OEsquema

Arquivo: baile funk

Mini-doc sobre Passinho do Menor da Favela

É uma propaganda do Governo do Estado do Rio de Janeiro.

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MC Magalhães, “Rap do Primeiro Amor”

Sim, ele voltou – e a música nem é nova, em 2007 ele já tava cantando. Tchurunarublaze.

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Fotos da Rio Parada Funk por @lucasbori

Mais fotos no tumblr do Lucas Bori, que me acompanhou nos registros do dia. Fiz um clipão com as imagens, já vou subir.

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Rio Parada Funk 2011


fotos: URBe Fotos

Rio Parada Funk 2011 foi demais, um marco mesmo. Logo mais falo mais a respeito, vou tentar editar um clipe com as imagens que fiz lá também, só que fiquei tão distraído que filmei pouco.

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Domingo tem: Rio Parada Funk

Nesse domingo acontece a Rio Parada Funk, organizada pela turma do Eu Amo Baile Funk. O texto de divulgação explica assim o evento:

“Rio a Parada é Funk! 10 Equipes de Som, 50 DJs, 40 MCs.

“Serão montados 09 palcos pequenos ao longo da Av. Presidente Vargas, em suas transversais, e um palco principal na Cinelândia. Nestes será contada a história do movimento funk desde os anos 70 até os dias atuais. Cada palco terá palestras e debates sobre temas importantes no cotidiano dos jovens como sexo seguro, aborto, juventude sem drogas, entre muitos outros.

“Almejamos que esse evento entre para o calendário oficial da cidade, atingindo milhares de jovens cariocas, de outros estados e de todo o mundo, que virão participar de uma manifestação cultural pacifica e conscientizadora através do funk. Jovens de todas as classes sociais que vivem nas comunidades, favelas e bairros da zona sul, zona oeste, zona norte em uma tarde de funk pela paz. Todos estarão lá!”

Basicamente, se tudo correr como planejado, o maior evento de funk já organizado. Só isso. Tem tudo pra ser histórico.

ATUALIZAÇÃO: parece que a Parada ganhou uma chancela oficial além da conta (a meu ver), se tornando num evento político, participação do Governador e do Prefeito. Vamos ver o que isso significa exatamente no dia.

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Apavoramento Car System no Rio Parada Funk

Já falo mais da Rio Parada Funk, desse domingo. Promete ser um marco.

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DJ Diney e Dançarino Maluquinho, “Deixa Os Garoto Brincar” (montagem)

Via @tomaspinheiro.

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Passinho do menor da favela, o campeonato

No final de semana pasado, no Sesc Tijuca, houve a final do campeoanato de passinho, a principal dança da molecada. A Jô Hallack registrou o evento em fotos e vídeo.

Nessa mesma semana, assisti o trailer do documentário “Batalha do Passinho – Os Muleque São Sinistro”, do Emílio Domingos (diretor do ótimo “L.A.P.A.”).

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Sany Pitbull, “The Miami Bass Never Die” e “Break Voador, Só das antigas” (mixtapes)

Passado e presente do Miami Basse do baile funk, segundo Sany Pitbull. Ele mesmo explica:

“Uma mini-mixtape com algumas pérolas do meu arquivo VIVO do Funk, algumas montagens que fizeram nome e deixam saudades nos funkeiros das antigas (ou não tão antigos assim). Se você tem entre 28 e 35 anos e é do Rio de Janeiro, curtiu o Caldeirão da Tijuca (Baile do Salgueiro), Baile do Fogueteiro, do Emoções da Rocinha, Baile da Fazendinha ou do Morro dos Prazeres, Mineira, Borel ou Tabajaras, você vai se arrepiar… Espero que curta. Fiz com carinho.”

