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Arquivo: de leve

De Leve, “Quem Manda No Baile”

O sumido De Leve lançou música nova e criou um canal no YouTube, o toca-discos do século XXI, pra publicar suas músicas.

Fico pensando num Queremos! Quinto Andar… Será que já está na hora?

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João Brasil, “De Leve Ventura”


capinha feita pelo Dimáquina

Nosso astro João Brasil parece estar se divertindo com as reações extremadas aos resultados do seu projeto 365 Mashups.

Depois de chocar os puristas levando os Beatles para o baile funk, ele promove o encontro de Snoop Dogg e Miles Davis e se aventura pelos mini-mashups, colocando Prince e Ultraje a Rigor frente a frente com as músicas relâmpago da banda de trash metal  S.O.D., em pepitas com dois segundos de duração.

E como a cada leva, sai um EP, o passeio do rapper De Leve pelas bases instrumenteais do Los Hermanos rendeu o “De Leve Ventura” , gerando pérolas como “Samba das mulhé” e “Camelin Vencedor”.

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A camiseta do Cara de Cavalo

O grande Cara de Cavalo, um dos poucos MCs que consegue ser amigo do De Leve e do D2 ao mesmo tempo, finalmente começa a ter o reconhecimento que merece com o lançamento dessa bela série de camisetas.

Quando esse disco sair, derruba a cena. “Bala Benta” já nasce clássica.

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“Nar mulere eu que mando, aprendi isso com o Wando”


De Leve + Speed, “O Q Q Ela Quer”

Fazendo várias músicas juntos atualmente, De Leve e Speed misturam duas escolas do rap fluminense. De Leve traz o escracho, sua marca desde os tempos do Quinto Andar, Speed vem com o funk e as rimas sagazes conhecidas desdes os tempos da emblemática dupla formada com Black Alien.

Com sample de “Rap do Magalhães” sobre uma base desacelerada do Gorillaz,  a dupla avisa: “Mando Nar Mulere”.

Niterói vai ficar pequeno.

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Leve


De Love – Novo CD do De Leve from Coleta1994 on Vimeo.

De Leve manda avisar que a Ideal Records e Cemporcentoskate irão lançar a versão física do disco “De Love”, seu mais recente disco. R$5, dia 10 de abril nas bancas.

Além das cinco músicas que o rapper já havia soltado na rede (“Sempre a caminhar”, “Pra ser feliz” com Totonho, “O que que nego quer” e “Quero-te bem”), tem mais quatro inéditas e, pela primeira vez em disco, a cláááássica “A lenda”, conhecida desde os tempos de Quinto Andar.

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O Brasil e seu falso moralismo

Assista o vídeo e veja o embate entre o De Leve e um grupo de nerds, na Campus Party.

Como disse o Matias, “e justo com o De Leve, que é um dos caras mais tranqüilos que eu conheço nesse metier… Com tanta sarna pra se coçar, nego fica perdendo o tempo e querendo arrumar briga por causa de falso moralismo?”.

É impressionante como brasileiro gosta de posar de correto. Hoje saiu uma matéria falando da proibição da venda de bebidas alcoólicas no entorno do Maracanã em dias de jogo e tá cheio de gente batendo palma nos comentários.

Claro, em vez de ordenar a bagunça, é muito mais fácil baixar uma lei (que não será cumprida, obviamente) e proibir o que quer que seja.

Avante, Brasil!

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Manifesto


fotos: 99% de certeza de que são minhas mesmo, quando fiz uma
Joca Vidal, para matéria sobre o De Leve que escrevi para Revista da

MTV, em 2003, acho.

Há uns meses, o rapper De Leve publicou no Overmundo um texto interessante falando sobre o lobby das gravadoras e propriedade cruzada.

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Nadadora

Que mané Michael Phelps, o grande fenômeno da natação atual é a atuação de João CALZONE Brasil, no clipe de “Nadadora”, da Banda Leme.

