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Arquivo: cidadão instigado

Bárbara Eugênia, “O Tempo”

Os diretores Denison Carneiro e Lucas Gandini propuseram e aqui está o clipe novo da Bárbara Eugênia, uma versão de “O Tempo”, do Cidadão Instigado, sendo lançado no URBe.

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Fagner & Catatau, ontem no SESC Pompéia

Que demais esse encontro… Queria muito ter visto isso. Tomara que role mais vezes.

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Cidadão Instigado toca Legião Urbana com Dado Villa Lobos

No Teatro Rival o Cidadão Instigado recebeu Dado Villa Lobos e juntos tocaram “Andrea Doria” e “Tempo Perdido”, da Legião Urbana, com o inconfudível molho Catatau. O encontro foi registrado pela .

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Cidadão Instigado, “Contando Estrelas”

Dirigido por Ivo Lopes e pelo próprio Fernando Catatau, o clipe de uma das melhores músicas de um dos melhores discos de 2009.

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10 melhores discos nacionais de 2009

Listinha difícil de fazer esse ano, viu… Normalmente a briga é boa, dessa vez achei até bem tranquila. Os 10 são muito bons, porém normalmente pelo menos outros 10 candidatos ficam de fora. Esse ano não. Abaixo, a lista de melhores discos nacionais de 2009 do URBe.

10.

Otto, “Certa Manhã Acordei De Sonhos Intranquilos”

9.

Wado, “Atlântico Negro”

8.

Lulina, “Cristalina”

7.

Céu, “Vagarosa”

6.

Letuce, “Plano De Fuga Pra Cima Dos Outros e De Mim”

5.

Emicida, “Pra Quem Já Mordeu Um Cachorro Por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe”

4.

Mallu Magalhães, “Mallu Magalhães”

3.

Arnaldo Antunes, “Iê, Iê, Iê”

2.

Cidadão Intigado, “Uhuuu!”

1.

Lucas Santtana, “Sem Nostalgia”

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Hoje tem (sábado): Cidadão Instigado

Circo Voador
Cidadão Instigado – show de lançamento do “Uhuuu!”
abertura: Júpiter Maçã
24 de outubro (sábado)
22h
R$ 40, R$ 20 (estudante)

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Entrevista – Dustan Gallas

Recentemente o nome Dustan Gallas apareceu relacionado a dois dos mais legais discos brasileros desse ano. O sujeito gravou com o Cidadão Insigado em “Uhuuu!” e faz parte da banda de Lucas Santtana nos show do disco “Sem Nostalgia”.

Ninguém melhor pra explicar quem é Dustan Gallas do que ele próprio.

URBe – Apresente-se: instrumento, de onde você é, idade, com quem já tocou, principais trabalhos e sua formação.

Dustan Gallas - Eu sou guitarrista, nasci em Parnaíba, litoral do Piauí e cresci em Fortaleza. Eu aproveitei uma parte do tempo que eu passei estudando em universidades pra fazer umas aulas de outras coisas, fazendo umas aulas de piano e bateria, comprei tambem um trompete e um bongô, nessa época eu pensava que isso ia me fazer melhor guitarrista, mas acabou que eu aprendi alguma coisa neles mesmos. Acho que esse é um bom termo… Eu não diria que eu sei tocar baixo, por exemplo mas eu sei usá-lo.

Tenho 37 anos, e passei uns 10 pra lá e pra cá, estudando nesses lugares: America Institute of Music (Viena-Áustria), Hochschule für Muzik und Tanz (Graz-Áustria), Northern Illinois University (Illinois-usa), Rotterdam Conservatorium (Rotterdam-Holanda). E saí variando curso… Fiz de guitarra jazz, violão tango, produção musical, e até pintura

Nesse vai e vem de ir estudar e voltar ,comecei a me envolver com produção e trabalhei em alguns discos ainda em Fortaleza: Realejo Quartet, Karine Alexandrino, Eddy de Clercq, Alcalina, Forma Noise, Felipe Cazaux, Samba Hemp Club, Pádua Pires e fiz também umas trilhas pra espetáculo de dança, teatro, desfile, cinema, tal e tal.


Cidadão Instigado, “Doido”

URBe – De onde vem a sua relação com o Cidadão Insigado?

