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Introdução ao dubstep

Dia desses um amigo — não lembro quem — me perguntou o que diabos exatamente era dubstep. Mandei um e-mail (pra pessoa errada!) cheio de links e apontando alguns dos principais nomes. O Chicodub também estava na troca de mensagens e botou pilha pra jogar aqui. Então aqui está.


Kode9 & Spaceape, “9 Samurai”

Kode9 – O pensador do movimento, dono do selo Hyperdub e agitador da rapaziada e está sempre na escalação das principais festas, seja tocando na Dublime, na FWD>> ou DMZ (mais sobre essa última abaixo). Ele é um dos entrevistados do meu doc Dub Echoes, falando de dubstep em 2004, quando isso sequer existia direito. Só o Chico pra ter achado isso. Hoje o cara é uma estrela na Inglaterra. Foi colocado pela gravadora em destaque na capa do DVD do doc,  pra se ter uma idéia. Já tocou no Brasil e encerrou o festival Love Music Hate Racism.


Skream, “Midnight Request Live”

Skream – O hitmaker, até onde se pode considerar que o dubstep produz hits. Foi dele o primeiro sucesso a furar a barreira do nicho, “Midnight Request Live”. São dele os remixes “Not over yet” (Skream remix) (Klaxons) e “In for the kill” (Skream’s Let’s get ravey remix) (da queridinha da vez, La Roux). Ouça a original antes pra sacar o que o cara faz, remix é sempre bom pra dar essa dimensão, né. Tocou numa festinha da minha facul em Londres, eu e mais 20 doidos na platéia e só. Até lá o troço é underground!

Burial – O menino prodígio. Teve seu segundo disco indicado (e quase levou) ao Mercury Prize, o Grammy inglês. É visto como quem empurrou as fronteiras do gênero, falando com mais gente e divulgando o estilo para além do gueto a que estava restrito. Os dois discos, “Burial” e “Untrue”, realmente são muito bons.

Até pouco tempo ninguem sabia quem ele era, permanecia incógnito, gerando comparações com o Banksy. Não havia nenhum motivo especial para isso além de não querer tirar atenção do som (muitos pensavam que era o Kode9, já que os discos saem pela Hyberdub).

Na época da indicação ao Mercury, o cerco arrochou tanto que ele achou que o próprio anonimato estava tirando atenção das músicas e ele mesmo revelou sua identidade. Pode ter sido também pra poder lucrar com a fama, podendo se apresentar ao vivo, coisa que não fazia antes.


DMZ

DMZ – É a principal festa do gênero, que acontece numa antiga igreja, em Brixton, no breu total. Escrevi sobre a festa depois que lá estive.


Tranquera, ao vivo

Tranquera – Dubstep brasileiro, capitaneado por Bruno Belluomi, conhecido e respeitado no exterior.


Rusko, “Jahova” fez um adendo:

Chicodub fez um adendo:

“De cada 10 dubsteps, uns dois, talvez três, sejam bons. Mas quando é bom… Meu amigo, vou te contar: porrada! Os mais puxados pra Jamaica (tem de tudo, até mesmo coisas que nem parecem com dub – a maioria) são atualizações urbanóide-apocalípticas do King Tubby dos anos 70. Lindos, lindos… Porradas, claro. O resto é mais porrada ainda. É cru, esparso, ogro, psicopata, raivoso. Ainda assim, pode ser espacial e climático às vezes. E nessas vezes, mesmo dopado, a tensãozinha tá sempre lá.

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Space Echo, um tributo

Existe um emulador digital, mas não é a mesma coisa:

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“I get high with a little help from my friends”

O Easy Star’s All Stars mira alto. Responsável pelo excelente “Dub Side of the Moon” e o divertido “Radiodread” — versões dub do “Dark Side of the Moon” (Pink Floyd) e “Ok Computer” (Radiohead), respectivamente — o grupo agora vem no formato Easy Star’s Lonely Heart Dub Band.

