Lá vou eu, gastando todo meu portunhol em uma entrevista sobre o “Dub Echoes” para o saite El Parlante Amarillo. Divirtam-se.
“Dub Echoes” está indicado na categoria “filme/documentário musical do ano” no VMB 2009 e votação se encerra na sexta.
Clique e vote. Quem sabe assim não rola um lançamento nacional em DVD?
Volta e meio algum amigo em viagem encontra o Dub Echoes sendo vendido em alguma loja pelo mundo e manda a foto. É sempre muito legal receber esses e-mails.
As duas últimas foram essas:
Antonio Pedro clicou o DVD em Amsterdã:
Nado Leal viu o vinil em Barcelona:
A bacanuda revista francesa Les Inrockuptible publicou outra matéria bem legal sobre o “Dub Echoes”. A primeira foi na edição especial Reggae Story.
Para ler no francês original, clique na imagem ou no link acima. Para ler em português (ou inglês, grego…), copie o texto no saite da revista e traduza automática no excelente Babel Fish.
O documentário “Dub Echoes”, desse que vos escreve, foi indicado ao VMB 2009 na categoria “Melhor Filme Musical Do Ano”, no VMB 2009, premiação da MTV.
Se você viu e gostou — você baixou que eu sei… :) — vote, é só clicar na imagem. A disputa tá boa, vários filmes legais.
Continuam saindo resenhas positivas do documentário “Dub Echoes”, produzido e dirigido por esse escriba. Nessa leva tem: Les Inrockuptibles (na edição especial Reggae Story) e World Sound (França), Uncut e I-DJ (Inglaterra), Rumore (Itália), Riddim e Juice (Alemanha).
Enquanto isso, nada de apoio para um lançamento nacional. Como é difícil fazer as coisas por aqui…

Isso é um gif animado de um trecho da entrevista do Roots Manuva no Dub Echoes. Saiu no Dutty Artz, do mestre Dj Rupture.
Vi no Dancing Cheetah, blogue editado pelo pesquisador do documentário Chicodub, meu companheiro de viagem para as entrevistas do filme.
Hoje o filme será exibido no Rio, as 21h, no Cine Santa Teresa, como parte da edição carioca do festival In Edit Brasil.
A MTV fez uma matéria sobre o documentário “Dub Echoes”, entrevistando a mim e ao Mad Professor.
Saiu uma matéria bacana sobre o “Dub Echoes” na revista portuguesa Parq Mag.

Mojo, 3 estrelas (clique na foto para ampliar)

Q, 4 estrelas (clique na foto para ampliar)

DJ Mag, (clique na foto para ampliar)
A notícia do lançamento do “Dub Echoes” em DVD segue se espalhando. Muito legal ver isso acontecendo, ainda mais pensando nas condições em que tudo foi feito. Parabéns pra toda equipe, isso não estaria acontecendo sem o esforço de todos vocês!
O DJ e pesquisador Gilles Peterson tuítou falando da trilha do filme. No Twitter tem rolado bastante coisa, aliás.
Com o lançamento oficial, começam a sair as resenhas do Dub Echoes. E está indo muito bem!
Guardian, Fact Magazine (4 estrelas e meia em cinco) e a francesa 90BMP comentaram o filme. Don Letts mencionou o documentário no seu programa de rádio na BBC.
O Observer Music Monthly, a Time Out e a Wire deram destaque, anexados abaixo.
Conforme for chegando mais resenhas, subo aqui. Clique nas fotos para ampliar e ler.