Dustan Gallas - A gente é “de época”… Hehe… Sou amigo de infância do Rian, e vizinho do Fernando [Catatau] na adolescência, quando conheci o Regis também, quando começamos a tocar e as nossas bandas ficavam tocando juntas. Depois que elas se desfizeram, (quando uns foram estudar, outros formar outras coisa) o Fernando começou a conceber o Cidadão.

Se ouvia muita coisa diferente o Régis era rock inglês, o Rian muita coisa brasileira, e eu e o Fernando mais mistureba, até que eu fui pra um lado de só ouvir jazz, pra tentar entender, e o Fernando mergulhou nos Sérgio Ricardo, Tom Zé, Alceu Valença, o som da primeira metade dos 70 deles (e as trilhas deles da época). Quando voltei pra Fortaleza em 97/98, a banda ja rolava e eu tocava umas guitarra em participações em shows. Pouco depois eu entrei pra banda, tocando caixa e prato e umas panelas, e fiquei até 2002 por aí, quando viajei de novo. Gravei o primeiro EP em Fortaleza e o “Ciclo da Decadência” aqui em São Paulo.

URBe – Qual foi o seu papel e participação em “Uhuuu!”?

Dustan Gallas - Foi muito legal. Porque vim morar em São Paulo no meio do ano passado com a intenção de ficar um ano, essencialmente, próximo dos amigos. E tem sido massa, porque eu tenho não só estado perto, como tocando junto também.

No fim do ano passado o Fernando [Catatau] me convocou pra fazer os teclados, tanto pra minimizar o uso das bases como pra tocar mais coisa no material novo do Cidadão. Aí, o processo na hora de gravar foi o de captar o som do quarteto, como é o formato dos shows ha alguns anos, e depois eu entrei como, digamos, um olhar “de fora”, editando umas músicas e pondo teclados adicionais, ajudando na mixagem e nas decisões das coisas, já que o projeto envolvia muita coisa: metais, muitos e muitos tracks nas músicas, etc.

É engraçado como o aspecto multirão tende as vezes a confundir o objetivo, mas nesse caso, muito provavelmente pela afinidade da galera, o multirão virou um trunfo e fez com que se atingisse um resultado pelo menos satisfatório pra todos nós seis.

URBe – E de onde você conhece o Lucas Santtana?

Dustan Gallas - Eu conheci o Lucas vendo shows da banda, ano passado, porque o Rian e o Regis tocam com ele, aí fui num show no Studio SP. Na verdade eu lembrava dele de ver clipe anos atrás de “De coletivo ou de metrô”, que achava massa, mas não o conhecia pessoalmente.

URBe – Como foi entrar na banda do Lucas para tocar as músicas do “Sem Nostalgia”, um disco feito inteiramente com violão?

Dustan Gallas – Esse ano ele me convidou pro projeto “Trilhando” do SESC (a edição com Bruno Barreto), com a Gal Costa cantando, isso foi no início do ano quando ele tinha acabado de gravar o disco novo. Na verdade, antes ainda mesmo desse projeto rolar, ele me convidou pra integrar a banda do show desse mesmo disco. Adorei o convite, porque o que tinha visto do show anterior dele era muito bom. Aí ele enviou o disco novo, e eu fiquei mais contente ainda, porque o disco é simplesmente sensacional. E tem isso do disco ter um monte de violão e ao mesmo tempo a maneira que ele arrumou de transportar o disco pra o formato da banda, ta dando bem certo, no meu conceito. O “tom” das composições tá preservado, deu certo.


Júpiter Maçã, “Essência Interior”

URBe – Do que mais você participou ou está participando?

Dustan Gallas -Teve essa experiência incrível de tocar com a Gal nesse projeto com o Lucas (o que me rendeu uma demissão da banda do Otto), eu participo da banda do Edgard Scandurra, que foi formada pra gravação do DVD dele. Gravamos em Maio e agora tá em processo de edição e mixagem. Inclusive gravamos uma música ano passado que ficou bem especial (“Não precisa me amar”, ta no myspace dele).

Toco com o Júpiter Maça e estamos entrando numa fase massa com músicas novas, e que uma primeira já ganhou clipe que inclusive está indicado ao VMB desse ano. Tô produzindo com o Boca (Otto, Instituto) o disco da Barbara Eugênia. Toco com a Juliana R. Tô tocando na banda e gravando no disco novo da Karina Buhr. Terminando discos de duas bandas de Fortaleza, O Garfo e Murano….e mais dois projetos caseiros, o Chic Shit e o Eles Cantam Mal.

