A cobertura do programa “Bastidores”, do Multishow, da festa de seis anos do URBe — captado toscamente filmando a tela da TVcom a câmera fotográfica, a maneira mais rápida de digitalizar qualquer coisa.
A entrevista foi feita durante o show do Lettuce, quando muita coisa ainda estava dando errado em termos de produção, faltando equipamento… Atenção para minha expressão bién relaxada, hahaha!
Um mês antes da festa, olhando a escalação fechada, bateu uma paranóia de esse ano ter misturado coisa demais. O pop do Boss in Drama com o terror do Apavoramento, os agitados Os Ritmos Digitais e o show calmo do LETTUCE.
Sem falar que o Cine Glória é tão novo que as pessoas mal sabem onde fica. Ou não desconfiam que embaixo da cabeça do Getúlio, na antiga praça do Russel existe um espaço subterrâneo, com cinema e bar. Pra muita gente a ilustração da filipeta (feita pela Arterial) só deve ter feito sentido uma vez lá.
Porém bastou lembrar que é justamente a mistura o sistema nervoso central do URBe. “Tem regra não, lesque”, diria o poeta. É um saite sobre qualquer coisa que seja interessante, e disso a festa estava abarrotada.
E exatametne por isso a festa deu muito certo, sem dúvidas a melhor edição até aqui. Mais de 500 pessoas passaram pela festa e, com a casa lotada, as três horas da manhã ainda havia uma fila gigante de pessoas aguardando, no esquema sai-um-entra-um.
Foi uma pena ver tantos amigos e colaboradores ficarem de fora. Quem esteve do lado de dentro viu uma bela festa.

A instalação da L’Phant
Se tudo deu certo no final, o começo foi caótico. Um festival de lambanças quase botou tudo a perder. A passagem de som estava marcada para as 21h, mas as 21h40 ainda havia uma sessão rolando no cinema, o que atrasou tudo.
Fosse só esse o problema, tudo bem. O lance foi que as três listas de equipamento solicitadas pela atração enviada com antecedência para produção da Matriz (responsável pela casa) foram solenemente ignoradas. Faltando uma hora pra hora marcada pra festa começar, não tinha sub-woofer ou mesmo cabos para ligar os equipamentos na casa!
Por sorte, se ninguém trabalha no escritório, a galera do pesado deu um gás absurdo e conseguimos colocar tudo em pé, minimizando o atraso para 40 minutos — o que é pésssimo e pelo o qual peço desculpas.
Fica o MUITO obrigado ao Pedro Seiler (que esse ano produziu a festa comigo), João Brasil emprestando equipamentos, a Ana e ao Leandro (da Matriz), ao Flavio (chamado na última hora pra resolver galhos), a rapaziada que montou o som e aos funcionários do CIne Glória. Vocês salvaram a festa.
E chega de pitanga que eu prometi que só escreveria um parágrafo sobre isso e já passei da conta.

Projeção da L’Phante na nuca do Getúlio
Montada na entrada, do lado de fora, a exposição da L’Phante pode ser visitada até por aqueles que não conseguiram entrar na festa. Antonio Bokel e Peu Mello montaram uma instalação, composta por um casinha de madeira repleta de trabalhos de novos artistas e uma projeção de fotos.
O espaço fez sucesso e ficou cheio a noite toda. Enquanto em Londres a equipe de remoção de pichações tem aula para reconhecer um Banksy e não fazer besteira, por aqui a Guarda Municipal não entendeu o espírito da coisa e ameaçou remover o “barraco” algumas vezes. Conquistar o respeito e entendimento dos trabalhos de novos artistas é um dos principais objetivos da L’Phante.
A casinha é um aperitivo do que vem por aí. O saite está no ar, a revista impressa é o próximo passo, finalizando com uma galeria para poder expor os trabalhos de maneira permanente.
Lettuce
Marcado para as 23h, o show do LETTUCE começou pouco depois da meia-noite. A princípio o horário preocupou, pois as músicas da banda são calmas e a apresentação no cinema, com o público assistindo sentado. Pra mim, depois de tanta confusão, foi até bom dar uma parada pra respirar.
A carismática Letícia Novaes e parceiro e namorado Lucas Vasconcellos, acompanhados por uma boa banda, resolveram a questão. A decoração com luzes e as trocas de olhares e carícias dos dois no palco foram dando o clima.

