Tag: alexandre matias


terça-feira, 25 de agosto, 2009

Mixtapes

O Matias voltou a ativa com a chuva das boas e velhas mixtapes, essa verdadeira tradição musical contemporânea. Agora rebatizada On The Run, a sessão está transbordando pepitas selecionadas por gente como Danger Mouse, Nuts, Yoda e por aí vai.

Postado por Bruno Natal às 14:19 | Sem comentários | Permalink

segunda-feira, 29 de junho, 2009

+ MJ


foto: seibei

O Matias continua as homenagens a Michael Jackson com mais três podcasts da série de quatro: as menos conhecidas, MJ da infância a fase adulta e, claro, os hits.

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sexta-feira, 26 de junho, 2009

Celebrando MJ


MJ ensaiando “Billie Jean”, dica do Oow

Hoje é dia de ouvir Michael Jackson, então peguemos carona na parte 1 da homenagem ao Rei do Pop do podcast Vida Fodona, do meu vizinho Alexandre Matias, enfileirando alguns remixes. Na parte 2 virão os clássicos.

Rhymefest & Michael Jackson - “Windbreaker Skit”
Michael Jackson - “Can’t Help It (Todd Terje Edit)”
ComaR - “My Love, Billie Jean”
Party Ben - “Promiscuous with You”
Jackson 5 - “I Want You Back (Z-Trip Remix)”
Michael Jackson - “Don’t Stop (T&T Version)”
Michael Jackson - “Thriller (Louis La Roche Remix)”
Michael Jackson - “Smooth Criminal (Telemitry Remix)”
Michael Jackson - “Smooth Criminal (LAZRtag)”
Rhymefest & Michael Jackson - “Caught Up Skit”
Michael Jackson - “Rock with You (Frankie Knuckles Remix Soft Jazz)”
Rhymefest & Michael Jackson - “Flip It Skit”
Freemasons feat. Jackson 5 - “ABC”
Michael Jackson - “Pretty Young Thing (Demo) (U-Tern Edit)”
Rhymefest & Michael Jackson - “Man in the Mirror”
DJ Gizmo - “Just Thriller”
Corporation - “Michael Feels Like Green Onions”
Divide & Kreate - “I Told You to Beat It”
Mark Ronson & Michael Jackson - “Mark vs. Mike”
Jackson 5 - “Forever Came Today”

Pra fechar, outra dica do Oow na homenagem a MJ, copio a legenda dele:


SE LIGA NESSA BATIDA MANÉ.
ISSO ERA DO ULTIMO DISCO LANçADO ,PORRA!
E AINDA DIZEM QUE O CARA PAROU DE FAZER MUSICA
NOS ANOS 80/90….TSC-TSC-TSC, INFELIZES

Postado por Bruno Natal às 12:09 | 2 Comentários | Permalink

quarta-feira, 10 de junho, 2009

Boss in Drama x Superpose

Falou o Matias sobre o Boss in Drama (agora sem os cifrões no lugar da letra “S”):

“A nova cena eletrônica do Sul aos poucos começa a dar as mãos - saca esse remix que os catarinas do Superpose fizeram pro curitibano Bo$$ in Drama. Vi lá no INMWT. Isso me lembra de falar dessa cena de Floripa, que anda esquentando cada vez mais…”

A tungada do texto do meu vizinho tem motivo e a explicação vem logo mais. Lembra que tem festa do URBe no dia 20 de junho, no Cine Glória? Pois então, as peças começam a se encaixar.


Bo$$ in Drama - “Favorite Song (Superpose Remix)

Postado por Bruno Natal às 14:24 | 1 Comentário | Permalink

sexta-feira, 28 de novembro, 2008

Treze

Parabéns para o Trabalho Sujo. Hoje o meu vizinho comemora 13 anos.

E como sempre, Matias diz que esse vai ser O ano. Todo ano é assim.

Postado por Bruno Natal às 10:45 | Sem comentários | Permalink

sexta-feira, 31 de outubro, 2008

ET

Matias relembra os 70 anos da primeira invasão alienígena.

Postado por Bruno Natal às 10:15 | Sem comentários | Permalink

quarta-feira, 22 de outubro, 2008

Corta e cola

No mesmo dia que o Matias falou do vídeo acima, encontrei por acaso dois textos interessantes no Overmundo sobre Creative Commons, um do Hermano, outro do Ronaldo que complementa bem o assunto.

Não entendo bem porque o povo da CC tenta fazer o troço parecer mais complicado do que de fato é, ainda mais quando vendem a idéia de simplificar o processo.

Quem já lidou com contratos, sabe que é preciso um advogado para redigir minutas e definir as condições do acordo. Isso, obviamente, custa dinheiro.

O que o Creative Commons faz, como se numa ação benevolente de um escritório de direito, é disponibilizar uma série de minutas pré-redigidas e inter-relacionadas, abertas ao uso por qualquer um.

Uma tremenda mão na roda, mas não é nenhuma nova lei ou processo paralelo, como muita gente parece acreditar.

Postado por Bruno Natal às 13:22 | Sem comentários | Permalink

sábado, 18 de outubro, 2008

Tina x Palin

Excelente matéria falando da influência das imitações da Tina Fey na carreira política de Sarah Palin, pescada na coluna do Ricardo Calil (linkado pelo Matias).

O principal assunto é um esquete em que Tina Fey simplesmente repetiu, palavra por palavra, as respostas de Sarah Palin numa entrevista. Não precisou mudar nada para soar absurdo e provocar risadas.

Postado por Bruno Natal às 12:04 | 2 Comentários | Permalink

quarta-feira, 15 de outubro, 2008

BRR

Os gênios do Hermes & Renato e a noite paulistana. Via Matias.