Tem ainda um disco que fiz há anos, e que esta sendo relançado do Realejo Quartet, tem o Psycho Jazz, um combo que o Boca encabeça, hoje mesmo a gente tava discutindo o repertório pra próxima temporada, que deve começar agora em outubro no Studio SP. Outro que tá nos ensaios ainda, mas já promete virar um projeto interessante, é o disco do Tupiniquin, que tô produzindo com o Rian.


Gal Costa, “Gabriela”

URBe – Quais bandas tem voado abaixo do radar e devem surgir logo, logo?

Dustan Gallas – Barbara Eugênia, Karina Buhr, Juliana R., O Garfo, Mr. Spaceman, Tupiniquin, pra mencionar alguns… hahahahaha!

Tem um menino de Fortaleza que eu ouço quase diariamente e por mim tava todo mundo falando dele. Chama The Amazing Broken Man.

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Cidadão Instigado, “Uhuuu”

Desde a semana passada, o terceiro disco do Cidadão Instigado foi dando as caras. Primeiro apareceu “Escolher Pra Que?”, depois “Doido”.

Agora “Uhuuu!” apareceu por inteiro. Aproveite.

Não creditei a boa alma que enviou os links por não saber se a pessoa gostaria. Se quiser, identifique-se nos comentários, meu caro.


Cidadão Instigado, “O Nada” (ao vivo)

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“O sol está aí para nos assar” – Cidadão Instigado

Cidadão Instigado manda avisar que tem música inédita do no MySpace da banda. “Escolher Pra Que?” fará parte do próximo disco da banda, “”Uhuuu!”.

A letra fala de inundações, o sol queimando nossas banhas, hérnia de disco e maratonas. Só o Catatau mesmo pra escrever sobre essas coisas…

O Norte e Nordeste serão os primeiros a ouvir as novas músicas, com shows em agosto: Fortaleza (01 no Teatro Boca Rica, 06 no Sesc), Crato (04, Sesc) e Recife (Torre Malacof, 08). João Pessoa (09).

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Água

Semana que vem sai o “Surf Adventures 2″. Dizem que o filme está bem bom, mas só pela trilha já vai valer a ida ao cinema. A produção musical é do Pedro Seiler, com colaboração dos editores do filme, Julio Adler e Sergio Mekler. Sente a lista:

1. “Maggot brain” – Funkadelic
2. “Quilombo groove” – CSNZ
3. “Trance” – A Roda
4. “Scarlet begônias” – Greatful dead
5. “Deixe-se acreditar” – Mombojó
6. “Forró esferográfico” – Cabruêra
7. “A Flor” – Los Hermanos
8. “Angelita” – Pata de elefante
9. “Jingo” – Santana
10. “Tinindo trincando” – Novos Baianos
11. “Música política para Maradona cantar” – Hurtmold
12. “Office boy” – Bonde do rolê
13. “Fucking long time” – Burnt Friedman
14. “Meu Maracatu pesa uma tonelada” – Nação Zumbi
15. “Meu Mar” – Erasmo Carlos
16. “Maracatu atômico” – Jorge Mautner
17. “Suzuka” – Chelpa Ferro
18. “In memory of Elizabeth Reed” – Allman Brothers
19. “Awô dub” – Lucas Santana
20. “Bat macumba” – Mutantes
21. “Miniatura Chelpa” – Chelpa Ferro
22. “Meiufiu” – Moraes Moreira
23. “Carimbó” – Do Amor
24. “A espuma” – DJ Dolores
25. “If you want me stay” – Sly and Family Stone
26. “Os urubus só pensam em te comer” – Cidadão Instigado
27. “Theme from Konono” – The Ex
28. “Three little birds” – Bob Marley

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Pequena instigação


Cidadão Instigado, com a participação de Rodrigo Amarante (a direita da foto)
foto: Caroline Bittencourt

Continuando com a moda de anunciar shows de abertura tão bons ou melhores que a atração principal, acaba de sair a notícias de que quem abrirá o show do Little Joy no Rio, dia 06 de fevereiro, será o Cidadão Instigado. Nada mal.

