Durante a passagem do Friendly Fires pelo Brasil, fiz um clipe não-oficial de “Jump In The Pool” no Circo Voador, com o Tiago Lins e o Daniel Ferro. E só agora ele aparece por aqui. Na edição o áudio é o da gravação original porque o ao vivo não ficou bom.
Infelizmente não pude comparecer ao Circo Voador para exibição do “Dub Echoes”, antes do show do Matisyahu no último sábado. O Alexandre Rolinha, produtor da casa, contou como foi:
“Deu tudo certo, o doc é excelente, realmente foda! Ainda mais que equalizamos o som adequadamente e os graves bombaram no P.A. Quem compartilhou dessa opinião foi o proprio Matisyahu, que ficou assistindo junto com o povo presente. Tentaram até pedir um autógrafo no meio da sessão pra ele, mas ele meio que pediu pra deixar pra depois, que ele queria assistir o filme. Quando começou era muito cedo, devia ter umas cinquenta cabeças, mas quando acabou já devia ter umas duzentas e cinquenta.”
Nem sabia que a exibição seria dentro da tenda. Pena que perdi, parece ter sido muito bacana.
Indignados com a diferença de tratamento dada as pessoas na entrada dos bancos, o Circo Voador produziu esse vídeo para apoiar o seu Manifesto Porta Na Cara.

Nação Zumbi no Circo Voador
foto: leojorge
Num final de semana disputado, repleto de shows internacionais em São Paulo (com os festivais Planeta Terra e Maquinária), Belo Horizonte (festival Eletrônica) e mesmo no Rio (Ellen Allien na Moo), um dos melhores programas não foi exatamente uma novidade: Nação Zumbi no Circo Voador.
Som redondinho, graves pesados, repertório infalível e casa cheia. Não tinha como dar errado.
Com o Circo abarrotado para ouvir um dos discos mais importantes da música brasileira, “Da Lama Ao Caos”, ser tocado na íntegra e na ordem, pintou até um elemento surpresa. Não se pode chamar exatamente de pontualidade, já que estava marcado para as 22h, mas um show no Circo começar as 0h30 merece comemoração.
“Rio 40 graus, quem não aguenta passa mal”, cantou o guitarrista Lúcio Maia, citando “Terremoto”, do Turbo Trio. Originalmente a letra fala em 50 graus, temperatura mais próxima da realidade.
Em meio a suadeira intensa, a banda foi saudada com uma adaptação do canto da torcida do Flamengo para o goleiro Bruno (”Puta que pariu / É a maior banda do Brasil / Nação!). “Só se for porque tem oito caras no palco”, brincou Jorge Du Peixe.
Além da formação original, Fred Zero Quatro, pedra fundamental do mangue beat e figura central até mesmo no disco da Nação em questão, participou de quase todo o show, curtindo justamente a celebração. Seu Jorge e Pitty também deram canja.
O Circo Voador e da Nação Zumbi tem histórias paralelas que se confundem. Como a própria banda ressaltou, eles evoluíram junto com o espaço.
De uma tenda na Lapa, o Circo passou a melhor casa do Rio, com direito a uma longa crise, quando a casa foi fechada. De uma novidade em “Da Lama Ao Caos”, a Nação tem hoje o show mais poderoso do Brasil, sem esquecer do baque que foi a perda de Chico Science.
De onde uma banda que canta que “computadores fazem arte” e que “os artistas pegam carona” foi parar no centro de uma confusão sobre compartilhamento de arquivos na internet é difícil de entender. A julgar pela molecada que comparecu ao circo, a rede criou as carreiras e os artistas levam a fama. Felizmente.
O que fica muito claro vendo a celebração desse disco (não que já não fosse) é que a banda não é só o Chico Science. ÓBVIO que ele foi elemento catalisador, a liga de tudo, porém o discurso musical e sonoro do manguebit é tão importante quanto as letras.
Tanto é assim que não apenas a banda continuou tocando após a morte de seu líder, como não se esconde de mostrar as músicas desse disco e de “Afrociberdelia”. E não tem medo de dar sequência a festa com material feito após o trágico acidente que matou Chico.