Postado por Bruno Natal às 11:32 | 2 Comentários | Permalink

domingo, 21 de setembro, 2008

Do outro lado


Marcelo Camelo e Mallu Magalhães, “Janta”

Quando a Mallu Magalhães surgiu já estava aqui em Londres. Foi uma tremenda inversão no fluxo de informação com o qual estou acostumado. Em vez de estar no Brasil acompanhando a cena local e ouvir falar de uma nova banda gringa, dessa vez estava acompanhando o surgimento de uma artista brasileira a distância.

Até agora, não entendi bem o motivo do alvoroço, além do fato da menina ter 15 anos e demonstrar uma maturidade acima da média (ou do que se espera da média), mesmo motivo que chamou atenção para artistas como Stevie Wonder ou de trocentos deejays jamaicanos, tal qual Barrington Levy.

Como ainda não vi o show, não tenho opinião formada. Porque pra ter certeza do que se trata, ainda mais num som intimista como esse , só vendo ao vivo. Por enquanto, só fica uma curiosidade grande de ver de perto isso tudo.

Mesmo assim, vendo o vídeo acima no Matias, é difícil não se emocionar junto com a menina. De certa forma, as lágrimas da Mallu são a cristalização do papel do Marcelo Camelo para as gerações vindouras.

Falando em Camelo, sua estréia solo, tem tomado pancada de tudo quanto é lado. Uma das principais críticas é de que soa como o “4″, último disco do Los Hermanos, como se isso fosse um atestado de má qualidade.

Apesar de estar abaixo do nível dos trabalhos anteriores, “4″ tem uma meia dúzia de músicas bem legais. Talvez não tão bem amarradas ou bem resolvidas em termos de estrutrura e de arranjo, mas ainda assim boas.

Pra mim, “Sou” é um disco bacana. Não é arrebatador, mas traz boas canções e tem onda. Ele pode ter pecado em ter engessado ou moldado demais o Hurtmold, banda de apoio, impedindo uma maior contribuição no resultado sonoro final. Pode ter sido pouco para aplacar a expectativa em torno de Camelo.

De qualquer jeito, hoje em dia é difícil agradar. Se o sujeito faz o que dele se espera, tá ultrapassado. Se inova, tá querendo inventar moda. Prefiro esperar mais um tempo, ouvir mais vezes, de preferência distante do frenesi do lançamento, pra concluir alguma coisa.

Postado por Bruno Natal às 9:51 | 11 Comentários | Permalink

terça-feira, 16 de setembro, 2008

OEsquema

Matias dá uma geral nas notícias da rede em mais duas edições do seu Leitura Aleatória

Arnaldo retoma a tira “Seja na terra, seja no mar”, dedicada ao mais querido do Brasil.

Mini comenta o espetáculo “Fuerza Bruta”, em cartaz em SP.

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terça-feira, 9 de setembro, 2008

OEsquema

Matias dá um link para baixar 1001 discos para ouvir antes de morrer.

Mini lança “Minimalismo”, nova música do seu Walverdes.

Arnaldo, ainda bem, continua alfinetando o sub-mundo intelectualóide.

Postado por Bruno Natal às 12:57 | Sem comentários | Permalink

terça-feira, 2 de setembro, 2008

Vazou


Camelo e Mallu

O disco solo do Marcelo Camelo só sai na segunda, dia 08, mas é claro que “Sou” já vazou.

O Matias fez um apanhado, com links e algumas faixas pra escutar. Não concordo exatamente com tudo o que ele falou do disco, mas pra simplificar, dá um pulo lá enquanto eu não cozinho uma resenha aqui.

Postado por Bruno Natal às 12:49 | Sem comentários | Permalink

segunda-feira, 1 de setembro, 2008

Essepê


João Brasil @ SP

O mito João Brasil passou por São Paulo, pra tocar na festa Gente Bonita e, segundo relatos, derrubou a casa. O Matias, dono da festa, fez esse vídeo no escuro, mas dá pra sentir o clima.

Postado por Bruno Natal às 14:01 | Sem comentários | Permalink

quinta-feira, 21 de agosto, 2008

OEsquema


Free Air Waves

Matias fala do projeto de wi-fi Free Air Waves, do Google.

Mini mostra as referências oitentistas do novo comercial da Sony.

Arnaldo, pra variar, alfineta o mundo do cinema.

Postado por Bruno Natal às 13:00 | Sem comentários | Permalink

segunda-feira, 11 de agosto, 2008

Começou

Finalmente, OEsquema.

Não se trata de um saite, de um blogue coletivo ou de uma revista eletrônica. Se for pra resumir, OEsquema é a intercessão de quatro blogues, que continuam rodando de maneira independente, porém agora com um ponto de contato comum.

A idéia é antiga, sempre foi ventilada em bate-papos, mas nunca com a seriedade necessária pra de fato sair do papel.

Desde 2004 era vizinho do Matias (Trabalho Sujo) e do Arnaldo (Mau Humor) no Gardenal.org. Bem antes disso, porém, nossos caminhos se esbarram, tanto on line quanto off line.

Conheci o Arnaldo em 2000, quando trabalhamos juntos numa empresa de desenvolvimento de saites. O Matias conheci pouco depois, em 2003, primeiro via e-mail, depois pessoalmente no último show do Planet Hemp, no Canecão. O Gustavo Mini (Conector) só fui conhecer ao vivo agora em 2008, aqui em Londres, no show do Radiohead.

Sempre lendo e lincando uns aos outros, além de termos leitores em comum, o papo de que seria muito mais fácil estar sob o mesmo teto virtual foi crescendo. Aos poucos, sem pressa, depois de muitas conversas, nasceu OEsquema.

A casa ainda está um pouco bagunçada, o Gabriel Lupi e Bruno Nogueira, responsáveis pelo design e desenvolvimento d’OEsquema, ainda vão implementar algumas novidades.

Como a página principal, que não será nem de longe parecida com o que está no ar essa semana. Estréia boa é assim mesmo, ao vivo.

Qual é exatamente o tal esquema, vamos descobrir a partir de agora. A resposta deve estar em algum lugar, mas a graça mesmo é procurar.

