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Arquivo: alexandre matias

Podcasts

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Podcast, pra quem não sabe, são programas de áudio (como os de rádio) distribuídos em formato MP3 pela internet.

Esses programas podem ser “assinados” e atualizados automaticamente no seu computador utilizando agregadores de conteúdo (como o iTunes, no caso de áudio), através de um código RSS. Ferramentas da tal Web 2.0, cada vez menos restrita aos geeks.

Simplificando: programas de rádio, geralmente caseiros, que podem ser baixados e escutados no computador, tocadores de MP3 ou mesmo on line. O termo vem da junção das palavras iPod e broadcast (transmissão de rádio e TV).

A tecnologia também serve para textos. Caso você nunca tenha notado, há um botão laranja escrito “RSS” na caixinha de busca ao lado. Copie o link (botão direito em cima da caixinha / copiar atalho), adicione a um agregador de textos (o del.icio.us é um bom exemplo) e assine o URBe.

O assunto está longe de ser novidade e (fora a propaganda do RSS do saite) a explicação foi só pra acompanhar uma listinha de alguns bons podcasts que deveria estar por aqui faz tempo.

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XLR8R – Novidades da música eletrônica direto da redação da revista. Tem o formato mais legal. Curto e sem locução, semanalmente apresenta quatro músicas, oferecidas pra baixar na íntegra no saite.

Vida Fodona – O grande Matias e sua verborragia cultural, acompanhada por grandes músicas e bons papos.

Discofonia – Sem periodicidade definida, a cada programa Guilherme Werneck explora temas como “Instrumental brasileiro”, “Música abstrata” ou recebe convidados.

rraurl – Eclético, não tem um responsável apenas e é feito por diversos colaboradores do saite.

URBe – Qualquer hora vem, preciso de um microfone…

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Escola do rock

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Frank Jorge, o professor

“A Unisinos acabou de criar a solução para quem sempre quiser seguir carreira mas sentia falta de uma base educacional e um pouco de motivação para enfrentar o competitivo mundo musical. O nome é comprido, mas a moral é bem simples: curso superior de Formação Específica de Produtores e Músicos de Rock.”

via Matias > Cardoso > sabe como é…

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3 anos, a festa


3 anos, o vídeo: toscamente gravado com uma câmera fotográfica
digital. No escuro.

Já é uma tradição. No dia da festa de aniversário do URBe, cai um temporal, bate o desespero “ih, não vai ninguém!” e, no final, dá certo. Na comemoração dos 3 anos, mais uma vez, foi exatamente assim.

Com um atraso de quase seis meses, finalmente a festa saiu do papel. Depois do susto com a chuva, as coisas entraram nos eixos e cerca de 400 pessoas foram ao 00 se acabar até as 4h e pouca da manhã.

As 23h, quando o Cooper Cobras começou a tocar, ainda havia pouco público. Azar de quem chegou tarde.

O power trio provou que não se passa anos ouvindo Fu Manchu, Karma to Burn e outros ícones do stoner rock impunemente e mostrou músicas contaminadas pelo estilo, como “Até o fim do show”, “Primeiro lugar” e “Pequenas tragédias”. A performance energética do grupo, que sem fazer força vai chamando cada vez mai atenção, com direito a subidas no bumbo e dancinhas, garante a diversão.

Como bom anfitrião, fiz as honras da casa e botei som depois do show. Enrolado com a produção da festa e Sem tempo pra separar músicas, levei uma pá de CD-Rs véios e embolei New Order, Mr. Catra, Ellen Allien, Les Rythmes Digitales, João Brasil, Madonna e Daft Punk. No final, consegui entregar a pista cheia para o próximo DJ.

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Segura o “lainâp”

O lugar já estava bem cheio quando Rogério Flausino assumiu as carrapetas. Fazendo um set de house e tocando praticamente só vinis, o mineiro arrancou gritos de empolgação da galera. Além, claro, de comentários elogiosos de alguns incrédulos que diziam “ué, mas é muito bom!”.