Mais do que celebrar “Da Lama Ao Caos”, o show comemorativo dos 15 anos de seu lançamento exaltam a própria Nação Zumbi. Apesar do clima nostálgico, é pra frente que se anda. Poucos sabem disso tão bem quanto eles.
Circo Voador
Cidadão Instigado - show de lançamento do “Uhuuu!”
abertura: Júpiter Maçã
24 de outubro (sábado)
22h
R$ 40, R$ 20 (estudante)
Franz Ferdinand: entrevista sobre Circo vs The Week
vídeo e fotos: URBe
A passagem do Franz Ferdinand por São Paulo tinha como objetivo promover a turnê que o grupo fará pela América do Sul em 2010. Ao decidirem fazer um show fechado e escolherem a pequena The Week como palco, um elefante branco surgiu.
Não era o assunto principal — esse era como conseguir um ingresso — mas devido as semelhanças de condições (como a lotação de pouco mais de 1.000 pessoas), começou-se a falar em um repeteco do clássico show da banda no Circo Voador, em 2006.
Muitos do que estavam no Circo naquela noite dizem ter sido um dos melhores shows de suas vidas. A própria banda concorda, tendo citado diversas vezes em entrevistas esse como o melhor apresentação da história deles. Entrou num panteão além da realidade, imbatível portanto.

Por todos esses motivos a comparação seria tão desnecessária quanto injusta. Mesmo porque, passado três anos, há um terceiro disco no catálogo dos escoceses, o repertório mudou. Se bem que com a qualidade do “Tonight”, esse poderia ser o fator crucial.
Sem se preocupar com nada disso, o Franz Ferdinand simplesmente aproveitou e curtiu o momento, assim como os sortudos que conseguiram conferir uma apresentação tão especial. A pegada mais dançante do que rock das novas músicas caíram bem na The Week, ajudadas por um som redondinho, pecando apenas pela bateria um pouco baixa. Bem diferente do Coachella desse ano, ao ar livre e de dia.
Uma das poucas bandas de sua geração que não apenas conseguiram se estabelecer, mas também crescer, o Franz Ferdinand tem como trunfo um excelentes shows. Mostraram isso em suas visitas anteriores ao Brasil e dessa vez não foi diferente.
Em março eles voltam pra fazer tudo outra vez.
Segundo relatos, a turma do Beirut anda tomando todas pelo Brasil e agora, depois de tudo apalavrado, ameaça dar pra trás no show extra que fariam no Circo Voador alegando cansaço.
A casa organizou um abaixo-assinado para tentar fazer o líder da banda, Zach Condon, mudar de idéia e confirmar o show.
Curumin e Guizado no Circo Voador.
Friendly Fires, “In The Hospital”
vídeo: Carol*
“Superou todas as expectativas” é um clichê que pode ser usado pra falar de qualquer show. No caso da apresentação do Friendly Fires no Rio a definição se aplica muito bem — e isso não tem nada a ver com o fato de grande parte das pessoas ter ido ao Circo Voador sem saber muito o que esperar.
Se baixas expectativas são o combustível para uma grande surpresa, os ingleses fizeram sua parte. Confirmando a fama de bons de palco, os ingleses sacudiram a tenda sem parar com ótima presença de palco, principalmente do vocalista Ed MacFarlane, requebrando sem parar.
O legal do Friendly Fires é que mesmo para quem não conhece mais do que duas músicas (”Paris” e “Skeleton Boy” para maioria), ao vivo o som funciona como um bom DJ set, onde mesmo sem conhecer as músicas, as pessoas dançam sem parar.
Diferente das outras apresentações (foi a sexta vez que vi a banda), havia metais no palco. Pra ficar 100% falta só um tecladista pra tocar ao vivo as bases pré-gravadas em Mini Disc.
Era o show certo no lugar certo. O novo Circo Voador da sequência a própria tradição e vai se firmando como uma casa de shows clássicos. E a lista só faz crescer. A escolha foi um grande acerto da produção do Popload Gig, surpreendentemente priorizando o Rio no lugar de São Paulo, ao colocar o Friendly Fires em pleno sábado na cidade.
