OEsquema

Arquivo: ao vivo

Siba no Rio

O Joca esteve lá e conta como foi:

“Finalmente os cariocas puderam ver o novo show do músico Siba, que já mostrou o excelente repertório de “Avante” em várias cidades brasileiras. O Oi Futuro Ipanema lotado se segurou nas cadeiras durante a terceira atração do Levada, festival que ocupa o espaço até outubro. O ótimo guitarrista Siba apresentou uma formação enxuta, com bateria, teclado e tuba (estes últimos fazendo o papel do baixo) e tocou nove das dez músicas do álbum, de um total de 14 – as outras foram de seus trabalhos anteriores com a Fulôresta (“Alados”) e com Mestre Ambrósio (“Mestre Guia”). Destaque para “Bagaceira”, tocada duas vezes, e “Brisa”, ambas de “Avante”, seu disco mais acessível. Sem muitas fusões com ritmos nordestinos, apenas referências em meio a um bom pop rock, o repertório ganhou força com improvisações instrumentais, alongando os temas. Siba prometeu voltar para um novo show, onde “caibam todos e tocaremos até o público começar a ir embora” – disse ele. Vamos ver se ele cumpre a promessa.”

E nesse final de semana ainda teve Curumin e Arnaldo Antunes.

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Mogwai (ou James Blake de cabeça pra baixo)


foto: Filipe Marques

O SHOW DO MOGWAI FOI UMA EXPERIÊNCIA TRANSCENDENTAL, UMA ELEVAÇÃO ESPIRITUAL CAUSADA PELA ENTREGA AOS TRANSES PROPOSTOS PELOS ESCOCESES. OS QUE PRESENCIARAM O MASSACRE ESTÃO ASSIM HOJE, FALANDO ALTO A BEÇA, COM OS OUVIDOS AINDA ZUNINDO DE ONTEM.

Dois dias depois do James Blake embasbacar os presentes com um show repleto de silêncios e ambiências, onde os “shhhh” quase viraram parte dos arranjos em determinados momentos, o Mogwai fez o extremo oposto no Circo Voador: amassou a moleira de mais de 700 pessoas com uma parede sonora ensurdecedora, fazendo a tenda tremer.

Mogwai
foto: Joca Vidal

Dez anos depois da histórica apresentação no Armazém do Cais do Porto, onde rebocos do teto caiam devido a pressão sonora, a banda voltou a cidade. O que para ouvidos fechados pode simplesmente soar como uma maçaroca sonora, é repleta de detalhes e sutilezas, reveladas pela excelente mixagem do técnico de som da banda.

O volume espantoso não é mera tiração de onda adolescente, é fundamental para que as melodias produzidas pelo Mogwai, enterradas em densas camadas de guitarra, consigam escapar e brilhar. O que se vê no palco é um exercício de domesticação de guitarras em fúria.

Quando conseguem acalmar o som (algo que, de maneira geral, vem mesmo acontecendo nos últimos discos), um desavisado pode se deixar enganar e cair nas armadilhas das dinâmicas poderosas da banda. Correndo o sério risco de cair pra trás de susto, o ouvinte acredita no teclado na frente, esquecendo-se que a qualquer momento as guitarras explodiram novamente. Um engano e tanto.

As músicas:


foto: Joca Vidal

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James Blake & Little Dragon para poucos no Circo Voador

Já dizia Tony Wilson, mostrado no filme “24 Hour Party People”, em referência estréia nos palcos do Sex Pistols, quanto menos gente num show, maior sua importância histórica. Pois bem. Domingo a noite, as 320 testemunhas da noite de pior venda de ingressos da história do Queremos! assistiram, se não o melhor, certamente um dos três melhores já promovidos pelo projeto.

Some isso a crescente fama desse escriba de não gostar de show nenhum (exigência para uns, chatice e velhice para outros, faça sua escolha) e não pode ser coincidência essa ser, desde já, uma das apresentações do ano. James Blake deixou os presentes que “enfrentaram” a chuva (e bota aspas nisso) de queixo caído com a sutileza, elegância e aparente simplicidade dos arranjos de suas canções. E as porradas dos graves, ah, os graves..

Antes dele, contrariando a lógica do BPM, os suecos do Little Dragon sacudiram a tenda.

ABBA e excessões como Roxette, Cardigans e Ace of Base a parte, já foi o tempo que bandas pop vindas da Suécia estourarem mundo a fora eram uma exceção. A lista hoje em dia é extensa: Miike Snow, Lykke Li, Peter, Bjorn and John, Robyn, Fever Ray, Jens Lekman, The Knife, Radio Dept, The Tallest Man on Earth, Studio, JJ, nomes o suficiente pra inspirar um festival chamado Invasão Sueca em Recife.

O Little Dragon não fica atrás de nenhum de seus pares. Na real, fica a frente, principalmente quando pesa a mão nos graves e deixa de lado as batidinhas dançantes mais manjadas 2×4.  A formação colabora, baixo e bateria (com pads) são cortadas pelo teclado, alma da banda, com modulações que adicionam a aspereza que dá personalidade e faz da banda algo mais que um synth pop básico.

E tem a animada vocalista Yukimi Nagano, claro. É daqueles shows que fazem você voltar ao disco e gostar ainda mais – e esse pode ser o grande ponto de contato entre o Little Dragon e o James Blake, o poder das suas apresentações ao vivo.

Listar as influências de James Blake (soul, folk, r&b, gospel, [des]amarrados pela espacialidade do dubstep) não chegam perto de descrever o som. Isso porque, tudo que ele pega dessas referências é reprocessado por alguma outra, de maneira que o resultado final se torna uma sombra da matriz, o que é ótimo. O que ele faz com o dubstep, por exemplo, é paralelo ao que faz Skrillex, láááá na outra ponta: aplicar o conceito, não replicar o som.

O piano clássico é entortado por timbragens pesadas; batidas sincopadas de dubstep ecoam fora do grave; reverbs abertos emulando os ecos de uma catedral são filtrados por vocoder, potencializando o alcance vocal e afastando-os de simplesmente remeter a uma igreja. Você ouve Blake e pensa: o problema é a ferramenta ou quem não sabe usá-la? Pois é.

Acompanhado por guitarra e bateria, os arranjos são tão perfeitos que faz pensar quantas horas de ensaio se levou até chegar aquele formato. Um formato muito original, vale ressaltar. Com a cena inundada de bandas com formações idênticas (guitarra + bateria + baixo + sintetizador), é um alento só ver alguém ousando nesse sentido.

É um trio em que nenhum dos instrumentos faz feijão com arroz, pelo contrário, são esticados, distorcidos, reimaginados. Ousadia que vem desde o formato das composições, sem medo de explodir ou soar barulhentas quando desemboca nessa solução. O que poderia ser tanto um projeto mela cueca (bom, é um pouco), quanto um dubstep erudito (o que também é um pouco), flutua entre as duas coisas, criando um terceiro lugar.

Ouvindo os discos se pode ter uma ideia da proposta, porém ao vivo a coisa muda totalmente de figura. Visualizando as músicas serem executadas a mão inverte, fica mais difícil imaginar o processo solitário de gravação de composição e gravação de Blake.