Entre remixes da DFA — para “Deceptacon” (Le Tigre) e “Dare” (Gorillaz) — e discos da Antipop, Flausino manteve a pista lotada e passou a bola, redondinha, para Nego Moçambique.

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Matias e o Comitê Presença 2006

Enquanto o o bicho pegava do lado de dentro, do lado de fora o comitê de candidatura do Capitão Presença a presença angariava votos para causa. Sob o comando do criador e da criatura, houve farta distribuição do material de campanha e os bottons foram bastante disputados.

Finalizando seu aguardado segundo disco no estúdio do Dudu Marote, Nego Moçambique contou que a masterização está marcada para dia 28 de setembro. Será que agora, depois de muitos atrasos, realmente sai? “Reza a lenda”, brincou o próprio.

Enquanto a bolacha não vem, Nego tocou várias músicas novas nessa apresentação. Coisas tão novas que nem no disco estarão, pra desespero do dono da sua gravadora, Daniel Di Salvo, alucinado justamente por essas produções.

Com equipamento novo — substituiu todos os periféricos que utilizava por uma MPC 4000 — Nego, mais uma vez, arregaçou. Dançou, cantou, pulou e fez pular durante mais de uma hora de breaks, grooves e colagens insanas demais pra explicar. A galera se acabou na pista e isso é o que importa.

Durante a troca de equipamentos para entrada do live do Bass Comando, levemente complicada, Alexandre Matias aproveitaria o horário de pico para adiantar alguns dos mash ups que prometeu.

Não deu certo. Devido a uma creca inexplicável no sistema de som, os graves sumiram, os agudos alfinetaram com força e não houve mais jeito de tocar CDs. Uma pena, pois pelo pouco que chegou a tocar, deu pra ver que a seleção prometia.

Chato mesmo é a sede irrefreável por ser VIP nessa cidade. A quantidade de gente que me pediu pra liberar a cartela (o que não fiz nenhuma vez, pois todo o dinheiro do caixa é utilizado pra pagar os artistas) foi inacreditável.

A entrada custava uma merreca, R$10, valor com o qual não se assiste nem mesmo uma apresentação do Mulato Zimbábue, quanto mais uma escalação caprichada como a dessa festa. Não dá pra entender mesmo.

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O fervo

Fechando a tampa, o Bass Comando confirmou as origens (John Woo é integrante do Apavoramento) e aterrorizou o 00 com suas experimentações com baixas frequências e MCs sacanas.

Do hino do Flamengo a “Melô do gaitero”, todas as coisas graves tiveram vez. Eram 4 horas da manhã quando o grupo encerrou os trabalhos e constatou que havia entornado todo seu cachê. E em plena quarta-feira, ainda tinha gente querendo dançar, mas a festa tinha acabado.

O lance é guardar a vontade pro ano que vem. A festa de 4 anos pode ser maior ainda.

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* Agradecimentos especiais à Lontra Music, parceira desde a festa de 2 anos e a Segundo Mundo.

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5 perguntas – Alexandre Matias

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Pra finalizar a série de mini-entrevistas com as atrações da festa de 3 anos do URBe, Alexandre “Il Padrino” Matias fala sobre mashups.

Explica melhor essa história de um set de mashups?

