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Arquivo: cultura digital

Os perigos de se digitar caminhando

Papo sério.

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SOPA congelada!

O presidente Obama tesourou o projeto de lei para combater a “pirataria” digital (e tome aspas) e a SOPA está parada. Porém, o assunto não está encerrado, longe disso.

Leia a carta aberta do Pirate Bay criticando e contextualizando a SOPA e a PIPA pra entender melhor porque as restrições propostas pela lei não fazem sentido – sobretudo por conta de quem são os solicitantes.

 

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Transcultura # 065: Pipo Perogaro, Bixiga 70 // Julio Bashmore


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Retomando a coluna depois de uma breve pausa, meu texto da sexta passada da “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Intercessões:  Pipo Pegoraro e Bixiga 70
por Bruno Natal

Envolvido com música desde cedo, trabalhando em estúdios e compondo, Pipo Perogaro fez tudo sozinho em seu primeiro disco, gravando todos os instrumentos. Trabalho solo levado ao pé da letra,”Intro” teve pouca repercussão. No segundo disco, optou por outra estética, buscando uma sonoridade coletiva, tendo como referência Gilberto Gil, Itamar Assumpção e – muito importante, você já saberá porque – Fela Kuti. Co-produzido por Bruno Morais (músico paulista do bom “A Vontade Superstar”), o segundo disco, “Taxi Imã” teve o efeito que o primeiro disco não teve: colocou o groove-bossa-afro-dub do Pipo no mapa.

Para além das composições e da produção, muito do apelo do disco está nos instrumentais. Sem saber, Pipo montou um grupo tão bom que pouco depois das gravações esse músicos formaram uma das bandas mais comentadas de 2011, o Bixiga 70, dedicado ao afrobeat (olha a presença do Fela Kuti aí).

- Eu já tocava com Marcelo Dworecki, Décio7, Cris Scabello (baixo, bateria e guitarra, respectivamente) e Daniel a mais ou menos um ano e meio antes das gravações. Quando começamos a pré-produzir o disco, eu e Bruno começamos a pensar nas pessoas que poderiam expressar o som que gostaríamos para as canções. Então, foi espontâneo que a banda “matriz” continuasse e outros músicos que admirávamos, como o Maurício Fleury, Cuca Teixeira, entre outros que hoje formam o Bixiga 70, chegassem para fazer o disco – explica Pipo.

O tecladista do Bixiga 70, Mauricio Fleury, complementa.

- A partir das composições do Pipo, começamos a conversar sobre as influências que transpareciam no trabalho, música latina, africana, brasileira, psicodelia anos 70. O diálogo seguiu após o fim das gravações. Foi quando surgiu o primeiro tema que fiz inspirado nessas conversas, “Grito de Paz”, que já apontava pra essas influências. Convidei o Décio 7 pra gravar baterias e percussão na gravação dessa faixa e ele teve o estalo: “temos que montar uma banda pra tocar esses sons”

A intercessão entre músicos de uma mesma cidade ou circuito em diferentes projetos dá a ideia de uma cena em andamento. Para Pipo, isso é mera consequência das trocas entre os artistas.

- Todos precisamos muito uns dos outros para estabelecer nossas movimentações, aprimorar idéias e para haver um amadurecimento dos trabalhos. Creio ser a troca a grande “moeda” que possuímos. Na maioria das vezes faço a mesa de som dos shows do Bixiga e o Cris, guitarrista, deles, também faz nos meus shows.

Mauricio complementa, destacando que o que importa é criar um contexto para um som instrumental, dançante para o qual ainda não tem referências diretas.

- Estamos num momento muito bom de troca entre os músicos de São Paulo e de fora e é muito legal ver como estamos conectando diferentes estilos. A cada combinação diferente de músicos, uma nova situação vai surgir. É um processo caleidoscópico, que se transforma a cada movimento.

O afrobeat tem surgido como influência forte em algumas novas bandas, tendo inspirado a criação inclusive de projetos dedicados exclusivamente ao som nigeriano, como a Abayomy Afrobeat Orquestra e o Afrika Gumbe, no Rio.

