa com uma facilidade impressionante, cruzando influências do hip hop ao reggae (a inseparável pulseira red, gold and green não deixa mentir), passando pelo funk. Entre uma música e outra, fala tudo que dá na telha. Cumprimenta os amigos na platéia, fala de política e explica um pouco da história de cada música.

Dedicou “Caminhos do destino” (“Se vc me trair e vem dizer que é meu amigo/ Eu vou atrás, eu instigo, investigo”) pra alguém que não senta mais à sua mesa, disse que “Como eu te quero” é uma história fictícia e explicou que tirou o título da música mais cantada nos shows, “Na segunda vinda”, do nome de uma banda de Niterói da qual era fã na adolescência, o Second Come.

Perto do final, Bi Ribeiro assumiu o baixo, dando um gás e melhorando ainda mais o show. Juntos tocaram três músicas, “América 21″ e “Tranquilo”, do disco do amigo Marcelinho da Lua. No encerramento, com o público pedindo mais, improvisou. Tirou onda cantando em inglês, sem enrolation, “Eric B’s president” (Eric B & Rakim) e fez um medley, citando músicas próprias, “Don’t believe the hype” (Public Enemy) e outras.

Perdeu? Ainda tem mais uma chance. Bobeia não.

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“Mó mancada”

Os shows de ontem do SuperDemo Digital, no Teatro Rival, não rolaram bem. A escalação estava muito grande e a produção não calculou o tempo da troca de equipamentos no palco, gerando muito atraso. Pra completar, o público estava magro.

O resultado disso foram apresentações apressadas e um tanto atrapalhadas. Tirando o Quinto Andar (soltinho, soltinho) e o Digital Dubs (em uma de suas melhores performances) os shows foram abaixo da média.

Nesse cenário nada animador, as coisas ainda deram um jeito de piorar. Mr. Catra, acompanhado apenas do DJ Sandrinho, subiu ao palco pouco antes de 1h. Rezou o Pai Nosso, cantou três músicas e, como a platéia insistiu, voltou pra mais uma. Então os problemas começaram.

Já eram 1h da manhã quando o bis começou. O aluguel da casa ia até 0h30 e ainda faltava o Apavoramento e o Lunnatackz tocarem. Pra encerrar sua entrada, Catra escolheu “Bonde dos maconheiros”, clássico do seu repertório. No meio da música o som foi desligado e teve início um jogo de empurra entre a produção do evento e a da casa.

Pessoas que estavam bebendo do lado de fora do Rival disseram que desde meia-noite acontecia uma discussão sobre a hora do encerramento. Quem queria entrar era avisado que a noite estava acabando. Lá dentro, o papo era outro.

O motivo do corte do som, conforme um técnico de som se esforçava em explicar para Mr. Catra, teria sido o fato da letra da música falar de maconha. O mesmo funcionário disse ainda que segundo a direção do Rival, a casa conta com o apoio da Petrobrás, uma empresa pública, e não podia infrigir a lei ao deixar um artista fazer apologia no palco.

“Não é a primeira vez”, repetia Catra, “se eu fosse ministro seria diferente”, em clara referência à versão do ministro Gilberto Gil para a música “Kaya now”, de Bob Marley (“Maconha agora”, no dialeto jamaicano).

Se não foi a primeira, bem poderia ser a última. Não bastasse o discurso ultrapassado, as leis obtusas e uma política de repressão ineficaz, mais uma vez tentam cercear o direito de se falar sobre o assunto. Questionar e discutir é bem diferente de fazer apologia. Já passou da hora da sociedade enxergar isso. Hoje não pode falar disso, amanhã, vai saber.

É bem provável que o motivo do corte tenha sido mesmo o fato do evento ter estourado o tempo previsto. A questão da maconha teria sido então apenas a desculpa pra encerrar o assunto. Seja como for, é desculpa esfarrapada. E hipócrita.

—-

[N.A.] Esse texto foi escrito com base somente no que vi, ouvi e presenciei no evento. Ninguém foi oficialmente entrevistado. O URBe está aberto para futuras explicações ou direitos de resposta.

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Folha de S.Paulo, 01/12/04

Matéria sobre o festival SuperDemo Digital.
(disponível on line somente para assinantes do jornal. a programação do evento está na “Agenda” ao lado)

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Clipping

O dub no Brasil (e o documentário Dub Echoes) numa matéria da Revista Época.

