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Arquivo: dubstep

Introdução ao dubstep

Dia desses um amigo — não lembro quem — me perguntou o que diabos exatamente era dubstep. Mandei um e-mail (pra pessoa errada!) cheio de links e apontando alguns dos principais nomes. O Chicodub também estava na troca de mensagens e botou pilha pra jogar aqui. Então aqui está.


Kode9 & Spaceape, “9 Samurai”

Kode9 – O pensador do movimento, dono do selo Hyperdub e agitador da rapaziada e está sempre na escalação das principais festas, seja tocando na Dublime, na FWD>> ou DMZ (mais sobre essa última abaixo). Ele é um dos entrevistados do meu doc Dub Echoes, falando de dubstep em 2004, quando isso sequer existia direito. Só o Chico pra ter achado isso. Hoje o cara é uma estrela na Inglaterra. Foi colocado pela gravadora em destaque na capa do DVD do doc,  pra se ter uma idéia. Já tocou no Brasil e encerrou o festival Love Music Hate Racism.


Skream, “Midnight Request Live”

Skream – O hitmaker, até onde se pode considerar que o dubstep produz hits. Foi dele o primeiro sucesso a furar a barreira do nicho, “Midnight Request Live”. São dele os remixes “Not over yet” (Skream remix) (Klaxons) e “In for the kill” (Skream’s Let’s get ravey remix) (da queridinha da vez, La Roux). Ouça a original antes pra sacar o que o cara faz, remix é sempre bom pra dar essa dimensão, né. Tocou numa festinha da minha facul em Londres, eu e mais 20 doidos na platéia e só. Até lá o troço é underground!

Burial – O menino prodígio. Teve seu segundo disco indicado (e quase levou) ao Mercury Prize, o Grammy inglês. É visto como quem empurrou as fronteiras do gênero, falando com mais gente e divulgando o estilo para além do gueto a que estava restrito. Os dois discos, “Burial” e “Untrue”, realmente são muito bons.

Até pouco tempo ninguem sabia quem ele era, permanecia incógnito, gerando comparações com o Banksy. Não havia nenhum motivo especial para isso além de não querer tirar atenção do som (muitos pensavam que era o Kode9, já que os discos saem pela Hyberdub).

Na época da indicação ao Mercury, o cerco arrochou tanto que ele achou que o próprio anonimato estava tirando atenção das músicas e ele mesmo revelou sua identidade. Pode ter sido também pra poder lucrar com a fama, podendo se apresentar ao vivo, coisa que não fazia antes.


DMZ

DMZ – É a principal festa do gênero, que acontece numa antiga igreja, em Brixton, no breu total. Escrevi sobre a festa depois que lá estive.


Tranquera, ao vivo

Tranquera – Dubstep brasileiro, capitaneado por Bruno Belluomi, conhecido e respeitado no exterior.


Rusko, “Jahova” fez um adendo:

Chicodub fez um adendo:

“De cada 10 dubsteps, uns dois, talvez três, sejam bons. Mas quando é bom… Meu amigo, vou te contar: porrada! Os mais puxados pra Jamaica (tem de tudo, até mesmo coisas que nem parecem com dub – a maioria) são atualizações urbanóide-apocalípticas do King Tubby dos anos 70. Lindos, lindos… Porradas, claro. O resto é mais porrada ainda. É cru, esparso, ogro, psicopata, raivoso. Ainda assim, pode ser espacial e climático às vezes. E nessas vezes, mesmo dopado, a tensãozinha tá sempre lá.

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Dub tranq

O Tranquera bora mais uma mixtape na roda, a “Shake Out Your Demons Dubstep Mix”.

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Dubstep doc

“Dubfiles”, um documentário sobre dubstep, dá baixar via torrent. Tem também um outro, da Marie Anne Hobbs, a DJ madrinha da molecada na rádio BBC.

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Bug

Kode 9 fez preparou um minimix para o lançamento de “London zoo”, do seu parceiro de dubstep The Bug. O disco tem participações de uma pancada de gente, de Tippa Irie a colaboradora constante Warrior Queen.

Desde que foi lançado, em julho passado, “The zoo” vem colecionando estrelinhas nas resenhas. Periga traçar um caminho parecido com o do Burial, que com seu “Untrue” foi indicado, e é o favorito nas bolsas de aposta, para levar o principal prêmio da indústria inglesa, o Mercury Prize.