Sany Pitbull – Break Voador MixTape ( Só das antigas) Parte 01 by Sany Pitbull

“No anos 80 um som vinha dos Estados Unidos e invadia o Rio de Janeiro e a mente dos jovens da cidade maravilhosa. O grave movia tudo em volta e fazia balançar os corpos nos clubes do subúrbio Carioca. E eu estava lá. Não entendiamos nada que eles cantavam e por isso colocávamos nomes nas musicas de melôs, era o nosso jeito de “cariocar” o americano. Nenhuma cidade no mundo consumiu e dançou mais esse batida frenética como o Rio. Muitos pensam que a fábrica fechou, mas para nossa alegria ela continua viva e mais forte do que nunca, ainda hoje influenciando o mundo inteiro. Sorria amantes dos bailes da antigas, pois o MIAMI BASS continua vivo. ELE NUNCA VAI MORRER.”

Sany Pitbull – The Miami Bass Never Die 2011 by Sany Pitbull

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Transcultura # 058: Strausz, La Bombación, Windoodles

Meu texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

O toque leve de uma geração
Novos nas pistas, Diogo Strausz e Bruno Queiroz debatem a cena
por Bruno Natal

Faz algum tempo que a cena de DJs do Rio está se renovando. Novos nomes surgindo e alguns já se estabelecendo. Diferente das gerações anteriores, a turma que está chegando cresceu com a facilidade de ter as ferramenta de produção a mão. O trabalho de produtor vai surgindo com naturalidade, como conseqüência e também necessidade de tocar exatamente o que querem. Parece pouca coisa e até óbvio, porém esse diferencial pode ser o elemento que faltava para renovação da produção da música eletrônica, há um tempo andando em círculos.

Dois desses nomes bateram um papo por email sobre seus respectivos trabalhos. Diogo Strausz, produtor da ópera rock “Zombies Are Making Love” e guitarrasta da banda R. Sigma e Bruno Queiroz, do La Bombación, focado na mistura de referências latinas, africanas e grooves com elementos eletrônicos, trocaram uma idéia sobre a cena, com toda leveza de quem está chegando. Que venha mais gente nova mostrando trabalho.

Diogo Strausz entrevista Bruno Queiroz, do La Bombación:


Bruno Queiroz

DIOGO – Você produz pensando na pista, em casa, no ipod, ou não pensa em nada disso?

BRUNO - Não penso, mas depois eu acabo reparando onde cada música funciona melhor. Tem algumas que não uso no meu set, mas vi outros DJs tocando e até as que se revelam ótimas para caminhar.

Quais recursos e elementos você insere na sua produção para que o ouvinte “viaje” para o lugar desejado?

Samples de mensagens de chat e celular (risos). Quando começo a produzir, já estou inspirado por esse lugar, eu deixo acontecer naturalmente.

Como produtor, você acredita que referências em excesso ajudam ou atrapalham?

Prefiro quando as músicas têm vida própria. Trabalho em duas etapas, começo várias idéias, depois busco uma dessas e desenvolvo.

Como você se posiciona em relação à guerra dos direitos autorais na internet?

Essa briga vêm de empresas que visam o lucro de uma forma antiquada. É necessário rever radicalmente essas leis e modelos de negócio.

O que acha de movimentos como No Wack DJs, de valorização dos DJs “de verdade”?

Para alguns o foco é a técnica, para outros é a misancene ou até o descompromisso. Vejo mérito criar uma identidade, e a partir dela encontrar o seu público.

O que te motivou começar e qual é a que te mantém?

Comecei a gravar ideias cedo, com 15 anos. Me inspirava ouvindo Aphex Twin e imaginando uma música eletrônica menos 4×4. Ser DJ e produtor não é uma ciência exata, estou sempre aprendendo algo novo e isto me motiva.

Aonde foi o lugar com o melhor equipamento de som em que você tocou no Rio?

Dos clubes alternativos, lembro que a Boate 69 tinha o equipamento de som que mais gostava.

Bruno Queiroz, do La Bombación, entrevista Diogo Strausz:


Diogo Strausz

BRUNO – O que veio primeiro, ser DJ ou produtor?

DIOGO – Me levo a sério como DJ desde que comecei a produzir, por dificilmente achar faixas que consigam imprimir o clima que quero nas pistas. As vezes fico imaginando uma música durante a discotecagem que não existe, então a solução é produzi-la.

Nas produções você busca uma linha ou se inspira no momento?