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“O MP3 vai acabar com a indústria fonográfica” (provérbio capitalista)

A indústria fonográfica da Grã-Bretanha está comemorando o que foi o melhor ano em vendas de discos da história: os britânicos compraram 237 milhões de álbuns entre setembro de 2003 e setembro de 2004.

Adivinha graças ao quê?

link passado pelo Julio Adler.

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De mudança

O disco do Quinto Andar cansou deste pavimento e subiu no telhado. Pelo menos por enquanto. De Leve conta porque e desce o sarrafo na revista OutraCoisa, do Lobão.

Se a história for essa mesma, situação sinistrinha essa.

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Rádio 2

Dia desses fui convidado para botar um som e falar sobre o documentário Dub Echoes no 5 Estrelas, programa apresentado por Rodrigo LariúSol Moras na rádio Viva Rio, 1180 AM.

O programa devia ter ido ao ar semana passada, mas ficou pro dia 07/12 (na madrugada de segunda para terça, das 2h às 3h da manhã). Devido ao atraso, o programa já está disponível on line na página do Cinco Estrelas na Rede Viva Favela (é o de 11/23/04).

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SuperDemo, 30/nov à 05/dez

O festival SuperDemo Digital irá traçar, através de shows e palestras, um panorama das últimas tendências da música contemporânea e da arte multimídia brasileira. A programação vai além dos shows e é extensa. + info no saite.

Teatro Rival
01/11 (quarta)
das 19h à 0h30
R$20 (15 com filipeta, 8[sic] estudante)

Edifício Galaxi
A Filial
Quinto Andar + participação de Rabu Gonzales
Binário
Digital Dubs Sound System
Mr Catra + dj
Apavoramento Sound System

Lunattackz
+
VJs Jodele Larcher, Jera Calderon e Nirvana

——————–

Teatro Odisséia
03/12 (sexta)
21h
R$16 (12 com filipeta)

Nervoso
Efeito Coletivo (coletivo formado por grupos eletrônicos do RJ – JMX_Ouvintes_Gerador 0 e Voz Del Fuego)
Botecoeletro
Talma Pizelli
P.I.B.
+
Mostra Download (filmes e animações baixados da internet)

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“Eu podia estar roubando…”

Se aprovadas, mudanças na Lei Rouanet (de incentivo à cultura) vão tornar possível pessoas físicas fazerem doações para projetos culturais por meio da internet. Se o instrumento entrar em prática, qualquer pessoa poderá escolher um projeto na página que será criada na internet, fazer o depósito on-line e receber, da mesma forma, o certificado para descontar 100% do valor no imposto de renda.

Interessante, parece simples e fácil. Resta saber se vai funcionar assim mesmo.

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A instigação do Mr. Niterói

Quem já ouviu Gustavo Black Alien conversando sabe que o rapper não sossega nem quando está de papo. Dedicado à sua arte 100% do tempo, ele rima até quando fala sobre seu dia. Com a cabeça trabalhando nesse ritmo, nada mais natural que Black Alien lançasse um álbum solo.

No entanto, apesar de muito aguardado, esse disco demorou quase dez anos pra nascer. Depois de passar pelo Planet Hemp, de diversas participações em trabalhos dos outros (Raimundos, Herbert Vianna, Marcelinho da Lua, Sabotage), da parceria com Speed, do Reggae B, das canjas em shows de sabe-se lá quantos artistas e sempre cercado de gente, Black Alien finalmente aparece sozinho em “Babylon by Gus Vol. 1 – O ano do macaco”.

Para marcar a estréia solo, no disco não há outra voz além da de Gustavo. Isso não o torna de maneira nenhuma monótono. As muitas facetas de Black Alien — MC,raggaman, cantor — são mais do que suficientes pra dar conta do recado.

Convidados, só na parte musical, e ainda assim em poucas faixas. Rhossi (programação), o paralama Bi Ribeiro e Pupilo da Nação Zumbi participam em “América 21″, o trombonista Bidu Cordeiro em “From Hell do Céu” e o guitarrista Rafael Crespo (Planet Hemp) toca em “U-Informe”.