Atualizem o RSS: http://www.oesquema.com.br/urbe/feed/

Postado por Bruno Natal às 1:30 | 2 Comentários | Permalink

segunda-feira, 26 de fevereiro, 2007

* Red Bull Music Academy, 27/Mar

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Na terça-feira, 27, vai rolar a etapa carioca do Info Sessions, parte do Red Bull Music Academy. Estarei presente na mesa de discussão, sobre os novos papéis que um músico tem que assumir para se estabelecer no mercado hoje.

Rio Scenarium (Rua do Lavradio, 20 – Centro)
Red Bull Music Academy - Info Sessions

Palestrantes: Marechal, Marcelo Lobato (O Rappa), Dr. Nehemias Gueiros (direito autoral), Bruno Natal (URBe) e Alexandre Matias (Trabalho Sujo)

+ show da Jam Session (Big Band formada com músicos locais)

27/03 (terça-feira)
19h
Grátis (entrada por ordem de chegada, sujeito a lotação da casa)

Postado por Bruno Natal às 13:54 | Sem comentários | Permalink

sexta-feira, 16 de fevereiro, 2007

Infinitamente viral

googletvlogo2.jpg

No dia 26 de janeiro, surgiu um vídeo no YouTube que supostamente devendava os segredos do Google TV, ainda em versão beta, serviço que transmitiria a programação de três das maiores redes de TV americanas, gratuitamente.

Não satisfeito, o autor da façanha, Mark Erickson, ensinava como qualquer um poderia se auto-convidar para ser um dos primeiros usuários da novidade. A história está bem explicada pelo Alexandre Matias, no Trabalho Sujo.

A notícia veio em uma edição do videocast Infinite Solutions. Apresentado e dirigido pelo tal Mark Erickson, o programa dá dicas de tecnologia e soluções para problemas técnicos tão inusitados quanto como aumentar seu sinal Wi-Fi enrolando um cabo de internet em torno de um celular, como atualizar seu iPod automaticamente com conteúdo do YouTube ou recarregar pilhas.

Naturalmente, em se tratando de Google, o vídeo sobre o Google TV causou um auê e rapidamente a história foi replicada pela rede. Dois dias depois, no dia 28, o Techcrunch desmentia a história, embora com poucos argumentos. O próprio Mark fez um vídeo resposta, defendendo sua descoberta, assim como fizeram outros internautas, para confirmar a veracidade das informações. O Google TV era pra valer.

infinitesolutions.jpg

A história estava bem contada e, principalmente, bem montada. Tão bem montada, que gerou desconfianças. Uma das pistas capazes de entregar a farsa do “Infinite Solutions”, ademais do próprio histórico de vídeos absurdos do programa, foi justamente o excesso de zelo com o dizáine.

A Fatal Farm, produtora do vídeo, deve ter se empolgado com a oportunidade de criar um visual tosco, tão em voga atualmente, e exagerou na dose.

Do apresentador, um tipo que lembra um Napoleon Dynamite mais velho e de cabelo alisado, ao logo do programa, o capricho no clima retrô-tosco tem como objetivo criar uma atmosfera caseira e, com isso, imprimir credibilidade.

Essa estética está na moda e mandar um dizáine retrô bem feito assim, tão bom que parece natural, não é brincadeira. É coisa de profissional. O cuidado em cada escolha é perceptível. Ator, locação, objetos de cena, tudo milimetricamente pensado para parecer verdadeiro. Feito para se tornar — atenção, marqueteiros, para a palavra do momento em 10 entre 10 agências — viral.

Funcionou. O esquete foi assistido mais de 280 mil vezes em dez dias, mesmo com um artigo na Wikipedia sobre o Google TV mostrando, ponto por ponto, a mentira ou do Technorati explorar a mesma mídia para questionar o vídeo. A quantidade de conteúdo gerado para discutir o vídeo é espantosa.

Alguns incrédulos questionaram, “mas fazer um viral desses pra promover o que, se o serviço (ainda?) não existe?”. Ora, para promover a Fatal Farm, o ator, eles mesmos, enfim, o que não é pouca coisa. Imagina-se que tenha dado certo, um “Tapa na pantera” em proporções maiores.

viral_tira.jpg

A fixação com os virais aqueceu após a bem sucedida campanha da Virgin, “Exercise you music muscle, que escondia 75 bandas codificadas numa figura. Segundo consta, a expectativa dos criadores não era que tomasse a proporção que tomou.

Daí pra frente, toda empresa está a trás do seu viral, a ação de markteing perfeita, que se espalha sem fazer força, em alguns casos confundindo o simples ato de despejar propaganda na rede com a troca espontânea de um bom vídeo entre os usuários.

Converse com algum publicitário ou gente de departamento de marketing de alguma empresa grande e é só isso que você vai ouvir. Trazendo o exemplo pra perto, do ano passado pra cá, absolutamente todos os vídeos que venho produzindo vêm com a observação para “prestar atenção nos possíveis virais escondidos no material”.

Essa obsessão tem consequências que merecem ser discutidas. Tateando o novo caminho, agências especializadas no chamado marketing de guerrilha, vem alternando boas idéias com outras péssimas.

Os virais começaram a se tornar um festival de pegadinhas, apontada para os desavisados e, em alguns casos, abusando da boa fé das pessoas. Parte deles, hoje, consistem em mentiras bem contadas, sem um fundo de verdade sequer.

O assunto está presente também no cinema, muito antes do sucesso de Borat. De “Vérités et mensonges”, de Orson Wells, também conhecido como “F for fake - verdades e mentiras” (1974), à “Mera coincidência” (1997), o poder das verdades midiáticas é constantemente debatido.

Ou mesmo antes disso, quando em 1938 — de novo ele — Orson Welles fez uma leitura de “Guerra dos mundos” (de H.G. Wells) no rádio, apavorando os ouvintes.