- O nosso interesse não é tocar só afrobeat, menos ainda de maneira ‘tradicional’, o que nós fazemos é seguir o hibridismo inerente ao afrobeat, a fusão de ritmos tradicionais com instrumentos elétricos e a linguagem ocidental do jazz, da música latina, etc. O afrobeat já vem sendo trabalhado de forma subliminar na música brasileira há muitos e muitos anos, no disco Refavela de Gilberto Gil ou no movimento pernambucano manguebit dos anos 90. Nos útimos anos aparece também no trabalho de artistas como Céu, Kiko Dinucci e Criolo. A poliritmia africana está muito presente no Brasil, acaba sendo natural para os artistas aliar essas influências às que nós já temos por aqui – avalia Mauricio.

Pipo concorda e amplia a zona de influência.

- Nessa caldeira musical trasbordante que nosso país possui, grandes mestres, maestros da composição que nos mostram caminhos lindos de percurso e paisagem para desfrutar a atenção à música, não consigo ficar pacato ao ouvir uma música de Gilberto Gil, Pedro Luís, Dorival Caymmi ou Luiz Gonzaga. É nessas pinturas musicais multi dimensionais que humildemente tento caminhar e apreciar a paisagem.

Tchequirau

Nascido e criado em Bristol, na Inglaterra, terra do Massive Attack e de uma cena de graves pesadíssima, o produtor Julio Bashmore faz house filtrado por influências de 2step e UK garage e funky.

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Guia do idiota de como promover sua banda no Facebook

O Everett True escreve o “Guia do idiota de como promover sua banda no Facebook”, aplicável a outras redes sociais e também a comunicação por email. Na canela para alguns, simples etiqueta digital para outros.

O @EduAzedo atendeu a convocação que fiz no Twitter por uma tradução, então agradeça a ele por essa versão em português.

Parece que tem gente que ainda não entende de etiqueta na internet quando se trata de promever sua banda para partes potencialmente interessadas no Facebook. Então vamos ver se podemos dar uma mãozinha, que tal? Muito do que vem a seguir também se aplica a outras plataformas sociais como o Twitter – e também serve para quando estiverem enviando e-mails.

1. Eu não pedi para você ser meu amigo no Facebook

Nem a maioria das outras pessoas, eu suspeito. Então me trate com o devido respeito. Você está aqui porque pediu: muito provavelmente porque viu meu nome relacionado junto com Nirvana ou que eu sou um critico musical conhecido. Então não venha de cara me criticar por coisas que eu faça ou tenha deixado de fazer (muito provavelmente ignorado algum link idiota para material da sua banda). Você está aqui porque escolheu.

2. Meu mural é meu

Se você quer me passar um link para a música da sua banda, faça isso. É bom. Confesso que de 50 a 70 porcento de músicas novas que eu public no Collapse Board vem diretamente de recomendações não solicitadas (frequentemente de pessoas que eu não conheço). Por exemplo, a Música Do Dia 405, 404, 403, 402, 399, 397… e por aí vai. Mas me mande o link numa mensagem, não ponha o link direto no meu mural. Eu não posto links do Collapse Board no seu mural. Sabe porquê? É rude pra caralho, por isso. Além de não me perguntar se eu quero escutar sua música, é também um spam pra TODOS os meus seguidores e amigos. Rude e de uma arrogância imperdoável.

Você que posta um link ou comentário ou o que seja no meu mural sem me pedir, espere que isso seja removido sumariamente – e você provavelmente vai se ver excluído dos meus amigos se eu não te conhecer de fato ou não tiver feito nenhum contato humano antes. (Isto não se aplica pro sujeito que só estiver agradecendo por eu tê-lo aceito como amigo, por acaso) Você deve notar que há links ocasionais e comentários deixados no meu mural que não são meus. Sim, geralmente eles vem ou de pessoas que me conhecem de verdade, ou que tenham estabelecido contato humano. Dificilmente importa o motivo, é a porra da minha escolha. É a porra do meu mural. É minha escolha compartilhar ou não música no meu mural, não sua.