É, entortaram o “Sgt. Peppers Lonely Heart Club Band” e colocaram os Beatles inna dubwise style. A banda é a mesma, com a dupla Victor “Ticklah” Axelrod e Victor Rice a frente, mais participações de Michael Rose (Black Uhuru), Sugar Minott, Matisyahu, Frankie Paul, Max Romeo e The Mighty Diamonds.

O disco só sai dia 14 de abril e a primeira música já está na página oficial do projeto. Trata-se de “With A Little Help From My Friends”, com Luciano no vocal, acompanhada de uma dub version com daddy U-Roy, The Originator voando sobre a base.

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20 anos

No dia 06 de fevereiro completou-se 20 anos do assassinato de King Tubby. A data não podia passar em branco, mesmo que atrasada.

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Franz Ferdinand inna dub style

Finalmente apareceu o “Blood: Tonight”, a aguardada versão dub do terceiro disco do Franz Ferdinand, “Tonight”. As mixagens são assinadas por Mr. Dan, segundo informa o Discogs.

Trata-se do pseudônimo do produtor do disco oficial, que em seu Myspace declara o dub como grande influência e traz fotos dele trabalhando com Lee Perry e Robbie Shakespeare (metade do Sly & Robbie). Mesmo assim, algo não saiu como esperado.

A prometida influência do reggae foi substituída pelo significado dub como é conhecido no universo da house music, um remix com menos vocais. Antes mesmo de ouvir, a curta duração das faixas já dava a dica de que alguma coisa estava fora do lugar.

Apesar de uns delays aqui, ecos acolá, de pegada dub, dub mesmo, só tem duas, “Backward on my face” (Twilight Omens dub version) e “Feel the envy” (”Send Him Away” dub version).

1 – “Feel the Pressure” (”What She Came For” dub version) – 3:28
2 – “Die on the Floor” (”Can’t Stop Feeling” dub version) – 6:35
3 – “The Vaguest of Feeling” (”Live Alone” dub version) – 3:50
4 – “If I Can’t Have You Then Nobody Can” (”Turn It On” dub version) – 3:54
5 – “Katherine Hit Me” (”No You Girls” dub version) – 3:43
6 – “Backwards on My Face” (Twilight Omens dub version) – 3:48
7 – “Feeling Kind of Anxious” (”Ulysses” dub version) – 6:31
8 – “Feel the Envy” (”Send Him Away” dub version) – 3:32

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Samba jovem

Lá vem o Digitaldubs e suas pedradas. O EP “Youthsamba riddim” tem o DD fazendo o que sabe fazer melhor, que é misturar elementos brasileiros na equação do reggae, como cavaquinho e cuíca.

Lançado pelo selo do próprio grupo, o Muzamba, são quatro versões para riddim, duas com participação de vocalistas do Aswad:

1 – “Pirate’s Game”, com Earl Sixteen
2 – “Pirate’s Samba”, dub da versão acima
3 – “Your love is overdue”, com Brindsley Forde
4 – “Youthsamba dub”, o creme

A versão em vinil está chegando ao Brasil e estará a venda na lojinha do saite do grupo. Enquanto isso, já anda repercutindo fora.

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Dub-a-ling

Pra comemorar o ano novo chinês, fica a dica da última viagem do Jah Wobble, baixista original do PiL.

Assinando agora como Jah Wobble & The Chinese Dub Orchestra, O inglês misturou dub e música chinesa no disco “Chinese dub”.

Outro inglês que gosta tanto de dub quanto de música asiática, Damon Albarn, soltou três músicas do próximo disco do Gorillaz num programa de rádio. No Churrasco Grego tem os links pra baixar.

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Dubwise com Buguinha

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Os alemão

O selo alemão Jahtari apresenta um belo set de dub geladão nesse “Bass Invaderz Mix”. Cortesia do Tranquera.