Ano passado o prêmio, que já foi de Roni Size e seu “New forms”, foi para “Myths of the near future”, do Klaxons.

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Em branco

aerial_2562.jpg

Direto da Rough Trade East, “Aerial”, do holandês 2562 é uma PEDRADA de dubstep no seu quengo.

Não vai ter nem resenha, só os auto-explicativos nomes de cinco faixas do disco lançado pelo selo Tectonic, de Bristol.

“Moog Dub”
“Channel Two”
“Techno Dread”
“Basin Dub”
“Greyscale”

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Ecos-ecos-cos-cos-sssss

A primeira edição da festa Dublime na Fabric trouxe uma escalação em sintonia com um certo documentário.

De Lee Perry a Pole, passando por Don Letts, Congo Natty, Kode 9 e alguns dos principais nomes do dubstep, do jungle e do UK Roots, o evento foi um passeio pela linha evolutiva do dub, do berço jamaicano a improvável vertente alemã.

Com três pistas rolando simultaneamente, o esquema era cruel: escolhia-se um nome pra conferir, perdia-se, no mínimo, outras duas coisas muito boas.

Embora não seja uma presença rara em Londres, sendo de Leeds, o Iration Steppas teve prioridade. Tocando na menor pista, com MCs exaltando o time e um grave de amassar o peito, a versão de “Welcome to Jamrock” já valeu o set.

Don Letts fez um set pesado pacas, misturando digidubs com roots, transformando num presente o atraso para o início da apresentação do Lee Perry.

Em sua passsagem pelo Brasil, em 2007, acompanhado por uma banda que não era a sua usual, Lee Perry já fez mágica num pé só (o outro estava engessado), imagina acompanhado por Adrian Sherwood.

Além das bases e efeitos caprichados de Adrian, o grande barato da apresentação é que ela dura exatamente o tempo que Lee Perry leva para pintar um de seus quadros, no palco.

Misturando grafite com as pinceladas naïf, características da decoração do seu chamuscado estúdio, a Black Ark, Perry fala sem parar, entre improvisações e trechos de clássicos como “War inna Babylon”, “Curly locks”.

Perry é primeiramente um produtor, não um artista (embora tenha gravado várias músicas), então o ideal seria vê-lo mixando, coisa que ele já não faz mais.

O show é sim morno, mas isso pouco importa quando se está cara a cara com uma lenda da dimensão (dimensões?) de Lee Perry, com um pincel na mão, pintando os braços de quem os esticasse em sua direção.

Na outra pista, logo na sequência, o Pole tocou com um laptop, mixando e aplicando os efeitos ao vivo, através de uma mesa.

Resvalando no minimal house e mais dançante do que se poderia imaginar pelos discos, o alemão tem mesmo os dois pés no dub, por mais que diga em seu saite que é apenas uma influência.

Com os ouvidos zunindo de tanto grave, a parcela dubstep ficou pra depois.

A escalação completa da festa:

Pista 1 – ROOTS
Lee Perry Soundsystem & Adrian Sherwood (LIVE)
Dillinja (Valve Recordings)
Congo Natty aka Rebel MC (LIVE)
Caspa & Rusko (Dub Police), Loefah (DMZ/ Deep Medi)
Don Letts (Dub Cartel Sound System)
Souljazz Soundsystem
MCs Pokes, Warrior Queen & Rod Azlan

Pista 2: TEC
Pole (LIVE) (Scape/Mute)
Sleeparchive (LIVE)
Kode 9 (Hyperdub)
Scuba (Hotflush)
Pinch (Tectonic/Planet Mu)
Appleblim vs Peverlist (Skull Disco/Punch Drunk)
Downshifter (Skud/Hyponik)
MCs Flow Dan & Rogue Star

Pista 3 – POOM
Iration Steppas (Sub Dub)
Moody Boyz (Studio Rockers)
Antisocial (Deep Medi)
Blackdown & Dusk
Earl Gateshead (Trojan Sound System)
Jonny Trunk (Trunk Records)

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Saída pela esquerda


Video do evento, feito com uma câmera fotográfica digital.
A tosqueira desse formato cada vez fica mais divertida.
Daqui uns anos vira estética.

vídeo: URBeTV

No sábado passado aconteceu, no Victoria Park, o festival gratuito Love Music Hate Racism Carnival, com a presença de Hard-Fi, The View, Get Cape.Wear Cape.Fly, Dennis Bovell, Don Letts, entre outros, coma presença de mais de 100 mil pessoas, segundo os organizadores.