3. Não espere que eu responda

Me parece óbvio, não é? Mas você vai ficar impressionado com a quantidade de gente sem noção que tenta me condenar por isso. Se eu gostar, eu respondo. Se não gostar, não respondo. Simples assim. Você nem está me pagando, você nem me conhece. Você não tem direito algum sobre o meu tempo.

Se isso lhe incomoda, não entre em contato comigo.

4. Se entrou em contato comigo, faça um esforço

E isso não significa escrever um e-mail preliminar dizendo “Gostaria de ouvir minha música?” Não. Porque diabos eu deveria? Mande o link de cara, mas use palavras – explicando porque isto deve me interessar. Eu ouço provavelmente 95% dos links que me mandam – sim, eu sou mesmo ingênuo a ponto de achar que este é um modo de descobrir músicas maravilhosas – mas posso te falar de cara quem são os 5% que EU NÃO LIGO DE ESCUTAR. Aqueles que só dizem “Achei que você deve gostar de escutar isso” (ou o equivalente). Se eles não se importam, porque eu deveria?

5. Pesquise

Se você não lê o Collapse Board você não tem idéia porque deveria me mender música para ser incluída no Collapse Board. É insultante, estúpido e uma grande perda de tempo para todas as partes envolvidas. Se você lê o Collapse Board, então tem uma idéia razoável do tipo de música que eu gosto. Em outras palavras, por favor não encha o saco se suas bandas favoritas são Coldplay e Arts Vs Science, ou se você pensa que os Smashing Pumpkins foram terrivelmente subestimados.

6. Não me adicione no Facebook e simplesmente poste um link com música da sua banda\

É rude pra caralho. Você não me conhece. Então não aja como se conhecesse.

Como Hannah Goligtly escreveu:

“Vamos encarar, é o equivalente online a alguém que você acabou de encontrar, como em “Oi meu nome é Fulano”, e de repente te obriga a fazer um favor a ela e, para ser ainda mais desconfortável, ela faz isso na frente dos outros, tentando te botar contra a parede ou então você acaba passando uma má impressão. São péssimos modos! Poderiam tartar até um ET com um pouco mais de respeito como um ser humano ao invés de tartar como uma máquina com produtos à venda.”

Aqui fica o trato. Tem um problema comigo no Facebook? Não me adicione então.

 

O original está no Collapse Board.

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Transcultura # 063: SILVA // Wado

Meu texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

O doce embalo do SILVA
por Bruno Natal

Esses dias, um EP surgiu na rede e logo chamou atenção. Entitulado apenas “SILVA”, assim mesmo, com tudo em maiúsculas, o link se espalhou pelas redes sociais e a notícia estava dada: tem um artista novo na praça. O nome por trás das faixas é o capixaba Lúcio Souza, 23, terminando a faculdade de violino. As referências eruditas param por aí. As sonoridade mais próximas do lo-fi feito por bandas como Youth Lagoon, Toro Y Moi e El Guincho, música contemplativa, de batidas eletrônicas discretas, pra espreguiçar, e letras em português remetendo a Los Hermanos e Moreno Veloso.

Latest tracks by SILVΑ

- Inicialmente queria um som seco e orgânico, mas aos poucos fui descobrindo um movimento eletrônico com vocal que me agradou bastante. Estava ouvindo o que está rolando na música de vários lugares e quis contextualizar minha música, fazer um som que escapasse um pouco do que eu estava acostumado a ouvir em português. Nessa era da internet não é muito fácil citar todas as influências. Ultimamente tenho ouvido muito os lançamentos da Hemlock, sou fã do Kanye West, gosto de El Guincho, Andrew Bird, gosto da Céu. Gosto de ouvir tantas coisas que não conseguiria apontar uma raíz – explica o Lúcio.

Produzido pelo amigo Lucas Paiva, o disco levou 5 meses pra ficar pronto e todos os instrumentos foram gravados pelo próprio Lúcio, tirando algumas participações. A masterização foi feita por Matt Colton, responsável pelo disco do James Blake.