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João Brasil – “8 hits”

Abaixo, o texto para imprensa que escrevi para o lançamento do disco do orgeiro da porra, João Brasil.

João Brasil“8 Hits” (zShare)

Nesses tempos de interatividade total, João Brasil enfileira dez músicas em seu disco de estréia, mas deixa para o ouvinte escolher quais são os “8 hits” que dão nome a bolacha. Modesto, o rapaz.

Pra desfazer qualquer desconfiança, o disco abre logo com o maior deles, aquele que estará em qualquer lista dos tais oito hits e será tocado em casamentos, batizados e churrascos por anos e anos: “Baranga”.

O swing eletrônico e apelo pop da declaração de amor à marra das meninas de “cintura de ovo” e que parecem “uma empadinha”, primeira composição do hitmaker, catapultou o nome de João Brasil.

Como não poderia deixar de ser, primeiro a música se espalhou por blogues. Depois, João ganhou o mundo “real”. Foi parar nas páginas da revista Rolling Stone e do jornal O Globo, fez várias participações nos programas do apresentador Marcos Mion na MTV, cantou no Domingão do Faustão e, por fim, fechou a distribuição do seu disco pela Som Livre.

O próprio João produz todas as bases, toca os instrumentos e canta em todas as faixas. É, portanto, um gênio, uma lenda, um mito. Fortemente inspirado pelo universo dos bailes funk, a influência é escancarada nas batidas de “Quero fazer amor” e “Cobrinha fanfarrona”, que já entrou nos sets do DJ Sany Pitbull.

O forte do compositor são mesmo as letras auto-biográficas.

Da sádica prostituta “Elisa” ao encontro apaixonado com a jornalista “Mônica Valvogeu” (escrito errado mesmo e aprovada pela musa inspiradora), passando pela dor de cotovelo “Don’t go to Austrália” (com a participação da amiga e atriz Maria Flor), as mulheres são tema recorrente.

Ele sabe também fazer graça de si mesmo. Da épica “O carnaval acabou com o meu fígado” e sua explosão de bumbos e pratos, à gafe num show do Mr. Catra em um inferninho em Copacabana na auto-explicativa “Pau-molão” (campeã de clipes caseiros no YouTube), João Brasil também descreve (ridiculariza?) seu próprio círculo de amigos em “Supercool”.

A confissão “Mamãe, virei capitalista” conta com a única parceria do disco. O rapper niteroiense De Leve duela com João num encontro que, depois de pronto, soa como se fosse a coisa mais lógica do mundo.

A parte gráfica do disco foi feita pelo diretor de arte Felipe Raposo, da Mustache Design, o mesmo que faz as elogiadas filipetas da festa carioca CALZONE, núcleo do qual também fazem parte o fotógrafo Lucas Bori, autor dos cliques do encarte, Pedro Seiler (produtor do João Brasil) e esse escriba. Ou seja, está tudo em casa.

Os oito hits cabe a cada um escolher, mas talvez seja melhor refazer as contas. Na verdade, são dez.

Bruno Natal
Março/2008

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URBe, 4 anos


fotos e vídeo: URBe, Joca Vidal e Carol*

Mais um ano, mais uma festa, mais uma noitada e tanto. As festas do URBe são sempre bem diferentes uma das outras, principalmente pela escalação das atrações. Só tem uma coisa que é sempre igual: na noite da festa, chove.

Nessa edição, trocou-se o 00, casa das três primeiras festas, pelo Pista 3. A mudança não teve nenhum motivo especial, além da vontade de experimentar novos ares. Num lugar menor, prestigiaram a comemoração os leitores e os amigos, sem tantos “curiosos”, como das outras vezes.

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Ménage à Trois

Mantendo a tradição de se respeitar os horários divulgados na filipeta ao máximo, o show do Ménage à Trois abriu a noite com apenas 25 minutos de atraso.