Após o show, o vocalista disse que “o público foi dez, mas a banda foi 6,5″. Não deu pra saber bem de onde ele tirou isso. Uma coisa é certa: ninguém saiu de lá com essa impressão.
Eles parecem não estar muito por dentro de tudo não… Hahaha!
Friendly Fires, “Paris” e “Jump In The Pool” ao vivo no Jools Holland
Sábado é dia de Friendly Fires no Circo Voador, show imperdível, esteja avisado.
O organizador da bagunça, o grande Lúcio Ribeiro oferece um par de ingresso para sorteio. Para levar basta ser o oitavo a responder uma pergunta simples: quantos shows do Friendly Fires foram resenhados aqui no URBe?
Uma dica: no total cinco foram presenciados, mas não escrevi sobre todos.
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ATUALIZAÇÃO: os ingressos continuam em aberto! Houve um problema com a mecânica do sorteio, o que criou um problema apontado pelos concorrentes, já resolvido. Tudo explicado nos comentários. Promo encerrada.
Friendly Fires espremidos dentro de um banheiro após um show
em Londres, em entrevista exclusiva para o URBe (fev/2008)
A notícia tá rolando há algumas semanas já, mas esqueci de comentar por aqui: dia 15 de agosto tem Friendly Fires no Circo Voador, parte da versão carioca do paulistano Popload Gig 2, festival organizado pelo camarada Lúcio Ribeiro. Imperdível, mesmo, de verdade.
“Paris”, Friendly Fires
The Skatalites, “Guns of Navarone”
vídeo e fotos: URBe
O Circo Voador estava cheio, com cerca de 700 pessoas, supreendendo até os produtores do show e assim que as primeiras notas de “Occupation” soaram,começou uma pulação que duraria quase duas horas proporcionada pelo lendário The Skatalites, precursores e catalisadores do Ska.
Sempre exaltando Coxsone Dodd e o Studio One, casa da banda, os jamaicanos fizeram um show preciso, sem uma nota fora do lugar, perfeito, mesmo com arranjos complicados, viradas e quebras de andamento de entortar as costas.
Isso não quer dizer que soem mecânicos ou burocráticos, pelo contrário, os longos improvisos ressaltam as origens jazzísticas da banda. Fosse o tema do James Bond, o riddim Real Rock ou em “El Pussycat”, algumas das frases de metal mais reconhecíveis da música garantiram a alegria da rapaziada.
Teve um momento estranho, quando levaram um reggae com os temíveis iô iô tão comuns por aqui. Ainda bem, passou rápido. O que fica na lembrança mesmo são transes coletivos como o provocado por “Guns of Navarone”.

Cedric IM Brooks a la mano esquierda
+ fotos no Flickr do URBe
Uma das maiores chateações durante a produção do “Dub Echoes” foi ter ficado um bom tempo sem vontade de ouvir música jamaicana. Por um período, ouvir dub lembrava trabalho em horas não apropriadas e isso não foi legal. Mas passou (ou tá passando).
Finalmente poder ver o lendário relembrou porque os sons da ilha são tão especiais. Mesmo desfalcado dos principais fundadores — que já subiram há algum tempo (Tommy McCook, Rolando Alphonso, Don Drummond e Jackie Mittoo, pra citar alguns) — mas com Cedric IM Brooks (do obrigatório “& The Light of Saba”) na escalação .
Uma noite e tanto. Como se fosse fazer as pazes.

Circo Voador
foto: DaniMaia
Os comentários do texto do Alexandre Rolinha, produtor do Circo Voador, sobre o show do Radiohead e do Sonic Youth no Chile transformaram-se uma boa discussão sobre o estado atual da produção cultural no Rio. Entre outras pérolas, Rolinha soltou essa aqui:
“A função do promotor é juntar a fome com a vontade de comer, mas não dá pra gente ficar dando comidinha na boca do público que tá com as mãos ocupadas coçando o saco.”
Uia.
Enquete: se o figuraça Sebastien Tellier pintasse pelo Rio para um show, digamos, no Circo, você acha que daria público?