Bem didático: mashup – que também é conhecido como bootleg e bastard pop – é a colagem de dois ou mais trechos de músicas na criação de uma faixa nova. Na maior parte dos casos, consiste apenas da instrumental de uma faixa com o vocal isolado (os chamados acapella) de uma outra e via de regra as faixas vêm de universos diferentes.
Se você for ver na história da música, há dezenas de exemplos de pessoas grudando pedaços de músicas umas nas outras – do Pierre Schaffner ao John Oswald, passando pelos Dust Brothers e Frank Zappa. Mas desde que a internet popularizou a troca tanto de arquivos originários de músicas clássica quanto de programas de edição de áudio, o mashup tornou-se um gênero específico.
O marco zero pode ser rastreado na Parte 2 do disco “As Heard on Radio Soulwax”, dos 2Many, DJs e na faixa “A Stroke of Genius”, do produtor Freelance Hellraiser, ambas do primeiro ano do século 21. De lá até então, aumenta exponencialmente de mashups, de DJs e produtores de mashup, que forma uma imensa subcultura cuja matéria-prima é apenas a história da música gravada.
Pois o mashup – como uma cultura típica da internet – parece resgatar o interesse das pessoas no hábito de descobrir músicas novas a partir de músicas velhas. O mais legal é que quanto mais você conhece música, melhor você desfruta de um mashup. E não é um gênero de flashbacks, já que boa parte de seus produtores quase sempre buscam o atual single de sucesso para fazer seus mashups – só esse ano já rolou isso com “Crazy” do Gnarls Barkley, “Promiscuous” da Nelly Furtado e agora “SexyBack” do Justin Timberlake. É um bom termômetro pra o que está realmente fazendo sucesso (pois o mashup é um remix do inconsciente coletivo) e para testar a durabilidade e infaliabilidade de uma boa música.
Nem todo mashup é feito para pista – há mashups de lounge, soul e jazz – mas a maior parte é, e eu toco um set que vai ser composto basicamente por esse tipo de som – embora eu vá colocar um ou outro som “puro”.

O 2ManyDJs foram os precurssores disso?

Sim, mas, como eu disse, a dupla é apenas um dos responsáveis. É legal também isso – ao trabalhar basicamente com músicas alheias, a cultura mashup é um passo além da cultura techno/rave e seu culto à despersonalidade. Contudo, os 2ManyDJs têm o mérito legal da história – foram um dos primeiros mashupeiros a lançar um disco com todos os samples limpos por lei (ainda que apenas na região de Bénélux – Bélgica, Holanda e Luxemburgo). Mas eles são tão pioneiros quanto os Avalanches, a festa Booty, o DJ Danger Mouse ou a fita Brainfreeze do DJ Shadow e do Cut Chemist.

Qual a importância disso para cultura pop?

Mais gente ainda produzindo música, mais gente ainda trocando música online, mais música sendo produzida, renovação do interesse em descobrir música nova (mesmo que a partir de músicas velhas), redescoberta de gêneros inteiros do passado, o cruzamento de realidades que fingem não existir umas pras outras. E tudo pop deslavado, sem cabecismo estéril nem pretensões de vanguarda.
Começa-se a falar na produtização do mashup, não apenas musical, mas econômico como um todo. Saites fundem trechos de outros saites e criam um novo veículo – a cultura do tag (tipo de.li.cio.us) e do RSS é basicamente a cultura de mashups. Neste escopo maior, o mashupeiro também é conhecido como mapeador, o sujeito que funde informações de campos diversos para criar uma imagem mais aprofundada de uma determinada situação.

Porque ainda não apareceram mashups de música brasileira?

Já apareceram. O produtor João Brasil – dos clássicos instantâneos “Baranga” e “Supercool” – já fundiu Cidadão Instigado com Britney Spears em “Os Urubus Só Pensam em Te Comer, Britney” e “Sexual Healing” com Almíckar e Chocolate em “Som de Preto Gaye”. A produtora dos Princesa, DJ Mulher, lançou “It Ain’t Ghostwriter Babe”, casando RJD2 com Dylan. E o Gorky, DJ do Bonde do Rolê, mashupou “Atoladinha” com Franz Ferdinand e Black Eyed Peas com funk carioca. Ainda tá começando, mas já existe.

Deixe um top 10.