É cedo pra dizer se o uso desses atalhos, pra não dizer trapaças, pode diminuir o mérito do sucesso de algumas dessas campanhas ou mesma fazê-las ter efeito contrário: repulsão no público alvo, seja por questionamentos éticos ou por sentir-se enganado.

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Se você acompanha o URBe regularmente, pode estar pensando, “sei, mas e o faking of?”. Salvo engano, o documentário sobre as gravações do disco do Moptop que mistura realidade e ficção, tem a função explícita de divulgar a banda. Não há nada escondido.

Enquanto o Google TV não vem pra valer (se é que já não veio), o SopCast, apoiando-se nas redes P2P, faz suas transmissões.

Complicado é conseguir alguma informação concreta sobre o saite. Na Wikipedia, por algum motivo, o verbete referente ao SopCast foi deletado pela administração do saite, que aproveitou pra imperdir que ele seja recriado.

Apesar do sucesso do YouTube, TV na internet continua um mistério.

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terça-feira, 9 de janeiro, 2007

Melhores de 2006

2006.jpg

Lista, de qualquer coisa, definitivamente, não é comigo. Em dezembro sempre tento fazer uma com os melhores do ano que passou e acabo confundindo ano de lançamento de disco, esqueço uma pancada de coisas, não dá certo. Mesmo porque, não consigo muito hierarquizar música.

Algum ano organizarei um planilha de Excel com tudo que vi e ouvi, como faz um psicopata que conheço.

Enquanto isso não acontece, por afinidade, indico a lista do Matias. E também por possibilitar, via podcast, a audição de quase tudo que lá está. Vai que é quente.

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sexta-feira, 15 de dezembro, 2006

Podcasts

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Podcast, pra quem não sabe, são programas de áudio (como os de rádio) distribuídos em formato MP3 pela internet.

Esses programas podem ser “assinados” e atualizados automaticamente no seu computador utilizando agregadores de conteúdo (como o iTunes, no caso de áudio), através de um código RSS. Ferramentas da tal Web 2.0, cada vez menos restrita aos geeks.

Simplificando: programas de rádio, geralmente caseiros, que podem ser baixados e escutados no computador, tocadores de MP3 ou mesmo on line. O termo vem da junção das palavras iPod e broadcast (transmissão de rádio e TV).

A tecnologia também serve para textos. Caso você nunca tenha notado, há um botão laranja escrito “RSS” na caixinha de busca ao lado. Copie o link (botão direito em cima da caixinha / copiar atalho), adicione a um agregador de textos (o del.icio.us é um bom exemplo) e assine o URBe.

O assunto está longe de ser novidade e (fora a propaganda do RSS do saite) a explicação foi só pra acompanhar uma listinha de alguns bons podcasts que deveria estar por aqui faz tempo.

——-

XLR8R - Novidades da música eletrônica direto da redação da revista. Tem o formato mais legal. Curto e sem locução, semanalmente apresenta quatro músicas, oferecidas pra baixar na íntegra no saite.

Vida Fodona - O grande Matias e sua verborragia cultural, acompanhada por grandes músicas e bons papos.

Discofonia - Sem periodicidade definida, a cada programa Guilherme Werneck explora temas como “Instrumental brasileiro”, “Música abstrata” ou recebe convidados.

rraurl - Eclético, não tem um responsável apenas e é feito por diversos colaboradores do saite.

URBe - Qualquer hora vem, preciso de um microfone…

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segunda-feira, 6 de novembro, 2006

Escola do rock

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Frank Jorge, o professor

“A Unisinos acabou de criar a solução para quem sempre quiser seguir carreira mas sentia falta de uma base educacional e um pouco de motivação para enfrentar o competitivo mundo musical. O nome é comprido, mas a moral é bem simples: curso superior de Formação Específica de Produtores e Músicos de Rock.”

via Matias > Cardoso > sabe como é…

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quinta-feira, 21 de setembro, 2006

3 anos, a festa


3 anos, o vídeo: toscamente gravado com uma câmera fotográfica
digital. No escuro.

Já é uma tradição. No dia da festa de aniversário do URBe, cai um temporal, bate o desespero “ih, não vai ninguém!” e, no final, dá certo. Na comemoração dos 3 anos, mais uma vez, foi exatamente assim.

Com um atraso de quase seis meses, finalmente a festa saiu do papel. Depois do susto com a chuva, as coisas entraram nos eixos e cerca de 400 pessoas foram ao 00 se acabar até as 4h e pouca da manhã.

As 23h, quando o Cooper Cobras começou a tocar, ainda havia pouco público. Azar de quem chegou tarde.

O power trio provou que não se passa anos ouvindo Fu Manchu, Karma to Burn e outros ícones do stoner rock impunemente e mostrou músicas contaminadas pelo estilo, como “Até o fim do show”, “Primeiro lugar” e “Pequenas tragédias”. A performance energética do grupo, que sem fazer força vai chamando cada vez mai atenção, com direito a subidas no bumbo e dancinhas, garante a diversão.

Como bom anfitrião, fiz as honras da casa e botei som depois do show. Enrolado com a produção da festa e Sem tempo pra separar músicas, levei uma pá de CD-Rs véios e embolei New Order, Mr. Catra, Ellen Allien, Les Rythmes Digitales, João Brasil, Madonna e Daft Punk. No final, consegui entregar a pista cheia para o próximo DJ.

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Segura o “lainâp”

O lugar já estava bem cheio quando Rogério Flausino assumiu as carrapetas. Fazendo um set de house e tocando praticamente só vinis, o mineiro arrancou gritos de empolgação da galera. Além, claro, de comentários elogiosos de alguns incrédulos que diziam “ué, mas é muito bom!”.

Entre remixes da DFA — para “Deceptacon” (Le Tigre) e “Dare” (Gorillaz) — e discos da Antipop, Flausino manteve a pista lotada e passou a bola, redondinha, para Nego Moçambique.