Não é tarefa fácil transpor um som tão delicado para o palco. Além das dificuldades técnicas, há que se contar com a participação do público, ou melhor a não-participação do mesmo. Não é show pra tomar uma cervejinha, bater um papo ou mesmo cantar junto. É uma experiência de transe coletivo, onde o silêncio mais do que uma necessidade, é um elemento essencial.

Exigência da banda, os sub-woofers extras gigantescos colocados a frente do palco são apenas parte disso. Cada pancada, cada sacolejo das sub-frequências eram a certeza de que sim, você estava ali e, sim, a banda também e que aquela experiência era impossível de ser repetida em casa, com fones de ouvido ou qualquer outro auxílio orgânico.

A pegada steppas de “Limit To Your Love”, da Feist, poderia ter sido o encerramento perfeito. Ou a linda “”Wilhelm Scream”, que fechou a primeira parte de um show normalmente sem bis. Feliz da vida com a apresentação (“a segunda melhor da turnê, atrás de Buenos Aires”, contou ele depois), Blake voltou para o bis, tocando “A Case of You”, da Joni Mitchell (grato pela info, Seiler), parte do EP “Enough Thunder”.

Não precisava, mas se ele quisesse poderia ter tocado o show todo outra vez e ninguém iria embora. Tirando um grupo de tagarelas bêbados perdidos ali (talvez procurando outro James, o Blunt?), a entrega da plateia foi total, podendo se ouvir o tilintar da chuva do lado de fora. Como se fosse uma noite londrina, azul, melancólica. Como se fosse um sonho, de chorar de tão lindo.

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Transcultura #078: De volta pro futuro no Coachella 2012 // Caine’s Arcade

Meu texto da semana passada para coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Futurologia no Coachella
Festival reapresentaou atrações em seu segundo final de semana
por Bruno Natal

Nessa sexta começa o segundo final de semana do festival Coachella, na California. Tudo igualzinho a semana passada: as mesmas atrações, tocando nos mesmo horários, com a diferença de que o efeito surpresa se perdeu. O clima “De volta para o futuro” vem desde semana passada, seja através do retorno de bandas como At The Drive In e Mazzy Star, seja através da ressurreição do rapper Tupac Shakur emformato holográfico. Com isso, o exercício de futurologia que seria tentar prever os caminhos de um festival com quase 150 atrações, torna-se quase certeiro.

Neon Indian exagerará no lo-fi e mostrará um som mais gasto do que estiloso; o GIRLS manterá a fama de ruim de palco mesmo com o discão “Father, Son, Holy Spirit” como base; o Arctic Monkeys vai mais uma vez provar que não é mais um grupo de moleques; Frank Ocean vai arrastar uma multidão para a menor tenda do festival e contará com o apoio do Bad Bad Not Good e participação do Tyler The Creator; a Mazzy Star fará um showzão, mesmo enfadada; o Atari Teenage Riot sangrará ouvidos e o M83 se mostrará mais pop do que se pensava.

A Azealia Banks não fará uso de nem metade do tempo de palco que tem direito; o tUnE-yArDs não segurará a onda num palco maior; o Andrew Bird vai mostrar um folk sem muitas inovações além do seu violino; Noel Galagher apelará para uma música do Oasis pra conquistar o público; o The Shins vai fazer um show de dar sono ao mesmo tempo que a Feist, com 18 músicos no palco, fará uma das melhores apresentações do festival; o Flying Lotus tirará onda acompanhado de baixo e bateria; o SBTRKT sentirá a necessidade de provar que não é assim tão radiofônico e carregará a mão das versões das próprias músicas; o ASAP Rocky fará uma zorra no palco com mais de 10 amigos e o Radiohead atrasará um pouco pra mostrar que simplesmente re-arranjou as luzes do palco da turnê do “In Rainbows” para essa do “King of Limbs”.

O Metronomy fará do gramado uma pista de dança sob um sol de rachar; Seun Kuti encantará os gringos com a banda do pai; o Real Estate fará um show certinho, embora mais para os fãs; Beats Antique orientalizará o hip hop e o araabMUZIK mostrará com quantas MPCs se faz um performance; o Thundercat vai se embrenhar por uma masturbação jazzística; o The Weeknd vai cometer um assassinato em massa das canções da sua ótima mixtape; Justice e Girl Talk mostrarão mais do mesmo, sem que isso seja algo ruim, e espremerão o Beirut contra o Calvin Harris, tornando impossível ouvir qualquer coisa; o At The Drive In ensurdecerá quem tiver fugido do açucar da Florence & The Machine, enquanto DJ Shadow e Modeselektor sofrerão para competir com Dr. Dre & Snoop Dogg.  E no encerramento, quando Makaveli surgir digitalmente diante dos olhos incrédulos do público, o mesmo sentimento fantasmagórico tomará conta da platéia, mais assustada do que empolgada com o artíficio.

A única coisa que não deve se repetir é o tempo, com a inédita chuva no deserto dando lugar a tradicional solaca, queimando os corpos, enquanto a música frita o coco. Ao ponto, por favor.

Tchequirau

Apaixonado por fliperamas, Caine construiu versões elaboradas dos jogos utilizando pedaços de papelão, na garagem da loja do pai, em Los Angeles. O documentário “Caine’s Arcade” conta essa história e reserva uma grande surpresa no final.

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Coachella 2012: um festival de pessoas, sol e música


fotos: URBe (via Instagram)

Cada Coachella é uma história diferente e por isso é um dos festivais mais legais de se cobrir. Mais do que o ano da entressafra, o Coachella 2012 será lembrado como o ano do frio, da chuva, o Coldchella. Pela primeira vez (até onde pesquisei) choveu e o frio de 10 graus desnorteou um evento pautado, primordialmente, pelo sol. E ficou bastante claro esse ano o quanto o sol é fundamental para o festival.

Espécie de termômetro da música pop independente contemporânea (OK, ficou parecendo estatística do Zagallo: “nunca perdi pra país com a letra Z e que joga com listras vermelhas verticais”), goste ou não, através das suas escalações, apresentações e até horários, entende-se um pouco do momento pelo qual passa o cenário musical.

A ascensão do festival e o interesse em participar de medalhões como Madonna e o empenho em impressionar do Daft Punk e sua pirâmide em 2006, a expansão de dois para três dias de shows em 2007; a consolidação como rito de passagem e afirmação para bandas visto em 2009; o gigantismo atingido em 2010, quando todas as bandas agora graduadas juntaram-se na mesma escalação e aumentou-se o número de ingressos disponíveis; a correção de rumo em 2011. Cada edição tem as suas peculiaridades (as intros de cada uma das resenhas apontadas dão uma analisada melhor em cada assunto).

A julgar pelo que se viu em 2012 (e se verá novamente nesse final de semana, quando pela primeira vez o Coachella terá um segundo final de semana, espelhando as atrações do primeiro) o momento atual é de entressafra. A escalação trouxe as tradicionais reuniões de bandas extintas (At The Drive In, Mazzy Star), nomes grandes pra chamar público (Dr. Dre & Snoop, Radiohead) e muitas, mas muitas bandas novatas.

