Arquivo: Chico Buarque ’
5 de janeiro de 2012 às 13h47
Melhores discos nacionais de 2011
Ao contrário de 2010, em 2011 sobrou música nova – e mais importante – vindas de artistas novos. Muitos nomes surgindo, e nesse top 10 tem banda que entrou pelo conjunto de músicas avulsas que soltou ao longo do ano. Renovação é sempre muito bom.
Lista é lista, sempre complicado hierarquizar música, então a ordem está mais baseada na quantidade de vezes que ouvi cada disco.
Diga nos comentários o que você ouviu e gostou em 2011, pra conversa (e a troca de dicas) continuar.
–-
10.

Cícero, “Canções de Apartamento”
9.

Criolo, “Nó Na Orelha”
8.

Kassin, “Sonhando Devagar”
7.

Marcelo Camelo, “Toque Dela”
6.

Autoramas, “Música Crocante”
5.

Bixiga 70, “Bixiga 70″
4.

Dorgas, “Loxhanxha” + “Dito Antes” e “Fez-se cristo” + “Grangongon”
3.

Chico Buarque, “Chico”
2.

Silva, “SILVA”
1.

Wado, “Samba 808″
–
Bônus: outros bons discos de 2011 que merecem ser escutados.
Burro Morto, “Baptista Virou Máquina”
Pipo Pegoraro, “Taxi Imã”
Pélico, “Que Isso Fique Entre Nós”
Me & The Plant, “The Romantic Journeys of Pollen”
Domenico, “Cine Privê”
Gui Amabis, “Memórias Luso/Africanas”
Faria & Mori, “Faria & Mori”
Karina Buhr, “Longe de Onde”
E esse ano pode ser a vez do doo doo doo, Sobre a Máquina e Labrador, que já botaram a cara pra fora em 2011. Vamos ver o que aprontam.
27 de julho de 2011 às 13h32
Doc: “Dia Voa” (Chico Buarque)
A partir de hoje, todo o conteúdo do “Chico: Bastidores” está aberto a todos. Isso inclui todas as pílulas de vídeo, clipes de todas as 10 músicas e documentário que dirigi e filmei (assim como todo o resto) sobre as gravações, “Dia Voa”.
21 de julho de 2011 às 13h01
Chico ao vivo
A transmissão ao vivo da casa do Chico Buarque ontem foi histórica!
15 mil pessoas assistiram simultaneamente, 53 mil passaram pela página e mais de 200 mil visualizações do vídeo após a transmissão.
O mais importante: Chico adorou e deu tudo certo, muito bacana!
Quem perdeu pode conferir o vídeo: ChicoBastidores.com.br
MUITO obrigado ao Tiago Lins (parte técnica), Lucas Ariel (áudio), Pedro Seiler (produção) e Arterial (design) pelo esforço conjunto. E, claro, ao Chico e a o João Bosco por terem topado.
20 de julho de 2011 às 12h38
Hoje tem: Chico Buarque ao vivo com João Bosco online
Hoje, a partir das 16h, Chico Buarque e João Bosco farão uma transmissão ao vivo online, tocando “Sinhá” ao vivo (quem sabe mais outras), direto da casa do Chico.
A mini-show, aberto a todos, será no “Chico: Bastidores”. Não perca!
19 de julho de 2011 às 12h52
Doc trailer: “Dia Voa”
Encerrando a programação oficial “Chico: Bastidores” (expliquei o projeto no dia do lançamento), hoje tem a pré-estreia de “Dia Voa”, documentário que fiz sobre as gravações de “Chico”, novo disco do Chico Buarque.
Não é apenas uma compilação da pílulas de vídeo publicadas na página ao longo do último mês, e sim um registro do processo de gravação, com passagens inéditas e algumas reflexões sobre o processo, conduzidas por uma entrevista que fiz com o Chico no final do processo.
Filmei e dirigi, o Pedro Seiler fez a produção executiva, o Tiago Lins fotografou as entrevistas e os clipes, a Clara Cavour fez algumas imagens adicionais e o Daniel Ferro editou.
Hoje a exibição é apenas para aqueles que tem a senha para o conteúdo exclusivo da página, distribuída para aqueles que garantiram sua cópia na pré-venda.
Falo em encerramento da programação oficial porque amanhã, quarta, o Chico pinta ao vivo online no “Chico: Bastidores”. Fique de olho. Assim que todo conteúdo estiver liberado, aviso.