TIme Out London, 4 estrelas em 6

Obsever Music Monthly, 3 estrelas em 5
As atualizações andaram devagar essa semana, ficou com saudades? O motivo do sumiço foi nobre. Cinco anos depois do início da missão, finalmente o projeto “Dub Echoes” está encerrado, embrulhado numa caixinha em formato DVD.
Glória, glória, ALELUIA!
O lançamento do DVD do “Dub Echoes”, em Londres, foi sensacional. Abarrotada de gente, tinha gente assistindo o filme de pé. A festa entupiu ainda mais de pessoas querendo ouvir os sets do Don Letts, Adrian Sherwood, Cluekid e Cotti.
Em uma semana esgotaram-se as primeiras 2 mil cópias do documentário, transformando-o no item mais vendido do ano na gravadora. Saíram resenhas legais na Time Out, no Daily Telegraph, uma um pouco mais áspera na Wire e tem mais outras a caminho. Assim que achar, linko.
Vou contar mais assim que o fuso horário se acertar. Quem quiser, pode ver algumas fotos no Flickr do documentário. E que saudade de Londres…
Partiu Londres.
Se alguém estiver na área, é só chegar na festa de lançamento do DVD “Dub Echoes”, em Brick Lane. É grátis.
O lance dura o dia inteiro, com exibição do filme, painel de discussão e atrações ao vivo fracas, fracas: Don Letts, Adrian Sherwood, Cotti e Cluekid.
O Bruno Belluomi fez uma entrevista sobre o lançamento pro rraurl.

A foto da capa é do amigo Felipe Continentino
Aproveitando o lançamento do DVD do “Dub Echoes” a Soul Jazz preparou também um disco inspirado no tema central do filme, “Dub Echoes, Sonic Excursions in Dub and Beyond: Jamaican Kings Meet Electronic Futurists in Dub Worldwide”.
A seleção tá sensacional, de King Tubby a Kode9, de Digitaldubs a Roots Manuva. O esperto subtítulo da coletânea, claro, faz referência ao clááááássico “King Tubbby meet Rockers Uptown”.
Dia 10 de maio tem a festa de lançamento, em Londres (a pré-venda já começou). Estarei lá.

Há pouco mais de um mês do lançamento em DVD pela Soul Jazz e após participar em mais de 20 festivais em 18 países, semana passada “Dub Echoes” recebeu o prêmio de melhor de melhor filme do público do festival polonês Music and World Documentary Film Festival. Parabéns e obrigado a toda equipe!
Digitaldubs vs Dubiterian, “Deb dub”
(música utilizada como trilha no trailer do “Dub Echoes”)
Começou a pré-venda do DVD do documentário “Dub Echoes”, com lançamento mundial da Soul Jazz Records.
Por enquanto não há previsão lançamento de uma edição nacional aqui no Brasil, então o único caminho é pagar £ 9,99 e garantir a sua cópia.
Feito de forma totalmente independente (leia-se: sem patrocínios), essa fase de vendas é muito importante para o projeto. Seu apoio é fundamental!
Saiu uma entrevista comigo e Chicodbub, falando sobre o documentário “Dub Echoes”, no Tranquera.
Falando no filme, em fevereiro finalmente haverá uma exibição no Rio, dentro do Rio Music Conference a exibição que teria no Rio foi cancelada.
Em abril sai o DVD, por enquanto só lá fora.
O documentário “Dub Echoes” será exibido nesse domingo, 23 de novembro, na Bienal de São Paulo.
Trata-se da versão finalizada e legendada, é a primeira exibição dessa cópia e uma das poucas chances de assistir o filme aqui no Brasil. Serão duas sessões: 14h30 e 18h.
A facilidade de acesso a coisas relacionadas a documentário, seja o simples fato de vários deles simplesmente entrarem em cartaz, DVDs, oficinas, festivais ou as sessões especiais organizadas pela BFI, ICA ou Curzon. Sem falar que, no caso meu documentário, “Dub Echoes”, ajudou muito estar por aqui esse tempo para fazerem as coisas acontecerem.
Mad Professor entorta “Lively up yourself” (Bob Marley)
Muita coisa aconteceu desde a última vez que falei do “Dub Echoes” (documentário inicidado em 2004 e só concluído em 2008) por aqui.
O filme rodou o mundo, em festivais na Dinamarca, Suécia, Espanha, Jamaica, EUA, Portugal, Inglaterra e até no Brasil, com México, Irlanda, Finlândia, República Tcheca e Canadá pela frente.
Finalizando essa temporada acompanhando o doc pela Europa, o filme foi exibido em Amsterdã, no cinema da nova biblioteca pública da cidade, num prédio muito futurista, dentro do festival B-oost.
Don Letts se diverte tocando “Rebel” (Morgan Heritage)
Como se isso não fosse o suficiente, após a sessão, teve uma bela festa, com o som a cargo dos entrevistados do filme Don Letts e Mad Professor (ao vivo).
Guardando a melhor notícia para o final, antes do final do ano, “Dub Echoes” será lançado em DVD (com distribuição mundial, exceto no Brasil) pela inglesa Soul Jazz Records.