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Dub Brasil

Uma turma de produtores se organizou sob o nome Canabits Records e lançou duas coletâneas de dub feito por brasileiros. Alguns dos nomes envolvidos são velhos conhecidos, como o Dubstalker (dos tempos da falecida lista de discussão do Yahoo!  Groups dubbrasil) e o grande Buguinha Dub.

Como sempre acontece nesses casos, ficou faltando um monte de gente que passeia pela mesma praia — Digitaldubs, Echo Sound System, Confronto Sound System, Lucas Santtana, BNegão, a turma de Pernambuco. Legal ver tanta gente nova caindo dentro e notar como o dubstep se tornou uma influência monstruosa e incontornável na produção de dub nos anos 2000.

O ponto negativo disso é ver tanta gente indo para o mesmo lado, se aproximando dos ingleses, em vez de justamente usar as diferenças culturais e referenciais e retrabalhar o estilo com novas influências.

Tanto a “Pac-o-Mania Vol. 1″ quanto a “Vol. 2″ estão pra jogo no MySpace dos caras. Agora, nem tenta ouvir pelas caixinhas do computador porque é perda de tempo. Os graves pesadões demandam ao menos um bom par de fones de ouvido.

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Dub sangrento

Prestes a lançar seu terceiro disco, “Tonight”, o Franz Ferdinand fala em uma forte influência do dub na produção da bolacha, com linhas de baixo e bateria inspiradas na dupla Sly & Robbie e muitos efeitos.

Deve ser resultado da temporada filmando com Don Letts, que acompanhou a banda em sua primeira viagem a América do Sul para realizar o documentário “Rock it to Rio”.

Não bastasse isso, será lançada uma versão dub do disco, chamada “Blood: Tonight”, nomezinho fazendo referência escancarada a série de discos do Scientist.

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Deep Roots

Depois de lançado em volume único e evaporar do mercado, a série Deep Roots, produzida em 1982 pelo canal inglês Channel 4 e narrada pelo saudoso Mikey Dread, ressurge, dividida em três volumes.

Sente a pressão dessas imagens do King Jammy (então Price Jammy ainda) em ação, observado por Scientist enquanto Bunny Lee se arrebenta de dançar.

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Buga

Buguinha Dub segue adubando a sua vitrola.

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Mixagem

MPC mandou esse vídeo que ele fez do Jonah Dan fazendo um dub mix exclusivo de uma faixa do Digitaldubs. Classe.

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Babilônia

Dirigido por Emílio Domingos e Cavi Borges, da Cavídeo, e co-produzido pelo Digitaldubs, o curta “Pretinho Babylon” conta a história de um rástafari sobrevivendo na babilônia carioca.

Inspirado no clássico “Rockers”, estrelando Christiano “Talkmaster”, vulgo Dubmaster, e com participações especiais de Mr. Catra, BNegão, Jimmy Luv e trilha do DD, o filme tem o tom certo. Pra vc ter uma idéia, a parada é dublada!

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Saideira

Como toda boa festa, a promovida semanalmente há quatro anos pelo Digitaldubs Sound System na Casa da Matriz também chega ao fim.

A despedida será nessa quarta, 13 de agosto. Abaixo, o MPC explica a decisão de desligar o som.

URBe – Que papo é esse de última festa?

MPC – Depois de quatro anos tocando toda quarta-feira, sentimos a necessidade de
tirar umas férias da festa e ter mais tempo pra nos dedicar a outras coisas. O Digitaldubs não é só uma festa, temos um estúdio onde produzimos nosso som e também outros artistas, temos um selo, distribuição, etc. As vezes fica coisa demais pra gente fazer, chegou a hora de mudar o foco.

O fim da festa deixara um vazio na cena reggae carioca. Essa esfriada da cena não pode ser prejudicial para o próprio DD?