- Gravei com os instrumentos que tinha em casa: violino, piano, piano elétrico, guitarra, surdo, caixa, sintetizador. O Paiva criou um dos riffs de “Cansei” e em “Acidental”, criou vários elementos e aquele clima embaçado da música. Também convidei um trompetista para gravar as linhas de sopro de “12 de maio”. O EP foi gravado em três lugares diferentes, no Visom, na minha casa e no Costa Brava (casa do Paiva, que co-produziu e mixou o trabalho). Eu toquei o que podia, o Paiva tocou uns synths e só. Eu e o Paiva já gostávamos do trabalho do Matt Colton com o Sandwell District, Frozen Border, Horizontal Ground e alguns trabalhos da cena eletrônica da Europa. O Matt trabalha muito bem com o grave e a intenção era fazer o disco soar assim – lista.

Antes desse projeto, Lúcio já havia tido outras bandas, claro. A experiência mais marcante foi como músico nas ruas da Irlanda, em 2009.

- Cheguei em Dublin no auge da crise econômica e aquele foi o trabalho que apareceu e me sustentou. As pessoas de lá conheciam a banda que tocava na Grafton Street todos os dias. Depois vieram os pubs e os festivais de música independente que acontecem por lá. Acho que isso mudou bastante a minha cabeça musical, antes eu nem pensava em usar meu violino no meu som. A banda tocava uma mistura de blues, r&b, disco e cada um era de um país diferente.

A experiência de gravar sozinho foi produtiva, porém Lúcio está montando uma banda para poder levar o SILVA para os palcos e finalmente interagir com parceiros musicais.

- Fazer sozinho é bem solitário, mas foi a forma que arrumei de fazer o som que me vinha à cabeça. Não consegui achar pessoas próximas a mim que estivessem dispostas a gastar tempo com as músicas. Meus amigos da faculdade são daqueles que lêem partituras como ninguém, mas não conseguem criar um riff de guitarra sequer. Também tenho amigos que tocam muito bem seus instrumentos, mas não têm paciência de investir na idéia. Para fazer todos os arranjos do disco no palco, teria que chamar pelo menos umas seis pessoas. Quero fechar com quatro, mudar alguma coisa ou outra e deixar tudo bem verdadeiro. Estou tentando preencher os vazios com pessoas que tenho conhecido ao longo do caminho.

Tchequirau

Nasceu o disco do Wado. “Samba 808″ passa muito bem, tem dez músicas e participações de Marcelo Camelo, Curumin, entre outros, e pode ser visitado (e adotado) em wado.com.br

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“Take This Lollipop”, um curta estrelando… você

O expediente é manjado – usar dados do usuário para gerar uma experiência customizada. Esse “Take This Lollipop” adiciona um elemento bizarro a isso tudo, principalmente devido a riqueza de dados disponíveis via Facebook. E afinal, o protagonista é ou não é o estereótipo do maníaco online?

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Transcultura # 062: Pazes // PressPausePlay

Meu texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Paz da música eletrônica
Estudante Lucas Febraro mistura influências variadas para fazer colagens etéreas e espaciais
por Bruno Natal

Estudante da Universidade de Brasília, Lucas Febraro é um cara da paz. Gostava de tocar guitarra e MPB, era fã de Martinho da Vila e Paulinho da Viola, até conhecer a música eletrônica, interessar-se por hip-hop e compor com sintetizadores, samplers e baterias eletrônicas e no computador. Depois disso o sujeito nunca mais foi o mesmo. Tudo mudou. Ou quase tudo. Mesmo chafurdado no temido mundo da música eletrônica, Lucas continuou na paz.

Limbo by Pazes

Tanto é que seu projeto se chama simplesmente “Pazes”. As colagens são etéreas e espaciais, soando como um Flying Lotus dopado. Bom exemplo é a releitura que fez de “Do sétimo andar”, do Los Hermanos. Da original, apenas o vocal de Rodrigo Amarante resistiu, envolto em camadas de teclado, empurradas por um bumbo pulsando de maneira irregular, sem batidas, apenas um contratempo aparecendo aqui e ali. A melancolia da música saltou uns sete andares.