Quando a produção é um remix, tento fazer com que o direcionamento seja o mais oposto da original possível, para que a música saia da sua zona de conforto. Nas faixas originais tento apenas transpor alguma ideia que passou o dia cutucando a minha cabeça.

Qual a diferença entre discotecar e apresentar faixas suas ao vivo?

No live é como se eu pudesse falar com as minhas palavras, como DJ, com as palavra de outras pessoas.

Como você via a cena no Rio de Janeiro quando começou e como vê agora?

Quando comecei a atuar como produtor de festas, achava a cena sem apelo nenhum, agora acho a cena apelativa demais.

Além de DJ, produtor, você também produz festas e faz parte uma banda, tem mais alguma coisa?

Além dessas atividades, gosto de me aventurar de vez enquando no mercado financeiro. É inclusive um ótimo momento para pesquisar músicas, fiz minha última mixtape quase inteira com faixas que achei enquanto aplicava na bolsa.

Pretende focar em algum desse interesses?

A multiplicidade é fundamental, todas as atividades se complementam e geram benefícios umas para as outras.

Tchequirau

O Windoodles reúne desenhos feitos sobre vidros de janelas, integrando as criações com a vista do lado de fora. Viagem total.

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Transcultura # 057: Totoma, Neon Indian

Meu texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

O funk da fotógrafa
Exposição de Daniela Dacorso, que começa hoje, revela um mergulho no universo dos bailes
por Bruno Natal


M.I.A. e Deize Tigrona na Cidade de Deus
foto: Dani Dacorso

Há mais de dez anos a fotógrafa Daniela Dacorso vem documentando a cena funk no Rio. O marco zero dos registros foi uma reportagem para uma revista alemã no final dos anos 1990, acompanhando Mr. Catra num baile na Rocinha. Com a lente embaçada de suor, sacudida pelo batidão e seduzida pela dança, ela decidiu que queria continuar.

- O universo das favelas e dos subúrbios cariocas já me atrai por si só. A construção do espaço, da imagem e do corpo. O baile é uma explosão, várias cenas que acontecem ao mesmo tempo, em um milésimo de segundo – conta a fotógrafa.

Algumas dessas imagens coletadas na última década estão na exposição “Totoma! – Imagens do funk carioca”, em cartaz no Sesc Tijuca de hoje até 30 de setembro. Não é a primeira vez que as fotos de Daniela enfeitam as paredes de uma galeria.

- Minha exposição anterior, em 2009, no Ateliê da Imagem, era mais focada no corpo, no tesão. Agora, o olhar é mais amplo. Tem menos sexualidade e mais cultura – explica Daniela. – Tem retratos de vários personagens do funk e uma homenagem a Lacraia. Tem fotos da década de 1990, em uma incursão que fiz no baile do Chapéu Mangueira, na época da “Dança da bundinha”. A montagem dos soundsystems virou uma montagem visual, cujas células são fotos desse processo. E tem um políptico do “Passinho do menor da favela”, formado por vários frames de vídeos caseiros que a molecada posta no YouTube, o palco da grande batalha virtual do passinho.

Apesar da recente aceitação (“A hora em que a Deize Tigrona pisou no palco do Tim Festival e a plateia foi abaixo foi um momento de virada”, diz Daniela – N.E. a virada começou três anos antes, em 2003, com o set do DJ Marlboro no mesmo festival), falar em funk continua arrepiando os cabelos de muita gente.

- O preconceito diminuiu, mas as pessoas ainda são cautelosas sobre o assunto. O funk era mais underground, mais restrito às comunidades e aos subúrbios. Não frequentava festa de classe média, não era hypado. Era música de marginal – diz.

Mais para a frente, Daniela tem planos de organizar um livro com as fotos desses mais de dez anos de funk.

- Essa exposição está sendo uma ótima oportunidade de mexer no meu acervo, resgatar fotos que estavam esperando por um segundo olhar – afirma a fotógrafa. – E vejo várias épocas ali representadas, como numa linha do tempo.

Tchequirau

Vender disco não é tarefa fácil. Por isso, o novo do Neon Indian vem com um mimo e tanto: quem fizer a pré-compra do pacote especial de “Era Extraña”, por 50 dólares, leva além do CD, um vinil, um pôster autografado, uma camiseta e um mini-sintetizador analógico.