LETTUCE
O LETTUCE é uma declaração de amor do casal feita em cima de um palco. Performática, Letícia levou a platéia no bico, lendo seus poemas, interagindo com o divertido telão, apagando as luzes e atuando em frente a uma luz negra.
Deu gosto ver a Letícia tão a vontade . Seus muitos projetos anteriores não refletiam sua criatividade com exatidão. Tentando fazer letras de uma maneira formal, as loucuras escritas e postadas em seu fotolog continuavam melhor que as bandas. Essa equação começa a ser solucionada com o LETTUCE.
Os Ritmos Digitais
Acabado o show, o trio responsável pela festa Os Ritmos Digitais abriu a pista e imediatamente o lugar começou a sacudir. Variando entre 20 e 22 anos, os rapazes tem feito os sets mais bacana que tenho escutado pelo Rio em bastante tempo.
Sem se prender a nenhum gênero, tocam de baile funk a disco music, de remixes da vez a clássicos da música eletrônica — o que não exclusividade deles. O diferencial aqui, como em tudo que presta, é o bom gosto e a capacidade de contextualizar as músicas sem que fique parecendo um balaio de gato.

Milos, Salim e Yugo: Os Ritmos Digitais
É característica dessa geração, que já cresceu na internet. Tem gente que chama de geração DDA, prefiro ver como pessoas que tem capacidade de enxergar em 360 graus. Gente boas demais, Millos Kaiser, Rafael Salim e Yugo são a ponta de uma turma que inclui cineastas, fotógrafos e designers. Todos começando, sim, mas bastante promissores.
Com a pista do jeito que ia, deu trabalho tirar os três dos toca-discos. Vinda de longe, a atração seguinte estava seca pra tocar e já montava os equipamentos.
Boss in Drama
O paranaense Péricles Martins vem chamando atenção com suas produções pop há algum tempo. Recentemente foi citado por Justin Timberlake em seu blogue, com direito até a vídeo do hit “My Favourite Song”. O momento é do Boss in Drama.

Boss in Drama: a pista pega fogo
Péricles já havia tocado por aqui duas vezes, ambas no Dama de Ferro, uma como DJ e outra com o rascunho do seu projeto ao vivo. Essa foi a primeira apresentação oficial do Boss in Drama no Rio e, como pedia a ocasião, ele veio com tudo.
Além do laptop e dos controladores Midi, Péricles canta ao vivo, toca baixo e o também o zaralho, jogando confete, spray de espuma, estourando serpentinas, acendendo velas faíscantes e passando boa parte do set dançando no meio da pista.
O som funkeado, dançante e pop agradou em cheio, sobretudo as meninas, soltando as cinturinhas. Devido as mudanças de horário, coube a mim a ingrata tarefa de tocar em seguida.
O aniversário do URBe tem um elemento mágico, que faz com que tudo dê certo. Como tenho tocado mais com os parceiros da CALZONE na própria festa ou em eventos com dois ou três deles junto, fazia tempo que não tocava tanto tempo.
Ando meio cansado desses sets de revezamento, porque não dá tempo de evoluir muito. Dessa vez, com tempo, lembrei inclusive que sei mixar. Há bastante tempo não saia das carrapetas tão satisfeito. Como em uma hora ninguém veio pedir nenhuma música, imagino que a pista se agradou também.
Apavoramento Sound System
O gran finale da noite ficou por conta do Apavoramento Sound System, parceiros de longa data e sempre presentes nas celebrações do saite. Integrantes do ASS já tocaram com seus diversos projetos paralelos em várias festas.
Dessa vez eles vieram com o projeto oficial, o live mais aterrorizante do planeta. Só faltou o DJ Nepal, tocando em outra festa, mas fora ele, o ASS veio com tudo: dançarinas, MC, telão, o kit completo.

Blunt e John Woo aka Juan Wooles
Infelizmente, o ASS foi o mais prejudicado com os problemas de produção da festa. Tocando dentro do cinema sem um PA de apoio decente, o som não saiu com a pressão de costume, e também não estava sendo reproduzido na pista de dança.
Isso atrapalhou um pouco o começo da apresentação, mas rapidamente as pessoas perceberam que era pra entrar na sala e o baile começou.
Foi uma espécie de ensaio aberto do novo show do grupo. De dentro da cabine de projeção, John Woo e Blunt comandavam o telão e os graves, enquanto no palco o MC Neurose e as dançarinas faziam a frente, interagindo com a platéia.
O set foi curto (e encurtado pelos próprios), então logo depois a festa foi entregue novametne aos Ritmos Digitias. As 4 e blau eles começaram tudo outra vez, enchendo a pista e dando continuidade a festa, que foi até, veja só que emblemático, as 6h.