1.”ABC Breaker” – DJ Moule
2. “Hey Villain Boy” – DJ Zebra
3.”Barrell of a Goo” – Arty Fufkin
4. “Crazy as She Goes” – Legion of Doom
5.”J-Lo vs K-Co vs S-Wo” – Lenlow
6. “Wonderwall Tribulations” – Aggro1
7. “For Those About to Clown” – DJ Riko
8.”No Woman, No Mercy” – FuTuro
9.”No One Takes Your Freedom” – DJ Earworm
10. “Me Against the Monkey” – Team9

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* URBe – 3 ANOS, 20/09

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00
Festa de 3 anos do URBe

22h – Cooper Cobras (rock)
23h – Bruno Natal (mistureba)
0h – Rogério Flausino (house)
1h – Nego Moçambique (breaks)
2h30 – Bass Comando (booty)
4h – Alexandre Matias (mashups)

20 de setembro (quarta)
22h
R$10 (na lista amiga, enviando e-mail para falaurbe@gmail.com)
ou
R$20 (R$10 de entrada + R$10 de bônus no bar)

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Na maciota em Maceió


Cidadão Instigado, crepe com borda de queijo, Banda Só Bonecos,
Wado… Um passeio visual pelo FMI.
fotos e vídeo: URBe

Seguindo o caminho de outras cidades do Nordeste (Recife e o Abril Pro Rock, Natal e o Mada, etc.), o Festival da Música Independente de Maceió chegou decidido a colocar Alagoas no circuito nacional.

Qualquer eventual pensamento negativo despertado pela sigla infeliz do festival (FMI), se desfez com bons shows e boa organização.

Festivais como esse são importantes para fortalecer a cena. Não apenas no que se refere aos músicos e bandas, mas também as outras funções que cercam o assunto, da produção ao jornalismo.

Por exemplo, são sempre uma boa oportunidade para reencontrar e conhecer coleguinhas de outras paradas. Estavam lá o comparsa Matias, o pernambucano Xico Sá, os paulistas Marcelo Costa, Chris e AD Luna, os mineiros Mariana e Terence, além do carioca Julin. E assim as pontes vão se formando e as idéias circulando.

Misturando atrações locais (15 no total) com atrações de outros estados, o FMI reuniu 24 nomes com o objetivo de exibir e amplificar a produção alagoana e também outros estados do Nordeste (por isso tantos convites para jornalistas de fora), origem da maioria absoluta das bandas envolvidas.

Faz sentido, afinal, se o objetivo é fomentar uma cena local — motivação declarada pelo idealizador do festival, André Frazão — é necessário artistas locais. 24 nomes, no entanto, talvez tenha sido demais, tornando a maratona de três dias um pouco cansativa. Nada grave, é a sede de mostrar serviço, compreensível em se tratando do primeiro evento de música independente desse porte em Maceió.

Na noite de abertura, Tom Zé, que havia tocado em Maceió apenas uma única vez, em 1962, foi a atração principal no centenário Teatro Deodoro, utilizado apenas na estréia do evento. Reformado em 1998, o lugar é uma beleza, com frisas e camarotes em estilo neoclássico.

O cenário de ópera caiu bem para Tom Zé e sua opereta rock sobre as mulheres, do disco “Estudando o pagode”. Depois de ensinar o público a cantar cada uma das músicas, fazer piadas e desconcertar os presentes com comentários ácidos, o baiano enfileirou seus clássicos (“Augusta, Angélica e Consolação”, “Fliperama”, etc.), muitas vezes parando no meio para começar a próxima, como que tirando o atraso de 40 e tantos anos sem visitar Maceió.

Antes dele teve o forró do Chau do Pife (AL) e depois Bonsucesso Samba Clube (PE) e Tororó do Rojão (AL), anunciado como o “tsunami do forró”. Bacana mesmo era a Banda Só Bonecos, que tocava na entrada do teatro. É o Kraftwerk brasileiro.

Disfarçada pelos bonecos do nome, trata-se de uma engenhoca de tocar forró, baião e guitarrada mecanicamente. Robôs de verdade tocando música (e sem laptop!). Programar seus pandeiros, agogôs e teclados, sem falar no leitor ótico, foi trabalho de mais de dez anos de um senhor de idade. Valeu a pena, o troço é genial.