19 de julho de 2011 às 12h02
Chico canta sobre os comentaristas de internet
E você achando que os memes derivados do depoimento do Chico sobre os comentaristas de internet tinham acabado. Segura o auto tune do Melodyne.
1 de julho de 2011 às 19h34
Chico Buarque: Haters gonna hate
Surgiu um meme em cima do Chico: Bastidores, em cima do clássico haters gonna hate. Muita alegria.
Se você não viu o vídeo em que Chico dá suas impressões sobre essa singular classe de comentaristas de internet, assista:
28 de junho de 2011 às 13h26
Chico e os comentários na internet
“Existe uma raiva! Mas você não vai ficar com raiva de quem tem raiva. Deixa pra lá, não pode ficar triste com isso. “
Rir é sempre a melhor resposta.
Mais vídeos todo dia no Chico: Bastidores. Receba as atualizações dando um curtir na página do Chico no Facebook.
20 de junho de 2011 às 16h29
Chico: Bastidores
Hoje estreou o ChicoBastidores.com.br.
É a segunda vez que trabalho com Chico Buarque, a primeira foi no documentário “Desconstrução” que dirigi sobre as gravações do seu disco de 2006, “Carioca”.
Foi justamente para não repetir o que já havia sido feito que surgiu o projeto Chico:” Bastidores. Afinal, em 2006 os tempos digitais eram outros, hoje há muito mais possibilidades.
O funcionamento é simples: de hoje até o lançamento de “Chico”, no dia 20 de julho, a página apresentará conteúdo inédito (quase sempre vídeos) relacionado ao disco. De segunda a sábado haverá sempre dois novos itens, um aberto a todos visitantes e outro exclusivo.
Para acessar a área exclusiva, onde será possível ouvir as música em primeira mão – “Querido Diário” já está lá -, assistir um documentário e os vídeos mais reveladores, basta comprar o disco na pré-venda, receber uma senha única e se logar. Há interação com as redes sociais, principalmente com a página do Chico no Facebook.
A concepção geral do saite e os vídeos são meus, a produção é do Pedro Seiler e a edição é do Daniel Ferro e equipe. A direção de arte e design da Arterial.
13 de junho de 2011 às 16h42
Chico Bastidores
Em breve, muito mais no www.ChicoBastidores.com.br.
22 de setembro de 2009 às 13h14
Lily Allen, troca de arquivos, olho grande e onde você entra nisso tudo
“Desconstrução”: meu primeiro milhão?
A notícia se espalhou rapidamente: a cantora Lily Allen criou um blogue e convidou os artistas contrários ao compartilhamento de arquivos para se manifestarem no novo espaço.
A atitude causa espanto, pelo simples motivo de que Lily Allen deve sua carreira justamente a internet. Um dos primeiro casos de sucesso do MySpace, foi o burburinho na rede que fortaleceu seu nome.
A decisão de criar o blogue veio em resposta ao movimento Featured Artists Coalition, que inclui nomes como Radiohead, Pink Floyd, Blur e Robbie Williams, criado para tentar brecar a ameaça de censura na rede que ameaça o Reino Unido.
A FAC no entanto defende as trocas não comerciais de arquivos. Os que fazem uso comercial dos arquivos trocados, cobrando pelos downloas ou por streamings, por exemplo, devem ser mesmo alvo das leis já existentes.
A exemplo da França, o projeto de lei britânico utiliza a música como desculpa, mas vai bem além, pois propõe vasculhar todas as trocas de arquivos feitas na rede, as legais e as ilegais, a de quem troca músicas e a de quem nunca fez e nem pretende fazer isso na vida. Todos serão vigiados.