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Melhores shows 2008

Como passei o ano fora, é uma seleção solitária, de shows que assisti longe de casa, portanto sem muita conexão com o que rolou por aqui. Foi tanta coisa boa que não deu pra encurtar a lista muito não. Em nenhuma ordem específica, segue a lista:

Radiohead (Victoria Park, Londres)

O show é muito simples e é justamente aí que está o truque. Das timbragens dos intrumentos a execução das canções — mesmo com as constantes mudanças de formação de palco, indo de guitarras, piano, baixo, bateria e programação para voz e violão de uma música para outra — não tem firula.

Vampire Weekend (Electric Ballroom, Londres)

“Bem mais pesados ao vivo do que em disco, o segredo do sucesso da banda talvez resida justamente em saber dosar as influências africanas.”

Late of the Pier (BarFly, Londres)

“O LOTP não parecia cansado do péssimo show da noite anterior, em Birmingham, como contou o baixista Andrew Faley. Elétricos e derretendo no palco, talvez movidos a MDMA, o quarteto fez a mesma bagunça que vem fazendo, misturando rock, metal, eletrônica, psicodelia e histeria adolescente.”

Friendly Fires (KCLSU,Londres)

“Vendo a banda em seu ambiente, tocando para o seu público, algo que havia passado despercebido nas outras apresentações ficou claro: a presença de palco expansiva do vocalista Ed MacFarlane. Como um Mick Jagger nerd, Ed rebola na frente do palco na abertura, com “Photobooth”, se requebra e faz caras para as meninas, que gritam de alegria.”

Stevie Wonder (O2 Arena, Londres)

“O show ia morno, correto, alternando uma música “esquenta o sovaco” com uma “mela cueca” — técnica preferida do grande Tim Maia, como bem lembrou um amigo. Até que no final, uma fila de hits, colados um no outro, mudou tudo. “Overjoyed”, “Signed, sealed, delivered, I’m yours”, “My cherie amour”, “You are the sunshine of my life”, “I just called to say I love you”, “Isn’t she lovely” e a infalível “Superstition” fizeram valer cada centavo.”

Casiokids (Hoxton Grill, Londres)

“Nem vale a pena tentar definir o som do Casiokids. Tem referências bem diversas, de música africana a eletrônica maximalista. A galera no palco e a quantidade de teclados lembra o Hot Chip; a pegada alucinada de pista o Soulwax; os ruídos eletrônicos o Late of the Pier; o teatro de sombras, as cabeças de papel machê e o monstro vermelho que invade a platéia, o Flaming Lips.”

Lykke Li (ICA, Londres)

“Imagine o susto que a M.I.A. tomaria se um dia acordasse presa no corpo da Britney aos 14 anos, de calcinha e com uma vontade incontrolável de se tornar um chanteuse. Taí uma possível descrição da Lykke Li.”

Kings of Leon (Brixton Academy, Londres)

“Sem se repetir e com coragem de experimentar, o mais interessante de acompanhar o KoL é que trata-se de uma das poucas bandas dessa geração que vem constantemente melhorando, seja em disco ou ao vivo.”

Bloc Party (Circo Voador, Rio)

“Contrariando todas as expectativas, o Bloc Party fez um show avassalador nessa segunda a noite, no Circo Voador. Já tinha visto uma vez, em 2006 no Coachella, e tinha achado frouxo. Quem viu em São Paulo nesse finde também comentou que foi morno. No Circo Voador não. O negócio foi sério.”

Cidadão Instigado (Jockey Club, Rio)

“Um dos mais talentosos compositores de sua geração, Fernando Catatau e seu Cidadão Instigado chaparam a tenda do Claro Cine com sua psicodelia, a base de Jovem Guarda, Santana, guitarrada, bagaceiras eletrônicas e letras insanas.”

Sigur Rós (Rock Werchter, Bélgica)

“Com um dos cenários mais bonitos do festival e chuva de papel picado no encerramento contra um céu rosado pelo pôr-do-sol, os islandeses domaram a platéia, conseguindo silêncio geral.”

Justice (Astoria, Londres)

“Fechando a noite no Astoria, o Justice sentou a mamona, no que deve ter sido uma de suas aparições mais, hmm…, metálicas. Podreira pura. Tanta, que em muitos momentos só dava pra se defender da chuva de cotovelos. Seria bom se tivesse sido um pouco mais dançante.”

Soulwax Nite Versions (Rock Werchter, Bélgica)

“Emendando “Gravity’s rainbow” (Klaxons), “NY Excuse” (deles mesmo, explodindo a tenda), “Robot Rock” (Daft Punk) e “Phantom Pt. II” (Justice) fizeram uma das apresentações mais legais da música eletrônica recente (tem notado como os live PAs andam sem graça? ou é comigo?).”