O encerramento ficou com The Good, The Bad and The Queen. Foi uma escolha simbólica, pelo fato do baixista da banda, Paul Simonon, ter sido um dos integrantes do The Clash, atração principal do Rock Against Racism, no mesmo parque, 30 anos antes.

No RAR, o alvo das manifestações era a escalada ao poder do partido nazi-fascista National Front, que perseguia principalmente imigrantes e irlandeses. Passados 30 anos, a situação é parecida, mudam apenas os nomes.

Os atores principais agora são a British National Party (BNP) e os imigrantes dos países árabes (chamados, numa generalização, simplesmente de muçulmanos) e do leste europeu, principalmente os poloneses, recém-integrados a União Européia.

Num clima muito politizado, as atrações transcorreram, sem sustos, entre muitos discursos. O evento é uma maneira de sinalizar, tanto para sociedade, quanto para os imigrantes, que, apesar da forte propaganda, a maior parte dos britânicos não concorda com o pensamento da BNP.

Um pouco estranho, tem-se que dizer, um evento que prega a tolerância, trazer a palavra “odiar” em seu nome. Mesmo que seja odiar o racismo, porque odiar não pode ser bom. A palavra foi repetida diversas vezes durante o dia, nos discursos inflamados.

A recessão batendo a porta é o cenário perfeito para ascenção de partidos de extrema-direita. Os empregos começam a faltar e fica muito fácil convencer a populaçnao de que os imigrantes estão roubando o seu emprego, utilizando isso como de votos.

Por isso, apesar da aparente tranquilidade, foi um evento importante. Basta uma olhada na lavada que os Trabalhistas tomaram nas eleições locais britânicas dessa quinta.

A pior derrota eleitoral em 60 anos, fortaleceu os Conservadores (lembra da Tatcher?), sinaliza que, assustado (e infeliz com o Primeiro Ministro, Gordon Brown), o povo já está.

O encerramento foi com a versão dubstep do clássico do The Specials, “Ghost town”, com base do Kode 9 e vocais do Space ape. O tom perfeito.

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DMZ, a principal festa de dubstep de Londres


fotos e vídeo: URBe
* Esse texto foi republicado na coluna Rio Fanzine, do jornal O Globo

A escada apontando para baixo logo na entrada da DMZ, bi-mestral e mais importante festa de dubstep , é sintomática do clima underground da cena.

Porém, com o dubstep ganhando mais e mais espaço, é natural que após entrar na The Mass, em Brixton, você tenha que subir quatro andares de uma escada em espiral. O efeito desorientador das paredes creme e circulares são apenas um aperitivo do que está por vir.


Rumo ao underground

Na fila para guardar o casaco, alguém pergunta “o que exatamente é dubstep?”, no que é respondido pela menina logo a sua frente com uma rima, tão enigmática quanto explicativa: “bass pace and space” (“graves, ritmo e espaço”).

Do lado de dentro, Mala (do Digital Mystikz) e Loefah, davam uma aula prática para cerca de 500 pessoas espremidas numa pista de dança escura, iluminada apenas de tabela pelas luzes do bar e por uma bola espelhada em algum lugar do teto.


Mala

As batidas lentas e quebradas na maior parte do tempo são encobertas por linhas de baixo monstruosas, que muitas vezes se transformam numa cortina de graves oscilantes. Não é exatamente a definição de um som dançante. No entanto, não é o que os urros da pista a cada rewind demonstram.

Toda vez que uma faixa arranca gritos de “pull up” assim que estoura, na melhor tradição jamaicana, a mão de uma dos diversos MCs e amigos amontoados na cabine — raramente a do próprio DJ — volta a música para o início, proporcionando outra gritaria e prolongando seu clímax.

Durante a noite, duas das faixas que mais geraram berros foram “Poison dart” (com vocais da The Warrior Queen) e “Skeng”, ambas do produtor The Bug, que assistia a tudo do bar, ao lado de Kode 9, outro expoente do dubstep (e que já esteve no Brasil).