MSTRKRFT, “Bohemian Rhapsody” em SF
Produtor do Circo Voador, Rolinha estava em São Franciso na semana passada e conferiu os brasileiros do The Twelves, Simian Mobile Disco e MSTRKRFT por lá. Voltou impressionado com a recepção que a dupla de Niterói está tendo em sua turnê nos EUA e escreveu um relato especial para o URBe.
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Semana passada três duos de ponta do que eu suponho, sei lá, seja uma vertente do maximal, se apresentaram em São Francisco: Simiam Mobile Disco no Mezaninne, The Twelves no 103 Harriet e MSTRKRFT no Independent.
Geralmente não vou ver artistas brazucas na gringa, porque posso ver no Braza, mas no caso do Twelves é diferente. Nunca consigo curtir os shows deles porque geralmente estou trabalhando no show e queria ter uma perspectiva do que eles são atualmente. E vou dizer, tive que tomar uma boa distância, porque os caras estão ficando grandes lá fora!
Senti logo quando fui convidar uma mina irlandesa que mora lá pra ir ao show e não precisei nem gastar muita lábia. Bastou falar o nome da banda que ela topou. Quando cheguei lá, tinha muito mais gente que eu esperava.
Durante a abertura do Shadow Dancer deu pra observar a platéia: nenhum patrício. Quando eles entraram, ninguém gritou “toca Raul”, então não tinha nenhum brazuca mesmo. Os caras foram recebidos com urros e em minutos aquilo virou um fervo!
De repente olho pro palco e tem umas seis mulheres se agarrando na frente dos niteroienses, um show de lesbianismo explícito! Quando rolou o remix de “Boyz” (M.I.A.) os hormônios entraram em combustão. Parecia show no Circo! O segurança tirava do palco e elas invadiam de novo. Mesmo quando rolou uma pane no sistema, a temperatura não baixou.
Quando tocou o remix de “Reckoner” (Radiohead), o povaréu so faltou acender isqueiros. Na verdade teve um maluco que acendeu aquela app do IPhone que imita um isqueiro, muito útil em shows do Scorpions. Foi consagrador, noite perfeita!
Chamou a atenção o Simiam ter tocado num lugar menor do que o do Twelves, mas foi animal. Ao contrário do acento funky do duo de Niterói, eles pegaram muito mais pesado. Não tocaram a versão do Justice da sua “Never be alone” — agora mais conhecida pelo nome do remix, “We Are Your Friends” — e ninguém pediu. Aliás, nem sei se eles tocam essa música ao vivo. Além de surdo, sai de lá meio cegueta de tanto estrobo
Já cheguei na porta do Independent, munido do maior desgosto do mundo, pois sabia que estava esgotado. Mas como sou brasileiro e não desisto nunca, fiquei lá passando frio até ter uma notícia positiva. Depois de uma hora, já era melhor amigo do chefe da segurança que me confidenciou que iam abrir pra vender mais uns ingressos em breve.
Cheguei pra um grupinho na porta que estava na mesma expectativa e dei a boa nova. Antes de entrar ficamos trocando idéia na fila e o assunto principal era o show do Primal Scream com o Brian Joneston Massacre no dia anterior. Até que alguém tocou no nome do Twelves e esse virou “O” assunto. Todos haviam estado lá, menos um casal que não pode ir, mas ia ver em Austin, no South by Southwest.
Fiquei de cara com a moral dos malucos. Entramos lá a tempo de vermos o MSTRKRFT entrando num set composto por três telões de plasma, com imagens da Bettie Page spanking uma outra mina.
Começaram com “Bounce. Chorei! Daí pra frente não parei de quicar, que nem um feijão mexicano. Rolou “Work on You”, o remix de “D.A.N.C.E.” (Justice), “Fist of God” até o magistral encerramento com “Bohemian Rhapsody”, do Queen! Em uma palavra: épico.
Little Joy, “The next time around”
(em 00:40, no meio da tela, Camelo cantando)
vídeo e fotos: URBe
Mais uma sexta-feira, mais uma ida a Lapa. Como ia dizendo outro dia, o bairro anda a um zilhão por hora. Dessa vez a atração principal da noite era o Circo Voador, onde tocou o Little Joy, “projeto paralelo de Rodrigo Amarante (Los Hermanos) e Fabrizio Moretti (The Strokes)”, aparente sobrenome da banda.