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Universo psicodélico


Cidadão Instigado – “Minha imagem roubada”: atenção
aos metais tocados através da guitarra.
obs: o iMovie gerou automaticamente uma tarja 16:9,
resultando nesses enquadramentos de bêbado

Um dos mais talentosos compositores de sua geração, Fernando Catatau e seu Cidadão Instigado chaparam a tenda do Claro Cine com sua psicodelia, a base de Jovem Guarda, Santana, guitarrada, bagaceiras eletrônicas e letras insanas. Algumas músicas chegaram aos dez minutos de duração.

Já se vão três anos e pouco desde o lançamento de “O método túfo de experiência”, um clássico (“O tempo”, “Pinto de peitos” e “Os urubus só pensam em te comer” e “Te encontra logo” são desse disco).

Produzindo o novo disco de Arnaldo Antunes, Catatau promete para ano que vem o terceiro do Cidadão Instigado e vem mostrando algumas músicas nos shows.

Tinha tudo pra espantar os desavisados, só que a estranheza é tão boa e tão criativa que conquista até quem não nunca ouviu falar. O tempo há de fazer justiça ao trabalho do Catatau.

Circulando pelo local após a apresentação, foi grande a quantidade de gente que veio cumprimentar Catatau. O resto da banda é um esculhacho. É sempre um bom show. Sempre. Tem pouca coisa no mesmo nível.

A festa continuou até tarde com os pernambucanos da I Love Cafusú.

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Entrevista – Fernando Catatau

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Lídero do Cidadão Instigado, o cearence Fernando Catatau conversou com o URBe, por e-mail, sobre o novo disco, “Cidadão Instigado e o Método Túfo de Experiências”.

——-

E aê, o que continua instigando o cidadão?

Os que eu gosto, instrumentos e algumas músicas. Do amor eu não posso falar, então fico calado.

O que aconteceu entre o primeiro disco, “O ciclo da De.Cadência” e esse “Método tufo de experiências”? Quais mudanças significativas?

Eu diria que eu tenho caminhado em paz. Faço o que eu gosto, toco com quem eu quero e gravo os discos da minha maneira. Daí saem essas coisas aí. A gente vai mudando com a vida, né? A música vai junto.

Você trocou o Selo Instituto pela Slag?

Eu num troquei não. Esse disco é uma parceria da Slag com o Instituto, saiu pelos dois selos, o que tá sendo muito legal. Sou grande amigo dos meninos do Instituto, a gente tá sempre fazendo coisas juntos. Os meninos da Slag estão sendo fora de série, agilizando
um monte de coisas pra gente. Eu não poderia ter nada melhor. Tô muito satisfeito.

Sendo nordestino, e talvez mais habituado ao brega, estilo muito maior no norte do que no sul do país, como você vê a quantidade de bandas atuais declaradamente influenciadas por esse estilo (e conseqüentemente pela Jovem Guarda)? Como é essa influência para você?

Uma coisa que eu sempre falei e que eu gosto muito de ouvir musica triste, musica feliz demais me dá agonia, me deixa triste. Normalmente eu busco a felicidade pra minha vida, na música eu prefiro me acabar na tristeza. Roberto Carlos é o que mais me emociona nessa vida não sou tão fã da Jovem Guarda, nem do Rei nessa época. Gosto da fase 70, romântica. Sou muito fã do Fernando Mendes, Marcio Greyck, da maioria das músicas lentas internacionais dos anos 80, Bee Gees… É disso que eu gosto.

Além do brega, o rock progressivo e músicas climáticas parecem outras fortes influências no “Método tufo…”.

Passei minha adolescência escutando Pink Floyd, [Jimi] Hendrix, [Black] Sabath, Iron [Maiden], como todo adolescente rockeiro da minha época. Quando ouvi Santana pela primeira vez, escolhi meu instrumento. Sou, na realidade, um apaixonado por guitarras. Gosto até mais de instrumentos do que da própria música e tento me divertir com eles nas composições, bagunçando tudo.

Como a música eletrônica e experimentos de estúdio entram nessa equação?