Skream atacando

A estrela da noite, porém, é um rapaz de 21 anos que manda o próprios fã “tomar no cu” assim que assume os toca-discos, incomodado com assédio do sujeito que enfia um celular com alguma mensagem digitada na sua cara.

Quando Skream começou a tocar, as 2h45, a agitação foi tanta que começaram a jogar cerveja para o alto, molhando seus discos e fazendo com que o MC tivesse que pedir para as pessoas se acalmarem.

Autor de “Midnight request line”, até agora o maior sucesso do dubstep, transpondo as barreiras da própria cena, Skream realmente empurra as fronteiras do gênero. Seu set é mais dançante do que os dos seus parceiros, mesmo sem privilegiar as batidas ou perder a essência grave do som.

Skream mostra que sabe capitalzar a atenção que vem recebendo e, para isso, utiliza um dos mais velhos truques do livro dos DJs.

Remixes de músicas conhecidas não são ainda uma prática tão comum no dubsptep. Por isso, a versão em câmera lenta de “Not over yet”, dos queridinhos do Klaxons, é certeira e só pode render mais destaque para as produções de Skream, que já tem um disco lançado, “Skream!” (Tempa).

Checando o relógio várias vezes ao se aproximar do fim do set de uma hora (impressionante como a pontualidade britânica se manifesta até na cena alternativa), Skream olha para pista de dança pela primera vez.

Ri e bate palmas. Ele sabe que não tem pra ninguém.

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Dubstep

pic: infinite

O dubstep é um das vertentes mais recentes da música eletrônica, conseguindo algum destaque inclusive internacionalmente. No Brasil, o coletivo Tranquera tem liderado as misturas das batidas tortas do UK garage, grime e linhas de baixo cavalares com os sons locais.

Em Londres, existem duas grandes festa do gênero. A DMZ é a principal delas e acontece a cada seis semanas, em Brixton. A FWD>> é mais constante, toda sexta-feira, na boate Plastic People, em Old Street.

Nessa semana, os residentes Benny Ill e Hijak amassaram a turma que se espremia na Plastic People, lugar que lembra bastante a nossa Casa da Matriz. Se, numa primeira audição, o dubstep parece um som que dificilmente funcionaria para dançar, na realidade sso não pode estar mais distante da verdade.

Aglomerados e enxarcados pela suadeira provocada pelo calor do lugar, os corpos tremiam como se um terremoto em câmera lenta tivesse atingido a pequena pista, completamente as escuras, sem uma luz sequer.

A molecada de boné e casaco preto — e as poucas meninas dispostas a enfrentar a situação — urravam a cada um dos muitos rewinds e ignorava solenemente a lei que proíbe o fumo em lugares fechados se tivesse motivo suficiente a mão.

A próxima DMZ é dia 13 de novembro e, dizem, é uma noitada especial. Daqui um mês vai dar pra dizer.

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Tayo

tayo-fabriclive32.jpg

Uma rápida conferida pelo repertório do Fabric Live 32, misturando breakbeat, dubstep, reggae e mixado pelo DJ Tayo, é o bastante para entender porque é um dos nomes mais quentes da Inglaterra.

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Baile – dancehall – dubstep – mashup – dubplate

baile_dancehall_mixtape.jpg

À frente da nova festa Baile-Dancehall, unindo “o dancehall jamaicano com a parte ‘séria’ do funk carioca” (seja lá o que isso quer dizer), com participações ao vivo de MCs, no Bola Preta, MPC organizou uma seleção do que toca na festa.

A “The baile-dancehall mixtape” é mais chapada do que o título pode fazer parecer. Confira as faixas (e as fontes):