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Matias e o Comitê Presença 2006

Enquanto o o bicho pegava do lado de dentro, do lado de fora o comitê de candidatura do Capitão Presença a presença angariava votos para causa. Sob o comando do criador e da criatura, houve farta distribuição do material de campanha e os bottons foram bastante disputados.

Finalizando seu aguardado segundo disco no estúdio do Dudu Marote, Nego Moçambique contou que a masterização está marcada para dia 28 de setembro. Será que agora, depois de muitos atrasos, realmente sai? “Reza a lenda”, brincou o próprio.

Enquanto a bolacha não vem, Nego tocou várias músicas novas nessa apresentação. Coisas tão novas que nem no disco estarão, pra desespero do dono da sua gravadora, Daniel Di Salvo, alucinado justamente por essas produções.

Com equipamento novo — substituiu todos os periféricos que utilizava por uma MPC 4000 — Nego, mais uma vez, arregaçou. Dançou, cantou, pulou e fez pular durante mais de uma hora de breaks, grooves e colagens insanas demais pra explicar. A galera se acabou na pista e isso é o que importa.

Durante a troca de equipamentos para entrada do live do Bass Comando, levemente complicada, Alexandre Matias aproveitaria o horário de pico para adiantar alguns dos mash ups que prometeu.

Não deu certo. Devido a uma creca inexplicável no sistema de som, os graves sumiram, os agudos alfinetaram com força e não houve mais jeito de tocar CDs. Uma pena, pois pelo pouco que chegou a tocar, deu pra ver que a seleção prometia.

Chato mesmo é a sede irrefreável por ser VIP nessa cidade. A quantidade de gente que me pediu pra liberar a cartela (o que não fiz nenhuma vez, pois todo o dinheiro do caixa é utilizado pra pagar os artistas) foi inacreditável.

A entrada custava uma merreca, R$10, valor com o qual não se assiste nem mesmo uma apresentação do Mulato Zimbábue, quanto mais uma escalação caprichada como a dessa festa. Não dá pra entender mesmo.

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O fervo

Fechando a tampa, o Bass Comando confirmou as origens (John Woo é integrante do Apavoramento) e aterrorizou o 00 com suas experimentações com baixas frequências e MCs sacanas.

Do hino do Flamengo a “Melô do gaitero”, todas as coisas graves tiveram vez. Eram 4 horas da manhã quando o grupo encerrou os trabalhos e constatou que havia entornado todo seu cachê. E em plena quarta-feira, ainda tinha gente querendo dançar, mas a festa tinha acabado.

O lance é guardar a vontade pro ano que vem. A festa de 4 anos pode ser maior ainda.

——-

* Agradecimentos especiais à Lontra Music, parceira desde a festa de 2 anos e a Segundo Mundo.

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segunda-feira, 18 de setembro, 2006

5 perguntas - Alexandre Matias

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Pra finalizar a série de mini-entrevistas com as atrações da festa de 3 anos do URBe, Alexandre “Il Padrino” Matias fala sobre mashups.

Explica melhor essa história de um set de mashups?

Bem didático: mashup - que também é conhecido como bootleg e bastard pop - é a colagem de dois ou mais trechos de músicas na criação de uma faixa nova. Na maior parte dos casos, consiste apenas da instrumental de uma faixa com o vocal isolado (os chamados acapella) de uma outra e via de regra as faixas vêm de universos diferentes.
Se você for ver na história da música, há dezenas de exemplos de pessoas grudando pedaços de músicas umas nas outras - do Pierre Schaffner ao John Oswald, passando pelos Dust Brothers e Frank Zappa. Mas desde que a internet popularizou a troca tanto de arquivos originários de músicas clássica quanto de programas de edição de áudio, o mashup tornou-se um gênero específico.
O marco zero pode ser rastreado na Parte 2 do disco “As Heard on Radio Soulwax”, dos 2Many, DJs e na faixa “A Stroke of Genius”, do produtor Freelance Hellraiser, ambas do primeiro ano do século 21. De lá até então, aumenta exponencialmente de mashups, de DJs e produtores de mashup, que forma uma imensa subcultura cuja matéria-prima é apenas a história da música gravada.
Pois o mashup - como uma cultura típica da internet - parece resgatar o interesse das pessoas no hábito de descobrir músicas novas a partir de músicas velhas. O mais legal é que quanto mais você conhece música, melhor você desfruta de um mashup. E não é um gênero de flashbacks, já que boa parte de seus produtores quase sempre buscam o atual single de sucesso para fazer seus mashups - só esse ano já rolou isso com “Crazy” do Gnarls Barkley, “Promiscuous” da Nelly Furtado e agora “SexyBack” do Justin Timberlake. É um bom termômetro pra o que está realmente fazendo sucesso (pois o mashup é um remix do inconsciente coletivo) e para testar a durabilidade e infaliabilidade de uma boa música.
Nem todo mashup é feito para pista - há mashups de lounge, soul e jazz - mas a maior parte é, e eu toco um set que vai ser composto basicamente por esse tipo de som - embora eu vá colocar um ou outro som “puro”.

O 2ManyDJs foram os precurssores disso?

Sim, mas, como eu disse, a dupla é apenas um dos responsáveis. É legal também isso - ao trabalhar basicamente com músicas alheias, a cultura mashup é um passo além da cultura techno/rave e seu culto à despersonalidade. Contudo, os 2ManyDJs têm o mérito legal da história - foram um dos primeiros mashupeiros a lançar um disco com todos os samples limpos por lei (ainda que apenas na região de Bénélux - Bélgica, Holanda e Luxemburgo). Mas eles são tão pioneiros quanto os Avalanches, a festa Booty, o DJ Danger Mouse ou a fita Brainfreeze do DJ Shadow e do Cut Chemist.

Qual a importância disso para cultura pop?