Produzido por Alexandre Basa (Instituto, Mamelo Sound System), “Babylon by Gus…” é um disco à altura das expectativas em torno do seu lançamento. Cada música tem personalidade própria, sem nunca perder o senso de unidade com o resto das faixas. As muitas influências — escancaradas na lista de agradecimentos repleta de nomes como Eek-A-Mouse, Roots Manuva, Sizzla ou Gangstarr — transparecem na produção.

Um nome que não está nessa lista, mas bem poderia estar, é o de DJ Shadow; o timbre oriental de “Mr. Niterói” não deixa mentir. O funk carioca e o dancehall dão as caras na letra cheia de sacanagem e na batida de “Perícia da delícia” e o piano à italiana da faixa-título entrega a paixão de Black Alien pelos filmes “Scarface” e o “Selvagem da motocicleta”. A matadora “Caminhos do destino”, melhor do disco, é tão boa que, dizem, só não foi a primeira música de trabalho porque seria uma escolha óbvia demais.

Não deixe os refrões ganchudos te distraírem, as letras e mensagens contudentes merecem igual atenção. Em “U-Informe”, par-perfeito para “Tribunal de rua” do Rappa, Black Alien descreve uma dura policial tão torta quanto são, lamentavelmente, corriqueiras.

Segundo o calendário chinês, 2004 é o ano do macaco, ano de sorte para os doidões e para as mentes criativas. Se o Vol. 1 do título for mesmo um indicativo de quem vem mais discos pela frente e os próximos mantiverem o nível desse, todo ano vai ser o ano do macaco.

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Eleições na tela

Nunca a imagem de um ingresso usado sendo colocado numa urna pelo bilheteiro teve tantos significados simbólicos nos EUA. A julgar pelos títulos em cartaz, as próximas eleições podem ser mesmo decididas no cinema.

O documentário Going Upriver: The Long War of John Kerry (Subindo o rio: a longa guerra de John Kerry) é a sequência lógica de “Fahrenheit 9/11″. Com a mesma força que Michael Moore ataca George Bush em seu filme, o diretor George Butler mostra a transformação de John Kerry — de herói de batalha à líder ativista contra a guerra no Vietnã.

As críticas positivas da revista Times e do jornal New York Times, somadas ao estrago feito por “Fahrenheit 9/11″, podem fazer do filme um catalisador para os indecisos, os verdadeiros votos em disputa nessa campanha.

Independente do resultado das eleições norte-americanas, esse ano teremos uma boa mostra de até onde vai o poder de persuasão dos documentários.

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Nasce uma favela

Está circulando um e-mail, assinado simplesmente por “Cidadão do Rio de Janeiro”, denunciando as construções ilegais na encosta do morro acima da Rua Major Rubens Vaz, na Gávea. Mais uma favela para coleção. Até aqui — infelizmente — nenhuma novidade.

O lugar foi batizado de Vila da Major e cresce logo acima do Jardim Botânico, no morro que separa os bairros da Gávea e Horto. Acompanhado de fotos (como a que ilustra o texto, mostrando os barracos atrás dos prédios), o e-mail diz que o acesso à encosta, por onde sobe o material de construção, se dá por uma espécie de corredor, localizado ao lado da 15ª Delegacia de Polícia.

Segundo o “Cidadão RJ”, já existe um traficante estabelecido no local, determinando quem pode ou não ser novo morador da comunidade. Em resumo: desmatamento, ocupação ilegal e tráfico de drogas. E o acesso à esse lugar é feito por um corredor ao lado de uma delegacia de polícia.

O “Cidadão” conta ainda que notificou o fato ao deputado Carlos Minc e que há cerca de dois meses a nova favela foi noticiada no jornal O Globo. Até agora, nenhuma ação foi tomada.

Documentaristas de plantão, taí um assunto e tanto pra se registrar. O nascimento de uma favela na Zona Sul carioca não é coisa que aconteça todo dia. Ou então, do jeito que as coisas vão, vai virar fato corriqueiro.

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Estréia

Fique ligado na MTV hoje à noite. O URBe avisa em primeira mão: a grande surpresa da festa é a estréia do aguardado novo projeto de Marcelo Yuka, o F.UR.T.O.

O disco já foi gravado e será mixado ainda esse mês por Adrian Sherwood, nome fundamental do dub nos anos 80 e 90 e que produziu, entre muitos outros, o último do Asian Dub Foundation.