Com certeza vai deixar um vazio, pois atualmente éramos o único ponto semanal da cultura sound system no Rio. Mas espero que seja por pouco tempo. Hoje, diferente de quando começamos, existem vários outros grupos se movimentando por aqui. Espero que apareçam mais festas pra que o povo (e eu tambem!) possa curtir com frequência.

Você acha que com as festas semanais tava rolando uma super-exposicao, é hora de se esconder um pouco?

Pode ser que, depois de quatro anos, tenha ficado fácil demais pra ver o Digitaldubs no Rio. Tem aquela velha estória que “o jardim do vizinho é sempre mais bonito” ou que “queremos sempre o que não temos”. Talvez com a falta da festa toda semana, role uma saudade da galera.

Qual o balanço desses anos da festa na Matriz?

Muita coisa rolou mesmo. A festa semanal foi muito importate pra nossa evolução e também a evolução da cena do Rio, e talvez do Brasil mesmo.

Recebemos muita gente pra tocar na nossa festa, vários cantores, DJs, sound systems… Artistas da nossa cidade, de outros estados, de outros países… Muitos DJs, cantores e MCs se influenciaram pelo nosso trabalho e muitos também tiveram suas primeiras chances na nossa festa.

Muitas músicas foram compostas nas festa, de improviso, e depois foram gravadas no estúdio. Outras ficaram conhecidas na festa bem antes de serem lançadas.

Algumas ediçoes historicas tiveram como convidados Tippa Irie, Dj Perch (Zion Train), Mr. Catra, Black Alien, BNegão, WordSound (NY), Buguinha Dub, teve o sound clash contra o Moa Ambessa… Muita coisa pra listar aqui…

Quem quiser ver o Digitaldubs a partir de agora faz como?

O Digitaldubs está lançando disco novo em setembro (Funk Milk Riddim). Em breve vamos divulgar as datas da turnê que vai rolar em várias cidades do Brasil e também Chile, Argentina e México. Na volta, em novembro, deve rolar o lançamento no Rio.

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James Brown on dub

O maior trabalhador do showbusiness dá um relax ao som do grande Yabby You.

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Em branco

aerial_2562.jpg

Direto da Rough Trade East, “Aerial”, do holandês 2562 é uma PEDRADA de dubstep no seu quengo.

Não vai ter nem resenha, só os auto-explicativos nomes de cinco faixas do disco lançado pelo selo Tectonic, de Bristol.

“Moog Dub”
“Channel Two”
“Techno Dread”
“Basin Dub”
“Greyscale”

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Ecos-ecos-cos-cos-sssss

A primeira edição da festa Dublime na Fabric trouxe uma escalação em sintonia com um certo documentário.

De Lee Perry a Pole, passando por Don Letts, Congo Natty, Kode 9 e alguns dos principais nomes do dubstep, do jungle e do UK Roots, o evento foi um passeio pela linha evolutiva do dub, do berço jamaicano a improvável vertente alemã.

Com três pistas rolando simultaneamente, o esquema era cruel: escolhia-se um nome pra conferir, perdia-se, no mínimo, outras duas coisas muito boas.

Embora não seja uma presença rara em Londres, sendo de Leeds, o Iration Steppas teve prioridade. Tocando na menor pista, com MCs exaltando o time e um grave de amassar o peito, a versão de “Welcome to Jamrock” já valeu o set.

Don Letts fez um set pesado pacas, misturando digidubs com roots, transformando num presente o atraso para o início da apresentação do Lee Perry.

Em sua passsagem pelo Brasil, em 2007, acompanhado por uma banda que não era a sua usual, Lee Perry já fez mágica num pé só (o outro estava engessado), imagina acompanhado por Adrian Sherwood.

Além das bases e efeitos caprichados de Adrian, o grande barato da apresentação é que ela dura exatamente o tempo que Lee Perry leva para pintar um de seus quadros, no palco.

Misturando grafite com as pinceladas naïf, características da decoração do seu chamuscado estúdio, a Black Ark, Perry fala sem parar, entre improvisações e trechos de clássicos como “War inna Babylon”, “Curly locks”.