Mais gente ainda produzindo música, mais gente ainda trocando música online, mais música sendo produzida, renovação do interesse em descobrir música nova (mesmo que a partir de músicas velhas), redescoberta de gêneros inteiros do passado, o cruzamento de realidades que fingem não existir umas pras outras. E tudo pop deslavado, sem cabecismo estéril nem pretensões de vanguarda.
Começa-se a falar na produtização do mashup, não apenas musical, mas econômico como um todo. Saites fundem trechos de outros saites e criam um novo veículo - a cultura do tag (tipo de.li.cio.us) e do RSS é basicamente a cultura de mashups. Neste escopo maior, o mashupeiro também é conhecido como mapeador, o sujeito que funde informações de campos diversos para criar uma imagem mais aprofundada de uma determinada situação.

Porque ainda não apareceram mashups de música brasileira?

Já apareceram. O produtor João Brasil - dos clássicos instantâneos “Baranga” e “Supercool” - já fundiu Cidadão Instigado com Britney Spears em “Os Urubus Só Pensam em Te Comer, Britney” e “Sexual Healing” com Almíckar e Chocolate em “Som de Preto Gaye”. A produtora dos Princesa, DJ Mulher, lançou “It Ain’t Ghostwriter Babe”, casando RJD2 com Dylan. E o Gorky, DJ do Bonde do Rolê, mashupou “Atoladinha” com Franz Ferdinand e Black Eyed Peas com funk carioca. Ainda tá começando, mas já existe.

Deixe um top 10.

1.”ABC Breaker” – DJ Moule
2. “Hey Villain Boy” – DJ Zebra
3.”Barrell of a Goo” – Arty Fufkin
4. “Crazy as She Goes” – Legion of Doom
5.”J-Lo vs K-Co vs S-Wo” – Lenlow
6. “Wonderwall Tribulations” – Aggro1
7. “For Those About to Clown” – DJ Riko
8.”No Woman, No Mercy” – FuTuro
9.”No One Takes Your Freedom” – DJ Earworm
10. “Me Against the Monkey” – Team9

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terça-feira, 15 de agosto, 2006

* URBe - 3 ANOS, 20/09

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00
Festa de 3 anos do URBe

22h - Cooper Cobras (rock)
23h - Bruno Natal (mistureba)
0h - Rogério Flausino (house)
1h - Nego Moçambique (breaks)
2h30 - Bass Comando (booty)
4h - Alexandre Matias (mashups)

20 de setembro (quarta)
22h
R$10 (na lista amiga, enviando e-mail para falaurbe@gmail.com)
ou
R$20 (R$10 de entrada + R$10 de bônus no bar)

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quarta-feira, 29 de março, 2006

Na maciota em Maceió


Cidadão Instigado, crepe com borda de queijo, Banda Só Bonecos,
Wado… Um passeio visual pelo FMI.
fotos e vídeo: URBe

Seguindo o caminho de outras cidades do Nordeste (Recife e o Abril Pro Rock, Natal e o Mada, etc.), o Festival da Música Independente de Maceió chegou decidido a colocar Alagoas no circuito nacional.

Qualquer eventual pensamento negativo despertado pela sigla infeliz do festival (FMI), se desfez com bons shows e boa organização.

Festivais como esse são importantes para fortalecer a cena. Não apenas no que se refere aos músicos e bandas, mas também as outras funções que cercam o assunto, da produção ao jornalismo.

Por exemplo, são sempre uma boa oportunidade para reencontrar e conhecer coleguinhas de outras paradas. Estavam lá o comparsa Matias, o pernambucano Xico Sá, os paulistas Marcelo Costa, Chris e AD Luna, os mineiros Mariana e Terence, além do carioca Julin. E assim as pontes vão se formando e as idéias circulando.

Misturando atrações locais (15 no total) com atrações de outros estados, o FMI reuniu 24 nomes com o objetivo de exibir e amplificar a produção alagoana e também outros estados do Nordeste (por isso tantos convites para jornalistas de fora), origem da maioria absoluta das bandas envolvidas.

Faz sentido, afinal, se o objetivo é fomentar uma cena local — motivação declarada pelo idealizador do festival, André Frazão — é necessário artistas locais. 24 nomes, no entanto, talvez tenha sido demais, tornando a maratona de três dias um pouco cansativa. Nada grave, é a sede de mostrar serviço, compreensível em se tratando do primeiro evento de música independente desse porte em Maceió.

Na noite de abertura, Tom Zé, que havia tocado em Maceió apenas uma única vez, em 1962, foi a atração principal no centenário Teatro Deodoro, utilizado apenas na estréia do evento. Reformado em 1998, o lugar é uma beleza, com frisas e camarotes em estilo neoclássico.

O cenário de ópera caiu bem para Tom Zé e sua opereta rock sobre as mulheres, do disco “Estudando o pagode”. Depois de ensinar o público a cantar cada uma das músicas, fazer piadas e desconcertar os presentes com comentários ácidos, o baiano enfileirou seus clássicos (“Augusta, Angélica e Consolação”, “Fliperama”, etc.), muitas vezes parando no meio para começar a próxima, como que tirando o atraso de 40 e tantos anos sem visitar Maceió.

Antes dele teve o forró do Chau do Pife (AL) e depois Bonsucesso Samba Clube (PE) e Tororó do Rojão (AL), anunciado como o “tsunami do forró”. Bacana mesmo era a Banda Só Bonecos, que tocava na entrada do teatro. É o Kraftwerk brasileiro.

Disfarçada pelos bonecos do nome, trata-se de uma engenhoca de tocar forró, baião e guitarrada mecanicamente. Robôs de verdade tocando música (e sem laptop!). Programar seus pandeiros, agogôs e teclados, sem falar no leitor ótico, foi trabalho de mais de dez anos de um senhor de idade. Valeu a pena, o troço é genial.

Durante os shows que se seguiram, Tom Zé atendeu pacientemente a fila de fãs que se formou para cumprimentá-lo e pedir autógrafos nos discos e livros que compravam. É parte do trabalho do artista, claro, mesmo assim a paciência com que ele conversava com cada um, sem pressa de fazer a fila andar, significa muito para um fã que praticamente não tem chance de acompanhar seu ídolo de perto, pelo menos não em casa.