Matéria sobre o “Dub Echoes”, na revista Void.
Finalmente, o trailer do documentário “Dub Echoes” está no ar!
A repercussão está sendo boa, com notas nos saites das revistas Wired e XLR8R. Se tudo continuar indo como está, em agosto o filme fica pronto.
Lee Perry abençoa os cariocas
Parte 1, o show
Traumatizados com o bolo de cinco anos atrás, quando cancelou sua participação no show com Mad Professor & The Robotiks (que tocaram mesmo assim), muita gente desconfiava se Lee Perry realmente tocaria no Brasil
Dessa vez, foi. Finalmente, “Scratch” pisou por aqui e a apresentação, como era de se esperar, entrou para galeria de melhores dessa cidade.
Perry estava acompanhado de uma banda competente, ainda que resvalando num reggae pop demais em alguns poucos momentos, apresentada como uma reencarnação do Upsetters (com um ex-Robotik na bateria, Sinclair) — e não pelo White Belly Rats, como dito anteriormente — Lee Perry operou sua “blackumba” no Circo Voador.
Recebido aos berros pelo numeroso público, que não chegou a lotar a casa, Perry subiu ao palco com um chapéu de bruxo. Vestindo uma roupa militar, boné (ambos repletos de medalhas coladas e símbolos costurados) e vários colares, abençou a platéia com sua garrafa d’água.
O show começou com “Jungle safari” e terminou com a dobradinha “War ina Babylon/”Open door”. Entre essas duas, “Curly locks”, “I wish it would rain” (The Temptations) e “Roast fish, collie weed & corn bread”.
Apesar do excelente som que se ouviu no Circo (por conta da astúcia na mesa de um ex-integrante do Revolutionary Dub Warriors), especialmente a partir da terceira música, “I’m a good man” (”I’m a mad man” rebatizada), importava mais estar na presença de Lee Perry, o mago do dub, do que qualquer outra coisa.
Muito mais produtor do que artista propriamente dito, foi controlando uma mesa de som que Perry escreveu seu nome como um gênio da música. Talvez por isso, era justamente nos intervalos entre as canções que ele mais brilhava.
Com a voz metálica, repetiu diversos “I love you”, enquanto enxugava o suor do rosto com a toalha preta e fazia discursos pouco intelegíveis, seja pelo pesado sotaque jamaicano, seja pelo conteúdo pouco linear.
Perry citou cristais como uma prova cabal de que Jesus Cristo era negro, pediu menos violência no Brasil e contou que não tem dreadlocks na cabeça, mas sim “no pau” (nessas palavras). A platéia, extasiada, esticava os braços para tocar as mãos e os muitos anéis do Jamaicano. Uma mulher entregou uma rosa branca, que Perry segurou durante boa parte do show.
Um encontro mágico e a certeza de ter presenciado um pedaço da história.
Parte 2, a entrevista