Isabel entrevista Woo
Pra quem perdeu, há ainda uma chance de ao menos ver como foi. A equipe do programa “Bastidores” do Multishow, apresentado pela Isabel Wilker, passou por lá pra fazer uma matéria, entrevistando os artistas e contando um pouco da história da festa. Quando for ao ar eu aviso.
Do lado de cá, em meio a correria e diversão, tirei poucas fotos e, obedecendo ao ditado “casa de ferreiro, espeto de pau”, mais uma vez não produzi um vídeo decente da festa. Seis festas, sei lá quantas atrações e pouquíssimos registros oficiais. Péssima visão comercial…
Tudo certo, o intuito não é mesmo esse. Quem estava lá curtiu, vai lembrar e contar para os amigos. Como sabemos, o que vale é o boca-a-boca. E ano que vem tem mais.

Ainda me recuperando da festa sábado, logo mais subo a resenha. Enquanto isso, vai vendo umas fotocas.

A Adidas emitiu um comunicado oficial (publicado por JP Cuenca em seu blogue) posicionando-se sobre a questão de ter promovido uma festa numa casa com memorabilia nazista.
Basicamente, a marca esquivou-se da polêmica, transferindo a culpa para produção do evento e para o dono do imóvel.
Realmente, o principal personagem nisso tudo é quem coleciona esse tipo de coisa. No entanto, isso não exime a empresa que ofereceu o evento de responsabilidade. Pode não ser apenas deles, mas é também deles.
Trata- se de uma gafe. Gigantesca, é verdade, porém é improvável que a marca alemã tenha propositadamente buscado um lugar com esse tipo de decoração para sua festa.
Qualquer um com o mínimo de bom senso há de concordar que buscar por sinais nazistas não é algo que cruze a mente de quem está procurando locação. Imagine o telefonema:
Produtor - Achei o lugar da festa! Conferi e não tem nenhuma memorabilia nazista.
Cliente - Boa! Estava preocupado com isso.
Quer dizer, a partir de agora o diálogo é até bem provável. Não era antes.
O assunto poderia ter sido tratado de maneira muito mais elegante, admitindo-se a infeliz confusão e pedindo desculpas. Mesmo que isso não diminuísse a gravidade dos fatos.