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“Rap do Silva” 2011 (mataram o Silva)

Daniel Haaksman – Rap Da Silva feat. Bani Silva by Daniel Haaksman / Man Rec

Ninguém mais respeita os clássicos. Absurdo.

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Daniel Pohl, “Sou Foda” (Avassaladores) acústico

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Hoje tem: Baile Funk de raiz

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O Globo, Dez/2010

Abaixo, a versão sem cortes do texto que escrevi sobre a prisão dos MCs de funk proibidão, publicado no jornal O Globo hoje.

O polêmico proibidão no centro do debate
O diretor Leandro HBL organiza hoje no Estação Botafogo o evento ‘Em defesa do funk’

Acusados de apologia e associação ao tráfico de drogas, os MCs Smith, Frank, Tikão, Max e Dido, todos cantores do estilo conhecido como proibidão, foram presos na semana passada. Hoje, o evento “Em Defesa do Funk”, organizado pelo diretor do documentário “Favela On Blast”, Leandro HBL, a partir das 10h da manhã na sala 2 do cinema Estação Botafogo, com exibição do filme seguida de debate, discute a questão.

Autor do polêmico “Rap Das Armas” e da Associação dos Profissionais e Amigos do Funk (Apafunk), MC Leonardo enxerga a liberdade de expressão, com seus bônus e ônus, como o ponto central do caso.

- A acusação é exagerada. Não concordo com o que eles estão cantando, mas também não concordo com a polícia, estão fazendo um crime maior que o dos MCs. O Bope canta “Homens de preto qual é a sua missão? / Entrar na favela e deixar corpo no chão”, tem funk no YouTube. Como fica isso? Estamos vivendo a era dos games, no GTA não tem bandido e mocinho, apresentador de TV fala em “largar o aço”, pra “fazer um carinho” em bandido, endossando a tortura. Os valores estão invertidos em todo lugar, inclusive no funk, ainda mais por acontecer dentro da favela, onde há uma inversão de valores há muito tempo.

O proibidão é a vertente mais polêmica do funk, causando mais choque até do que as letras e coreografias eróticas. Nele, os MCs cantam o dia-a-dia da favela do ponto de vista dos traficantes, muitas vezes na primeira pessoa, não raro exaltando nominalmente os líderes do tráfico. “O papo é reto, ouça bem o que te digo / Olha bem dentro do blindado vocês ficam protegido / Você leram no jornal e também viram na TV / Os amigos da Penha botando os verme pra correr”, canta MC Smith em “Mega Operação”. As faixas fazem sucesso nos bailes das comunidades, circulando em CDs caseiros e também pela rede. Por isso, a polícia enxergou então esses MCs como parte do “marketing” das facções criminosas.

Participante da mesa do encontro, assim como o MC Leonardo, o DJ e produtor Sany Pitbull acredita que a prisão dos MCs é combater o sintoma, não a causa.

- O que aconteceu com o funk é o que aconteceu com todas as favelas. O funk foi abandonado, cresceu nas favelas sem apoio nenhum de governo. Esses garotos já poderiam ter parado de cantar proibidão. O MC Sapão saiu da Fazendinha, hoje ele canta Caetano, Gil, com roupagem funk, banda no palco. Sempre que encontro com eles eu pergunto se eles não se preocupam com as crianças. Sou contra, não toco proibidão e falo pra todos para não tocar, mas entendo porque eles cantam.

O assunto é espinhoso. Os muitos convites para opinar sobre a questão feito a compositores da música brasileira foram declinados, a maior parte com um educado “não conheço o suficiente o caso, prefiro não falar”. Haveria um véu de silêncio sobre a questão?

O teor das letras é indiscutivelmente de mau gosto e nocivo. Milhares de crianças e jovens são afetados por essas mensagens negativas, contribuindo para degradação social das comunidades. Celebrar os bandidos também ajuda a criar mitos. Porém, até que se comprove uma associação direta entre os MCs e as práticas criminosas, a música não deveria ser esse elo.