É uma questão de privacidade do interesse de todos. Aqui no Brasil, a ameaça é a medonha Lei Azeredo, nos mesmos moldes da França e Inglaterra.
Ao indicar que é favorável a proibição das trocas de arquivo Lily Allen pisa num terreno perigoso. E sua atitude pode (e provavelmente será) usada como bandeira de políticos com interesses duvidosos.
A cantora argumenta que é muito fácil para artista estabelecidos como os do FAC defenderam o livre compatilhamento de arquivos após terem construído suas carreiras (e fortunas) no modelo antigo, vendendo discos. Seria injusto com os novos artistas defender o “liberou geral”, privando-o dessa fonte de renda.
Como argumento, Lily diz que apesar de alguns artistas lucrarem com shows, as pessoas envolvidas no processo de gravação não seriam remuneradas.
Estou pra ver técnicos de som, designers, divulgadores e etc. que recebam participação nas vendas de discos, em todo caso, seria um problema de fácil solução, bastando que os artistas pagassem pelas gravações independente de serem comercializadas ou não (como aliás já devem fazer).
O que parece mesmo é que Lily Allen (e outros artistas) está de olho mesmo é numa fatia de um bolo que não existe mais. Num pensamento torto, a menina deseja os lucros provenientes de um outro formato de negócio, que caminha para extinção.
Quando dirigi o documentário “Desconstrução”, sobre as gravações do mais recente disco do Chico Buarque, “Carioca”, pensei sobre a mesma coisa, embora de brincadeira.
O DVD com o filme vinha encartado com a edição especial do CD e considerando que as vendas do disco foram boas, se fossem outros tempos talvez tivesse vendido aos milhões. Teria ficado milionário com a participação nas vendas.
A pegadinha é o seguinte: se fossem os tempos pré-digitais, dificilmente teria tido a chance de sequer ter feito o filme, principalmente pelos custos de produção e falta de acesso aos equipamentos necessários. Muito menos ter lucrado alguma coisa direta ou indiretamente com ele.
Não dá pra entrar nessa viagem. São dois tempos distintos, quase sem cruzamentos. O negócio é parecido, mas mudou bastante.
Portanto, em vez de reclamar que seus discos não vendem, Lily Allen deveria simplesmente aproveitar uma carreira que, se fossem outros tempos, talvez ela sequer tivesse.
18 de setembro de 2006 às 14h43
Os opostos se atraem em SP
Franz Ferdinand: “This fire” (vídeo: Lúcio Ribeiro)
Quando a produção de um evento sequer responde ao pedido de credenciamento, pode apostar que não vem algo muito organizado pela frente. Com o Motomix, nesse final de semana em São Paulo, não foi diferente. Como aliás, já não havia sido a edição carioca, em 2005.
Devido a falta de um alvará do Espaço das Américas, local dos shows, na sexta-feira o Motomix chegou a ser cancelado pela Prefeitura. Até as 14h de sábado, dia do evento, ainda não se sabia o que iria acontecer, apesar do saite informar que as 13h haveria um comunicado oficial.
Horas depois definiu-se que a programação original seria mantida, com todas as apresentações acontecendo no Espaço das Américas no próprio sábado. Mais tarde, nova mudança, dessa vez definitiva. As atrações foram divididas entre sábado e domingo, a primeira noite priorizando o rock e a segunda a eletrônica.
Como consequência, bastante gente que viajou apenas para assistir o evento, gastou dinheiro com ingressos, passagens e hotel, não pôde assistir metade do que estava programado. A solução? O que ouvi de um dos envolvidos na produção dantesca foi um “que pena”. E só.
Por sorte, restou a boa música.