Perry é primeiramente um produtor, não um artista (embora tenha gravado várias músicas), então o ideal seria vê-lo mixando, coisa que ele já não faz mais.

O show é sim morno, mas isso pouco importa quando se está cara a cara com uma lenda da dimensão (dimensões?) de Lee Perry, com um pincel na mão, pintando os braços de quem os esticasse em sua direção.

Na outra pista, logo na sequência, o Pole tocou com um laptop, mixando e aplicando os efeitos ao vivo, através de uma mesa.

Resvalando no minimal house e mais dançante do que se poderia imaginar pelos discos, o alemão tem mesmo os dois pés no dub, por mais que diga em seu saite que é apenas uma influência.

Com os ouvidos zunindo de tanto grave, a parcela dubstep ficou pra depois.

A escalação completa da festa:

Pista 1 – ROOTS
Lee Perry Soundsystem & Adrian Sherwood (LIVE)
Dillinja (Valve Recordings)
Congo Natty aka Rebel MC (LIVE)
Caspa & Rusko (Dub Police), Loefah (DMZ/ Deep Medi)
Don Letts (Dub Cartel Sound System)
Souljazz Soundsystem
MCs Pokes, Warrior Queen & Rod Azlan

Pista 2: TEC
Pole (LIVE) (Scape/Mute)
Sleeparchive (LIVE)
Kode 9 (Hyperdub)
Scuba (Hotflush)
Pinch (Tectonic/Planet Mu)
Appleblim vs Peverlist (Skull Disco/Punch Drunk)
Downshifter (Skud/Hyponik)
MCs Flow Dan & Rogue Star

Pista 3 – POOM
Iration Steppas (Sub Dub)
Moody Boyz (Studio Rockers)
Antisocial (Deep Medi)
Blackdown & Dusk
Earl Gateshead (Trojan Sound System)
Jonny Trunk (Trunk Records)

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DMZ, a principal festa de dubstep de Londres


fotos e vídeo: URBe
* Esse texto foi republicado na coluna Rio Fanzine, do jornal O Globo

A escada apontando para baixo logo na entrada da DMZ, bi-mestral e mais importante festa de dubstep , é sintomática do clima underground da cena.

Porém, com o dubstep ganhando mais e mais espaço, é natural que após entrar na The Mass, em Brixton, você tenha que subir quatro andares de uma escada em espiral. O efeito desorientador das paredes creme e circulares são apenas um aperitivo do que está por vir.


Rumo ao underground

Na fila para guardar o casaco, alguém pergunta “o que exatamente é dubstep?”, no que é respondido pela menina logo a sua frente com uma rima, tão enigmática quanto explicativa: “bass pace and space” (“graves, ritmo e espaço”).

Do lado de dentro, Mala (do Digital Mystikz) e Loefah, davam uma aula prática para cerca de 500 pessoas espremidas numa pista de dança escura, iluminada apenas de tabela pelas luzes do bar e por uma bola espelhada em algum lugar do teto.


Mala

As batidas lentas e quebradas na maior parte do tempo são encobertas por linhas de baixo monstruosas, que muitas vezes se transformam numa cortina de graves oscilantes. Não é exatamente a definição de um som dançante. No entanto, não é o que os urros da pista a cada rewind demonstram.

Toda vez que uma faixa arranca gritos de “pull up” assim que estoura, na melhor tradição jamaicana, a mão de uma dos diversos MCs e amigos amontoados na cabine — raramente a do próprio DJ — volta a música para o início, proporcionando outra gritaria e prolongando seu clímax.

Durante a noite, duas das faixas que mais geraram berros foram “Poison dart” (com vocais da The Warrior Queen) e “Skeng”, ambas do produtor The Bug, que assistia a tudo do bar, ao lado de Kode 9, outro expoente do dubstep (e que já esteve no Brasil).