O que não se vê, ao menos não em números expressivos, são aquelas bandas recém-estouradas, equilbrando-se entre um público médio, quase chegando no grande. Não faz sentido escalar novamente a última leva a conseguir fazer essa transição de pequeno para médio porte (MGMT, Hot Chip, Vampire Weekend, 2ManyDJs/Soulwax, Chromeo, etc), porém, não há novos postulantes a esse posto. Com isso, foram muitas apostas, algumas das quais podem voltar ao festival em outras condições.

Isso não deixa de ser totalmente alinhado como espírito do Coachella, mesmo que hoje ele tenha se tornado muito maior. É muito bom que não haja um desespero pelo sucesso (mesmo porque, hoje os ingressos esgotam antes da divulgacão da escalação) e se repeite o tempo das coisas. Mérito da curadoria. O fato de a atração mais comentada ter sido um holograma diz muito sobre isso.

Resta ao público garimpar, é esse interesse que move o festival. Ainda que em alguns casos o hype do mundo real seja mais rápido que o da rede, fazendo com que shows fiquem abarrotados no início e, de repente, esvazie, com as pessoas indo buscar outras coisas, num universo de mais de 140 atrações o que predomina é um público aberto ao novo, mesmo que para alguns isso dure apenas três dias.

Isso faz toda diferença do ponto de vista prático. Sem um público interessado cena nenhuma, de nada, se sustenta (sim, estou falando sobre o Queremos!de maneira enviezada).


Nuvens, vento, gorros… (foto do @rhermann)

Dia 1
Breakbot, Givers, James, Neon Indian, GIRLS, Arctic Monkeys, Pulp, Frank Ocean, Mazzy Star e M83

Dividido entre ver as novas instalações e correr atrás de alguma das boas atrações que ficam salpicadas no horário em que o campo de polo ainda está vazio, a entrada é sempre um momento confuso. Enquanto Breakbot fazia um set bem parecido com o que fez no Rio, tocando depois do Mayer Hawthorne The Rapture no Circo Voador (e sem banda, como era esperado), o Givers fazia um show sub-qualquer bandeca de rock. Restou passar pelo palco principal pra pegar um pouco do rapper Kendrick Lamar. Tarde demais; só deu tempo de ouvir o ele se despedindo e aturar a velharia do James enquanto almoçava.

As coisas começaram frias, no amplo sentido da palavra. Os shows não impressionavam e o frio ia piorando conforme o dia passava. Logo a previsão de 30% de chances de chuva se confirmaria, sem muita intensidade, só que as gotinhas estavam geladas que só vendo. Muita gente não levou a metereologia  sério e a cena de meninas de roupa curta se encolhendo tornaram-se tão comuns quanto as alienígenas jaquetas de couro circulando pelo gramado.


GIRLS

No palco menor, o Neon Indian levou o lo-fi a extremos, mostrando um show mais sujo do que gasto pelo tempo. Mesmo com três sintetizadores, guitarra e bateria, o som saia fraco e abafado, sem empolgar a boa quantidade de gente assistindo. Melhorou um pouco nas duas últimas,  os “hits” falando de uma garota polonesa e num verão caloteiro,  ”Polish Girl” e “Deadbeat Summer”. Bem apropriado.

Tudo prometia melhorar com o GIRLS, mostrando as músicas do excelente “Father, Son, Holy Ghost”, um salto de qualidade tremendo da banda. Só que… O que quer que tenham aprendido no estúdio, não chegou ao palco. Sem nenhum carisma, Christopher Owens teve sua voz e violão encobertos por um baixo rachando e até pelas boas cantoras de apoio. Não foi terrível, porém não chega perto do disco.


Arctic Monkeys

No palco principal, o Arctic Monkeys mostrava como é que se faz. É impressionante o quanto a banda se converteu de um bando de moleques em um grupo de rock com cancha de palco. A única vez que havia visto a macacada ao vivo foi naquele mesmo palco, em 2007, quando estavam lançando o segundo disco, ainda desconhecidos nos EUA e fazendo brincadeiras com a situação.

Com quatro discos nas costas, projetos paralelos e sabe-se lá quantas horas de palo, Alex Turner sente-se a vontade como front man. Isso é bom e ruim. Se por um lado o domínio de palco propicia um espetáculo mais controlado, é justamente esse controle que tira um pouco do frescor juvenil que foi uma parte tão importante no estouro da banda. O tempo passa, é incontrolável. O volume das guitarras não, pelo contrário, e poderiam estar um pouquinho mais altas.

O Pulp deu sequência inglesa, com um show bem produzido, cenário grandioso e Jarvis Cocker inspirado. Vista uma música e os fãs enlouquecendo, voei para conferir o Frank Ocean. Integrante mais velho do coletivo de hip hop angelino Odd Future, Frank se debruça sobre o r&b, cantando sobre relacionamentos, não sobre escatologias como os rappers do grupo.


Frank Ocean

A Gobi, menor das tendas, transbordava e foi difícil abrir caminho. Ao conseguir avistar o palco, deu pra identificar o BadBadNotGood como seus músicos de apoio, o que subiu bastante o nível (eles ainda tocaram toda as noites no acampamento).

O trio de baixo, bateria e piano canadense já vinha ciscando pela área, fazendo versões jazzísticas das músicas do Odd Future, então foi até uma junção lógica – no show a formação era guitarra, baixo, bateria e MPC/teclado (até onde deu pra ver, a ausência de uma câmera cobrindo o lado direito do palco no vídeo com a íntegra do show não ajuda a identificar).

Ao Frank Ocean restou fazer o que sabe, cantar. Bem a vontade frente a multidão, ele perdeu bastante tempo reclamando do som. O público não viu tanto problema, as meninas soltando gritinhos sem parar. Quando acabou, Mazzy Star já estava no palco menor fazia dez minutos.


Mazzy Star

A luz azul que preenchia o espaço durante quase todo o show escondia uma Hope Sandoval emburrada, quieta, sem que ela dissesse o motivo (olhando bastante para mesa de monitor, a qualidade do som devia ser a razão). O folk blues chapado, de linhas de órgão doorianas e slides viajantes, atraiu pouca gente – o frio certamente não ajudou.

Uma pena, pois o show foi bastante bom (dá pra assistir todo no YT). Mesmo eles tendo “se livrado” de “Fade Into You” lá pela metade, era um show pra ter encantado se as condições tivessem sido melhores.

A caminho do M83, o extremo oposto acontecia em uma das tendas, onde o Atari Teenage Riot rasgava os ouvidos dos poucos que se encorajaram a encarar a bagaceira. Surpresa mesmo viria a seguir.


M83

Contrariando todos os prognóstico de um show indie e cabeçudo de shoegaze eletrônico, o  show do M83 é totalmente pop (assista completo no Daily Motion). Com luzes frenéticas e ênfase nas programações eletrônicas e na própria bateria (por vezes 4×4) em quase todas as músicas, a tenda lotada quicou sem parar enquanto Anthony Gonzales se deliciava, sem cansar de agradecer e fazer menção ao fato de estar sendo tão diferente de quando tocou no festival, em 2005.