Dois anos, supostamente, é tempo a beça para se terminar um filme. Acontece que, para se concluir um documentário, é preciso primeiro terminar a fase de captação de imagens e entrevistas. E um documentário sobre dub sem Lee Perry é, numa visão otimista, metade do que poderia ser.
A saga da produção do “Dub Echoes”, para contar como o dub influenciou o surgimento do hip hop e da música eletrônica, começou há mais de dois anos. Atravessou oceanos, foi à Jamaica, EUA e Inglaterra, sem nunca encontrar Lee Perry.
Nesse último final de semana, a passagem desse nome fundamental na história do dub e do reggae pelo Brasil, transformou dois anos de demora, de problemas com cronograma e de todas atolações inerentes a um projeto independente, em dois anos de espera.
Dois anos depois de começar, Lee Perry, o primeiro nome da lista, concedeu a entrevista que faltava para o documentário!
Não foi fácil. Após dois meses de trocas de e-mail com o empresário (contato feito com a ajuda de Paulo André), ficou acertado que Lee Perry decidiria se participaria ou não apenas quando chegasse ao Brasil. Chegando aqui, a primeira resposta foi “não”. A segunda também, “não” de novo, pelas mesmas “razões pessoais”.
Como prêmio de consolação, o produtor de turnê de Perry fez um convite para ir ao camarim após o show, para ao menos tirar uma foto. Sem filmadora, sem microfone, sem roteiro, somente como fã. No camarim vazio (com presença apenas das respectivas), a primeira coisa que Perry falou foi: “é você quem está fazendo o documentário?”.
Respondi que sim e emendei “mas você não quer participar, né?”. Ele explicou seus motivos — nem tão convincentes assim — enquanto eu falava que era uma pena, que sem ele o filme não seria a mesma coisa. Perry foi mudando de idéia sozinho, até ele mesmo propor uma entrevista “de cinco minutos, para falar o que quiser, sem edição”, no dia seguinte.
Os cinco minutos viraram 17 e, no fim das contas, ele preferiu ser questionado do que falar o que parecia tanto querer. Perry não foi tão folclórico quanto se podia imaginar (assim como Mrs. Perry também não foi a pessoa difícil que tanto se comenta) e o papo só não durou mais porque ele estava atrasado para o vôo que o levaria para Recife.
Totalmente coerente, explicou porque incendiou seu estúdio, a Black Ark, sem rodeios, de uma maneira direta que, nem Chicodub, nem eu, havíamos visto/lido antes. Falou da importância espiritual da água nas suas produções e no seu bom estado físico. Explicou porque, de Paul McCartney aos Beastie Boys, todos o amam.
Assinou os papéis de liberação de imagem sem frescura nenhuma, despediu-se e foi isso. Quanta coisa boa em meras 12 horas.
Parte 3, o pós
Em seguida ao show do Lee Perry, ainda deu tempo de conferir o norueguês Prins Thomas, na Moo. O sujeito conseguiu ofuscar o seu ótimo set com um remix inédito e destruidor de “Gravity’s rainbow”, do Klaxons (música já remixada algumas vezes). Depois disso, nada soou tão bom.

fotos: Joca Vidal
Depois de tocar em Brasília e São Paulo, o Zion Train fez a parada final da turnê brasileira no Rio, no Teatro Odisséia.
O evento estava marcado para as 21h, com aviso na filipeta de que os shows começariam as 23h. Privilegiando os que chegam tarde, era quase 1h da manhã quando a primeira atração da noite, Digitaldubs, subiu ao palco. Isso em pleno domingo, porque desrespeito pouco é bobagem.

Digitaldubs e Ras Bernardo
O DD apresentou o seu “dub show”. Esse é o mesmo formato responsável por algumas das melhores atuações do grupo (no Humaitá pra Peixe ou abrindo para o Mad Professor, no Circo Voador, ambas em 2005), com Nelson Meirelles tocando baixo, MPC comandando os efeito e pouca gritaria dos MCs convidados.
O bom repertório de linhas de baixo e efeitos, as participações econômicas dos cantores e a prioridade dada a sonoridades acachapantes em vez da estridência do dancehall, fez o DD sacudir os presentes como se fossem a atração principal. É inexplicável esse não ser o show padrão deles.
Logo em seguida, foi a vez do produtor Neil Perch e do MC Dubdadda, mostrar a força do som do Zion Train para platéia carioca. Sem o acompanhamento da banda e dos vocais com o qual a banda excursiona pela Europa, coube a dupla representar o grupo inglês.
Com pouco equipamento — apenas um laptop, uma mesa de som e dois periféricos de efeito — Perch preferiu uma calmaria antes de espancar o público com graves nunca antes ouvidos no Teatro Odisséia. Suando pacas, Dubdadda tinha apenas o microfone pra falar de política, amor, sobre o Brasil e agitar o público. Era o suficiente
Sem tocar músicas dos seus discos, apenas improvisações ao vivo, Perch foi aumentando a pressão aos poucos. Do dub chapadão passou para as misturas com o house que fizeram a fama do Zion Train.
O bpm continou subindo, atingindo seu melhor momento no terço final do show, quando a batida steppers (marcada por uma levada militar, típica do dub inglês) finalmente surgiu. Cristiano Dubmaster, do DD, ainda fez uma participação especial.
Horas antes, Neil Perch deu entrevista e liberou a filmagem do show para utilização no documentário “Dub Echoes“, que, se demora a sair, fica cada vez mais rico em imagens e depoimentos.
No final, um drum n bass violento, com sample de “War in a Babylon” (Max Romeo, produzida por Lee Perry), encerrou a festa, com promessa de retorno do Zion Train. É esperar pra ver.