Skream atacando

A estrela da noite, porém, é um rapaz de 21 anos que manda o próprios fã “tomar no cu” assim que assume os toca-discos, incomodado com assédio do sujeito que enfia um celular com alguma mensagem digitada na sua cara.

Quando Skream começou a tocar, as 2h45, a agitação foi tanta que começaram a jogar cerveja para o alto, molhando seus discos e fazendo com que o MC tivesse que pedir para as pessoas se acalmarem.

Autor de “Midnight request line”, até agora o maior sucesso do dubstep, transpondo as barreiras da própria cena, Skream realmente empurra as fronteiras do gênero. Seu set é mais dançante do que os dos seus parceiros, mesmo sem privilegiar as batidas ou perder a essência grave do som.

Skream mostra que sabe capitalzar a atenção que vem recebendo e, para isso, utiliza um dos mais velhos truques do livro dos DJs.

Remixes de músicas conhecidas não são ainda uma prática tão comum no dubsptep. Por isso, a versão em câmera lenta de “Not over yet”, dos queridinhos do Klaxons, é certeira e só pode render mais destaque para as produções de Skream, que já tem um disco lançado, “Skream!” (Tempa).

Checando o relógio várias vezes ao se aproximar do fim do set de uma hora (impressionante como a pontualidade britânica se manifesta até na cena alternativa), Skream olha para pista de dança pela primera vez.

Ri e bate palmas. Ele sabe que não tem pra ninguém.

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Baile – dancehall – dubstep – mashup – dubplate

baile_dancehall_mixtape.jpg

À frente da nova festa Baile-Dancehall, unindo “o dancehall jamaicano com a parte ‘séria’ do funk carioca” (seja lá o que isso quer dizer), com participações ao vivo de MCs, no Bola Preta, MPC organizou uma seleção do que toca na festa.

A “The baile-dancehall mixtape” é mais chapada do que o título pode fazer parecer. Confira as faixas (e as fontes):

1. Duda do Borel – “Collie dance riddim” (mashup exclusivo)
2. Mr. Catra – “Curimba riddim” (Digitaldubs, “Brasil riddims Vol. 1″)
3. Jimmy Luv – “Curimba riddim”
4. B Negão – “Curimba riddim”
5. Biguli – “Curimba riddim”
6. MC Sabrina e DJ Junior (“Baile da Provi”, CD-R)
7. Biggaton – “Caan draw me out” (remix)
8. MPC – “Tamborzão rock” (“Word Sound in Brazil”)
9. MC Sabrina e DJ Junior (“Baile da Provi”, CD-R)
10. Capleton – “Funk milk riddim” (mashup exclusivo)
11. Funk Buia – “Funk milk riddim” (inédita)
12. Cris Dubmaster – “Funk fat style” (inédita)
13. MPC – “Rio-a-dub style” (inédita)
14. MIA – “Rio-a-dub style” (mashup exclusivo)
15. Jimmy Luv – “XP riddim” (inédita)
16. Mr. Catra – “XP riddim” (Digitaldubs, “Brasil riddims Vol. 1″)
17. Sistah Wolff – “XP riddim” (inédita)
18. M7 – “XP riddim” (inédita)
19. MPC – “Django riddim” (inédita)
20. Sizzla – “Django riddim” (mashup exclusivo)
21. Cris Dubmaster – “Old ‘n’ new” (inédita)
22. Elephant Man – “Old ‘n’ new” (mashup exclusivo)
23. Buju Banton – “Diwali riddim”
24. Mack Diamond – Diplo’s “jungle fever riddim”
25. MPC – “Bouncezão” (inédita)
26. MPC – “Bambamzão” (inédita)

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Hermanos en dub

Passando por Buenos Aires, Joca Vidal tocou em um evento ao ar livre da rapaziada da Army of Dub. Mostrou Digitaldubs, Lucas Santtana e outras brasilidades para os hermanos portenhos.