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Censura on line

O vizinho de Gardenal, Alexandre Inagaki, deu o alerta: uma decisão judicial tirou o blog Imprensa Marrom do ar.

Precedente perigosíssimo, a história fica ainda mais cabeluda se você pensar que o motivo da ação não foi nem um texto do dono do blog, mas um comentário deixado por algum leitor.

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Piada?

Meio difícil entender esse tal de Festival da Independência. Pra começar, erraram o mês. Depois, fizeram um saite que termina em .com em vez de .com.br, mais apropriado.

Pior mesmo, só a escalação, totalmente fora de sintonia com o que é a música independente do Brasil. Sem falar que escolheram a Apoteose por supostamente ter a melhor acústica do Rio. Tem uma coisa pior ainda: o preço, R$90. Vai?

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Papo chato

Eleições, política, tudo isso é papo chato. Realmente, pessoas que não tem interesse em discutir assuntos e questões que afetam sua vida de maneira direta geralmente são chatas e desinteressantes. Acorda. Não adianta fugir de suas responsabilidades, culpar o Estado. É preciso participar.

Domingo é dia de votar e aqui no Rio o quadro é desanimador. Ninguém discute propostas; nem os candidatos, nem os eleitores. Enquanto os políticos gastam seu tempo atacando-se mutuamente, resta a nós, cidadãos, elaborar estratégias de voto para evitar o pior. Fugir do Crivela, forçar segundo turno, essas são as opções. Triste.

As questões culturais, pra ficar no assunto principal desse saite, são totalmente ignoradas. Cultura alternativa então, nem pensar. E isso é tão importante quanto falar de orçamentos ou segurança pública.

Para muitos de nós — e nós somos muitos, cada vez mais — não se trata apenas de sair pra dançar no sábado a noite; música e arte são uma parte fundamental de nossa vidas. Por isso, assistir a decadência cultural do Rio, totalmente fora do calendário de eventos, é desesperador.

Isso aqui é uma campanha, sim, mas não pra ninguém específico, é pelo voto. O único pedido é para você escolher bem em quem vai votar. Não vote porque é obrigado, vote pra mudar. Isso sim é importante.

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100 anos de perdão

Logo na abertura, uma voz debocha: “essa gravação digital é um oferecimento da EMI, maior empresa musical do mundo”. Na sequência, a voz de Peter Jennings, apresentador da ABC, confirma, “é mais um pesadelo de direitos autorais para indústria da música”. E é mesmo.

Dessa vez, o motivo da dor de cabeça é o Kleptones. Todas as bases do seu novo lançamento, “A night at the hip hopera”, foram feitas utilizando trechos de músicas do Queen, misturadas a vocais de nomes conhecidos do hip hop.

Como o nome indica, o Kleptones (algo como “cleptomaníacos sonoros”) não é estreiante no assunto. O Flaming Lips, entre outros, também já viu seu disco se transformar em “Yoshimi battles the hip hop robots”.

“A night at hip hopestra” sampleia vocais de nomes conhecidos: KRS-One, Bambaataa, Justin Timberlake, Grand Master Flash, Kelis, Dilated Peoples, Beastie Boys, Eminem e até Vanilla Ice e Iggy Pop se revezam no papel de Fred Mercury, além de diálogos retirados de filmes como “O grande Lebowski” and “Curtindo a vida adoidado”. Algumas coisas são fáceis de identificar, outras nem tanto. Tem até saite listando os “convidados” de cada música.

Pouco tempo depois do barulho causado pelo DJ Danger Mouse e seu “Grey Album” (que sampleava Beatles e Jay Z), a EMI, detentora dos direitos das músicas dos Beatles e do Queen toma outro golpe. Justamente no mês em que uma corte dos EUA determinou que os artistas devem pagar por qualquer sample utilizado, o disco está circulando freneticamente pela rede. Fina ironia.

Talvez, os executivos das grandes gravadoras devessem escutar o recado da música que encerra o disco, um manifesto contra as atuais leis de direito autoral utilizando exatamente “Who wants to live forever?” como base. É bom entenderem logo de vez e ceder aos novos tempos. Está mais do que provado que ninguém vai viver pra sempre nesse mercado.

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