Sétimo Andar by Pazes

- Os vocais em “Do sétimo andar” tiveram algo de Toro Y Moi como inspiração, mas qualquer semelhança fora isso não é intencional. Minhas influências mais fortes são a beat scene de Los Angeles, do Flying Lotus, Teebs, Jeremiah Jae e Matthewdavid, e o dubstep do Burial, James Blake e Blue Daisy – diz ele. – Ando ouvindo também discos muito interessantes de percussão de umbanda e de órgão dos anos 1950 e 60, tipo André Penazzi.

Lucas jogou “Do sétimo andar” e outras faixas on-line e acabou lançando um EP pela Exponential Records, gravadora fundada e gerida pelo Ernest Gonzales, do Mexican With Guns. Após entrar em contato com eles em 2010, em fevereiro deste ano saiu “Pazes, The Southpaw EP”. No mesmo mês da estreia, Lucas se inscreveu na disputada Red Bull Music Academy – evento itinerante que reúne, a cada ano, 30 instrumentistas, DJ, produtores e outros profissionais da música, para oficinas, palestras e apresentações – e foi selecionado para o encontro deste ano, em Madri, de 23 de outubro a 25 de novembro.

- Pretendo lançar outro EP ou LP em breve, antes ou logo após a academia, acho que já amadureci muito musicalmente desde o EP na Exponential e que ele não serve mais de base pra mostrar onde estou. Estou prestes a começar a me apresentar ao vivo, estou me preparando pra tocar en Madri, onde, além das oficinas e atividades, vou me apresentar à noite – fala o produtor.

Com tantas referências estrangeiras, Lucas diz não encontrar muitos pares na cena brasileira, embora admire alguns artistas.

- Nunca ouvi nada muito parecido com o que eu faço no Brasil, os artistas de música eletrônica aqui tendem a ser muito influenciados por gêneros como house, jungle, drum’n'bass, coisas que eu nem sei distinguir muito bem em sonoridade. Ou então fazem coisas tipo electrobossa, principalmente os mais >ita

Tchequirau

“Press pause play”, documentário sobre a revolução digital, o consequente impulso criativo e os efeitos dessa democratização da cultura, cujos trechos pipocaram na rede ao longo do ano, já pode ser visto na íntegra na página do filme.

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Vai vendo: geração digital e as revistas “quebradas”

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Doc: “PressPausePlay”

Já comentado por aqui, o doc “Press Pause Play” (“um filme sobre medo, esperança e cultura digital”, segundo os produtores, analisando as mudanças na produção e no consumo de trabalhos criativos e o que isso ocasiona sociedade),  está disponível integralmente na página oficial em duas versões: tradicional e interativa.

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Os 20 anos de “Nevermind” e o código QR

Na página comemorativa dos 20 anos do lançamento do “Nevermind” você é convidado a imprimir três cartões com códigos QR para assistir um clipe interativo de ”Territorial Pissings”. Você imprime os cartões e aponta para câmera do computador e pode ouvir o som dos instrumentos solados ou juntos.

Meio sem propósito, mera demonstração de  tecnologia. Se você também não tem mais impressora (papel pra quê?), você pode abrir o arquivo PDF em outra tela (de um iPad ou laptop, por exemplo) e virar para câmera que também funciona.

Enquanto isso, continuemos aguardando que os códigos de barra das contas sejam substituídos por QR. Seria um belo adianto.

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Whale meme, a baleia do chat

Você deve ter visto a baleia do chat do iPhone em algum lugar:

O lance tá virando meme:

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Twitter, mais rápido que terremoto

O Twitter resolveu capitalizar em cima daquela história do recente terremoto ter chegado em Nova York via rede antes mesmo das ondas sísmicas provocadas pelas placas tectônicas.

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Você precisa sair do Facebook

Isso me lembra que a @carolluck abandou ou Facebook e está devendo uma pauta sobre a vida fora da rede social para a Transcultura. Vou cobrar.

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MinuteBox e o conhecimento “compartilhado”

MinuteBox reúne especialista em diversas áreas para responder suas dúvidas em tempo real. O primeiro minuto é grátis, os seguinte são cobrados – em média 2 dólares por minuto, filosofia de advogado. Isso pega, hein.

Dica do @dudufraga.

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Canv.as

Acho que vou desistir de ler a rede toda, tô achando que não vai rolar. Mesmo com 12 horas com os olhos pregados nisso aqui (das quais retenho 4 minutos), deixei passar e só descobri o Canvas ontem.

