OEsquema

Arquivo: beastie boys

Bonequinhos do Beastie Boys

\

Os bonequinhos do Beatie Boys, vistos no clipe de “Don’t Play No Game That I Can’t Win” estão a venda. 750 dólares e o lucro vai pra caridade.

Comente

Transcultura # 054: Instamission, Beastie Boys

Meu texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Com a missão de fotografar
Projeto criado no aplicativo Instagram vira mania e ganha destaque em festival em SP
por Bruno Natal

Totalmente viciadas no Instagram, aplicativo de fotografia que roda exclusivamente no iPhone e funciona como rede social (um Twitter de fotos que através de filtros pré-estabelecidos transforma cliques desastrosos em belas imagens), as amigas Daniela Arrais e Luiza Voll transformaram a brincadeira numa missão, literalmente.

- Começamos a usar muito a ferramenta e a acompanhar o dia dos amigos através de fotos, em vez de textos. Passamos a seguir outras pessoas interessantes e pensamos se não daria pra juntar toda essa empolgação e criar um projeto para que as pessoas fotografassem coisas legais – explica Daniela. – Criamos missões que ajudam a exercitar a criatividade a cada semana, para que todo mundo se inspire cada vez mais. Assim surgiu o Instamission.

Semanalmente uma missão é publicada no @instamission, anunciada com uma imagem no próprio Instagram. “Fotografe um sorriso”, “fotografe a coisa mais gostosa do seu dia”, “fotografe um bigode”, “fotografe um ‘planking’ (ser retratado de bruços, com os braços rentes ao corpo e o rosto virado para superfície).

A partir disso, basta você tirar uma foto dentro do tema e postá-la no Instagram, no Facebook ou no Twitter usando a hashtag #instamission com o número da missão. Lançado em janeiro, o projeto está na 26 missão e recebeu mais de cinco mil fotos, de toda parte: São Paulo, Recife, Nova York, Paris, Londres, Israel…

- No início, espalhamos a novidade para os amigos e contatos nas redes sociais. Logo nas primeiras missões percebemos que uma galera que não conhecíamos começou a participar. E essa é uma das coisas mais legais da internet, né? O projeto se espalha, fica maior do que a gente imagina – comemora Daniela.

O Instamission tem 2.400 seguidores no Instagram, 1.520 fãs no Facebook e 680 no Twitter. Até aqui, a missão de maior sucesso foi a #instamission14: “fotografe a vista da sua janela”, com mais de 500 colaborações. A repercussão do projeto foi ainda maior e mais rápida do que Daniela esperava.

- Tivemos duas grandes surpresas ao longo dessa trajetória. Um dia postei uma foto do meu pai, que faleceu no ano passado. Encontrei uma foto dele, nos anos 1970, cheio de estilo, postei e recebi um comentário de uma pessoa que tinha trabalhado com ele, dizia que ele era um excelente profissional, que era muito divertido e que fazia falta. Fiquei tão emocionada. Jamais poderia imaginar que uma foto iria desencadear um encontro assim – conta.

Boa surpresa foi saber que duas pessoas se conheceram por causa do Instamission. A missão era “fotografe objetos que contem uma história”. A @mawa postou uma foto da avó dela. O @olhosvestidos delunetas reconheceu a senhorinha, que era amiga da avó dele. Os dois começaram a se falar e acabaram se conhecendo fora da rede, em um jantar recheado de lembranças e de histórias.

Agora, o Instamission virou a instalação “Invente um sorriso” no File, Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, que acontece até agosto, no Centro Cultural Ruth Cardoso, em São Paulo, levando a experiência on-line para um espaço público, por onde passam milhares de pessoas por dia.

Quem passa pelo evento é convidado a inventar um sorriso (uns ficam tímidos, outros se posicionam diante da câmera na mesma hora, alguns desenham, outros fazem coraçãozinho etc.), os fotógrafos registram, e a as imagens aparecem na vitrine da Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Um sorriso, só pra deixar o dia mais alegre e feliz, segundo a dupla.

- Já ouvimos coisas como “quero ter um iPhone só para poder participar das missões” – conta Daniela. – Pensamos em fazer outras exposições também. Algumas pessoas que participam das missões já nos perguntaram se haverá “Invente um sorriso” em Recife, em Manaus etc. Adoraríamos viajar, inventando missões e buscando a colaboração de pessoas que amam fotografia como a gente.