Letícia Novaes (vocal), Donatinho e Pcatran (ambos comandando uma parafernália de teclados, bases e efeitos) mostraram, para os felizardos que chegaram cedo, a força da “resposta carioca ao Cansei de Ser Sexy”, como ouviu-se comentar durante a apresentação.

Enquanto Donatinho e Pcatran chamam atenção com ótimas bases — com destaque para as intervenções do filho do João Donato no teclado e em sua bateria virtual, controlada através de um joystick wi-fi do Nintendo Wii — é Letícia quem se destaca no trio.

Perfomática, a cantora/atriz/roteirista/show woman lança frases aparentemente desconexas, pedindo chupadas no umbigo e juntando a letra do seu potencial hit, “Fuck music”, com “Sexy back” (Justin Timberlake) e “Promiscuous girl” (Nelly Furtado), com a voz alterada por filtros, sobre uma batida de funk.

O BPM das músicas talvez seja muito baixo para as pistas de dança, local que parece adequado para as apresentações do trio. Acelerando as bases e ajustando as folgas, o Ménage pode ganhar mais pressão e ter um caminho surpreendente pela frente.

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A expo

A anunciada exposição “5 anos de palco”, de Joca Vidal, infelizmente acabou não acontecendo. Por problemas técnicos no projetor, a instalação criada pelo fotógrafo e curador da expo, Lucas Bori, não pode ser montada.

As fotos do Joca seriam projetadas em oito telas brancas presas na parede. Cada uma dessas telas exibiria cerca de quatro fotos diferentes, alternadamente, numa solução prática e criativa para a limitação de alguns arquivos digitais.

Tentaremos montar a exposição nessa quinta (17 de maio), no Cinematéque, quando haverá o show do Lucas Santtana & Seleção Natural. Assim que (e se) estiver confirmado, aviso aqui.

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MauVal

Num momento de honra para o URBe, Maurício Valladares assumiu os toca-discos quando a festa já estava cheia. MauVal desorientou a pista, como ele gosta de dizer, tocando de Coltrane a Curtis Mayfield.

Ouvi dizer que Maurício não havia levado discos “de pista”, porque pensou que iria abrir a festa, como se isso tivesse sido algum problema. Não fez a menor diferença. Foi uma discotecagem educativa e quem ouviu aprendeu um bocado. Só pérola.

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em cima: João Brasil e as PSG; a festa
em baixo: o público se diverte; Marcos Mion e João Brasil

Grande atração da noite, o mito João Brasil fez sua aguardada estréia nos palcos. E bota aguardada nisso. Seus novos fãs da MTV, Marcos Mion e cia, vieram de São Paulo especialmente para cobrir o acontecimento e as Pet Shop Girls causaram frenesi no Pista 3.

Abre parênteses.

Antes de mais nada, cabe aqui um adendo. Esses dias perguntaram se, apesar de muito legal, a cobertura dos passos do João não estaria um tanto excessiva no URBe. “Parece que ele é seu amigo”, disseram.

Já falei isso aqui, mas para evitar qualquer disse-me-disse, não custa relembrar: João é meu amigo sim, desde os 12 anos de idade. Além disso, minha produtora de vídeo fica no mesmo sobrado que o seu estúdio.

Nada disso, no entanto, interfere na quantidade de espaço dedicado ao João no URBe. Mesmo porque, ele não é meu único amigo que trabalha com música e nem todos eles passam por aqui. Se o que João faz não fosse genuinamente interessante, o URBe estaria falando sozinho. E, pelo que se vê, não é o que acontece.

Fecha parênteses.

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Voltando ao que interessa, João Brasil começou a milhão. Após a entrada ao som de “Carmina Burana” e uma vinheta exaltando a si mesmo, João abriu com “Baranga”, à pedidos da equipe de MTV, dançando com as loiras do programa Mucho Macho, enfiado num roupão de oncinha e de óculos escuros.

Não foi uma má idéia começar com seu grande sucesso. Com o público ganho, João emendou “Supercool” e contou a espetacular história do pau molão, para delírio dos presentes.