O primeiro corte do “Dub Echoes” está, finalmente, pronto. Ainda é um rascunho, sem imagens de apoio (shows, ruas da Jamaica e Inglaterra, capas de disco, etc), somente as entrevistas.
Editadas a partir de 48 horas de material, o esqueleto do documentário está com 3h de duração, que irá gerar duas versões: uma de aproximadamente 1h30 (para lançamento em DVD) e outra de 52 minutos, para TV e, talvez, internet.
A previsão é de que até o meio de julho a primeira versão do filme esteja pronta, inclusive um trailer pra começar a divulgar.
Esse ano não vai ter essa balela de lista de melhores do ano com trocentas categorias no URBe. Minha memória é péssima, a cronológica então, pior ainda. Não presto pra fazer essas listas, embolo as datas, é um desastre.
Pra simplificar, sem pensar muito, alguns destaques (com links) nas duas categorias indicadas no título. Depois, três apostas para 2005. Quem for concordando, discordando e lembrando de mais coisas, participe nos comentários.
Alegrias
Tributo à Coxsone Dodd, na JAMAICA!
Mombojó, no Ballroom
Mad Professor no Circo Voador
Los Hermanos, na Fundição Progresso
Chemical Brothers, em São Paulo (acompanhado é sempre melhor)
Kill Bill
BB King, na Marina da Glória
Acabou la Tequila, no HPP
China, no HPP
Lucas Santtana, no Dulcina
Nego Moçambique, no Fosfobox
Basement Jaxx, no Skol Beats
Manu Chao, participando do show do Reggae B, no Circo Voador
Del Rey, no Teatro Odisséia
Festa de lançamento do URBe no Gardenal, no 00
Dub Echoes e suas várias viagens
Babylon by Gus, o ano do macaco vol. 1, o disco
Mr. Catra e os Apóstolos, na Vila Mimosa
Gregory Isaacs, em Juiz de Fora
Tristezas
Massive Attack, no Via Funchal (SP)
Lemonheadzzz, no Ballroom
TIM Fest, no Rio e em SP
Scissor Sisters, no Creamfields UK
The Doors of the 21st Century (fecha a porta! fecha!)
O esvaziamento cultural do Rio
Perder o Pixies em Curitiba
Bush de novo
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Claramente, mais coisas boas do que ruins. 2004 foi um bom ano, na música e no URBe. O saite cresceu, ganhou mais visibilidade, pavimentando o caminho para quando finalmente a convergência de mídias chegar.
Já que estamos aqui, três apostas fáceis, barbadas. Três nomes. Um que surgirá, um pra estourar e outro pra continuar por aí no ano que vem:
Mombojó - O septeto pernambucano chegou abrindo espaço e rapidamente conquistou o seu lugar. O excelente “Nadadenovo” conquistou uma legião de fãs, todos secos para ouvir o que mais vai sair da cabeça dessa mulecada do Recife. Melhor surpresa de 2004, o Mombojó tem tudo pra se firmar em 2005. Basta manter o nível e seguir a risca o título do primeiro disco.
Nervoso - André Paixão, o Nervoso, não é exatamente uma novidade no circuito underground carioca. Com passagens pelas baquetas do Acabou la Tequila, Beach Lizards e Autoramas, taí há um tempo. O lance é que o cara cansou de ficar escondido atrás de pratos e caixas e ton-tons, deu um passo a frente e lançou o ótimo “Saudades das minhas lembranças”, se revelando um front man dos bons. Assim como o próprio disco, que leva umas três, quatro audições pra descer direito, Nervoso aos poucos vai chamando mais e mais atenção. Em 2005 um nome pra acompanhar de perto.
Moptop - Mesmo parecendo demais com Strokes, Franz Ferdinand e com um vocal de timbre “Amarante rouco”, os cariocas do Moptop devem crescer. Por que? Exatamente por tudo isso. O público não é mesmo chegado a muita novidade, prefere referências fáceis, próximas. E disso o Moptop tá cheio. O grupo faz um pop rock esperto, com qualidade. Ninguém nasce pronto, com certeza com o tempo eles encontrarão o próprio caminho. Relatos dão conta de que Chico Neves (produtor do “Bloco do eu sozinho”, “Lado B Lado A”, entre outros) produz o disco. O chiclete “O rock acabou” vai martelar muito seu ouvido em 2005.
bônus