Tchequirau

O Beastie Boys anda animado com as filmagens. Depois do curta “Fight For Your Right To Party (revisited)”, essa semana pintou um clipe de 11 minutos de “Don’t Play No Game I Can’t Win”, produção de ação lo-fi com bonecos, dirigida por Spike Jonze. Belezura tosca.

Comente

Beastie Boys, “Don’t Play No Game That I Can’t Win”

Clipe do Beastie Boys dirigido pelo Spike Jonze, não tem como dar errado.

1 Comentário

Curta: “(You Gotta) Fight For Your Right (To Party!)”

Estreou o curta “(You Gotta) Fight For Your Right To Party”, inspirado na música homônima dos Beastie Boys.

Comente

“(You Gotta) Fight For Your Right (To Party!)”, o filme


Mike D, Ad-Rock e MCA: Rogen, Wood e McBride

Dirigido por Adam Yauch, “Fight For Your Right Revisited” é um curta inspirado na clássica “(You Gotta) Fight For Your Right (To Party!)”, do Beastie Boys, com estreia marcada no Sundance.

Via Stereogum > NME.

1 Comentário

Lykke Li – “Get Some” (Mike D Remix)


(via  The Fader)

Comente

Radiohead do público

Filmado por fãs tchecos durante uma apresentação da banda em Praga, o DVD do show montado com as imagens captadas pelos público ficou bacana e impressionou tanto os integrantes do Radiohead que eles liberaram a master do áudio do show para sonorizar o projeto.


Trailer

“Fãs tchecos?”, você pode estar se perguntando, “já ouvi falar de algo assim antes”.  Pois é, o Projeto Raindown, de um brasileiro, fez a mesma coisa com o show do Radiohead em São Paulo, só não ganhou a benção oficial da banda.

Normalmente, a referência mais citada para esse tipo de projeto é o “Awesome! I Fucking Shot That”, do Beastie Boys, de 2006. O que raramente se lembra foi que o Skank fez isso muito antes, no clipe de “Balada do Amor Inabalável”, de 2000.

Indo totalmente contra a proposta inovadora do vídeo, a página oficial da banda mineira no YouTube não autorize que o clipe seja reproduzido em outros saites, o que ajuda a explicar porque não costuma ser citado como exemplo.

1 Comentário

Matteo Pericoli e as janelas de NY


Philip Glass


David Byrne


Annie Leibovitz

Primeiro o italiano Matteo Pericoli desenhou todo o horizonte de prédios de Nova York, publicados no livro “Manhattan Unfurled”. Deu tão certo que literalmente abriu as portas para seu segundo projeto na cidade. No livro “The City Out My Window: 63 Views on New York”, Matteo rabiscou a vista da janela de alguns moradores famosos de NY. No momento ele está concentrado no registro de Londres.

Veja se você não reconhe o traço do sujeito de algum outro lugar:

Comente

Hip hop, auto-tune e futurismo Y2K


Jay-Z, “Death Of Autotune”

Existe um elemento comum entre todos os hits recentes do hip pop de T-Pain, Kanye West, Akon, Lil Wayne, Snoop Dogg ou Black Eyed Peas: o auto-tune, ferramenta digital para fazer pequenos ajustes e afinar vocais após gravados, auxiliando cantores a cravar todas as notas desejadas (platificando o processo, segundo alguns).

A sonoridade robótica produzida pelo uso “indevido” do auto-tune como um efeito de distorção tomou conta do hip hop. Há tempos não se via um elemento sozinho — seja instrumento, equipamento ou técnica de gravação — se tornar tão central nos estúdios.


T-Pain feat. Jamie Foxx, “Blame It (On The Alcohol)”

O auto-tune está em toda parte. Tem tutoriais no YouTube sobre como usar o efeito, tem app para iPhone, é motivo de piadas e mais piadas e foi matéria na New Yorker e na Time.


T-Pain vs. Vocoder, no Funny or Die

Marqueteiro que só ele, mesmo chegando atrasado na farra do auto-tune, Kanye West tentou puxar para si o título de desbravador da ferramenta, tendo gravado o disco “808 & Heartbreak” inteiramente com o efeito e fazendo bastante propaganda disso.