1. Duda do Borel – “Collie dance riddim” (mashup exclusivo)
2. Mr. Catra – “Curimba riddim” (Digitaldubs, “Brasil riddims Vol. 1″)
3. Jimmy Luv – “Curimba riddim”
4. B Negão – “Curimba riddim”
5. Biguli – “Curimba riddim”
6. MC Sabrina e DJ Junior (“Baile da Provi”, CD-R)
7. Biggaton – “Caan draw me out” (remix)
8. MPC – “Tamborzão rock” (“Word Sound in Brazil”)
9. MC Sabrina e DJ Junior (“Baile da Provi”, CD-R)
10. Capleton – “Funk milk riddim” (mashup exclusivo)
11. Funk Buia – “Funk milk riddim” (inédita)
12. Cris Dubmaster – “Funk fat style” (inédita)
13. MPC – “Rio-a-dub style” (inédita)
14. MIA – “Rio-a-dub style” (mashup exclusivo)
15. Jimmy Luv – “XP riddim” (inédita)
16. Mr. Catra – “XP riddim” (Digitaldubs, “Brasil riddims Vol. 1″)
17. Sistah Wolff – “XP riddim” (inédita)
18. M7 – “XP riddim” (inédita)
19. MPC – “Django riddim” (inédita)
20. Sizzla – “Django riddim” (mashup exclusivo)
21. Cris Dubmaster – “Old ‘n’ new” (inédita)
22. Elephant Man – “Old ‘n’ new” (mashup exclusivo)
23. Buju Banton – “Diwali riddim”
24. Mack Diamond – Diplo’s “jungle fever riddim”
25. MPC – “Bouncezão” (inédita)
26. MPC – “Bambamzão” (inédita)

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Sub-graves

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Kode 9
foto: MauVal

Apesar da recente atenção que vem atraindo (a BBC produziu um mini-documentário, filmado no primeiro aniversário da DMZ, principal festa dedicada ao estilo), o dubstep não é exatamente uma novidade. Sua linha evolutiva é confusa, com raízes que abraçam o UK garage, o grime e o drum n bass, além da interseção desses gêneros, o dub.

É difícill, portanto, definir um ponto inicial duma história que vem se desenvolvendo, pelo menos, desde 2001. Um dos principais nomes da cena, o escocês Kode 9 veio ao Rio, como atração do festival Hipersônica, mostrar um pouco do que se ouve na DMZ.

As experiências eletrônicas do canadense Ray XXXX e do inglês Scanner, que vieram antes da apresentação do Kode 9, espantaram boa parte do público. Talvez, algumas cadeiras e pufes tivessem ajudado as pessoas a apreciar aquele som que, certamente, não era voltado para a pista.

Quem esperava que Kode 9 fizesse um set de “hits” do dubstep, como “Midnight request line”, do Skream, foi surpreendido por um live pa sem batidas, feito inteiramente com frequências graves e sub-graves.

Foi apenas a terceira vez que Kode 9 se apresentou nesse formato, sem a presença do MC Spaceape (a não ser pelas imagens no telão), operando um Laptop (rodando o Live) e uma mesa de efeitos.

As frequências de grave eram picotadas, recortadas e sobrepostas, até formar uma base dançante, complementada por alguns ruídos, em alguns momentos resvalando no pancadão e amassando o peito dos presentes.

E falaram que o Daedelus, depois, foi ainda melhor…

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* File + Hipersonica, Mar/Abr

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A divulgação e programação do File e Hipersonica são tão confusas que fica difícil resumir no formato utilizado na agenda. Mesmo assim, tem muita coisa boa e vale a pena conferir.

Pra quem ficar com preguiça de investigar os saites, no Globo On tem um texto reunindo as infos.

* Apesar de classicado como “mais original inovação musical inglesa de 2006″ no saite do evento, o dubstep não é novo, o próprio Kode 9 já tocou no Brasil. O movimento foi matéria na XLR8R ano passado, é verdade, quando a principal festa do gênero, a DMZ, começou a chamar atenção na grande mídia. Antes disso, porém, já havia sido capa da mesma revista em 2002.

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Soltando bolhas

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Bate-estaca e marreta são alguns dos termos nada elogiosos utilizados para descrever o techno. Muitas vezes é verdade mesmo, princpalmente no “sub-gênero” téquinôu, praticamente sinônimo de eletrônica entre fanfarrões e que serve bem pra descrever toda e qualquer farofada digital.

Ainda que aqui o techno esteja diluído e infiltrado por diversas influências, o excelente “Orchestra of bubbles” é um belo cala-a-boca para os que gostam de música eletrônica e ainda tem preconceito com o gênero.

Depois de remixarem um ao outro, Ellen Allien, dona do selo BPitch Control, e Apparat, cabeça do Shitkatapult (esse nome é fantástico) decidiram se juntar para produzir em conjunto. Deu certo.

