16 de julho de 2010 às 11h05
Olho na Copa



A sessão The Big picture do jornal Boston Globe é sempre fantástica e a seleção da Copa do Mundo não ficou atrás — clique para ver as imagens bem grandes, como sugere o título.



A sessão The Big picture do jornal Boston Globe é sempre fantástica e a seleção da Copa do Mundo não ficou atrás — clique para ver as imagens bem grandes, como sugere o título.

Possivelmente, as vuvuzelas, a Jabulani e o polvo Paul são os três personagens mais emblemáticos da Copa do Mundo da África do Sul. Num evento em que, do sorteio dos grupos a apresentação da taça, cada detalhe tem tratamento requintado de marketing, é admirável que assuntos paralelos ao jogo tenham dominado o imaginário popular mundial durante os 31 dias do maior evento esportivo do planeta.
A culpa não foi do futebol sofrível da primeira fase, principalmente porque na segunda a competição embalou. Na primeira Copa do Twitter e do Facebook (talvez a última, pois sabe-se lá o que inventarão até 2014), o público se manifestou e interagiu como nunca. Se as tomadas em super câmera lenta, um marco na transmissão esportiva, não deixaram nada escapar, os espectadores foram ainda mais implacáveis.
Antes do início da competição, o álbum de figurinhas centralizou as atenções e forçou os colecionadores encontrarem-se pessoalmente para trocar os cromos auto-colantes – essa não dava pra resolver por e-mail. Falou-se mais de qual figurinha faltava pra completar o album do que das ausências na seleção do Dunga.
A campanha da Nike, com Robinho, Cristiano Ronaldo, Canavarro, Drogba, Rooney e Ribery, foi bastante comentada, ofuscando a da Adidas, menos emocionante, mesmo com Daft Punk num cenário do “Guera Nas Estrelas” Star Wars e presença de Snoop Dogg, Oasis e David Beckham. No final, provou-se uma maldição conforme os craques foram escrevendo o seu futuro: um bilhete de volta pra casa mais cedo.
Isso era só o começo, e veio de fora para dentro, das empresas para a massa. Foi quando a bola rolou que surgiram as manifestações mais interessantes, ilustrando o poder do público na geração de conteúdo. Toscas, rebuscadas, quase sempre bem-humoradas, espalharam-se pelas redes sociais, demonstrando o apelo pop da Copa.
Logo no início da Copa o “cala boca Galvão” não saiu dos trending topics mundial do Twitter, a lista de assuntos mais comentados na ferramenta. Aproveitando que no resto do planeta ninguém conhecia o narrador, inventou-se ser uma campanha para salvar o pássaro Galvão, em extinção no Brasil, e o mundo comprou e espalhou a ideia, mantendo o assunto vivo por dias e dias. Assim, o que se tornou conhecida como a maior piada interna da história serviu de largada para as brincadeiras.
A polêmica Jabulani, carinhosamente chamada de Jaburu, foi eternizada na narração do Cid Moreira e seu assombroso “Jabulaaaaaani!”, tornando-se gíria para algo estranho ou fora do normal. Grande vilã da Copa, as vuvuzelas foram as campeãs de reclamações, pipocaram guias informais de como neutralizar a frequência das cornetas no áudio dos televisores. Mesmo assim, o YouTube criou um botão que possibilitava vuvuzelizar qualquer video durante a Copa.
No Twitter o instrumento ganhou representação gráfica: ====<0. A rede de mensagens instântaneas também criou uma página especial para o evento, além de uma série de hashtags especiais, como #bra para publicar a bandeira do Brasil ou #worldcup para gerar uma bola de futebol.
A paraguaia Larissa Riquelme ganhou fama após utilizar os próprios seios como suporte publicitário de companhia celular. Após saltos teatrais na partida contra o Brasil, o holandês Arjen Robben estrelou um meme (uma imagem cujo conceito inicial é repetido exponencialmente, adquirindo significado próprio) baseado numa foto em se encolhia além da conta depois de cavar mais uma falta. Apelidado de Robben Jabulani, apareceu em dezenas de montagens em forma de bola, hora no papel de Sonic (protagonista de um videogame que rola em vez correr), hora sendo enterrado por um jogador de basquete. Ou até mesmo entre os seios de… Larissa Riquelme.
O vídeo com a reação de americanos ao redor do mundo ao gol de Donovan nos acréscimos da partida contra a Argélia, garantindo a vaga dos EUA nas oitavas de final, mostrou que os americanos começam a entender porque um gol vale mais que mil cestas. Feito a partir da combinação de imagens geradas por diversos usuários, passou dos dois milhões e meio de exibições. Só não emocionou mais que o do goleiro espanhol Iker Casillas beijando sua mulher, a repórter Sara Carbonero, ao vivo, momentos após se tornar campeão do mundo. No final, o amor prevaleceu e Mick Jagger foi consagrado como um grande pé-frio.
A próxima Copa é no Brasil. Mesmo ainda faltando quatro anos, os personagens polêmicos já deram as caras. Diz aí, essa logomarca da Copa de 2014, um face palm do Chico Xavier, é feia ou não é?
Dá gosto de ver. E o mestre de cerimônias, nessa pilha toda, é o terceiro goleiro Pepe Reina. Imagina os titulares.
Lembra a comemoração do Brasil em 2002. Cada um com seu Vampeta.
olha o tanto que o Galvão envelheceu em oito anos
Dale España! A vitória do futebol bonito.
Pra quem não entendeu o vídeo acima, explico: após a final da Copa, o goleiro Iker Casillas foi entrevistado por sua namorada, Sara Carbonero, conhecida repórter de uma rede de TV espanhola. Muitos culparam a relação dos dois por uma suposta distração do goleiro no gol sofrido na bisonha derrota para Suíça, quando ela estava atrás da balisa.
Pois bem, no final da entrevista após o título, ao vivo, o capitão começa os agradecimentos:
Casillas: Agradeço as pessoa que me apoiaram sempre, aos meus pais, meu irmão… (engasga com o choro)
Sara: Tudo bem, vamos falar um pouco do jogo e depois…
Casillas interrompe a namorada, fazendo o sinal de “não” com o dedo.
Sara: Não?
Smack!
Começou com essa imagem:

E então embalou:

Imagens tungadas do Uhull, por preguiça de subir tudo de novo.
Tem mais essas também:
Um ano antes do início do Mundial, o selo irlandês Indiecater Records convidou diversas bandas para criarem um tema para cada uma das seleções que disputariam a Copa da África. O resultado é a coletânea “Fast Forward, an indie music compilation to South Africa 2010″, que pode ser escutada de graça online.
A da Espanha chama-se “Vamos A Ganar El Mundial”. Domingo a gente vê como ficou.
Fica a pergunta: qual tecnologia ou super câmera corrigiria essa injustiça contra Gana?
Os africanos foram punidos pela falta de esportividade do uruguaio Suárez, que tirou com a mão uma bola que estava entrando no gol, no último lance do jogo e que determinaria a vitória de Gana.
O juiz marcou pênalti e expulsou o uruguaio. O peso do mundo recaiu sobre as costas de Gyan, obrigado a REFAZER o gol que já estava feito. O cara tremeu e deu no que deu: o infrator se deu bem.
Se o argumento pró tecnologia é evitar injustiças, esse lance trouxe muito sobre o que se pensar. Sim, a punição aplicada está dentro da regra, mas apenas porque ela não prevê uma distorção desse tamanho.
Talvez fosse o caso de se criar um dispositivo na regra que permitisse ao juiz validar um gol numa situação dessas, o que certamente geraria mais e mais discussão.
O lance foi uma das maiores injustiças das história do futebol e mancha o esporte mais do que o erro de um juiz que não vê uma bola entrar.
Se liga, Seleção!
Hoje é dia pra torcer para a “Maldição da Campanha da Nike” não atacar o Brasil.
A propaganda da Nike exaltando os craques que patrocina não deu muita sorte. O italiano Canavarro, o francês Ribery, o inglês Rooney, o marfinense Drogba… Todos se foram dessa Copa pela porta dos fundos.
Tem ainda o português Cristiano Ronaldo titubeando e o holandês Sneijder sem impressionar (que não resolva brilhar contra o Brasil). Sim, a maior parte deles iria mesmo perder, pois há apenas um campeão. Só que a turma foi embora devendo, muito.
“Ah, mas o brasileiro que aparece é o Ronaldinho Gaúcho, ele nem tá na Copa”. É verdade. Mas o Thiago Silva está lá, de relance, e o Robinho teve um segmento individual divulgado na internet.
Parece que a Adidas é que tava certa, ao manter uma certa distância emocional do assunto em sua peça publicitária.
O festival de erros de arbitragem dessa Copa vai esquentar a discussão sobre o uso de novas tecnologias para evitar equívocos.
Se tecnologia bastasse para tratar as subjetividades do jogo… Aliás, quem tem certeza que isso seria bom para o esporte? Os juízes utilizam cronômetros há décadas e até hoje o tempo de bola corrida está longe dos 90 minutos.
A meu ver, essas questões fazem parte do jogo, literalmente. A FIFA se opõe, veementemente.
E você, é a favor ou contra?
O segmento do Robinho não-incluído na versão principal da campanha da Nike para Copa do Mundo.
E os EUA começam a entender o futebol. Com o acelerado processo de latinização da população, somada a incomparável estrutura para esportes do país, os EUA podem eventualmente se tornar uma potência do futebol. Falta eles gostarem.
Dica do @lucasbori.
A versão remix do hip hop gospel boladão do Pregador Luo-Apc16 em homenagem ao Kaká, tuitado pelo próprio.
Cumprindo a risca o seu projeto de um mashup por dia, João Brasil tem bancado o The Flash. Primeiro foi a colagem feita com a versão 2010 de “Umbabarauma” (Jorge Ben) e “Uma Partida de Futebol” (Skank) assim que a releitura saiu.
Na quarta, no mesmo dia que a Comunidade Ninjitsu lançou “Funk da Vuvuzela”, João juntou com a com a suposta música da Lady Gaga para a campanha para salvar os Galvão birds e montou a sua “Cala Boca Vuvuzela”.
A Copa começou e CALA A BOCA GALVÃO não sai dos trending topics mundial do Twitter. Aproveitando que no resto do planeta ninguém conhece a chatice do nosso narrador, a gaiatice brasileira disparou. Até o Paulo Coelho tá tuitatndo sobre isso.
Inventaram uma campanha para salvar os Galvão bird, em extinção no Brasil. Rola também que “Cala A Boca Galvão” seria a nova música da Lady Gaga. O pior é que ambas as versões estão se espalhando.
E a brasileirada ixperta se diverte pregando peças nos gringos ingênuos.
A Adidas tentou forçar uma avalanche de referências pop em seu anúncio para Copa do Mundo. Tem que correr muito atrás pra chegar perto do feito pela Nike.