Chico Buarque
foto: divulgação/Patrícia Cecatti
Antes do Motomix, Chico Buarque no Tom Brasil, porque até essa turnê chegar ao Rio, falta um bocado. A temporada de “Carioca” em São Paulo está em sua terceira semana de casa lotada e a banda, já quente (Wilson das Neves virando nos pratos e o escambau), se prepara pra gravação do DVD.
Além das músicas do novo disco, Chico revisita seu repertório (“João e Maria”, “Futuros amantes”, “Bye, bye Brasil”, “Quem te viu, quem te vê”), algumas tocadas por ele pela primeira vez ao vivo.
O público se mantém sentado e em silêncio, respeitoso, o máximo de tempo possível. Na segunda metade do show, Chico se levanta e essa é a deixa pro pessoal começar a se soltar, terminando com a casa toda em pé. Clássico.

Franz
O Franz Ferdinand, encerrando sua turnê mundial, deu aos paulistas um gostinho do que o Rio havia visto no Circo Voador, no início do ano. Se não teve o mesmo clima intimista, obviamente por se tratar de um lugar muito maior, a energia da banda estava bem parecida.
“Do you want to” foi a primeira música a levantar a platéia e “Take me out” fez o estrago de sempre. A temperatura foi subindo gradativamente durante a apresentação. Em “Outsiders”, integrantes do Radio 4, a DJ Annie e outros participaram tocando bateria com Paul Thomson e em peças avulsas do instrumento.
No encerramento, com “This fire”, o vocalista Alex Kapranos, sem camisa, incorporou Jim Morrison e balbuciava as letras como um poema, enquanto o teclado era entregue para galera destroçar e a bateria destruída no palco, como há muito tempo não via. Sensacional.
O show foi gravado para um especial da MTV que, se for feito com as mesmas imagens em preto e branco e documentais exibidas no telão, será um belo programa.
Aos nova-iorquinos do Radio 4 coube a ingrate tarefa de suceder o FF no palco. Não deu. Enquanto o vocalista forçava um patético sotaque britânico e o percussionista enganava (mal) nos atabaques, o baixo sofria distorções bizarras que só podia ser algum defeito, não estilo, porque sempre tentava-se corrigir.
Soando como pastiche do The Clash (com direito até a uma incursão sarapa pelo dub, com cara de Sublime), a banda renegou o sucesso que nunca veio e não tocou sua única música conhecida, “Party crashers”. O show fraco serviu de requiém do festival, já que a maior parte do público resolveu ir embora.