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Cantandoao vivo, João tocou teclado em algumas músicas, soltou as bases através de um laptop e os samples pelo midi.

Lidando com seu público cara-a-cara pela primeira vez, João falou bastante. Nervosismo de primeiro show, normal. O público entrou na onda, atendo o seu pedido e entoando “pau molão! pau molão!” entre todas as músicas.

Vieram “Elisa”, “O carnaval acabou com meu fígado” e a inédita “Cobrinha fanfarrona (ela vai te pegar)”. “Monica Valvogeu” teve direito a sample da jornalista e surpreendeu quem nunca tinha ouvido tão bela declaração de amor.

Brasil incluiu no repertório o mais recente sucesso internético, “VTNC”, de autoria desconhecida, que voou por e-mail essa semana, se consagrando em apenas três dias.

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Na parte final, João convidou seu ídolo De Leve, apresentando-o como seu rapper favorito, para juntos cantarem “Mamãe virei capitalista” e “O que que nego quer”, essa última do MC de Niterói e que tem base de João. Ao vivo, os dois funcionaram ainda melhor que nas gravações.

O encerramento triunfal veio com o bis de “Baranga”. Jogo ganho de goleada, João partiu pra festa com tudo e nunca mais foi visto.

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URBe SS

Com a pista fervendo após a catarse provocada por João Brasil, botei som por uma hora. Começando com “Pela orla dos velhos tempos” (na versão de Lucas Santanna) e partindo para “Outsiders” (Franz Ferdinand), “First gear” (Rapture), “Phanton” (Justice), “Zdarlight” (Digitalism), “Gravity’s rainbow (Soulwax remix)” (Klaxons), “Paris” (MSTRKRFT) fechando com “Fluorescent adolescent” (Arctic Monkeys).

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Mustache DJs

Na sequência, Filipe Raposo representou o Mustache DJs, desfalcado de sua metade, Breno Pineschi. E tome space disco, disco music e outros sacolejos, até as 3 e pouco da manhã, quando a pista continuava cheia.

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DJ Babão

Encerrando a festa, o DJ Babão deu um show de mixagens. A precisão de Babão é assustadora, virando músicas a cada minuto e meio, sempre acertando e fazendo a pista gritar.

Único da noite a tocar com vinis, Babão misturou “Tive razão” (Seu Jorge) com uma base de hip hop, “Bizarre love triangle” (New Order) com “Hollaback girl” (Gwen Stefani) e tocou a versão funk de “Sending all my love” (Linear) e “It’s automatic” (Freestyle).

No saldo final, a Letícia perdeu o casaco, o João os óculos, o Pcatran o suporte do teclado e muita gente perdeu a linha. O que só comprova que a jogação foi quente, a mais divertida festa do URBe até hoje. Ano que vem tem mais.

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“Quero bombar meu som na pista”

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“Baranga”, hit do inverno, ainda não deu tudo que tem pra dar. “Supercool”, considerada a melhor música de setembro segundo a “parada do leitor” da revista Bizz, vai se alastrando pela rede e assim João Brasil vai montando seu disco, um sucesso radiofônico por vez.

“Mamãe, virei capitalista” é o novo passo. A lontra psicopata acompanhada do rapper De Leve. Parceria histórica.

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O Globo, 28/07/2006

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Materia sobre o novo disco do De Leve, “Manifesto 1/2 171″, que escrevi para o Rio Fanzine.

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De Leve, de novo.

Pancada. Uma atrás da outra, vindas de todos os lados. Essa foi a rotina do rapper De Leve após a alegria inicial que seguiu o lançamento de “O estilo foda-se” (Segundo Mundo), em 2004, quando foi o assunto da vez, apontado como sucesso certo.

A estréia oficial não atingiu o resultado esperado, De Leve se desentendeu com sua gravadora por conta do lançamento do disco do Quinto Andar e, pra fechar a tampa, em abril do ano passado, o lendário coletivo de Niterói encerrou as atividades. Sem falar na briga com o ex-parceiro Marechal, pouco antes do disco sair.

