10 de dezembro de 2008 às 13h05
Gonzo
Trailer de “Gonzo”, (mais) um documentário sobre o jornalista Hunter S. Thompson, de Alex Gibney, mesmo diretor de “Enron, the smartest guys in the room” e “Taxi do the dark side”.
Trailer de “Gonzo”, (mais) um documentário sobre o jornalista Hunter S. Thompson, de Alex Gibney, mesmo diretor de “Enron, the smartest guys in the room” e “Taxi do the dark side”.
A versão web 2.0 de “We are the world”. Coisorrososa. E faz parte de um documentário.
A web 2.0 encontra “We are the world”. Coisorrorosa. Pior é pensar que isso é parte de um documentário.
URBeTV: o curta-documentário “Santa Marta, o túnel escuro”,
filmado com uma câmera fotográfica digital
doc e fotos: Bruno Natal
A notícia de que o tráfico havia sido expulso da comunidade pela polícia era tão boa que só vendo para crer. Aos pés do Santa Marta, o plano inicial sofreu uma pequena modificação.
A idéia era simplesmente chegar e subir as ladeiras, sem pedir autorização a ninguém, exatamente como se faz transitando entre bairros no asfalto da cidade.
Dado o tamanho da novidade, não custava nada avaliar a situação falando com os policiais na viatura estacionada na subida da ladeira:
- E aí, é só meter o pé mesmo?
- Pode subir, tá na boa. Acabou de subir um monte de jornalistas com o comandante do 2o Batalhão, pelo bondinho.
- Então não tem bandido na área mesmo?
- Olha, subindo pelo bondinho tá tranquilo. Mas deve ter vagabundo escondido na mata ainda.

As iniciais do Comando Vermelho num muro: cicatrizes recentes
O bondinho é um plano inclinado que funciona como um elevador para os moradores da favela mais íngrime do Rio, onde vários repórteres aguardavam para ser levados ao topo do morro pela secretária de educação e pelo comandante da polícia.
A perspectiva de uma visita guiada oficial era desanimadora. Nada podia estar mais distante do objetivo original de simplesmente visitar a favela como quem vai a qualquer outro bairro da cidade. Sem falar na fila de mais de meia-hora pra subir no bondinho.
A grande revolução que pode ser promovida por uma comunidade sem tráfico é justamente possibilitar o encontro de duas realidades cada vez mais distantes.
O Rio de Janeiro precisa se tornar uma cidade só, sem separações, para se reerguer e reestruturar. O que isso pode trazer de bom é a livre circulação de pessoas e idéias.

Pierre Azevedo e dois de seus alunos de percussão
Decidi subir a pé e logo conheci o Pierre Azevedo, diretor da ONG Atitude Social. Baixista e ex-morador da comunidade, ele dá aulas de percussão para criançada na Casa de Cultura Dedé.
Tendo Pierre como guia (mas não uma escolta, pois realmente o morro estava calmo) para não me perder pelas vielas e chegar até o topo, rapidamente comecei a conversar com alguns moradores.
Por ingenuidade, não esperava o tipo de reação e as resposta que ouvi quando comecei a perguntar sobre as primeiras impressões da ocupação policial e a saída do tráfico.
Não ouvi ninguém reclamar da partida dos traficantes, porém a maior parte das pessoas, além da incredulidade, não acredita muito que isso irá durar. Mais do que isso, estão realmente incomodadas com o choque de regras.
Durante o passeio, ouvi diversas reclamações: que haverá horários para as coisas funcionarem e regras a serem seguidas, as bebedeiras agora vão ser vigiadas, que estouraram a central clandestina de tv a cabo, de que as novas casas e a urbanização impedem as criações de animais e hortas em chácaras… E de como tudo isso altera o ambiente da comunidade como eles a conhecem.
É natural que seja assim. A experiência dessas pessoas com a presença do Estado é, em grande parte, negativa. Além disso, por mais paradoxal que possa soar, existe uma liberdade proporcionada pela ausência do Estado que é difícil de perder.
A frase de um morador, em resposta ao meu argumento de que as melhorias sociais e urbanísticas certamente viram acompanhadas de responsabilidades e deveres, resume bem a questão: “eu não fui criado assim”.
Esse é o ponto central de qualquer projeto que pretenda integrar as favelas ao resto da cidade. Coisa que parecem lógicas e normais no asfalto, são totalmente alienígenas na favela.
Assim como a noção de comunidade desses lugares dá um banho no resto da sociedade, onde vizinhos de porta num mesmo prédio mal se cumprimentam, o que dirá se ajudarem.
Há, claro, também muita desconfiança em relação as reais intenções de um projeto desses.
Da maneira que são hoje, as favelas são em maior parte ocupações ilegais, sem escrituras. Portanto, mesmo algumas delas (as da Zona Sul) estando situadas em áreas nobres, a área não pode ser negociada.
Numa região sem mais um palmo de área livre pra construir, pode ser que estejam preparando o terreno para especulação imobiliária.