A saída de um dos fundadores, o sucesso de “Hurry Up, We’re Dreaming”, o M83 está mesmo vivendo um recomeço. É como se fosse outra banda, nascida pra fazer sucesso. Não é exatamente meu tipo de som, principalmente os gritos de “mãos pra cima” ou nos momentos em que soa como se o Miike Snow (com quem guardam semelhanças, o que é bom) tocasse as músicas do Arcade Fire (o que seria ruim) Gostos a parte, é um showzão- e bombaria por aqui. Dispensável mesmo só o solo de sax no final de “Midnight City”.

Falando em Miike Snow, no dia seguinte eles tocaram e receberam a Lykke Li, assista a partir do minuto 29.  De volta a sexta, a atração seguinte seria o The Horrors. O frio venceu e esse ficou pra depois, encerrando a noite mais cedo.


Galocha? (foto do @rhermann)

Dia 2
Big Pink, Jaques Lu Cont, tUnE-yArDs, Andrew Bird, Noel Gallagher’s High Flying Birds, The Shins, Feist, Flying Lotus, SBTRKT, ASAP Rocky e Radiohead

O otimismo sobre uma melhora das condições climáticas se realizou apenas parcialmente: o frio continuou, mas pelo menos não choveu, o que já ajudou bastante. O sol até ameaçou aparecer algumas vezes.

Tendo perdido os shows do Destroyer e da Azealia Banks (essa tendo utilizado metade do tempo de palco que tinha), ambos muito cedo, o dia começou com o Big Pink, aturado somente tempo suficiente para Jaques Lu Cont começar seu set na tenda Sahara.


Jaques Lu Cont

Nome por trás do Les Rythmes Digitales e produtor do “Confessions On a Dancefloor”, da Madonna, Jaque Lu Cont é o pseudônimo mais utilizado pelo inglês Stuart Price (um trocadilho anglo-franco significando algo como Jack O Cuzão), talvez seu trabalho mais consistente. Agradando a atual demanda por sons rave 90, a primeira metade do set foi bem comercial, téquinêra pesada (e ainda sim bom, sim é possível), encerrada com um explosão de fumaça ao som de “Also Sprach Zarathustra”, para marcar a transição para um som mais com a sua cara.

E essa cara é um groove borrachudo, sirenes de synth, camadas de melodia se cruzando, a bateria 909 estourando no peito, em remixes de “Harder Better Faster Stronger” (Daft Punk), “Blue Monday” (New Order) e “Mr. Brightside” (The Killers, de quem também produziu o terceiro disco). Mesmo com o dia claro, a pista pegou e pegou bem.


Andrew Bird

Numa mudança brusca, o tUnE-yArDs pegou um palco grande demais para o seu som. O som etéreo, de tempos e divisões estranhas e melodias tortas, lembrando bastante o Dirty Projectors , não consegue cativar uma multidão. A atmosfera experimental e hippie provavelmente ganha muito se vista, por exemplo, num centro cultural ou na sala de casa de um dos integrantes. Andrew Bird entrou na sequência e fez um show correto com seu folk e violino, sem empolgar muito.

No almoço deu para ouvir Noel Gallagher apelar para “Don’t Look Back In Anger”, do Oasis, pra conquistar o público. Mesmo sem nenhum hit desse calibre no repertório, quem não precisou de muitos truques pra fazer um dos shows do festival foi a Feist. 19 pessoas no palco, som perfeito, o máximo da apelação foi uma piada dizendo que uma de suas músicas era sobra de estúdio do “The Chronic”, clássico do Dr. Dre, estrela maior do Coachella esse ano. Bem classudo.


Flying Lotus

Embicando para o final, vei uma sequência na tenda pequena, começando pelo trecho final da apresentação do Flying Lotus, dessa vez acompanhado por baixo e bateria, tão bom quanto sempre nos toca-discos.

Logo depois entrou o SBTRKT. Acompanhado apenas pelo cantor Sampha, o produtor Aaron Jerome reconstrói as músicas, tornando-as muito mais peadas e minimalista (show todo no DM).


SBTRKT

Passando uma lixa na produção detalhada do disco, tirando todo polimento pop, “Never Never” vira um dubstep dark, “Something Goes Right” não repete as programações, o sintetizador some e surge reta e seca. “Wildfire”, na versão com Drake e cantada por Yukimi Nagano (do Little Dragon), que deveria ser a mais adaptada devido a ausência dos intérpretes, é praticamente tocada como é gravada, antes de um final em que é toda entortada.

O ponto fraco é a decisão de Aaron de tocar bateria ao vivo (ele e Sampha dividem os sintetizadores). O que poderia ser um adendo interessante pro show acaba limitando as execuções pelo simples fato dele ser um baterista regular, porém incapaz de repetir as programações originais na munheca. Com isso, todo o show acaba sendo mais linear e perdendo dinâmica. A discussão se um artista novo deve ou não alterar tanto suas músicas quando tem apena um lançamento é secundária. Afinal, cada artista sabe de si.


Um integrante do ASAP Rocky vai pra galera

Certo de que o Radiohead não entraria em cena no horário marcado, fiquei para ver um pouco do ASAP Rocky. Acompanhado por 11 amigos no palco, pulando e dançando sem parar, alguns fazendo raps ou se jogando na plateia, do pouco que deu tempo de conferir, pareceu energético, embora rapidamente se torne monótono com a presença de apenas um DJ em cena.


Radiohead

Atração principal da noite, o Radiohead fez um show basicamente focado no “The King of Limbs” e no “In Rainbow”, com algumas concessões. No geral, foi um repertório mais lento e o cansaço de um dia inteiro de shows, somado ao frio, congelou o público.

A amigos, o guitarrista Ed disse que foi um dos piores shows do Radiohead em muito, muito tempo. Foi um certo alívio saber disso, aliviando um pouco a culpa de ter saído um pouco antes do fim (não aprendo…) para evitar o engarrafamento da saída do estacionamento.


O sol! O Sol!

Dia 3
Metronomy, SeunKuti & Egypt 80, Real Estate, Beats Antique, araabMUZIK, The Weeknd, Justice, At The Drive In, Dr. Dre & Snoop Dogg


Josh Homme é fã do Metronomy

Eis que no derradeiro dia o sol apareceu, mudando COMPLETAMENTE a atmosfera do festival. O dia começou bem, com o Metronomy fritando o coco no palco menor, transformando o gramado numa pista de dança. Josh Homme (Queens of the Stone Age) foi tietar a banda nos bastidores após o show e foram embora juntos.


Santigold

Finalmente deu para aproveitar o calor e curtir o visual do deserto largado no chão, ao som do Seun Kuti e a lendária Egypt 80. A melhora no clima aumentou a pilha, então deu pra correr descalço e ver um pedaço da Santigold, grande, dominando o palco principal bem cheio.

De lá, para o Real Estate. Longe de ser algo elaborado, é na simplicidade que eles se dão bem (show inteiro aqui – e que beleza é não ter que subir essa quantidade de vídeos no  YT!).


Real Estate

O indie preguiçoso se destaca pela guitarra enxarcada de Matthew Mondaline (também do Ducktails) e pelas longas incursões instrumentais, apoiadas em camadas de teclado (o pai do tecladista mora no Rio e trabalha n Bloomberg, ele contou depois). De ruim, a demora entre as música para afinação dos instrumentos, atrapalhando a fluidez. Uma belezura de show que teria ido muito bem no por do sol.