É o típico evento que no Rio vira um programa, a famosa boa da noite. Na platéia, tinha de tudo; de indies conhecedores de cada integrante aos perdidos; de quem só ouviu falar do LJ a gente gritando “gostoso” para Amarante. É, os fãs do Los Hermanos não são mole não.
Em muitos aspectos a histeria e empolgação do show realmente lembrou as apresentações dos barbudos. Sem falar que músicas como “Keep me in mind” (uma variação acelerada de “O Vento”?) bem poderiam ter saído do repertório do LH.
Na festinha após o show, o baixista gente boa Todd Dahlhoff (Dead Trees e parte do projeto paralelo de outro Strokes, Albert Hammond Jr.) contou que a banda estava preparada para isso, pois Fabrizio já havia alertado que o galego (apelido de Amarante entre o LJ) era grande no Brasil.

Atenção para o horário do início do show. No Circo. Inacreditável!
O que não foi nada, nada comum, foi o respeito aos horários marcado para os shows (ALELUIA!). As 23h30 o Cidadão Instigado já encerrava sua apresentação para os poucos que acreditaram e chegaram na hora. Precisamente as 00h27, o Little Joy pisava o palco, numa cena quase impossível de acreditar em se tratando de Rio ou de Circo Voador.
Antes disso, no momento vergonha alheia da noite, um rapaz anunciou ao microfone que um DVD estaria sendo gravado, quem não concordasse em aparecer que fosse “lá para atrás”, fechando com um constrangedor “é Little Joy no bagulhôu!”. Foi merecidamente vaiado.
Muita gente perdeu o show, basicamente por três motivos. Uns bobeaream e ficaram sem ingresso; outros chegaram atrasado por conta do trânsito infernal na Lapa e arredores (embora alguns culpassem a pontualidade, o que não deixa de ser irônico); e o pior caso: gente que comprou ingresso, chegou a tempo mas não conseguiu ver o show por conta da indesculpável super lotação da casa. Uma mancada e tanto, numa noite de acertos.
Feliz, depois de tanto tempo sem tocar no Brasil, Amarante estava visivelmente contente e não cansava de agradecer, cumprimentar rostos conhecidos na platéia e dizer como era bom estar de volta em casa.
No entanto, era Fabrizio Moretti, aparentemente doidaralhaço, quem ganhava os holofotes. Com algumas frases desconexas, danças bizarras e declarações populistas como “quem está muito feliz? Eu estou muito feliz, sabe porquê? Por causa de vocês!”, divertiu o público.


Sergio Mendes vs Noah Georgeson (foto: Carlie Armstrong)
O resto da banda estava mais na deles. O guitarrista (e produtor do disco) Noah Georgeson chamava mais atenção pela semelhança física com Sergio Mendes, apontada por João Brasil (perguntado, Noah disse que nunca tinha escutado isso antes, sabe-se lá como), e a vocalista Binki Shapiro, apagadinha, protagonizou os momentos fofos. O baterista Matt Romano se destacava pela técnica e pela precisão monstruosa.
Brand new Anna Julia?
A arquibancada estava cheia de amigos de Amarante. O parceiro Camelo, o produtor Kassin, dois terços do Do Amor, Pedro e Jonas Sá, Nina Becker e Vanessa da Mata cantarolavam as músicas. Nesse contexto brazuca, a música com maior potencial de hit do Little Joy, “Brand new start”, ganhou uma nova perspectiva.
Não tinha notado o quanto a pegada, as referências e até a estrutura da canção do Amarante — apesar do andamento bem mais lento e arranjo suave — se assemelha ao grande sucesso do LH, “Anna Júlia”, de Camelo. O “uô uô uôu” que encerra uma e o “oh, no” que fecha a outra escancaram as semelhanças.
Assim como o disco, o show foi bem curto. Tirando uma versão bem apropriada de “This time tomorrow”, do Kinks (”música que todos nós gostamos muito, explicou Amarante), outra de “Walking back to hapiness”, da Helen Shapiro, e uma música nova do LJ, nada foi acrescentado.