O dub sai da toca - Já botou a cabeça pra fora, isso todo mundo viu. Nunca o gênero teve tanta exposição por aqui. No entanto isso não significa que teremos diversos revivals dos clássicos setentistas. Lentamente o gênero vai se infiltrando em outros estilos, aparecendo de maneiras mais sutis, se fortalecendo como elemento, não apenas como influência. No Brasil isso fica cada vez mais óbvio. É um processo sem volta.
Obrigado a vocês, meus quatro leitores, que fazem valer a pena continuar escrevendo aqui. Bom 2005 e vamo que vamo!
Matéria sobre viagem à Inglaterra, para filmar o documentário “Dub Echoes”, que escrevi para o Rio Fanzine (O Globo).
Clique na imagem para ler.
Durante a viagem para os EUA e Inglaterra para fazer o documentário “Dub Echoes”, escrevi uma coluna no Globo On Line, espécie de diário de bordo atualizado sempre que possível.
Essa foi a sexta entrada.
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A capital inglesa é um carnaval
Londres é mesmo a capital da música. Somente em aqui é possível entrevistar, em menos de uma semana, Audio Bullys, Groove Corporation, Asian Dub Foundation, LTJ Bukem, Bigga Bush, Dreadzone, David Katz (autor de “People Funny Boy”, biografia oficial do Lee Perry, e tambem de “Solid Foundation”), conferir o Creamfields, o carnaval de Notting Hill e ainda deixar engatilhado bate-papos com pelo menos outros cinco grandes nomes da cena.
Bully é uma gíria inglesa pra encrenqueiro. Numa tradução grosseira, Audio Bullys pode ser entendido como “encrenqueiros do áudio”. No entanto, nada pode ser mais distante disso do que chegar na casa de um dos integrantes e receber uma xícara de chá para passar o tempo enquanto ele acaba de passar roupa ou pede licença para atender o telefone. Durante a entrevista que encerrou a semana passada, a dupla mostrou não sacar da história do dub, mas foi enfática em reconhecer a importância do gênero no som que eles produzem.
O final de semana foi pouco produtivo para o documentário por dois motivos. Primeiro porque segunda era feriado (Bank Holyday, um dos mais importantes daqui). Segundo porque estava rolando o Notting Hill Carnival, festança caribenha que dura dois dias e domina a cidade.
Entre muitos trios eletricos de calipso, soca e salsa, os sound systems jamaicanos se destacavam. Apesar da festa originalmente ser de Trinidad e Tobago, pouco a pouco a Jamaica vai tomando conta da situação, espalhando suas equipes de som por pontos estratégicos e colorindo a festa com as cores rasta. É impressionante o número de pessoas com camisetas, casacos, tênis ou acessórios fazendo referência à ilha. Geralmente os sound systems mais disputados são os do Jah Shaka, que esse ano não tocou, e do Aba Shanti I, que quebrou logo no comecinho do set. Restou correr para o Channel One, sem nenhuma relação com o lendário estúdio, para curtir freqüências graves de deixar engasgado. O grande problema é conseguir ir de um ponto ao outro. Com mais de um milhão de pessoas nas ruas, atravessar a massa de gente nao é mole.
Um dia antes do inicio do Carnaval, foi a vez do Creamfields, em Liverpool. Um dos maiores festivais de música eletrônica do mundo, aterrisando no Brasil no final do ano (só em Sao Paulo), o line up desse ano estava tão caprichado que mesmo os organizadores não se cansavam de alardear que era um dos melhores da história do evento: Plump DJs, Audio Bullys, Scissor Sisters (fraco…), Deep Dish decepcionando com um set reto e sem groove, FC Kahuna, Scratch Perverts, Mark Farina, Josh Wink, Jeff Mills, Layo & Bushwacka, Dave Clarke, estavam todos la.
Numa estratégia pra conseguir espalhar o público de 40 mil pessoas pelo espaóo, as três principais atrações entraram em cena simultaneamente no auge da noite: Darren Emerson, Sasha (o furão do último Skol Beats) e Chemical Brothers destruíram a galera. Sem poder ver os três, fiquei com o Chemical e, mesmo sem ter visto os outros dois, posso afirmar: foi a escolha certa. Tom e Ed fizeram uma apresentação avassaladora, irretocável. Portanto, sendo fã ou não da dupla, é hora de juntar dinheiro pra ir pra São Paulo (de novo?! alô, alô, produtores cariocas!) no final do ano e conferir de perto o que talvez seja o melhor show de música eletrônica da atualidade. Só isso.