Thundercat

Produzido por Flying Lotus, o Thundercat fez um show de jazz funk chato enquanto na tenda ao lado, a Mojave, o Beats Antique orientalizava o hip hop através do balkan beats, com banda e dançarinas exóticas, antes do araabMUZIK destroçar os sonhos de qualquer um que toque ou queira tocar uma MPC.


araabMUZIK

O prodígio americado descendente de guatemaltecos e dominicanos arregaça não uma ou duas, mas três MPC,  numa velocidade e destreza assutadoras. Isso sem perder de foco o pequeno detalhe de fazer um som bom, algo que poderia ser relegado a segundo plano, encoberto pela performance, construindo batidas e melodias e samples de Damian Marley. No palco principal, o The Hives se esgoelava.

Com finalmente um sol para se por, a melhor escolha de banda para esse horário de ouro do festival flopou desastrosamente (veja você mesmo). Reunindo o maior público visto no palco menor, com muita gente sabendo as letras de cor e sendo celebrado com gritos histéricos dignos de ídolos adolescentes, o The Weeknd não correspondeu.


The Weeknd

Com uma voz pequena e sem alcance nenhuma, Abel Tesfaye mais geme do que canta. Ele não se aperta e bota banca, com atitude de postar, como se não fosse um sub D’Angelo ou Justin Timberlake e não percebesse que está mais próximo de um participante do American Idol do que de qualquer um dos citados.

A banda – ou os arranjos – não ajudam, soando vazia naquela imensidão a céu aberto. Uma grande decepção, considerando as boas mixtapes, no nível da causada pelo The xx, naquele mesmo lugar e horário. Agora, como dito lá em cima, pode ser questão de tempo, estrada, experiência mesmo. O The Weeknd ainda é pequeno.

Contrariando o que vinha sendo comentado, o Justice não se apresentou com uma banda e mostrou praticamente o mesmo show do disco passado, adicionando apenas luzes aos amplificadores cenográficos e as música novas de sonoridade parecida (já que o disco é mais hard rock do que metal), como “Orion”. A banda entrou bastante atrasada e fez um set bem curto num espaço já limitado de tempo. Muito pouco para o palco principal, mesmo sendo muito bom.

Espremido entre a catarse causada pelo Girl Talk no palco menor e o poperô do Calvin Harris (com Rihanna como convidada) na Sahara, o Beirut se esforçou pra conseguir se fazer ouvir na Gobi. Tarefa ingrata para eles e para os muitos que lotaram a tenda na esperança de ver o show.

No palco principal o At The Drive In fez seu retorno, enquanto a Florence and The Machine agradava a mulherada no menor. Nada disso importava, a essa altura o campo de polo já estava a espera de Dr. Dre, Snoop Dogg e sua turma.


Dr. Dre & Snoop Dogg e todo o resto

Como num especial de TV, Dr. Dre fez as vezes de anfitrião, falando bem mais que Snoop, enquanto recebia seus convidados (já sabe: clique e assista o show todo). Passeando quase cronologicamente por alguns dos sucessos que produziu, recebeu Kurupt, Warren G, homenageou Nate Dogg (morto recentemente), ouviu Snoop puxar “Jump Around” do House of Pain e cantar “Young, Wild and Free” com Wiz Khalifa e então o caldo começou realmente a engrossar.

Confirmando os boatos, 50 Cent e depois Eminem também participaram, transformando a noite num encontro de medalhões do hip hop, faltando apenas Jay Z, Lil Wayne e Kanye West pra fechar o primeiro time (mas eles não tinham nada a ver com aquilo). O que aconteceu entre essa duas apresentações foi o que se tornou o assunto mais comentado do Coachella, possivelmente não apenas dessa edição.

Durante o dia já rolava um falatório sobre a participação virtual do Tupac, o próprio holograma (papo que você vem escutando falar aqui no URBe pelo menos desde 2006) sendo citado. Não deu outra. E mesmo sem ser exatamente uma surpresa, causou espanto no sentido estrito da palavra. Mais do que uma comoção ou celebração, a visão de Tupac no palco, gritando “qualé Coachellaaaa”, deixou o clima meio sombrio. Era mais como ver um espírito do que o artista. Embora o objetivo não pareça ter sido esse, funcionou, afinal, o rapper foi assassinado há 16 anos.

No final, mesmo com a chuva e escalação “tímida” (e bota aspas nisso!), foi uma das edições que mais repercutiu. Curioso pra saber qual vai ser a história ano que vem.

Obs 1 – Para assistir: Tem alguns links para vídeos com os shows inteiros no texto. Uma busca no Google por “nome da banda” + Coachella + full entrega os resultados. Muitos dos vídeos estão marcados como “privados”, para não serem tirado do ar pelo YouTube, então uma busca no próprio YT não acusa. Tem muitos no DailyMotion também.

Obs 2 – This is an extensive Coachella ’12 Weekend 1 review written in Portuguese, here’s an automatic translated English version (through Google Translator)

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Moreno Veloso e a coisa boa

A timidez de Moreno Veloso contrastava com a posição na qual se encontrava. Sozinho no palco, nitidamente nervoso, tocou versões, composições suas antigas e também algumas inéditas que farão parte do próximo disco, “Coisa Boa”.

O formato do show no Sonoridades surgiu por acaso, quando uma viagem do +2 ao Japão iniciou com o desfalque de Domenico, seguido de uma baixa do Kassin e, convidado pelos japoneses, Moreno cumpriu as datas solo. Decidido a se desafiar, resolveu encarar uma plateia caseira.

A delicadeza de Moreno transparece nas músicas, a fragilidade da voz permeada por uma mão direita picotada no violão, fazendo o instrumento trotar e dando um ritmo percussivo as interpretações.

No terço final, o compositor recebeu a companhia de Pedro Miranda e do violão de 7 cordas Luis Filipe de Lima.

26 músicas depois, missão cumprida. Embalado por uma canção de ninar em parceria com Domenico, a tal “Coisa Boa, Moreno parecia mais a vontade. Pronto para lançar o novo disco.

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A apoteose do Criolo

“A pirataria é  a nova rádio”. Prova das recentes palavras de Neil Young foi o Circo Voador superlotado (não “suuuper lotado”, de legal, lotado além da conta mesmo), com mais de 3 mil pessoas se espremendo para ver o Criolo em sua segunda passagem pelo Rio com “Nó na Orelha”, um dos melhores discos de 2011, distribuído gratuitamente em sua página. Quando o trabalho é bem feito, o grátis vai longe.

O carnaval ainda não chegou e Criolo já teve sua apoteose. O que se viu no Circo no sábado foi único. Não apenas por se tratar de um artista de São Paulo sendo aclamado no Rio, tendo seu nome urrado (é notório o quanto carioca implica muito mais com paulista do que vice-versa) ou todas as letras cantadas pelo público. Principalmente pela velocidade com que isso aconteceu.