Criado por Christopher “moot” Poole, fundador do 4Chan, fórum anárquico com 12 milhões de participantes Boa parte das pérolas das internetes saem de lá e, embora moot diga que não é bem assim, o Canvas é o 4Chan em formato amigável para negócios.

A usabilidade da ferramenta para criar, taguear e compartilhar imagens é impressionante. O WordPress vai ficando cada vez mais pra trás com sua mecânica velha de blogar. Bastava olhar para o Tumblr e seu botão “reblog” pra notar que a mudança está a caminho. Observando o Canvas, ela está bem perto.

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Tumultos de Londres no Instagram

A equipe do Instagram fez uma seleção de fotografias dos tumultos em Londres publicadas no aplicativo e reproduziu no Tumblr. Foi a forma encontrada de fazer as imagens atingirem mais gente, uma vez que além do Instagram ser uma comunidade exclusiva do iPhone, nem todos seguirem gente da cidade.

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Consenso x senso crítico individual


foto: Brock Davis/Wired

Curtir, estrelinhas, número de comentários, tuitadas e facebookadas… Ao confiar nos termômetros de popularidade digital estaríamos abandonando nosso senso crítico? É o que levanta Chris Colin num artigo para Wired:

Our ever more sophisticated arsenal of stars and thumbs will eventually serve to curtail serendipity, adventure, and idiotic floundering. But more immediate is the simple problem of contamination. When the voices of hundreds of strangers, or even just three shrill ones, enter our heads, a tiny but vital part of ourselves is diminished.”

Aprender com as experiências dos outros é uma sabedoria que não substitui nossa próprias vivências. Outro dia o James Murphy, do LCD Soundsystem, falava algo nessa linha em relação aos sistemas digitais de recomendação de músicas.

Dica do @thepedrogarcia.

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Inglaterra se prepara para enxugar gelo

Estava demorando: premiê inglês David Cameron sugere um controle sobre as redes sociais para conter os tumultos em Londres.

Como disseram, conflitos urbanos existiam antes das redes sociais, o que não existia era mutirões de limpeza comunitários organizados em poucas horas.

Querer culpar as redes sociais é atacar a consequência, não a causa, como foi muito bem explicado pelo sociólogo Silvio Caccia Bava no belo sabão que passou nos apresentadores da Globo News.

Enquanto isso, o coro come no Chile, aqui do ladinho. Vai vendo.

Vários links e infos desse texto foram garimpandas na excelente filtrada das notícias de Londres feita pelo Matias.

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Transcultura # 054: Instamission, Beastie Boys

Meu texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Com a missão de fotografar
Projeto criado no aplicativo Instagram vira mania e ganha destaque em festival em SP
por Bruno Natal

Totalmente viciadas no Instagram, aplicativo de fotografia que roda exclusivamente no iPhone e funciona como rede social (um Twitter de fotos que através de filtros pré-estabelecidos transforma cliques desastrosos em belas imagens), as amigas Daniela Arrais e Luiza Voll transformaram a brincadeira numa missão, literalmente.

- Começamos a usar muito a ferramenta e a acompanhar o dia dos amigos através de fotos, em vez de textos. Passamos a seguir outras pessoas interessantes e pensamos se não daria pra juntar toda essa empolgação e criar um projeto para que as pessoas fotografassem coisas legais – explica Daniela. – Criamos missões que ajudam a exercitar a criatividade a cada semana, para que todo mundo se inspire cada vez mais. Assim surgiu o Instamission.

Semanalmente uma missão é publicada no @instamission, anunciada com uma imagem no próprio Instagram. “Fotografe um sorriso”, “fotografe a coisa mais gostosa do seu dia”, “fotografe um bigode”, “fotografe um ‘planking’ (ser retratado de bruços, com os braços rentes ao corpo e o rosto virado para superfície).