O techno minimalista de Ellen Allien (que impressiona desde antes do seu último disco solo, “Thrills”) misturou-se as ambientações e entortadas de Apparat, conhecido por suas produções IDM (Inteligent Dance Music, ô sigla…). O resultado é uma espécie de deep techno, um 4×4 menos massante e mais viajandão.

É, de certa maneira, um techno mais acessível que o normal e isso não é pejorativo. Pra curtir sozinho, de fone de ouvido ou pra dançar pequenininho, sem grandes explosões. As músicas nunca estouram, pelo menos não com a força que se costuma ver nas pistas.

É tudo sútil, uma virada, um break, a entrada de um elemento novo. Do dubstep/dancehall abaixo de zero em “Metric”, passando pela quebradeira em “Do not break”, pelo chill out “Edison”, até as pancadas de “Jet” e “Turbo dreams”, tem música pra todos os gostos. Até pra quem não gosta de techno.

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O Globo On Line, 31/08/04

Durante a viagem para os EUA e Inglaterra para fazer o documentário “Dub Echoes”, escrevi uma coluna no Globo On Line, espécie de diário de bordo atualizado sempre que possível.

Essa foi a quinta entrada.

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Ingla is a bitch

A principal preocupação antes de viajar pra Inglaterra era arrumar onde ficar. Tudo por aqui é caro demais. Acabei conseguindo ficar uns dias na casa de uns amigos da Chris Magnavita, ex-colega de MTV. Primeiro na casa do Marcelo, o cara que comanda a comunidade brazuca aqui em Londres através do seu restaurante, o Brasil by Kilo, que aos poucos vai se transformando num centro de cultura brasileira. O prédio de seis andares tem locadora de filmes nacionais, comidas típicas, internet cafe, serviço completo. Quando estão na área, Marky e Patife sempre dão as caras. Depois, foi a vez do Joao hospedar a equipe.

Logo no primeiro dia, três entrevistas foram feitas, começando pelo Mad Professor. O dubman deve pintar no Brasil ainda esse ano para promover sua versão psicodélica do disco “Tranquilo”, do “Marcelino de Lua”, como ele fala. Depois, Kode 9, do coletivo Dubstep, falou sobre as raízes jamaicanas do UK Garage.

Pra fechar, Steve Barrow, um dos chefões da Blood and Fire, principal selo de relançamentos de reggae. Barrow, autor de livros como a bíblia “Rough Guide to Reggae”, tambem é conhecido como o maior colecionador de compactos do estilo, guardando cerca de 9 mil bolachas, organizadas em ordem alfabética, em um dos quartos de sua casa.

No dia seguinte, foi a vez de conhecer o responsável pela Congo Natty, gravadora especializada em jungles rastas até não poder mais.Totalmente em harmonia com sua filosofia, o sujeito nos buscou na estação de trem vestindo um uniforme da Etiópia e falou bastante sobre as mensagens rastafaris das suas músicas e de como isso pode ajudar a empurrar os jovens pra bem longe de lixos pop. Durante a entrevista ele ficou só de cueca e camiseta. Surreal.

Os festivais de verão ainda não acabaram, esse final de semana ainda tem Reading Festival, Leeds, Creamfields e Notting Hill Carnival, o que significa dizer que praticamente todos os artistas do mundo estão ou estarão em Londres por esses dias. Foi durante o ensaio para o Reading que o Roots Manuva falou para o documentário. Talvez em nenhum outro som a fusão entre hip hop e dub feita pelo Roots Manuva saia tão bem e o assunto, claro, foi exatamente isso.

Já Howie B, produtor, entre outras coisas, de “Drum and bass stripped to the bone”, estrelando os riddim twins Sly & Robbie, falou da cena eletrônica como um todo. À vontade na propria casa, Howie defendeu a repetição da música eletrônica e ainda deu a receita ideal para transformar alguem num fissurado em dub: amarre-o pelado em um sofá, raspe todos os pêlos do seu corpo e depois jogue queijo parmesão em cima. Segundo ele, é batata, o sujeito vira dubhead na hora. O resto do papo gravitou nesse mesmo nível de insanidade, com muitas boas declarações.

Semana corrida, agora é visitar o Audio Bullys e David Katz, outro estudioso do assunto. E esses são só os primeiros dias.

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