Aproveitou e fez uma matéria, exclusiva para o URBe, com imagens do sound system e entrevista com o DJ Cucho, falando sobre a cena argentina.

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Pra variar, vazou

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Depois da pedrada “Dub side of the moon”, o Easy Star All Stars entorta o clássico “Ok computer”, do Radiohead. “Radiodread” conta, entre outros, com participações de Horace Andy, Morgan Heritage e Sugar Minott.

A data oficial de lançamento é dia 22 de agosto. Mas você pode baixar agora mesmo.

1. Airbag (featuring Horace Andy)
2. Paranoid Android (featuring Kirsty Rock)
3. Subterranean Homesick Alien (featuring Junior Jazz)
4. Exit Music (For A Film) (featuring Sugar Minott)
5. Let Down (featuring Toots & The Maytals)
6. Karma Police (featuring Citizen Cope)
7. Fitter Happier (featuring Menny More)
8. Electioneering (featuring Morgan Heritage)
9. Climbing Up The Walls (featuring Tamar-kali)
10. No Surprises (featuring The Meditations)
11. Lucky (featuring Frankie Paul)
12. The Tourist (featuring Israel Vibration – Skelly Vibe)
13. Exit Music (For A Dub)
14. An Airbag Saved My Dub

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A batalha campal do reggae

Digitaldubs tocando.jpg
Digitaldubs
fotos: Jaqueline Felicíssimo
* Esse texto foi republicado no Rio Fanzine, do jornal O Globo

Ao contrário do que a maior parte das bandas de reggae iô iô que dominam a cena no Brasil faz parecer, a música jamaicana não é (apenas) paz e amor ou aquele ritmo pra ouvir na queda de uma cachoeira, cercado de amigos numa roda de violão.

Prova disso é que o Bukowski e a Casa da Matriz se tornaram campos de batalha quando as principais equipes de som dedicadas ao gênero no Rio, o Digitaldubs Sound System e o Urcasonica Sound System, se enfrentaram, terça e quarta passadas.

Calma, calma. Não houve pancadaria nem nada parecido, a camaradagem imperou nas duas noites. O que aconteceu foi o primeiro sound clash do Rio – talvez do Brasil – um acontecimento histórico.

Sound clashes são disputas entre equipes de som (os sound systems), uma tradição jamaicana que se espalhou pelo mundo e que só agora desembarca por aqui. Como nas batalhas de MCs, tradição do hip hop em que rappers competem para ver quem rima melhor, as equipes de som ficam frente a frente com um objetivo simples: descobrir quem tem a melhor seleção musical pra sacudir a pista. A decisão, claro, é do público.

O que muda são as armas. Ao invés de palavras, cacetadas de grave. Quer dizer, as palavras também fazem parte da disputa, através de músicas feitas especialmente para a competição, conhecidas como specials. As equipes de som convidam ou contratam um cantor/MC (geralmente um nome conhecido) para gravar faixas exclusivas exaltando a própria equipe ou, no caso dos clashes, atacar os rivais.

Os dois principais clashes atualmente são o World Cup Clash, que acontece anualmente em Nova York, e o UK Cup Clash, em Londres. Desafiando a lógica, as grandes sensações desses eventos não são sound systems jamaicanos, mesmo com o bom desempenho do Black Kat ou do Bass Odissey nessas competições. Quem tem levado tudo são os japoneses do Mighty Crown e o atual campeão mundial, o Sentinel, da Alemanha.

Alinhados com as novas sonoridades de reggae, tanto o Digitaldubs quanto o Urcasônica passam longe de discos manjados de Bob Marley. Claro que clássicos de produtores como Bunny Lee, King Tubby e Lee Perry têm espaço – e muito. Mas Sizzla, Burro Banton e Buju Banton, Capleton e Morgan Heritage e outros destaques do reggae contemporâneo também tem vez.