Durante os shows que se seguiram, Tom Zé atendeu pacientemente a fila de fãs que se formou para cumprimentá-lo e pedir autógrafos nos discos e livros que compravam. É parte do trabalho do artista, claro, mesmo assim a paciência com que ele conversava com cada um, sem pressa de fazer a fila andar, significa muito para um fã que praticamente não tem chance de acompanhar seu ídolo de perto, pelo menos não em casa.

Os ingressos mais caros e o lugar pequeno da primeira noite (e que mesmo assim não lotou) deram a impressão de que o festival seria morno. Errado. Os segundo e terceiro dias, no Armazém Uzina (com capacidade para 4 mil pessoas) foram de casa cheia, ainda que, aparentemente, todas as entradas não tenham sido vendidas.

Foi nesses dias que deu pra notar a boa produção do evento. Não faltou nada. Eram dois palcos funcionando alternadamente (o principal, num espaço com ar condicionado, parecia o palco Lab, do TIM Festival), ambos com boa qualidade de som e luz, projeções, sala de imprensa equipada e praça de alimentação com frozen de cajá e um inacreditável crepe com borda de queijo.

Wado e Cidadão Instigado, as atrações mais aguardadas (fora o Tom Zé, cuja apresentação foi praticamente um evento paralelo), tocaram no sábado, segunda noite do FMI. Antes deles vieram Basílio Sé (AL), Experiência Apyus (RN), Duofel (AL/SP), e Marcelo Cabral e Trio Coisa Linda (AL), fazendo bons shows para um público ainda pequeno (Xique Baratinho — o Jethro Tull de Alagoas, Cícero Flor e Beto Batera encerram a noitada).

O Cidadão Instigado fez valer a viagem de 2 mil quilômetros de alguns — ou o preço do ingresso para outros. Catatau e sua trupe fizeram um show enxuto por conta do tempo, o que acabou privilegiando as melhores músicas do repertório. Melhor ainda foi a sorte de ter presenciado (e capturado) um momento especial no camarim, antes do show.

Conversávamos (Matias, Marcelo e eu) com o Régis Damasceno, enquanto ele afinava seu violão, quando o Catatau entrou no camarim. Ele queria passar “O tempo” com o músico que iria tocar rabeca na música. Geralmente tímido, Catatau ignorou nossa presença e o que se seguiu foi uma versão acústica de uma das melhores músicas do disco “Cidadão Instigado e o método túfo de experiências”. No final, todos estavam cantando junto, até que Catatau percebeu, deu uma risada envergonhado e se retirou (tem um trecho disso no vídeo acima).

Se tudo acontecer como tem que acontecer e o trabalho de Catatau receber o reconhecimento que merece, o FMI poderá dizer que teve em seu primeiro ano um dos principais nomes da música brasileira atual. Aliás, mesmo que a consagração não venha, azar de quem não tiver a oportunidade de conhecer o som. Vai sair perdendo.

Sem tocar na sua cidade “natal” (ele nasceu em Florianópolis e cresceu em Maceió) há dois anos, Wado conseguiu uma boa reação do público, que participou, pediu bis, o escambau. Pra resumir: mais um ótimo show do Wado, só que dessa vez com uma recepção a altura. Deu gosto de ver. Coisa que, infelizmente, nunca se viu no Rio, onde Wado morou nos últimos dois anos, se apresentando e tentando, sem sucesso, fazer o jogo virar.

Há duas semanas Wado voltou para Maceió. Descolou uma casa na praia da Guaxuma (onde fica o comentado Bar Brasil) e está tocando a vida de lá. Cansou do Rio, da apatia cultural da cidade, da dificuldade que é realizar qualquer coisa por aqui. Nas conversas com outros músicos nos bastidores do evento, a impressão era a mesma. O Rio hoje, por incrível que pareça, é considerado nulo para a maior parte das bandas.