Nos EUA, rappers como Snoop Dogg, Ice Cube ou Dr. Dre foram ícones do estilo gangsta rap, de pegada bem similar. Apesar de ter sido detido diversas vezes pela polícia por porte de drogas, armas e acusação de envolvimento em um assassinato, Snoop Dogg nunca foi preso por suas letras.

Num vídeo feito na prisão pela equipe do Globo Online, MC Frank fala: “Nós nascemos no Complexo do Alemão, tem pessoas que nasceram na Barra e fala sobre surfe, da praia. Quando nós começamos a cantar foi dentro da comunidade e o que nós víamos lá dentro é a criminalidade”.

O documentário “Grosso Calibre”, de Guilherme Arruda, Ludmila Curi e Thiago Vieira, exibido na ONU e concorrendo ao prémio Shooting Poverty da ONG Oxfam, um dos MCs presos, Smith, aborda a questão da forte presença das armas nas comunidades através do proibidão, acompanhando o MC Smith em seu dia-a-dia nos bailes.

- O que eles cantam é um reflexo do cotidiano em muitas comunidades, e é uma musica que encontra eco entre as pessoas que compartilham do mesmo histórico. Eu conheço o Smith e ele se refere a ele mesmo na terceira pessoa, como se fosse um personagem. No filme ele mesmo fala, “O MC Smith não faz apologia ao crime, o MC Smith não faz apologia ao tráfico, o MC Smith retrata o que acontece na comunidade” – conta Ludmila.

No Twiter, Sany Pitbull citou a música “Charles Anjo 45″, de Jorge Ben Jor, interpretada também por Caetano Veloso, Paralamas do Sucesso e outros, sobre o “Robbin Hood dos morros, rei da malandragem”. O cartunista André Dhamer declarou que não é fã de funk, mas perguntou “acha justo prender o Dr. Silvana por cantar ‘taca a mãe pra ver se quica’”?“.

- Eles tem o direito de falar o que quiserem, na constituição não diz como você pode falar do problema, em primeira ou terceira pessoa. Não é só o José Padilha que pode falar o que acontece dentro da favela, ele não mora lá. Vc pode falar o que quiser, agora é uma música de massa, música você escuta até sem querer, as crianças ouvem , tem que ter responsabilidade – diz Leonardo.

O funk fala do que vive, a favela canta pra favela, diz Sany. Segundo ele, favelado não gosta de polícia porque sempre foi esculachado e por muito tempo os traficantes faziam o que o Estado não fazia.
- Agora que está mudando, a polícia mudando. Tem que dar cultura, não adianta só tirar as armas. Não é trazer a Orquestra de NY, é alimentar o que já está lá com coisas boas. Se nada for feito vão aparecer outros Frank, Tikão, Smith e Max e tantos outros.

O MC Leonardo cobra atitudes e soluções educacionais e preventivas, e acredita que faltou conversa.

- Porque não chamou todo mundo pra conversar, mandar tirar os vídeos do YouTube, fazer um acordo? Eles não tem importância na hierarquia. Quem não é pago pelo tráfico pra cantar em avela que atire a primeira pedra, vai ter que prender todo mundo da música brasileira que cantou em favela. Ocupar quadras de favelas ocupadas e ocupar clubes das redondezas. Tem que desenvolver essa ética com educação e família. Entendo a acusação de apologia, mas associação ao tráfico é forçar de barra.

Para Sany, o governo deveria retomar o funk, como fazem com as favelas, numa espécie de UPP cultural.

- Ficar expondo cinco garotos, fora os que ainda vão ser presos, não resolve nada. E a galera que está aqui fora e não tem apoio pra produzir bailes na favela? Porque o governo nunca fez? A questão não é proibir, a questão é dar para aquele moleque e para aquela música abandonada a condição de crescer de maneira correta.

Na última sexta, o multi-instrumentista Curumin, durante seu show no Teatro Rival, tocou uma versão de “Feira de Acari”, do MC Batata, clássico do funk que detalha o funcionamento do mercado de usados que também foi conhecido como “robauto”, onde eram comercializados produtos roubados. Com mais de 20 anos, a música não causou espanto, tampouco o músico paulistano recebeu voz de prisão.