Felipe DB e Ivan Cozac, Urcasonica.jpg
Felipe DB e Ivan Cozac

O primeiro round foi na casa do Urcasônica, no Bukowski, na terça. Após um aquecimento de 30 minutos, cada equipe teve 15 minutos pra mostrar seu repertório e o Urcasônica levou.

No dia seguinte, o Digitaldubs recebeu o adversário na Casa da Matriz para o segundo round e dessa vez eles ganharam. O 1×1 no placar forçou o desempate, disputado imediatamente.

Lencinho, DJ da equipe Solzales Dub, cumpriu bem o papel de apresentador e juiz, explicando as regras, domando as torcidas organizadas que lotaram a Casa da Matriz e apurando os votos entre muitos gritos e braços levantados. Apesar do ineditismo do evento, o público entrou no clima e participou bastante.

No desempate, cada equipe tinha direito a tocar uma música de até 3 minutos, alternadamente. Ambas equipes foram preparadas para o combate. O Urcasônica mostrou seus specials com a participação do Manu Chao (“Resistência”) e a dobradinha Don Negrone e Mario Z em “Campeão”.

Digitaldubs escolhe.jpg
Qual vai ser a próxima?

O Digitaldubs tocou praticamente apenas faixas exclusivas e specials do seu sound system, contando com participações de respeito. Teve BNegão (num remix dubwise de “Prioridades”), Mr. Catra (“Lucro”), M7 (“Pretinho babylon”) Pato Banton (uma versão de “No worries”), Stranjah (“Soundclash part 2″, sobre o riddim “Ali Baba”), Sylvia Tella (versão de “Brothers unite”) e Jeru Banto, exaltando a equipe sobre outro riddim clássico, o “Stalag”.

Na última música, o Urcasônica cometeu um erro fatal. Em dúvida sobre qual seria a melhor música pra encerrar sua apresentação, Ivan Cozac, Bruno LT, Javier Posada e Felipe DB deixaram a pista quase dois minutos em silêncio e passaram mais 30 segundos pedindo barulho, restando apenas outros 30 segundos pra soltar o som.

Não deu. Vitória do Digitaldubs de MPC, Nelson Meirelles e Cristiano Dubmaster, os campeões do primeiro sound clash carioca. Falta agora um evento que reúna outros sound systems, como DubVersão (SP), Bumba Beat (SP) e Echo Sound System (SP), Confronto (Brasília), Solzales (RJ), Calminho (RJ) e Sensorial Sistema de Som (RJ).

DigitalUrca2.jpg
Na amizade

Na comemoração, o Digital soltou um special que dizia que “o Urcasônica já era!”. Será? Literalmente batalhando por seu espaço, o Urcasônica pediu revanche, dessa vez em campo neutro, o Digital aceitou. O bicho vai pegar.

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Ok rasta

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“Radiodread”. Esse é o nome da nova experiência do Easy Star All Stars, a turma responsável pela versão dub do clássico do Pink Floyd “Dark side of the Moon”, o “Dub Side of the Moon”.

O disco em questão é o não menos clássico “Ok Computer”, dos ingleses do Radiohead. A versão reggae conta com participações de Horace Andy, Morgan Heritage, Frankie Paul, e Kirsty Rock e está programada pra sair só em setembro de 2006.

Michael G, produtor do disco (e co-produtor do “Dub side…” com Victor “Ticklah” Axelrod), falou no saite da gravadora Easy Star sobre “Ok computer” e da expectativa em torno de qual seria o sucessor de “Dub side…”:

“Conceitualmente e tematicamente nós sabíamos que o disco era um forte candidato, mas não tínhamos certeza se os arranjos iriam funcionar. Por um lado, ‘Ok computer’ possui melodias marcantes, dinâmica intensa e atmosferas viajantes, por outro, tem mudanças de tempo e de acordes e coisas que não são típicas do reggae. Quanto mais análisavamos, mais tínhamos certeza de que era um disco que tínhamos que fazer.”

Será uma longa espera.

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