Díficil dizer que a platéia era formada por amantes do rap, assim como não se pode dizer que era apenas a pleiboisada indo na onda. Estava lá a “atitude hip hop”, com a platéia batendo a mão no ar e cantando alto a citação a “Rap é Compromisso” (Sabotage). Estava lá também a atitude carioca, com muita gente alheia ao show e tomando uma cervejinha e batendo papo fora da lona. Tinha de tudo. É impossível determinar um perfil de público, o que ao mesmo tempo explica e torna mais difícil entender o fenômeno Criolo.

Tratado como um novo artista estreando, Criolo, há muito tempo na estrada, explodiu com seu segundo disco. Misturando rap, mpb, afrobeat e reggae, citações de Chico Buarque e uma penca de aparicões em listas de destaques do ano, “acusações” de ser gay (seja lá o que isso signifique…), o paulistano entrou em uma trajetória fulminante. É possível fazer um paralelo com a ascensão do Seu Jorge: as durezas do passado, a revelação tardia, a faceta crooner, um repertório que tanto pode ser visto como “eclético” quanto “atirando pra todo lado”.

Mesmo que o rap hoje seja mais uma influência do que uma constante no show, Criolo não se esconde . Político, disse que ninguém ali era burro e exibiu um cartaz onde se lia “os mortos de Pinheirinho nao me deixam comer”, em alusão ao protesto de greve de fome sendo feito por Pedro Rios em frente a sede da TV Globo.

Para alguém que estava há duas décadas tentando cavar seu espaço, não resta dúvida que o que o que catapultou Criolo para o sucesso foi a nova embalagem musical. Produzido por Ganjaman (que já havia chegado perto disso com Sabotage, morto precocemente), o disco acertou em cheio o público que mirou: suingueiro, pra cima, com uma banda de baile (herança das homenagens aos discos “Racional 1 &2″ feitas pelo Instituto) impecável. Só o naipe de metais já vale o show.

O fenômeno Criolo é uma soma de tantos fatores (qualidade discurso e musical, livre circulação de mp3, a grande imprensa ter abraçado – sim, ainda faz muita diferença quando se fala de um público do tamanho do que estava no Circo – o momento sócio-econômico brasileiro – a história de vida dele ajuda a vender o “produto”, etc) que tentar encontrar o motivo principal do sucesso é um exercício inútil. Muito melhor é  simplesmente aproveitar, já que poucas vezes esses sucessos vem aliados a um som de alto nível.

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A volta do Mayer Hawthorne

Primeiro artista a participar duas vezes do Queremos! – por merecimento, já que sua primeira passagem pelo Rio foi um sucesso – Mayer Hawthorne voltou ao Circo Voador  e provou que a visita foi proveitosa: um público muito maior e conhecendo melhor as músicas saudou o soulman branquelo de Detroit. A festa foi longe, até altas horas da madrugada, com os DJ sets do Nepal e do próprio Mayer.  Belezura de noite.

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The Rapture, “W.A.Y.U.H.” + “House of Jealous Lovers” (live @ Circo Voador, Rio)

Pra matar as saudades do show.

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O vídeo oficial do Queremos! The Rapture + Breakbot no Rio

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Rapture + Breakbot no Circo Voador: O arrebatamento

tem muitas fotos no I Hate Flash

Mesmo com muita chuva, cerca de 1.200 pessoas foram até o Circo Voador conferir o The Rapture. Em tocar no Rio desde 2003, muita coisa aconteceu de lá pra cá: a banda gravou mais um disco, um dos integrantes saiu, o grupo quase acabou e ressurgiu ano passado com o ótimo “In The Grace of Your Love”.

O tempo passou e isso ficou claro; tanto na atitude mais contida dos integrantes no palco quanto na evolução sonora, menos punk e mais bem acabada. Ganha-se de um lado, perde-se do outro, menos explosão em troca de músicas mais elaboradas. Porém é sempre melhor ver uma banda que não se repete do que eternos pastiches dela mesma.

Fez falta um clique para o baterista, perdendo o tempo diversas vezes, pra trás, quase sempre nas mudanças de desenho, tornando as músicas mais lentas do que o normal. Num som como o do The Rapture, em que bumbo e caixa empurram todo o resto, isso faz bastante diferença. Não prejudicou nem ninguém ligou. O público abraçou o repertório e levou a banda no colo até o fim do show.

Foi curto, faltaram “Sister Saviour” e “It Takes Time To Be a Man”. Do lado de fora, a chuva apertou e pressionou a platéia pra dentro da lona, dando mais pressão e garantindo que ninguém iria embora tão cedo. A noite seguiu com uma discotecagem de duas horas do Breakbot.

O francês  segurou a onda e a pista pegou até quase 4 da manhã. No final, um aparição surpresa do Mayer Hawthorne, aproveitando para anunciar seu show na semana que vem ali mesmo no Circo. Você que é feito de açúcar e ficou em casa perdeu uma noitada e tanto.

Compra um guarda-chuva, só pra se garantir para as próximas.

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Começou Chorare

Ano passado Moraes Moreira mostrou no Instituto Moreira Salles, acompanhado pelo Filho David Moraes, uma versão voz e violão do disco “Acabou Chorare”, do Novos Baianos, como parte de uma série de apresentações de discos clássicos produzida pelo (assista o show inteiro no blogue do IMS). Muita gente ficou de fora do pequeno teatro, era claro que tinha mais público.

Em 2012 o disco completa 40 anos e, mostrando que a brincadeira pode render, Moraes Moreira apresentou novamente o álbum no Studio RJ, dessa vez com uma banda, formada por, além do filho, Cesinha (bateria), Augusto Albuquerque (baixo) e Marcos Moletta (bandolim). O show cresceu e casa estava em clima de sarau, com o público cantando tudo.

Quem viu, deu sorte, já que o Studio RJ também é pequeno para o tamanho da importância e influência do disco. Nesse ritmo, logo o show vai pintar em casas maiores. Faltam ainda Pepeu Gomes, Baby Consuelo, Dadi, Galvão, Paulinho Boca de Cantor… Bom, falta todo mundo. E tem muita gente querendo ver a banda inteira reunida.

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Disse o Cícero

Assim que entrou em cena, Cícero se deparou com problemas no seu violão elétrico. Sem graça, pediu desculpas, disse que tinha acabado de passar o som e que tudo ia dar certo.  O público do teatro Solar de Botafogo, abarrotado em pleno recesso não-oficial de final de ano, com gente sentada pelas escadas, nem ligou. Eram todos fãs e estavam na mão do compositor.

Quando comentou sobre o coro de uma música em que a plateia participou (após insistentes pedidos do cantor), disse que em Belo Horizonte não tinha sido atendido e tinha ficado até sem graça. Um rapaz gritou “é mentira! eu estava lá!”. Desde que lançou o clipe de “Tempo de Pipa” em junho, uma viagem neo-hippie pelo bondinho de Santa Teresa, Cícero vem conquistando seguidores – de verdade, não no Twitter.

Lançado de maneira independente e disponibilizado gratuitamente em sua página, o disco “Canções de Apartamento” foi se espalhando e levando Cícero a tocar pelo Brasil, entrando em listas de melhores do ano de blogues (“não que isso seja importante”, disse após contar para o público sobre esse fato), começando a construir uma carreira. Conferir o burburinho foi o motivo da ida ao show.