Eu sou um apaixonado por áudio. Passo minha vida atrás de equipamentos antigos.
Tenho um problema muito sério com o mundo digital. Não que eu ache totalmente ruim, acho que hoje existem ótimas ferramentas. Vieram para facilitar nossa vida, mas a qualidade final é sempre um “quase lá”. Falta a humanidade, mas não posso dizer que é um mal. Muito pelo contrário. [É] uma salvação pro mercado independente.

A mixagem das faixas foi dividida meio a meio entre Kalil Alie e Buguinha Dub. Qual a intenção disso? Qual critérios você utilizou para decidir quem mixaria o que?

Os dois são grandes amigos meus. Na real, eu já sabia o que ia sair dali. O Buga é mais dub, então eu dei as que tivessem menos a ver com dub e pedi pra ele dar a cara dele. O Kalil é mais rockeiro e taquei as baladas pra que elas soassem da maneira dele. No final eu achei que ficou com uma unidade boa. As vezes me soa como se tivesse sido mixado por uma só pessoa e, mesmo assim, é possível ver a personalidade dos dois lá.

A interpretação das letras do disco está bem teatral, muitas vezes são apenas recitadas ou faladas mesmo. Porque isso?

A música do Cidadão é quase totalmente baseada nas letras. Tento fazer uma trilha sonora para o que eu escrevo. Se a música fala de amor eu procuro dentro do universo musical os acordes que vão chegar mais perto das emoções do coração. Se tem que passar uma tensão, já penso diferente. Com a música a gente pode passear pelo mundo das sensações, o grande lance é saber combinar os elementos certos pra poder passar o que você esta querendo.

O falado é mais porque antes eu não me garantia muito em cantar e hoje, por mais que eu continue não me garantindo muito, já me arrisco mais. O legal é você tentar passar a sua verdade, por mais fuleira que ela seja.

O disco está recheado de participações. É uma necessidade pra poder realizar o disco da maneira que você imaginou ou é mais pra juntar os amigos mesmo?

Todos que participaram nesse disco são grandes amigos com os quais eu tenho bastante afinidade musical. O Thomas Rohrer (sax, violino, rabeca) e a Izaar (vocais) são seres emocionantes, já vieram assim. Os meninos da banda são fodas: Regis Damasceno (Mr.
Spaceman), Rian Batista (Otto, Instituto), Clayton Martin (Vaca de Pelúcia, Detetives) e Mauricio Takara (Hurtmold, M. Takara). Teve também o Marcos Axe e o Andre Male, que tocam com o Otto na percussão. Esses tocam muito. Até fiz o Ganja Man (Instituto, Otto) tocar música romântica! Hahaha! Na realidade, chamei meus amigos pra gente se divertir, entrar no estúdio e tirar um som. Daí saiu o disco.

Por outro lado você tem tocado bastante com outras bandas, né? (Los Hermanos, Nação Zumbi, Los Sebosos Postizos… quem mais?) Fale um pouco dessas participações, como elas rolam, etc.

Bem, comecei a tocar com outras pessoas em 2000. Até então eu só tinha tocado com meus projetos pessoais. O primeiro foi o Otto, que me chamou pra tocar com ele sem me conhecer direito. Fui lá e tô até hoje. Depois disso várias pessoas me chamaram e eu fui também. Já toquei com DJ Dolores, Estela Campos, Beto Vilares, Los Sebosos Postizos e também gravei com a Nação Zumbi, Los Hermanos, Zeca Baleiro, Eddie, Bonsucesso [Samba Clube]… Já fiz algumas trilhas também. No mais, é isso.

Imagino que você não deve agüentar mais essa pergunta, mas não tem como fugir: o que é o “método túfo de experiências”?

Túfo, significa você fazer algo sem pensar demais. Duma vez. Quando você quis fazer, já estava pronto. Então o método são essas experiências vomitadas. Deu pra entender?

E que diabos é um “pinto de peitos”?

É um pinto que tem peitos, mas o mais massa é que ele tem o bico preto e o pio dele é escuro. Hahahahahaha!

Queria finalizar com uma coisa que eu acho muito importante. O Cidadão Instigado não é “uma banda de um homem só”, fica até chato pros meninos ouvir isso sempre. Não sei quem falou isso a primeira vez, mas isso não é verdade. A banda sou eu, o Regis Damasceno, o Rian Batista, o Clayton Martim e sempre um convidado, que um dia vai fechar os cinco. Por enquanto tá o Marcelo Jeneci e tá massa.

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