Modeselektor
Os alemães do Modeselektor conseguiram, as 5h da manhã, fazer os presentes quicarem ao som do seu gélido dancehall robótico. Os graves vinham com força e a quebradeira também, enfeitados pelo telão bacana do grupo.
Uns 40 minutos depois, o som caminhou para um tech-house pesado, o produtor que estava com uma camisa da Underground Resistance ficou só de camiseta e a coisa toda deu uma certa farofada. Tudo certo, já era hora de ir pra casa.
9 de maio de 2006 às 14h30
Chico Buarque, “Desconstrução” (Biscoito Fino)
“Desconstrução”, documentário que dirigi, produzi e filmei sobre as gravações de “Carioca“, novo disco de Chico Buarque (o primeiro pela gravadora Biscoito Fino) é daqueles projetos que tinha tudo pra não acontecer.
Chico Buarque é conhecido por ser uma pessoa reservada, a possibilidade de aceitar que sua intimidade no estúdio fosse invadida era mínima. Menor ainda se fosse por um completo desconhecido. Pra piorar, com uma câmera na mão.
Ainda bem que as coisas nem sempre seguem a lógica e, contrariando a própria, o projeto aconteceu. Começou com uma proposta ao produtor executivo da BF, Pedro Seiler, amigo desde os tempos de faculdade. Foi ele quem convenceu o empresário do Chico, Vínicius França, a autorizar a gravação, abrindo as portas para iniciar o projeto.
A idéia era filmar o Chico no estúdio. Só isso. No ínicio, não existia a noção de que esse material se tornaria um documentário. Era pra ser um material interno da gravadora, talvez um faixa interativa no CD. O interessante era a chance de acompanhar Chico em estúdio. O que surgiria disso, só se saberia depois.
O combinado era que eu fosse ao estúdio toda sexta-feira para filmar. Na primeira semana, em setembro de 2005, descumprindo o acertado, fui de segunda a sexta. Na semana seguinte, a mesma coisa. Depois de 15 dias, quando o Vinícius comentou “tá gostando de vir aqui, né, Bruno?”, já era tarde. Todos os dias que o Chico esteve em estúdio, eu estava lá também.
Surpreendentemente, Chico, desde o começo, embarcou na idéia. Ignorou a câmera, agia como se não estivesse sendo filmado. Conversava sobre tudo com os amigos, recebia a visita dos netos, compunha. Meu trabalho era ficar quieto e atento para não perder os detalhes, o resto era com ele, que simplemente tinha que ser ele mesmo.
Conversamos pouco sobre o documentário durante as gravações. Na única vez que falei com ele sobre isso, com duas ou três semanas de trabalho, foi para saber se podia fazer uma pergunta por dia, não mais que isso, só quando desse tempo. Ele topou.
Até o dia em que mostrei o primeiro corte do documentário — as edições começaram em dezembro de 2005, pois tinham que terminar junto com o disco, para irem pra fábrica juntos — Chico não tinha se dado conta do que estava sendo feito.
Depois de assistir o quanto havia sido registrado de seus dias no estúdio, a primeira pergunta que ele fez foi sobre a câmera. Ficou impressionado como um câmera daquele tamanho (uma mini dv, a Sony PDX10) podia ter capturado tantos detalhes com a qualidade de som e imagem tão boas.
Isso explica muito do sucesso do projeto. Soubesse ele o quanto se pode conseguir com uma câmera digital ou estivesse ali um diretor conhecido, tudo poderia ter sido diferente. Exatamente por não saber bem o que eu estava fazendo lá dentro, relaxou. E o grande mérito do trabalho é esse: ter flagrado o Chico relaxado.
70 dias de gravação, 42 horas de material bruto e 320 horas de edição depois, o resultado é o documentário “Desconstrução”.
Uma das coisas mais bacanas foi ter podido realizar isso tudo cercado de amigos. Além do Pedro Seiler, produtor executivo do projeto, o editor foi o Rafael Mellin, amigo de PUC e a pessoa que me ensinou a filmar. Mellin se envolveu tanto no projeto que dividimos o crédito de roteiro.
A parte gráfica ficou a cargo do Mateus Araujo e dos parceiros do 6D Estúdio. A correção de cor foi feita pelo Ricardo Rocha, antigo colega de Conspiração Filmes, onde foi feita a correção. A mixagem e finalização de áudio foi feita por João Filho e João Henrique, do Estúdio Lontra, onde fica a minha ilha de edição.
Enfim, estava tudo em casa.
9 de maio de 2006 às 1h55
Trailer de “Desconstrução”
Trailer: “Desconstrução”
Saiu o novo disco de Chico Buarque, “Carioca”. A edição especial do CD vem acompanhada por um DVD com um documentário sobre as gravações, chamado “Desconstrução”, que eu dirigi.
27 de abril de 2006 às 13h05
Desconstruindo