Pelé, o Edson Arantes do Nascimento
O fotógrafo Michael Donald clicou 34 dos 55 homens que já marcaram um gol numa final de Copa do Mundo — todos os que estão vivos. Os atletas foram registrados tendo suas próprias cidades como cenário e os encontros também geraram mini-docs para uma série “I Scored A Goal In The FIFA World Cup Final”, que serão exibidos na ESPN durante a Copa. Assista o trailer e os depoimentos de cada jogador.
Via Eduardo Hunter Moura > Guardian.
Essa camisa de protesto contra a chuva de volantes sa Seleção convocada para Copa da África começou como uma piada do designer Felipe Guga aqui no URBe, agradou e gerou um monte de pedidos de compra. Então…
A camisa perfeita pra torcer pela seleção do Dunga na Copa, uma verdadeira homenagem ao futebol arte, ganhou o mundo real.
Felipe Guga mandou fazer uma leva das blusas, Tiago Lins fotografou a Krystal Gayoso (recrutada no Bar do Pires, em frente a PUC-RJ) e o Rogério Boechat e o resultado foi pro Tumblr (tem mais fotos lá).
As fotos se espalharam rápido e em questão de minutos estavam em lugares tão improváveis quanto o FuckYeahBrazilianGirls.
Quem quiser garantir uma, custa R$ 35 e o canal é escrever para camisasdacopa2010@gmail.com
Os próximos lançamentos estão na fila:
Maior personalidade de Portugal, meu xará Bruno Aleixo analisa o “chiclete” brasileiro em seu programa especial Copa Aleixo. Também já analisou nossos outros adversários, Costa do Marfim e Coréia do Norte. Só falta a seleção portuguesa.
Cultura digital, música, urbanidades, documentários e jornalismo. Não foi exatamente assim que começou, lá em 2003, e ainda deve mudar muito. A graça é essa.
Documentarista, jornalista, carioca, boto som mas não sou DJ e provavelmente passo tempo demais online.
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falaurbe [@] gmail.com
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