Dois anos depois, De Leve está mudado. Aos 24 anos, acredite, está amadurecendo. A procura da parada mal feita (como canta em “Cão fudido”), o rapper lança seu segundo disco, “Manifesto ½ 171” (independente e já baixado mais de 1.000 vezes em seu saite, www.deleve.com.br).

— Essas merdas, de repente, tinham que acontecer mesmo. Eu era muito novo, não tinha noção do que era sair na capa de um jornal. Aprendi muito. A gente só aprende fazendo.

No disco, De Leve conseguiu equilibrar os escrachos da sua carreira solo com o perfil mais consciente que apresentava no Quinto Andar. Em “México” ele brinca (“mulher, você quer um papo cabeça, liga pro Pedro Bial / não me formei na PUC, fugi da federal”), em “Diploma” dá um recado para os jornalistas e em “Pode queimar” faz uma justa homenagem aos nossos honrados homens públicos.

Como se pode perceber, o estilo continua o mesmo, voando estilhaço pra todo lado. De Leve não poupa ninguém. E essa é uma crítica recorrente a seu trabalho, de que é muito fácil chamar atenção espinafrando grandes nomes.

— Nesse disco nem falo tanto nominalmente, mas é mais fácil mesmo falar das pessoas, vão querer te ouvir. Mas acaba que tem muita gente querendo falar isso também e ninguém fala, sei lá porque.

Se ele aliviou a carga, certamente Marcelo D2 não vai concordar. O homem-fumaça é alvo constante, do título do disco (uma paródia com sua marca de roupas, a Manifesto 33 e 1/3) às letras.

— Conheço ele muito pouco, encontrei algumas vezes, mas não sou inimigo dele não. Só acho que tem umas paradas que pedem uma zoação. O D2 pode receber de dois jeitos: ou não vai dar a mínima ou vai ficar puto. Ou então pode achar graça também.

Vai ver não achou. No seu último disco, na faixa “That’s what I got”, D2 cita o “Pra bombar no seu estéreo”, música do De Leve, e canta: “é que vagabundo é foda / deixa eu ganhar o meu din / é pra bombar no seu estéreo / eu vou botando de leve / ri não, fala sério / que vem da selva essa febre”

— Não sei se ele tá querendo me zoar, que tá botando em mim de leve… Eu achei graça e fiquei felizão. O cara famosão no mundo inteiro, falando meu nome? Pra mim é uma honra.

Há tempos atrás, essa resposta era inimaginável. Hoje, no entanto, De Leve está de olho numa fatia maior do bolo musical.

— Não vou dizer pra você que eu não espero que minha música toque na rádio, essas viadagens do underground. Esse disco está mais animado, mais dançante, mais pop mesmo, de propósito. Não quero fazer música pra meia dúzia.

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De volta

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De Leve está de volta com saite e disco novos. Chacotando a marca do Marcelo D2 (Manifesto 33 1/3), em “Manifesto 1/2 171″, o estilo continua o mesmo, a fala rápida, disparando pra todos os lados.

Dessa vez, De Leve conseguiu equilibrar melhor o humor escrachado da sua carreira solo com o perfil mais consciente que apresentava no Quinto Andar. Três músicas estão disponíveis no novo endereço, por enquanto apenas para ouvir, mas conhecendo sua filosofia, logo mais o disco todo tá lá pra baixar.

“México” avisa: Mulher, você quer um papo cabeça, liga pro Pedro Bial / Não me formei na PUC, fugi da federal. “Pode queimar” é uma homenagem aos honrados homens públicos, misturando o cavaquinho de “Essa é pros amigos” e a batida inna dancehall style de “Babilônia queima”. “Diploma” manda um recadinho pros coleguinhas:

você é jornalista
a família acha lindo
exemplo pros irmãos, pela mãe sempre bem vindo
tira maior onda no chopinho da sexta
mas o que ninguem sabe é que cê trabalha no Extra
o jornal é uma bosta
você tem assessoria nas costas
o que você escreve é deprimente
mas tira onda quando tá com a gente

pega o diploma e limpa a sua bunda
não tem emprego hoje, vê se tenta na segunda

Segura.