foto: JP Cuenca/Michel Melamed
Recebi um e-mail do JP Cuenca relatando descobertas estranhas feitas na badalada festa da Adidas, no Rio:
“Os azulejos da piscina, que você vê abaixo [NE: no caso, acima], levam o que parecem ser suásticas nazi (estão orientadas no sentido dos ponteiros do relógio, ainda que não estejam inclinadas). Poderia ser apenas um detalhe que geraria comentários ambíguos se, num dos bares onde foram servidas bebidas, não pudesse se ver uma águia com a inscrição “Hamburg Kriegsmarine” por trás das pilhas de copos da Adidas”
O texto completo e mais fotos estão no blogue do Cuenca no Globo On Line.
Os organizadores devem estar se lamentando de ter convidado gente tão atenta.
Hoje (16/Jan) toco no Baile Curinga, graças a um convite irresponsável dos organizadores da festa. Vou gastar o eject do CD-J.
As Rariús falam da festa durante a passagem de som
Hoje no Claro Cine tem a festa pernambucana I Love Cafusú, que começou como um bloco de carnaval e foi uma das inspirações para criação da CALZONE.
Buscando algo diferente de noites eletrônicas dedicadas a um só gênero, já existia entre nós a idéia de fazer algo mais bagunçado quando o Pedro Seiler voltou do Recife falando de uma festa que tocava de Gretchen a Daft Punk, de Roberto Carlos a MC Leozinho e decorações bizarras.
Chegou a hora de conferir a zorra recifo-olindense, pela primeira vez no Rio.
Lounge 69 (Rua Farme de Amoedo, 50)
Combo - The Glimmers, Gustavo MM, Badenov e Rafael RM2
31 de outubro (sexta-feira)
23h30
R$ 45, R$ 15 (lista-amiga)
Os dois primeiros a disparar um e-mail para disalvo@segundomundo.com recebem um par de convites para festa.
Discoland
James Murphy & Pat Mahoney
Glass Candy
Ewan Pearson
Efdemin
Badenov & Gustavo MM
04 de outubro (sábado), Rio de Janeiro
Segunda, feriado em Londres, foi um dia estranho.
Começou com a organização confusa do Notting Hill Carnival, praticamente impedindo a circulação das pessoas pelas áreas que interessavam, e continuou com um quase-confronto com Tricky (irritado por ter que dividir uma mesa num restaurante em que não há outra maneira de sentar, sendo que foi ele quem chegou depois).
Já de madrugada, enquanto Andrew VanWyngarden, do MGMT, circulava pelas redondezas como se estivesse vestido para um show, uma das festas mais comentadas de Londres, a Durrr estava começando.
Surgida após o fim da Trash, a qual muitos creditam o “renascimento” do rock e o “fim” da ditadura eletrônica nos clubes, ambas foram concebidas por Erol Alkan, dessa vez um pouco mais distante, sem ocupar o posto de residente dos embalos de segunda a noite na The End.
Misturando os tais “novos sons” com pepitas da antiguidade, aparentemente foram absolvidas pela passagem do tempo, toca um pouco de tudo.
Na pista 1, o convidado da noite, Boys Noize, mostrava um techno com influências de electro, retão, sem melodias, pálido em comparação as seus remixes distorcidos. Apesar de misturar os mesmos dois estilos, não teve um pingo da elegância do eletechno de sua conterrânea, Ellen Allien.
Na pista 2, “Electric feel” (MGMT) e “Sensual seduction” (Snoop Dogg) revezavam-se a “Papa don’t preach” (Madonna) a “Buffalo stance” (Neneh Cherry), algumas das músicas em versões remixadas, com graves lá em cima e batidas quebradas e secas.
A Durrr é a única festa que acontece na The End que tem um código de vestimenta, apesar de nunca ser esclarecido exatamente que código é esse. Com isso, muita gente é barrada na porta, perguntando, um tanto humilhados, “o que está errado comigo?”.
Por algum motivo, a festa não pega. Parte da culpa é do público, posudo e preocupado demais em chocar, fantasiados de assaltei-o-armário-da-minha-avó. A outra parte pode ser creditada a produção da festa e da boate.
Na entrada, uma menina levou um belo esporro por ter ousado pagar a entrada de 6 libras em moedas (a caixa argumentava que não podia perder tempo contando moeda, pois queria dançar).
Na pista de dança, duas meninas tomaram uma chamada do segurança ao dar um pulinho para se abraçarem quando se encontraram. Na área de descanso, quem tirar um cochilo é acordado com uma faixo de luz na cara.
Nesse clima, realmente é difícil qualquer festa empolgar Pode ter sido só essa noite, mas que foi estranho, foi.
Como toda boa festa, a promovida semanalmente há quatro anos pelo Digitaldubs Sound System na Casa da Matriz também chega ao fim.
A despedida será nessa quarta, 13 de agosto. Abaixo, o MPC explica a decisão de desligar o som.
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URBe - Que papo é esse de última festa?
MPC - Depois de quatro anos tocando toda quarta-feira, sentimos a necessidade de
tirar umas férias da festa e ter mais tempo pra nos dedicar a outras coisas. O Digitaldubs não é só uma festa, temos um estúdio onde produzimos nosso som e também outros artistas, temos um selo, distribuição, etc. As vezes fica coisa demais pra gente fazer, chegou a hora de mudar o foco.
O fim da festa deixara um vazio na cena reggae carioca. Essa esfriada da cena não pode ser prejudicial para o próprio DD?
Com certeza vai deixar um vazio, pois atualmente éramos o único ponto semanal da cultura sound system no Rio. Mas espero que seja por pouco tempo. Hoje, diferente de quando começamos, existem vários outros grupos se movimentando por aqui. Espero que apareçam mais festas pra que o povo (e eu tambem!) possa curtir com frequência.
Você acha que com as festas semanais tava rolando uma super-exposicao, é hora de se esconder um pouco?
Pode ser que, depois de quatro anos, tenha ficado fácil demais pra ver o Digitaldubs no Rio. Tem aquela velha estória que “o jardim do vizinho é sempre mais bonito” ou que “queremos sempre o que não temos”. Talvez com a falta da festa toda semana, role uma saudade da galera.
Qual o balanço desses anos da festa na Matriz?
Muita coisa rolou mesmo. A festa semanal foi muito importate pra nossa evolução e também a evolução da cena do Rio, e talvez do Brasil mesmo.
Recebemos muita gente pra tocar na nossa festa, vários cantores, DJs, sound systems… Artistas da nossa cidade, de outros estados, de outros países… Muitos DJs, cantores e MCs se influenciaram pelo nosso trabalho e muitos também tiveram suas primeiras chances na nossa festa.
Muitas músicas foram compostas nas festa, de improviso, e depois foram gravadas no estúdio. Outras ficaram conhecidas na festa bem antes de serem lançadas.
Algumas ediçoes historicas tiveram como convidados Tippa Irie, Dj Perch (Zion Train), Mr. Catra, Black Alien, BNegão, WordSound (NY), Buguinha Dub, teve o sound clash contra o Moa Ambessa… Muita coisa pra listar aqui…
Quem quiser ver o Digitaldubs a partir de agora faz como?
O Digitaldubs está lançando disco novo em setembro (Funk Milk Riddim). Em breve vamos divulgar as datas da turnê que vai rolar em várias cidades do Brasil e também Chile, Argentina e México. Na volta, em novembro, deve rolar o lançamento no Rio.
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