Estrutura-se o local e entrega-se as escrituras de posse, para depois deixar o poder aquisitivo falar mais alto, comprar essas propriedades e transformá-las em grandes (e caros) condomínios.
Não é nem um pouco improvável, o condomínio Selva de Pedra, no Leblon, surgiu de maneira até mais agressiva, através de incêndios.
O trabalho nessas comunidades é muito mais difícil do que parece e levanta discussões complexas. Expulsar o tráfico é só o início.
Como disse José Mário, presidente da Associação de Moradores do Santa Marta, estamos entrando num túnel escuro, sem saber o que está do outro lado. Tomara que seja a luz.
URBeTV: o curta-documentário “Santa Marta, o túnel escuro”
doc e fotos: Bruno Natal
Devido aos problemas para subir o vídeo no YouTube e publicar junto com o texto, resolvi fazer um post separado só com o mini-doc “Santa Marta e o túnel escuro”, para os assinantes do RSS receberem o aviso.
A mesma dica bateu aqui duas vezes, em formatos diferentes: um vídeo enviado pelo DJ Nado Leal e o link para baixar o disco, passado pelo Julio Adler.
Amp Fiddler, tecladista e ex-integrante do Parliament e Funkadelic (além de, dizem, ter apresentado a MPC para o produtor J-Dilla), convidou os riddim twins Sly & Robbie e juntos fizeram este Amp Fiddler + Sly & Robbie – “Inspiration information”.
A dupla de bateria e o baixo mais importante da história do reggae, e um dos principais duos do mundo, esteve tocando por aqui semana passada, embora pouca gente tenha ficado sabendo.
Vieram para participar de dois shows em Paraty, Rio, de gravação do DVD ao vivo da Vanessa da Mata (eles tocaram no disco, gravado na Jamaica e devidamente registrado em um documentário que filmei e dirigi).
A Lapa tem muitas facetas. Enquanto o documentário “Sistema Lapa de Samba”, do Bruno Maia, ainda está sendo produzido, Cavi Borges e Emílio Domingos soltam “L.A.P.A”, um filme sobre o bairro e o rap carioca.
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Esse saite anda meio estranho. Tinha certeza que já tinha escrito sobre esse filme, assim como sobre o “JCVD”, mas não encontrei nada nos arquivos. No mundo virtual as coisas somem do nada, e as pessoas confiam em guardar tudo em HDs. Sei não…
“What about me?” é a continuação do projeto 1 Giant Leap.
Depois de lançado em volume único e evaporar do mercado, a série Deep Roots, produzida em 1982 pelo canal inglês Channel 4 e narrada pelo saudoso Mikey Dread, ressurge, dividida em três volumes.
Sente a pressão dessas imagens do King Jammy (então Price Jammy ainda) em ação, observado por Scientist enquanto Bunny Lee se arrebenta de dançar.
Está no documentário “Pan-Cinema Permanente”, de Carlos Nader.
O filme,vencedor do festival É Tudo Verdade 2008, entra em cartaz em circuito reduzidíssimo nesse final de semana.

E o que o padre tem a ver com isso?

“Transforme 24 horas em uma obra-prima de 3 minutos”
“Dear Zachary” é mais um documentário de tom extremamente pessoal, desses que dependem 90% do acesso a história e feitos por diretores que raramente produzem algo de igual impacto outra vez. Tem acontecido muito no mundo dos documentários. Nenhuma crítica aqui, apenas uma constatação.
Dicas do Lucas Bori.
O trailer de “Waltz with Bashir”, um docu-drama em animação.
A Al Jazeera está produzindo uma série de mini-documentários, sobre diversos assuntos relacionados a guerra além da questão dos prisioneiros, tema também abordado nos filmes “Taxi to the darkside” e “Procedimento operacional padrão”, do mestre Errol Morris — embora esse seja mais interessante visualmente do que em termos de conteúdo — em cartaz no Rio e em São Paulo.
A emissora, apelidada de “CNN do mundo árabe”, ficou conhecida no ocidente como “canal do Bin Laden”. É uma idéia bem errada do trabalho do canal, que dá voz ao outro lado da história, mesmo que as opiniões por vezes sejam um tanto radicais. Embora, vistas de lá, muitas das opiniões expressadas no ocidente também possam ser interpretadas da mesma maneira, é bom lembrar — uma história bem contada em “Control Room”.
A Al Jazeera Internacional English, com base em Londres, Washington, Doha e Kuala Lumpur vai crescendo (em audiência e importância) exatamente por séries como a citada aqui.
Enquanto isso, os custos da guerra seguem subindo astronomicamente, conforme explicado no vídeo acima, da Good Magazine.
Finalmente o trailer de “Brega S/A”, documentário sobre a cena tecnobrega de Gustavo Godinho e Vladimir Cunha.