Cícero gosta do palco. Pode ser somente uma empolgação inicial, fato é que a quantidade de trejeitos e gracinhas para plateia (como roer as unhas ao microfone apenas para ser repreendido por uma fã mais entusiasmada) beiram a afetação. O que pode atrapalhar ou ajudar, depende do público que ele estiver mirando.

Em certo momento, Cícero brincou com participação da plateia, dizendo que estava se sentindo a Maria Gadu. No ponto em que está, a comparação faz sentido, mais até do que as apontadas similaridades com Los Hermanos e Rodrigo Amarante. As boas letras estão prontinhas para as massas; “Ensaio Sobre Ela” é só botar pra tocar na novela.

Musicalmente, no entanto, tudo ainda soa bastante derivativo (Radiohead, LH): toda música inicia bossa, explode indie e fecha bruscamente, num formato repetitivo. Faria bem um despreendimento estético, experimentar mais. Caminho tem e a interessante versão de “You Don’t Know Me”, feita em cima de “João e o Pé de Feijão”, (ah, se Caetano vê…) mostra isso.

Antes do final, Cícero agradeceu aos fãs pela divulgação no Facebook e na internet (nessa ordem) e num discurso altruísta, convocou o público a ajudar mais artistas a aparecer publicando músicas de novos nomes em seus perfis, dividindo a própria audiência sem nem saber com quem.

Entre as canções o compositor sentia-se obrigado a se comunicar com o público, repetindo o agradecimento por todos estarem ali, emcerrando o papo com um “não tenho mais o que dizer”. Engano dele.

Ainda no começo da jornada, Cícero já tem um número relevante de fãs dispostos a ouvi-lo. Só isso deveria ser motivo para sentir-se seguro para arriscar mais e explorar o próprio talento. Em tempos de carreiras relâmpago, em que artistas se descobrem e amadurecem na frente do público, não dá para esperar muito tempo pra isso.

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Pazes e Psilosamples e o Brasil no Novas Frequências

A noite de encerramento do Novas Frequências não estava programada para acontecer exatamente como aconteceu. A atração inicialmente divulgada era o guitarrista Mark McGuire (do Emeralds), que cancelou sua vinda, em cima do laço. Ainda que tenha feito bastante falta (era o que mais queria ver), a solução encontrada acabou por enriquecer o festival, adicionando atrações brasileiras – Pazes e Psilosamples – numa programação que antes só trazia nomes internacionais.

Infelizmente, atrações brasileiras não causam o mesmo frenesi no público (porque sempre dá pra ver depois? Vai saber…) e o domingo foi também a noite com menos procura por ingressos. Estava cheio, porém não houve a disputa por entradas que se viu nas outras datas. É uma pena. Quem não foi, perdeu a chance de conferir ao vivo dois caras que não, não dá pra ver depois tão facilmente assim, porque raramente passam por aqui.

O brasiliense Pazes, por exemplo, nunca tinha se apresentado no Rio. O moleque quebrou tudo. Seguindo a linha sonora da beat scene angelina, capitaneada por Flying Lotus (e seu hip hop instrumental e viajandaço), Pazes esgarça o espaço artificialmente através de reverbs e delays (como no pós-dubstep dos ingleses Burial e James Blake) e esquenta as coisas com uma estética lo-fi, com camadas de “sons naturais” criadas – atenção para o paradoxo – no computador.

Apresentando-se com um laptop, controladores e um microfone, Lucas Febraro reconstruiu ao vivo suas produções, como a versão de “Sétimo Andar”, do Los Hermanos. Bastante derivativo do que tem sido feito mundo afora, sim. Porém, hoje “o mundo” está (é?) em rede, e fronteiras geográficas fazem cada vez menos sentido. Pazes está alinhado com o que está sendo feito no exterior, sem deixar nada a dever.

O mineiro Psilosamples, por sua vez, faz música eletrônica sampleando elementos da música brasileira, drum n bass com tamborins, 2×4 com sanfona. Criativo e original, porém sem o apuro técnico demonstrado pelo Pazes. Agora que já se encontraram no palco, quem sabe um não influencia o outro.

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Com Truise, muito além do trocadilho

A primeira coisa que chama atenção no Com Truise é o nome familiar. A graça se desfaz quando se ouve os primeiros acordes do funk digital mid-fi produzido pelo designer Seth Haley (“um lo-fi que dá pra tocar no rádio”, explicou em entrevista para o doc-curta sobre lo-fi e chillwave “The Rise of Lo”, que estou fazendo com o Chico Dub – em breve nas melhores internetes do ramo),

O Com Truise consegue transformar timbres e possibilidades dos sintetizadores mais cafonas dos anos 80 em algo classudo. Não é pouca coisa. Música de videogame (lembro da trilha de “Castelvania IV” sempre que ouço) com pegada sci-fi, retro-futurismo oitentista noir, indicado no clipe de “Brokendate”.

Atração mais aguardada e a primeira a ter os ingressos esgotados no festival Novas Frequências, provavelmente por ter o som mais acessível ou próximo do pop, Com Truise fez por merecer a atenção recebida. Ao vivo, descosnstrói e reconstrói as músicas através de um sintetizador e dois controladores, substituindo as batidas programadas por um baterista ao vivo, utilizando algumas programações por cima.

Quem esteve no pequeno teatro teve uma grande chance de ver bem de perto. O Com Truise pode crescer bastante, basta saber até que ponto Seth Haley quer levar o projeto.

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Andy Stott é um caso grave

Poucas vezes o 4×4 do techno soa tão macio quanto na batucada afro filtrada pelo dub do inglês Andy Stott.  Citando Jeff Mills, o selo Basic Channel, Square Pusher, Autechre, garage como referência, é exatamente uma mistura disso tudo que ele apresenta.

O live apresentado poderia tranquilamente ter acontecido em algum clube londrino em uma festa de bass (como a Dublime), é feito para as pistas de dança – bom, ao menos para aquelasque curtem dançar em câmera lenta, amassada por graves.

Num caminho inverso do Sun Araw, que esconde a pulsação do grave, Andy Stott mantém as texturas, colagens, estalos, ruídos e fragmentos de vocais sampleados escondidos sob pancadas de baixa frequência, servindo como isca para o transe do ouvinte.

As cadeiras do teatro chacoalharam, literalmente, num ambiente soturno, melancólico e reflexivo. Meditação grave das melhores.

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Murcof e a performance na música eletrônica

Um apresentação memorável deve se destacar em dois quesitos (ao menos): o musical, óbvio, e a performance. Ontem, Murcof sobrou na primeira parte na sua apresentação no Novas Frequências. Construções ambiente com arranjos de cordas sinteizadas, cortes, batidas tortas, é um recital de um homem só.

É aí que vem o problema. Por se tratar de apenas uma pessoa sentada de frente para o computador, a performance simplesmente não existe. É um problema recorrente quando se fala em apresentações de música eletrônica, uma reclamação que vem desde quando se começou a colocar os DJs em cima do palco, amplificado na era da música de laptop.