Essa semana, até agora, já foram devidamente entrevistados o Dr. Das (baixista do Asian Dub Foundation), Richard Wittingham (cabeça da gravadora Different Drummer), o figuraça LTJ Bukem, Bigga Bush (Rockers Hi-Fi), Dreadzone e ainda teve visita ao estúdio do Groove Corporation, o Elephant House, com direito a dub mix ao vivo e o escambau. A viagem está acabando, mas a lista de entrevistados ainda não. Vem mais por aí.
Durante a viagem para os EUA e Inglaterra para fazer o documentário “Dub Echoes”, escrevi uma coluna no Globo On Line, espécie de diário de bordo atualizado sempre que possível.
Essa foi a quinta entrada.
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Ingla is a bitch
A principal preocupação antes de viajar pra Inglaterra era arrumar onde ficar. Tudo por aqui é caro demais. Acabei conseguindo ficar uns dias na casa de uns amigos da Chris Magnavita, ex-colega de MTV. Primeiro na casa do Marcelo, o cara que comanda a comunidade brazuca aqui em Londres através do seu restaurante, o Brasil by Kilo, que aos poucos vai se transformando num centro de cultura brasileira. O prédio de seis andares tem locadora de filmes nacionais, comidas típicas, internet cafe, serviço completo. Quando estão na área, Marky e Patife sempre dão as caras. Depois, foi a vez do Joao hospedar a equipe.
Logo no primeiro dia, três entrevistas foram feitas, começando pelo Mad Professor. O dubman deve pintar no Brasil ainda esse ano para promover sua versão psicodélica do disco “Tranquilo”, do “Marcelino de Lua”, como ele fala. Depois, Kode 9, do coletivo Dubstep, falou sobre as raízes jamaicanas do UK Garage.
Pra fechar, Steve Barrow, um dos chefões da Blood and Fire, principal selo de relançamentos de reggae. Barrow, autor de livros como a bíblia “Rough Guide to Reggae”, tambem é conhecido como o maior colecionador de compactos do estilo, guardando cerca de 9 mil bolachas, organizadas em ordem alfabética, em um dos quartos de sua casa.
No dia seguinte, foi a vez de conhecer o responsável pela Congo Natty, gravadora especializada em jungles rastas até não poder mais.Totalmente em harmonia com sua filosofia, o sujeito nos buscou na estação de trem vestindo um uniforme da Etiópia e falou bastante sobre as mensagens rastafaris das suas músicas e de como isso pode ajudar a empurrar os jovens pra bem longe de lixos pop. Durante a entrevista ele ficou só de cueca e camiseta. Surreal.
Os festivais de verão ainda não acabaram, esse final de semana ainda tem Reading Festival, Leeds, Creamfields e Notting Hill Carnival, o que significa dizer que praticamente todos os artistas do mundo estão ou estarão em Londres por esses dias. Foi durante o ensaio para o Reading que o Roots Manuva falou para o documentário. Talvez em nenhum outro som a fusão entre hip hop e dub feita pelo Roots Manuva saia tão bem e o assunto, claro, foi exatamente isso.
Já Howie B, produtor, entre outras coisas, de “Drum and bass stripped to the bone”, estrelando os riddim twins Sly & Robbie, falou da cena eletrônica como um todo. À vontade na propria casa, Howie defendeu a repetição da música eletrônica e ainda deu a receita ideal para transformar alguem num fissurado em dub: amarre-o pelado em um sofá, raspe todos os pêlos do seu corpo e depois jogue queijo parmesão em cima. Segundo ele, é batata, o sujeito vira dubhead na hora. O resto do papo gravitou nesse mesmo nível de insanidade, com muitas boas declarações.
Semana corrida, agora é visitar o Audio Bullys e David Katz, outro estudioso do assunto. E esses são só os primeiros dias.
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