A partir disso, basta você tirar uma foto dentro do tema e postá-la no Instagram, no Facebook ou no Twitter usando a hashtag #instamission com o número da missão. Lançado em janeiro, o projeto está na 26 missão e recebeu mais de cinco mil fotos, de toda parte: São Paulo, Recife, Nova York, Paris, Londres, Israel…

- No início, espalhamos a novidade para os amigos e contatos nas redes sociais. Logo nas primeiras missões percebemos que uma galera que não conhecíamos começou a participar. E essa é uma das coisas mais legais da internet, né? O projeto se espalha, fica maior do que a gente imagina – comemora Daniela.

O Instamission tem 2.400 seguidores no Instagram, 1.520 fãs no Facebook e 680 no Twitter. Até aqui, a missão de maior sucesso foi a #instamission14: “fotografe a vista da sua janela”, com mais de 500 colaborações. A repercussão do projeto foi ainda maior e mais rápida do que Daniela esperava.

- Tivemos duas grandes surpresas ao longo dessa trajetória. Um dia postei uma foto do meu pai, que faleceu no ano passado. Encontrei uma foto dele, nos anos 1970, cheio de estilo, postei e recebi um comentário de uma pessoa que tinha trabalhado com ele, dizia que ele era um excelente profissional, que era muito divertido e que fazia falta. Fiquei tão emocionada. Jamais poderia imaginar que uma foto iria desencadear um encontro assim – conta.

Boa surpresa foi saber que duas pessoas se conheceram por causa do Instamission. A missão era “fotografe objetos que contem uma história”. A @mawa postou uma foto da avó dela. O @olhosvestidos delunetas reconheceu a senhorinha, que era amiga da avó dele. Os dois começaram a se falar e acabaram se conhecendo fora da rede, em um jantar recheado de lembranças e de histórias.

Agora, o Instamission virou a instalação “Invente um sorriso” no File, Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, que acontece até agosto, no Centro Cultural Ruth Cardoso, em São Paulo, levando a experiência on-line para um espaço público, por onde passam milhares de pessoas por dia.

Quem passa pelo evento é convidado a inventar um sorriso (uns ficam tímidos, outros se posicionam diante da câmera na mesma hora, alguns desenham, outros fazem coraçãozinho etc.), os fotógrafos registram, e a as imagens aparecem na vitrine da Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Um sorriso, só pra deixar o dia mais alegre e feliz, segundo a dupla.

- Já ouvimos coisas como “quero ter um iPhone só para poder participar das missões” – conta Daniela. – Pensamos em fazer outras exposições também. Algumas pessoas que participam das missões já nos perguntaram se haverá “Invente um sorriso” em Recife, em Manaus etc. Adoraríamos viajar, inventando missões e buscando a colaboração de pessoas que amam fotografia como a gente.

Tchequirau

O Beastie Boys anda animado com as filmagens. Depois do curta “Fight For Your Right To Party (revisited)”, essa semana pintou um clipe de 11 minutos de “Don’t Play No Game I Can’t Win”, produção de ação lo-fi com bonecos, dirigida por Spike Jonze. Belezura tosca.

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Hipstamatic e “Life In A Day”

O documentário “Life In A Day” estreia dia 24, aniversário de um ano do dia em que gente do mundo todo registrou as imagens que compõe o filme.

Pegando carona no lançamento, o Hipstamatic (aplicativo de fotografia do iPhone) promove um concurso para escolher 20 fotos com o mesmo tema do documentário para serem exibidas antes das projeções.

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Participe do clipe do Vaccines

Isto é, se você se importa com banda chata.

A ideia do clipe de “Wetsuit” – taguear fotos feitas nos festivais de verão e postadas no instagram com #vaccinesvideo - mesmo simples, é boa.

Via @fcontinentino / Contagious.

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Chico canta sobre os comentaristas de internet

E você achando que os memes derivados do depoimento do Chico sobre os comentaristas de internet tinham acabado. Segura o auto tune do Melodyne.

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Transcultura # 053: Baleia, Pessoas e computadores

Meu texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Baleia na onda do jazz
Em busca da sua praia, banda Baleia une Justin Timberlake a Chet Baker

por Bruno Natal

Junte um monte de filhos de peixe e forme um cardume. Misture todos e tenha uma Baleia. Trazendo música no DNA, Luiza Jobim (voz e, sim, filha do maestro), David Rosenblit (piano, filho do também pianista Alberto Rosenblit), Cairê Rego (baixo, filho do saxofonista Paulo Rego), os irmãos Gabriel e Sofia Vaz (voz), Felipe Pacheco (violino e guitarra) e João Pessanha (bateria) montaram um grupo para enveredar por um caminho pouco escolhido pelas novas bandas: o jazz.