Kanye West, “Heartless”

Antes disso, Kanye já havia sampleado “Harder, Better, Faster, Stronger”, do Daft Punk, para servir de base para “Stronger”, reverenciando os franceses que vem usando tanto o vocoder quanto o auto-tune há muito tempo, de “Around The World” à “One More Time” à “Technologic”.

Antes disso, em 1998, dois anos depois da invenção do auto-tune, Cher fez muita gente querer rasgar os ouvidos com a sua “Believe”. Em 2005, Akon causou reação semelhante com “Mr. Lonely”. Expoente máximo do plugin, T-Pain diz que faz uso do autotune desde 2003.

Dentro do hip hop “tradicional” o uso de vozes robóticas não é inédita. Sem ir muito longe, basta ouvir os Beastie Boys em “Intergalactic”. A diferença é que o efeito utilizado, e já bem conhecido, é criado através do vocoder, um sintetizador que filtra a voz e altera as notas quando tocado enquanto se canta.

Como se vê, pode ser a moda da vez, mas está longe de ser novidade.


Afrika Bambaataa, “Planet Rock”

Até pouco mais de duas décadas atrás, “ano 2000″ era sinônimo de um tempo ainda distante, avançado tecnologicamente, onde robôs seriam parte integrante do cenário. A temática inspirou cineastas, escritores e, claro, músicos, todos buscando adiantar como seria esse futuro.

Em 1982, tentando imaginar como soaria algo feito duas décadas adiante, com a seminal “Planet Rock” Afrika Bambaataa desenhou o futuro da música, juntamente com o retro-futurismo do Kraftwerk e músicas como “Trans Europe Express”.

Passados tantos anos, esse modelo sobreviveu a vários outros que sumiram no tempo, justamente por ter vingado – as batidas, o uso do vocoder, os graves… estão todos aí.


Ciara feat. Chamillionaire, “Get up”

“Get up”, da Ciara (de 2006, produzida por Jazze Pha), junta várias referências de artistas que tentaram prever o som do presente em que vivemos, o tal anos 2000 — batidas de Bambaataa, teclados gelados do Kraftwerk, falsetes de Michael Jackson, citações jamaicanas a “Ring the alarm” (Tenor Saw). É um bom exemplo de como, ao tentar adiantar o futuro, esses artistas terminaram por determinar como ele seria.

O efeito robótico é até parecido, mas existe bastante diferença entre o uso do vocoder e o auto-tune. O segundo tem um resultado muito mais alucinado e eletrônico. Usado no talo, provoca uma oscilação brusca entre as notas, tão rápida que seria impossível ser executada por um humano.

O baile funk, sempre sedento por novidades tecnológicas ainda não fez uso do auto-tune (ou pelo menos nenhum hit surgiu ainda – no tecnobrega já tá rolando, lembrou JB nos comentários). João Brasil arranhou o assunto em “Cobrinha Fanfarrona”, mas utilizando o vocoder, não o auto-tune. Não vai demorar muito para a ferramentaganhar mais algum uso não previsto.


Black Eyed Peas, “Boom Boom Pow”

Essa proeminência da ferramenta vem alimentando a velha discussão sobre os caminhos do hip hop após ter se transformado no principal estilo musical em termos comerciais nos EUA.

Enquanto Nas declarou a morte do gênero em “Hip Hop Is Dead”, Ice-T protagonizou uma áspera (e constrangedora) troca de ofensas online com o menino Soulja Boy Tell’em por conta do sucesso de “Crank That”.

É o triunfo da estética seca e mais lenta do crunk e do hip hop produzido no sul dos EUA, onde a influência do Miami Bass continua gigantesca — e de onde vem boa parte dos produtores e rappers de maior sucesso hoje em dia, de Outkast a Lil Wayne.

O sempre esperto Jay-Z, só pra destoar, declarou a morte do auto-tune na música que acabou de lançar para promover o próximo disco (produzido por, veja só, Kanye). Ele não está sozinho na guerra contra o novo hip hop.

As coisas mudaram — sempre mudam — e certamente a eletrônica foi adicionada aos tradicionais quatro elementos (DJ, rap, b-boy e grafite). Se hoje o que se produz pode ser considerado hip hop ou não é uma discussão tão boba quanto interminável.

8 Comentários