Não dá pra deixar de pensar: como é que no Rio, supostamente uma das pontas do eixo cultural, nunca se vê um festival independente com uma estrutura dessas? Sim, há muita coisa boa por aqui, mas em geral são eventos com bons nomes, porém sem algo maior, um conceito ou o que valha, na maior parte das vezes por falta de recursos.

O Ruído costuma ter escalações interessantes, mas depende da estrutura do lugar onde estiver acontecendo (o que, no Rio, quase sempre é receita pra desastre) e ainda não conseguiu se transformar num evento de porte nacional. O Humaitá pra Peixe é o mais bem estruturado, mas sofre com o horário e tamanho do Espaço Cultural Sergio Porto, com os humores dos modismos cariocas e, conseqüentemente, com o desinteresse do público.

O público. Esse deve mesmo ser um fator determinante. Pode até ser que, depois de anos renegado, o público do Nordeste (como foi em Maceió) seja mais interessado. Ou mesmo que ter ficado fora rota dos grandes shows tenha servido de impulso para o surgimento de cenas locais. Mas é simplista afirmar que é apenas isso. Porque banda boa e gente se mexendo o Rio tem. O que não tem — e isso fica cada vez mais claro — é um público curioso. Porquê, é complicado dizer. Talvez por ser uma cidade diurna. Difícil explicar.

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Aproveitando a viagem, deu para conhecer um pouco das redondezas durante o dia. Maceió deve ser a maior cidade de 900 mil habitantes do mundo. Tudo é longe. A cidade se move verticalmente, ao longo da costa, como se evitasse ir em direção ao interior e ser obrigada a encarar a dureza do sertão.

Parti com Marcelo e Matias para uma turnê relâmpago pelo litoral. No som, a trilha oficial da viagem (o “chá lá lalalá, chá lá lalalá, chá lalá…”, da ainda inédita “Novo prazer”, do Mombojó) e na janela praias, lagoas e visuais incríveis sem nenhuma máquina fotográfica pra registrar.

A primeira parada foi na Praia do Francês e seus coqueirais, cartão postal da cidade. Estava imunda. Pinicos, tampas de privada e toneladas de garrafas pet se espalhavam pela areia. Embora, verdade seja dita, a Barra de São Miguel também não estivesse limpa, é difícil acreditar que seja desse jeito sempre. Deve ter acontecido algo fora do normal.

De lá, seguindo a dica de uma das produtoras do FMI, fomos para Massagueira, um povoado de pescadores em torno de um lago, com vários restaurantes de frutos do mar. O escolhido foi o Bar do Pato, com uma escada que leva ao lago, para tomar cerveja curtindo o pôr-do-sol. Uma tristeza mesmo…

Na volta pro hotel, gravamos um algumas coisas para o podcast do Matias, o Vida Fodona.

No domingo, a última noite do evento começou com Santa Máfia (CE/RJ), Vibrações Rasta (AL), Projeto Cru (SP), o auto-explicativo Negroove (RE), Vitor Pirralho (AL) e Pedra do Raio (PE/AL).

O primeiro show a ter atenção total do público foi a psicodelia do Mopho (AL), ovacionado pela torcida local. Depois vieram Jackson Envenenado (PB) e, fechando a tampa, a sequência Sonic Junior (AL), Autoramas (RJ) e a lenda alagoana Living in the Shit, retornando aos palcos depois de anos.

O Sonic Junior mostrou produções bem interessantes. Agora sozinho (antes era uma dupla) e após derrapadas como o projeto PR5, com Paulo Ricardo, Juninho deu a volta por cima. O som totalmente voltado pra pista, com toques de db, breaks e percussão, bem poderia estar no Skol Beats.

O Autoramas fez o de sempre, arrancando pulos e gritos as 3h da manhã de uma turma que estava vendo shows desde as 19h. Encerrando o festival, o Living in the Shit tocou pra um Armazém Uzina vazio. Com apenas três músicas, a última van partiu e até mesmo a imprensa teve que ir embora. Ano que vem tem mais.

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O URBe viajou a convite da produção do festival.