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Apagou

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O Quinto Andar acabou. A notícia foi dada pelo integrante De Leve em seu blog.

O fim do grupo de Niterói era, de certa maneira, previsível, natural até. O primeiro a descer para o térreo foi o MC Marechal, que se juntou a trupe de Marcelo D2 e prepara (faz tempo…) um disco próprio. De Leve também já tinha dado umas voltinhas de elevador, pra lançar seu disco solo “O estilo foda-se” (Segundo Mundo).

Na comunidade do Quinto Andar no Orkut, as explicações são conflitantes. Enquanto o MC Shawlin diz que “só o De Leve saiu, mas ele levou o nome junto porque ele era o último fundador do bagulho” (os fundadores, na verdade, foram o DJ Castro e Marechal), Castro explica:

“(…)Há algum tempo, muito depois da saída do Marechal, por motivos que não vêm ao caso, começamos a ter problemas de relacionamento interno no grupo (paradas normais quando um monte de macho fica muito tempo junto, nada muito sério), que com o tempo estava influenciando no clima do trabalho. O De Leve, por conta disso, me falou que queria sair do grupo e, depois de pesar os prós e contras, achei que era hora de dissolver o coletivo, antes de se descaracterizar, da galera brigar de vez ou pior, virar um emprego burocrático. Todos concordaram (…)”.

O grupo foi um dos primeiros fenômenos musicais da internet brasileira, conquistando fãs através da distribuição de MP3, como o clássico “A lenda”. Ano passado, o Quinto Andar lançou seu único disco oficial, “Piratão” (Tomba Records).

Como no caso do Planet Hemp e seus integrantes (BNegão, Black Alien e D2), o fim do Quinto Andar deve resultar em diversas carreiras solo interessantes. Shawlin e De Leve já estão com os seus prontos, Lumbriga herdou as bases que seriam do segundo disco do Quinto. As vezes, menos é mais.

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hip hop x dub

Encerrando a mini-temporada do Digital Dubs na Matriz, ontem foi a vez do Quinto Andar fazer sua participação. Ao invés da tradicional trupe, o grupo se apresentou em versão reduzida; apenas Shawlin, De Leve, o trompetista Pedro e o DJ Castro.

Antes e depois do show, Nelson Meirelles e MPC mandaram ver num set com músicas como “Happiness”, do Black Uhuru (em versão produzida por Gussie P.), “Baby I love you so”, do Jacob Miller e “Liberation dub”, do Groove Corporation. O DJ Castro também botou som antes de tocar com o Quinto Andar, abrindo o set com a bambástica “Bam bam”, da Sister Nancy.

A exemplo do Echo SS, o destaque do show foi mesmo o instrumental. Até porque na Matriz o som na ajuda e, quem não conhecia as letras de “Largado” ou “Babilônia Teima”, continuou sem conhecer. As bases estão bem chapadas, com graves pesadões escancarado as sutis inclinações jamaicanas do grupo, principalmente em direção ao nu roots e ao dancehall. Em algumas músicas, as bases eram de discos de reggae mesmo, como o riddim “Stalag” (o mesmo de “Bam Bam”).

A pista balançou a noite inteira, o que leva a pergunta: quando teremos uma noite semanal dedicada aos ritmos jamaicanos na cidade!? Tá cheio de dj bacana pra tocar e — a julgar pela quantidade de gente presente nos eventos da maratona regueira dessa semana — tem público também.

O Quinto Andar promete disco para outubro, dizem por aí que sai pela OutraCoisa, do Lobão. Segundo De Leve, no repertório estão incluídos dois funk, dois raggas e até um dub. Deve vir coisa boa.
Posted by bnatal at 04:54 PM | Comments

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