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Doc-curta: “Grosso Calibre”

O documentário de Guilherme Arruda, Ludmila Curi e Thiago Vieira, produzido para o concurso Shooting Poverty organizado pela Oxfam, faz um perfil do MC Smith, que se dedica aos proibidões.

Essa semana, alguns cantores de funk proibidã do Complexo do Alemão foram presos por associação e apologia ao tráfico. MC Smith é um deles.

Liberdade de expressão é algo complicado e delicado. Significa que tudo pode ser falado, sendo bom ou ruim, no julgamento de algumas pessoas. Em alguns poucos minutos o doc mostra que o proibidão é uma questão mais profunda do que aparenta ser.

No Complexo, nada é simples.

Dica do Leandro HBL.

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Transcultura #028 (O Globo): Gant-Man, Segredo


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Texto da semana retrasada da coluna “Transcultura” que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Ponte-aérea Chicago Rio
Ritmo vindo de Chicago, o juke tem muito mais a ver com o funk carioca do que aparenta
por Bruno Natal

A música opera no inconsciente coletivo. Não raro, os estilos vão se transformando e as mudanças reverberam em todas a cenas associadas directa ou indirectamente. Nesse domingo, 14, a festa Shake Your Santa, promovida pelo Apavoramento Sound System no terraço do clube náutico Santa Luzia, dá provas de que Chicago e Rio de Janeiro são mais próximas do que parecem ser.

Parte do selo Fool’s Gold, o mesmo de A-Trak e Chromeo, produtor do hit “Switchboard”, da Kid Sister e pupilo dos pioneiros do house, a principal atracão da festa é o DJ americano Gant-Man, criador do estilo conhecido como juke (o DJ Zégon também toca). Chamado de ghettohouse em Detroit, o juke nasceu em festas alternativas, cresceu nas pistas de rollerskate e se espalhou através do footworkz, uma atualização da dança break, só que muito mais acelerado.

Enquanto muita gente no hip hop olha torto para o house, sem perceber que o rap compartilha as batidas da disco como matriz, Grant-Man é um entusiasta de ambos, e o sucesso da mistura é a prova de que está dando certo. O que ele não deve saber é o quanto poderá se sentir em casa por aqui.

Espécie de houve mais safado e sacana, o Juke, como todos os bons sons, é fundado nos graves. E grave é o que não falta nas redondezas do Santa Luzia. O local fica atrás do MAM, ao lado do aeroporto Santos Dumont, na mesma área onde ficam outros três clubes esportivos com tradição de bailes Funk, o Boqueirão hospeda semanalmente o baile da CurtisomRio. Grant está nos toca-discos desde 1989, mesmo ano de lançamento do pioneiro “Funk Brasil”, do DJ Marlboro. Começam as coincidências.

Combinando a tradição antropofágica do funk, onde o Miami bass virou o pancadão, com o poder do inconsciente coletivo, o juke e o baile funk tem mais em comum do que essas meras coincidências. Os fãs de ambos sacodem na mesma pegada. Basta comparar o frenético footworkz com a coreografia campeã de acessos no YouTube, o “Passinho do Menor da Favela”, a “dancinha do frevo com funk”.

A semelhança entre as danças é impressionante e o Apavoramento está prometendo levar um grupo de dançarinos para festa, para a ponte ser testada no único lugar que importa: a pista de dança.

Tchequirau

Você sabe guardar segredo?

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“90 dias com Catra”

Vale assistir só pra conhecer a casa e a família do Catra. Snoop Dogg e Fela Kuti tem muito o que aprender.

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MC Piu, “Seu Lagarto”

Que pérola. Demorei uns dois minutos até pegar o trocadilho.

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Operação X na cara

É, político que emporcalha a cidade com a sua carocha pela cidade inteira, acabo o seu sossego. Um grupo partiu para anarquia e tem realizado intervenções nessas coisas horrorosas espalhadas pela cidade, cravando um belo de um x no meio do rosto do infeliz.

Especial atenção para a versão aphex twiniana do “Rap do Trabalhador”, também conhecido como “Rap do Magalhães”, “Rap do Magalhãeze”, “aquele do chokito e do bombom” ou “o César Maia quebra a firma”.