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Conteúdo participativo

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Concebido por Hermano Vianna, o Overmundo é também fruto de um encontro de jornalistas que aconteceu em agosto de 2005, durante dois dias, num hotel em Copacabana.

Reunindo um representante de cada capital brasileira (o escriba aqui pelo Rio), o objetivo era discutir o jornalismo cultural brasileiro, mas serviu também para encontrar amigos (Alexandre Matias, SP), conhecer outros pessoalmente (Cardoso, RS) e fazer a ponte com novos colegas (Renato L, PE; Patrick, BA; Omar, PR e tantos outros)

O resultado é o primeiro saite de cultura do Brasil com ao menos um representante por Estado (acabei tendo que abandonar o projeto). Como se isso não fosse novidade o suficiente, o formato é igualmente inovador por essas bandas.

Os próprios leitores geram e editam o conteúdo (a exemplo da Wikipedia e do jornal coreano Oh my news), de maneira colaborativa, participativa, totalmente em sintonia com a realidade atual de descentralização dos meios e da própria informação.

Funcionando desde o final do ano passado em versão beta, essa semana começou pra valer. Quanto mais gente participar, melhor fica. É pra cair dentro.

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Assista esses vídeos e saiba mais sobre Web 2.0 e o funcionamento da Wikipedia.

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Festeeenha!

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cliques: Joca Vidal + Felipe Continentino

Como se não bastasse ser uma quarta — o dia mais falido da noite carioca — tinha jogo do Brasil. E logo contra a Argentina. Pra completar, choveu. Nem mesmo essa combinação de fatores destruidora foi capaz de anular o poder de atração do line up assassino da festa de lançamento do URBe. Aproximadamente 400 pessoas foram ao 00 conferir o evento. Histórico. Um pouco depois do final do jogo, a fila na porta assustava, era gente que não acabava mais.

Os horários determinados na filipeta foram cumpridos com apenas meia hora de atraso. A festa começou as 22h30 com uma aula de 80′s reggae do Calbuque, fazendo quem tava lá esquecer da pelada contra os hermanitos. O cara sacou uma coleção de versions de músicas da Tracy Chapman (“Fast car”), Marvin Gaye (“Sexual healing”), George Michael (“Never gonna dance again”), Alphaville (“Forever young”) e até Michael Jackson (“Billie Jean”), além de uns raggas cheios de balanço.

Quase meia noite, quando a casa começou a encher pra valer, o mestre Calbuque passou as carrapetas para Chicodub, fazendo sua estréia, um tanto atrapalhada, na discotecagem.

O telão feito pelo VJ Mateus Araújo, recheado de samples de filmes jamaicanos e outras referências, se encaixou perfeitamente nos sets. Quando Berna Ceppas & Kassin iniciaram o aguardado live pa de Gameboy, foi a vez das imagens 8 bits (só clássicos do Atari) e mensagens contra a guerra dominarem o cenário.

Enquanto a dupla tocava, as pessoas se amontoavam ao redor, tentando entender como aquelas duas maquininhas cuspiam tantos pancadões. A apresentação começou mais experimental e seguiu num crescente, até desembocar em duas bases bem dançantes, preparando o terreno para o que vinha na sequência.

John Woo desceu a mão, estabelecendo um Apavoramento geral e irrestrito. A pista teve que se entortar bastante para acompanhar a quebradeira e os grooves elásticos do samurai da pick ups. Inna kung fu style. Em seguida foi a vez do robótico Spark domar os presentes com um set pra lá de classudo.

Dizem por aí que, lá pelas 4h, o padrinho do saite invadiu a cabine e botou um som para os que ainda resisitiam bravamente.

A julgar pela quantidade de mails perguntando “quando é a próxima?”, pode-se dizer que a festiva realmente foi bem bacana. Muitos papos, vários amigos, coleguinhas, colaboradores e ainda conheci três dos meus quatro leitores.

Preciso arranjar um motivo pra fazer outra dessa.

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