- Não sabemos como isso aconteceu. Surgiu provavelmente do interesse de tocar velhas canções de jazz, lá no início da Baleia, o que acabou se refletindo na nossa maneira de compor e tocar. Hoje, definitivamente, não estamos presos ao jazz – diz Cairê.

- As pessoas acham estranho a gente, tão novo, tocando jazz. É uma grande mistura com pop também – completa Luiza.

Apresentando standards e versões de música contemporânea, o repertório da Baleia não deixa dúvidas das pretensões pop da banda. Eles são amigos desde os tempos de escola e de outros projetos musicais. E se encontraram para tocar músicas de que gostam.

- O repertório é bastante amplo, vai desde Louis Armstrong a Justin Timberlake, passando por Chet Baker, Nina Simone e Radiohead. Gostamos de fazer versões, o que acaba caracterizando o grupo. Trazemos essas canções para o nosso estilo, e o resultado é algo diferente do esperado. Tocamos “Toxic” (Britney Spears) e “Blue angel” (Squirrel Nut Zippers) – lista Sofia.

- As versões normalmente são aquelas músicas que gostaríamos de ter feito, mas não deu, fizeram primeiro – explica Cairê.

Sem enxergar uma cena para se encaixar, a Baleia nada sozinha. Para Luiza, a relação com as outras bandas se dá mais pela admiração, uns frequentando os shows dos outros, esse hábito que anda meio perdido nos palcos cariocas.

- Tem uma grande leva de bandas novas de que a gente gosta muito. Adoro o Letuce. Alice Caymmi é uma grande amiga. A gente tocou com os Ganeshas no Espaço Sérgio Porto. O Felipe tem uma outra banda de rock, chamada Los Bife, e o David, uma de samba chamada Novíssimos – diz a cantora.

Com algumas poucas músicas gravadas, a banda está no processo de produção do seu primeiro EP. Enquanto isso, vai disponibilizando algumas faixas na rede, esquentando para o próximo show, no dia 28, no Teatro Café Pequeno.

- Acabamos de gravar uma versão para uma música do Justin Timberlake, “What goes around comes around”, para a divulgação da festa Cover Flow. O primeiro clipe de uma música nossa, “Killing cupids”, dirigido por Nicolas Bro, está quase pronto.

Tchequirau

Intrigado com o tempo que passmos encarando a tela do computador, o artista digital Kyle McDonald instalou um aplicativo nas máquinas de livre uso de uma loja da Apple, disparando fotos dos usuários a cada minuto. Ele reuniu as fotos no peoplestaringatcomputers.tumblr.com e agora enfrente problemas legais por invasão de privacidade. Questão espinhosa, só fez fortalecer o projeto.

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O horário nobre do Twitter

Gráfico baseado em leituras das atividades no Twitter feitas em 2010. Veja também os números de cada dia da semana.

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Câmera escondida, privacidade e arte

O artista digital Kyle McDonald desenvolveu um aplicativo e instalou nos computadores da Apple Store de NY, fazendo com que as máquinas de uso gratuito da loja tirassem fotos automaticamente dos usuários e enviasse para o Tumblr do projeto Pessoas Encarando o Computador.

Agora o autor está enfrentando acusações de invasão de privacidade, ampliando a discussão e tornando a obra ainda mais relevante. Cairia muito bem naquela exposição da Tate Modern sobre a qual falei ano passado.

Não é a primeira vez que os computadores da Apple Store são usados para fins de expressão artística. Outro dia um menino ficou famoso pelas performance que gravava e postava diretamente de uma das lojas.

Vamos ver se ele libera esse código, porque é uma ferramenta e tanto para recuperar computadores roubados, nos moldes do que oferece serviços caros como o Hidden. O Prey oferece exatamente esse serviço, gratuitamente.

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