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Man Recordings, 5 anos

No aniversário de 5 anos, a Man Recordings prepara um coletânea comemorativa, “Valeu!”, enquanto recebe os parabéns Crookers, João Brasil, Switch, Jesse Rose, Count+Sinden, Feadz, Schlachthofbronx e várias outras figuras que fazem parte do selo.

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Lil Jon feat. Mulher Filé & Mr. Catra, “Machuka”

O clipe do Lil Jon, com participação do Mr. Catra e da Mulher Filé, gravado no Rio.

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João Brasil, “Tom Jobim <3 Baile Funk”

Puritanos, tremei.

João Brasil, “Tom Jobim <3 Baile Funk”:

01 – “Garota do chefe” ( Tom Jobim, Astrud Gilberto and Stan Getz X Mc Max)
02 – “Anos de Dako” (Tom Jobim X Chico Buarque X Tati Quebra Barraco)
03 – “Só danço Vuk” (Tom Jobim, João Gilberto and Stan Getz X Pretinho Tenor)
04 – “Operadoras de Março” (Tom Jobim and Elis Regina X Gorila e Preto)
05 – “Eu sou wave” (Tom Jobim X Mc Marcelly)
06 – “Chega de rebolar” ( Tom Jobim X Gaiola da Popozudas)
07 – “Samba de uma adoleta só” (Tom Jobim X Bonde do Tigrão)
08 – “Bota a mão no passarim” (Tom Jobim X Mcs Maiquinho e Alexandre)
09 – “Funk do avião” (Montagem João Brasil)

Faixa bônus, “Aquarela Regulate” (Orquestra Tabajara x Schlachthofbronx):

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Sany Pitbull, “Made In Favela 01″


Sany Pitbull na Fabric, 08
foto:URBe

Uma compilação do que o produtor Sany Pitbull falou no Twitter sobre a sua nova mixtape, “Made In Favela 01″:

“Pra quem acha que funk é só palavrão, fiz um mixtape com uma galera que resiste à esse funk apelativo. Existe uma galera nova que faz funk com conteúdo e mensagem, eles cantam pricipalmente o amor e o cotidiado. Os Mcs cariocas faziam do funk o hip-hop do Rio de Janeiro e o que me deixa feliz é saber que existe um movimento que não deixa esse ideal morrer. Nada de funk apelativo, nada de pornografia, porque a moda passa e o conceito fica”

Vai com tudo.

01. Sany Pitbull beat intro
02. Mc Mascote – “Cadeia”
03. Mc Crazy – “Pra defender minha favela”
04. Priscila Noscetti – “Já estou sarada”
05. Mc Lano – “Respeito Não se compra”
06. Marcelle & Koringa – “No Calor da madrugada”
07. Cris Thuthuca – “Aquecimento do stereo sove”
08. Mc Romeu – “A te esperar”
09. Mc Marechal partic. Matheus – “Sangue Bom”
10. Mc Sabrina – “Super poderosa”
11. Naldo – “Chantily”
12. Nayara – “Passinho das solteiras”
13. Menor do Chapá – “Quem traiu vai pagar”
14. Anitta – “Eu vou ficar”
15. Nany & Jhonny – “Vida bandida”
16. Mc Sapão – “Brincando com fogo”
17. Mc Romou – “Solidariedade”
18. Mc Suzy – “Vem ficar comigo”
19. Bonde da Oskley – “Ela desce louca”
20. Fagner Pinheiro – “Demais”
21. Mc Jean Paul & Inimigos da HP – “Hoje tudo pode”

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“Dub Echoes” na Amoeba


fotos: URBe

E loja de discos virou ponto turístico, muito além de um lugar para saciar as vontades musicais. É difícil ver um lugar desses, em qualquer lugar do planeta.

Durante uma apresentação do Ozomatli na Amoeba, no mundaréu de produtos encontrados numa das lojas mais bacanas do mundo, estava lá o meu querido “Dub Echoes”.

Na sessão de música brasileira, entre Benjor e Céu estava lá na aba Baile Funk esse proibidão bolado. Como disse, encontra-se de tudo na Amoeba.

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