foto: Mario Canivello
Não sei nem como começar a falar disso aqui. Apesar de ser um blog, o URBe tem mais caráter jornalístico do que diário pessoal. Raramente os textos saem na primeira pessoa. Falar de mim mesmo então… Mais complicado ainda. Mas hoje não vai ter outro jeito. A notícia vazou.
Depois de 7 meses de trabalho, o documentário que dirigi, produzi e filmei sobre as gravações de “Carioca“, novo disco de Chico Buarque (o primeiro pela gravadora Biscoito Fino), começa a ganhar as ruas.
“Desconstrução”, título do doc, é daqueles projetos que tinha tudo pra não acontecer. Chico Buarque é conhecido por ser uma pessoa reservada, a possibilidade de aceitar que sua intimidade no estúdio fosse invadida era mínima. Menor ainda se fosse por um completo desconhecido. Pra piorar, com uma câmera na mão.
Ainda bem que as coisas nem sempre seguem a lógica e, contrariando a própria, o projeto aconteceu. Começou com uma proposta ao produtor executivo da BF, Pedro Seiler, amigo desde os tempos de faculdade. Foi ele quem convenceu o empresário do Chico, Vínicius França, a autorizar a gravação, abrindo as portas para iniciar o projeto.
A idéia era filmar o Chico no estúdio. Só isso. No ínicio, não existia a noção de que esse material se tornaria um documentário. Era pra ser um material interno da gravadora, talvez um faixa interativa no CD. O interessante era a chance de acompanhar Chico em estúdio. O que surgiria disso, só se saberia depois.
O combinado era que eu fosse ao estúdio toda sexta-feira para filmar. Na primeira semana, em setembro de 2005, descumprindo o acertado, fui de segunda a sexta. Na semana seguinte, a mesma coisa. Depois de 15 dias, quando o Vinícius comentou “tá gostando de vir aqui, né, Bruno?”, já era tarde. Todos os dias que o Chico esteve em estúdio, eu estava lá também.
Surpreendentemente, Chico, desde o começo, embarcou na idéia. Ignorou a câmera, agia como se não estivesse sendo filmado. Conversava sobre tudo com os amigos, recebia a visita dos netos, compunha. Meu trabalho era ficar quieto e atento para não perder os detalhes, o resto era com ele, que simplemente tinha que ser ele mesmo.
Conversamos pouco sobre o documentário durante as gravações. Na única vez que falei com ele sobre isso, com duas ou três semanas de trabalho, foi para saber se podia fazer uma pergunta por dia, não mais que isso, só quando desse tempo. Ele topou.
Até o dia em que mostrei o primeiro corte do documentário — as edições começaram em dezembro de 2005, pois tinham que terminar junto com o disco, para irem pra fábrica juntos — Chico não tinha se dado conta do que estava sendo feito. Depois de assistir o quanto havia sido registrado de seus dias no estúdio, a primeira pergunta que ele fez foi sobre a câmera. Ficou impressionado como um câmera daquele tamanho (uma mini dv, a Sony PDX10) podia ter capturado tantos detalhes com a qualidade de som e imagem tão boas.
Isso explica muito do sucesso do projeto. Soubesse ele o quanto se pode conseguir com uma câmera digital ou estivesse ali um diretor conhecido, tudo poderia ter sido diferente. Exatamente por não saber bem o que eu estava fazendo lá dentro, relaxou. E o grande mérito do trabalho é esse: ter flagrado o Chico relaxado.
70 dias de gravação, 42 horas de material bruto e 320 horas de edição depois, o resultado é o documentário “Desconstrução”.
Uma das coisas mais bacanas foi ter podido realizar isso tudo cercado de amigos. Além do Pedro Seiler, produtor executivo do projeto, o editor foi o Rafael Mellin, amigo de PUC e a pessoa que me ensinou a filmar. Mellin se envolveu tanto no projeto que dividimos o crédito de roteiro.
A parte gráfica ficou a cargo do Mateus Araujo e dos parceiros do 6D Estúdio. A correção de cor foi feita pelo Ricardo Rocha, antigo colega de Conspiração Filmes, onde foi feita a correção. A mixagem e finalização de áudio foi feita por João Filho e João Henrique, do Estúdio Lontra, onde fica a minha ilha de edição. Enfim, estava tudo em casa.
Agora é voltar pro “Dub Echoes“, que tá passando da hora de ficar pronto. Vai que dá certo outra vez.
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ATUALIZAÇÃO: Nesse domingo o Fantástico exibiu uma reportagem com trechos do documentário. Dá para assistir na Globo.com (não precisa de senha).







Documentarista, jornalista, carioca, boto som mas não sou DJ e provavelmente passo tempo demais online.

