Moretti puxa o coro do público: “Último romance” (Los Hermanos)
Show encerrado, até então não havia tocado nenhuma música do Los Hermanos. Isso até Fabrizio ir ao microfone e começar a cantar “Último romance”, iniciando um coro gigantesco, que um encabulado Amarante acertadamente decidiu apenas ouvir e não acompanhar. Fabrizio ria sem parar.
Com esse final, é de se imaginar que o show do Circo tenha sido o ápice da turnê. Os intengrantes disseram que Porto Alegre e Belo Horizonte também foram memoráveis. Apenas São Paulo decepcionou, pela recepção muito fria.
Como suas atividades em seus projetos principais demanda muito tempo dos integrantes (Fabrizio entra em estúdio com o Stokes no mesmo dia que chega de volta aos EUA), a gravação de um DVD na penúltimo data da extensa turnê ( que se encerrará em Recife e viu a banda atravessar os EUA e passear pela Europa tocando em pequenos clubes) dava pinta de final de festa.
O baixista, Todd, afirmou que não é nada disso. A banda continua e tem até músicas suficientes para um segundo disco, que deve vir logo, logo.
Enquanto o disco não vem e a banda não define seus destino, resta a internet. Menos de 12 horas depois, o show estava inteiro no YouTube, filmados de diversos ângulos. Só que ao vivo, é claro, é muito melhor.

Cidadão Instigado, com a participação de Rodrigo Amarante (a direita da foto)
foto: Caroline Bittencourt
Continuando com a moda de anunciar shows de abertura tão bons ou melhores que a atração principal, acaba de sair a notícias de que quem abrirá o show do Little Joy no Rio, dia 06 de fevereiro, será o Cidadão Instigado. Nada mal.
URBe TV: video-entrevista com Kele Okereke e fotos
O Bloc Party tem a fama de fazer shows mornos. Foi assim no Coachella, disseram que foi assim em São Paulo e tinha tudo pra ser assim no Rio.
Só que o Rio não é conhecido do jeito que é a toa. Não é por acaso que trocentos bandas escolhem a cidade para os seus DVDs “live in Rio”.
As baixas expectativas e despretensão também devem ter ajudado para o sucesso da noite, assim como a boa organização.
Em plena segunda-feira, a combinação de ingressos a preços justos (R$60 doando um quilo de alimento, o que é uma iniciativa bacana), pontualidade (o show marcado para as 22h começou as 23h, praticamente final de tarde para os padrões carioca) e som bem passado foi infalível.
Dependendo do que se espera de um show do Bloc Party, pode ou não ser uma decepção. Tocando num lugar pequeno e apenas para o seu público, os ingleseses mostraram que dão conta. Quem foi apenas para ouvir o que eles tinham pra apresentar, se divertiu bastante.
As músicas do novo disco, “Intimacy”, ajudam bastante a dinâmica do show, com momentos de experimentação com equipamentos e eletronices que distanciam o Bloc Party do seus contemporâneos da tal cena “rock dançante”.

Kele atende os fãs após o show
O show, que terminou com um coro de “Rio! Rio! Rio!”, foi uma tremenda dose de auto-estima para cidade. Bom, pelo menos para quem estava lá.
* já botaram o show INTEIRO no YouTube, filmado da beira do palco.
Kele Okereke canta:
“Hoje eu fui a praia
Eu fui a praia no Leblon…”
Contrariando todas as expectativas, o Bloc Party fez um show avassalador nessa segunda a noite, no Circo Voador.
Já tinha visto uma vez, em 2006 no Coachella, e tinha achado frouxo. Quem viu em São Paulo nesse finde também comentou que foi morno.
No Circo Voador não. O negócio foi sério. Som bom, pontual, invasão de palco, roda de pogo, coros, três bis, sessão de autógrafos e fotos pós show e uma mini-entrevista.
Tudo filmado, logo mais coloco aqui. Tava com saudades do Circo.
Bloc Party no Circo Voador.

foto: boghob
Uma dica antológica: vazou o MP3 do show do Justice no Rio de Janeiro, semana passada.
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