Os ingressos mais caros e o lugar pequeno da primeira noite (e que mesmo assim não lotou) deram a impressão de que o festival seria morno. Errado. Os segundo e terceiro dias, no Armazém Uzina (com capacidade para 4 mil pessoas) foram de casa cheia, ainda que, aparentemente, todas as entradas não tenham sido vendidas.

Foi nesses dias que deu pra notar a boa produção do evento. Não faltou nada. Eram dois palcos funcionando alternadamente (o principal, num espaço com ar condicionado, parecia o palco Lab, do TIM Festival), ambos com boa qualidade de som e luz, projeções, sala de imprensa equipada e praça de alimentação com frozen de cajá e um inacreditável crepe com borda de queijo.

Wado e Cidadão Instigado, as atrações mais aguardadas (fora o Tom Zé, cuja apresentação foi praticamente um evento paralelo), tocaram no sábado, segunda noite do FMI. Antes deles vieram Basílio Sé (AL), Experiência Apyus (RN), Duofel (AL/SP), e Marcelo Cabral e Trio Coisa Linda (AL), fazendo bons shows para um público ainda pequeno (Xique Baratinho — o Jethro Tull de Alagoas, Cícero Flor e Beto Batera encerram a noitada).

O Cidadão Instigado fez valer a viagem de 2 mil quilômetros de alguns — ou o preço do ingresso para outros. Catatau e sua trupe fizeram um show enxuto por conta do tempo, o que acabou privilegiando as melhores músicas do repertório. Melhor ainda foi a sorte de ter presenciado (e capturado) um momento especial no camarim, antes do show.

Conversávamos (Matias, Marcelo e eu) com o Régis Damasceno, enquanto ele afinava seu violão, quando o Catatau entrou no camarim. Ele queria passar “O tempo” com o músico que iria tocar rabeca na música. Geralmente tímido, Catatau ignorou nossa presença e o que se seguiu foi uma versão acústica de uma das melhores músicas do disco “Cidadão Instigado e o método túfo de experiências”. No final, todos estavam cantando junto, até que Catatau percebeu, deu uma risada envergonhado e se retirou (tem um trecho disso no vídeo acima).

Se tudo acontecer como tem que acontecer e o trabalho de Catatau receber o reconhecimento que merece, o FMI poderá dizer que teve em seu primeiro ano um dos principais nomes da música brasileira atual. Aliás, mesmo que a consagração não venha, azar de quem não tiver a oportunidade de conhecer o som. Vai sair perdendo.

Sem tocar na sua cidade “natal” (ele nasceu em Florianópolis e cresceu em Maceió) há dois anos, Wado conseguiu uma boa reação do público, que participou, pediu bis, o escambau. Pra resumir: mais um ótimo show do Wado, só que dessa vez com uma recepção a altura. Deu gosto de ver. Coisa que, infelizmente, nunca se viu no Rio, onde Wado morou nos últimos dois anos, se apresentando e tentando, sem sucesso, fazer o jogo virar.

Há duas semanas Wado voltou para Maceió. Descolou uma casa na praia da Guaxuma (onde fica o comentado Bar Brasil) e está tocando a vida de lá. Cansou do Rio, da apatia cultural da cidade, da dificuldade que é realizar qualquer coisa por aqui. Nas conversas com outros músicos nos bastidores do evento, a impressão era a mesma. O Rio hoje, por incrível que pareça, é considerado nulo para a maior parte das bandas.

Não dá pra deixar de pensar: como é que no Rio, supostamente uma das pontas do eixo cultural, nunca se vê um festival independente com uma estrutura dessas? Sim, há muita coisa boa por aqui, mas em geral são eventos com bons nomes, porém sem algo maior, um conceito ou o que valha, na maior parte das vezes por falta de recursos.

O Ruído costuma ter escalações interessantes, mas depende da estrutura do lugar onde estiver acontecendo (o que, no Rio, quase sempre é receita pra desastre) e ainda não conseguiu se transformar num evento de porte nacional. O Humaitá pra Peixe é o mais bem estruturado, mas sofre com o horário e tamanho do Espaço Cultural Sergio Porto, com os humores dos modismos cariocas e, conseqüentemente, com o desinteresse do público.

O público. Esse deve mesmo ser um fator determinante. Pode até ser que, depois de anos renegado, o público do Nordeste (como foi em Maceió) seja mais interessado. Ou mesmo que ter ficado fora rota dos grandes shows tenha servido de impulso para o surgimento de cenas locais. Mas é simplista afirmar que é apenas isso. Porque banda boa e gente se mexendo o Rio tem. O que não tem — e isso fica cada vez mais claro — é um público curioso. Porquê, é complicado dizer. Talvez por ser uma cidade diurna. Difícil explicar.

FMI_Maceio_2006.jpg

Aproveitando a viagem, deu para conhecer um pouco das redondezas durante o dia. Maceió deve ser a maior cidade de 900 mil habitantes do mundo. Tudo é longe. A cidade se move verticalmente, ao longo da costa, como se evitasse ir em direção ao interior e ser obrigada a encarar a dureza do sertão.

Parti com Marcelo e Matias para uma turnê relâmpago pelo litoral. No som, a trilha oficial da viagem (o “chá lá lalalá, chá lá lalalá, chá lalá…”, da ainda inédita “Novo prazer”, do Mombojó) e na janela praias, lagoas e visuais incríveis sem nenhuma máquina fotográfica pra registrar.

A primeira parada foi na Praia do Francês e seus coqueirais, cartão postal da cidade. Estava imunda. Pinicos, tampas de privada e toneladas de garrafas pet se espalhavam pela areia. Embora, verdade seja dita, a Barra de São Miguel também não estivesse limpa, é difícil acreditar que seja desse jeito sempre. Deve ter acontecido algo fora do normal.