É como se estivesse ouvindo um disco em grupo – o que em parte é o desejo de Murcof, que queria ter se apresentado totalmente no escuro, sem aparecer. A sensibilidade ao montar os arranjos ao vivo, controlando os efeitos, entrada e saídas de cada canal, num fluxo contínuo de sons é perceptível. O que faz falta mesmo para quem assiste é ter algo para acompanhar, uma vez que é um show, não uma audição.

Talvez um telão com uma câmera mostrando o que se passa na tela (quem nunca colou vendo guitarristas ao vivo?) e o uso dos periféricos talvez enriquecesse a experiência Talvez não, apenas tirasse o foco da música, dos sons. E era com isso, e somente com isso, que Murcof estava preocupado. Essa parte ele entregou, com louvor.

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Sun Araw no Rio

A sensação após o show do Sun Araw, ontem abrindo o festival Novas Frequências, foi atordoante. A chapação proporcionada por camadas e mais camadas de guitarras e sintetizadores, batidas programadas da MPC, ecos, delays e efeitos de pedal, fizeram alguns dormir. Outros, mais insistentes, mergulharam nessa maçaroca sonora, em busca do grave, lá no meio, pulsando calmamente, amassando o cérebro, como um prêmio pela aventura.

Liderado pro Cameron Stallones, sósia magrelo sósia do Anthony Kiedis (RHCP), o trio reconstrói as músicas gravadas solitariamente pelo texano em seu quarto em Los Angeles. Psicodelia e repetição são palavra de ordem, loops de linhas de teclado e de guitarra induzindo ao transe, linhas de baixo vindas do dub. A ligação coma  Jamaica é forte, recentemente Cameron foi a Jamaica gravar com o The Congos.

Perto do final do show, um dos cabos da shahi baaja ( instrumento indiano tocado por um dos músicos, googlei essa, óbvio) deu o famoso Maucon (mau contato) e saiu de cena. O acontecimento evidenciou que a dinâmica constante, deixando o som um tanto reto, poderia variar mais. Soou bem sem o instrumento, poderia variar mais.

O problema foi também responsável pelo “momento extintor de incêndio no museu” da noite. Ninguém teria percebido que se tratava de um defeito se o músico não tivesse apontado. O ruído causado pelo cabo era totalmente compatível com a sonoridade lo-fi do Sun Araw. Numa banda tão experimental, faltou incorporar o imprevisto.

Nada que tenha prejudicado a apresentação, uma das grandes surpresas do ano. Nem passava pela cabeça ver o Sun Araw ao vivo, muito menos no Rio.

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A matinê do URBe

Com muito atraso, lá foi mais uma festa de aniversário do URBe. Oito anos e a beira de completar nove, em abril de 2012. Ano que vem acerto a data.

Foi uma noite animada, principalmente pela apresentação do Autoramas. Uma honra comemorar com uma das bandas mais legais do Brasil. A casa não estava lotada, a chuva mais uma vez atrapalhou, mas quem foi, viu um showzão. As 22h40 a banda já estava no palco, obedecendo o horário restrito do Studio RJ.


Autoramas

Também não sei se foi só a chuva… Lembro da festa de 2009, primeiro ano do Facebook forte no Brasil, o estrago que a divulgação pela rede social fez. 700 pessoas do lado de dentro, outras 700 de fora. Tem andado muito difícil divulgar eventos sem parecer uma mala (e como eu tenho divulgado eventos…), o Facebook está saturado, tanto de convites quanto os murais, ninguém está mais respondendo a nada. É complicado fazer as pessoas saberem do que está acontecendo quando todas estão sendo bombardeadas o dia inteiro, por coisa que interessa e coisa que não interessa.

O momento  mais inusitado da noite ficou por conta da advogada do Autoramas subindo ao palco para entregar ao grupo o documento que encerra a pendenga jurídica da banda com a fabricante de brinquedos Estrela, dona da marca Autorama, dos carrinhos de corrida. O Autoramas agora tem seu nome registrado e está devidamente autorizado a explorar a marca como quiser.


Sany Pitbull

Infelizmente, por limitações de som da casa, questões técnicas que os proprietários prometem solucionar definitivamente nas próximas semanas, as apresentações do Sany Pitubull e do Strausz foram prejudicadas e não teve pista.

Estava muito amarradão de finalmente receber o Sany e estrear o novo projeto do Strausz numa festa do URBe. Não deu nem tempo de tirar foto do Strausz, logo encerrei a pista com a chapação do Lone, quando ainda era 1h30. Foi uma pena, fico devendo um set para cada um deles, numa pista cheia.


Febre

Por conta disso, a festa terminou cedo. Uma turma grande rumou pra Matriz, onde estava rolando uma edição da agora esporádica Febre, a primeira festa de drum n bass do Brasil. A pista tava cheia, os hits estão voltando, o terreno se desenhando pro retorno triunfal das batidas quebradas.

Vai saber… De repente ano que vem, a festa de nove anos tem Marky, Patife, Koloral e Andy. ;)

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Broken Social Scene, “7/4 Shoreline” (live in Rio – the last concert)

Trechinho toscamente filmado no celular. Foi histórico.

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Apoteose do Pearl Jam

Seis anos depois, o Pearl Jam voltou a tocar no Rio. Em termos gerais, não foi muito diferente da última visita - e dessa vez tocou “State of Love and Trust”.

Passei o show ouvindo um doido gritando “VTNC São Paulo! Riôôô!” a cada intervalo entre as músicas. Não deu pra ter ideia o motivo da revolta. Nem isso atrapalhou a noite.

As músicas:

1. “Unthought Known”
2. “Last Exit”
3. “Blood”
4. “Corduroy”
5. “Given To Fly”
6. “Nothingman”
7. “Faithfull”
8. “Even Flow”
9. “Daughter” 
(“Blitzkrieg Bop”, Ramones)
10. “Habit”
11. “Immortality”
12. “The Fixer”
13. “Got Some”
14. “Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town”
15. “Why Go”
16. “Rearviewmirror”

Bis

17. “Just Breathe”
18. “Come Back”
19. “I Believe In Miracles” 
(Ramones)
20. “State Of Love And Trust”
21. “Of The Earth”
22. “Do The Evolution”
23. “Jeremy”

Tris

24. “Mother” 
(Pink Floyd)
25. “Better Man”
26. “Black”
27. “Alive”
28. “Rockin’ in the Free World” 
(Neil Young)
29. “Indifference”
30. “Yellow Ledbetter”

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O vídeo oficial do Paralamas do Sucesso tocando “Selvagem?” no Rio

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O vídeo oficial do The Kills no Rio

O vídeo oficial do show do The Kills no Circo Voador, com entrevista com a banda. Dessa vez ainda tem mais dois vídeos, com duas músicas na íntegra, “Heat Is A Beating Drum” e “No Wow”, depois do pulo. A íntegra da entrevista vem logo mais.

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Corta. Cola. Deleta.


foto: URBe Fotos

O título é só pra não perder a piada, um exagero – e as mais de 1.500 pessoas alucinadas com o show no Circo Voador ontem certamente discordam. Fui disposto a gostar, pra mim é que não dá, mesmo. Esse Cut Copy é chato pra dedéu. Timbragens bregas,  ”estilo Songify” como ouvi dizer por lá. Só gosto deles remixados. Por outra pessoa.

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O vídeo oficial do Warpaint no Rio

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