“Dubfiles”, um documentário sobre dubstep, dá baixar via torrent. Tem também um outro, da Marie Anne Hobbs, a DJ madrinha da molecada na rádio BBC.
A facilidade de acesso a coisas relacionadas a documentário, seja o simples fato de vários deles simplesmente entrarem em cartaz, DVDs, oficinas, festivais ou as sessões especiais organizadas pela BFI, ICA ou Curzon. Sem falar que, no caso meu documentário, “Dub Echoes”, ajudou muito estar por aqui esse tempo para fazerem as coisas acontecerem.
Mad Professor entorta “Lively up yourself” (Bob Marley)
Muita coisa aconteceu desde a última vez que falei do “Dub Echoes” (documentário inicidado em 2004 e só concluído em 2008) por aqui.
O filme rodou o mundo, em festivais na Dinamarca, Suécia, Espanha, Jamaica, EUA, Portugal, Inglaterra e até no Brasil, com México, Irlanda, Finlândia, República Tcheca e Canadá pela frente.
Finalizando essa temporada acompanhando o doc pela Europa, o filme foi exibido em Amsterdã, no cinema da nova biblioteca pública da cidade, num prédio muito futurista, dentro do festival B-oost.
Don Letts se diverte tocando “Rebel” (Morgan Heritage)
Como se isso não fosse o suficiente, após a sessão, teve uma bela festa, com o som a cargo dos entrevistados do filme Don Letts e Mad Professor (ao vivo).
Guardando a melhor notícia para o final, antes do final do ano, “Dub Echoes” será lançado em DVD (com distribuição mundial, exceto no Brasil) pela inglesa Soul Jazz Records.
Finalmente estréia, no Festival do Rio, “Favela on blast”, também conhecido como “o documentário do Diplo sobre funk”.
Estréia no Festival do Rio “Só dez por cento é mentira”, documentário descrito pelos autores como a “desbiografia oficial do poeta Manoel de Barros”.
A montagem é de Julio Adler e o design em movimento é da Mar e da Brabo, todos parte da equipe do “Dub Echoes”. Falando no dub doc, o lançamento em DVD, com distribuição mundial, será em novembro. Novidades a caminho.
O Justice está se aquecendo para o lançamento do seu primeiro DVD, “A cross the universe” (pegou o trocadilho?), trazendo registros de várias apresentações ao vivo da dupla pelo mundo, mais um documentário.
Os franceses estão pedindo para os fãs mandarem fotos para o encarte. Se você tiver um bom clique, envie para justicematerial@edbangerrecords.com.
Os informativos da marca carioca Totem sempre vem recheados de boas dicas de discos e filmes do dono da marca, Fred D’Orey. Esse ano ele organiza a 2ª mostra de cinema Rock & Totem, no auditório do Senac Rio.
Segundo consta, um dos melhores momentos do documentário “Metal: a headbanger’s journey”.
Frustrado após mais um pé na bunda, Chris Waitt decide revisitar todas suas ex-namoradas e fazer disso um filme, simplesmente chamado “A complete history of my sexual failures” (“Uma história completa dos meus fracassos sexuais”). Dá para assistir vários trechos do filme na rede.
Caetano Veloso, “Falso Leblon”
Caetano Veloso segue com a sua “Obra em progresso”, iniciada com uma série de shows em que apresentou as novas músicas que farão parte do novo disco (talvez chamado “Transamba”, corruptela com o título de um dos seus melhores trabalhos, “Transa”).
Distorcendo ainda mais a ordem dos fatores, o DVD foi gravado antes do disco. Dando continuidade a sua vontade de se mostrar transparente e escancarando os bastidores do seu processo criativo, Caetano anda publicando no saite do projeto até e-mail com questões levantadas pelo editor do documentário.
Na era dos blogues, MP3 e bandas que estouram no mundo todo com músicas que sequer estão prontas, é interessante acompanhar mais uma reinvenção do próprio personagem pelo Caetano.
“Última parada 174″
Estreiando no Festival do Rio 2008, o filme “Última parada 174″, de Bruno Barreto. A premissa do filme é de que a história de Sandro Nascimento, protagonista do sequestro do ônibus 174, em 2000, não foi contada.
Interessante. O único detalhe é que foi sim contada, em fatos reais, no documentário “Ônibus 174″.
“Ônibus 174″
Trata-se de um dos mais celebrados docs brasileiros, em casa e no exterior, vencedor desse mesmo Festival do Rio, onde também estreiou. Não é exatamente como se o assunto não tivesse repercutido.
Difícil entender a relevância de se contar essa história novamente. Será que, por se tratar de ficção, vai atingir um público maior? Ou pura exploração do tema da vez, violência urbana?
Cultura digital, música, urbanidades, documentários e jornalismo. Não foi exatamente assim que começou, lá em 2003, e ainda deve mudar muito. A graça é essa.
Documentarista, jornalista, carioca, boto som mas não sou DJ e provavelmente passo tempo demais online.
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falaurbe [@] gmail.com