De lá, seguindo a dica de uma das produtoras do FMI, fomos para Massagueira, um povoado de pescadores em torno de um lago, com vários restaurantes de frutos do mar. O escolhido foi o Bar do Pato, com uma escada que leva ao lago, para tomar cerveja curtindo o pôr-do-sol. Uma tristeza mesmo…

Na volta pro hotel, gravamos um algumas coisas para o podcast do Matias, o Vida Fodona.

No domingo, a última noite do evento começou com Santa Máfia (CE/RJ), Vibrações Rasta (AL), Projeto Cru (SP), o auto-explicativo Negroove (RE), Vitor Pirralho (AL) e Pedra do Raio (PE/AL).

O primeiro show a ter atenção total do público foi a psicodelia do Mopho (AL), ovacionado pela torcida local. Depois vieram Jackson Envenenado (PB) e, fechando a tampa, a sequência Sonic Junior (AL), Autoramas (RJ) e a lenda alagoana Living in the Shit, retornando aos palcos depois de anos.

O Sonic Junior mostrou produções bem interessantes. Agora sozinho (antes era uma dupla) e após derrapadas como o projeto PR5, com Paulo Ricardo, Juninho deu a volta por cima. O som totalmente voltado pra pista, com toques de db, breaks e percussão, bem poderia estar no Skol Beats.

O Autoramas fez o de sempre, arrancando pulos e gritos as 3h da manhã de uma turma que estava vendo shows desde as 19h. Encerrando o festival, o Living in the Shit tocou pra um Armazém Uzina vazio. Com apenas três músicas, a última van partiu e até mesmo a imprensa teve que ir embora. Ano que vem tem mais.

———

O URBe viajou a convite da produção do festival.

Postado por Bruno Natal às 4:16 | 19 Comentários | Permalink

quarta-feira, 8 de março, 2006

Conteúdo participativo

overmundo.jpg

Concebido por Hermano Vianna, o Overmundo é também fruto de um encontro de jornalistas que aconteceu em agosto de 2005, durante dois dias, num hotel em Copacabana.

Reunindo um representante de cada capital brasileira (o escriba aqui pelo Rio), o objetivo era discutir o jornalismo cultural brasileiro, mas serviu também para encontrar amigos (Alexandre Matias, SP), conhecer outros pessoalmente (Cardoso, RS) e fazer a ponte com novos colegas (Renato L, PE; Patrick, BA; Omar, PR e tantos outros)

O resultado é o primeiro saite de cultura do Brasil com ao menos um representante por Estado (acabei tendo que abandonar o projeto). Como se isso não fosse novidade o suficiente, o formato é igualmente inovador por essas bandas.

Os próprios leitores geram e editam o conteúdo (a exemplo da Wikipedia e do jornal coreano Oh my news), de maneira colaborativa, participativa, totalmente em sintonia com a realidade atual de descentralização dos meios e da própria informação.

Funcionando desde o final do ano passado em versão beta, essa semana começou pra valer. Quanto mais gente participar, melhor fica. É pra cair dentro.

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Assista esses vídeos e saiba mais sobre Web 2.0 e o funcionamento da Wikipedia.

Postado por Bruno Natal às 3:24 | 26 Comentários | Permalink

sexta-feira, 4 de junho, 2004

Festeeenha!

festeeeenha.jpg
cliques: Joca Vidal + Felipe Continentino

Como se não bastasse ser uma quarta — o dia mais falido da noite carioca — tinha jogo do Brasil. E logo contra a Argentina. Pra completar, choveu. Nem mesmo essa combinação de fatores destruidora foi capaz de anular o poder de atração do line up assassino da festa de lançamento do URBe. Aproximadamente 400 pessoas foram ao 00 conferir o evento. Histórico. Um pouco depois do final do jogo, a fila na porta assustava, era gente que não acabava mais.

Os horários determinados na filipeta foram cumpridos com apenas meia hora de atraso. A festa começou as 22h30 com uma aula de 80’s reggae do Calbuque, fazendo quem tava lá esquecer da pelada contra os hermanitos. O cara sacou uma coleção de versions de músicas da Tracy Chapman (”Fast car”), Marvin Gaye (”Sexual healing”), George Michael (”Never gonna dance again”), Alphaville (”Forever young”) e até Michael Jackson (”Billie Jean”), além de uns raggas cheios de balanço.

Quase meia noite, quando a casa começou a encher pra valer, o mestre Calbuque passou as carrapetas para Chicodub, fazendo sua estréia, um tanto atrapalhada, na discotecagem.

O telão feito pelo VJ Mateus Araújo, recheado de samples de filmes jamaicanos e outras referências, se encaixou perfeitamente nos sets. Quando Berna Ceppas & Kassin iniciaram o aguardado live pa de Gameboy, foi a vez das imagens 8 bits (só clássicos do Atari) e mensagens contra a guerra dominarem o cenário.

Enquanto a dupla tocava, as pessoas se amontoavam ao redor, tentando entender como aquelas duas maquininhas cuspiam tantos pancadões. A apresentação começou mais experimental e seguiu num crescente, até desembocar em duas bases bem dançantes, preparando o terreno para o que vinha na sequência.

John Woo desceu a mão, estabelecendo um Apavoramento geral e irrestrito. A pista teve que se entortar bastante para acompanhar a quebradeira e os grooves elásticos do samurai da pick ups. Inna kung fu style. Em seguida foi a vez do robótico Spark domar os presentes com um set pra lá de classudo.

Dizem por aí que, lá pelas 4h, o padrinho do saite invadiu a cabine e botou um som para os que ainda resisitiam bravamente.

A julgar pela quantidade de mails perguntando “quando é a próxima?”, pode-se dizer que a festiva realmente foi bem bacana. Muitos papos, vários amigos, coleguinhas, colaboradores e ainda conheci três dos meus quatro leitores.

Preciso arranjar um motivo pra fazer outra dessa.

Postado por Bruno Natal às 13:40 | 1 Comentário | Permalink




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